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quinta-feira, 24 de novembro de 2011

A PEDRA QUE SUSTENTA



Marco Polo descreve uma ponte, pedra por pedra.
– Mas qual é a pedra que sustenta a ponte? – pergunta Kublai Khan.
– A ponte não é sustentada por esta ou aquela pedra – responde Marco –, mas pela curva do arco que elas formam.
Kublai Khan permanece em silêncio refletindo. Depois acrescenta:
– Por que falar das pedras? Só o arco me interessa.
Polo responde:
– Sem pedras o arco não existe.
(Italo Calvino – As cidades invisíveis)

Em outras palavras:

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

O LOUCO




Perguntais-me como me tornei louco.
Aconteceu assim: um dia, muito tempo antes de muitos deuses terem nascido, despertei de um sono profundo e notei que todas as minhas máscaras tinham sido roubadas - as sete máscaras que eu havia confeccionado e usado em sete vidas - e corri sem máscara pelas ruas cheias de gente, gritando:
"Ladrões, ladrões, malditos ladrões!"
Homens e mulheres riram de mim e alguns correram para casa, com medo de mim e quando cheguei à praça do mercado, um garoto trepado no telhado de uma casa gritou:
"É um louco!"
Olhei para cima, pra vê-lo. O sol beijou pela primeira vez minha face nua. Pela primeira vez, o sol beijava minha face nua, e minha alma inflamou-se de amor pelo sol, e não desejei mais minhas máscaras. E, como num transe, gritei:
"Benditos, benditos os ladrões que roubaram minhas máscaras!"
Assim me tornei louco.
E encontrei tanto liberdade como segurança em minha loucura: e a segurança de não ser compreendido, pois aquele desigual que nos compreende escraviza alguma coisa em nós.
(Khalil Gibran)

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

SÍNDROMES - A EDUCAÇÃO E OS PAIS


Por Ana Cristina Guimarães (Médica Dermatologista – livre pensadora)

Relativo a:
http://saudeconsciencia.blogspot.com/2011/09/saude-x-doenca-geracao-z-tdah.html
http://saudeconsciencia.blogspot.com/2011/09/sindromes-uma-reflexao.html                     
           




"Ao invés de deixar o mundo melhor para seus filhos,
pense em deixar filhos melhores para o mundo"

      Ainda sobre o tema da educação e da super medicação de nossas crianças, quero levantar a questão de NOSSA responsabilidade sobre isto. Como podemos mudar a escola de nossos filhos e a questão do consumo de medicamentos tarja preta? Uma vez que tomamos consciência destes fatos então devemos tomar atitudes coerentes.

Primeiro, a escolha da escola.

Quantos de nós reclamamos das escolas, mas na hora de decidir onde os filhos irão estudar nos preocupamos apenas com os resultados que freqüentemente aparecem nas matérias de jornais? Devemos escolher uma escola que dê valor à formação e não ao depósito de informação, preparar para provas de ENEM ou vestibulares, e esta escolha é NOSSA responsabilidade.

Reclamamos... Meus filhos não lêem nada, não têm interesse etc. Mas dedicamos tempo lendo um livro com eles? Mostramos matérias interessantes nos jornais? Ou apenas compramos o videogame mais caro? Também NOSSA responsabilidade...

Meus filhos têm TDAH, DM, TPM, e tomam medicamentos tarja preta, a culpa é do médico e do sistema? Ou será NOSSA RESPONSABILIDADE? Levamo-los ao clube, jogamos futebol, vamos fim de semana à praia; ou passamos 12 horas trabalhando para comprar um BMW e chegando em casa cansados, ligamos a TV dando apenas um “OI” desanimado quando eles vêm nos cumprimentar...




Precisamos estar atentos às nossas atitudes, pois mesmo sabendo de tudo que o Sr. Mário Inglesi pertinentemente nos mostrou, podemos de alguma maneira estar contribuindo para as coisas estarem como estão...
      Veja esta análise sobre a questão da disciplina: "Palmadas, chineladas e porradas da educação ausente" em:


O sistema que estamos criticando não caiu do céu dado por uma nave alienígena, esta aí por nossa responsabilidade. Nossos pequenos atos do dia a dia podem parecer não ter conseqüências, mas quando somados se transformam no que estamos vivendo hoje. É preciso coragem para encarar este fato, mas uma vez isto feito podemos iniciar pequenas mudanças em nossas vidas que no futuro se espelharão numa sociedade melhor.

