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terça-feira, 9 de abril de 2019

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POR: GERALDO DRUMOND


Viajo na emoção.... Sou só emoção. Onde ela me leva eu vou e fico, até que outra venha e me leve. E assim vou vivendo torcendo para que o próximo lugar que eu vá seja ameno, leve, amoroso! Parece que dependo do mundo estar bem e das emoções serem amorosas para que eu me sinta bem. Penso que é por isto que desejo tanto amor, partilhar, pois assim vou me beneficiar dos ventos benfazejos das paixões dos afetos, dos quereres bem... O mal me desnorteia o medo me apavora a separação me aniquila. Será que sou só emoção? Cresci assim vou morrer assim, vou sempre estar ao sabor das emoções? Cadê minha razão para contrapor a tanto amor, a tanto querer?

ASPECTOS DA PSICANÁLISE E RELAÇÃO AMOROSA



Por: José Geraldo M. Meireles - Psicólogo

No contexto convulsionado em que estamos inseridos, não acredito que os anseios do homem consciente restrinjam-se a uma casual e modesta participação no cenário socioeconômico contemporâneo. As mudanças têm sido rápidas e profundas. Não nos resta, em nível individual e coletivo, outra alternativa senão procurar soluções novas e vencer desafios.
Muitos se sentem perplexos. Angustiam-se, e a incerteza instala-se. Deparam-se com dilemas inevitáveis que englobam “o princípio do prazer” - o desejo é inquietante e indomável - e "o princípio da realidade".
Situar a psicologia moderna significa reconhecer que se iniciou com Freud, pois coube a ele o grande mérito da descoberta do inconsciente: objeto da psicanálise. Sua descoberta revolucionou o início do século XIX e a nossa compreensão em relação a nós mesmos. Deduziu a existência do inconsciente, após contatos persistentes e minuciosos com seus pacientes. Pela fala, é possível curar e aliviar o sofrimento psíquico. Por inovar, encontrou muitos opositores. Sua genialidade permitiu supor estar na sexualidade a causa dos transtornos psíquicos: descarregar a energia (no ato sexual, por exemplo) dá prazer. Contê-la ou reprimi-la, ao contrário, provoca desprazer. Ao considerar-se a vitalidade física e psíquica, a sexualidade faz parte da existência, porém desvinculada do afeto, resulta em decepção e frustração.
Em se tratando de decepção e frustração, Hélio Pellegrino – psicanalista – ilustra que o homossexual elege por objeto de desejo, alguém que se iguale, alguém que é seu duplo perfeito, imagem radiosa de si pela qual se apaixona. A tensão das relações narcisadas, ao extremo, tende para a possessão intensa. Cada um vê no outro o seu próprio retrato idealizado ou deificado – isso rarefaz e mesmo impede a possibilidade do encontro autêntico. A pulsão narcísica não aceita diferença, limite ou separação. O desejo narcísico é insaciável, porque pretende transfigurar a imperfeição do ser que sou, através da ilusória radiância da imagem – mais que perfeita que quero ser e penso possuir. Esse drama, conforme Pellegrino, ilustra as peripécias do narcisismo.
Além da abordagem psicanalítica em relação à sexualidade, a neurocientista Dra. Suzana Herculano – Huzel – (UFRJ) afirma que a preferência sexual não é opção. Para a neurociência, a orientação sexual é inata (não aprendida) e determinada biologicamente, antes mesmo do nascimento.
A relação homossexual ou heterossexual é preferência e não opção. A preferência não se escolhe: descobre-se. Interessar-se sexualmente por homens ou mulheres é o que o cérebro faz automaticamente e pouco importa o que a pessoa pensa. A opção é o que se faz com a preferência: assume-se e curte publicamente, abafa ou esconde. Essa abordagem nova necessita, ainda, de pesquisas cautelosas e criteriosas. É essencial salientar que sou psicólogo e não pesquisador da sexualidade.
