A Medicina da Saúde é baseada na preservação e na promoção. É sempre superior à Medicina da Doença focada na cura e na prevenção. Somos seres humanos e não "teres humanos”. A doença começa quando se deixa o SER pelo TER; saúde e vitalidade aumentam na direção do SER. A busca pelo SER leva à ampliação da consciência, guia do homem saudável e espelho para o doente. Refletindo o exemplo a ser imitado mostra como sair da horizontalidade do adormecimento e entrar na verticalidade do despertar.
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sexta-feira, 12 de agosto de 2022
EVENTO - CURSO FENOMENOLOGIA CELESTE
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terça-feira, 21 de janeiro de 2020
LEIS DA NATUREZA
O humano e
também as leis da natureza que o
cercam parecem evoluir, conforme Sheldrake aprofunda no livro "Presença do Passado". A Terra pode ser pensada
como um “ser” em evolução bem como campo evolutivo para outros seres; o mesmo
vale para o Sol, planetas e suas luas assim como o próprio sistema solar. No
caso do sistema solar, os próprios planetas podem ser simbolicamente vistos
como seus órgãos constituintes à semelhança do fígado, pulmões rins etc. no
corpo humano.
Prosseguindo nesta linha, um zodíaco assim como qualquer campo
arquetípico representativo de hierarquias superiores ao humano, também são
“seres” em seus processos intrínsecos e peculiares. Tudo isso impulsiona o
pensar na direção de um sentido maior inquietante, frente ao qual Kant fala assim:
“Duas coisas enchem de maravilha meu ser,
a lei moral no interior do homem e o céu estrelado acima de minha cabeça”. (Kant
- Crítica da razão pura)
terça-feira, 3 de dezembro de 2019
A PERGUNTA É A MÃE DA RESPOSTA

Perguntas e respostas são irmãs
em diferentes estágios de maturidade. A pergunta é a resposta que ainda não
nasceu. Como não nasceu, pode ser todas as respostas imagináveis e
inimagináveis. Ainda que a pergunta seja mais antiga que a resposta, e,
portanto, com mais saber em si, a pessoa média quer respostas.
A pessoa média não aprecia
pensar sobre a morte, mas não percebe que respostas se assemelham a perguntas
mortas. Pobres aqueles que têm suas perguntas todas respondidas. As perguntas
tecem o chão que sustentam os corajosos. Sim, pois a ação do coração é a melhor
resposta e que sempre pode acontecer de outros modos, ainda que a pergunta se
repita.
Cada pulso do coração é a
resposta necessária para que a vida prossiga. Se o coração não responde, a
pergunta cala. No calabouço, é a pergunta que tem o poder de renovar, reanimar,
ressuscitar. Perguntas vibram com a vida. Uma resposta representa a morte de
todas as possibilidades.
Quando penso quem sou, devo
lembrar de incluir se sou mais pergunta ou resposta, mais nascimento ou morte
em meus encontros e ainda se sou mais possibilidades ou certeza. E uma vez
sabendo, me corrigir em cada respiração, essa pequena fatia de porvir que nos
define.
A pergunta está grávida! Conhece
esse estado? Sabe o que nascerá?
Então? Como alcançar esse estado
de portar em si todas as perguntas? Como suportar a tensão dilacerante das
respostas indigestas? Como viver a tentação da escolha de possibilidade que
exclui as demais? Como na esperança do parto normal aceitar a necessidade da
eventual cesariana?
Enfim, como libertar a mente dos vícios e compreender que todo
preconceito reside na resposta certa e na certeza, que é ainda mais mortal e
cada vez menos vital, quando absoluta. Como será portar todas as perguntas? Não
lhe parece mais do que portar todas as respostas?
Existem coisas que sabemos e também coisas que sabemos que não sabemos.
Mas existe uma terceira natureza de coisas, as mais interessantes. Falo das
coisas que não sabemos que não sabemos. Ouso dizer que as perguntas estão mais
próximas dessa última classe de coisas, do que as respostas. Perguntas são
movimentos e respostas são paradas; sim é preciso parar eventualmente, mas sem
perder de vista o fluxo e o fluir.
A pergunta é uma das, senão a maior conquista na vida da pessoa. Quando a
pessoa atinge sua maturidade plena surge a pergunta. A pergunta é a melhor
síntese que alguém pode alcançar em relação a um assunto. Todas as respostas
moram nela. Quem seria esse ser capaz de suportar em si o movimento de todas as
respostas. Quem poderia suportar em seu íntimo a liberdade de arbítrio de cada
resposta e ainda assim sustentar a vida da pergunta?
A pergunta é curva e nela não é possível a visão definir o que está por
vir. A resposta é reta, não se esconde, pode ser vista. Mas, e sempre há um
mas, quando eu vejo, meu interior se dobra, se curva, tende a...
Na insuficiência da prosa, com a devida licença:
Ainda que curvas, uma dentro e outra fora, diferentes aspectos afloram. A
curva dentro deforma o ser enquanto a outra reforma. Reformar é o efeito
vivificante da morte. Deformar é seu lado que nos faz temer; que nos
impossibilita permanecer quando o aspecto físico já não mais pode se sustentar.
