terça-feira, 9 de outubro de 2018

DESEJO, NECESSIDADE E VONTADE

TITÃS - COMIDA
      Cantam os Titãs! Tudo o mesmo para você? Três palavras para a mesma ideia? Quando coisas diferentes parecem iguais, é momento de considerar um exame de vista na alma e no coração. Na alma porque é a essência que irradiamos a partir de nosso ser; no coração pois é lá que mora nosso calor e saber (saber decor = saber de coração).
Necessidade é urgência, sem o que não é possível seguir. A necessidade é vital, é fisiológica, é instintiva, é compromisso assumido e inadiável. Todos os acordos evolutivos que fizemos como humanidade e que não podemos dizer: mudei de ideia. Respirar, dormir, servir, sorrir, ser, instâncias do inadiável e do inalienável.
      Necessidade é sacrifício (sacro ofício), e, portanto, ofício sagrado inerente à vida. A necessidade, à semelhança da morte, é vital, e se não me faço claro, sugiro ler a obra “As intermitências da morte” de Saramago.
      O desejo é sempre um risco. Um risco fora do contexto principal. Uma chance de algo acontecer independente do plano inicial. Que plano? Aquele que a maioria de nós esquece e que Platão no mito de Er nos lembra em sua República.
      O desejo é toda tentativa de no curso do caminho, fazer uma parada, uma escala, escapar ao trajeto, pegar um atalho. Algo que não estava nos planos, algo que nos visita e em alguns casos nos possui. Somos possuídos pelos desejos e não ao contrário! Sim, pois desejos sempre nos tomam a partir de fora para dentro. Em outras palavras, a partir de nossa realidade exterior em relação à realidade interior. Não brotam do interior, senão daquilo que nos chega pelas janelas dos cinco sentidos. Atenção às janelas é pressuposto para não ser possuído. Desejo é um tempero no prato da vida e deve ser usado com moderação, afinal muito sal causa hipertensão, muito óleo hipercolesterolemia e tudo em excesso pode desvitalizar. Viver é vital e desvitalizar é ir contra a vida. Sobriedade não é moralidade.
      Desejo ou “desideris” em latim pode ser melhor compreendido se concomitantemente olharmos para o termo considerar, cuja etimologia complementa a primeira. No primeiro termo desideris (desejo), existe um afastamento das estrelas (sideral) e do plano celeste segundo o qual a vida estaria supostamente desenhada, como um convite, mas desenhada. Nesse caso, o desejo me afastaria das estrelas, ou impediria a minha visão desse desenho planejado nas estrelas, desse destino enquanto convite do alto, dos céus. Enfim, um afastamento do plano original traçado nas estrelas. Esse afastamento proporcionado pelo desejo é como uma fuga do “plano original”, onde sou levado a buscar uma qualidade de satisfação diferente da que me caberia caso estivesse em estado de serenidade, de paz interior ou de conexão com as estrelas. Ou quem sabe ainda com a organização celeste presente quando de minha primeira respiração, meu tema natal (mapa astrológico)? Considerar complementa desejar por significar justamente pensar com as estrelas (con - sideris).
      No ocultismo se diz que o humano atual é revestido por um corpo de desejos e uma mente. O corpo de desejos é subordinado à mente da mesma forma que somos convidados a subordinar o desejo à vontade ou a abrir mão de desiderar em favor de considerar.
      A vontade é o atributo humano supremo. É a expressão humana mais sublime. É o exercício de nosso próprio ser na matéria.
      Quando uma pessoa tem vontade fraca, ela é movida pelos seus desejos. Por isso alguns trabalham por recompensa, por dinheiro, por reconhecimento. Trabalham ou vivem para receber algo de fora que as realize. Já, os que se destinam ao exercício pessoal da vontade, são menos reféns da necessidade de recompensas para prosseguirem. O próprio exercício do ser e da expressão da vontade é o prêmio. A sensação de viver se assemelha, nesse caso, a ser semelhante ao Sol, que silenciosamente se consome para irradiar luz e calor.
      Em suma, nosso corpo “sideral” tem uma porção desiderio, que deseja sem levar em conta o céu e as estrelas, e outra porção considerio, expressão da vontade, conceito intimamente ligado ao céu e às estrelas. Estas partes podem ser compreendidas como corpo de desejos e mente. Quem pensa com os desejos, deseja, é refém, quem pensa a partir da mente exercita vontade, é ser emancipado. O exercício maior e mais elevado da vontade é chegar amorosamente à conclusão de que devemos servir, sempre e cada vez com mais vontade, como se fôssemos um sol em formação.
      E você, é um ser inclinado à vontade, desejo ou necessidade? A vontade, a meu ver, deve sempre ser temperada pelo desejo. Se o desejo tomar conta é porque chegou a hora de ler a história contada por Goethe, “Fausto”, assistir a ópera Tannhäuser de Vagner ou quem sabe ainda ler o conto de Tolstoi chamado: “De quanta terra o homem precisa”.
Tudo isso apenas considerações pessoais de um humano errante. Sinto a necessidade de me desculpar caso em algum momento tenha soado rude. Meu desejo é participar.

