terça-feira, 3 de julho de 2018

O PODER DOS MANTRAS – A MENTIRA COLETIVA


LA VIDA ES LUCHA VIVA LA REVOLUCION DOLCE FAR NIENTE TIME IS MONEY
GOSTO DE LEVAR VANTAGEM EM TUDO FELICIDADE INTERNA BRUTA
CONFIANÇA EM SI E NO OUTRO

 

Logo ao nascer, o indivíduo é submetido ao mantra coletivo de seu país de origem. Uma afirmação inconsciente que permeia a visão do mundo e vida daquela população, mais ou menos positiva.
O idioma de uma nação é um conjunto de “mantras”, que facilita a comunicação consigo, com o outro e com o universo. Interiorizados ou expressos, estes conteúdos repetidos promovem maior ou menor conexão, saúde ou doença, alienação ou consciência.
Tudo parece ter iniciado, segundo o livro do Gênesis, com a construção da Torre de Babel. Na época, os descendentes de Noé, falavam a mesma língua e tinham a tarefa de "crescer" e se "multiplicar" quando decidiram construir uma torre que alcançasse o céu, a morada divina. Até que Jeová "confunde" as línguas, inviabilizando assim a construção. Metade da comunicação é falar, a outra metade escutar. Quando alguém fala, mas não escuta o que o outro fala, ocorre algo semelhante ao que o mito acima narra.
A fragmentação em um número extenso de idiomas e dialetos contribui em parte para a falta de compreensão e afastamento entre as pessoas. Mas por quê? Talvez pelo fato dos homens não perceberem que o essencial para o encontro com o divino é a comunhão entre si (torre interior) e não a construção da torre exterior.
Assim, por não perceberem que viviam na unidade e falavam a mesma língua, construíram a tal da torre. Por não perceberem sua unidade, qualidade maior do modo “Ser”, se perderam na busca pelo modo “Ter”. Na ambição e prazer peculiares ao “Ter”, perderam a paz e a alegria características do “Ser”.
Já naquela época abrimos mão da “Unidade” pela fragmentária ideia de “Partido”. Essa pode mesmo ser a história dos partidos políticos e também da fragmentação linguística, decorrência do afastamento do princípio do amor em direção ao princípio da individualização e do poder. O poder de nomear as coisas e de convencer que elas sejam da forma como eu acredito que elas devam ser.
A “confusão“ decorrente do aparecimento de novos idiomas e a consequente perda de entendimento do “todo” foi expressa por Enio Starosky (2015), para quem a percepção da realidade depende do “sistema linguagem - pensamento”.
Para exemplificar, ele cita um ”mantra” usado por muitas pessoas para desejar paz ao outro: “Salam”, em árabe, ou “Shalom”, em hebraico.  A palavra original traz em si vários significados que se perdem na tradução para o português: integridade física, sanidade, saúde (física e espiritual) e aceitação – entre outros.
Um fenômeno semelhante acontece com o conceito de amor no idioma alemão. Enquanto os gregos, os romanos e mesmo as línguas modernas derivadas do latim possuem um número amplo de substantivos para designar o fenômeno do amor - afeto, simpatia, amizade, caridade, compaixão, ternura, paixão - a língua alemã usa um único vocábulo “Liebe”.
Às vezes a gramática do idioma favorece uma visão mais ou menos individualista. Observemos o aramaico, onde a conjugação dos verbos começa com a terceira pessoa e termina com a primeira: Ele ama, tu amas, eu amo.
Nós, em nossa civilização ocidental, somos inclinados a começar tudo pelo ‘eu’. A gramática do eu em primeiro lugar é o reflexo do quão egoísta o meu mundo particular é”, destaca Starosky (2015).
Em algumas línguas, até mesmo as palavras que designam os dias da semana reforçam a conexão com algo maior. No livro Fundamentos de Astronomia, o autor Romildo Póvoa Faria (1987) atribui aos mesopotâmios a criação do conceito de semana em meados do 3° milênio A.C. Segundo ele, os planetas eram entendidos como verdadeiros deuses que exerciam influência direta nos seres humanos e nos acontecimentos da Terra.
Nesse sentido, dedicaram um dia à adoração de cada deus que conheciam, começando pelo Sol (domingo), que era o “mais importante”. Os outros dias foram destinados, respectivamente, à Lua (segunda-feira), Marte (terça-feira), Mercúrio (quarta-feira), Júpiter (quinta-feira), Vênus (sexta-feira) e Saturno (sábado). Muitas culturas preservaram essa concepção por meio da linguagem.

