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domingo, 10 de janeiro de 2016

OS CLASSIFICADORES DE COISAS E ISTO - BERNARDO SOARES - FP


POR: Bernardo Soares – Fernando Pessoa
           
Inhotim - MG

Os classificadores de coisas, que são aqueles homens de ciência cuja ciência é só classificar, ignoram, em geral, que o classificável é infinito e portanto se não pode classificar. Mas o em que vai meu pasmo é que ignorem a existência de classificáveis incógnitos, coisas da alma e da consciência que estão nos interstícios do conhecimento.

Talvez porque eu pense de mais ou sonhe de mais, o certo é que não distingo entre a realidade que existe e o sonho, que é a realidade que não existe. E assim intercalo nas minhas meditações do céu e da terra coisas que não brilham de sol ou se pisam com pés – maravilhas fluidas da imaginação.

Douro-me de poentes supostos, mas o suposto é vivo na suposição. Alegro-me de brisas imaginárias, mas o imaginário vive quando se imagina. Tenho alma por hipóteses várias, mas essas hipóteses têm alma própria, e me dão portanto a que têm.

Não há problema senão o da realidade, e esse é insolúvel e vivo. Que sei eu da diferença entre uma árvore e um sonho? Posso tocar na árvore; sei que tenho o sonho. Que é isto, na sua verdade?

Que é isto? Sou eu que, sozinho no escritório deserto, posso viver imaginando sem desvantagem da inteligência. Não sofro interrupção de pensar das carteiras e da secção de remessas só com papel e cordéis em rolos. Estou, não no meu banco alto, mas recostado, por uma promoção por fazer, na cadeira de braços redondos do Moreira. Talvez seja a influência do lugar que me unge distraído. Os dias de grande calor fazem sono; durmo sem dormir por falta de energia. E por isso penso assim.


Isto
Inhotim - MG
 Dizem que finjo ou minto Tudo o que escrevo. Não. Eu simplesmente sinto Com a imaginação. Não uso o coração. Tudo o que sonho ou passo, O que me falha ou finda, É como que um terraço Sobre outra coisa ainda. Essa coisa é que é linda. Por isso escrevo em meio Do que não está ao pé, Livre do meu enleio, Sério de que não é. Sentir? Sinta quem lê!

SUGESTÃO DE EVENTO 30/01/16


O MARAVILHOSO COMO TERAPIA - FRAGMENTOS

POR: Zília Nazarian – Arteterapeuta  - Afratapem – École d’Art-thérapie de Tours, France
Para obra completa envie email solicitando a: zilianazarian@gmail.com
 
Elementos que compõem o Maravilhoso segundo a autora.
«O MARAVILHOSO COMO INSTRUMENTO FACILITADOR NO ACESSO AO BEM-ESTAR E À BOA QUALIDADE DE VIDA EM JOVENS PORTADORES DE DOENÇAS DEGENERATIVAS»


Introdução
Explorando o poder próprio da arte através de meios específicos, um atelier de arteterapia pode propiciar a uma pessoa portadora de doença degenerativa uma sensação de maravilhamento durante a realização de seu projeto artístico quer como contemplador quer como produtor. Chamaremos essa sensação de «Maravilhoso», traduzida do francês “Merveilleux”. A sensação de prazer e bem-estar propiciada pelo encontro com o «Maravilhoso» pode ser fator de contribuição na melhora de qualidade de vida de jovens deficientes e consequentemente um estímulo para uma projeção futura, ainda que esse futuro seja limitado a um prazo de poucas horas.
O «Maravilhoso» tem sua fonte no mecanismo de imaginação que bem estimulado possibilita a imersão do indivíduo em outra realidade, que o coloca em contato com seu ser mais profundo, íntimo, secreto e que se revela no ato artístico. Esse cruzar de limiar do solo real para o solo imaginário, se bem orientado pelo arteterapeuta, faz com que momentaneamente o paciente se esqueça de seu sofrimento cotidiano e viva seu lado espiritual saudável com liberdade. Sim, porque o homem é feito de um corpo e de um espírito que não são dissociados e que se influenciam mutuamente. Assim, o sentimento de prazer e a sensação de “maravilhamento” que advém desse momento podem repercutir positivamente no bem-estar da pessoa melhorando sua qualidade de vida, pois ela passa a se sentir sujeito de sua vida e não mais um objeto.

