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terça-feira, 12 de fevereiro de 2019

CATÁSTROFES NATURAIS



O homem é ser integrante da natureza. Existem catástrofes, mas a natureza em si é maravilha.
Para o olho que enxerga, além de ver, a natureza respira no vulcão que resfria a terra; se acomoda em seu leito esplêndido terremotando e remontando a terra; banha suas costas com o mar remoto no maremoto, esse mar maroto; e se enfurece e furacona para se aliviar; afinal de contas quem de nós não suspira às vezes.
A natureza sempre ajuda, corrige, compensa. Ultimamente as catástrofes naturais são recebidas com estranheza. As catástrofes, se de fato hão, são do humano, esse acidente da natureza, que se contrapõe à mãe e seu convite a ser natural. Escolheu o normal, esqueceu o natural!!
A catástrofe natural mais óbvia talvez seja a catástrofe humana. A natureza é uma aliada e ensina os movimentos primordiais que nós humanos devemos operar, sejam o fogo criativo vulcânico que refresca e oferece matéria prima para o corpo; a água fecundante dos mares que inundam e limpam nossos recessos mais inférteis para que retornem à fertilidade; o remexer dos terremotos e de terra que nos recorda de tempos em tempos que a vida é movimento; finalmente o sopro dos furacões que nos recorda também sermos sopro e que passaremos como eles.
Qual seria a maior catástrofe, os movimentos de acomodação da natureza ou o humano e sua paralisia? Há evidências contundentes de que o humano está paralítico e que a natureza, solene e silente, o encontra sempre distraído. Seja bem vinda mãe e irmã!



segunda-feira, 14 de janeiro de 2019

EU ACREDITO


POR: GERALDO DRUMOND
 

Acredito que estamos vivendo um momento que devemos exaltar o respeito, o amor, a verdade, a ética, e caminhar juntos, olhando nos olhos uns dos outros e escutando o coração. Não devemos mais uma vez desconstruir o outro para nos tornarmos donos da verdade!

sexta-feira, 2 de novembro de 2018

DEUS E DIABOS III



A política é prática diabólica. Poder, medo, dinheiro, fama e controle são seus combustíveis. O Diabo aprecia tudo que é partido. Adora espelhos, poderes partidos, partidos políticos, partidas de futebol e até mesmo o raio que o parta. Se for inteiro e não pela metade, então tem que ter Deus também. Mas ainda não chegamos lá, estamos longe. Tão longe e tão perto...
A Bíblia em Jó (antigo testamento), Goethe em Fausto e Saramago no Evangelho segundo Jesus Cristo, criam situações curiosas onde Deus e o Diabo trabalham alinhados, no mesmo partido, conversam e planejam! Nada parecido com a prática geopolítica atual, onde as partes se odeiam. A literatura bíblica é explícita quanto às coisas de César e as coisas de Deus.
Em minha infância se dizia: “Mente vazia oficina do Diabo”. Curiosa associação essa do Diabo com a mente e de Deus com o coração. É como se Deus não pudesse ser sabido ou pensado, senão apenas recordado (cordis = coração). Parafraseando Agostinho de Hipona sobre o tempo: se me perguntam o que é Deus, eu não sei, se não me perguntam eu sei. Quando penso Deus me dissocio e, portanto, me torno diabólico. O cérebro utiliza o fósforo na forma de ATP (adenosina trifosfato) em seu metabolismo. Fósforo em grego é lúcifer em latim, ambos significam o portador da luz.
Posso ser livre de tudo o que tenho, mas posso ser escravo até do que não tenho. A liberdade é um conceito estranho. Liberdade para acreditar ou não. Na medida em que acredito coopero com o “sistema de leis” (teotropismo), e na medida em que não acredito compito com o “sistema de leis” (geotropismo). Competir ou cooperar, prerrogativas do estado em que me encontro. Escolhas que não se excluem, senão se mesclam até que a unidade seja melhor compreendida por cada um de nós.