Com a nova legislação, casais homoafetivos passam a ser considerados famílias, com direito à adoção de crianças, contudo o preconceito e as agressões são ainda intensos.
O Conselho Federal de Psicologia despatologizou a relação homoafetiva: não é distúrbio (doença). Abre-se, pois, espaço para a compreensão das diferenças.
À luz da psicanálise, nossas tensões e angústias não vêm do outro, daquele que se diferencia de nós, mas daquilo que desconhecemos em nós mesmos. Para a convivialidade social, é fundamental respeitar o direito e a singularidade do outro.
Com efeito, a técnica de investigação psicológica criada por Freud acrescentou dimensão nova para a ciências humanas. Na clínica, pela interpretação, o psicoterapeuta ou psicanalista mostra quais forças destrutivas ou construtivas movem seu cliente. “Desfazem-se os nós”, quando ocorre a travessia da barreira entre o consciente e o inconsciente.
Muitos de nós ficamos presos ao passado que nos condena e ao futuro que nos inquieta - alerta o psicanalista Pessanha. A psicanálise privilegia sempre o presente.
Pelo prisma da psicanálise ou psicologia profunda, o traço característico da psicologia humana é a interferência intensa e contínua dos impulsos de amor, de um lado, e ódio do outro: “nosso bem-estar ou mal-estar depende das forças destrutivas ou construtivas do inconsciente”; equilibrando-se ou não, predominando com maior intensidade as forças construtivas ou destrutivas haverá vida mais saudável, valorização pessoal, relação amorosa e de amizade gratificantes; ou ideias persecutórias tendentes à autodestruição, à depressão, à agressão descontrolada, à relação amorosa e de amizade conflitantes.
A relação intrapsíquica (subjetiva) e interpessoal (com os outros) rege-se pelo jogo dos antagonismos: eros e tánatos - vida e morte - que nos movem, a cada instante, em permanente entrelaçar-se, confundir-se e, outra vez, juntos, porque é dessa simbiose (integração) que resulta a vida.
In Sêneca – filósofo - ter vida longa não é ter a cabeleira branca semelhante à neve, tampouco ter as faces sulcadas pelas rugas; se o homem dissipou seus dias, não viveu longo tempo, muito embora tenha existido longos anos: “Vida é profundidade e não extensão”.
Antes do advento da psicanálise, inquieto e perplexo, o ser humano acreditava que os mistérios de seu destino e as ameaças à sua estabilidade provinham apenas do mundo externo e nunca da intimidade de seu ser.
À época de Freud, (início da psicanálise) as pessoas recorriam ao tratamento psicanalítico, porque temiam realizar seus desejos. Hoje, a psicanálise desperta muito interesse. Isso ocorre, não porque reprimem seus desejos, mas por não saberem, efetivamente, o que desejam. Quando buscam a psicoterapia, esperam que o profissional se converta em aliado confiável, para que possam confidenciar-lhe seus mais íntimos segredos sem o receio de traição.
Desvela-se, assim, o perfil do ego maduro e livre: não autoritário, integrado e seguro; predomina nele o equilíbrio, porque é capaz de manter-se sob controle, de não se deixar levar pela desmotivação, de tolerar frustrações, de não negar sua agressividade-combustível da ação - de portar-se serenamente diante de pressões. Contudo, é imprescindível pensar.
Um conjunto harmônico de qualidades psíquicas herdadas e adquiridas caracteriza esse perfil, tornando a pessoa original a sua forma de ser e agir.
Há décadas, psicólogo clínico trabalho em clínica particular. Atendo adolescentes e adultos. Meu trabalho baseia-se na psicoterapia psicanalítica, psicologia biodinâmica (massagem psicoterapêutica), e avaliação psicológica.