Quando aprendo a caminhar nas curvas da vida e com o “pão de cada dia”,
de surpresa, de coincidência, da mudança me alimento, cada vez menos terei que
comer do “pão que o diabo amassou”.
O sobrenome da certeza é absoluta e seus irmãos gêmeos a prepotência e a
soberba.
Não saber não é um estado vazio, senão de posse de todas as perguntas
associado a outro estado, o de permeabilidade plena a todas as possibilidades.
Essa permeabilidade é o princípio da sabedoria, assim como a certeza é o
princípio da vida infernal. Claro que me refiro aqui ao inferno grego - entrada, tribunal e as três regiões comandadas por Hades.
terça-feira, 26 de novembro de 2019
EXPECTATIVA E PRONTIDÃO
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quinta-feira, 6 de junho de 2019
terça-feira, 9 de abril de 2019
PARTILHAR
POR: GERALDO DRUMOND
Viajo na emoção.... Sou só emoção. Onde ela me leva eu vou e fico, até
que outra venha e me leve. E assim vou vivendo torcendo para que o próximo
lugar que eu vá seja ameno, leve, amoroso! Parece que dependo do mundo estar
bem e das emoções serem amorosas para que eu me sinta bem. Penso que é por isto
que desejo tanto amor, partilhar, pois assim vou me beneficiar dos ventos
benfazejos das paixões dos afetos, dos quereres bem... O mal me desnorteia o
medo me apavora a separação me aniquila. Será que sou só emoção? Cresci assim
vou morrer assim, vou sempre estar ao sabor das emoções? Cadê minha razão para
contrapor a tanto amor, a tanto querer?
O SANGUE E AS LÁGRIMAS
![]() |
| Natureza Abstrata - Henrique Luna |
O sangue nasce no interior dos
ossos (Saturno). Algumas águas nascem do interior da terra ou do alto das
montanhas. Moisés bateu duas vezes na pedra para a água sair; ouvisse bem, bateria
apenas uma. Você já viu uma nascente? Você se percebe enquanto nascente?
Assim como a água nasce do profundo da terra, as lágrimas são expressão
de tudo que está empedrado no interior. Elas brotam para lavar os olhos, nossa
janela. Elas vêm para que vejamos melhor. Vêm para compreendermos que há algo
que não vemos bem. Vêm para que enxerguemos. Vêm para anunciar algo que
endureceu no profundo do ser, e que anseia pela vida.
Antes do sangue brotar no interior dos ossos, sede de nossa dureza e
resistência, é importante que a água seja extraída da fonte da rocha de nossas
cristalizações.
O sangue que nasce na pessoa empedrada e emparedada, é sangue aguado,
diluído. Diluído na água do lamento e, portanto, lamacenta. Da água que deveria
ter brotado em algum momento, espontaneamente, como a chuva do céu; que não
choveu por não ter havido leveza suficiente para que flutuasse no ar e subisse
aos céus. Não houve oração (aspiração) e, portanto, foi vítima da gravidade
terrestre (desespero); não subiu, se cristalizou e empedrou. A gravidade
celeste evapora, eleva, enleva, aspira e faz chover.
A água que não evapora aos céus se torna desespero; as águas que o fazem,
esperança, porque chovem e agraciam a terra. Que nossas águas chovam e não
chorem. Que eu abençoe antes a despertar pena.
Quando eu purifico e elevo minhas águas, meu sangue se purifica e pode
receber, além de mais conscientemente aprender o meu Ser. O sangue purificado é
abençoado e visitado cada vez mais por aqueles que inspiram e conduzem, e cada
vez menos por aqueles que viciam, vampirizam e induzem.
O sangue não purificado guarda relação vibratória funcional íntima com
Saturno; purificar o sangue é, em linguagem astrológica, aumentar a tonalidade
de Júpiter concomitante à diminuição da Saturnina. “Jupiterizar” o sangue é ato
que conduz para além do tempo (sempre, nunca) em direção ao eterno (agora), ao
éter, ao etérico. A região etérica é vinculada à vida, àquela árvore e rios que
Ezequiel trata poeticamente em seu capítulo 47.
Corine Heline expressa essa reflexão no livro “Anatomia Oculta e a
Bíblia” com as seguintes palavras:
“Deve-se notar ainda que um
importante trabalho na iniciação concerne à transformação do esqueleto
Saturnino no corpo Jupteriano, e qualquer interferência com o sangue retarda
esse processo uma vez que as células vermelhas do sangue são no presente estado
das coisas manufaturadas na medula óssea do esqueleto. ”
ASPECTOS DA PSICANÁLISE E RELAÇÃO AMOROSA
Por: José Geraldo M. Meireles
- Psicólogo
No contexto convulsionado em que
estamos inseridos, não acredito que os anseios do homem consciente
restrinjam-se a uma casual e modesta participação no cenário socioeconômico
contemporâneo. As mudanças têm sido rápidas e profundas. Não nos resta, em
nível individual e coletivo, outra alternativa senão procurar soluções novas e
vencer desafios.