DIA DA SEMANA
INGLÊS
ESPANHOL
SIGNIFICADO
Domingo
Sunday

Dia do Sol
Segunda feira
Monday
Lunes
Dia da Lua
Terça feira

Martes
Dia de Marte
Quarta feira

Miercoles
Dia de Mercúrio
Quinta feira

Jueves
Dia de Júpiter
Sexta feira

Viernes
Dia de Vênus
Sábado
Saturday

Dia de Saturno


Fato é que a repetição de ideias e conceitos molda a forma de ver o mundo assim como o modo como nos relacionamos com ele, seja ele mais terreno, espiritual ou simbólico. Além disso, a língua de um país pode reforçar ou enfraquecer aspectos e comportamentos humanos.
Entre os mantras coletivos identificamos alguns com facilidade: “La vida es lucha”, dos argentinos; o “Viva la revolución”, entre os nicaraguenses, o “Dolce far niente” dos italianos, “Time is money”, dos americanos e a lei do Gerson ou “Gosto de levar vantagem em tudo” que, curiosamente, ainda prospera no Brasil.
Nascido na Argentina, o renascedor Ronald Fuchs conviveu por muitos anos com o mantra de que a vida é uma luta, uma crença que - segundo ele - se reflete não só nos indivíduos, mas também na política, nas empresas e nos relacionamentos. Através de um trabalho consistente de autoconhecimento, ele identificou sua postura de atrito com as situações e pessoas que se apresentavam em sua vida e resolveu mudar. Aos poucos, a dinâmica de luta, enfim, está saindo de seu roteiro. “É um trabalho de uma existência inteira”, diz.
A mentira coletiva é uma programação que diz respeito aos aspectos que temos a trabalhar, e que pode ser transmutada a partir de nossas escolhas individuais e coletivas. Na avaliação de Fuchs, a crença brasileira de “levar vantagem em tudo”, por exemplo, está ligada à corrupção e à escravidão.
Os dois temas estão intimamente relacionados ao abuso: estou numa posição de poder, então eu posso fazer tudo. Porque eu sou poderoso... Provavelmente há uma dinâmica de abuso a ser trabalhada aqui no Brasil e que no momento presente está aflorando com mais força”.
A prova de que é possível fazer diferente está em outras culturas. No distante Butão, o teor dos “mantras” que povoam as mentes dos moradores é de natureza diversa. Neste país, localizado nas montanhas do Himalaia, os pensamentos dominantes se referem à “Felicidade Interna Bruta”, “que não é uma lei escrita, mas um ideal que norteia as decisões do governo nos últimos 30 anos”.
A mesma disposição permeia as mentes na Dinamarca. Lá, “Confiança em si e no outro” é o mantra dominante, considerado o mais feliz do mundo, segundo a ONU. Essa certeza é tão presente que cerca de 70% da população acha que desconhecidos são dignos de confiança (bem distante dos 7% reconhecidos no Brasil) e 94% acredita que o próprio indivíduo pode melhorar a sua vida. Com crenças bem menos positivas, o Brasil figura na 24ª colocação entre os 156 países no ranking da Felicidade (Previdelli, 2013).

segunda-feira, 26 de fevereiro de 2018

O PODER DOS MANTRAS – A MENTIRA PESSOAL


EU NÃO: SOU DESEJADO, TENHO VALOR, SOU DO SEXO CORRETO, MEREÇO SER AMADO(A). MACHUCO OS OUTROS, SOU FEIO(A), SOU BENVINDO(A), SOU CAPAZ