Ao longo desse tempo, percebo, na clínica, que as relações amorosas, por diferença têm sido, às vezes, dramáticas. O amor obsessivo e a inveja transtornam a vida da pessoa pela qual a que se tem fixação doentia em inferno. Sendo a inveja o subproduto doentio da admiração destrói a pessoa invejada. Nem sempre se percebe o transtorno, e a infelicidade impera. Sei que a temática é muito complexa, mas é possível compreendê-la.
Geralmente, admiramos pessoas possuidoras de características físicas ou psíquicas que valorizamos muito. O critério dessa escolha é sempre pessoal. Há fascínio pelo conjunto harmônico de qualidades que tornam alguém original na sua forma de ser e agir. Esse fascínio pode levar a dois modos de amar: por diferença ou semelhança.
As pessoas que se sentem inferiores - e esse sentimento é mais acentuado na adolescência - tendem a admirar outras que trazem consigo características ideais, às vezes, inatingíveis (sempre do ponto de vista do(a) admirador(a)). Assim sendo, o amor surge entre pessoas de temperamento diferente, havendo recíproca admiração.
O humor - tendência situacional - é a disposição afetiva para a introversão ou extroversão. O introvertido: reservado, pouco combativo, voltado mais para a solidão e reflexão une-se ao extrovertido: participante, voltado mais para os outros, de fácil adaptação, combativo, preferindo mais atividades práticas.
Obviamente, os componentes de admiração podem desencadear relações tensas, não só em decorrência, das diferenças de temperamento, mas também da inveja recíproca. A insatisfação pessoal e a precária auto-avaliação, com forte tendência a subestimar-se, despertam raiva e inquietação.
As pessoas que se sentem bem consigo mesmas e, consequentemente, mais estáveis e maduras não se comportam opressivamente e envolvem-se em relacionamento de intimidade mais intensa e harmoniosa, pois o vínculo é regido por afinidades. O amor, por semelhança, é mais gratificante, porque não há, na relação, os elementos desestabilizadores do vínculo: a inveja (é difícil invejar pessoas com características semelhantes), e irritações que decorrem das diferenças de temperamento. Sob a égide da estabilidade psíquica e das afinidades, as relações de amizade tornam-se também harmoniosas e duradouras; os amigos propiciam bem-estar e asseguram a saúde psíquica.
Em seu livro: Ser livre – que tive o privilégio de revisar – o psiquiatra Flávio Gikovate (1943 – 2016) enfatiza que ser livre não é ser desta ou daquela maneira; ser livre não é agir desta ou daquela forma. A liberdade é a sensação íntima de alegria que deriva da coerência entre pensamento e conduta.
Por esse prisma, a liberdade é um estado muito gratificante. As afinidades e não as diferenças é que podem determinar ligações profundamente gratificantes.
Renovar-se significa entregar à morte tudo o que é ultrapassado para que o novo possa expandir-se com toda a liberdade. Desprender-se de coisas que, um dia, foram boas e de ideias que foram relevantes, mas com o passar do tempo, ficaram ultrapassadas, ou seja, ter ânimo para recomeçar, estar aberto para escutar, aprender e buscar novos paradigmas.
Para a efetiva compreensão das diferenças e do lado sombrio das emoções a ajuda psicológica é sempre bem-vinda para busca do bem-estar físico, psíquico e social.
Profissional da psicologia discuti, sumariamente, com base na psicanálise, diferenças e semelhanças no amor, sem desconsiderar a árdua vida diária e o mundo atual, terrivelmente injusto, impiedoso, individualista e abalado pela crise de valores e predadores sociais.