O Ser Humano é um indivíduo constituído de um corpo e de um espírito.
Para se desenvolver e prosperar, o homem faz contato com seu meio-ambiente num constante movimento interior/exterior/interior. Segundo Forestier (2011), o homem possui um saber próprio que diz que ele está vivo, capaz de se engajar, de se transformar ao longo do tempo e dos acontecimentos. Esse engajamento é o que o inscreve na existência de sua vida como sujeito. A animação existencial permite a união corpo/espírito do ser humano que se traduz de um lado por um saber corporal fundamental - estratégia natural genética para que o corpo funcione bem, e de outro lado por um sabor existencial, o prazer de viver, que concerne ao gosto e ao estilo característicos da personalidade de cada indivíduo o que faz com que a pessoa atue sobre sua vida com confiança e prazer.
À medida que esse homem se engaja e adquire conhecimento, uma autoregulação entre o saber corporal e o sabor existencial é requerida para que ele alcance bem-estar e qualidade de vida desejáveis.

O Homem busca a satisfação dos seus desejos e uma boa qualidade de vida para ser feliz.
O Homem está sempre à procura de melhorar sua condição de vida no intuito de utilizar da melhor forma suas competências físicas e psíquicas. Vários teóricos pesquisaram e conceberam modelos sobre esse assunto. Entre eles distinguimos Abraham Maslow que enumera os desejos fundamentais humanos em cinco níveis de importância que vão das necessidades fisiológicas à realização como ser humano; já o psicólogo Marshall Rosemberg, credita a satisfação desses desejos organizados em nove famílias, através da comunicação não violenta versada sobre a empatia e a tolerância motivadas pela alegria e impulso do coração; podemos ainda citar a enfermeira Virgínia Henderson que propôs 14 desejos fundamentais baseados em cuidados de enfermagem com pessoas menos favorecidas.
O deficiente motor tem muita dificuldade em satisfazer seus desejos tanto os mais fundamentais quanto os mais superficiais devido à sua falta de autonomia e limitação física e por vezes, intelectual. Portanto, atividades no campo da arte podem ser-lhes benéficas para redescobrir o prazer da existência, diminuir o sofrimento e assim satisfazer certos desejos como, por exemplo, o de se ocupar, de se sentir útil, de ser valorizado pelo outro, de estar inserido num meio social e assim de se realizar como pessoa.

A importância da autoestima
Segundo Christophe Andre (2006), médico-psiquiatra do hospital Sainte Anne em Paris, os altos e baixos da autoestima são normais desde que eles sejam ocasionais ou dentro de um equilíbrio aceitável. O problema aparece quando essa oscilação se torna frequente.
Na vida de um jovem com miopatia, por exemplo, a autoestima sofre constantemente essa instabilidade devido às frequentes adaptações que ele é obrigado a fazer em seu cotidiano.
À medida que a doença progride, o enfraquecimento dos músculos acarreta diversas penalidades como, por exemplo, cirurgias, utilização de tecnologias assistidas e dificuldades em mecanismos humanos básicos como o respiratório, o circulatório, o digestivo, o locomotor, o gestual.
Ainda segundo André, em seu livro em parceria com Lelord, «L’Estime de Soi», a autoestima é constituída de três componentes: a visão de si, o amor de si, e a confiança em si.
A arteterapia tem entre seus objetivos primordiais a revalorização do ser e a restauração da autoestima. No percurso e/ou finalização de uma produção artística, um jovem portador de deficiência física, pode alcançar uma gratificação sensorial de importância tal que o levará a se orgulhar de sua capacidade em produzir algo belo, que lhe agrada. Esse sentimento de orgulho pode lhe trazer uma confiança em si mesmo, antes inexistente. Pode também levá-lo a modificar a visão negativa que ele possa ter de si próprio para uma visão mais positivista e esperançosa. Como consequência, esse jovem poderá desenvolver um sentimento de amor próprio.
A autoestima se revela então um componente importante no desenvolvimento de vida do ser humano para a conquista de seus sonhos e objetivos.