Muitos se sentem perplexos.
Angustiam-se, e a incerteza instala-se. Deparam-se com dilemas inevitáveis que
englobam “o princípio do prazer” - o desejo é inquietante e indomável - e
"o princípio da realidade".
Situar a psicologia moderna
significa reconhecer que se iniciou com Freud, pois coube a ele o grande mérito
da descoberta do inconsciente: objeto da psicanálise. Sua descoberta revolucionou
o início do século XIX e a nossa compreensão em relação a nós mesmos. Deduziu a
existência do inconsciente, após contatos persistentes e minuciosos com seus
pacientes. Pela fala, é possível curar e aliviar o sofrimento psíquico. Por
inovar, encontrou muitos opositores. Sua genialidade permitiu supor estar na
sexualidade a causa dos transtornos psíquicos: descarregar a energia (no ato
sexual, por exemplo) dá prazer. Contê-la ou reprimi-la, ao contrário, provoca
desprazer. Ao considerar-se a vitalidade física e psíquica, a sexualidade faz parte
da existência, porém desvinculada do afeto, resulta em decepção e frustração.
Em se tratando de decepção e frustração, Hélio Pellegrino – psicanalista
– ilustra que o homossexual elege por objeto de desejo, alguém que se iguale,
alguém que é seu duplo perfeito, imagem radiosa de si pela qual se apaixona. A tensão
das relações narcisadas, ao extremo, tende para a possessão intensa. Cada um vê
no outro o seu próprio retrato idealizado ou deificado – isso rarefaz e mesmo
impede a possibilidade do encontro autêntico. A pulsão narcísica não aceita
diferença, limite ou separação. O desejo narcísico é insaciável, porque
pretende transfigurar a imperfeição do ser que sou, através da ilusória
radiância da imagem – mais que perfeita que quero ser e penso possuir. Esse
drama, conforme Pellegrino, ilustra as peripécias do narcisismo.
Além da abordagem psicanalítica em relação à sexualidade, a
neurocientista Dra. Suzana Herculano – Huzel – (UFRJ) afirma que a preferência
sexual não é opção. Para a neurociência, a orientação sexual é inata (não
aprendida) e determinada biologicamente, antes mesmo do nascimento.
A relação homossexual ou heterossexual é preferência e não opção. A
preferência não se escolhe: descobre-se. Interessar-se sexualmente por homens
ou mulheres é o que o cérebro faz automaticamente e pouco importa o que a
pessoa pensa. A opção é o que se faz com a preferência: assume-se e curte
publicamente, abafa ou esconde. Essa abordagem nova necessita, ainda, de
pesquisas cautelosas e criteriosas. É essencial salientar que sou psicólogo e
não pesquisador da sexualidade.
Com a nova legislação, casais homoafetivos passam a ser considerados
famílias, com direito à adoção de crianças, contudo o preconceito e as
agressões são ainda intensos.
O Conselho Federal de Psicologia despatologizou a relação homoafetiva: não
é distúrbio (doença). Abre-se, pois, espaço para a compreensão das diferenças.
À luz da psicanálise, nossas tensões e angústias não vêm do outro, daquele
que se diferencia de nós, mas daquilo que desconhecemos em nós mesmos. Para a
convivialidade social, é fundamental respeitar o direito e a singularidade do
outro.
Com efeito, a técnica de investigação psicológica criada por Freud
acrescentou dimensão nova para a ciências humanas. Na clínica, pela
interpretação, o psicoterapeuta ou psicanalista mostra quais forças destrutivas
ou construtivas movem seu cliente. “Desfazem-se os nós”, quando ocorre a
travessia da barreira entre o consciente e o inconsciente.
Muitos de nós ficamos presos ao passado que nos condena e ao futuro que
nos inquieta - alerta o psicanalista Pessanha. A psicanálise privilegia sempre
o presente.
Pelo prisma da psicanálise ou psicologia profunda, o traço
característico da psicologia humana é a interferência intensa e contínua dos
impulsos de amor, de um lado, e ódio do outro: “nosso bem-estar ou mal-estar
depende das forças destrutivas ou construtivas do inconsciente”; equilibrando-se
ou não, predominando com maior intensidade as forças construtivas ou destrutivas
haverá vida mais saudável, valorização pessoal, relação amorosa e de amizade gratificantes;
ou ideias persecutórias tendentes à autodestruição, à depressão, à agressão descontrolada,
à relação amorosa e de amizade conflitantes.
A relação intrapsíquica (subjetiva) e interpessoal (com os outros)
rege-se pelo jogo dos antagonismos: eros e tánatos - vida e morte - que nos
movem, a cada instante, em permanente entrelaçar-se, confundir-se e, outra vez,
juntos, porque é dessa simbiose (integração) que resulta a vida.