Como começa todo este processo? Bem cedo...
Durante a gestação, o ser humano passa pela experiência da entrega, de ser construído, sem interferência. Ele simplesmente é!
A perfeição desse processo do criativo divino é reconhecida no momento do nascimento, na gratidão de todos pelo “presente”. Mas logo diferentes interesses religiosos, educacionais e comerciais - assumem o novo Ser e decidem ditar como as coisas devem ser.
Assim, o Ser progressivamente passa a ser negligenciado em favor de sua contraparte, o Ter, à semelhança do conceito Freireano de Educação Bancária, segundo o qual, conteúdos são levados à criança do mesmo modo que se deposita dinheiro no banco.
Com esse deslocamento rumo ao mundo da ambição, começa a jornada de separação, de afastamento da consciência divina e da adoção de valores ditados pelo ego, originados e reforçados à exaustão por diferentes fontes. Interiorizadas, estas “verdades” determinam a forma como se vê a vida, uma propensão rumo ao bem-estar ou à enfermidade, à pobreza ou à prosperidade.
O mais trabalhoso de todos os mantras negativos é a denominada “Mentira Pessoal”, identificada em práticas terapêuticas do Renascimento (Rebirthing). Trata-se do “pensamento-crença-sentimento mais negativo ou limitante que uma pessoa pode ter sobre si mesma e sobre o Universo e que permeia toda a sua vida, de forma inconsciente”.
É o mantra negativo que geralmente se cristaliza no corpo no momento do nascimento, projetando-se na vida e interferindo no roteiro da mesma. Ele pode começar na própria sala de parto quando os presentes emitem pensamentos como “A vida é difícil e dolorosa” ou “A vida é uma luta”, que são impressos sobre o corpo do bebê associados à sua primeira respiração.
Esse tipo de mantra ou crença também pode se instalar durante a gestação, caso a concepção não tenha sido desejada, se houve intenção de aborto ou mesmo se os pais desejam uma menina e nasce um menino. Ele é tão doloroso que o novo ser reduz o ritmo de sua respiração para não entrar em relação, mas ainda assim, o pensamento se integra à memória celular e cria padrões de comportamento, que só serão superados por meio do mecanismo de compensação.
Sabemos pouco, talvez nada, a respeito da psicologia da concepção, assim como sobre os efeitos que a intenção contida na relação sexual possa ter sobre a informação impressa no conjunto óvulo-espermatozoide (Zigoto). Afinal, o encontro óvulo-espermatozoide é puramente físico ou o ambiente que o envolve e permeia tem algum papel em termos informativos? Vale a pena, nesse sentido, conhecer o trabalho do neuroanatomista artístico Alex Grey, especialmente “Os Espelhos da Capela Sagrada”, que mostra artisticamente a representação dos corpos suprafísicos do ser humano.
Ser concebido fisiologicamente onde o encontro do óvulo com os espermatozoides se dá entre superfícies íntegras e arredondadas que se tocam pode conter informação diferente daquela que ocorre quando o óvulo é inoculado por uma agulha de punção? O ato sexual pode ter alguma qualidade de informação diferente daquela que ocorre "in vitro"? Discute-se muito sobre sexualidade, legalização do aborto em situações de violência sexual, sem que nos apercebamos que a própria inoculação do óvulo pela agulha apresenta ressonância simbólica com o ato violento do estupro.
Opiniões à parte é fundamental que nos conscientizemos desses “pequenos” detalhes, visando sempre a melhoria em nossas escolhas. O fato de uma pessoa não conseguir engravidar é um obstáculo a ser transposto a qualquer custo ou pode conter alguma outra informação sobre a história particular de vida da pessoa? Enfim, você acredita que a vida repousa sobre o acaso ou sobre um mistério tremendo e fascinante?
Do mesmo modo que um terreno é preparado para o plantio de determinadas culturas e impedido de permitir o crescimento de outras, também o ato primordial carece de melhor compreensão relativa à natureza das forças criativas assim como da importância ou não do ambiente em que a concepção ocorre. É custoso crer que não haja diferenças informacionais entre seres concebidos naturalmente, seres concebidos em situações de estupro e seres concebidos após fecundação "in vitro". Situações ainda sem resposta, mas que merecem ser pensadas.
Um bebê afastado de sua mãe após o parto pode interiorizar afirmações como: “Não me querem” ou “Não mereço ser amado”. Como compensação ao diálogo interno negativo, ao crescer, faz de tudo para obter amor e cria vínculos de dependência. Ou então, se afasta das pessoas e evita situações de intimidade, que realcem sua vulnerabilidade e receio de não ser amado.
A mentira pessoal e sua compensação costumam induzir à escolha de uma profissão determinada. Assim, um parto doloroso para a mãe, que faz o bebê interiorizar o mantra “Minha presença machuca os outros” pode levá-lo futuramente a escolher profissões onde possa aliviar a dor de outras pessoas. Outro que se sente feio ou não desejado pode optar por profissões ligadas à estética ou à beleza. Já aqueles que memorizam “Eu não tenho valor” podem apresentar a tendência a se transformarem em executivos bem-sucedidos, mas que alternam êxito com auto sabotagem.
Até que essa mentira seja sanada somos incapazes de nos integrar a Deus e ao Universo, visto ser determinante da forma pela qual criamos e interpretamos a realidade.