A busca da estética implica numa projeção para o futuro
O filósofo Bertrand Vergely (2010) coloca em evidência o poder da beleza sobre o ser humano: “A beleza não é simplesmente bela, ela é útil. É ela que nos faz viver. É ela que nos dá a força do viver. É ela que nos dá igualmente a razão que caracteriza a humanidade”. A beleza dá um sentimento de prazer e uma sensação de bem-estar que nos inunda. A estética, definida como a “ciência do belo” por Baumgarten (1750), se apoia no campo de sensações agradáveis e implica a expressão personalizada do gosto.
        Um jovem portador de doença neuromuscular perde, por vezes, o interesse pela vida, pela luta cotidiana repleta de sofrimentos e limitações. Mas ao se engajar num projeto artístico, buscando o que ele percebe como belo, esse jovem recupera o impulso motivacional necessário para o viver, para o fazer, o se projetar num futuro objetivando algo de prazeroso para si. É nesse percurso que o encontro com o «Maravilhoso» pode acontecer. A descoberta de sua própria criatividade e capacidade artística pode surpreendê-lo de maneira positiva permitindo nesse momento que o prazer e a alegria substituam seu sofrimento cotidiano.

O mecanismo humano da imaginação
A imaginação é um mecanismo psíquico de base solicitado pelo ato artístico voluntário. Segundo Fayga Ostrower (1977), ela é constituída essencialmente de associações evocadas por similaridades, ressonâncias do íntimo de cada um de nós calcadas em nossas experiências anteriores e com todo um sentimento de vida. «Espontâneas, essas associações afluem em nossa mente com uma velocidade extraordinária». Assim, a capacidade do homem de manipular essas associações mentalmente amplifica seu ser e sua imaginação. O ato artístico será então impulsionado e enriquecido por essa amplitude.
O mecanismo de imaginação é solicitado quando a percepção de qualquer coisa nos cativa, como num processo de criação artística onde ideias e sentimentos se misturam e podem levar o homem a um mundo de fantasia, mundo esse experimental na forma de pensar e agir onde tudo pode se tornar possível. Luis Paulo Baravelli (1998), pintor brasileiro, descreveu bem o poder da imaginação no ato artístico: «A partir do momento que temos um mecanismo de percepção e abstração da realidade, qualquer coisinha é um mundo, a imaginação voa, não para mais. Com um caquinho das listas telefônicas, trabalho o dia inteiro. Não corro atrás dos acontecimentos».

O « Maravilhoso » como é percebido em Arteterapia
Frequentemente constatado em sessões de arteterapia sob a forma de uma sensação de plenitude, de preenchimento do ser o « Maravilhoso » provoca um grande bem-estar no indivíduo. Às vezes essa sensação só perdura por poucos minutos; em outras ela pode permanecer horas após a sessão. Tanto em uma como em outra situação, esse bem-estar tem seu reflexo no comportamento do paciente de maneira positiva, quer aliviando sua ansiedade, sua angústia, seu sofrimento, quer estimulando sua autoestima e incitando projetos futuros.
Segundo alguns dos participantes da pesquisa, o «Maravilhoso» não se apresenta ao acaso. Em um trabalho de produção artística orientado pelo profissional de arteterapia, um paciente pode realizar coisas que ele não pensava ser capaz. Isso se revelará como «Maravilhoso» apenas se o paciente tiver uma reação positiva diante dessa surpresa.
Outros profissionais da área acreditam que a sensação de maravilhamento não é sentida da mesma maneira por todos pacientes em função da personalidade e patologia de cada um. Ela pode ser sentida como um prazer espontâneo momentâneo ou um estado conquistado após um longo trabalho do despertar de sua personalidade.
No caso de um paciente adulto, o «Maravilhoso» pode ser percebido, por exemplo, numa atividade lúdica que permita o acesso a seu imaginário, capacidade humana frequentemente esquecida devido ao cotidiano materialista em que vivemos. Ele pode então reencontrar sua criança interior, o que será ocasião de se maravilhar.
Relatos dos profissionais questionados revelam que o encontro com o «Maravilhoso» tem também seu lugar no momento em que o paciente esquece o olhar e a presença do outro, imerso em sua produção artística ou quando seu olhar se ilumina diante do belo revelado inesperadamente.
Eles também revelam alguns elementos que podem advir e impedir esse encontro com o prazer estético, como por exemplo, a dúvida, a insatisfação, o medo de fazer mal feito, a vontade de estar em outro lugar. É nesse momento que o arteterapeuta pode orientar seu paciente para que supere esses obstáculos e possa talvez mergulhar num prazer maior. Essa orientação pode se dar de diversas formas respeitando sempre a personalidade do paciente e requer muito da empatia já estabelecida na relação arteterapeuta/paciente. Ela pode ser conduzida pelo diálogo e/ou pela sugestão de modificações quanto ao material utilizado e/ou técnica empregada. É importante nesses momentos tentar atrair a atenção do paciente para algo que diminua sua ansiedade e restabeleça um ambiente tranquilizador no espaço terapêutico.