Referências

Jung. C. G.- Tipos Psícolágicos- Zahar Editores - Rio de Janeiro, 1981.
Gikovate, F. - Falando de Amor- MG. Editores Associados - São Paulo, 1976.
Pellegrino, H. - A Burrice do Demônio – Rocco - Rio de Janeiro, 1989.
Boff. L. - Coragem para Renovar in Rede - Ano XXI - nº 241 - Petrópolis, 2013.
Pessanha, A. L. S. - Além do Divã - Casa do Psicólogo - São Paulo, 2001.
Revista - Mente Cérebro - Ano XIX - nº 242 - São Paulo, 2013.
Green, A. - Psicanálise Contemporrânea – Imago - Rio de Janeiro, 2001.
Melman, C. - A Família está Acabando – Veja - São Paulo, 2008.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2018

ESPERANÇA



Era um dia como amanhã

Não tinha som, luz, nada

Era um dia cheio de espaço

Cheio de esperança

Tudo era esperado

Não havia desespero

Quando ele chegou já era tarde

Não havia tempo que compreendesse

Menos ainda para compreender

Mesmo assim Ele veio

E ficou.


terça-feira, 2 de outubro de 2018

GRANDES MUDANÇAS ESTÃO OCORRENDO


POR: GERALDO DRUMOND



Amigos, posso dizer a vocês que grandes mudanças estão ocorrendo. Vamos nos permitir ser mais amorosos, mais afetivos, viver mais o coração e menos a mente.
O universo é benevolente e conspira a favor. O ser humano é muito mais rico do que temos vivenciado. A nossa capacidade de amor é enorme, e temos que experimentar cada dia mais esta capacidade de amar, de perdoar, de nos entregarmos ao universo, como seres espirituais que somos. As dificuldades e adversidades do mundo são pequenas face à grandeza de nosso espírito, de nossa alma. Não devemos nos deixar levar pela notícia ruim, pelas estatísticas desastrosas. Elas representam ainda muito pouco da grandeza de um gesto de amor, de um sorriso de compreensão, de uma ajuda desprendida, de um pedido de desculpas, de um me perdoe, errei, quero acertar. O ser humano é muito melhor do que temos conseguido enxergar. E a expressiva maioria de nós quer acertar, quer ser feliz, ocupar o seu espaço (muito próprio) deste imenso universo, maravilhoso, enorme, que tem espaço para todos, e com sobra. Vamos nos acolher, nos compreender mais, nos aceitarmos mais. Podemos construir situações que vão nos permitir que a imensa maioria respire, alimente, more, ame, enfim, seja!!!


segunda-feira, 12 de junho de 2017

O MELHOR POSSÍVEL II

Por Maria Júlia Paes da Silva – juliaps@usp.br
Fragmento da obra: "No caminho - Fragmentos para ser o melhor"


           Maria, por trabalhar na área de saúde, viu muitas incisões, feridas, machucados e lesões. E também por trabalhar na área da saúde aprendeu a reconhecer o tecido de cicatrização. Aprendeu a reconhecer um corpo que mostra que está reagindo e que está se esforçando para recuperar o próprio equilíbrio e bem estar.
      Ela aprendeu a olhar essas lesões, localizar o tecido de cicatrização (a cura sempre acontece de dentro para fora!) e, espontaneamente dizer: "Que lindo está ficando isso aqui!", para, muitas vezes, surpresa dos pacientes e dos seus alunos que a acompanhavam em sua prática profissional.
      Não foram poucos os pacientes que perguntaram por que "lindo", e ela pôde explicar e partilhar a beleza expressa na vida se reconstruindo, se reorganizando. Auxiliar os pacientes a colocar o foco no lado positivo do momento, fortalecendo o belo de cada situação.
      O mundo é uma construção subjetiva, pessoal! É o reflexo de nossa visão e consciência. Não há momento do dia em que a meta não possa ser visualizada e o trabalho consigo mesmo levado adiante.
       Não ouvimos tudo o que é dito; só o que queremos/conseguimos ver. Tudo que lemos não está escrito de verdade; lemos o que desejamos ler. Nossa visão, audição e leitura são seletivas; nós escolhemos.
        Maria se lembrava de um paciente que não comia. Deixavam a bandeja com seu prato, o copo de suco e a sobremesa para que comesse, conforme o usual de um hospital, e o prato quando vinham buscar, estava intacto. Sempre escreviam, então, que o paciente "recusara a dieta". Um dia, Maria pediu que um de seus alunos voltasse à enfermaria e perguntasse ao paciente o motivo de sua recusa, afinal ele estava aprendendo enfermagem e não havia perguntado se o paciente estava com náuseas, sem apetite, com dor ou algum outro motivo para que não comesse nada do que lhe era oferecido. Além do que, já havia registro de uma passagem de plantão de que o paciente não estava comendo. Para surpresa de todos, ele respondeu que era porque não tinha dinheiro para pagar pela refeição. Pode parecer óbvio para alguns de nós que um paciente internado em um hospital público saiba que não se cobra pela comida, entretanto a vida acaba mostrando que "não tirar conclusões" pode ampliar nosso mundo.

sexta-feira, 5 de maio de 2017

O MELHOR POSSÍVEL

Por Maria Júlia Paes da Silva – juliaps@usp.br
Fragmento da obra: "No caminho - Fragmentos para ser o melhor"