O PERFIL DA PESSOA IDOSA


Por: José Geraldo Macedo Meireles - Psicólogo.


Sei que traçar o perfil da pessoa idosa é tarefa complexa. Conforme minha experiência clínica, percebo que demonstrando jovialidade e estado de espírito saudável, a pessoa idosa indaga, com serenidade, se vale a pena continuar a viver; sonha; dispõe-se a aprender; pratica esporte ou, de alguma forma, exercita-se; sente e compartilha o amor; em seu calendário, há amanhãs; por ter tido experiência, alegra-se; tem os olhos postos no horizonte, e a esperança pulsa forte; usufrui o que a vida continua oferecendo-lhe; dialoga com a juventude e procura entender os tempos novos; sente que o tempo passa rápido. E a velhice não a perturba, é capaz de indignar-se, não reprimindo a agressividade que é o combustível da ação, negar esse combustível, reprimindo-o, é nocivo e prejudica a saúde, mas é fundamental pensar.
 Alio-me a John Barrymore - ator inglês - a pessoa envelhece, quando os lamentos substituem os sonhos.
Já a pessoa com outro perfil - sem jovialidade - diz, em geral, que não vale mais a pena o viver; distancia-se dos fatos e do convívio; já não ensina; é ciumenta e possessiva; dá prioridade à inatividade; em seu calendário só se destacam ontens; carrega o peso dos anos e transmite pessimismo às gerações novas; volta-se para os tempos que se passaram e neles se apega com amargura; sofre pela aproximação inevitável da morte; recusa-se a perceber e aceitar os tempos novos; cochila intensamente em sua vidinha, e as horas arrastam-se, destituídas de sentido; o tempo não passa, e o tédio torna-se fardo muito pesado; reclama de tudo, mas não questiona; contém a agressividade, por isso, também adoece.
 Na certidão, essas pessoas podem ter a mesma idade cronológica, mas o que têm mesmo são idades diferentes em suas almas. Algumas rugas transmitem serenidade e paz, porque marcadas pelo sorriso; outras, inquietação e angústia, porque vincadas pela lamentação.

Referências

In Poemas, Contos e Crônicas - UDESC Florianópolis, 1996.
PESSANHA, A.L. do Divã. Ed. Casa do Psicólogo; São Paulo, 2004.
MUNARO, Júlio Pe. - Saber  Envelhecer.

SOBRE A ASTROLOGIA E SUA COMPREENSÃO


“Falo e respondo enquanto não sou.
Quando souber, não mais.
Porque então não será mais preciso.
Néscio ainda acredito em explicações.
Quando não souber então serei; e quando for, não será mais preciso saber,
Apenas caminhar.”


            A astrologia representa uma “conversa” entre duas naturezas (humana e divina) e o mapa astrológico, um tabuleiro, onde pode ser observado o plano para o nascimento da natureza divina no humano. A distribuição zodiacal com seus doze signos mostra como as forças divinas (suprafísicas) se manifestam no plano terreno (físico); a distribuição das doze casas sobre as quais os signos se distribuem mostra a forma como aquele ser se constitui, assim como ele dispõe de suas potencialidades naturais.
O mapa astrológico é uma representação arquetípica da manifestação física e auxilia na compreensão de como o sistema de veículos (físico, etérico, desejos e mente) estão alinhados entre si, além de sugerir simbolicamente o estado da relação personalidade, alma e espírito em cada indivíduo (vide roda da fortuna).
Desta observação deve nascer o interesse em comparar e meditar seu mapa natal (natureza humana) com o mapa zero Áries, uma nuance do divino na linguagem astrológica, entre outras. Na interação ou no atrito entre estas representações surge uma janela de possibilidade para o nascimento do indivíduo na plenitude de seu potencial.
Existem livros que explicam ao estudante os símbolos e os valores básicos que estruturam o pensar astrológico cotidiano e convencional. Estes livros são muito importantes para um primeiro contato e seus potenciais.
No entanto, a própria astrologia parece ser estrutura viva que evolui conjuntamente ao humano, seu co-criador. Ela é ferramenta bastante interessante para aprofundar-se em questões pessoais existenciais. O seu aprendizado pode ocorrer em grupos, aulas e cursos, mas a interpretação do tema de cada pessoa é território sagrado a ser palmilhado individualmente e apenas na medida da capacidade que a pessoa tenha aprendido a ver por si só. A sugestão de evitar o olhar alheio decorre de não sabermos a condição evolutiva de quem encontramos no caminho, sendo que cada um interpreta segundo suas próprias concepções. Do mesmo modo que a baleia não cabe na gaiola de um pássaro, alguns seres não caberão nas interpretações de seres de “menor porte”. De fato, não é possível saber o tamanho da consciência bem como do alcance espiritual dos outros seres com quem interagimos.
Por isso se torna importante o estudo concomitante das mitologias, das filosofias, da história do mundo; tentativas de contornar abordagens técnicas e materialistas sobre o fenômeno vida – manifestação ímpar de cada ser, com sua peculiar missão existencial.