O lugar do « Maravilhoso » na estratégia terapêutica
Todos os 12 arteterapeutas que fizeram parte dessa pesquisa, tanto os brasileiros como os franceses estão de acordo que o encontro do « Maravilhoso » constitui uma alavanca para o acesso ao bem-estar e pode ser um instrumento de apoio terapêutico na projeção do paciente em seu futuro. Para eles, o paciente encontrará o «Maravilhoso» em relação aos seus próprios critérios de sucesso exterior e não àqueles de outra pessoa como o arteterapeuta. É ele, o paciente, que vai julgar a qualidade do que ele fez. Às vezes esse julgamento não é feito de maneira consciente.
Para as pessoas que vivem de uma maneira muito limitada como em hospitais, em prisão ou ainda presos em sua própria patologia, esse encontro pode simbolizar uma janela terapêutica dando liberdade ao espírito de descobrir outras maneiras de viver.
No quadro hospitalar, por exemplo, essa abertura do espírito pode trazer esperança, pode contribuir a diminuição de medicamentos devido a uma renovação do elã vital do paciente.
Assim, trazer elementos do exterior que possam provocar um momento positivo de encantamento e prazer em um indivíduo num campo de atividade artística diferente do seu habitual, pode vir a ser um estímulo forte na sua recuperação. Uma flor perfumada apresentada ao início de uma atividade de desenho pode criar uma sensação de « Maravilhoso » graças à experiência olfativa capaz de levar o paciente a se evadir de seu sofrimento e motiva-lo na sua capacidade criativa; ver um vídeo musical pode ser um meio portador de encantamento tal que ative mecanismos mnésicos raramente utilizados.
Outras situações exteriores ao indivíduo podem ser fator de encontro com o «Maravilhoso» - um filme, um relato, um conto de fadas, um conto fantástico. Quanto mais a atuação da pessoa for espontânea, mais probabilidade de se deixar inundar pelo prazer estético.

O « Maravilhoso » na relação paciente - arteterapeuta
Notemos igualmente a importância do « Maravilhoso » na cumplicidade nascida entre o paciente e seu arteterapeuta. A associação de duas pessoas pode proporcionar um momento de prazer intenso se traduzindo por rostos que se iluminam, por sorrisos, por elementos sutis que não podem ser previstos. Isso pode acontecer após um processo relacional de qualidade que vai além da qualidade do protocolo terapêutico ou processo terapêutico em arteterapia.

Um benefício para a criatividade
O teatro e a dança são também atividades artísticas onde o « Maravilhoso » pode ser muito benéfico para o desenvolvimento da criatividade; um personagem, uma imagem, se tornam corpo e vida numa representação e por alguns instantes uma pessoa torna real o que existia apenas em sua imaginação.
Podemos dizer que o « Maravilhoso » é impalpável. Nós o sentimos como o perfume de uma rosa presente. Ele pode sim ser considerado como uma estratégia terapêutica, mas o caminho pode ser longo, pois tudo vai depender do estado de saúde da pessoa.

