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sexta-feira, 29 de janeiro de 2021

SENTIDO DE VIDA - ASTROLOGIA

2021

Veja: Por que os médicos deveriam se interessar por astrologia?

            O medo é séria ameaça ao desenvolvimento espiritual e arqui-inimigo do progresso evolutivo, pois congela a atuação e limita a liberdade. A coragem é uma fundamental a ser cultivada. Mesmo no engano e no erro aprendemos; aprendemos como não fazer e como melhorar. Erros são a matéria prima para a mudança, são as experiências que no ensinam a fazer o certo.

            Nosso trabalho no mundo não deve ser negligenciado em hipótese alguma. Estamos aqui para realizar certas tarefas e aprender por meio delas. Depois de atender a esses deveres, vejamos se ainda nos sobra algum tempo para aplicar ao autodesenvolvimento. É tão importante usar acertadamente esse tempo, como cumprir os deveres terrenos para com a família e obrigações sociais.

            Já refletiu por que Cristo sugeriu que deveríamos curar os enfermos? Uma das razões é que aliviado de um sofrimento a fé aumenta e melhora as condições para sanar a alma. Quando alcançarmos a elevada estatura de Cristo e pudermos ver simultaneamente passado e futuro, compreenderemos as causas das crises e doenças e não precisaremos de ajuda para diagnosticar e medicar. Até que esse dia seja, devemos usar as muletas que temos, e uma delas é a astrologia.


sexta-feira, 13 de novembro de 2020

A PARTE E O TODO


 

          O termo holos em grego expressa a ideia de inteireza e integridade. Para o conhecimento médio o todo se compõe das partes que o constituem, o todo é a soma dessas partes. Essa forma de conhecer associa parte e todo com o quebra-cabeça, assim como com a natureza inorgânica.

O inusitado surge, no entanto, quando se adentra o universo do orgânico onde um princípio organizador atua não apenas sustentando a forma, como também a transformando. Esse princípio pode ser compreendido como um epifenômeno ou como um nível superior de organização que atua sobre o nível inferior. Em qualquer desses casos, observáveis nos reinos vegetal, animal e humano, o que denominamos todo é sempre maior que a soma de suas partes.

Em outras palavras, enquanto no mundo inorgânico um mais um resulta dois, no mundo orgânico o resultado é sempre maior que dois. Saímos da matemática do inorgânico e adentramos a “matemágica” do orgânico. Esse conceito do todo poder ser maior que suas partes é a melhor aproximação desse termo holos.

Os termos shalom e salam, derivados de línguas semíticas, chegam à nossa gramática como paz. No entanto, naquelas línguas eles compreendem um sentido de integridade que pode ser inclusive transposto para objetos inanimados. Ou seja, posso dizer que uma vassoura está em paz! Pois está inteira e, portanto, íntegra.

Podemos então resgatar a compreensão de saúde enquanto estado pleno do ser. Se estou em paz e se estou inteiro, estou íntegro e integrado. As práticas integrativas almejam e propõem algo justamente nesse sentido.

Pessoas não integradas, ou seja, que romperam consigo mesmas, perderam a relação com sua essência, que em grande parte das tradições está relacionada ao coração. Daí o termo corrupto (cor – coração / rupto – roto); quando rompo com minha porção mais essencial é como se rompesse com o coração. Nessa corrupção, nessa rotura cardíaca está o princípio do adoecimento. Adoecimento que não ocorre como uma patologia que se instala instantaneamente, senão como estado de mal-estar ou de perda da paz interior. As práticas integrativas visam restabelecer a paz interior, a integridade perdida, antes que a doença se manifeste no corpo físico.