In Sêneca – filósofo - ter vida longa não é ter a cabeleira branca
semelhante à neve, tampouco ter as faces sulcadas pelas rugas; se o homem
dissipou seus dias, não viveu longo tempo, muito embora tenha existido longos
anos: “Vida é profundidade e não extensão”.
Antes do advento da psicanálise, inquieto e perplexo, o ser humano
acreditava que os mistérios de seu destino e as ameaças à sua estabilidade
provinham apenas do mundo externo e nunca da intimidade de seu ser.
À época de Freud, (início da psicanálise) as pessoas recorriam ao
tratamento psicanalítico, porque temiam realizar seus desejos. Hoje, a
psicanálise desperta muito interesse. Isso ocorre, não porque reprimem seus
desejos, mas por não saberem, efetivamente, o que desejam. Quando buscam a
psicoterapia, esperam que o profissional se converta em aliado confiável, para
que possam confidenciar-lhe seus mais íntimos segredos sem o receio de traição.
Desvela-se, assim, o perfil do ego maduro e livre: não autoritário,
integrado e seguro; predomina nele o equilíbrio, porque é capaz de manter-se
sob controle, de não se deixar levar pela desmotivação, de tolerar frustrações,
de não negar sua agressividade-combustível da ação - de portar-se serenamente
diante de pressões. Contudo, é imprescindível pensar.
Um conjunto harmônico de qualidades psíquicas herdadas e adquiridas
caracteriza esse perfil, tornando a pessoa original a sua forma de ser e agir.
Há décadas, psicólogo clínico trabalho em clínica particular. Atendo
adolescentes e adultos. Meu trabalho baseia-se na psicoterapia psicanalítica,
psicologia biodinâmica (massagem psicoterapêutica), e avaliação psicológica.
Ao longo desse tempo, percebo, na clínica, que as relações amorosas, por
diferença têm sido, às vezes, dramáticas. O amor obsessivo e a inveja
transtornam a vida da pessoa pela qual a que se tem fixação doentia em inferno.
Sendo a inveja o subproduto doentio da admiração destrói a pessoa invejada. Nem
sempre se percebe o transtorno, e a infelicidade impera. Sei que a temática é
muito complexa, mas é possível compreendê-la.
Geralmente, admiramos pessoas possuidoras de características físicas ou
psíquicas que valorizamos muito. O critério dessa escolha é sempre pessoal. Há
fascínio pelo conjunto harmônico de qualidades que tornam alguém original na
sua forma de ser e agir. Esse fascínio pode levar a dois modos de amar: por
diferença ou semelhança.
As pessoas que se sentem inferiores - e esse sentimento é mais acentuado
na adolescência - tendem a admirar outras que trazem consigo características
ideais, às vezes, inatingíveis (sempre do ponto de vista do(a) admirador(a)).
Assim sendo, o amor surge entre pessoas de temperamento diferente, havendo
recíproca admiração.
O humor - tendência situacional - é a disposição afetiva para a
introversão ou extroversão. O introvertido: reservado, pouco combativo, voltado
mais para a solidão e reflexão une-se ao extrovertido: participante, voltado
mais para os outros, de fácil adaptação, combativo, preferindo mais atividades
práticas.
Obviamente, os componentes de admiração podem desencadear relações
tensas, não só em decorrência, das diferenças de temperamento, mas também da
inveja recíproca. A insatisfação pessoal e a precária auto-avaliação, com forte
tendência a subestimar-se, despertam raiva e inquietação.
As pessoas que se sentem bem consigo mesmas e, consequentemente, mais
estáveis e maduras não se comportam opressivamente e envolvem-se em
relacionamento de intimidade mais intensa e harmoniosa, pois o vínculo é regido
por afinidades. O amor, por semelhança, é mais gratificante, porque não há, na
relação, os elementos desestabilizadores do vínculo: a inveja (é difícil
invejar pessoas com características semelhantes), e irritações que decorrem das
diferenças de temperamento. Sob a égide da estabilidade psíquica e das
afinidades, as relações de amizade tornam-se também harmoniosas e duradouras;
os amigos propiciam bem-estar e asseguram a saúde psíquica.
Em seu livro: Ser livre – que tive o privilégio de revisar – o
psiquiatra Flávio Gikovate (1943 – 2016) enfatiza que ser livre não é ser desta
ou daquela maneira; ser livre não é agir desta ou daquela forma. A liberdade é
a sensação íntima de alegria que deriva da coerência entre pensamento e
conduta.
Por esse prisma, a liberdade é um estado muito gratificante. As
afinidades e não as diferenças é que podem determinar ligações profundamente
gratificantes.
Renovar-se significa entregar à morte tudo o que é ultrapassado para que
o novo possa expandir-se com toda a liberdade. Desprender-se de coisas que, um
dia, foram boas e de ideias que foram relevantes, mas com o passar do tempo,
ficaram ultrapassadas, ou seja, ter ânimo para recomeçar, estar aberto para
escutar, aprender e buscar novos paradigmas.