Quando resolvemos ser o melhor possível, podemos deixar que as coisas e os outros sejam o que conseguirem ser ou deixar de gastar energia tentando fazer que os outros sejam aquilo que eu imagino seja o melhor. Se somos conscientes do compromisso de sermos o melhor de nós mesmos a todo instante, tomamos as decisões com esse foco e não ficamos perdidos em elucubrações de: e se... e se... Economizamos energia. Motivo pelo qual é verdade que se um relacionamento tiver que ser segredo, é melhor não entrar nele. Ou sair rapidinho.
Só porque o caminho do autoconhecimento é longo, constante e árduo, deveríamos deixar de trilhá-lo? Será que somos menos capazes que um bebê? Todos nós já fomos bebê e deveríamos ter suficiente prática em levar tombos!
Auto-observação é autocorreção. Teve uma doença grave? Faça controle periódico e toque a vida. Tem uma doença crônica? Faça os controles necessários e curta a vida!
A construção de nossa história deve/pode nos confortar. Reconhecer que fez o melhor possível em determinado momento não significa que faria novamente o que fez, hoje. Significa apenas que fomos tomando consciência de algumas coisas e refazendo escolhas a partir de nossas necessidades, miopia, ilusão e recursos.
Responsabilizarmo-nos pela vida que há em nós é fundamental para vivermos no presente e para fazermos o melhor possível...
Peter Senge e sua equipe afirmam que "transferência de responsabilidade" é uma estrutura sistêmica arquetípica, quando as pessoas agem para amenizar os sintomas de um problema e acabam se tornando mais e mais dependentes dessas soluções sintomáticas. Por exemplo: tomar duas aspirinas para aliviar a dor de cabeça parece adequado, mas... Se a origem dessa dor for o estresse do trabalho ou compromissos assumidos além de nossa capacidade ou habilidade, continuar tomando aspirinas não é resolutivo! Nesse caso, uma intervenção como essa pode mascarar um desafio mais grave. Não enfrentar o desafio real só fará piorá-lo. Se o padrão que gerou o desconforto não for corrigido, além do excesso de trabalho, pode-se ainda criar um problema de dependência medicamentosa...
Esse aspecto precisa ser recordado porque é um padrão insidioso e comum em uma sociedade que exige soluções rápidas para questões complicadas e complexas. E, por ser comum, essa dinâmica de transferência de responsabilidade passa despercebida. Nós somos os responsáveis por nossa vida!
As duas abordagens "soluções sintomáticas" e "soluções fundamentais" não são mutuamente exclusivas, até porque a vida é complexa! Mas é fácil transferir a responsabilidade para soluções tecnológicas e, assim, reduzir o desenvolvimento de nossas habilidades e capacidades. Por exemplo: com a calculadora, esquecemos a aritmética; com o carro renunciamos ao caminhar; com o Whatsapp, não conversamos pessoalmente; com a internet, se reduziram as conversas entre familiares e o "olho a olho" (até remédio em excesso é veneno!).
É necessário cultivar os hábitos, as posturas, os comportamentos, os sentimentos que desenvolvem nossa capacidade de sermos humanos! De sermos o melhor de nós.
Muitos dos desafios mais prementes de hoje, como danos ambientais e desigualdade no acesso à tecnologia, surgem como efeitos colaterais de longo prazo do processo de transferência de responsabilidade, criando novos sintomas do problema, que requerem, por sua vez, novas respostas tecnológicas. É necessário refletir o quanto é adequado ou nocivo, apesar de mais fácil, comprar um carro maior para nos sentirmos mais seguros, em vez de aprendermos a nos entender uns com os outros a fim de gerarmos mais segurança para todos. A maioria de nós não tem ideia de nossa capacidade para aprimorar as qualidades que realmente valorizamos na vida.
Hoje em dia, definimos o progresso basicamente por novas conquistas em tecnologia e não por uma noção mais ampla de melhora no bem estar! Fazer o melhor possível é um "chamado", uma oportunidade para nos entregarmos a algo maior que nosso ego e a nos tornarmos aquilo que deveríamos e podemos ser.
Lavarmos as mãos mesmo quando ninguém está olhando. Cumprirmos com horários e prazos combinados, sem inventarmos "imprevistos" (se não tiver um, claro!). Assumirmos o quê e como dissemos algo, pedirmos desculpas quando errarmos, sermos honestos com nossas intenções... Parecem tão simples essas ações, mas que Maria entendeu que a base de qualquer trabalho consigo mesmo é uma consciência limpa. Consciência limpa permite que harmonizemos razão e coração, e por isso viver em harmonia começa conosco, não com o mundo à nossa volta.


