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terça-feira, 28 de agosto de 2012

CUIDADOS PALIATIVOS - SAÚDE DO VIVER I


FRAGMENTOS DO LIVRO “LIÇÕES SOBRE AMAR E VIVER” – PARTE I
Coletânea de textos sobre Cuidados Paliativos e Tanatologia
Organizador: Prof. Dr. Marco Tullio de Assis Figueiredo


Vera Anita Bifulco
Psicóloga do Setor de Cuidados Paliativos da Disciplina de Clínica Médica da Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina.

MORRIE SCHWARTZ
A VIDA COM LIMITAÇÕES FÍSICAS
NÃO SE DEIXE DOMINAR POR PREOCUPAÇÕES COM SEU CORPO OU DOENÇA
RECONHEÇA QUE SEU CORPO NÃO É SEU EU TOTAL, SOMENTE PARTE DELE.

ADMINISTRANDO A FRUSTACÃO
QUANDO VOCÊ ESTIVER TOTALMENTE FRUSTADO OU FURIOSO,
EXPRESSE ESSES SENTIMENTOS. NÃO É PRECISO SER
SIMPÁTICO O TEMPO TODO - SÓ A MAIOR PARTE DO TEMPO.

BUSCANDO A ACEITAÇÃO
A CERTA ALTURA, ESTEJAMOS PREPARADOS PARA LIDAR COM SENTIMENTOS PROFUNDOS E CONTRADITÓRIOS – POR EXEMPLO,
QUERER VIVER E QUERER MORRER,
AMAR OS OUTROS E NÃO GOSTAR DELES.

REVENDO O PASSADO
ACEITE O PASSADO COMO PASSADO, SEM NEGÁ-LO OU DESCARTÁ-LO.
TENHA SUAS LEMBRANÇAS, MAS NÃO VIVA NO PASSADO.
APRENDA COM ELE, MAS NÃO SE CASTIGUE A RESPEITO DELE
NEM LAMENTE O TEMPO TODO SUA PASSAGEM.
NÃO FIQUE ATOLADO NO PASSADO.
A RAIVA E O RESSENTIMENTO NÃO TIRAM FÉRIAS SÓ PORQUE UM DOS ENVOLVIDOS ADOECEU SERIAMENTE.
APRENDA A SE PERDOAR E A PERDOAR OS OUTROS.
PEÇA PERDÃO AOS OUTROS, O PERDÃO ENTERNECE.
O CORAÇÃO ESGOTA O RANCOR E DISSOLVE A CULPA.
(LIVRE-SE DA CULPA, O PERDÃO AJUDA A ENTRAR EM HARMONIA COM O PASSADO)

MANTENDO UM ENVOLVIMENTO ATIVO NA VIDA
PROCURE OCUPAR-SE OU CONCENTRAR A ATENÇÃO EM QUESTÕES QUE SEJAM DO SEU INTERESSE, QUE LHE SEJAM IMPORTANTES E LHE DIGAM RESPEITO.
MANTENHA UM ENVOLVIMENTO APAIXONADO COM ELAS.
NÃO PARTA DO PRESSUPOSTO DE QUE É TARDE DEMAIS PARA SE ENVOLVER
OU PARA REDIRECIONAR SEUS INTERESSES.
PODEMOS ENCONTRAR A ALEGRIA EM PRATICAMENTE QUALQUER SITUAÇÃO SE ESTIVERMOS ABERTOS PARA A EXPERIÊNCIA DA FELICIDADE.

RELACIONANDO-SE COM OS OUTROS
RECONHEÇA A DIFERENÇA ENTRE SEUS DESEJOS E SUAS NECESSIDADES.
A NECESSIDADE DE SE SENTIR LIGADO A OUTRAS PESSOAS É TÃO VITAL
PARA A SOBREVIVÊNCIA HUMANA QUANTO O ALIMENTO, A ÁGUA E O TETO.
FALE ABERTAMENTE SOBRE SUA DOENÇA COM OS QUE SE DISPUSEREM A OUVIR.
ISSO IRÁ AJUDÁ-LO A ENCARAR SUAS PRÓPRIAS VULNERABILIDADES,
BEM COMO AS DO PACIENTE.

A GENEROSIDADE PARA CONSIGO MESMO
QUANDO ESTAMOS DOENTES, PODEMOS TER MAIOR LIBERDADE
PARA SER QUEM REALMENTE SOMOS E QUEREMOS SER
PORQUE AGORA NÃO TEMOS NADA A PERDER.

