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terça-feira, 7 de outubro de 2014

O SABER E O SABOR



Continuação de:
 

O fumador diz saber que cigarro faz mal, discordo. Saber é conhecer o sabor e quando alguém de fato sabe algo fazer mal, busca o bem, senão não, não sabe; e se não sabe, ensaboa o sobejo soberano da medicina que escorrega se pensa carregar a pena que cura com amor, quando apenas a cura ocorre após retirado o tumor.
No Brasil, o aborto é crime contra a vida humana e o Código Penal prevê detenção. Fumar é forma perniciosa de abortar a saúde e a vida.
Conforme jornal do CFM (No 235 – Agosto 2014), no dia do combate ao fumo (29/08/14), o Conselho Federal de Medicina deu o sinal de alerta às esferas governamentais sobre a criticidade da situação atual. Na mesma reportagem, o CFM lançou cartilha (download disponível no link abaixo) relacionando as consequências do tabagismo sobre a saúde. Fiquei surpreso ao saber que os cigarros eletrônicos estão aumentando o número de fumadores!
De fato, nem tudo é notícia ruim; sobre ações e dividendos vale uma olhada nos gráficos da CRUZ3.SA de 2004 a 2014, opção a se considerar em seu portfólio. Mas para isso sugere-se evitar o hábito pernicioso, senão os dividendos apenas mitigarão os gastos com o precoce ataúde.
Ainda pior que o hábito de pitar é aquele de jogar a pituca no chão; de certa forma, atentado à saúde pública, além de evidência cabal da insânia e irresponsabilidade que o tragador atingiu. Conforme propaganda recente, não existe lixo pequeno, e as bocas de lobo agradecem o alívio pelas pitucas jogadas no lixo e no cinzeiro do automóvel, por favor.
A seguir, alguns artigos correlatos que adorariam ser lidos:




sábado, 11 de fevereiro de 2012

A DIVINA FUMAÇA


POR MÁRIO INGLESI
Meu caro amigo
Outro dia, numa visão panorâmica em seu “Blog” deparei-me com a postagem, na Sessão de Saúde é Consciência, de um texto sob o título de “Força de Vontade e as Drogas”.

Apesar do interesse pelo assunto, minha incredulidade – desculpe – foi mais forte. Creio que, no caso do cigarro, o querer, ainda que com muita vontade, não se apresenta suficiente para largar o vício. Aliás, me fez lembrar o tal “Sorria, você está sendo filmado” ou o famoso “Pensamento Positivo”. Ir ao supermercado ou a um shopping, a tantas horas do dia ou da noite, por obrigação ou cumprimento de um dever quase cívico, realmente não dá para “sorrir”, nem por prazer nem para atender a um mero pedido incongruente. No caso do ”pensamento positivo” ainda é pior. Como, em estando na rua, livrar-se de uma bala perdida, num mero tiroteio entre policiais e bandidos?

No caso da “Força de Vontade” para largar o fumo, afigura-se como uma mera força de expressão. Se há realmente um vício que induz ao prazer e crises de abstinência que levam a alterações comportamentais, como sugerir-se ”Força de Vontade”? Manifesta-se, realmente, apenas uma “frase de efeito”, cuja aplicabilidade e resultado são inócuos se não despropositados. Entretanto, - quem sabe - em caso de iniciantes ao fumo, ela tenha alguma validade?
 
Bem. Mas este não deve ser o foco da atenção primária.


O que é preciso rever com urgência é a situação atual dos pobres e sofridos fumantes, inveterados ou não. Hoje, há uma batalha desigual e de grande extensão contra eles. Estão invadindo a sua privacidade de modo terrificante, cercando-os cada vez mais em guetos, ou, então, amedrontando-os com imagens terrificantes-apostas nos maços de cigarro, de doentes terminais. Falta, para muitos de seus opositores, apenas acender os fornos crematórios. Estão sendo vistos como hereges e, como tal, confinados cada vez mais, a espaços sempre mais reduzidos. Excluídos, no lar doméstico, no trabalho, nos lugares públicos ou particulares, enfim, de todo convívio social. São vistos e não tratados como viciados, mas como caso de policia. Como verdadeiros assassinos de crimes hediondos. Parece “sina de caboclo”: sempre na roça.

Com isso, os verdadeiros crimes vicejam, em larga escala, cada vez mais, pelas cidades e ruas deste país.  Senão, veja-se a poluição, o esgoto a céu aberto, as queimadas, as balas perdidas, a corrupção cada vez mais em alta, os aditivos cancerígenos das balas, doces e outros alimentos comidos pelas crianças, os agrotóxicos, os hormônios e antibióticos nas carnes em geral, as usinas nucleares, a poluição dos rios, riachos, encostas e demais, e crimes outros e mais outros, impunes ou não considerados como tais, ou cuja punição resvala, em sua maioria, ao esquecimento total.

O caso dos fumantes é de todo modo triste senão aflitivo, e sem perspectiva de mudança de solução realmente equânime para todos, porque “a doença é traiçoeira, crônica e recidivante”, como salientou o Dr. Drauzio Varella, no final de artigo seu publicado na Folha de São Paulo, pág. E-12, em 13 de julho de 2002, sob o título “A crise de abstinência de nicotina”.