Maria se lembrava da história de um homem muito crente, que todo dia pedia a Deus que lhe indicasse o que deveria ser feito. Um dia, por ele ter tanta fé, Deus lhe apareceu e pediu que empurrasse, diariamente, a grande pedra que havia em frente à sua casa. Ele fez isso todos os dias, com alegria, anos a fio, mas foi percebendo que a pedra não se movia nem um só centímetro. A fé do homem foi esmorecendo, sua vontade diminuindo, até que um dia Deus lhe apareceu novamente e lhe perguntou o que estava acontecendo. Ele lhe disse que a pedra não havia se movido um centímetro, apesar de, diariamente, ele a ter empurrado! Deus sorriu e lhe disse que sua intenção não era mover a pedra, mas torná-lo forte! Que ele prestasse atenção a como estavam seus músculos e sua força.

quarta-feira, 1 de março de 2017

SOBRE ANJOS - ESTÓRIAS E OUTRAS COISAS

Continuação de: O ANJO EM MIM


       O materialista em sua coragem escolheu um mundo e um modo de viver divorciados de tudo o que não pode ser apreendido pelos cinco sentidos físicos. Como consequência, entendeu ser o humano, do ponto de vista vida ou biológico, o mais elevado entre os seres. Escolheu ainda que seu reino, o reino humano, unido aos reinos animal, vegetal e mineral, compreende tudo o que possa ser objeto de estudo ou ainda as únicas instâncias que merecem a alcunha de realidade.
      Para os demais, permeáveis ao incognoscível, em que momento da evolução humana nos desconectamos dos anjos? Em que momento voltaremos a nos conectar?




      Algumas histórias de anjos carecem ser lidas como: “O anjo está perto” de Chopra, o conto “Do que os homens precisam” de Tolstói (Contos Populares – década de 1880) e o inigualável Guimarães Rosa (Primeiras Estórias) no conto “Um moço muito branco”. Cada um, a seu modo, compartilha seus olhares concernentes a esse reino suprafísico imediato ao humano. Cada um abre uma janela de possibilidades de relação com essa classe de seres pouco compreendidos e pouco visitados, ao menos daqui pra lá...
      Chopra aproxima a ideia de anjo à da luz. Na medida em que o personagem se permite entrar em relação com ela (Luz), a mesma se metamorfoseia em um ser antropomórfico disponível ao diálogo.
– Eu sei que nós chamamos vocês de anjos, mas o que você é para si próprio? Há algum nome que você use?
– Na verdade, não. Quando vejo a mim sou apenas uma janela. Se quiser pode olhar através de mim. Sou transparente. É assim que sou para Deus e, portanto para mim.
      O curioso em Chopra é a ideia da presença do anjo causar um aumento da consciência das pessoas que estão em proximidade a ele; consciência que na maior parte das vezes se dissipa com o afastamento do anjo, dado que o humano não teria desenvolvido em si a força de sustentação para aquela consciência. Isso se assemelha à experiência humana de entendermos algo quando alguém que sabe àquele respeito nos explica, mas que se esvai de nossa compreensão quando da ausência daquela pessoa sabidona.
      Em Tolstói, Mikhail cumpre contrariado uma missão e perde as asas pela inconformidade com o que lhe foi solicitado. Aprende com o humano sobre algo que no reino que habitava não era possível aprender. Traz em si três perguntas a serem respondidas: “O que existe nos homens? O que não é dado aos homens? Do que vivem os homens?”. Sua luz aumenta conforme aprende, é silencioso e hábil além de capaz de enxergar além das aparências. Reconquista as asas ao encontrar as respostas e compreender que o mal que acreditou ter feito visava um bem maior, impossível de compreender então.
      Finalmente, Guimarães pinta com palavras a estória de um moço muito branco, que aparece, não se lembra, visto para ele só haver o presente, e em todos que se aproxima desperta aquilo que mais carecem. Desaparece como apareceu em meio a fenômenos extremos da natureza sob chuva, raios e trovões...
      Estórias anedóticas para uns, realidade para outros, estão contadas aí para quem quiser ler. Se fosse você eu leria, para não dizer depois que não sabia...
No caso do assunto interessar, vale ler também: de Matthew Fox e Rupert Sheldrake “A física dos anjos”, uma visão científica e filosófica dos seres celestiais; de Rudolf Steiner “O anjo em nosso corpo astral” e “A Ciência Oculta”; de Max Heindel “Conceito Rosacruz do Cosmos”; de Diether Lauenstein “As Leis Biográficas à Luz da Biblia”; de Mônica Bonfiglio “A magia dos anjos cabalísticos” e de Wim Wenders o filme “Asas do desejo”. Finalmente, para uma compreensão mais lúcida é imprescindível a leitura das lâminas 14 (A Temperança) e 15 (O Diabo) na obra magistral “Meditações Sobre os 22 Arcanos Maiores do Tarô” escrita por autor anônimo pela editora Paulus.




