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quinta-feira, 3 de setembro de 2015

CRIATIVIDADE III

POR MÁRIO INGLESI
Continuação de:


Dr. Ricardo,

É realmente, fantástico o que já criamos e estamos em vias de criar em setores os mais díspares, ou como quis acontecer Lewis Carrol, fazendo Alice se aventurar na descoberta de um mundo inquietante e onírico, sem precedentes, em “Alice no País das Maravilhas”. Assim como também os arcanos do invisível, com cujos fios diretores de cinema, teceram zumbis, o computador de Odisseia no Espaço, ou os fotógrafos que buscaram nas fotos, teias da mediunidade, em tempos idos da arte fotográfica. Ou, ainda, criaram “Comidas” com cores e paladares os mais salutares e edificantes.
Afinal, a vida como repetia exaustivamente o poeta Waly Salomão ”A Vida é Sonho”. Ninguém nos impedirá de sonhar, de fantasiar nossa realidade, seja lá em que grau e altura forem. Primeiro como andarilhos, depois singrando os mares e rios “nunca dantes navegados”, alçando voos aos céus, em aviões cada vez mais velozes, a passeio ou a trabalho, ou cruzando ruas, avenidas, Estados, alçando ou derrubando fronteiras em carros de tipos, tamanhos e luxo, os mais diversos, o ser humano, sempre ele, insaciável em sua curiosidade, em sua visão de futuro, viaja rumo ao espaço em busca de conhecer de perto outros planetas, em naves espaciais, pilotáveis ou, doravante, dirigidas daqui da Terra. Depois como criador de línguas, em prol da comunicação, bem como de escritos, onde sobeja a diversidade de suas faces, seus anseios, seus sentimentos e dores, numa catártica missão de firmar sua identidade e a profundeza de seu ser, isolando quaisquer compromissos ou temor de não ser nada.
Ei-lo, portanto, - Senhor! Perdoai - como um outro Deus, - o do Futuro - plasmado em Criador e Criatura, num gigantismo sem precedentes, marcando com seus feitos a História da Humanidade, por meio dos mais diversos suportes e das mais belas configurações, ainda que, sob aspectos de insanidade, gritos, horrores, dramas de toda ordem inclusive familiares, tragédias, comédias, urros de raiva ou silêncios de angústia ou esplendor, fazendo-nos ver como, mesmo em nossa - tão propalada pequenez -, ainda somos de importância vital para o porvir nosso e do planeta.
Ser humano não se manifesta apenas uma dádiva, mas, isto sim, num trabalho perseverante e diário, consciente, mas também de idealizações de sonhos e fantasias a nos fazer elevar a píncaros de criação nunca dantes vislumbrados. Afinal a vida não é tão bela quanto propalam propagandisticamente. Ela necessita de suportes que nos façam compreendê-la e fazê-la melhor para digeri-la.
Por tudo que já fez, de gerações a gerações até os nossos dias e evidentemente ainda o fará, nos mais diversos, múltiplos e infinitos setores da atividade humana, o “Homem” merece, sem dúvida, figurar no Olimpo, a morada dos Deuses, como o mitólogo “Deus”, da construção, da destruição, da desconstrução e, principalmente, pelo seu alto e desenvolto grau de criatividade, na afirmação de sua contínua individualidade e universalidade.
Ainda mais, por que, com seus segredos escondidos, tirados da manga do paletó e sua vara de condão, como um mágico, de requinte e trabalho excepcionais, não há como exortá-lo continuadamente seja em prosa ou verso, talvez, sempre com os olhos voltados no poema que o identifica: “Pós tudo”:

“Quis
Mudar Tudo
Mudei Tudo
Agora Pós Tudo
                      Extudo (sic)
Mudo”.
Augusto de Campos (SP -1931-) “Pós tudo” in “Folhetim”, 27.01.85.


