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domingo, 23 de setembro de 2012

SOBRE VIVER E MORRER COM SAÚDE II

POR MÁRIO INGLESI - A ALEGRE SORRATEIRA II - continuação

Hanami - Cerejeiras em Flor - Filme imperdível para a saúde do viver


Com esses dois parâmetros existenciais: morte e trabalho, pouco nos restou de tempo para usufruir a vida condignamente, com o lazer, o prazer, e convivência compartilhada de um viver soberano e, não apenas como um fardo a ser suportado, como uma penalidade por um crime que não se cometeu, ou como uma fase a ser consumida de modo disparatado, sem eira nem beira, sem limites de conquistas efêmeras, não usuais e inúteis. Como vem acontecendo hoje com a preponderância, a todo custo, do ter sobre o ser.
É preciso ter sempre em mente que se a morte está implícita na vida, esta vida também convive com a morte em todos os instantes e em todas as suas modalidades.
Nesse entranhar de vida e morte e vice-versa, a imortalidade almejada pelo ser humano só encontrará guarida e se desvelará nas artes, nas ciências, na literatura e na poesia.

E quando enfim se apagar
no curso dos fenômenos o pulsar de vida
quando enfim deixar
de existir
este que se chamou Rainer Maria Rilke
desfeito o corpo em que surgira
e que era ele, Rilke,
desfeita a garganta e a mão e a mente
findo aquele que
de modo próprio dizia a vida
resta-nos buscá-lo nos poemas
onde nossa leitura
de algum modo
acenderá outra vez sua voz
Ferreira Gullar, in Rainer Maria Rilke e a morte, (Folha de S. Paulo – Mais! – 09.09.2001).         


E mais, também no advento do avançar das pesquisas sobre a vida e a morte como processo, a “criônia” (congelamento), os transplantes de órgãos, a clonagem (por ora, com animais), se um dia estendida aos humanos, quem sabe teremos um “segundo mandato”, os bancos de esperma, de sangue, as pesquisas com células tronco, haverá minimamente o avançar da vida e consequentemente, o aproveitar da “morte”, ainda que lenta, ou a pari passu, para atingir a imortalidade não da própria pessoa, mas, em outra, que essas conquistas possibilitaram constituir.
Para tanto, foi fundamental chegar-se a inteireza interativa entre vida e morte.



Com tudo isso, apesar de a morte estar por toda parte nos rondando, dia a dia, a toda hora, em todos os lugares, ela vem perdendo gradativamente sua máscara amedrontadora, seu sentido malígno, sua tristeza sem fim, bem como quase toda a sua simbologia: seu luto, com roupas e tarjas escuras, sua escuridão plena e obsedante, suas carpideiras, suas incelenças, seus ritos fúnebres, suas missas especiais e longas, com seu dobrar dos sinos, seus réquiens e músicas sacras a alçar, comovidamente, a alma aos céus, e, até, em larga medida, o sepultamento em favor da cremação, os epitáfios, os túmulos, as fotografias, as flores, velas e coroas sem fim.  Esse seu esvaziamento de simbologia e formalismo contemporâneo foi, e continua sendo, importante para que nós a compreendêssemos e sobrevivêssemos a ela, com galhardia, como, aliás, é demasiado importante para nosso rito de passagem, que é a nossa vida. Lutar contra a morte é tal qual, lutar contra os moinhos de vento, como fez Dom Quixote, não leva a nada, O que se manifesta indispensável é lutar, com afinco e pertinácia, em favor da vida, principalmente, quando há indícios, ainda que poucos ou pequenos resquícios de oportunidades em preservá-la. Também temê-la, com tal vigor de perdê-la que leve a um viver rodeado de grades, isolamento entre quatro paredes, sempre às escondidas, é não lutar pelo viver, e sim, morrer em vida, inutilmente, sob o peso de:

Meu Deus! como morre gente no país.
Basta virar as costas, pegar um avião
E as cartas vêm carregadas em quatro alças,
Escuras, em selos de férreo caixão.

Basta tirar os olhos, despregar a mão da mão,
e começam a se suicidar, cair de enfarte,
bater nos postes, se afogar no mar
e se entregar ao câncer e à solidão.

Por que será que não morrem tantos
Quando estou perto?
Ou será que morrem lentos, fraternos,
Sem alarde, discretos
em cada conversa à tarde,
no escritório e no portão,
e a gente é que não repara
mas está de pá em punho
ajeitando o corpo alheio
em cada aperto de mão?
(“Notícias de Morte”, de Affonso Romano de Sant’Anna, in “Cultura”, O Estado de S. Paulo, 19 junho 1983).