terça-feira, 21 de janeiro de 2020

LEIS DA NATUREZA


Alex Grey
O humano e também as leis da natureza que o cercam parecem evoluir, conforme Sheldrake aprofunda no livro "Presença do Passado". A Terra pode ser pensada como um “ser” em evolução bem como campo evolutivo para outros seres; o mesmo vale para o Sol, planetas e suas luas assim como o próprio sistema solar. No caso do sistema solar, os próprios planetas podem ser simbolicamente vistos como seus órgãos constituintes à semelhança do fígado, pulmões rins etc. no corpo humano.
Prosseguindo nesta linha, um zodíaco assim como qualquer campo arquetípico representativo de hierarquias superiores ao humano, também são “seres” em seus processos intrínsecos e peculiares. Tudo isso impulsiona o pensar na direção de um sentido maior inquietante, frente ao qual Kant fala assim:
“Duas coisas enchem de maravilha meu ser, a lei moral no interior do homem e o céu estrelado acima de minha cabeça”. (Kant - Crítica da razão pura)


domingo, 9 de setembro de 2018

ASTROLOGIA - ELMAN BACHER



A astrologia é para o estudante Rosacruz uma fase da religião, basicamente uma ciência espiritual. Mais que qualquer outro estudo, ela revela o homem a si mesmo.
Nenhuma outra ciência é tão sublime, tão profunda e tão abarcadora. Ela oferece uma representação pictórica dinâmica da relação entre Deus (o Macrocosmo) e o homem (o Microcosmo), mostrando-os como algo fundamentalmente uno.
A ciência oculta, ao investigar as forças sutis que agem sobre o ser humano, o Espírito, e seus veículos, descreve seus efeitos com a mesma precisão que a ciência acadêmica o faz com relação as reações que ocorrem no mar, no solo, nas plantas e animais, decorrentes dos raios do sol e da lua.
Com este conhecimento podemos determinar o padrão astrológico de cada indivíduo e conhecer as fortalezas e as debilidades relativas das várias forças atuantes em cada vida. De acordo com o que tenhamos alcançado deste conhecimento, é possível começar a construção sistemática e científica do caráter – e caráter é destino!
Existem períodos e estações cosmicamente vantajosos para o desenvolvimento de certas qualidades, correção de maus hábitos e eliminação de inclinações destrutivas.
A ciência divina da astrologia revela causas ocultas que trabalham em nossas vidas. Assessora o adulto com respeito à vocação, os pais na orientação dos filhos, o mestre na orientação dos discípulos, o médico no diagnóstico das enfermidades; prestando-lhes, desta maneira ajuda em qualquer situação.
Nenhuma outra matéria ao alcance do conhecimento humano até o presente momento contém as possibilidades estendidas aos estudantes de astrologia na ajuda aos demais, no digno caminho de deuses-em-formação, a um entendimento maior da lei universal e à percepção de que estamos eternamente seguros nos braços carinhosos do infinito e ilimitado Ser.

segunda-feira, 27 de agosto de 2018

PEQUENAS ATITUDES PARA GRANDES SERES

sexta-feira, 5 de maio de 2017

O MELHOR POSSÍVEL

Por Maria Júlia Paes da Silva – juliaps@usp.br
Fragmento da obra: "No caminho - Fragmentos para ser o melhor"