domingo, 10 de dezembro de 2017

ASTROLOGIA E SAÚDE - EXISTE RELAÇÃO?




Um dia houve a separação fundamental entre as ciências físicas e espirituais. A despeito disso, grupos preservaram segredos esotéricos da medicina e da astrologia, sustentando o conhecimento interpretado sob a luz da mística, sendo os segredos espirituais restaurados, ocultos do vulgo e dados àqueles que anelavam pelas causas do espírito.
Hoje observamos educadores que ignoram os valores espirituais; vemos a ciência material tornar-se uma instituição orgulhosa, que ignora a alma, fascinada pela matéria não deixando lugar para a mística. Como resultado, temos uma desilusão geral e um abatimento decorrentes da insignificância das coisas materiais: fuga, desespero e tristeza. O atual interesse renovado pela Astrologia como recurso de cura resgata o pensamento de Paracelso, expoente do pensamento vivo que dizia:
Assim como existem estrelas nos céus (macrocosmo), também há estrelas dentro do ser humano. Portanto, nada existe no universo que não tenha seu equivalente no microcosmo (o corpo humano)” e “O espírito do ser humano deriva das constelações (estrelas fixas - sóis); sua alma, dos planetas; e seu corpo, dos elementos”.
O Macrocosmo é a difusão infinita do cosmos em suas ilhas, galáxias, nebulosas, estrelas, planetas, corpos celestes onde inumeráveis formas de vida estão sempre evoluindo. O Microcosmo são as células de nosso corpo, incontáveis como as estrelas do céu. A chave mestra que permite acesso à correlação entre macro e microcosmos e que favorece a compreensão dos mistérios é:
“Como é em cima, assim é embaixo”.
A Astrologia pode ser vivenciada como uma “tela” que permite o vislumbre da inter-relação das forças entre o Macrocosmo e o Microcosmo, entre o externo a nós e o nosso interior, além de ser um instrumento da realização da Lei de Consequência ou Lei de Causa e Efeito. Assim, dentro de perspectiva que admite a possibilidade do renascer, alguns pensamentos descrevem observações pertinentes ao pensar astrológico:
· “Viver para comer ao invés de comer para viver”, pode implicar futuramente na colheita de complicações no aparelho digestivo.
· A excessiva irritação, intolerância, impaciência, impetuosidade, podem implicar futuramente na colheita de desordens circulatórias e seus efeitos colaterais em todo o sistema: apoplexias, derrames, varizes, pressão sanguínea irregular, etc.
· A impulsividade e o rancor podem implicar futuramente na colheita de úlceras, artrites, disfunções glandulares, insuficiência cardíaca, pressão baixa, problemas linfáticos.
· A atividade excessiva em função do mal, caracterizada por comportamentos maleficamente agressivos, violentos e vingativos pode implicar futuramente na colheita de baixa energia dinâmica assim como de ausência de resistência a doenças; membros defeituosos, acidentes com perda de membros; articulações sujeitas a artrites; dores musculares, reumatismo e enxaquecas.
· O abuso da função sexual e sua utilização apenas para a gratificação dos sentidos pode implicar futuramente na colheita de falta de vitalidade, vontade fraca ou até debilidade mental.