Os irmãos Tanatos e Hipnos (Morte e Sono)

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

SOBRE VIVER E MORRER COM SAÚDE I

POR MÁRIO INGLESI - "A ALEGRE SORRATEIRA"



A partida - filme japonês imperdível
Dr. Ricardo                                 

                                   “Nesta vida somos todos passageiros”
                                             Pedro de Almeida, garimpeiro
                                             In Doc.: A Terra deu, A Terra come

Tão logo nos apercebemos no mundo como seres humanos, já somos estigmatizados, em nossas vidas, com duas determinantes que vão marcar significativamente o rumo de nossa vida terrena. A primeira, a mais pesarosa, para todos nós – realmente uma condenação – é a de que “viemos do pó e a ele retornaremos”. É certo que o dia, o lugar, a hora, o modo que tal desventura ocorrerá são incógnitas. Ainda bem! Mas, o fato de não sermos eternos, sem dúvida, causa sempre um mal estar profundo e insolúvel, demarcadamente, um trauma com que teremos de conviver, a não ser que tal infortúnio seja tão intenso que resolvamos sair da vida por conta própria, o mais depressa possível, abreviando e antecipando aquele determinismo que nos rege e sufoca.
Com o passar dos tempos, surge a religião e nos afaga com a promessa de uma vida eterna, pós morte, desde que façamos “Boas Obras”, dedicação à vida social, principalmente no que diz respeito à vida religiosa e seus mandamentos, em prol da santificação individual das pessoas e seu mundo terreno.
Essa promessa ainda hoje vigente e aceita, teve uma reviravolta significativa no século 19, com Nietzsche e seu conceito de “morte em vida”, ou seja, a visão da morte como um elemento intrínseco e individual da vida.
Tal visão foi sendo compreendida e aceita com larga abrangência com o advento das 1a e 2a Guerras Mundiais, que destruíram de modo bastante objetivo o conceito de “Boas Obras” e enfatizaram a compreensão da morte como parte intrínseca da vida: “Vivemos para Morrer”.
O ruim dessa nova ordem talvez seja, notadamente, a demonstração da nossa fragilidade e vulnerabilidade. Não há como fugir, escapar, contornar, jogar, transacionar, driblar, ou afastar de vez, essa “sombra”, essa escuridão de nossas vidas – como, aliás, muito bem ilustrou o grande cineasta sueco Ingmar Bergman (1818- 2007) em sua filmografia.
De todo modo, o mais certo da vida é a morte e, nesta, o que mais chama atenção é a “dúvida” filosófica da qual ela vem impregnada, ou seja, quando? onde? como? por quê? e outras tantas perguntas que enfeixam o seu acontecimento e se revelam na letra de ‘Canto Para a Minha Morte’, de Raul Seixas:
“Eu sei que determinada rua que eu já passei
Não tornará a ouvir o som dos meus passos.
Tem uma revista que eu guardo há muito anos
E que nunca mais vou abrir.
Cada vez que eu me despeço de uma pessoa
Pode ser que essa pessoa esteja me vendo pela última vez.
A morte, surda, caminha ao meu lado
E eu não sei em que esquina ela vai me beijar

Com que rosto ela virá?
Será que ela vai deixar eu acabar o que eu tenho que fazer?
Ou será que ela vai me pegar no meio do copo de uísque?
Na música que eu deixei para compor amanhã?
Será que ela vai esperar eu apagar o cigarro no cinzeiro?
Virá antes de eu encontrar a mulher, a mulher que me foi destinada,
E que está em algum lugar me esperando
Embora eu ainda não a conheça?

Vou te encontrar vestida de cetim,
Pois em qualquer lugar esperas só por mim
E no teu beijo provar o gosto estranho
Que eu quero e não desejo, mas tenho que encontrar.
Vem, mas demore a chegar.
Eu te detesto e amo morte, morte, morte
Que talvez seja o segredo desta vida.