Circula também na rede, o seguinte fragmento:

Cenário 1: João não fica quieto na sala de aula. Interrompe e perturba os colegas.

· Ano 1959: É mandado à sala da diretoria, fica parado esperando 1 hora, vem o diretor, lhe dá uma bronca descomunal e até umas reguadas nas mãos e volta tranqüilo à classe. Esconde o fato dos pais com medo de apanhar mais. Pronto.

· Ano 2011: É mandado ao departamento de psiquiatria, o diagnosticam como hiperativo, com transtornos de ansiedade e déficit de atenção em ADD, o psiquiatra receita Rivotril. Transforma-se num zumbi. Os pais reivindicam uma subvenção por ter um filho incapaz e processam o colégio.

Cenário 2: Luis, de sacanagem quebra o farol de um carro, no seu bairro.

· Ano 1959: Seu pai tira a cinta e lhe aplica umas sonoras bordoadas no traseiro. A Luis nem lhe passa pela cabeça fazer outra nova "cagada", cresce normalmente, vai à universidade e se transforma num profissional de sucesso.

· Ano 2011: Prendem o pai de Luis por maus tratos. O condenam a 5 anos de reclusão e, por 15 anos deve abster-se de ver seu filho. Sem o guia de uma figura paterna, Luis se volta para a droga, delinqüe e fica preso num presídio especial para adolescentes.

Cenário 3: José cai enquanto corria no pátio do colégio, machuca o joelho. Sua professora Maria, o encontra chorando e o abraça para confortá-lo...

· Ano 1959: Rapidamente, João se sente melhor e continua brincando.

· Ano 2011: A professora Maria é acusada de não cuidar das crianças. José passa cinco anos em terapia pelo susto e seus pais processam o colégio por danos psicológicos e a professora por negligência, ganhando os dois juízos. Maria renuncia à docência, entra em aguda depressão e se suicida.

Cenário 4: Disciplina escolar

· Ano 1959: Fazíamos bagunça na classe... O professor nos dava uma boa "mijada" e/ou encaminhava para a direção; chegando em casa, nosso velho nos castigava sem piedade e no resto da semana não incomodávamos mais ninguém.

· Ano 2011: Fazemos bagunça na classe. O professor nos pede desculpas por repreender-nos e fica com a culpa por fazê-lo. Nosso velho vai até o colégio dar queixa do professor e para consolá-lo compra uma moto nova para o filhinho.

Cenário 5: Horário de Verão.

· Ano 1959: Chega o dia de mudança de horário de inverno para horário de verão. Nada acontece.

· Ano 2011: Chega o dia de mudança de horário de inverno para horário de verão. A gente sofre transtornos de sono, depressão, falta de apetite, nas mulheres aparece até celulite.

Cenário 6: Fim das férias.

· Ano 1959: Depois de passar férias com toda a família enfiados num Gordini ou Fusca, é hora de voltar após 15 dias de sol na praia. No dia seguinte se trabalha e tudo bem.

· Ano 2011: Depois de voltar de Cancun, numa viagem 'all inclusive', terminam as férias e a gente sofre da síndrome do abandono, "panic attack", seborréia, e ainda precisa de mais 15 dias de readaptação.

Cenário 7: Saúde.

· Ano 1959: Quando ficávamos doentes, íamos ao INPS aguardávamos 2 horas para sermos atendidos, não pagávamos nada, tomávamos os remédios e melhorávamos.

· Ano 2011: Pagamos uma fortuna por plano de saúde. Quando fazemos uma distensão muscular, conseguimos uma consulta VIP para daqui a 3 meses, o médico ortopedista vê uma pintinha no nosso nariz, acha que é câncer, nos indica um amigo dermatologista que pede uma biópsia, e nos indica um amigo oftalmologista porque acha que temos uma deficiência visual. Fazemos quimioterapia, usamos óculos e depois de dois anos e mais 15 consultas, melhoramos da distensão muscular.

Cenário 8: Trabalho.

· Ano 1959: O funcionário era "pego fazendo cera" (fazendo nada). Tomava uma regada do chefe, ficava com vergonha e ia trabalhar.