CRIATIVIDADE IV

POR: MÁRIO INGLESI
Continuação de:

Dr. Ricardo

Se precisar, ainda mais, reportemo-nos à doença de Lou Gerhing (tipo de esclerose, terrificante, com sérias consequências) que acometeu o físico Stephen Hawking. Graças aos engenheiros do Vale do Silício, “criadores” de softwares e um teclado especial, acoplado à cadeira de rodas, deram oportunidade ao físico e a outros portadores da mesma, ou semelhante doença, de continuarem, até hoje seus importantes trabalhos no ramo da física ou de outros ramos não menos importantes. E mais, criamos e aprendemos a lidar com dores e demais disfunções orgânicas, graças à criatividade e o aprendizado do setor medicinal e farmacológico.

Aliás, a criação e a criatividade não se restringem ao fazer, mas também a formar, transformar, deformar, figurar, desfigurar, salientar, como, a exemplo, nas artes plásticas, os pintores e escultores famosos, como Picasso, Miró, ou, até mesmo, registrar, reciclar, criar conceitos, propagar, - hoje de modo sofisticado -, produtos e instituições de toda sorte e qualidades, transgredindo ainda a padrões, tabus, preconceitos, como ainda, inventando e mudando cores e colorações, promovendo mudanças de órgãos humanos, como sexo, coração, rins etc., e transformando formas, físicas e visuais, com operações plásticas, implantes, para correção ou aperfeiçoamento, bem como transplantes de órgãos vitais para conservação da sua funcionalidade.

Inhotim - MG


Enfim, é o habitar-se num “Mundo Livre S/A”, - talvez como o próprio - apenas para um futuro, a não ser, obviamente, incerto e duvidoso, pois proposto apenas pelo sonhar humano, inundando todo o planeta e seus habitantes com o seu realizar subjetivo-objetivo, agora também, em ruas, avenidas, praças, viadutos, tudo a céu aberto., para quem quiser e para o que der e vier. Eis, então alguns nomes, a destacar, entre muitos outros em suas diversas áreas, nessa floração: “Os Gêmeos, “Kobra”, “Alex Senna” etc., na área do grafismo, “Vic Muniz artista plástico e fotógrafo com trabalho em novas mídias e outros materiais, oriundos do lixo, da reciclagem, da borra de café etc., com trabalho em museus e galerias do Brasil e de grandes capitais europeias. É também conhecido pelo seu documentário Lixo Extraordinário, feito com a colaboração de catadores de materiais. Alex Cerveny e suas minúsculas ilustrações transcendendo a nossa realidade, levando-nos a um mundo onírico... Há ainda, com seu design-arte, os Irmãos Campana, e, noutra ponta, também a ser destacada, a artista plástica Beatriz Milhazes, cultuada pela cor onipresente em abstrações geométricas, cujo olhar nos embevece e encanta. Não equidistante, na arena musical, além de toda a gama de novos instrumentistas criadores, de classe internacional e de ponta, há que citar as novidades trazidas pela Bossa Nova e toda a geração de grandes compositores e cantores que lhe advieram cada um com sua personalidade artística de cunho duradouro e marcante, já que, agora, na era de “produto”, apresentada pela, influente indústria cultural, é realmente difícil distinguir o trigo do joio.

Felizmente, na área da música, podemos contar também com audições de Padre José Maurício, Villa-Lobos, a começar pelo “Trenzinho Caipira”, Camargo Guarnieri, Gilberto Mendes, Almeida Prado, e a “Música Nova”, sob a batuta do compositor Schoenberg e outros, com suas matrizes e influências como o maestro e compositor Pierre Boulez.