SUGESTÃO DE EVENTO 11/11/18 - ENCONTRO DA SAÚDE



domingo, 9 de setembro de 2018

EU E TU III – A PIZZA DA CONSOLAÇÃO



            Noite fria, comendo pizza com amigos. Éramos três, papo bom, papo cabeça. Noite viva, noite feliz!
            Finda a pizza notei haviam sobrado dois pedaços! Com esse frio, talvez alguém na rua possa se beneficiar. Vou pedir para embrulhar. Que bom, não aprecio desperdício, vou otimizar.
            Já na rua, frio, bem frio, quase ninguém à vista. Será possível? Ninguém?
            Os amigos se afastaram, foram na frente conversando. Eu disse já vou, vão indo! Fiquei só, procurando.... Ninguém!! Espera! Tem alguém lá embaixo; rua da Consolação, frente ao cemitério, do outro lado da rua, do outro lado da vida; cachorro ao lado; revirando o lixo; pés descalços; roupa rasgada. Deve estar com fome. Eu, eu, eu, eu, esse cara que acha poder fazer diferença, que acha poder ajudar alguém, que acha que pode alguma coisa! Quanta pretensão.
            A vida é assim, surpreende onde se menos espera. E foi assim, me surpreendeu...
            – Moço, trouxe esse pedaço de pizza para você.
            Parou, soltou o lixo, me olhou, ainda de joelhos, e disse sereno:
– Não vai faltar para você?
Suficiente para gerar em mim a sensação de um raio atravessando as solas dos meus pés e arrepiar meus cabelos como se algo me puxasse forte em direção ao alto. O que acontecera?
No descuido de achar poder ser útil, ajudar, amaciar o próprio ego no calor da boa ação a quem não teria absolutamente como retribuir, fui desmascarado frente a Deus me transpassando no olhar e nas palavras de quem até então se manifestava aos olhos como um desgraçado.
Às vezes, sempre, só alguém profundamente desgraçado e amoroso para nos mostrar com tanta clareza o estado desgraçado que nos encontramos. Compreendemos a desgraça na medida em que a mesma nos assola. Entendo mal a desgraça, na medida em que a atitude do outro me consola. Ser assolado ou consolado, o que você preferiria nesse instante meu amigo?
Eu, naquele instante, Rua da Consolação, fui assolado pelo estado miserável em que me encontrava. Consolado na luz divina que se irradiara na experiência de comunhão com Deus de pés descalços no chão, ajoelhado e me perguntando: não vai faltar a você?
Claro que vai! Já faltou! Faltou o chão, faltou tato, faltou fôlego, mas antes de tudo faltou o mais importante; respeito. Respeito ao espaço alheio, respeito ao outro ser, respeito ao Tu que me referencia enquanto Eu. Enfim, me senti como talvez o político brasileiro, um ser repugnante; como talvez ainda a barata da metamorfose de Kafka. Sobre políticos, esclareço a propósito, com todo respeito, me refiro apenas aos eleitos; os candidatos pretendentes considero muito pudicos, ressalva seja feita! Pena nunca se elegerem. Coincidências mórbidas...
Amigo, acredite, não é fácil encontrar com a abundância na casa da penúria. O contrário é mais comum. O que acha?
Mas, não dava mais tempo, passado e futuro haviam colapsado e me algemado àquele momento de eternidade. Então aquilo era o presente?! Que presente!
O que acontecera, pensava enquanto voltava aos amigos de pizza. Milagre, mil lágrimas, era só o que me cabia. Sim, mais que isso talvez. Mas lágrimas de que? Alegria, vergonha? Não importa, senão que lavavam meu ser, tornando-o um pouco mais reverente ao outro, meu próximo. Meu próximo que julgo precisar de mim, mas sem o qual não sou ninguém, não tenho sentido.
As situações de êxtase são boas por isso, devolvem o sentido, organizam o sentir e orientam o perdido. E olha que meu sobrenome é Leme hein!?!
Lamentável Leme, você esqueceu! Esqueceu de pedir licença e perguntar se poderia oferecer algo a seu irmão, a seu igual, a seu maior! Sim, e o preço foi alto, altíssimo, levou um choque e recebeu em si instantaneamente todo o ser daquele que pensou pudesse ajudar. Foi ajudado! Ajudado a ser menos cego, pela luz invisível daquele que de nada carece pois está em paz. Que a paz esteja com você meu amigo desconhecido. Essa paz que é inteireza e que você me recordou com maestria.
Paz não é de fato ausência de guerra, senão inteireza em meio à guerra da vida que pode sim afetar nosso Ter, mas que não pode nada quanto ao Ser daquele que alcançou a compreensão do mistério sagrado do encontro do Eu com o Tu.
De fato, antes daquele, eu tinha passado por encontros mais adaptados a meu nível. Por exemplo aquele do cara ajoelhado no metrô com as mãos cheias de moedas e quando eu pus mais uma ele lançou tudo ao chão espalhando todas; e também aquele que para mim foi a cereja do bolo: o amigo que pedia no farol e que ao abaixar o vidro e lhe oferecer uma bala, me sugeriu que a colocasse entre as pernas na região terminal do intestino. Talvez não fossem essas as palavras, não me lembro bem, mas era algo assim.
Por essas e outras muitas que ainda se saberão é que aprendi a pedir licença e perguntar se posso ser útil de algum modo antes de achar que tenho a chave e a solução para o que o outro precisa.
E você amigo? Sabe do que seu próximo espera ou precisa de você?

sábado, 20 de maio de 2017

EU e TU - HOJE


Hoje na Avenida Rebouças o menino descalço colocava balas no retrovisor dos carros para vender enquanto o farol permanecia vermelho. O farol abriu... O menino descalço havia colocado balas em tantos carros, que mesmo correndo, não acabava de retirar as que não foram compradas. Um senhor de maior idade, um dos prejudicados pela demora, passou fazendo movimentos com as mãos e expressando sua indignação em palavras graves e com a face moldada pelo seu zango.
Ficou então o pensamento: esse senhor, de algum modo, será um menino sem sapatos para compreender melhor o tempo daquele outro menino que desconhece totalmente as neuras do trânsito e o que vai dentro dos motoristas apressados e estressados de Sampa... Ficou também esse outro pensamento: esse menino, de algum modo, será um senhor motorista para compreender melhor o tempo daquele outro senhor que desconhece totalmente a necessidade e o esforço de quem vende balas, especialmente os descalços no asfalto...
Falta compreensão mútua? Falta Martin Buber? Falta “Eu e Tu” nas escolas?