terça-feira, 2 de outubro de 2018

DEUS E DIABOS II





Quando o senhor, também conhecido como deus, se apercebeu de que a adão e eva, perfeitos em tudo o que apresentavam à vista, não lhes saía uma palavra da boca nem emitiam ao menos um simples som primário que fosse, teve de ficar irritado consigo mesmo, uma vez que não havia mais ninguém no jardim do éden a quem pudesse responsabilizar pela gravíssima falta, quando os outros animais, produtos, todos eles, tal como os dois humanos, do faça-se divino, uns por meio de mugidos e rugidos, outros por roncos, chilreios, assobios e cacarejos, desfrutavam já de voz própria. Num acesso de ira, surpreendente em quem tudo poderia ter solucionado com outro rápido fiat, correu para o casal e, um após outro, sem contemplações, sem meias-medidas, enfiou-lhes a língua pela garganta abaixo.
Saramago (Caim)

GRANDES MUDANÇAS ESTÃO OCORRENDO


POR: GERALDO DRUMOND



Amigos, posso dizer a vocês que grandes mudanças estão ocorrendo. Vamos nos permitir ser mais amorosos, mais afetivos, viver mais o coração e menos a mente.
O universo é benevolente e conspira a favor. O ser humano é muito mais rico do que temos vivenciado. A nossa capacidade de amor é enorme, e temos que experimentar cada dia mais esta capacidade de amar, de perdoar, de nos entregarmos ao universo, como seres espirituais que somos. As dificuldades e adversidades do mundo são pequenas face à grandeza de nosso espírito, de nossa alma. Não devemos nos deixar levar pela notícia ruim, pelas estatísticas desastrosas. Elas representam ainda muito pouco da grandeza de um gesto de amor, de um sorriso de compreensão, de uma ajuda desprendida, de um pedido de desculpas, de um me perdoe, errei, quero acertar. O ser humano é muito melhor do que temos conseguido enxergar. E a expressiva maioria de nós quer acertar, quer ser feliz, ocupar o seu espaço (muito próprio) deste imenso universo, maravilhoso, enorme, que tem espaço para todos, e com sobra. Vamos nos acolher, nos compreender mais, nos aceitarmos mais. Podemos construir situações que vão nos permitir que a imensa maioria respire, alimente, more, ame, enfim, seja!!!


domingo, 9 de setembro de 2018

DEUS E DIABOS I


O senhor não vê? O que não é Deus, é estado do demônio. Deus existe mesmo quando não há. Mas o demônio não precisa de existir para haver – a gente sabendo que ele não existe, aí é que ele toma conta de tudo.
Guimarães Rosa