Ao ignorarmos a presença dos anjos fecham-se as portas conscientes aos demais reinos, ou seja: arcanjos, principados, potestades, virtudes, dominações, tronos, querubins, serafins, terafins e xeofins; síntese que integra a “antena” cósmica do humano.
Se você nasceu sem asas não faça nada para impedi-las de crescer.

sábado, 18 de fevereiro de 2017

SOBRE POLÍTICA - PIERRE TEILHARD DE CHARDIN

No texto abaixo, Chardin sugere o Cristianismo como alternativa aos regimes políticos atuais. Um exercício para a imaginação...


"Em caso algum o Cosmo poderia ser concebido, realizado, sem um Centro supremo de consistência espiritual. Não apenas por força das fórmulas especiais da União criadora, mas em qualquer Metafísica que se preze, imaginar a criação Isolada de um átomo ou de um grupo de mônadas seria absurdo: o que é desejado e obtido, na Criação, é primeiro o Todo, e em seguida o resto nele, depois dele. Em qualquer hipótese, o Mundo, para ser pensável, exige ser centrado. Por conseguinte, a presença à sua frente, de um ômega nada tem a ver com o fato de sua “elevação sobrenatural”. O que faz exatamente a característica “graciosa” do Mundo, é que o lugar de Centro universal não foi dado a um nenhum supremo intermediário entre Deus e o Universo; mas foi ocupado pela própria Divindade, - que nos introduziu, assim, in et cum Mundo, no seio trinitário de sua imanência.
Em suma – o Mundo é uma vasta Cosmogênese? Cristo é o motor. Essa Cosmogênese é processo que se orienta? Cristo é seu alvo, Cristo a atrai. Alfa e ômega, Cristo é um ser em que o Pessoal se expande até se fazer Universal. O Cristianismo impregna, então todo um programa que, ao mesmo tempo, ultrapassa as correntes confusas da Democracia decadente, do Comunismo e do Fascismo nascentes e se superpõe aos ateísmos militantes, aos espiritualismos desencarnados, às religiões anêmicas. Não é mais necessário, portanto, procurar a “ponte” entre as naturezas ou as Coisas num Universo em que a unidade é o estado de equilíbrio para o qual tendem os seres, espiritualizando-se."

Pierre Teilhard de Chardin

segunda-feira, 8 de agosto de 2016

ALIMENTAÇÃO CONSCIENTE VIII

CONTINUAÇÃO DE:


A despeito do trabalho oferecido pelos cuidadosos documentários abaixo relacionados, a alimentação saudável pede um cuidado e uma amorosidade sustentados, por parte das autoridades, especialmente no que diz respeito ao que aparenta ser bonitinho e engraçadinho.