A paranóia chegou a tal ponto que, possivelmente, para se fumar um mero cigarro, sossegadamente, só indo aos Andes ou aos Alpes. Agora, para se informar sem rancor, exigindo apenas uma leveza na escrita do texto, leia, no Caderno de Esportes, da Folha de São Paulo, pág. D5, de 27.11.2011, a crônica “Grito de campeão”, do Sr. Juca Kfouri. Ou, então, veja o filme “Sobre Café e Cigarros”, de Jim Jarmusch. E mais, se delicie com os poemas “Pronominais” e “Relicário”, de Oswald de Andrade, Poesias Reunidas (Ed Civilização Brasileira. / Círculo do Livro):

Pronominais
Dê-me um cigarro
Diz a gramática
Do professor e do aluno
E do mulato sabido

Mas o bom negro e o bom branco
Da Nação Brasileira
Dizem todos os dias
Deixa disso camarada
Me dá um cigarro

Relicário
No baile da Corte
Foi o Conde d’Eu quem disse
Pra Dona Benvínda
Que farinha de Suruí
Pinga de Parati
Fumo de Baependi
É comê bebê pitá e caí

Agora se quiser saber mais sobre a vida aflitiva dos fumantes ou dos quase não-fumantes leia a seguir a crônica do Veríssimo, sob o título de “Fumante” publicada, em 27 de Julho de 2003, no jornal “Estado de S. Paulo”, em seu Caderno 2/ Cultura:
                                             *
Fumante
 - Fumante ou não fumante?
- Não fumante.
- Por aqui, por fav…
- Espere.
- Pois não?
- Fumante.
- Como?
- Eu sou fumante. Era, Sou. Estou tentando parar.
- Muito bem. Fumante, então?
- É. Não! Eu preciso parar. Os outros vão estar fumando e vai me dar vontade. Melhor ficar com os não fumantes. Assim não fumo. Não por firmeza de caráter, mas por medo dos protestos. Não fumantes. Isso, Pronto.
- Tem certeza?
- Absoluta.
- Muito bem. Mesa para um, na seção de…
- Espere. Eu não vou aguentar. Fumante, fumante. Estou há quase duas semanas sem fumar. Nunca fiquei tanto tempo, das outras vezes que parei. Sinto que vou recomeçar hoje. Fumante. Definitivamente fumante.
- Muito bem. Siga-me por fa…
- Espere.
- Sim?
- Não tem uma seção mista?
- Não, cavalheiro. Eu…
- Deveria haver um salão só para os indecisos. Para os que pararam, mas poderiam ter uma recaída a qualquer momento.
- Infelizmente…
- Uma espécie de purgatório, para os que merecem o inferno, mas também merecem uma oportunidade de arrependimento e salvação. Por que não uma seção para não fumantes com sursis? Para semi-fumantes? Com direito a, no máximo três cigarros?
- Infelizmente…
- Dois?
- Nós só…
- Um! Depois do cafezinho!
- Só temos duas opções, cavalheiro. Fumante e não…
- Mas isso é de um radicalismo atroz. Então a pessoa tem que ser uma coisa ou outra? Assim, pá-pá? Fumante ou não fumante? Onde fica o meio-termo. A conciliação? A terceira via? O…
- Por favor, largue as minhas lapelas, senhor.
- Desculpe. É que certas coisas me deixam indignado. Isso é pura discriminação, está entendendo? Pura e odiosa discriminação Por que só fumantes ou não-fumantes? Por que não os que falam alto e os que falam baixo? E se eu não quiser ouvir o que estão dizendo na outra mesa? Tem conversa de outra mesa que é pior que fumaça de cigarro, está me entendendo? Tem conversa dos outros que dá câncer secundário.
- Largue as minhas lapelas, por favor.
- E o celular? O que você me diz do celular? Por que não uma seção só para quem tem celular e outra para quem não tem? Não existe nada pior do que ouvir conversa de celular alheia. Se a gente ao menos pudesse ouvir toda a conversa! Mas não, ouve só uma parte. E sempre a menos interessante. Esquece cigarro. Eu quero a seção sem celular.
- Controle-se.
- Me controlar, como?! Eu estou há quase duas semanas sem fumar. Você se controlaria, se estivesse há quase duas semanas sem fumar?
- Eu não fumo.
- Eu também não! É por isso que estou desse jeito!
- Por que o senhor não fuma um cigarro antes de comer? Para se acalmar? Eu reservo a mesa, o senhor fuma um cigarro, entra na seção de não-fumantes, come, e se der vontade de fumar outro, depois do cafezinho por exemplo, sai e…
- Boa idéia. Aliás, grande idéia.
- Obrigado.
- Você está me propondo a hipocrisia. Está propondo que eu esqueça meu juramento de não fumar nunca mais, nem que seja só por três semanas. Você está me acusando de inconstância.   Me chamando de abjeto, fraco, desprezível, autodestrutivo e louco.
- De maneira nenhuma, cavalheiro. Eu…
- E tem toda a razão. É o que eu sou. Um verme. Está bem, fumante. Você venceu. Me leve para a seção dos fumantes.
- Antes disso…
- O quê? O quê?
Largue as minhas lapelas.
                                             *
Bem, Dr., acho que por ora é só. Já estou estressado e não fumo.
Abraços, sem a divina fumaça que divaga
Mário Inglesi 29.11.11

sábado, 1 de outubro de 2011

A FORÇA DA VONTADE E AS DROGAS


ALEXANDRE ALDRED (Médico da Saúde e Consciência)

A principal ferramenta que você tem para conseguir parar de fumar é sua própria VONTADE!