Qual será a forma da minha morte?
Uma das tantas coisas que eu escolhi na vida.
Existem tantas… Um acidente de carro.
O coração que se recusa a bater no próximo minuto,
A anestesia mal aplicada,
A vida mal vivida, a ferida mal curada, a dor já envelhecida.
O câncer já espalhado e ainda escondido, ou até, quem sabe
Um escorregão idiota, num dia de sol, a cabeça no meio-fio…

Oh morte, tu que és tão forte,
Que matas o gato, o rato, e o homem.
Vista-se com a tua mais bela roupa quando vieres me buscar
Que meu corpo seja cremado e que minhas cinzas
alimentem a erva
E que a erva alimente outro homem como eu
Porque eu continuarei neste homem,
Nos meus filhos, na palavra rude
Que eu disse para alguém que não gostava
E até no uísque que eu não terminei de beber aquela noite…

Vou te encontrar vestida de cetim,
Pois em qualquer lugar esperas só por mim
E no teu beijo provar o gosto estranho que eu quero e
Não desejo, mas tenho que encontrar.
Vem, mas demore pra chegar.
Eu te detesto e amo morte, morte, morte
Que talvez seja o segredo desta vida
Morte, morte, morte que talvez seja o segredo desta vida.

OS IRMÃOS TANATOS E HIPNOS (O MORTE E O SONO)

 Assim, com todo esse mistério, esse segredo que ronda a morte, a grande batalha que enfrentamos no dia a dia, ao longo de nossa existência, se manifesta na preservação da vida, e de sua escorreita evolução, correndo, para tanto, todos os riscos de vida e de morte, sejam eles quais forem, em toda a sua plenitude.
Concomitantemente a essa descoberta, pesa sobre nós humanos, uma outra determinação - a segunda - “ganharás o pão com o suor do seu rosto”, o que nos leva a intrincada situação de que para vivermos necessitamos, obrigatoriamente trabalhar sempre, e cada vez mais, para usufruirmos aquilo que desejamos para nosso conforto e subsistência, ou, por imposição social, bem assim, aquilo que precisamos ter para uma imagem social que nos distinga socialmente.
Para que essa segunda determinação não se afigure outro fardo rotineiro, sem alcance social significativo, é preciso cuidar culturalmente de si e dos outros, constituindo-se assim, como seres humanos dignos desse nome com o pensar a vida e o trabalho, como fatores existenciais de relevância incomum.

“A vida é ao mesmo tempo seu conteúdo e seu continente. Não tem fora nem dentro, ou melhor, tem ambos, ou se anulam e se completam. Holismo ou Autofagia. Portanto procure, ao viver, ser tão vivo quanto tão morto ao morrer”.
Millôr Fernandes, in Folha de São Paulo – Mais!, 17.09.2000

terça-feira, 18 de setembro de 2012

SAÚDE E EVOLUÇÃO - DO INVOLUÍDO AO EVOLUÍDO



Evolução desumana
        Passar do plano animal da luta pela vida ao plano orgânico da colaboração inteligente significa mudar completamente as condições de vida.
      Involuído e evoluído são dois biótipos absolutamente diversos; é natural, pois, que suas atividades deem lugar a resultados totalmente diferentes, proporcionados ao nível de evolução representado pelo plano de vida de cada um deles. Tudo depende da natureza do biótipo, e cada um deles só pode produzir de acordo com o que é. Dos princípios que regem a vida do involuído e da relativa forma mental que o guia, só pode nascer prepotência, luta, desordem, dor. Dos princípios que regem a vida do evoluído e da forma mental que o guia, só pode nascer harmonia, fraternidade, ordem, alegria.
       Passar do mundo do involuído ao do evoluído significa sair da desordem para entrar na organicidade, ou seja, num estado resultante de novo modo de conceber a vida, pelo qual as posições de relação social — antes feitas em grande parte de prepotência e injustiça, que só produzem rivalidade e lutas — assumem, na nova organicidade, a função coesiva, sobretudo de unificação. Se a vida antes se baseava só no indivíduo, nesta nova fase ela se fundamenta na coletividade organizada, em que a ordem exclui absolutamente qualquer barulho de injustiças e lutas.
     O grau de evolução atingido mede-se pelo grau com que foi eliminado o separatismo e alcançada a unificação. A potência em que vive a luta em nosso mundo é índice claro de quanto ele ainda está atrasado. Aqui, tudo se faz em função da luta, que reaparece a cada momento, em toda manifestação da vida. Em todos os campos é mister levar em conta sempre este princípio do mais forte que quer vencer a todos. Conquista-se o poder, a riqueza, os altos graus sociais, sempre para dominar a luta como vitoriosos. Política, comércio, religião, sob todas as aparências, são substancialmente utilizados como meios para vencer na luta pela vida. E em todos os tempos, lugares e posições sociais se obedece a esta lei, que é lei do plano biológico em que a humanidade está situada.
       A passagem que hoje se verifica, do caos à ordem, não consiste apenas numa arrumação de formas, mas também dos princípios que as regem. A organicidade para a qual a evolução leva o mundo implica por sua natureza seres racionais e presume a inteligência. E essa forma de vida não poderá deixar de ser alcançada pelo homem coletivo do futuro, que chamamos de evoluído.