EU E TU III – A PIZZA DA CONSOLAÇÃO



            Noite fria, comendo pizza com amigos. Éramos três, papo bom, papo cabeça. Noite viva, noite feliz!
            Finda a pizza notei haviam sobrado dois pedaços! Com esse frio, talvez alguém na rua possa se beneficiar. Vou pedir para embrulhar. Que bom, não aprecio desperdício, vou otimizar.
            Já na rua, frio, bem frio, quase ninguém à vista. Será possível? Ninguém?
            Os amigos se afastaram, foram na frente conversando. Eu disse já vou, vão indo! Fiquei só, procurando.... Ninguém!! Espera! Tem alguém lá embaixo; rua da Consolação, frente ao cemitério, do outro lado da rua, do outro lado da vida; cachorro ao lado; revirando o lixo; pés descalços; roupa rasgada. Deve estar com fome. Eu, eu, eu, eu, esse cara que acha poder fazer diferença, que acha poder ajudar alguém, que acha que pode alguma coisa! Quanta pretensão.
            A vida é assim, surpreende onde se menos espera. E foi assim, me surpreendeu...
            – Moço, trouxe esse pedaço de pizza para você.
            Parou, soltou o lixo, me olhou, ainda de joelhos, e disse sereno:
– Não vai faltar para você?
Suficiente para gerar em mim a sensação de um raio atravessando as solas dos meus pés e arrepiar meus cabelos como se algo me puxasse forte em direção ao alto. O que acontecera?
No descuido de achar poder ser útil, ajudar, amaciar o próprio ego no calor da boa ação a quem não teria absolutamente como retribuir, fui desmascarado frente a Deus me transpassando no olhar e nas palavras de quem até então se manifestava aos olhos como um desgraçado.
Às vezes, sempre, só alguém profundamente desgraçado e amoroso para nos mostrar com tanta clareza o estado desgraçado que nos encontramos. Compreendemos a desgraça na medida em que a mesma nos assola. Entendo mal a desgraça, na medida em que a atitude do outro me consola. Ser assolado ou consolado, o que você preferiria nesse instante meu amigo?
Eu, naquele instante, Rua da Consolação, fui assolado pelo estado miserável em que me encontrava. Consolado na luz divina que se irradiara na experiência de comunhão com Deus de pés descalços no chão, ajoelhado e me perguntando: não vai faltar a você?
Claro que vai! Já faltou! Faltou o chão, faltou tato, faltou fôlego, mas antes de tudo faltou o mais importante; respeito. Respeito ao espaço alheio, respeito ao outro ser, respeito ao Tu que me referencia enquanto Eu. Enfim, me senti como talvez o político brasileiro, um ser repugnante; como talvez ainda a barata da metamorfose de Kafka. Sobre políticos, esclareço a propósito, com todo respeito, me refiro apenas aos eleitos; os candidatos pretendentes considero muito pudicos, ressalva seja feita! Pena nunca se elegerem. Coincidências mórbidas...
Amigo, acredite, não é fácil encontrar com a abundância na casa da penúria. O contrário é mais comum. O que acha?
Mas, não dava mais tempo, passado e futuro haviam colapsado e me algemado àquele momento de eternidade. Então aquilo era o presente?! Que presente!
O que acontecera, pensava enquanto voltava aos amigos de pizza. Milagre, mil lágrimas, era só o que me cabia. Sim, mais que isso talvez. Mas lágrimas de que? Alegria, vergonha? Não importa, senão que lavavam meu ser, tornando-o um pouco mais reverente ao outro, meu próximo. Meu próximo que julgo precisar de mim, mas sem o qual não sou ninguém, não tenho sentido.
As situações de êxtase são boas por isso, devolvem o sentido, organizam o sentir e orientam o perdido. E olha que meu sobrenome é Leme hein!?!
Lamentável Leme, você esqueceu! Esqueceu de pedir licença e perguntar se poderia oferecer algo a seu irmão, a seu igual, a seu maior! Sim, e o preço foi alto, altíssimo, levou um choque e recebeu em si instantaneamente todo o ser daquele que pensou pudesse ajudar. Foi ajudado! Ajudado a ser menos cego, pela luz invisível daquele que de nada carece pois está em paz. Que a paz esteja com você meu amigo desconhecido. Essa paz que é inteireza e que você me recordou com maestria.
Paz não é de fato ausência de guerra, senão inteireza em meio à guerra da vida que pode sim afetar nosso Ter, mas que não pode nada quanto ao Ser daquele que alcançou a compreensão do mistério sagrado do encontro do Eu com o Tu.
De fato, antes daquele, eu tinha passado por encontros mais adaptados a meu nível. Por exemplo aquele do cara ajoelhado no metrô com as mãos cheias de moedas e quando eu pus mais uma ele lançou tudo ao chão espalhando todas; e também aquele que para mim foi a cereja do bolo: o amigo que pedia no farol e que ao abaixar o vidro e lhe oferecer uma bala, me sugeriu que a colocasse entre as pernas na região terminal do intestino. Talvez não fossem essas as palavras, não me lembro bem, mas era algo assim.
Por essas e outras muitas que ainda se saberão é que aprendi a pedir licença e perguntar se posso ser útil de algum modo antes de achar que tenho a chave e a solução para o que o outro precisa.
E você amigo? Sabe do que seu próximo espera ou precisa de você?