Na arena literária, como escritores, articulistas, poetas e outros vieses, citemos, no Brasil, a título apenas de exemplificação, os clássicos nacionais, como os poetas, Castro Alves, Gonçalves Dias, Mário e Oswaldo de Andrade, João Cabral de Mello Neto e escritores: Machado de Assis, José de Alencar, Euclides da Cunha, Guimarães Rosa, Graciliano Ramos, Jorge Amado entre muitos e muitos outros, poetas e escritores, assim como os ora, mais recentes, já consagrados Milton Hatoum, Leminski, Waly Salomão. Torquato Neto, José Agripino de Paula, Francisco Alvim e outros, todos da Geração 70, bem como os mais recentes Antônio Prata, Fábio Porchat, Gregório Duvivier, Adriana Falcão, Humberto Werneck e uma infinidade de outros autores que nos tornam a vida cada dia mais auspiciosa e bonita.



Nesse apanhado, configuram ainda os médicos, em suas diversas categorias e habilitações, os físicos, os engenheiros, os arquitetos as coreógrafas: como Pina Bausch (1940-2009) e Deborah Colker (1961-) , que mudaram a visão da dança contemporânea, ou, ainda a poetisa Elisabeth Bishop (1911-1979), envolvida em discutido relacionamento amoroso, ou ainda no setor feminino: a ficcionista, poetisa e teatróloga, Hilda Hilst, (1930-2004) poeta, teatróloga ficcionista, com o inusitado cognome final de se apresentar como insufladora do politicamente incorreto, Hannah Arendt (1906-1975), discutida ensaísta emérita, conhecida por seus escritos sobre a” banalidade do mal” e, finalmente Susan Sontag (1933-2004) cujos escritos revelam seu ideal sobre os direitos humanos e a intervenção da intelectualidade nas guerras, e, ainda, no campo nacional, Leila Diniz, (1945-1972) reveladora da atuação “livre para voar e mais toda a sorte de outros (as) profissionais ou não, cujo trabalho enriqueceu ou vem a enriquecer sobremaneira e prioritariamente a nossa saúde, conforto e bem-estar, assim como a beleza de que cercam a nossa vivencia neste pequeno pedaço do Universo.

Esse mundo, - vasto mundo - tal como em O Mágico de Oz” é



“Em algum , lugar além do arco-íris

Bem lá no alto

Tem uma terra que eu ouvi falar

Um dia numa canção de ninar.

 - - - - - - - - - - - - - - - - - -

Os céus são azuis

E os sonhos que você ousa sonhar

Realmente se realizam

- - - - - - - - - - - - - - - - - - - -


Inhotim - MG
 

Ah! Felizes de nós, estarmos salvos. E realizados. Não fora tudo isto acontecer, temos ainda, em MG, o Instituto Inhotim, museu de arte contemporânea a céu aberto. Caso contrário – nos poupe! – só nos restaria a triste e terrível condição aflorada pelo poeta e pensador Francisco Otaviano (1825-1889):



“Quem passou a vida em brancas nuvens

E em plácido repouso adormeceu,

Quem não sentiu o frio da desgraça,

Quem passou pela vida e não sofreu

Foi espectro de homem, não foi homem,

Só passou pela vida, não viveu.”



Êta Coisa triste! nem sementes, nem ideias, quaisquer que sejam, nada vinga, nada brota, e, quaisquer páginas em branco, assim continua, como terreno deserto e, só ou apenas, poeirento, como idealizou, sabiamente o poeta Mario Quintana, sobre “Máquina de Escrever”, - Do Caderno H.

Mas a vida se nos apresenta sempre com facetas díspares, o que, enredada pelo teor democrático, que se apresenta sempre assaz necessário, faz com que a criatividade humana faça milagres de beleza coadjuvados de benefícios sociais da maior importância.

Inhotim - MG


Assim, é “prato feito” ter em mente o refrão do Hino da Proclamação da República:

“Liberdade! Liberdade! Abra as Asas sobre Nós”.

SALVE 2016! x SALVE-SE QUEM PUDER EM 2016!