Depoimento de um fumante morto

 


O que é a VONTADE?

É uma força que parte das entranhas do nosso organismo, coordenada pela consciência.

O que isso quer dizer?

Que é preciso QUERER para CONSEGUIR. Só consegue aquele que QUER com VONTADE. Só para de fumar quem QUER MUITO!

Aquele que não quer muito, aquele que quer, mas não quer pensar nisso hoje, nem amanhã e nem esse ano, esses estão com a Força de Vontade enfraquecida.

Eles não querem parar!

Esse é um efeito importante e pouco comentado sobre o cigarro (ou a nicotina). Ele diminui a força de vontade, faz com que você não queira parar de fumar.

E sabe por que você não quer parar de fumar?

Porque ao fumar você tem prazer, o cigarro te dá uma sensação boa, que é sentida de maneira diferente por cada pessoa. Tem gente que fuma quando bebe, tem gente que fuma para se concentrar mais, tem gente que fuma por solidão, tristeza, irritabilidade, e muitos outros motivos.

Aí vem uma pergunta crucial, para que parar de fumar se eu gosto e me dá prazer?

Pronto! Está explicado o mecanismo de recompensa do cérebro. Ao chupar a fumaça, a nicotina vai até seus pulmões e de lá até o cérebro e o corpo inteiro através do sangue e da circulação.

No cérebro, a nicotina aumenta a quantidade de dopamina. Essa dopamina é quem dá a sensação de prazer. A falta da dopamina é “lida” pelo cérebro como Vontade de Fumar.

Na cocaína, no crack e na heroína, a dopamina também é liberada!! Claro que existem outros neurotransmissores envolvidos, mas nessas drogas, a fissura, ou a vontade descontrolada (desejo) de sentir aquela sensação de novo tão logo for possível, é mais fácil de observar.

Conforme você vai fumando, seu organismo se acostuma com o efeito. Então você tem que fumar outro cigarro para manter o nível de dopamina no cérebro e isso te leva a fumar cada vez mais ao longo do tempo e a tolerar cada vez menos tempo sem fumar. Esse é o mecanismo do vício, da dependência química.

Se você está nesse caminho, fumando cada vez mais cigarros desde que começou a fumar, você foi pego.

Nesse ponto sua Força de Vontade está mais à disposição do cigarro que de você mesmo.

Se você sai de casa à noite, na chuva para comprar cigarro, mas não sai para comprar a pizza, então seu QUERER está a serviço do cigarro.

Veja o quanto você QUER FUMAR.

Perceba o esforço que faz para conseguir o cigarro quando ele acaba.

Essa é a SUA FORÇA de VONTADE, a força que você usa para conseguir o cigarro a qualquer custo é a mesma FORÇA que você tem para CONSEGUIR parar de fumar.

Exercício para aumentar a Força de Vontade!

Esse é um exercício prático para você aumentar sua força de vontade. Do mesmo jeito que fazer musculação deixa os músculos fortes, fazer exercícios mentais deixa seu cérebro mais ”forte”

Regras Básicas

1 – Você tem que cumprir toda tarefa que você planejar para si!

2 – Comece com uma tarefa que você tem certeza que vai conseguir.

3 – A tarefas não tem prazo de validade. Quanto mais tempo você conseguir realizar aquela tarefa ao longo dos meses, tornando-a um hábito, mais fica fortalecida sua vontade e você ainda ganha uma aptidão nova!

O mais importante nesse caso é conseguir efetuar a tarefa regularmente, sem falhar (criar o hábito). Em um primeiro instante, a tarefa em si não é o principal, mas a vontade empregada em executar a tarefa que você se propôs. É isso que ajuda a fortalecer sua vontade!

Dica prática: É importante lembrar que a atividade física é o caminho de ouro para ajudar no fortalecimento da vontade. É preciso movimentar o corpo! A tarefa, nesse caso, cada um escolhe a que preferir! Lembre-se de praticar pelo menos 30 minutos e quanto maior a regularidade melhor!
A vontade reside no sangue, no sistema digestório, e nos músculos. Então, além de mexer os músculos, também é importante falarmos sobre alimentação, mas isso é tema para um próximo artigo...


Locais que auxiliam a parar de fumar:

Serviço público: Hospital Universitário Cid. Universitária USP – Ambulatório Antitabagismo – 2ª feira 9h – Sala 14
      Serviço privado: Rua Marechal Hastimphilo de Moura 277, (Clinica OCA) - 3742-1615