 
Aqueles de nós que dirigem veículos, aqueles que dirigem escolas, os que dirigem empresas, os que dirigem municípios, os que estados e mesmo os que dirigem países, sejamos um pouco mais reverentes aos descalços, seus tempos e necessidades. Aqueles de nós em situações descalças, cuidemos em pensar se nossos pés já não foram cegos ao "chão" que pisáramos.
Tem o reino mineral, tem o reino vegetal, depois tem o reino animal e finalmente o humano. Para se tornar humano a relação com a animalidade deve ser repensada. É preciso que se perca o medo de se tornar humano. É preciso coragem para se tornar humano.  

Senhores políticos, organizadores do caos, das coisas escusas e das cosas nostras, piedade!!

segunda-feira, 8 de agosto de 2016

ALIMENTAÇÃO CONSCIENTE VIII

CONTINUAÇÃO DE:


A despeito do trabalho oferecido pelos cuidadosos documentários abaixo relacionados, a alimentação saudável pede um cuidado e uma amorosidade sustentados, por parte das autoridades, especialmente no que diz respeito ao que aparenta ser bonitinho e engraçadinho.



            A criança é o patrimônio mais precioso de uma nação. Na verdade aprendi isso quando morei nos Estados Unidos, um país que cuida de suas crianças como sua maior riqueza. Por exemplo, quando um ônibus escolar parava para pegar uma criança, toda e qualquer circulação de veículos na redondeza do transporte escolar precisava parar no sentido de garantir a integridade dos estudantes, um pequeno detalhe entre outros tantos. A criança que cresce assim, percebe, sente-se cuidada e valorizada. A criança valorizada sabe dar valor.
Criança gosta de brincar e repetir tudo o que escuta; um idioma pode ser muito mais facilmente aprendido por uma criança que por alguém de mais idade. Por isso é especialmente importante cuidarmos da qualidade do que se oferece como material de repetição. De fato isso é fundamentalmente importante no que diz respeito à educação alimentar.
Acredito nesse momento histórico em que se discute a obesidade infantil, valer a pena visitar e pensar sobre materiais musicais similares ao que se mostra abaixo. Sempre no sentido de refletir sobre a qualidade alimentar de nossas crianças ou baixinhos para quem acha que ser grande é questão de tamanho.

Eu queria ter um dia
Pra comer só porcaria
Três quilos de sorvete
Dentro de uma melancia

Mergulhar numa piscina
Cheia de coca-cola
Uma caixa de bombom
No meu recreio da escola

Eu quero é mais, eu quero é mais,
Eu quero é mais, mais, mais, mais, mais

Se eu ficar gordo muito gordo, tudo certo
Tudo bem tanto faz, eu quero é mais

Quero chegar na lanchonete
Comer quinze Sanduiches
Um pão de cada lado
E dentro tudo que existe

Eu quero 5 Salsichas
Dentro de um cachorro-quente
Com creme e chantilly, só pra ficar diferente

Eu quero é mais, eu quero é mais
Eu quero mais, mais, mais, mais, mais

Se eu ficar gordo muito gordo, tudo certo
Tudo bem, tanto faz, eu quero é mais

Uma pizza gigante, enorme colossal
Grandona bem servida de tamanho anormal

Um saco de batatas, crocantes e super fritas
E só de falar nisso a barriga se agita

Eu quero é mais, eu quero é mais
Eu quero mais, mais, mais, mais, mais

Se eu ficar gordo muito gordo, tudo certo
Tudo bem, tanto faz.


segunda-feira, 4 de julho de 2016

ALIMENTAÇÃO CONSCIENTE VII

CONTINUAÇÃO DE:

REFLEXÕES NADA CIENTÍFICAS SOBRE HÁBITOS ALIMENTARES
Por: André Oliveira Guimarães Leite – Advogado da saúde - Email: aogleite@gmail.com