Quando resolvemos ser o melhor possível, podemos deixar que as coisas e os outros sejam o que conseguirem ser ou deixar de gastar energia tentando fazer que os outros sejam aquilo que eu imagino seja o melhor. Se somos conscientes do compromisso de sermos o melhor de nós mesmos a todo instante, tomamos as decisões com esse foco e não ficamos perdidos em elucubrações de: e se... e se... Economizamos energia. Motivo pelo qual é verdade que se um relacionamento tiver que ser segredo, é melhor não entrar nele. Ou sair rapidinho.
Só porque o caminho do autoconhecimento é longo, constante e árduo, deveríamos deixar de trilhá-lo? Será que somos menos capazes que um bebê? Todos nós já fomos bebê e deveríamos ter suficiente prática em levar tombos!
Auto-observação é autocorreção. Teve uma doença grave? Faça controle periódico e toque a vida. Tem uma doença crônica? Faça os controles necessários e curta a vida!
A construção de nossa história deve/pode nos confortar. Reconhecer que fez o melhor possível em determinado momento não significa que faria novamente o que fez, hoje. Significa apenas que fomos tomando consciência de algumas coisas e refazendo escolhas a partir de nossas necessidades, miopia, ilusão e recursos.
Responsabilizarmo-nos pela vida que há em nós é fundamental para vivermos no presente e para fazermos o melhor possível...
Peter Senge e sua equipe afirmam que "transferência de responsabilidade" é uma estrutura sistêmica arquetípica, quando as pessoas agem para amenizar os sintomas de um problema e acabam se tornando mais e mais dependentes dessas soluções sintomáticas. Por exemplo: tomar duas aspirinas para aliviar a dor de cabeça parece adequado, mas... Se a origem dessa dor for o estresse do trabalho ou compromissos assumidos além de nossa capacidade ou habilidade, continuar tomando aspirinas não é resolutivo! Nesse caso, uma intervenção como essa pode mascarar um desafio mais grave. Não enfrentar o desafio real só fará piorá-lo. Se o padrão que gerou o desconforto não for corrigido, além do excesso de trabalho, pode-se ainda criar um problema de dependência medicamentosa...
Esse aspecto precisa ser recordado porque é um padrão insidioso e comum em uma sociedade que exige soluções rápidas para questões complicadas e complexas. E, por ser comum, essa dinâmica de transferência de responsabilidade passa despercebida. Nós somos os responsáveis por nossa vida!
As duas abordagens "soluções sintomáticas" e "soluções fundamentais" não são mutuamente exclusivas, até porque a vida é complexa! Mas é fácil transferir a responsabilidade para soluções tecnológicas e, assim, reduzir o desenvolvimento de nossas habilidades e capacidades. Por exemplo: com a calculadora, esquecemos a aritmética; com o carro renunciamos ao caminhar; com o Whatsapp, não conversamos pessoalmente; com a internet, se reduziram as conversas entre familiares e o "olho a olho" (até remédio em excesso é veneno!).
É necessário cultivar os hábitos, as posturas, os comportamentos, os sentimentos que desenvolvem nossa capacidade de sermos humanos! De sermos o melhor de nós.
Muitos dos desafios mais prementes de hoje, como danos ambientais e desigualdade no acesso à tecnologia, surgem como efeitos colaterais de longo prazo do processo de transferência de responsabilidade, criando novos sintomas do problema, que requerem, por sua vez, novas respostas tecnológicas. É necessário refletir o quanto é adequado ou nocivo, apesar de mais fácil, comprar um carro maior para nos sentirmos mais seguros, em vez de aprendermos a nos entender uns com os outros a fim de gerarmos mais segurança para todos. A maioria de nós não tem ideia de nossa capacidade para aprimorar as qualidades que realmente valorizamos na vida.
Hoje em dia, definimos o progresso basicamente por novas conquistas em tecnologia e não por uma noção mais ampla de melhora no bem estar! Fazer o melhor possível é um "chamado", uma oportunidade para nos entregarmos a algo maior que nosso ego e a nos tornarmos aquilo que deveríamos e podemos ser.
Lavarmos as mãos mesmo quando ninguém está olhando. Cumprirmos com horários e prazos combinados, sem inventarmos "imprevistos" (se não tiver um, claro!). Assumirmos o quê e como dissemos algo, pedirmos desculpas quando errarmos, sermos honestos com nossas intenções... Parecem tão simples essas ações, mas que Maria entendeu que a base de qualquer trabalho consigo mesmo é uma consciência limpa. Consciência limpa permite que harmonizemos razão e coração, e por isso viver em harmonia começa conosco, não com o mundo à nossa volta.


Maria se lembrava da história de um homem muito crente, que todo dia pedia a Deus que lhe indicasse o que deveria ser feito. Um dia, por ele ter tanta fé, Deus lhe apareceu e pediu que empurrasse, diariamente, a grande pedra que havia em frente à sua casa. Ele fez isso todos os dias, com alegria, anos a fio, mas foi percebendo que a pedra não se movia nem um só centímetro. A fé do homem foi esmorecendo, sua vontade diminuindo, até que um dia Deus lhe apareceu novamente e lhe perguntou o que estava acontecendo. Ele lhe disse que a pedra não havia se movido um centímetro, apesar de, diariamente, ele a ter empurrado! Deus sorriu e lhe disse que sua intenção não era mover a pedra, mas torná-lo forte! Que ele prestasse atenção a como estavam seus músculos e sua força.

quarta-feira, 1 de março de 2017

ALIMENTAÇÃO CONSCIENTE XI – FOME E ÍNDICES DE NATALIDADE

CONTINUAÇÃO DE:




Por Josué de Castro – A geopolítica da fome vol. 1 – 8ª ed. Pág. 127.
        Quando procuramos agrupar, dentro de um critério geográfico, os países de altos coeficientes de natalidade, superiores a trinta, verificamos que são todos países tropicais de condições geográficas e econômicas impróprias, tanto à produção como ao consumo de proteínas de origem animal. A alimentação, de predominância vegetal, desses países, constitui um dos fatores decisivos, influindo no segredo de sua prolificidade. Se compararmos os coeficientes de natalidade e os consumos de proteínas de origem animal, no mundo inteiro, verificaremos que existe franca correlação entre os dois fatores, baixando a fertilidade à proporção que sobre a taxa de consumo destas proteínas.
        Apresentamos, a seguir, um quadro de países dos mais diferentes coeficientes de natalidade, desde os mais elevados aos mais baixos, e no qual se evidencia, de maneira significativa, a citada correlação:
PAÍSES
COEFICIENTES DE NATALIDADE
CONSUMO DIÁRIO DE PROTEÍNAS ANIMAIS (g)
FORMOSA
MALAIA
ÍNDIA
JAPÃO
IUGOSLÁVIA
GRÉCIA
ITÁLIA
BULGÁRIA
ALEMANHA
IRLANDA
DINAMARCA
AUSTRÁLIA
E.U.A
SUÉCIA
45,6
39,7
33,0
27,0
25,9
23,5
23,4
22,2
20,0
19,1
18,3
18,0
17,9
15,0
4,7
7,5
8,7
9,7
11,2
15,2
15,2
16,8
37,3
46,7
56,1
59,9
61,4
62,6

        Estes dados foram retirados das estatísticas de 1950, apresentados no estudo de Lynn Smith (Population Analysis – 1948) sobre problemas de população e de uma publicação da FAO sobre o consumo de proteínas no mundo.
        Estes aspectos do problema alimentar referentes à influência da dieta sobre a reprodução constitui o ponto mais debatido de nosso trabalho. Desde que apareceu a primeira edição desse livro em 1951, várias críticas foram formuladas, principalmente tendo-se em vista que a ciência clássica da nutrição sempre considerou o fato de que uma dieta rica em proteínas constitui uma condição indispensável à boa capacidade reprodutiva. Considerando a alta importância desse assunto, pela repercussão e aplicação social que poderá ter esta teoria no campo prático da política demográfica, tomamos a deliberação de prosseguir em nossos trabalhos experimentais sob cujos resultados pretendemos publicar um trabalho especialmente dedicado ao problema da alimentação e reprodução. Aproveitamos, no entanto, a oportunidade do aparecimento desta nova edição para apresentar, de forma sintética, alguns fatos novos oriundos da investigação de outros estudiosos da matéria e da observação de fatos sociais que confirmam os nossos pontos de vista.
(Estes fatos e observações constam nas páginas 129-131 da presente obra referenciada no início do texto).
        Com estas observações e estas cifras, desejamos concluir por afirmar que, em última análise, a multiplicação exagerada da espécie, por sua excessiva fertilidade, constitui também uma forma de fome específica, uma das mais estranhas marcas do fenômeno da fome universal.
        Este aspecto do problema tem, a nosso ver, importância primordial, desde que fornece base biológica para apoio de nossa teoria – a teoria da fome específica como causa de superpopulação; da fome provocando o lançamento intempestivo, no metabolismo demográfico do mundo, de produtos humanos fabricados em excesso e de qualidade inferior.

        Como o mecanismo através do qual se exerce esta ação desequilibrante e degradante da fome crônica sobre a evolução demográfica dos grupos humanos envolve aspectos econômicos e sociais, ao lado dos aspectos biológicos, deixamos para desenvolver o assunto na ocasião oportuna, ao estudarmos o problema da fome no Extremo Oriente, área onde a superpopulação relativa se apresenta, nitidamente, como uma das mais estranhas e graves manifestações de fome específica.

domingo, 12 de fevereiro de 2017

SAÚDE E DOENÇA - DOIS LADOS DA MESMA MOEDA III

TEXTOS AFINS:


Colunas de saúde nos jornais falam sobre doenças, programas de saúde enfocam nas doenças, os órgãos de saúde só são utilizados por pessoas em estado de doença. Ministério da saúde adverte enfocando a doença. Faria sentido um ministério só para a doença e outro apenas para a saúde? Saúde na comunicação em primeiro lugar, saúde na educação, saúde na justiça, saúde social e saúde econômica.
Precisamos de um plano de saúde! Mas não desses usados quando não há mais tempo, melhor denominados planos de doenças. Doença e dinheiro são parceiros, assim como o fazem saúde e consciência. A principal campanha de vacinação é a vacinação consciencial. O momento atual pede a troca das pílulas de doença por pérolas de saúde, preservar o bem maior (saúde) e não correr atrás do prejuízo (doença) quando já é tarde.
Um primeiro passo nessa direção implica em fazer as perguntas adequadas para que o incômodo inicial gere o movimento da consciência:
O que é mais importante para um ser humano, formação ou informação?
A mídia promove a formação, informação ou deformação do pensar?
A Universidade forma, informa ou deforma os alunos?
A estrutura familiar forma, informa ou deforma seus filhos?
Não é possível propor qualquer sugestão de melhora social se desviarmos o olhar de questões fundamentais que a princípio podem incomodar. Afinal, informação sem que a pessoa seja formada acaba em problemas ou em alguém querendo tirar vantagem de outrem. Quando se opta por um sistema que deforma e anestesia, o efeito colateral é a impossibilidade do despertar que impulsione o interesse das pessoas na direção da saúde. Acertar requer esforço e quando se vive em um meio que prega a lei do mínimo esforço não surpreende o atual estado das coisas.
Se pensarmos por analogia em um rio contaminado e como tratá-lo, as diferentes estratégias das medicinas da saúde e da doença podem ser mais bem compreendidas. Uma medicina que enfoca a doença vai atacar a contaminação de frente, colocando barcos para drenagem do lixo, aprofundando o leito do rio, jogando substâncias químicas, tentando aumentar o seu fluxo cimentando as bordas e assim por diante, como se sabe. Note que o tratamento aqui vai em direção ao resultado imediato e que seja sentido pelo “paciente” em pouco tempo, daí a intervenção ser tão intensa ao ponto de agir sobre a própria “anatomia” do rio, desconsiderando sua “fisiologia”, como se ele fosse um objeto ou uma máquina a ser consertada.
A mesma situação vista pela medicina da saúde adquire perspectiva bastante diversa. O rio, como se sabe, é uma espécie de ser vivo, tem uma nascente, comporta vida em si, interage com o meio ambiente por onde passa e finalmente assim como nasce tem uma foz onde deságua e se religa ao mar. Assim a medicina que enfoca a saúde vai agir de forma mais profunda apesar de menos agressiva, se valendo da própria vida do rio como fonte propulsora para seu tratamento. Chegando às causas da contaminação a medicina da saúde age inibindo os agentes contaminantes. Isto pode ser muito complexo, pois no caso do rio os poluidores são empresas e pessoas ligadas às esferas do tecido produtivo nacional, eventualmente populações de moradores de edifícios, sejam suntuosos ou “malocosos”, à beira dos leitos onde despejam seus esgotos. Deixar de depositar o esgoto no rio implica em um grande sacrifício para todos, pois elevará gastos com obras de infraestrutura, além de terem efeitos apenas no médio ao longo prazo.
O mesmo acontece quando uma pessoa doente precisa abandonar os maus hábitos que a conduziram ao adoecer, requer esforço e sacrifício pessoal. Apesar de ser óbvio o que fazer, muitos preferem intervenções rápidas e paliativas que permitam o retorno aos mesmos hábitos a uma revisão geral seguida pela mudança comportamental. É importante notar que o próprio rio tem vida e poder de recuperação, caso deixemos de destruí-lo, o mesmo ocorrendo com a saúde. Se para o rio ficar saudável o lema deve ser: “vamos trazer os peixes de volta ao rio”, para o corpo são o lema é: “vamos deixar de ser dormentes e nos tornar seres conscientes”.