· A recusa em gerar ou aceitar o filho gerado, criá-lo e educá-lo pode implicar futuramente na colheita de disfunções nos órgãos geradores, predisposição ao câncer de próstata ou laringe, útero, seios e estômago.
Felizmente, SÓ COLHEMOS AQUILO QUE SEMEAMOS.
A grande maioria das doenças origina-se no comportamento negativo face às circunstâncias que, quase sempre, envolvem nosso semelhante. Trata-se do antigo e misterioso conselho dado por Cristo no Sermão da Montanha: “se qualquer membro do teu corpo te escandalizar (o mau uso) arranca-o e joga-o fora...” Justo o que fazemos literalmente antes de renascer!
Enquanto os exames médicos mostram as condições de nosso corpo no momento da coleta, o horóscopo mostra as enfermidades latentes e ativas em toda nossa vida terrestre. Deste modo temos tempo suficiente para: prevenir-nos, minimizar os efeitos e até não desenvolver essa enfermidade, pois: “as estrelas impelem, mas não obrigam”!
Através da astrodiagnose e terapia é possível conhecer os melhores métodos para efetuar a cura, assim como o melhor tratamento para cada paciente, além de ser possível observar o caráter do enfermo (forte, débil, negativo, emocional). A partir desse estudo, é possível saber o dia em que as crises tendem a se manifestar e quando as influências adversas diminuirão.
Estamos sujeitos a enfermidades físicas, psíquicas, sociais, mentais e espirituais. De acordo com a ciência oculta, construímos nosso Corpo Denso e o controlamos. Havendo doença nele somos levados a concluir que não fizemos nosso trabalho de forma ideal. Isso é expresso nas duas classes de enfermidades apontadas em um horóscopo:
·        Latentes
o São indicadas pelas aflições planetárias no horóscopo quando nascemos.
o Podem permanecer latentes durante toda a nossa vida terrestre.
o Dependem do nosso modo de vida: se não respondemos às tendências indicadas pelas aflições planetárias, elas não se manifestarão.
o Podemos atuar com nossa vontade até o ponto de anular as indicações de nosso horóscopo.
·         Ativas
o São indicadas pelas aflições planetárias no horóscopo quando nascemos, mas nós respondemos a essas aflições, através: de pensamentos, sentimentos, palavras ou atos negativos, inferiores e destrutivos.
o As posições planetárias progredidas indicam os momentos de atuação.
o Consertando o nosso modo de vida: aliviaremos, suspenderemos ou seremos curados da enfermidade.
Para aplicarmos ao estudo dessa ciência e arte de obter conhecimento científico das enfermidades, suas causas, segundo indicações dos planetas, e dos meios de curar é necessário:
·   Dedicar-nos ao conhecimento da fisiologia e anatomia de nosso Corpo Denso.
·   Usar esse conhecimento altruisticamente na ajuda aos sofredores.
·   Esquecer o próprio horóscopo e dedicar o conhecimento a ajudar os outros.
·   Fazer os exercícios de Retrospecção e de Concentração diariamente.
·   Praticar mais a devoção no dia a dia.
·   “Pregar o Evangelho e curar os enfermos”.