Sentes cansaço? Tens bom apetite? Tens sono profundo? Tens boa memória? Tens bom humor? Tens rapidez de raciocínio e de execução? Estas seriam as seis condições enumeradas por Georges Ohsawa indicativas de boa saúde e felicidade. Trata-se do autor de "Macrobiótica zen - arte do rejuvenescimento e longevidade".
Esses questionamentos nos fazem refletir a respeito do que é a felicidade e a saúde, e o que é preciso para alcançá-las. Com certeza, a alimentação é um dos pilares para uma vida saudável, e, por consequência, feliz.
Existem divergências, no entanto sobre o que é uma boa alimentação. Além da qualidade do alimento, questões referentes à quantidade, à forma de se alimentar e outros hábitos alimentares podem ser determinantes para alcançar, preservar e promover a almejada saúde.
Cientistas realizaram um estudo com cobaias, separando-as em dois grupos: um dos grupos era alimentado constantemente, com intervalos nunca superiores a 10 horas, enquanto que o outro era submetido, diariamente, a um intervalo de 13 horas entre alguma das refeições diárias. O resultado foi surpreendente: a longevidade do segundo grupo foi consideravelmente maior que a do primeiro.
Isso nos faz pensar a respeito das recentes orientações nutricionais que recomendam a ingestão de alimentos a cada três horas... Para muitos, trata-se de lobby criado por grandes empresas do ramo alimentício...
Há relatos de pessoas para quem a alimentação não seja algo imprescindível. Isso mesmo, pessoas que poderiam "viver de luz" ou se alimentar de prana.



Menos radical, todavia, conhecemos ou já ouvimos falar sobre os benefícios que podem advir da prática de algum tipo de jejum. A cultura oriental sempre nos ensinou que não devemos nos alimentar em excesso. "Comer até estar 80% satisfeito" é uma das máximas desta cultura milenar.
Segundo Mahatma Gandhi, "devemos mastigar as nossas bebidas e beber os nossos alimentos".
Todas essas informações fazem-nos refletir se não há algum grau de toxidade intrínseca em todo e qualquer alimento. Não só porque estão impregnados de todo tipo de substância tóxica empregada na sua produção, mas também em razão da própria constituição do alimento e  os diversos quadros de intolerância de cada organismo humano. Se pensarmos no atual estágio da sociedade, na qual é comum que princípios éticos sucumbam frente às exigências do capitalismo, mais razão se teria para perder o apetite.
Quem já não abusou daquela feijoada de sábado e depois ficou horas em estado quase vegetativo? O nosso corpo reclama sempre que nos alimentamos um pouco além da conta. Em sentido oposto, experimente fazer um jejum de mingau de arroz durante um dia e verá que leveza sentirá em todo o seu ser!
Em tempos de massificação da sociedade, o grande pecado parece ser a padronização da alimentação. A industrialização alimentar e a vida moderna retiraram do homem o "livre arbítrio" do que levar a boca... Perdemos a capacidade de ouvir o nosso estômago, consumindo porcarias prontas, sem qualquer relação com o que o nosso organismo anseia.
Hoje não temos mais tempo de sentir fome, aquele sentimento saudável (claro, desde que voluntário). Fomos acostumados a nos pré-alimentar. "Coma menino, senão você passará fome"... A lógica parece estar invertida.
Alimentar-se bem, por vezes, pode significar não ingerir qualquer alimento, permitindo que o nosso corpo se recupere e aproveite o ventre livre para se alimentar de outro tipo de energia. 
É importante manter viva a pergunta: você come para viver, ou vive para comer?


quarta-feira, 22 de junho de 2016

OUVIRUMDUM - DIVAGAÇÕES POLÍTICAS PARA UMA NAÇÃO UTÓPICA



Por um instante, consideremos ser menos 12 de outubro e mais 7 de setembro pois só com muito 1º de maio não seremos um eterno 1º de abril. Toda essa tinta no chão me faz perguntar se as coisas não estariam ficando pretas...
Sou estudante na USP, em greve (Veja: Greve na USP) há mais de um mês. Ao invés de escrever as resenhas usuais, aproveito esse tempo de ócio para uma reflexão leve e “macunaímica”.
Como se sabe, o contrário de uma coisa sempre e inexoravelmente é: “a mesma coisa ao contrário”. A solução talvez seja o novo, o inusitado, o impensável. Um impensável que não seja dividido ou partido e muito menos um coração partido, conforme dizia aquele cantor Cazuza, senão talvez uno como o UNI verso.
Que o exemplo de Cristo irradie a luz que carecemos nesse momento e que possamos reencontrar o caminho da roça. Como sempre, aos desavisados sugiro atenção e a bondade de quando cito Cristo seja feita a devida distinção dentre as inúmeras corruptelas e variações do mesmo tema, invariavelmente em oitavas inferiores. Pois Cristo é o coração e as variações são couraçados e desgraçados, e sem a graça já se sabe que a “coisa” fica sem graxa e a engrenagem emperra.