IDEALIZANDO


POR: GERALDO DRUMOND


Você não tem que idealizar nada. Viva sua vida, sua singularidade. Não tome para si sonhos que não são seus, ideais que não são seus. Desidealize para você viver com naturalidade, com simplicidade. Seja do jeito que você é. Faz toda a diferença. Quando temos coragem de nos aceitar como somos tudo fica mais fácil. Quando você se entende, fica mais fácil entender e conviver com o outro. E o que é a vida senão relações?


ASTROLOGIA - ELMAN BACHER



A astrologia é para o estudante Rosacruz uma fase da religião, basicamente uma ciência espiritual. Mais que qualquer outro estudo, ela revela o homem a si mesmo.
Nenhuma outra ciência é tão sublime, tão profunda e tão abarcadora. Ela oferece uma representação pictórica dinâmica da relação entre Deus (o Macrocosmo) e o homem (o Microcosmo), mostrando-os como algo fundamentalmente uno.
A ciência oculta, ao investigar as forças sutis que agem sobre o ser humano, o Espírito, e seus veículos, descreve seus efeitos com a mesma precisão que a ciência acadêmica o faz com relação as reações que ocorrem no mar, no solo, nas plantas e animais, decorrentes dos raios do sol e da lua.
Com este conhecimento podemos determinar o padrão astrológico de cada indivíduo e conhecer as fortalezas e as debilidades relativas das várias forças atuantes em cada vida. De acordo com o que tenhamos alcançado deste conhecimento, é possível começar a construção sistemática e científica do caráter – e caráter é destino!
Existem períodos e estações cosmicamente vantajosos para o desenvolvimento de certas qualidades, correção de maus hábitos e eliminação de inclinações destrutivas.
A ciência divina da astrologia revela causas ocultas que trabalham em nossas vidas. Assessora o adulto com respeito à vocação, os pais na orientação dos filhos, o mestre na orientação dos discípulos, o médico no diagnóstico das enfermidades; prestando-lhes, desta maneira ajuda em qualquer situação.
Nenhuma outra matéria ao alcance do conhecimento humano até o presente momento contém as possibilidades estendidas aos estudantes de astrologia na ajuda aos demais, no digno caminho de deuses-em-formação, a um entendimento maior da lei universal e à percepção de que estamos eternamente seguros nos braços carinhosos do infinito e ilimitado Ser.