DESENVOLVENDO UMA LIGAÇÃO ESPIRITUAL
PROCURE AS RESPOSTAS PARA AS QUESTÕES ETERNAS E ESSENCIAIS
SOBRE A VIDA E A MORTE,
MAS PREPARE-SE PARA NÃO ENCONTRÁ-LAS.
USUFRUA DA BUSCA.
SEJA GRATO POR LHE SER CONCEDIDO O TEMPO NECESSÁRIO
PARA APRENDER A MORRER.

REFLETINDO SOBRE A MORTE
APRENDA A VIVER E SABERÁ MORRER.
APRENDA A MORRER E SABERÁ VIVER.


terça-feira, 21 de agosto de 2012

AGOSTO BOM GOSTO - SAÚDE NA SOLIDÃO

Agosto com gosto – Neste mês, troque pílulas e comprimidos de doença por Pílulas, Pérolas e Pétalas de saúde... Poesia é alimento para a alma, morada da saúde muito antes do corpo físico... A desnutrição da alma, ou anímica, é destino dos que ouvem o canto da sereia e ignoram o canto do "Ser Eu". E você?

Laurence Von Thomas - “If You Leave”
 
Rilke – Sobre solidão – Saúde na solidão

            Na minha infância, quando todos sempre me tratavam mal, e eu me sentia infinitamente abandonado, tão completamente perdido no desconhecido, pode ter havido um momento em que desejei muito ir para outro lugar. Mas então, enquanto as pessoas continuavam estranhas a mim, eu me dirigi às coisas e delas soprou uma alegria, uma alegria de ser, que sempre permaneceu uniformemente serena e forte e jamais comportou uma hesitação ou uma dúvida. Na escola militar, após longas e inquietas lutas, abandonei minha intensa piedade de criança católica, livrei-me dela, para ser ainda mais sozinho, ainda mais inconsolavelmente sozinho. Das coisas, porém, e sua maneira de tolerar e durar pacientemente, veio mais tarde para mim um novo amor, maior e mais pio, um tipo de crença que não conhece medo nem limites. A vida também é uma parte dessa crença. Oh, como creio nela, na vida. Não a vida constituída pelo tempo, mas essa outra vida, a vida das pequenas coisas, a vida dos animais e das grandes planícies. Essa vida que dura através dos milênios, aparentemente sem participação e, contudo, no equilíbrio de suas forças, cheia de movimento e crescimento e calor. Por isso as cidades pesam tanto sobre mim. Por isso amo percorrer longos caminhos descalço, para não perder nenhum grão de areia e dar meu corpo o mundo inteiro em múltiplas formas como sensação, acontecimento e afinidade. Por isso vivo, quando possível, de verduras, para estar perto da consciência simples da vida, não intensificada por nada de estranho; por isso não bebo vinho, pois quero que apenas meus sucos falem e rumorejem e tenham bem-aventurança, como nas crianças e nos animais, da profundeza de si mesmos! E por isso quero despir de mim toda arrogância, não me alçar acima do mais ínfimo animal e não me considerar mais magnífico do que uma pedra. Mas ser o que sou, viver o que me foi destinado viver, querer soar o que ninguém mais pode soar, brotar as flores ditadas ao meu coração: é isso o que quero – e isso decerto não pode ser arrogância.

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

SOBRE COMO A PERCEPÇÃO DO TEMPO INFLUENCIA O SABER



Quando alguém pensa e desenvolve raciocínio de aprender, só aprende quando consegue encaixar no tempo. Compreender algo é fazê-lo dentro da compreensão do tempo, que em algum lugar começou, mas cujo fim não há como saber. Apesar disso, alguns dizem que acaba, e junto com o corpo. Eu não sei, fico confuso e pensando em círculos.
Parece um vício, mas o pressuposto para muitos é que houve algo antes e haverá algo depois, por isso que eu acho existem os professores. Como vieram antes podem ousar ensinar aos que vem depois. Mas me confundo, alguém não disse que as crianças e sua pureza são o nosso fim? Então porque os professores ensinam e não as crianças?