Quando o Janine assumiu a educação estranhei, um pensador filósofo? Será que alguém está de fato interessado em transformar o gigante? Mas, ilusão, durou pouco, quase nada. Janine escreveu um livro muito bom, eu gostei! “A sociedade contra o social” minuciosamente mostra como o tecido embasado nas telenovelas prepara e molda o pensar, se antecipando muitas vezes às mudanças do cenário político do país. Além disso, o autor ressalta o fato corriqueiro no Brasil de se fazer piada de coisa séria. Quando se faz piada de coisas sérias o senso comum e a opinião pública são treinados a perderem a noção de importância de alguns fatos. Fazer piada de coisas sérias é uma forma de alienar e desviar a atenção, você já pensou nisso? De qualquer modo, a nomeação do ministro em tempo quântico não passou de mais uma piada de mau gosto com as coisas sérias. Deve ser uma loucura saber como são os bastidores de fenômenos dessa natureza.
Agora, cá entre nós, fala sério!!!
Era uma casa muito engraçada, não tinha teto não tinha nada... Quanto mais pessoas viviam ali, maior era a necessidade de alimentos e a qualidade nutricional se empobrecia na mesma medida. Não havia comida de qualidade para todos! Os preços subiam e principalmente do feijão. Porque então procriavam, não seria o caso de repensarem a natalidade e suas taxas?
As torcidas, assim como o crime, se organizaram e agora os órgãos públicos estão começando a se organizar. Fala-se em golpe, para alguns de sorte, para outros, nocaute; para você? O fato é que nesse inverno as quadrilhas continuam a solta e nas festas juninas se escuta: olha a cobra! É mentira! Quando eu era criança pensava que quando o ladrão fosse visto roubando precisaria se entregar à autoridade, cresci e aprendi que a escuta ilegal mesmo quando desvenda o crime não pode ser usada como prova no tribunal! O que é ilegal afinal?


Vejamos como Thomas More (A Utopia) descreve em sua obra magna os Utopianos em relação ao quesito legal:
“Possuem apenas um número muito restrito de leis, pois, para um povo tão instruído como os Utopianos, e com tais instituições, poucas leis são necessárias. Desaprovam principalmente nos outros povos o número interminável de leis e comentários sobre as mesmas, e que esses povos consideram ainda insuficientes. Têm como suprema injustiça que se obrigue um homem a obedecer a leis que não consegue conhecer, pois são inúmeras e tão obscuras que ninguém as pode compreender com exatidão. Excluem ainda mais rigorosamente os advogados, procuradores e solicitadores, que manejam habilmente os processos e discutem astuciosamente as leis. Pensam ser mais acertado que cada um defenda a sua própria causa e confesse diretamente ao juiz o mesmo que contaria ao advogado. Deste modo haverá menos ambiguidade, e a verdade descobrir-se-á mais facilmente, pois o juiz pesará e examinará com bom senso as razões de cada um, a quem nenhum advogado instruiu com impostura, defendendo os espíritos ingênuos e simples contra as calúnias maliciosas dos malabaristas de palavras.
É difícil observar esses princípios em países com número de leis intrincadas e equívocas. Na Utopia, no entanto, todos são advogados hábeis, pois é pequeno o número de leis que os regem e sua interpretação mais simples e vulgar é considerada a mais justa. Pois todas estas leis, dizem os Utopianos, são promulgadas com o único intento de que cada homem fique convenientemente informado de seus direitos e deveres. Ora a interpretação cheia de sutilezas e habilidades é acessível a pouca gente e só esclarece um pequeno número, enquanto as leis formuladas com clareza e simplicidade são facilmente compreendidas por todos.”
Quincas Borba, filósofo Machadiano, já havia previsto isso tudo ao entregar as batatas ao vencedor; mas a filosofia moderna ensina que o vencedor mesmo é quem consegue dividir as batatas pelo maior número de pessoas possíveis, assim todos vencem e se alguém descobrir, nada a fazer! O crime perfeito é aquele que não aconteceu, então para que votar se os vencedores já dividiram as batatas antes mesmo da eleição?
Parece-me óbvio que para correr uma maratona é preciso treino. O treino é a poupança necessária para que se consiga terminar a maratona sem morrer no caminho. Mas qual a diferença disso e a poupança necessária para a compra da casa de seus sonhos? Nenhuma! Morrer no caminho e não honrar compromissos são sinônimos; treinar para a maratona e aprender a poupar também. Tudo isso parece muito óbvio, mas porque o brasileiro tem tanta dificuldade em poupar? Alguém saberia explicar? Na festa junina de sábado eles explicaram assim: A ponte caiu! É mentira!


E porque não lembrar Erich Fromm em um trecho do livro “A sobrevivência da humanidade” onde ele faz uma imparcial análise do raciocínio normal e do raciocínio patológico na política. Nesse capítulo o autor alerta sobre os obstáculos que uma sociedade emocionalmente desequilibrada, carente e racionalmente enfraquecida (território fértil para as novelas, reality shows e esportes de massa) oferece a seus habitantes, dificultando a percepção da realidade:
“A maioria das pessoas de qualquer sociedade não tem consciência dessa deformação. Só vê a deformação quando constitui um desvio da atitude da maioria, e está convencida de que as opiniões da maioria são certas e “sãs”. Não obstante, isso não é certo. Tal como existe uma “folie à deux”, há insanidade de milhões, e o consenso no erro não faz dele uma verdade. Para gerações posteriores surgidas anos após a irrupção da insanidade em massa, o caráter insano desse raciocínio, mesmo quando partilhado por quase todos, poderá ser percebido claramente”.