· Ano 2011: O Colaborador pego "desestressando" é abordado gentilmente pelo gestor que pergunta se ele está passando bem. O colaborador acusa-o de bullying e assédio moral, processa a empresa que toma uma multa, o colaborador é indenizado e o gestor é desligado.

Passado, presente e futuro, três “lados” da mesma moeda...

Em que lado você se vê?

A primeira mudança é na NOSSA consciência e nas NOSSAS atitudes!!!

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

A BORBOLETA AZUL



Havia um viúvo que morava com suas filhas curiosas e inteligentes. As meninas sempre faziam muitas perguntas. Algumas ele sabia responder, outras não. Como pretendia oferecer a elas a melhor educação, mandou as meninas passarem as férias com um sábio que morava no alto de uma colina. O sábio sempre respondia todas as perguntas sem hesitar. Impacientes as meninas resolveram inventar uma pergunta que ele não saberia responder. Então uma delas apareceu com uma linda borboleta azul que usaria para pregar uma peça no sábio.
– O que você vai fazer? Perguntou a irmã.
– Vou esconder a borboleta em minhas mãos e perguntar se ela está viva ou morta.
– Se ele disser que ela está morta, vou abrir minhas mãos e deixá-la voar, se ele disser que ela está viva, vou apertá-la e esmagá-la. E assim qualquer resposta que o sábio nos der estará errada!
As duas meninas foram então ao encontro do sábio que estava meditando.
– Tenho aqui uma borboleta azul. Diga-me sábio. Ela está viva ou morta?
Calmamente o sábio respondeu:
– Depende de você... ela está em suas mãos.

terça-feira, 1 de novembro de 2011

A MINHA AVÓ


Graça Mota Figueiredo 
Médica Psiquiatra Especialista em Cuidados Paliativos (mottacruz@terra.com.br) 

Eu convivi muito pouco com a minha avó paterna; tinha 5 anos quando ela morreu...

E ela morreu suavemente, tão suavemente quanto sempre viveu...
Morreu silenciosamente, sem fazer barulho, assim como fez a vida toda...
Eu era a única filha do seu filho mais velho, a quem ela idolatrava; transferiu prá mim, talvez, o amor que sobrava, depois de amar muito o filho. Não me fiz de rogada: amava-a com paixão!
Ela me protegia escandalosamente: me tirava da cama onde meus pais, ótimos educadores, tinham me colocado na hora certa de criança dormir.
Brincava comigo do que eu quisesse, até ouvir os passos deles voltando do cinema ou da visita a amigos; aí, numa cumplicidade deliciosa, cobria os meus olhos brilhando e o meu cabelo suado e despenteado, no melhor estilo de alcoviteira...
Eu a adorava!
Como meu avô já morrera há muito, ela passava temporadas com cada um dos filhos. A sua chegada em casa se parecia com o Natal, pouco importando que não fosse dezembro.
Ela sempre se fazia anunciar, como uma grande dama, ou apenas porque sabia que assim, temperado pela espera, o meu prazer ficava maior.
Uma noite, entretanto, ela chegou sem aviso...
Sentou-se na beira da minha cama, me acordou suavemente, fez sinal de silêncio com o dedo nos lábios, e eu entendi que aquele momento era só nosso.
Conversamos a noite toda; não guardei a nossa conversa, mas me lembro até hoje do calor da sua mão na minha testa, do sorriso doce e amoroso presente a noite toda no seu rosto enrugado.
Em algum momento ela me disse que ficasse bem quietinha até a manhã do dia seguinte, porque precisava ir embora.
Crianças são só sentimento e muito pouca lógica; deve ter sido por isto que não achei estranha a sua presença sem aviso e nem me assombrei com a partida dela em plena madrugada...
Dormi de novo, envolta na expectativa das nossas brincadeiras dos próximos dias.
Pela manhã meus pais me acordam, e eu soube que o momento era sério...
A expressão dos seus rostos não me deixava dúvida, e eu achei melhor não falar de alegria naquela hora; deixaria para falar da vovó mais tarde. Mas não tive chance: eles me contaram suave e delicadamente, que ela morrera naquela madrugada.
Só muitos anos mais tarde eu contei a eles que a vovó estivera comigo enquanto morria.
Este foi o nosso segredo por muito tempo...