E, se preciso for, para mostrar firmeza, cantarolar “Começar de Novo”, de Ivan Lins:
“Começar de novo e contar comigo
Vai valer a pena ter amanhecido
Ter me rebelado, ter me debatido
Ter me machucado, ter sobrevivido
Ter virado o barco, ter me socorrido”

É lógico que haverá sempre quem diga: e seus lados negativos – que aliás não são poucos e muito menos desprezíveis? Diremos, em coro e em alto e bom som, não há por que desmerecer, tudo faz parte de sua formação e mais ainda, de seu aprendizado, não só difícil, mas também incongruente.
Poder-se-ia dizer, como o poeta Olavo Bilac (1865-1928)
“Não és Bom, nem és mau: és triste e humano”
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
“Residem juntamente no teu peito
Um demônio que ruge e um deus que chora”

Ou, sob a identificação prevista por Friedrich Nietzsche, (1833-1900) in Ecce Homo declarar, enfaticamente:
“Sim, sei de onde venho!
Insatisfeito com a labareda
Ardo para me consumir.
Aquilo em que toco torna-se luz,
Carvão aquilo que abandono:
Sou certamente labareda.”

Ainda, para ornar a grandeza do homem basta lembrar, as palavras de Albert Camus (1913-1960)”
“Sim, o homem é o seu próprio fim. E é o seu único fim”
Se assim é, melhor e mais profícuo é viver intensamente e :
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
“brilhar para sempre
brilhar como um farol
brilhar com brilho eterno
gente é pra brilhar,
que tudo mais vai pro inferno
este é meu slogan
e do sol”

“Verão na Datcha”, Wladimir Maiakovski (1893-1930), tradução: Augusto de Campos.
Se nada do que aqui está dito, servirá para lhe secar as lágrimas, procure ao redor algo que lhe satisfaça, quiçá um:
Consolo
O mundo está cheio de horrores
de tragédias e terrores
e gente de má fuça.
Mas de vez em quando aparece
cada tenista russa!
(Veríssimo, in “Poesia numa hora dessas”)

Caso nem isso lhe aplaque todo a sua negatividade sobre todo esse enaltecer, procure ensimesmar-se, esquecendo todos os possíveis tipos de epítetos, alcunhas, palavrões ou palavrórios que lhe enredam sorrateiramente, nesse seu viver acabrunhante e mesquinho e vá acampar, se assim o quiser, em outra freguesia, sim, se houver, e lhe aprouver, não esquecendo obviamente, dos adeuses de praxe, sem queixumes ou vitupérios que possivelmente enredaram–lhe a vida vazia de sentido, isenta de contrapartida dialogal com quem quer que seja. Plena, portanto tão só, de duvidoso egoísmo.
Nesse fuzuê de sentimentos e feitos nefastos, procure em si, uma réstea de claridade que ainda possa vislumbrar, recorrendo talvez ao poeta Manoel de Barros no poema “Tratado Geral das Grandezas do Ínfimo”
“Para mim poderoso é aquele que descobre as insignificâncias (do mundo e as nossas)”.

 Ou então diga, com Paulo Leminski:
“Não discuto
com o destino
o que pintar
eu assino”

Se nada disso lhe for possível, o que fazer senão, - meu caro -, quedar-se enfadado e enfartado:
“Terminar sozinho
no túmulo de um quarto
sem cigarros
nem bebida –
barrigudo
grisalho
e feliz por ter um quarto
… de manhã”
Charles Bukowski (1920-1994) in “Poema nos meus 43 anos,” (trad. Jorge Wanderley).

Por toda essa amostragem poética, neste único setor o da poesia, podemos, inquestionavelmente, elevar o Homem ao trono que lhe oferecemos: de um ícone à altura de “Deus”.


terça-feira, 1 de setembro de 2015

O SEGREDO DA LONGEVIDADE - PARTE I

Por: Koshiro Nishikuni – Médico da Saúde e yoboku da Igreja Tenryu
Veja também:


Oyassama disse que, com o espírito sereno podemos viver até os 115 anos de idade. O pesquisador Dan Buettner percorreu o mundo e encontrou cinco regiões onde vivem pessoas centenárias, repletas de alegria e ótima qualidade de vida, livres de doenças e incapacitações.
Foram mapeadas cinco localidades do mundo onde as chances de alcançar os 100 anos de idade são 10 vezes maiores, comparadas a outras regiões. Esses locais são chamados de “Blue Zones” ou “Zonas Azuis”: Okinawa (Japão), região com o maior percentual de centenários no mundo inteiro; Sardenha (Itália); 371 pessoas já haviam completado 100 anos em 2012; Loma Linda (EUA), cidade fundada pela Igreja Adventista do Sétimo Dia; Península de Nicoya (Costa Rica), localidade com o maior número de centenários no mundo, 400; e Icária (Grécia), estima-se que um terço da população chegará aos 90 anos de idade. A genética desempenha um papel coadjuvante, mas o fator determinante na longevidade humana é, sem dúvida, o estilo de vida. Temos muito a aprender com os moradores dessas cinco regiões. Analisando a pesquisa, notei que a filosofia de vida deles, tem muita semelhança com os ensinamentos de Oyassama. Todos apresentam algumas características em comum:
1. Corpo em movimento
Nas zonas azuis, as pessoas não estão acostumadas a fazer exercícios específicos para atividade física; eles se mantêm em movimento, sem precisar fazer muito esforço para isso. Na Sardenha e em Icária, por exemplo, grande parte da população é acostumada a pastorear animais, mantendo-os sempre em movimento. Cuidar do jardim, caminhar até o trabalho ou, simplesmente, viver em local com escadas, também contribui para se manter em movimento.
2. Alimentação
Boa parte da população é vegetariana; frutas, vegetais e grãos são itens indispensáveis à mesa. Também, bebem com moderação e utilizam pratos pequenos. Em Okinawa, existe uma prática conhecida como hara hachi bu”, que consiste em comer até o estômago estar 80% completo. Devemos sentir gratidão pelo que alimentamos, quando resta este pouquinho de vontade.
3. Espiritualidade:
Independentemente da fé, este item é um ponto forte nessas comunidades. Por exemplo, Loma Linda está relacionada à Igreja Adventista do Sétimo Dia, e os habitantes da Península de Nicoya têm uma profunda fé em Deus. Segundo o pesquisador, participar de atividades relacionadas à fé ao menos quatro vezes por mês, pode adicionar até 14 anos à vida.
4. Senso de comunidade
Família e amigos estão sempre em primeiro lugar. Em Loma Linda, a Igreja é o lugar de reuniões e amizades. Em Okinawa, os habitantes possuem grupos de amigos que os acompanham desde a infância e com quem podem compartilhar as alegrias e tristezas.
5. Propósito de vida
Todos sabem exatamente o motivo que os fazem acordar de manhã: existe um propósito. Também são voluntariados, procurando, desta forma, um sentido a mais para a vida. Isso me fez lembrar do hinokishin e as frases de Oyassama, sobre as três coisas importantes na vida: levantar cedo, ser honesto e ser trabalhador. Cerca de 65% desses idosos são completamente independentes para as atividades diárias. Ainda, para 2015, há a expectativa do número de idosos com mais de 100 anos seja 20 vezes maior do que há 15 anos. “Uma dieta saudável é importante, mas, não pode faltar: rir e se divertir com as pessoas ao redor” – disse a Srª Panchita, de108 anos. O senso de humor é extremamente importante para a qualidade de vida. É exatamente como o ensinamento de Oyassama: “viver com alegria”.
O cientista Kazuo Murakami acredita que a alegria, a gratidão e a oração podem ativar os genes benéficos. O resultado de um experimento relativo ao riso foi a primeira descoberta. Despertar os bons genes que estão adormecidos com a risada. Até então, havia a ideia de que as características genéticas eram imutáveis, porém, as pesquisas revelaram que os genes podem ser mudados, como um interruptor liga/desliga, ou seja, ativa ou desativa. Ativar o gene é fazê-lo trabalhar e desativar é interromper o seu trabalho. A experiência foi feita com 25 voluntários diabéticos, após o almoço, observando-se a variação da taxa de glicemia, após uma estressante explicação médica sobre as consequências da diabetes e uma seção de humor, realizados em dias consecutivos. O resultado apontou um aumento médio de 123 mg de taxa de glicose contra 77 nos respectivos testes. Os médicos ficaram espantados com o resultado. Quando estamos alegres o cérebro libera neurotransmissores como serotonina e endorfina, chamado também de “hormônio da felicidade”. A palavra endorfina se origina das palavras endo (interno) e morfina (analgésico) e constitui nossa morfina endógena, que o próprio corpo produz. Por ser um potente analgésico natural, ao ser liberada no sangue gera sensação de bem estar, conforto, melhora no humor e alegria é sinônimo de saúde. É a “farmácia natural” que Deus nos oferece.
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