Para a efetiva compreensão das diferenças e do lado sombrio das emoções
a ajuda psicológica é sempre bem-vinda para busca do bem-estar físico, psíquico
e social.
Profissional da psicologia discuti, sumariamente, com base na
psicanálise, diferenças e semelhanças no amor, sem desconsiderar a árdua vida diária
e o mundo atual, terrivelmente injusto, impiedoso, individualista e abalado
pela crise de valores e predadores sociais.
Referências
Jung. C. G.- Tipos
Psícolágicos- Zahar Editores - Rio de Janeiro, 1981.
Gikovate, F. - Falando
de Amor- MG. Editores Associados - São Paulo, 1976.
Pellegrino, H. - A
Burrice do Demônio – Rocco - Rio de Janeiro, 1989.
Boff. L. - Coragem para
Renovar in Rede - Ano XXI - nº 241 - Petrópolis, 2013.
Pessanha, A. L. S. - Além
do Divã - Casa do Psicólogo - São Paulo, 2001.
Revista - Mente Cérebro
- Ano XIX - nº 242 - São Paulo, 2013.
Green, A. - Psicanálise
Contemporrânea – Imago - Rio de Janeiro, 2001.
Melman, C. - A Família
está Acabando – Veja - São Paulo, 2008.
terça-feira, 19 de março de 2019
CRIANÇA INTERIOR
POR: GERALDO DRUMOND
É na medida que não nos reconhecemos e não nos valorizamos, que buscamos
o reconhecimento do outro. E é importante que saibamos que o relacionamento
mais importante que temos é entre nossa mente consciente e nosso subconsciente,
que é representado pela nossa criança interior. Este é o verdadeiro relacionamento
importante que temos e que pode nos dar as respostas que buscamos. Estão dentro
de nós mesmos e não na opinião dos outros.
OS PÉS
Os pés, no zodíaco
representados por Peixes, representam a culminância da história cósmica de
nossa humanidade. História que principia na cabeça (Áries), atravessa todas as
hierarquias zodiacais e as diferentes partes do corpo que elas regem até
alcançar a horizontalidade da superfície terrestre. Sim, pois os pés
representam a consciência do contato com a terra. Na horizontalidade da terra
os pés nos conduzem quando nos dispomos e não oferecemos obstáculo; eles são a
última instância do querer que nos move.
Exceção feita ao
folclórico Saci, não há um pé mais importante que o outro; o pé direito e o
esquerdo compõem o atual estado humano. Quando o Humano é saudável, não
claudica e não exige ou prefere pisar à direita ou à esquerda, senão apenas
pisa. Se prefere um ao outro sente pena e afunda, já ao não preferir, as penas
se reúnem em asas de voar e os pés deixam de ferir a pele da Terra. Voar
permite ver de cima o movimento do abraço fraterno da respiração
direita-esquerda.
Os pés guardam relação íntima
com o perdão, sendo comum que eles doam ou se machuquem na medida em que me nego
a exercitar o perdão, seja na coragem do sentido ativo de perdoar ou na
resignação do pedir perdão. Cabe à nossa humanidade criar asas nos pés, para
que eles sejam alçados ao alto de onde vieram. Morfologicamente semelhantes aos
ouvidos, os pés portam em si todos os pontos de acupuntura em sua superfície.
Isso mostra que somos destinados a escutar a terra e que devemos tornar nossos
pés, como que um segundo ouvido, com a finalidade de contar ao alto tudo o que
se passa aqui nesse plano (como em cima em baixo).
É fundamental, apesar de
nossa única parte que funciona na horizontal, que de tempos em tempos
permitamos que eles se verticalizem. Como fazer isso? Sempre que reverentemente
nos curvamos e agradecemos à vida e a Deus pelo mistério que nos envolve e que
permite que continuemos a ser, apesar dos tantos equívocos cotidianamente
cometidos. Quando ajoelho, meus pés se verticalizam e com eles subo aos céus, se
não por mim, pela graça que me acolhe em oração. Praticar a verticalização dos
pés ao ajoelhar é o melhor preparo para a verticalização última dos pés, quando
a respiração deixa de ser e o corpo se deita de forma definitiva.
Pedras nos sapatos se
formam quando não há oração (aspiração) e nos tornamos vítimas da gravidade
terrestre (desespero); a oração que não sobe se cristaliza e empedra. Caminhar
sem oração é errar, seu oposto é curar. É preciso, que à semelhança do Cristo,
descalcemos nossos pés e lavemos os pés dos que se nos apresentam como irmãos.
A atitude descalça aguça a audição assim como os pés limpos.
Não, os representantes
dos três poderes não estariam dando um tiro nos pés se deslocassem seus
escritórios para áreas próximas às favelas. A oportunidade de elevar suas
consciências podálicas a ambientes tão anecúmenos, culminaria em algum momento em
uma melhor compreensão das necessidades de quem nelas mora. Palmilhar
diferentes solos é tornar-se consciente das diferentes nuances do humano.