Acostumados a aprender com o tempo e o pressuposto de um início, marca contumaz de quem acredita que a realidade única é material, esquecemos como aprender! Aprender não é saber e aprender com o tempo é achar que algo pode ser sabido, conquistado, dominado e construído. Aprender no tempo permite a ilusão de que o conhecimento pode ser construído e nesse engano, achar que o antigo é ultrapassado, velho, superado e que não vale mais, ficou sem valor. Eu tenho dúvida, mas acho que vale sim. Erro da modernidade é pensar a ciência como uma construção racional material e equacionada de um universo do qual parcamente e porcamente se sabe algo; ou me equivoco?
Saber no tempo é saber sobre um ponto, um pequeno ponto que fixo quer deixar sua marca em outro tecido, esse sim da “sabença” e da sabedoria. Tecido pleno, que funciona dentro de outro pressuposto que não o temporal, mas o atemporal, ou do não tempo. Ou como diria Guimarães em Grande Sertão: Veredas:

Pois, não existe! E se não existe, como é que se pode se contratar pacto com ele? E a idéia me retoma. Dum mau imaginado, o senhor me dê o lícito: que, ou então - será que pode também ser que tudo é mais passa - do revolvido remoto, no profundo, mais crônico: que, quando um tem noção de resolver a vender a alma sua, que é porque ela já estava dada vendida, sem se saber e a pessoa sujeita está só é certificando o regular dalgum velho trato - que já se vendeu aos poucos, faz tempo? Deus não queira; Deus que roda tudo! Diga o senhor, sobre mim diga.”

Pensar no não tempo ou no atemporal ou na perspectiva do eterno, é pensar sem saber, é pensar onde habita o ser. Esse pensar resolve o dilema do ovo e da galinha e sobre quem veio antes. Pensar na perspectiva da eternidade é algo difícil para quem observa o nascer e o morrer e aprende que a cada dia, que a vida passa...
Mudar o pressuposto ou quem sabe elevar o pensamento ao ponto de conceber estas duas possibilidades simultaneamente ocorrendo, eleva o homem e o humano a um novo patamar de observação. O patamar da possibilidade de entrar em comunhão com tudo aquilo que não está manifesto na realidade da matéria. Tudo que aí habita está além do acessível ao nosso atual estado de consciência. No vídeo abaixo, Dean Radin oferece uma explicação sobre a relação do tempo com a consciência; o tempo realmente existe ou é uma ilusão?


Para os interessados, vale acessar a sequência de vídeos sobre a questão, no site: http://www.youtube.com/user/scienceandnonduality
Nesse plano pleno o eterno que tudo "observa" e "permite", o temporal, como pipoca, explode a partir do milho e floresce para encontrar-se consigo mesmo.
Não é simples admitir o temporal e o eterno como realidades coexistentes e intrincadas, pois é preciso se aventurar a deixar de pensar em como as coisas podem ser ou não ser e permitir que ser ou não ser possam estar ocorrendo simultaneamente! Mas quem sabe? Eu não sei, eu acho...
No eterno é possível encontrar tudo o que não está materializado, manifesto, enfim tudo o que não se sabe. De certa forma pensar na perspectiva da eternidade é uma forma de saber. Não é um saber sabido não, mas um saber sabendo! É um lugar que até o particípio e o gerúndio se encontram, mas não brigam. É um lugar em que o saber liberta, não mais aprisiona em conceitos unilaterais e cumulativos.
Eterno e temporal, irmãos que se encontram no caminho estreito onde o saber e a Sabença se encontram para o banquete da vida que é luz, mas é amor também.

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

AGOSTO BOM GOSTO - A VOZ E A SAÚDE DA ALMA

Agosto com gosto – Neste mês, troque pílulas e comprimidos de doença por Pílulas, Pérolas e Pétalas de saúde... Poesia é alimento para a alma, morada da saúde muito antes do corpo físico... A desnutrição da alma, ou anímica, é destino dos que ouvem o canto da sereia e ignoram o canto do "Ser Eu". E você?



Francisco Xavier – Livro Calma – A voz e a Saúde da alma

A voz humana está carregada de vibrações
Esforça-te por evitar os gritos intempestivos e inoportunos.

Uma exclamação tonitruante equivale a uma pedrada mental.
Se alguém te dirige a palavra em tom muito alto,
faze-lhe o obséquio de responder em tom mais baixo.

Os nervos dos outros são iguais aos teus:
Desequilibram-se facilmente.
Discussão sem proveito é desperdício de forças.