É clara a importância e a complementaridade entre as duas medicinas, mas fica agora gritante em que implica a prática da medicina da doença sem a percepção ampliada da medicina da saúde. Salta aos olhos a falta de sentido e o desperdício que é tratar doenças sem concomitantemente cuidar da saúde.
A medicina da doença se baseia na cura e na prevenção; a medicina da saúde por sua vez na preservação e na promoção. Duas medicinas que se complementam sendo a segunda superior à primeira. Prevenir e curar doenças são importantes, mas preservar e promover saúde são fundamentais. Mas afinal qual a diferença entre promover saúde e prevenir doenças? A diferença é toda. As pessoas se previnem geralmente por medo ou receio de que algo lhes aconteça, e por isso fazem seguros ou planos que supostamente as protegeriam. No entanto a própria tentativa de se proteger promove um estado interior de retração ou contração, devido ao medo. Este medo age gerando reflexos em todas as esferas do ser, principalmente sobre o tônus vascular promovendo hipertensão, e sobre o tônus imunológico promovendo imunodepressão. Assim, a aparentemente simples atitude de se prevenir implica em uma atitude reflexa de receptividade a experiências e estados mórbidos que naturalmente acompanham os seres amedrontados em relação aos desafios da vida.
Oposto disso, o promover saúde, coloca o ser em estado de expansão e entrega confiante ao viver, anticorpos naturais para situações sombrias, que ainda que ocorram serão menos traumatizantes e mais construtivas. Promover saúde é expandir a consciência, a partir do que uma prevenção natural sobrevirá. Entretanto agora não gerada pelo medo, mas pelo interesse e prontidão em viver de forma a sempre ampliar o horizonte de possibilidades. Apesar de não ter a suposta certeza de uma segurança comprada, ser o melhor que posso e estar pronto para o que der e vier abrem a vida para a graça, assim como a flor recebe a chuva. Viver com medo dificulta o contato com a graça, que apesar de independente, não chega aos desgraçados fechados à sua visita pelo medo.
Mas porque afinal as colunas de saúde dos jornais só falam em doenças? Quem ganha com isso? Porque os órgãos responsáveis enfocam nas doenças e falam tão pouco em saúde? Se campanhas de vacinação movimentam o mercado e as correspondentes verbas governamentais, tudo bem, mas é fundamental a contraparte que requer verba ínfima comparativamente e que diz respeito à vacinação da consciência das pessoas para questões importantes de saúde pública.
O artigo: Ricos aceitam melhor publicidade em escolas mostra a relevância da questão ao comparar a diferença entre a legislação dos diferentes países (EUA, Alemanha, Portugal e Brasil) em relação ao marketing infantil assim como o cuidado que cada país tem com a forma como suas crianças são educadas. Se os atuais planos de “doença” se beneficiam do sofrimento de seus associados e da exploração dos profissionais de saúde, urge que busquemos planos de saúde que enfoquem a saúde e estimulem seus clientes numa verdadeira relação de sócio em que o pagador receba orientações que expandam a consciência fazendo a vida ser sinônimo de saúde plena.
Na educação para a saúde a formação (educere) da pessoa tem valor superior ao da informação (educare). O ser pleno e saudável tem boa formação de maneira geral, tendo o SER primazia sobre o TER. Somos seres humanos e não teres humanos, lembrando que o caminho para a doença começa quando a vida se afasta do SER na direção do TER do mesmo modo que a saúde e a vitalidade aumentam na direção do SER.
Ser implica em consciência, lanterna do homem saudável e espelho para o homem doente que vendo-se refletido no exemplo a ser imitado encontra referência e fonte de inspiração para sair da horizontal do adormecimento e entrar na vertical do despertar.
Você pensa a esse respeito?