NEUROPLASTICIDADE E SABEDORIA - PARTE III

Este artigo é uma continuação de:
http://saudeconsciencia.blogspot.com/2011/07/neuroplasticidade-e-sabedoria-parte-i.html
http://saudeconsciencia.blogspot.com/2011/07/neuroplasticidade-e-sabedoria-parte-ii.html

Vale do Matutu – MG – Foto de Flávio Gago (Paineira com via láctea ao fundo)

SEMEIE UM PENSAMENTO E COLHERÁ UMA AÇÃO
SEMEIE UMA AÇÃO E COLHERÁ UM HÁBITO
SEMEIE UM HÁBITO E COLHERÁ UM CARÁTER
SEMEIE O CARÁTER E COLHERÁ O DESTINO
Píndaro – fragmentos (400 a.C)
Talmud (500 d.C)
W.Makepeace Thackeray (1863)
Samuel Smiles (1904)

Recentemente até mesmo o fato de ser obeso ou esbelto mostrou guardar relação íntima com o processamento neural e conseqüentemente com a neuroplasticidade, visto existirem diferenças entre o cérebro de obesos e o de magros, vide: (http://diabetes.diabetesjournals.org/content/60/6/1699.abstract). A inflamação observada no cérebro de pessoas obesas se associa a uma alteração na resposta às informações sobre a gordura corporal, gasto calórico e ingestão alimentar. Estudos funcionais, em obesos, mostram um menor nível da atividade cerebral do hipotálamo (responsável pelo controle da massa corporal). O mais interessante é que após emagrecer – especialmente a partir da mudança de hábitos alimentares – a inflamação se resolve naturalmente.

Normalmente a gordura corporal é monitorada pelo cérebro por meio de uma substância chamada leptina. Quando há excesso dessa substância, o hipotálamo, que controla a ingestão calórica, fica mais sensível à saciedade. Entretanto, no processo inflamatório cerebral, o hipotálamo perde em parte a capacidade regulatória entre ingestão calórica e saciedade. Assim, a massa corporal e o processamento neural parecem estar em relação íntima, algo como uma “sabedoria” instintiva que reflete na silueta de cada ser?




Os neurônios em nossos cérebros e as estrelas de nossa galáxia pertencem à ordem de grandeza dos bilhões. Faz pensar e no mínimo desconfiar de tamanha coincidência. Poderia haver alguma relação matemática entre nosso corpo e o cosmos?

As sinapses, junções especializadas que comunicam os neurônios, são estereologicamente estimadas no encéfalo de uma criança em 1.000 trilhões, declinando com a idade até a ordem de 100 a 500 trilhões no adulto. Os usuários de substâncias como o álcool são predispostos a perder sinapses de forma mais acentuada por lesão dos dendritos neuronais.





Quanto maior o número de sinapses, maior a capacidade de realizar uma tarefa, seja ela motora, comportamental ou de aprendizado. Durante meu doutoramento em neuroplasticidade, fiquei muito impressionado sobre como pode ser possível sabermos cada vez mais sobre cada vez menos! Ao mesmo tempo, como cada vez mais se perde a capacidade de maravilhamento com as pequenas coincidências que permeiam nosso dia a dia...




Sabemos muito pouco sobre aquilo que importa: o todo, invariavelmente maior que a soma das partes! Este fato leva à percepção de algo frustrante em relação à ciência. Feita no sentido de proporcionar um mundo melhor, apenas eventualmente consegue a partir de seus resultados gerar um conhecimento sintético do qual todos possam se beneficiar. As técnicas são tão específicas e os ambientes de laboratório tão controlados, que os achados são dificilmente aplicáveis ao cotidiano repleto de variáveis não computáveis. As descobertas, mesmo as mais sensacionais, na maioria das vezes parecem não ter utilidade imediata, além do favorecimento do detentor da patente.
       A política de verbas para o fomento à pesquisa restringe muito o aspecto do gênio inovador que deve fazer parte do pesquisador comprometido. Assim, uma maioria faz pesquisa repetindo modelos consagrados, com pequenas modificações, visando publicar e garantir verbas para novos projetos e apenas raramente olhar para algo novo e inusitado. É pena que este tipo de relação funciona justamente como um bloqueio ao real desenvolvimento da ciência, residindo nos poucos que ousam inovar, a esperança de descobertas que realmente impulsionem a ciência e não apenas se comprometam em manter um status quo de congelamento do pensar, através a repetição ad nauseam do que já é sabido. Veja: http://www.slow-science.org/

Como então trazer alguma idéia sintética de aplicação imediata, que possa ser alcançada, a partir de tantas e tantas análises e estudos? Pensar a neuroplasticidade de forma ampliada, à semelhança do que ocorre nas culturas de células, é pensar em analogias envolvendo as pessoas, que de algum modo são células do grande e único organismo humanidade. Isso é uma forma de pensar consciente ou pensar saudável.