Não te digas sofrendo esgotamento e fadiga para
poder lançar frases tempestuosas e ofensivas;
Aqueles que se encontram realmente cansados
procuram repouso e silêncio.

Se te sentes à beira da irritação
estás doente e o doente exige remédio.
Barulho verbal apenas complica.
Pensa nisso: a tua voz é o teu retrato sonoro.

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

PENSAMENTOS DA VIDA E DA MORTE


Por: Luca Fontana (11 ANOS)
                                          
Quando nós morremos nós nascemos em outro mundo ou dimensão. Quando morremos naquela dimensão nós nascemos neste mundo. A imortalidade existe dessa maneira assim como o ciclo da água. A água nasce como nuvem e morre como chuva. Mas ela está sempre voltando. A pessoa que quer ser imortal está morta em outro mundo.

 
Quando estamos doentes estamos meio mortos nesse mundo e meio vivos no outro.
Abraços do Luca.

AGOSTO BOM GOSTO - CANÇÃO DOS AMANTES MORTOS


Agosto com gosto – Neste mês, troque pílulas e comprimidos de doença por Pílulas, Pérolas e Pétalas de saúde... Poesia é alimento para a alma, morada da saúde muito antes do corpo físico... A desnutrição da alma, ou anímica, é destino dos que ouvem o canto da sereia e ignoram o canto do "Ser Eu". E você?


Pablo Neruda – Canção dos Amantes Mortos – Saúde no amor

Ela era bela e era boa.
Perdoai-a, Senhor!

Ele era doce e era triste.
Perdoai-o, Senhor!

Dormia nos seus braços brancos
Como uma abelha numa flor.
Perdoai-o, Senhor!

Amava as doces canções,
ela era uma doce canção!
Perdoai-a, Senhor!

Ao falar era como se alguém
houvesse chorado em sua voz.
Perdoai-o, Senhor!

Ela dizia: – “Tenho medo.
Ouço uma voz ao longe”.
Perdoai-a Senhor!

Ele dizia: - “Tua mão pequena
nos meus lábios”.
Perdoai-o Senhor!

Olhavam juntos as estrelas,
não falavam de amor.

Se morria uma borboleta,
choravam os dois.
       Perdoai-os Senhor!

Ela era bela e era boa.
Ele era doce e era triste.
E morreram da mesma dor.

Perdoai-os,
Perdoai-os,
Perdoai-os, Senhor!

 

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

AGOSTO BOM GOSTO - DISTRAÍDOS

Agosto com gosto – Neste mês, troque pílulas e comprimidos de doença por Pílulas, Pérolas e Pétalas de saúde... Poesia é alimento para a alma, morada da saúde muito antes do corpo físico... A desnutrição da alma, ou anímica, é destino dos que ouvem o canto da sereia e ignoram o canto do "Ser Eu". E você?


Clarice Lispector – Distraídos – Saúde nos relacionamentos
Havia a levíssima embriaguez de andarem juntos, a alegria como quando se sente a garganta um pouco seca e se vê que por admiração se estava de boca entreaberta: eles respiravam de antemão o ar que estava à frente, e ter esta sede era a própria água deles. Andavam por ruas e ruas falando e rindo, falavam e riam para dar matéria e peso à levíssima embriaguez que era a alegria da sede deles. Por causa de carros e pessoas, às vezes se tocavam, e ao toque – a sede é a graça, mas as águas são uma beleza de escuras – e ao toque brilhava o brilho da água deles, a boca ficando um pouco mais seca de admiração. Como eles admiravam estarem juntos!
Até que tudo se transformou em não. Tudo se transformou em não quando eles quiseram essa mesma alegria deles. Então a grande dança dos erros. O cerimonial das palavras desacertadas. Ele procurava e não via, ela não via que ele não vira, ela que estava ali, no entanto. No entanto ele que estava ali. Tudo errou, e havia a grande poeira das ruas, e quanto mais erravam, mais com aspereza queriam, sem um sorriso. Tudo só porque tinham prestado atenção, só porque não estavam bastante distraídos. Só porque, de súbito exigentes e duros, quiseram ter o que já tinham. Tudo porque quiseram dar um nome; porque quiseram ser, eles que eram. Foram então aprender que, não se estando distraído, o telefone não toca, e é preciso sair de casa para que a carta chegue, e quando o telefone finalmente toca, o deserto da espera já cortou os fios. Tudo, tudo por não estarem mais distraídos.