O Dostoievski na obra “Os demônios” (se ainda não leu considere seriamente) descreve com clareza imparcial o modus operandi dos regimes que surgem como alternativa salvadora, mas cujo objetivo é salvarem a si mesmos. Ninguém melhor que ele, vítima do processo político russo, para elucidar como regimes aberrantes se apropriam do poder a partir da instauração sistemática do caos, senão vejamos o que ocorre no epílogo do clássico na página 646 pelo personagem Liámchin:
“À pergunta: por que tantos assassinatos, escândalos e torpezas? – Respondeu com uma pressa exaltada que era “para provocar um abalo sistemático das bases da sociedade, para a desintegração sistemática da sociedade e de todos os princípios; para deixar todo mundo em desalento e transformar tudo numa barafunda e, uma vez assim abalada a sociedade, esmorecida e doente, cínica e descrente, mas com uma sede infinita de alguma ideia diretora e de autopreservação, tomar tudo de repente em suas mãos, erguendo a bandeira da rebelião e apoiando-se em toda uma rede de quintetos, que entrementes agiam, recrutavam gente e procuravam na prática todos os procedimentos e todos os pontos frágeis aos quais podiam agarrar-se.”

Sempre surpreende os momentos em que o passado revisita o presente não acham?

quarta-feira, 15 de junho de 2016

O HOMEM ESTÁ NA CIDADE COMO UMA COISA...

Pelo neoconcretista Ferreira Gullar

O homem está na cidade
como uma coisa está em outra
e a cidade está no homem
que está em outra cidade

mas variados são os modos
como uma coisa
está em outra coisa:
o homem, por exemplo, não está na cidade
como uma árvore está

em qualquer outra
nem como uma árvore
está em qualquer uma de suas folhas
(mesmo rolando longe dela)
O homem não está na cidade
como uma árvore está num livro
quando um vento ali a folheia

a cidade está no homem
mas não da mesma maneira
que uma pássaro está numa árvore
não da mesma maneira que uma pássaro
(a imagem dele)
está/va na água
e nem da mesma maneira
que o susto do pássaro
está no pássaro que eu escrevo

a cidade está no homem
quase como a árvore voa
no pássaro que a deixa

cada coisa está em outra
de sua própria maneira
e de maneira distinta
de como está em si mesma

a cidade não está no homem
do mesmo modo que em suas
quitandas praças e ruas


terça-feira, 14 de junho de 2016

POEMA AOS CANALHAS (09/11/11)

     
Esse poeminho escrito cinco anos atrás é para aqueles de nós, que como eu,

querem melhorar, voar e lembrar...



Sabemos que suas intenções não são as melhores

e que o benefício próprio é a razão de seu viver.

Como a corrente que prende,

repare e veja sua vida

onde ela para e de que ela se nutre...

Assim como o abutre voe alto

mas imite a águia  que não anda em bando

Bandidos, projetos de benditos, acordem da letargia

antes que suas próprias vidas e vídeos os intoxiquem

de forma que não possam mais arrancar a máscara colada

por medo de encontrar quem você foi um dia.

E ainda pior!

“LEMBRAR”

o que veio fazer e esqueceu,

quando o tempo já não for seu.