Quando se cria o hábito de fazer as coisas de uma determinada forma, é muito trabalhoso o processo de criar um novo hábito. Hoje, por exemplo, está disseminado em nosso meio, principalmente em noticiários, o gosto pelo que choca e deprime. Quem inventou que isso dá ibope?

Quando vestimos uma camisa, sentimos a textura do tecido em nosso corpo, pois o sentido do tato identifica-o. Com o passar do tempo, no entanto, deixamos de sentir a camisa, como se nos acostumássemos à sensação do tecido e, para senti-lo novamente, precisamos atritá-lo ao corpo. Esse processo de acomodação não acontece apenas com o tato, mas com todos os nossos sentidos. Dessa forma, a repetição constante de determinados estímulos pode anestesiar ou sedar nossos sentidos sem que sequer possamos nos dar conta de que isto esteja acontecendo. Esse processo de repetição é muito explorado em técnicas conhecidas como subliminaridade, neurolinguística e neuromarketing não apenas para aumentar vendas e promover o consumo de determinados produtos, mas também para conduzir e sugestionar a opinião pública sobre o que é “melhor” para ela. Veja artigo do New York Times a respeito:


Os circuitos cerebrais que se ativam quando se vivencia ou se lembra de um determinado acontecimento são os mesmos. A repetição da violência acostuma nossos sentidos de forma que passamos a achar normais situações que não são humanamente aceitáveis. Além disso, assuntos privados pertinentes às vidas de outras pessoas que deveriam ser tratados por órgãos responsáveis invadem casas e permeiam jantares misturando-se ao alimento e intoxicando inconscientemente sem nenhuma utilidade ou benefício real. Existem muitas coisas boas acontecendo a todo o momento no mundo que superam as coisas ruins, então porque os noticiários do horário “pobre” insistem em só mostrar o que não é bom quando tanta coisa boa poderia estar sendo mostrada?

A neurociência sustenta estas observações com base na descrição dos neurônios em espelho por Rizzolatti e colaboradores nos anos 80 do século passado (Rizzolatti G.;Craighero L.. THE MIRROR-NEURON SYSTEM. Annual Review of Neuroscience. Vol. 27: 169-192; 2004). Estes neurônios disparam quando uma pessoa age ou quando observa outra pessoa realizando a mesma ação. Por intermédio destas células um ser humano se coloca em estado de empatia em relação a outro, simulando em quem assiste a uma cena reações semelhantes àquelas de quem a está realizando. Isto adquire importância suprema quando pensamos em uma pessoa sendo invadida por imagens da TV, que já foi televisão e que hoje é tiravisão. O efeito Madre Teresa descrito por Mc Cleland, psicólogo estudioso da motivação humana, também reforça e ilustra o efeito depressivo ou estimulante de imagens projetadas, sobre o sistema imunológico do assistente.


Quando pessoas saudáveis assistem a atitudes de pessoas doentes (emocional, mental ou socialmente), o sentimento vivenciado decorrente da atitude egoísta pela pouca consciência do próximo causa retração no ser saudável cuja fisiologia se ressente do ponto de vista neuroimunológico, predispondo à doença ao sentir-se deprimido ou enganado, como se passasse pessoalmente pela situação. Assista à brilhante exposição feita pelo neurocientista Ramachandran:


Utilizar a neuroplasticidade de forma construtiva, ou seja, desenvolver a sabedoria a partir do exercício da inteligência é caminho interessante para manter a saúde. Para isso é importante saber que o feio o mal e o falso existem, mas independente disso optar pela busca do belo o bom e o verdadeiro. Mude seu pensamento e o mundo ao seu redor muda. Pense o que é belo, o que é bom e o que é verdadeiro, pense saúde.


 Põe atenção nos espinhos e tua vida será espinhos. (Rumi 1207-73)




De fato, a experiência que se segue na história do ponto negro, que circula pela internet, fala fundo aos leitores que se prendem aos fatos negativos mais que aos positivos...