            A criança é o patrimônio mais precioso de uma nação. Na verdade aprendi isso quando morei nos Estados Unidos, um país que cuida de suas crianças como sua maior riqueza. Por exemplo, quando um ônibus escolar parava para pegar uma criança, toda e qualquer circulação de veículos na redondeza do transporte escolar precisava parar no sentido de garantir a integridade dos estudantes, um pequeno detalhe entre outros tantos. A criança que cresce assim, percebe, sente-se cuidada e valorizada. A criança valorizada sabe dar valor.
Criança gosta de brincar e repetir tudo o que escuta; um idioma pode ser muito mais facilmente aprendido por uma criança que por alguém de mais idade. Por isso é especialmente importante cuidarmos da qualidade do que se oferece como material de repetição. De fato isso é fundamentalmente importante no que diz respeito à educação alimentar.
Acredito nesse momento histórico em que se discute a obesidade infantil, valer a pena visitar e pensar sobre materiais musicais similares ao que se mostra abaixo. Sempre no sentido de refletir sobre a qualidade alimentar de nossas crianças ou baixinhos para quem acha que ser grande é questão de tamanho.

Eu queria ter um dia
Pra comer só porcaria
Três quilos de sorvete
Dentro de uma melancia

Mergulhar numa piscina
Cheia de coca-cola
Uma caixa de bombom
No meu recreio da escola

Eu quero é mais, eu quero é mais,
Eu quero é mais, mais, mais, mais, mais

Se eu ficar gordo muito gordo, tudo certo
Tudo bem tanto faz, eu quero é mais

Quero chegar na lanchonete
Comer quinze Sanduiches
Um pão de cada lado
E dentro tudo que existe

Eu quero 5 Salsichas
Dentro de um cachorro-quente
Com creme e chantilly, só pra ficar diferente

Eu quero é mais, eu quero é mais
Eu quero mais, mais, mais, mais, mais

Se eu ficar gordo muito gordo, tudo certo
Tudo bem, tanto faz, eu quero é mais

Uma pizza gigante, enorme colossal
Grandona bem servida de tamanho anormal

Um saco de batatas, crocantes e super fritas
E só de falar nisso a barriga se agita

Eu quero é mais, eu quero é mais
Eu quero mais, mais, mais, mais, mais

Se eu ficar gordo muito gordo, tudo certo
Tudo bem, tanto faz.


domingo, 17 de julho de 2016

EXPECTATIVA OU PRONTIDÃO?



O momento presente é de crucial atenção, especialmente no que diz respeito à moda e à mídia. É comum ver pessoas tropeçando na rua ao ler o celular enquanto caminham e crianças que não mais conseguem aprender nas escolas. O cenário não é muito animador e ao que tudo indica as pessoas estão cada vez mais carentes de estímulos, informações, enfim algo que distraia. O grau de esvaziamento interior é tão avançado que torna explícita a insanidade de alguns.

O filme estadunidense “Her”, segundo o tradutor “Ela”, retrata esta insanidade com propriedade artística, vale conferir:



A tecnologia que deveria libertar tem estabelecido o medo ao invés da paz, angústia ao invés da serenidade. Antigo e velho são confundidos e a beleza e sabedoria do primeiro são demolidos em função de um “novo” em geral vazio de formas e conteúdos.

Um exemplo observado na medicina são os exames de imagem, cada vez mais sensíveis e justificando eventuais procedimentos “desnecessários”. Como a medicina não é ciência exata, mas biológica, é importante saber que diferentes profissionais podem ter diferentes condutas baseadas em um mesmo exame. Enfim, “faca de dois gumes” que mesmo em mãos experientes podem ferir.

Basear decisões no medo e na expectativa é uma forma caricata de adoecimento social. Lembre-se que recentemente a mídia noticiou casos de famosos que optaram pela retirada profilática de partes do corpo pela expectativa de que poderiam ser acometidos por um câncer! Lembre-se que tais partes retiradas não tinham indícios de neoplasias. A que se prestam alardes desta natureza?

No presente momento, o único seguro que de fato promove cobertura total é tomar a vida em suas próprias mãos, que a autora analisou com maestria na bela obra abaixo:


Cada um tem uma biografia única e a saúde diz respeito a apropriar-se desta biografia. Saúde é presente; soltar-se do passado e resguardar-se de projetar-se no futuro são os anticorpos imprescindíveis para ser saudável. Cuide em não confundir fome de vida com fome de novidade. Caso a confusão já tenha acontecido, existem formas de pensar a ansiedade:

Na medicina da saúde o principal exame é o “exame de consciência” e a campanha de vacinação visa inocular a fé, a esperança e o amor. Meus votos de que a saúde para você seja uma realidade e não apenas saudade.