Peixes, os pés, é um
signo relacionado com o elemento água. A gravidade celeste evapora, eleva,
enleva, aspira e faz chover. A água que não evapora aos céus se torna
desespero; as águas que o fazem, esperança, porque chovem e agraciam a terra.
Que nossas águas chovam e não chorem. Que eu abençoe antes a despertar pena. Quando
eu purifico e elevo minhas águas, meu sangue se purifica e pode receber, além
de mais conscientemente aprender o meu Ser. O sangue purificado é abençoado e
visitado cada vez mais por aqueles que inspiram e conduzem, e cada vez menos
por aqueles que viciam, vampirizam e induzem.
Notemos quando caminhamos
e palmilhamos o chão, como os pés se assemelham a dois corações que, ao pisar
sobre o plexo venoso na sola, bombeiam o sangue para cima; sangue que ascende
com todo o aprendizado do percurso. Caminhemos e sejamos corações nos pés, quem
sabe seja esse o primeiro passo para criar asas nesse órgão tão pouco visitado
pela nossa atenção apesar de tão frequentemente pisoteado por todos.
domingo, 17 de fevereiro de 2019
ASPECTOS DO PENSAR E DESACELERAR I
Por: José Geraldo
M. Meireles - Psicólogo
Era Primavera: as flores exalavam em profusão perfumes, e os
pássaros cantavam.
Nesse clima de festa, conta a lenda: um filho sacudido pelo
entusiasmo e um pai tranquilo caminhavam por uma montanha. De repente, o menino
cai, machuca-se e grita: ai! Para sua surpresa, escuta sua voz repetindo-se em
algum lugar da montanha. Curioso, o menino pergunta: quem é você? Contrariado
grita: seu covarde! E escuta a resposta: seu covarde!
O menino olha atentamente para o pai e indaga: o que é isso? O pai
sorri e diz: meu filho, preste atenção. Grita em direção à montanha: eu admiro
você! Você é campeão! A voz responde: você é campeão!
O menino espanta-se e não entende. O pai explica pacientemente. As
pessoas chamam isso de eco, mas, na verdade, isso é da vida que lhe dá de volta
tudo que fala, deseja de bem ou de mal aos outros. Devolverá toda blasfêmia,
inveja, incompreensão, falta de honestidade que você desejou às pessoas que o
cercam. Nossa vida é o reflexo de nossas ações. Se quer mais amor, compreensão,
harmonia e felicidade crie mais amor, compreensão, harmonia e felicidade no
coração. Agindo, assim, meu filho, a vida lhe dará felicidade, sucesso e amor
das pessoas que o cercam.
Desde a infância, a autoimagem é formada por crenças, convicções e
valores. Forma-se a base da personalidade. A autoimagem positiva aponta para
comportamentos construtivos; a negativa, para comportamentos destrutivos.
O sucesso é, também, moldado pela autoimagem que se constrói:
“sucesso e vitória estão a serviço da vida, e triunfo está ligado à arrogância
e à morte, pois implica em destruir o outro ou pisá-lo”. Diante do sofrimento e
da carência dos outros, o arrogante não se sensibiliza, o que é atributo da
pessoa imatura e egoísta.
Tempo há, pesquisas científicas diversas comprovam que pensamentos
positivos ou negativos podem apontar para respostas fisiológicas
correspondentes.
Do imaginário à realidade, ante as contradições brutais de nossa
época e a repressão advinda de elementos culturais, percebo que algumas pessoas
se sentem ansiosas e tensas. Muitas vezes, a incerteza instala-se. Sob a égide
do livre arbítrio, deparam-se com dilemas inevitáveis: “o que podem, o que
querem e o que devem fazer”. Isso envolve o princípio do prazer – o desejo é
inquietante e indomável – e o princípio da realidade.
Não acredito que os anseios da pessoa consciente e corajosa
restrinjam-se a uma casual e modesta participação na realidade socioeconômica
contemporânea.
A nova dimensão da realidade e as mudanças trazem turbulência e
geram ansiedade acentuada. É chegado o momento de banir modelos rígidos de
trabalho. O homem e suas motivações são dinâmicos. Mesmo no ambiente
competitivo do trabalho, toda pessoa é um ser sensível e racional. Sua
caminhada se faz através de todas as possibilidades que lhe são inerentes: o
agir segue o ser – ensina o filósofo S. Tomás de Aquino.
A geração da década de 1960 – da qual fiz parte – injetava utopia
na veia e pautava-se por ideologias solidárias: mudar o mundo, derrubar
ditaduras, desigualdades sociais, redirecionar a ordem das coisas etc. Na
atualidade, com raríssimas exceções predominam a mesmice e a mediocridade.
In Sêneca – filósofo – vida é profundidade e não extensão. As
pedras existem, mas inertes, não vivem. “Se a vida está na ação, mais vive
aquele que mais age”.
A igreja católica é sábia quando, em sua profunda psicologia da
vida escrevia sobre os túmulos daqueles que morriam na mocidade, mas com as
mãos repletas de virtude esta belíssima inscrição: este morreu na mocidade, mas
foram longos os seus dias. Feliz é o homem que sabe que não sabe e vai à busca
do saber – esclarece o psicólogo Dr. Agostinho Minicucci (1918-2006).