"O ponto negro"

Certo dia, um professor entrou na sala de aula e disse aos alunos para se prepararem para uma prova relâmpago. Todos se sentiram assustados com o teste que viria. O professor entregou então, a folha com a prova virada para baixo, como era de costume... Quando puderam ver, para surpresa de todos, não havia uma só pergunta ou texto, apenas um ponto negro no meio da folha. O professor analisando a expressão surpresa de todos, disse:

- Agora vocês vão escrever um texto sobre o que estão vendo. Todos os alunos, confusos, começaram a difícil tarefa. Terminado o tempo, o professor recolheu as folhas, colocou-se na frente da turma e começou a ler as redações em voz alta. Todas, sem exceção, definiram o ponto negro tentando dar explicações por sua presença no centro da folha. Após ler todas, a sala em silêncio, ele disse:
- Esse teste não será para nota, apenas serve de aprendizado para todos nós. Ninguém falou sobre a folha em branco. Todos centralizaram suas atenções no ponto negro. Assim acontece em nossas vidas. Temos uma folha em branco inteira para observar, aproveitar, mas sempre nos centralizamos nos pontos negros. A vida é uma graça recebida, pela qual temos motivos pra comemorar sempre.

Porque insistimos em olhar apenas para o ponto negro?

O problema de saúde, a falta de dinheiro, relacionamentos difíceis, decepções; os pontos negros são mínimos em comparação com tudo que vivenciamos diariamente. Tire os olhos dos pontos negros. Esteja presente em cada momento, lembre-se de quem você é e pelo que você veio.


SERES HUMANOS E DOR



Seres humanos são membros de uma união

Uma essência, uma alma na criação



Se um membro pela dor é arrastado

Todos os outros também são afetados



Quem não pode à dor humana empatizar

O nome de humano não pode levar

Saadi Shirazi (poeta persa)



Human beings are members of a whole

In creation of one essence and soul



If one member is afflicted with pain

Other members uneasy will remain



If you have no sympathy for the human pain

The name of human you cannot retain


      O fragmento a seguir foi retirado da Wikipedia (Inglês)


      Saadi is well known for his aphorisms, the most famous of which, Bani Adam, calls for breaking all barriers:[7]
بنى آدم اعضای یک پیکرند[8]
که در آفرینش ز یک گوهرند
چو عضوى به درد آورد روزگار
دگر عضوها را نماند قرار
تو کز محنت دیگران بی غمی
نشاید که نامت نهند آدمی
The poem is translated by M. Aryanpoor as:
Human beings are members of a whole,
In creation of one essence and soul.
If one member is afflicted with pain,
Other members uneasy will remain.
If you've no sympathy for human pain,
The name of human you cannot retain!
by H. Vahid Dastjerdi as:[9]
Adam's sons are body limbs, to say;
For they're created of the same clay.
Should one organ be troubled by pain,
Others would suffer severe strain.
Thou, careless of people's suffering,
Deserve not the name, "human being".
and the last translation by Dr. Iraj Bashiri:[10]
Of One Essence is the Human Race,
Thusly has Creation put the Base.
One Limb impacted is sufficient,
For all Others to feel the Mace.
The Unconcern'd with Others' Plight,
Are but Brutes with Human Face.
The translations above are attempts to preserve the rhyme scheme of the original while translating into English, but may distort the meaning. What follows is an attempt at a more literal translation of the original Persian:
"Humans (children of Adam) are inherent parts (or more literally, limbs) of one body,
and are from the same essence in their creation.
When the conditions of the time hurts one of these parts,
other parts will be disturbed.
If you are indifferent about the misery of others,
it may not be appropriate to call you a human being."

  1. ^ From Gulistan Saadi. chapter 1, story 10
  2. ^ "گلستان سعدی، باب اول، تصحیح محمدعلی فروغی". Dibache.com. http://www.dibache.com/text.asp?cat=3&id=1338. Retrieved 2012-08-13.
  3. ^ [Vahid Dastjerdi, H. 2006, East of Sophia (Mashriq-e-Ma'rifat). Qom: Ansariyan.]
  4. ^ "Iraj Bashiri's A Brief Note on the Life of Shaykh Muslih al-Din Sa'di Shirazi". Angelfire.com. http://www.angelfire.com/rnb/bashiri/Poets/Sadi.html. Retrieved 2012-08-13.