domingo, 1 de janeiro de 2017

ALIMENTAÇÃO CONSCIENTE X – FOME E COMPORTAMENTO SEXUAL

CONTINUAÇÃO DE:


Por Josué de Castro – A geopolítica da fome vol. 1 – 8ª ed. Pág. 124.

      No que diz respeito ao comportamento sexual, verifica-se que a fome crônica – específica ou latente – age de maneira bem distinta da fome aguda. Os povos submetidos à ação contínua de uma alimentação deficitária, longe de diminuírem seu apetite sexual, apresentam exaltação do mesmo e nítido aumento de fertilidade. Esta intensificação da capacidade reprodutiva dos povos cronicamente famintos explica-se através de um complexo mecanismo onde entram fatores de ordem psicológica e de ordem fisiológica. Psicologicamente, a fome crônica determina exaltação das funções sexuais, como um mecanismo de compensação emocional. Todos os fisiologistas são unânimes em reconhecer que, em condições normais, existe uma espécie de competição entre os dois instintos – o de nutrição e o de reprodução – e, toda vez que um se atenua, o outro, imediatamente, se exalta.
      Como a fome crônica, principalmente a fome de proteínas e de certas vitaminas, determina inapetência habitual, perda de interesse pelos alimentos, dá-se em consequência um enfraquecimento da força do instinto de nutrição diante da força do instinto de reprodução, que passa a predominar. Com o apetite embotado, satisfazendo-se facilmente com qualquer coisa, o faminto crônico pode desviar seus interesses para outras atividades independentes da obtenção do alimento, e o primeiro grupo de atividades que se apresenta, não só por sua hierarquia de natureza biológica, como também como compensação psicológica, é o das atividades de ordem sexual. Neste mecanismo psicológico baseia-se o exagerado sensualismo de certos grupos humanos e de certas classes que vivem num regime de desnutrição crônica.
      Mas há também um mecanismo fisiológico determinando esta significativa correlação entre alimentação insuficiente e índice de fertilidade. De há muito, tinham os criadores observado que certos animais, bem cevados, tornam-se estéreis e que basta restringir-lhes a alimentação, durante certo tempo, para que recuperem a fecundidade. Mas o fato empírico não tivera grande repercussão nos meios científicos. Hoje, no entanto, dispomos de dados experimentais e de observações sistematizadas que nos permitem compreender como atuam as deficiências alimentares parciais, como fator de aceleração da multiplicação da espécie. É exatamente a fome de proteínas, acarretando o fornecimento deficitário de certos ácidos aminados indispensáveis, que atua de maneira mais intensa sobre a capacidade reprodutiva dos animais.
      ...Com a espécie humana ocorre idêntico fenômeno. Os grupos de mais alta fertilidade são aqueles que dispõem de menor teor de proteínas completas, de origem animal na sua dieta habitual...
                 

domingo, 17 de julho de 2016

EXPECTATIVA OU PRONTIDÃO?



O momento presente é de crucial atenção, especialmente no que diz respeito à moda e à mídia. É comum ver pessoas tropeçando na rua ao ler o celular enquanto caminham e crianças que não mais conseguem aprender nas escolas. O cenário não é muito animador e ao que tudo indica as pessoas estão cada vez mais carentes de estímulos, informações, enfim algo que distraia. O grau de esvaziamento interior é tão avançado que torna explícita a insanidade de alguns.

O filme estadunidense “Her”, segundo o tradutor “Ela”, retrata esta insanidade com propriedade artística, vale conferir:



A tecnologia que deveria libertar tem estabelecido o medo ao invés da paz, angústia ao invés da serenidade. Antigo e velho são confundidos e a beleza e sabedoria do primeiro são demolidos em função de um “novo” em geral vazio de formas e conteúdos.

Um exemplo observado na medicina são os exames de imagem, cada vez mais sensíveis e justificando eventuais procedimentos “desnecessários”. Como a medicina não é ciência exata, mas biológica, é importante saber que diferentes profissionais podem ter diferentes condutas baseadas em um mesmo exame. Enfim, “faca de dois gumes” que mesmo em mãos experientes podem ferir.

Basear decisões no medo e na expectativa é uma forma caricata de adoecimento social. Lembre-se que recentemente a mídia noticiou casos de famosos que optaram pela retirada profilática de partes do corpo pela expectativa de que poderiam ser acometidos por um câncer! Lembre-se que tais partes retiradas não tinham indícios de neoplasias. A que se prestam alardes desta natureza?

No presente momento, o único seguro que de fato promove cobertura total é tomar a vida em suas próprias mãos, que a autora analisou com maestria na bela obra abaixo:


Cada um tem uma biografia única e a saúde diz respeito a apropriar-se desta biografia. Saúde é presente; soltar-se do passado e resguardar-se de projetar-se no futuro são os anticorpos imprescindíveis para ser saudável. Cuide em não confundir fome de vida com fome de novidade. Caso a confusão já tenha acontecido, existem formas de pensar a ansiedade:

Na medicina da saúde o principal exame é o “exame de consciência” e a campanha de vacinação visa inocular a fé, a esperança e o amor. Meus votos de que a saúde para você seja uma realidade e não apenas saudade.