Leia na íntegra: Edição 73 http://www.cremesp.org.br/?siteAcao=RevistaSerMedico

Começo o ano recebendo em casa a revista “Ser Médico” do Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo, e lá li:
Artigo especial sobre “Como formar um bom médico humanista?”. Artigo interessante na contramão do que se vê no momento em que o humano, aprendiz a partir de exemplos, nada na abundância daqueles que papel higiênico algum bastaria. Isso por Hygeia ser a representante grega da higiene na saúde pública. Humanismo é busca insólita nesse momento em que valores humanistas são recebidos sob-risos, risadas e gargalhadas pelas “altas esferas” do plano físico, enquanto aguardamos mais um carnaval, a nova novela e o próximo campeonato.
Estava lá escrito assim, dito por um xará quartanista de renomada instituição: “Quando um aluno fala em ética ou bioética, os outros riem dele”. Um convite à meditação. O homem meditabundo é semente humanista a germinar. Germinemos em amor.
Mas, considerando, desconfiado, haver algo louvável no texto, pingo um tijolo nessa obra: assista ao filme brasileiro “O Cheiro do Ralo”, atente à dinâmica de relação entre opressor e oprimido e depois me digam. Com os votos cordiais de que aprendamos a eleger melhores "opressores" para dividir o orçamento dos impostos de modo mais fraterno.


Depois, li lá também um artigo bem legal sobre armamentos e a perda da capacidade de indignação. Estava escrito que o gasto com armamentos atual é mais de 200 vezes maior que o que se gasta para combater a fome. Para nós brasileiros isso é muito chocante, pois aqui nasceu o maior estudioso do mundo sobre essa questão, o inigualável médico Josué de Castro. Leiamos nas escolas médicas a obra desse ilustre médico, especialmente “Geografia da Fome” e “Geopolítica da Fome”.
Lembremos apenas que fome não deve ser combatida ou morta, senão apenas as pessoas alimentadas; e a meu ver, não há nenhum combate quando alimentamos alguém. Quando aprenderemos a usar melhor as palavras? Enquanto a linguagem for de combate e morte, me parece óbvio que se gaste cada vez mais com armamentos. Meditemos. O estado meditabundo é a promessa do médico humanizado. O que acha?
Ainda sobre os armamentos, estava lá escrito sobre o recente bombardeio pela força aérea estadunidense em três de outubro de 2015 de uma unidade do Médico Sem Fronteiras (MSF) no Afeganistão. Apesar das desculpas do presidente Obama à MSF pela morte de doze profissionais do MSF e doze pacientes, a médica Joanne Liu, presidente internacional da MSF fala em crime de guerra e interpreta o fato como violação imperdoável do Direito Internacional Humanitário. O que leva alguém a trabalhar no Médico Sem Fronteiras?
Depois ainda li lá um artigo assim: “Um mundo tão desigual é viável?”. Disse que, segundo o banco Credit Suisse, 1% da população mundial detém quase 50% da riqueza produzida no planeta. Os outros 99% dividem, em partes também desiguais, os cerca de 50% restantes. A autora, Kátia Maia se mostrou indignada com o fato de 85 pessoas apenas serem donas da quantia equivalente ao que a metade da população mais pobre do planeta tem.


O jornal El País fez uma reportagem interessante sobre isso em 17/10/2015:
Quem quiser ver o relatório e a pirâmide de distribuição acesse:
http://ep00.epimg.net/descargables/2015/10/14/81cef5bbe2878e321682f7adfde25ec6.pdf
Um Amigo falou certo dia sobre a economia: “Daí a César o que é de César e a Deus o que é de Deus”, mas com o advento da modernidade Deus foi anexado aos domínios de César. Assim, humanizamos a moeda! Ao menos é o que se nota nas Américas quando ao norte lemos nos dólares “In God we Trust” (Acreditamos em Deus) ou mais recentemente ao sul nas notas de dinheiros dos Estados Unidos do Brasil onde se lê: “Deus seja louvado”. Talvez “Deus nos proteja” seja alternativa evolutiva interessante a se considerar nas impressões futuras.
Essas reportagens da revista “Ser Médico” iniciando 2016, ano chinês macaco de fogo, aliadas ao estado atual das coisas fazem pensar se cabe um “salve 2016” ou um “salve-se quem puder em 2016”! Será que as autoridades falam de coração quando o assunto é humanizar?