O PODER DOS MANTRAS – VIVER É COMUNICAR

Comunicar é parte essencial do viver. Essa ligação com o outro - por meio de uma vibração sonora, escrita ou mental - gera um intercâmbio que transcende as palavras e nos sensibiliza para um “mantra”, seja ele uma ideia, uma crença, um comportamento ou um sonho.
Cada um interioriza e irradia as informações que reverberam em seu íntimo e, dependendo do conteúdo, atrai alegria ou tristeza, saúde ou doença, união ou separação. Na visão de Michel Maffesoli (2003) a comunicação entre as pessoas é o cimento social, o que promove o religare (religação). Conhecido pela popularização do conceito de tribo urbana, o sociólogo francês afirma que só existimos de fato e nos compreendemos na relação com o outro, destacando a falta de sentido do individualismo.
O poder da palavra é evidenciado por Braden (2007) no livro “O Efeito Isaías”, segundo o qual cada ser humano cria seu código de conduta a partir das informações que recebe, fazendo escolhas a favor ou contra a vida. Assim, as enfermidades, por exemplo, podem derivar de escolhas e ações individuais e não apenas de causas exteriores. Percebe-se a partir dessas observações que o uso consciente das palavras é uma forma de resgatar a relação perdida consigo mesmo, com as outras pessoas e com o Universo. É a “linguagem que move montanhas”, segundo Braden.
Em seu cotidiano, observe que ao chegar de mau humor a um local, as outras pessoas não lhe parecerão bem também. Percepção que muda completamente a partir de atitude mais disponível e sorriso no rosto. E é isso mesmo: o corpo serve para compartilhar experiências individuais de raiva, ciúme e ódio, mas também de amor, compaixão e perdão.
Ainda segundo Braden (2007), há cerca de 500 anos antes de Cristo, na cultura essênia, já se dizia que tudo o que se pensa, fala ou faz constrói uma prece permanente, semelhante a um estado de constante oração.
De fato, cada um, nessa prece ativa dos “mantras” dominantes, projeta sua realidade e define a qualidade de seus relacionamentos e saúde, além da presença, ou não, de abundância na vida. Novamente, Jesus Cristo, segundo Mateus nos recorda isso ao dizer: “O que contamina o homem não é o que entra na boca, mas o que sai da boca, isso é o que contamina o homem”.
De acordo com a filosofia hermética, a realidade se compõe de vários "tecidos" que se interpenetram, qualificando um plano físico (território de estudo das ciências básicas convencionais) e vários planos suprafísicos (território de estudo das ciências ocultas tradicionais). Resumidamente, a região química do mundo físico é envolto e permeado pela região etérica, que por sua vez é envolvido e transpassado pela "matéria" da região do mundo do desejo, que é cercada e imersa na "matéria" da região do mundo do pensamento.
Nesse arcabouço, as afirmações manifestas, mental ou verbalmente, intencional ou inconscientemente, ganham força, especialmente quando aliadas a sentimentos ou emoções intensas, atraindo e sintonizando outras vibrações similares presentes na região etérica do mundo físico e nas regiões inferiores do mundo do desejo (Heindel, 1909).
Nas regiões inferiores desses mundos, se encontram vibrações destrutivas de medo, pobreza, doença, fracasso e miséria, assim como nas regiões superiores são encontradas vibrações construtivas de prosperidade, saúde, sucesso e felicidade (Hill, 2009).
Ao seguirmos essa linha de raciocínio fica claro que um pensamento “potencializado” pela emoção é semelhante a uma semente que, plantada em terra produtiva, brota e se multiplica em milhares da “mesma” espécie.  Um “poder” de criação incalculável ao considerarmos que a mente humana gera, em média, 60 mil pensamentos por dia (Byrne, 2015), sendo 60% a 70% deles negativos (Lucas, 2013).
O poder da palavra associada a emoções genuínas é genialmente ilustrado por Tolstói (2001) no conto “Os Três Eremitas”. Ele conta a história de um sacerdote que, em visita a uma ilha distante, decide ensinar como rezar a três eremitas que lá habitavam. Com suas crenças, ele se indigna com a forma simples dos eremitas pedirem a proteção divina: “Vós sois três. Nós somos três. Tenha piedade de nós”.
Em sua função pedagógica ele dedica um dia inteiro a ensinar o “Pai Nosso”. À noite, já se afastando em seu navio, o sacerdote é surpreendido por uma luz distante no horizonte. Ele percebe então os três eremitas correndo sobre as águas do mar rumo ao barco, em reverência e pesar, a lhe perguntar sobre uma parte esquecida do Pai Nosso. Diante de insólita situação, o sacerdote se rende à simplicidade da prece proferida por eles, com a pureza d’alma que os caracteriza (Tolstói, 2001).
De forma lúdica, o poder dos conteúdos veiculados foi explorado em filmes como “A Origem” (Inception), ficção científica onde ideias são inseridas na mente das pessoas por meio dos sonhos que se confundem com a realidade, e “Poder Além da Vida” (Peaceful Warrior), baseado em fatos reais onde um ginasta se recupera de grave lesão ao reverter sua forma de pensar por meio de “mantras” recebidos de um conselheiro (ou mestre interior).
Os dois filmes explicitam os efeitos danosos de temáticas negativas, nos âmbitos psicológico e emocional, assim como a possibilidade de alcançar o equilíbrio, saúde e sucesso a partir do uso consciente das palavras. Conteúdo semelhante é mostrado de forma jocosa na comédia “As Mil Palavras”, onde a vida do personagem central é condicionada ao número de palavras emitidas e à coerência de seu discurso com suas ações.

Assim, salta aos olhos o fato da qualidade de vida do ser humano guardar relação íntima com o pensar e o sentir. Amigo leitor como estão seus pensamentos e sentimentos, rendidos ao medo consequente ao viver de modo reprodutivo, ou imersos na coragem do viver produtivo?