terça-feira, 4 de setembro de 2012

ESTÓRIAS DE "SAPOS"




A COMPETIÇÃO DOS SAPOS (Autor: ?)
Era uma vez um grupo de sapinhos que organizaram uma competição. O objetivo era alcançar o topo de uma torre muito alta. Uma multidão se juntou em volta da torre para ver a corrida e animar os competidores... A corrida começou...
Sinceramente, ninguém naquela multidão toda realmente acreditava que sapinhos tão pequenos pudessem chegar ao topo da torre. Diziam coisas como:
“Oh, é difícil DEMAIS!!  Eles NUNCA vão chegar ao topo.””
“Eles não tem nenhuma chance... A torre é muito alta.”
 Os sapinhos começaram a cair... Um a um... Só alguns continuaram a subir mais e mais alto...  A multidão continuava a gritar:
“É muito difícil!!! Ninguém vai conseguir!”
Alguns sapinhos se cansaram e desistiram... Mas um continuou a subir e a subir... Este não desistia!
No final, todos os sapinhos tinham desistido de subir a torre, com exceção do sapinho que, depois de um grande esforço, foi o único a atingir o topo! Todos os outros sapinhos queriam saber... Como ele conseguiu? Um dos sapinhos perguntou ao campeão como ele conseguiu forças para atingir o objetivo.
E o resultado foi... O sapinho campeão era surdo!!! 
Moral da história: Nunca dê ouvidos a pessoas com tendências negativas ou pessimistas... A palavra pode matar. Lembre-se do poder das palavras. Tudo o que você fala, ouve e lê afeta as suas ações! Acima de tudo: Seja surdo quando ouvir que seus sonhos não podem ser realizados!


A HISTÓRIA DA RÃ QUE NÃO SABIA ESTAR SENDO COZIDA (Autor: Olivier Clerc)
Imagine uma panela cheia de água fria na qual nada, tranquilamente, uma rã. Acendeu-se um pequeno fogo por baixo da panela e a água foi aquecendo lentamente. Pouco a pouco a água foi ficando morna e a rã, achando-a muito agradável, continuou a nadar. No entanto a temperatura da água continuou a subir...
A água começou a ficar mais quente do que a rã podia aguentar; ela começou, então, a sentir-se cansada, mas, mesmo assim, continuou a nadar... Agora, a água estava realmente quente e a rã começou a achá-la desagradável... Mas já estava muito debilitada para tomar uma decisão. Tentou, então, adaptar-se!...
A temperatura continuou a subir... A rã, incapaz de reagir, acabou por morrer cozida. Se a mesma rã tivesse sido lançada diretamente à água a uma temperatura de 50 graus, numa reação de defesa, com um golpe de pernas, teria saltado imediatamente para fora da panela.
Isto mostra que, quando uma mudança acontece lentamente, escapa à consciência e não desperta, na maior parte dos casos, qualquer reação, oposição ou mesmo revolta.
Se olharmos para o que tem acontecido há algumas décadas, podemos ver que estamos a sofrer uma lenta mudança no nosso modo de viver, para a qual nos estamos a acostumar. Uma quantidade de coisas que nos teriam feito horrorizar há 20, 30 ou 40 anos, foram pouco a pouco sendo banalizadas e, hoje, apenas incomodam ou deixam completamente indiferente a maior parte das pessoas.
Em nome do progresso, da ciência e do lucro, são efetuados ataques contínuos às liberdades individuais, à dignidade, à integridade da natureza, à beleza e à alegria de viver; efetuados lentamente, mas inexoravelmente, com a constante cumplicidade das vítimas, agora incapazes de se defenderem.
As previsões, em vez de despertar reações e medidas preventivas, apenas prepararam psicologicamente as pessoas a aceitarem algumas condições de vida decadentes, aliás, dramáticas.
O martelar contínuo de informações pela mídia, satura a mente que acaba não mais distinguindo as coisas...
Consciência ou cozido é preciso escolher!
Então, se não está como a rã, já meio cozido, tente um saudável golpe de pernas, antes que seja tarde!


No link abaixo, a história dos:

O sapo se move em saltos, sendo um representante simbólico do universo quântico assim como do despertar da consciência. Desperte o sapo que vive em você e descubra o universo que existe fora de sua zona de conforto...