quarta-feira, 11 de maio de 2016

SOBRE A MORTE E O MORRER

Por: Rubem Alves



Já tive medo da morte. Hoje não tenho mais. O que sinto é uma enorme tristeza. Concordo com Mário Quintana: “Morrer, que me importa? (...) O diabo é deixar de viver.” A vida é tão boa! Não quero ir embora...
Eram 6h. Minha filha me acordou. Ela tinha três anos. Fez-me então a pergunta que eu nunca imaginara: “papai, quando você morrer, você vai sentir saudades?”. Emudeci. Não sabia o que dizer. Ela entendeu e veio em meu socorro: “não chore, que eu vou te abraçar...” Ela, menina de três anos, sabia que a morte é onde mora a saudade.
Cecília Meireles sentia algo parecido: “E fico a imaginar se depois de muito navegar a algum lugar enfim se chega... O que será, talvez, até mais triste. Nem barcas, nem gaivotas. Apenas pobres humanas companhias... Com que tristeza o horizonte avisto, aproximado e sem recurso. Que pena a vida seja só isto...”.
Da. Clara era uma velhinha de 95 anos, lá em Minas. Vivia uma religiosidade mansa, sem culpas ou medos. Na cama, cega, a filha lhe lia a Bíblia. De repente, ela fez um gesto, interrompendo a leitura. O que ela tinha a dizer era infinitamente mais importante. “Minha filha, sei que minha hora está chegando... Mas, que pena! A vida é tão boa...”.
Mas tenho muito medo de morrer. O morrer pode vir acompanhado de dores, humilhações, aparelhos e tubos enfiados em meu corpo, contra a minha vontade, já não sou mais dono de mim mesmo; solidão, ninguém tem coragem ou palavras para, de mãos dadas comigo, falar sobre a minha morte, medo de que a passagem seja demorada. Bom seria se, depois de anunciada, ela acontecesse de forma mansa e sem dores, longe dos hospitais, em meio às pessoas que se ama, em meio a visões de beleza.
Mas a medicina não entende. Um amigo contou-me dos últimos dias do seu pai, já bem velho. As dores eram terríveis. Era-lhe insuportável a visão do sofrimento do pai. Dirigiu-se então, ao médico: “O senhor não poderia aumentar a dose dos analgésicos?”. O médico olhou-o com olhar severo e disse: “O senhor está sugerindo que eu pratique a eutanásia?”.
Há dores que fazem sentido, como as dores do parto: uma vida nova está nascendo. Mas há dores que não fazem sentido nenhum. Seu velho pai morreu sofrendo uma dor inútil. Qual foi o ganho humano? Que eu saiba, apenas a consciência apaziguada do médico, que dormiu em paz por haver feito aquilo que o costume mandava; costume a que frequentemente se dá o nome de ética.
Outro velhinho querido, 92 anos, cego, surdo, todos os esfíncteres sem controle, numa cama – de repente um acontecimento feliz! O coração parou. Ah, com certeza fora o seu anjo da guarda, que assim punha um fim à sua miséria! Mas o médico, movido pelos automatismos costumeiros, apressou-se a cumprir o seu dever; debruçou-se sobre o velhinho e o fez respirar de novo. Sofreu inutilmente por mais dois dias antes de tocar de novo o acorde final.
Dir-me-ão que é dever dos médicos fazer todo o possível para que a vida continue. Eu também, da minha forma, luto pela vida. A literatura tem o poder de ressuscitar os mortos. Aprendi com Albert Schweitzer que a “reverência pela vida“ é o supremo princípio ético do amor. Mas o que é vida? Mais precisamente, o que é a vida de um ser humano?
O que e quem a define? O coração que continua a bater num corpo aparentemente morto? Ou serão os ziguezagues nos vídeos dos monitores, que indicam a presença de ondas cerebrais?
Confesso que, na minha experiência de ser humano, nunca me encontrei com a vida sob a forma de batidas de coração ou ondas cerebrais. A vida humana não se define biologicamente. Permanecemos humanos enquanto existe em nós a esperança da beleza e da alegria. Morta a possibilidade de sentir alegria ou gozar a beleza, o corpo se transforma numa casca de cigarra vazia.
Muitos dos chamados “recursos heroicos” para manter vivo o paciente são, do meu ponto de vista, uma violência ao princípio da “reverência pela vida”. Porque, se os médicos dessem ouvidos ao pedido que a vida está fazendo, eles a ouviriam dizer: “Liberta-me”.
Comovi-me com o drama do jovem francês Vincent Humbert, de 22 anos, há três anos cego, surdo, mudo, tetraplégico, vítima de um acidente automobilístico. Comunicava-se por meio do único dedo que podia movimentar. E foi assim que escreveu um livro em que dizia: “Morri em 24 de setembro de 2000 desde aquele dia, eu não vivo. Fazem-me viver. Para quem, para que, eu não sei...”. Implorava que lhe dessem o direito de morrer. Como as autoridades, movidas pelo costume e pelas leis, se recusassem, sua mãe realizou seu desejo. A morte o libertou do sofrimento.
Dizem as escrituras sagradas: “Para tudo há o seu tempo. Há tempo para nascer e tempo para morrer”. A morte e a vida não são contrárias. São irmãs. A “reverência pela vida” exige que sejamos sábios para permitir que a morte chegue quando a vida deseja ir. Cheguei a sugerir uma nova especialidade médica, simétrica à obstetrícia: a “morienterapia”, o cuidado com os que estão morrendo. A missão da morienterapia seria cuidar da vida que se prepara para partir. Cuidar para que ela seja mansa, sem dores e cercada de amigos, longe das UTIs. Já encontrei a padroeira para essa nova especialidade: a “Pietá” de Michelangelo, com o Cristo morto nos seus braços. Nos braços daquela mãe o morrer deixa de causar medo.



segunda-feira, 4 de abril de 2016

CRIATIVIDADE V

POR: MÁRIO INGLESI
Continuação de:


Dr. Ricardo
Se nada disso importa e seu niilismo social e humano prevalecer preponderantemente, pare para pensar, - acautele-se -, veja o quanto já foi feito pelo animal humano, desde as suas origens, e o inimaginável que ainda ele fará em prol do desenvolvimento e progresso de si mesmo e da sociedade como um todo, apesar de todas as dificuldades e óbices que terá sempre pelo caminho para enfrentar.
Caso se deixar por vencido, ótimo!, mas se tal não ocorrer, faça um mea-culpa e procure aquilatar a sua participação e contribuição objetivas, em todo esse progresso de criatividade, beleza e, em última instância de seu niilismo com os homens, a pátria, a política e a economia, em sua atuação concomitantemente ou conjunta, continuar firme e próspera, - desculpe - procure um buraco de tatu para se esconder, ou procure fixar-se na posição da imagem estatuária dos três macaquinhos: “não ver, não ouvir, não falar”, já que não sabe e, portanto não consegue descascar uma cebola ou, mesmo, promover a retirada das bonecas “russas” uma de dentro da outra.
Verdade… pode ser pura maldade! : “Mas o pior cego é aquele que não quer ver”, dizem as más línguas – sempre elas.
Melhor de tudo, para sair desse sufoco que muitos se encontram, é seguir o conselho do poeta Mário Quintana: (1906-1994)
“Quem abre um livro abre uma janela.”

Em assim fazendo, é certo que. haveria o pensar, refletir e agir de outra maneira, cantarolando:
“Dez vidas eu tivesse,
Dez vidas eu daria.
Dez vidas prisioneiras
Ansioso eu trocaria,
Pelo bem da liberdade,
Nem que fosse por um dia”
“Tiradentes Augusto Boal e Gianfrancesco Guarnieri”

Toda essa reflexão sobre a criatura e sua criatividade, talvez seja porque, a “vida não é tão bela assim”, predisse o psicanalista Contardo Caligaris, portanto, nada como torná-la palatável, melhor e muito mais bela de ser vista e vivida. Para isso usando e vivenciando toda a parafernália criativa que perpassa os homens e suas classes sociais, desde o artesanato até a criação mais sofisticada, inteligente, sensitiva e estimulante advinda dos mais diversos setores da vida humana, através dos infinitos suportes que temos e ainda teremos à nossa disposição, com o envolver sempre crescente da nossa inteligência e criatividade, em prol do alcance da pretendida eternidade terrena, como patrimônio nacional.
Afinal, - sabemos - somos múltiplos. Então nada melhor que pormos nossa multiplicidade em ação, para o que der e vier, principalmente no quesito da criatividade cuja característica exclusivamente humana, para então colhermos os louros que porventura vamos fazer por merecer.
Para isso, tente, invente, proponha-se a alçar da sua caixa de surpresas algo que mostre seu diferencial, deixando marcas sociais, talvez, - quem sabe - na linha da produção de alimentos, cuja conquista alterou a face humana do planeta e seus habitantes.
A propósito, já foi deveras comum chamar alguém de “elefante” e complementar: “você não sabe a força que tem…”.
Ainda assim, como os personagens de Beckett, permanecer “Esperando Godot”, esperar por acontecer milagres mostra-se querer ver “chifre em cabeça de cavalo”, nada mais que isso.
É isso, aí! Toda essa digressão – extensa, não? – acompanhada de relação de nomes importantes no mundo da criação, antiga e contemporânea, se alicerça unicamente na valorização do “homo sapiens” e, seu maior trunfo pessoal e social: criatividade humana, pela cultura e na cultura, para felicidade de todos nós e embelezamento deste nosso planeta.
Deixe tudo isso de lado, dê uma boa espreguiçada, tire as teias de aranha que o encobrem e, daí, então tenha em mente algo deveras importante: nós somos também feitores de novos seres humanos e como tais, portadores e criadores de novas heranças culturais, bem como de outros níveis de conhecimento científico e de toda ordem, sob extratos econômicos, políticos e sociais que também ajudamos a compor.
Isso feito, sob reflexão, mas com atenção redobrada, pense no “Sabor da Vida”, e aprenda o saber viver, em favor de um processo civilizador quiçá para si e para todos que o rodeiam, em busca de um mundo cujo compartilhar seja a tônica dominante.
Aliás, João Guimarães Rosa, aduz a dois vibrantes conceitos em Grande Sertão: Veredas:
“A cabeça da gente é uma só, e as coisas que há e que estão para haver são demais de muitas, muito maiores diferentes, e a gente tem de necessitar de aumentar, para o total.”
E, “mestre não é quem sempre ensina, mas quem de repente aprende.”
Portanto, não basta, para criar, conhecer o “Grande Sertão” é preciso chafurdar em suas “Veredas e se aprofundar, nelas, para melhor conhecer o âmago de seus viventes e melhor entender sua vivência e status.
Com isto, sem dúvida, advirá a criação, em seu substrato mais profundo, pois ela estará alicerçada em liberdade, que, segundo ainda Guimarães Rosa, “é assim, movimentação”.