John Barrymore – ator inglês – alerta que a pessoa envelhece,
quando os lamentos substituem os sonhos.
A massagem e o relaxamento são eficazes para estimular a secreção
de endorfinas – analgésicos poderosos cujo fluxo proporciona bem-estar,
mantendo o equilíbrio entre o tônus vital e a depressão.
Após o banho, revigora-se o ânimo. No banheiro, a pessoa despe-se
dos resíduos do corpo (higiene pessoal) e da mente. Desfazem-se as máscaras
sociais, e advém a sensação de alívio.
Cada nau tem a sensação de descobrimento, porque o mar não guarda
vestígio das quilhas anteriores. O sábio e experiente navegador que a conduz
sente a realização de sua própria vida em cada parcela de verdade por ele
conhecida, ao contemplar a dinâmica das ondas. Movido pela vibração intensa,
pode intuir que “sabedoria é a memória da experiência”.
Renovar-se, pois, significa entregar à morte tudo o que é
ultrapassado, para que o novo possa expandir-se livremente. Desprender-se de
coisas que, um dia, foram boas e de ideias que foram relevantes, mas, com o
passar do tempo, ficaram ultrapassadas.
Referências
LEITE, S. M e MEIRELES, J.G. Ser...Gerente, Mg. Editores
Associados – São Paulo, 1988.
REGINATO, G. Artigo: É hora de desacelerar. Jornal da Tarde – São
Paulo, 2006.
JORNAL – Hospital Santa Cruz, São Paulo, 2002.
PELLEGRINO, H. A Burrice do Demônio, Editora Rocco – Rio de
Janeiro, 1989.
BETTO, F. O que a vida me ensinou – Editora Saraiva – São Paulo,
2013.
CURY, A. Ansiedade – Editora Saraiva – São Paulo, 2014.
PESSANHA, A. L. S. Além do Divã – Casa do Psicólogo – São Paulo,
2004.
MENTE CÉREBRO – Revista – Os Tormentos da Ansiedade – Ano XVIII –
nº 219, São Paulo.
OLAVO BILAC - ASTROLOGIA
Via Láctea (trecho XIII)
“Ora (direis) ouvir estrelas! Certo
Perdeste o senso!” E eu vos direi, no entanto,
Que, para ouvi-las, muita vez desperto
E abro as janelas, pálido de espanto…
Perdeste o senso!” E eu vos direi, no entanto,
Que, para ouvi-las, muita vez desperto
E abro as janelas, pálido de espanto…
E conversamos toda a noite, enquanto
A Via Láctea, como um pálio aberto,
Cintila. E, ao vir do sol, saudoso e em pranto,
Inda as procuro pelo céu deserto.
A Via Láctea, como um pálio aberto,
Cintila. E, ao vir do sol, saudoso e em pranto,
Inda as procuro pelo céu deserto.
Direis agora! “Tresloucado amigo!
Que conversas com elas? Que sentido
Tem o que dizem, quando estão contigo?”
Que conversas com elas? Que sentido
Tem o que dizem, quando estão contigo?”
E eu vos direi: “Amai para entendê-las!
Pois só quem ama pode ter ouvido
Capaz de ouvir e de entender estrelas.”
Pois só quem ama pode ter ouvido
Capaz de ouvir e de entender estrelas.”
( Olavo Bilac )
(Publicado em Antologia Poética - Porto Alegre, RS: L&PM, 2012. p. 28)
(Publicado em Antologia Poética - Porto Alegre, RS: L&PM, 2012. p. 28)
terça-feira, 12 de fevereiro de 2019
O MUNDO INTERIOR
POR: GERALDO DRUMOND
Viva sua vida fazendo a sua parte,
cuidando daqueles que lhe são queridos, assumindo a responsabilidade integral
pelos seus acertos e erros. Procure fazer sempre o melhor mesmo que não
enxergue benefícios imediatos. O mundo exterior melhora quando trabalhamos
nosso mundo interior. É a grande contribuição que fazemos a nós mesmos e ao
universo...
ROMA E NIETZSCHE
Alguns
amigos meus apreciam esse pensador contemporâneo Nietzsche. Para conversar com
eles li alguns livros que esse cavalheiro simpático de bigode escreveu. Depois
do livro “O Anticristo”, onde o autor descreve a célebre “Lei contra o
cristianismo”, bem nas últimas páginas, com os sete artigos famosos, prossegui
aprendendo no “Ecce Homo” o porquê de ele escrever livros tão bons assim como o
porquê de sua sabedoria e inteligência. Muito interessante sua forma de
escrever e explicar!
Lendo,
entretanto, o livro “Além do Bem e do Mal”, fui surpreendido pela coincidência sincroníssima
de assistir ao filme Roma. Sim, pois a tensão que se mostra na compreensão da
mulher em cada uma das obras é tão intensa que chama a atenção do leitor.
Em “Roma”
a mulher é retratada como pilar de sustentação, pedra fundamental, pedra
angular, enquanto o homem é ser de qualidade lastimável e que deixa a desejar pois:
não assume seus compromissos, é tosco, foge quando o contexto se torna complexo
e finalmente se situa inevitavelmente em um dos extremos que vai de uma mansidão
servil a uma agressividade cega e sem fundamento. O filme retrata as qualidades
femininas e surpreende ao expor as limitações de um masculino caricato. Curiosamente
caricato, mas facilmente identificável nos noticiários e nas telenovelas da
atualidade.
No capítulo
“Nossas Virtudes” de “Além do bem e do mal” do filósofo niilista encontra-se
uma compreensão da mulher curiosíssima e de qualidade diametralmente oposta.
Senão vejamos no fragmento 234 onde se lê: “... Se a mulher fosse uma criatura pensante
teria descoberto, cozinhando a milênios, os mais importantes fatos
fisiológicos, e teria também aprendido arte da cura! Por más cozinheiras – por total
ausência de razão na cozinha é que a evolução do homem foi mais longamente
retardada, mais gravemente prejudicada: isso pouco mudou em nossos dias”. Uma visão
particular do autor a respeito das mulheres; um convite a pensar.
É curiosa
a forma como o autor compreende e descreve a mulher na referida obra, em
especial no que se refere às “Sete máximas de mulher”, onde ele se solta e
esbanja em intensidade e potência:
1- Como
voa para longe o tédio, quando um homem nos faz o assédio!
2- A
idade, ai! A ciência e a cultura tornam virtuosa até mesmo a menos pura.
3- Vestido
escuro e boca fechada: faz toda mulher parecer – dotada.
4- A quem
sou grata a vida inteira? A Deus – e a minha costureira!
5- Jovem:
caverna com flores. Velha: um dragão diz horrores.
6- Nome
distinto, olhos de fera, além disso homem: ah, quem me dera!
7- Palavra
curta, sentido amplo como um rio: para a jumenta, gelo escorregadio!
Finalmente,
o pensador expressa sua apreciação ao trato às mulheres no oriente e nos
convida a meditar a respeito. Assim no fragmento 238 lemos: “Mas um homem que
tenha profundidade tanto no espírito como nos desejos, e também a profundidade
da benevolência que é capaz de rigor e dureza, não pode pensar sobre a mulher senão
de modo oriental – ele tem de conceber a mulher como posse, como propriedade, a
manter sob sete chaves, como algo destinado a servir e que só então se realiza;
ele tem que se apoiar na imensa razão asiática, na superioridade de instinto da
Ásia, tal como antigamente fizeram os gregos, esses grandes herdeiros e discípulos
da Ásia...”.
Compor
uma síntese onde o feminino e o masculino sejam contemplados em sua importância
e inteireza não é simples. Tal síntese, no entanto, é desejável no momento
presente. A leitura de obras que se contrapõem auxilia na visita aos espaços recônditos,
dos preconceitos e das limitações, mas principalmente é convite ao autoexame. Assim
como o autoexame da mama tem utilidade na profilaxia do câncer de mama, o
autoexame da alma e a compreensão sincera de nossos limites pode ser de grande
utilidade na profilaxia do “câncer” na alma.
Na sua
opinião, entre as polaridades masculino e feminino, qual está cumprindo melhor seu
compromisso com a história humana?
CATÁSTROFES NATURAIS
O homem é ser integrante da natureza. Existem
catástrofes, mas a natureza em si é maravilha.
Para o olho que enxerga, além de ver, a natureza respira
no vulcão que resfria a terra; se acomoda em seu leito esplêndido terremotando
e remontando a terra; banha suas costas com o mar remoto no maremoto, esse mar
maroto; e se enfurece e furacona para se aliviar; afinal de contas quem de nós
não suspira às vezes.
A natureza sempre ajuda, corrige, compensa. Ultimamente
as catástrofes naturais são recebidas com estranheza. As catástrofes, se de
fato hão, são do humano, esse acidente da natureza, que se contrapõe à mãe e
seu convite a ser natural. Escolheu o normal, esqueceu o natural!!
A catástrofe natural mais óbvia talvez seja a catástrofe
humana. A natureza é uma aliada e ensina os movimentos primordiais que nós
humanos devemos operar, sejam o fogo criativo vulcânico que refresca e oferece
matéria prima para o corpo; a água fecundante dos mares que inundam e limpam nossos
recessos mais inférteis para que retornem à fertilidade; o remexer dos
terremotos e de terra que nos recorda de tempos em tempos que a vida é
movimento; finalmente o sopro dos furacões que nos recorda também sermos sopro
e que passaremos como eles.
Qual seria a maior catástrofe, os movimentos de
acomodação da natureza ou o humano e sua paralisia? Há evidências contundentes
de que o humano está paralítico e que a natureza, solene e silente, o encontra
sempre distraído. Seja bem vinda mãe e irmã!
segunda-feira, 14 de janeiro de 2019
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