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sexta-feira, 29 de janeiro de 2021

SENTIDO DE VIDA - ASTROLOGIA

2021

Veja: Por que os médicos deveriam se interessar por astrologia?

            O medo é séria ameaça ao desenvolvimento espiritual e arqui-inimigo do progresso evolutivo, pois congela a atuação e limita a liberdade. A coragem é uma fundamental a ser cultivada. Mesmo no engano e no erro aprendemos; aprendemos como não fazer e como melhorar. Erros são a matéria prima para a mudança, são as experiências que no ensinam a fazer o certo.

            Nosso trabalho no mundo não deve ser negligenciado em hipótese alguma. Estamos aqui para realizar certas tarefas e aprender por meio delas. Depois de atender a esses deveres, vejamos se ainda nos sobra algum tempo para aplicar ao autodesenvolvimento. É tão importante usar acertadamente esse tempo, como cumprir os deveres terrenos para com a família e obrigações sociais.

            Já refletiu por que Cristo sugeriu que deveríamos curar os enfermos? Uma das razões é que aliviado de um sofrimento a fé aumenta e melhora as condições para sanar a alma. Quando alcançarmos a elevada estatura de Cristo e pudermos ver simultaneamente passado e futuro, compreenderemos as causas das crises e doenças e não precisaremos de ajuda para diagnosticar e medicar. Até que esse dia seja, devemos usar as muletas que temos, e uma delas é a astrologia.


sexta-feira, 13 de novembro de 2020

A PARTE E O TODO


 

          O termo holos em grego expressa a ideia de inteireza e integridade. Para o conhecimento médio o todo se compõe das partes que o constituem, o todo é a soma dessas partes. Essa forma de conhecer associa parte e todo com o quebra-cabeça, assim como com a natureza inorgânica.

O inusitado surge, no entanto, quando se adentra o universo do orgânico onde um princípio organizador atua não apenas sustentando a forma, como também a transformando. Esse princípio pode ser compreendido como um epifenômeno ou como um nível superior de organização que atua sobre o nível inferior. Em qualquer desses casos, observáveis nos reinos vegetal, animal e humano, o que denominamos todo é sempre maior que a soma de suas partes.

Em outras palavras, enquanto no mundo inorgânico um mais um resulta dois, no mundo orgânico o resultado é sempre maior que dois. Saímos da matemática do inorgânico e adentramos a “matemágica” do orgânico. Esse conceito do todo poder ser maior que suas partes é a melhor aproximação desse termo holos.

Os termos shalom e salam, derivados de línguas semíticas, chegam à nossa gramática como paz. No entanto, naquelas línguas eles compreendem um sentido de integridade que pode ser inclusive transposto para objetos inanimados. Ou seja, posso dizer que uma vassoura está em paz! Pois está inteira e, portanto, íntegra.

Podemos então resgatar a compreensão de saúde enquanto estado pleno do ser. Se estou em paz e se estou inteiro, estou íntegro e integrado. As práticas integrativas almejam e propõem algo justamente nesse sentido.

Pessoas não integradas, ou seja, que romperam consigo mesmas, perderam a relação com sua essência, que em grande parte das tradições está relacionada ao coração. Daí o termo corrupto (cor – coração / rupto – roto); quando rompo com minha porção mais essencial é como se rompesse com o coração. Nessa corrupção, nessa rotura cardíaca está o princípio do adoecimento. Adoecimento que não ocorre como uma patologia que se instala instantaneamente, senão como estado de mal-estar ou de perda da paz interior. As práticas integrativas visam restabelecer a paz interior, a integridade perdida, antes que a doença se manifeste no corpo físico.


terça-feira, 9 de abril de 2019

PARTILHAR


POR: GERALDO DRUMOND


Viajo na emoção.... Sou só emoção. Onde ela me leva eu vou e fico, até que outra venha e me leve. E assim vou vivendo torcendo para que o próximo lugar que eu vá seja ameno, leve, amoroso! Parece que dependo do mundo estar bem e das emoções serem amorosas para que eu me sinta bem. Penso que é por isto que desejo tanto amor, partilhar, pois assim vou me beneficiar dos ventos benfazejos das paixões dos afetos, dos quereres bem... O mal me desnorteia o medo me apavora a separação me aniquila. Será que sou só emoção? Cresci assim vou morrer assim, vou sempre estar ao sabor das emoções? Cadê minha razão para contrapor a tanto amor, a tanto querer?

ASPECTOS DA PSICANÁLISE E RELAÇÃO AMOROSA



Por: José Geraldo M. Meireles - Psicólogo

No contexto convulsionado em que estamos inseridos, não acredito que os anseios do homem consciente restrinjam-se a uma casual e modesta participação no cenário socioeconômico contemporâneo. As mudanças têm sido rápidas e profundas. Não nos resta, em nível individual e coletivo, outra alternativa senão procurar soluções novas e vencer desafios.
Muitos se sentem perplexos. Angustiam-se, e a incerteza instala-se. Deparam-se com dilemas inevitáveis que englobam “o princípio do prazer” - o desejo é inquietante e indomável - e "o princípio da realidade".
Situar a psicologia moderna significa reconhecer que se iniciou com Freud, pois coube a ele o grande mérito da descoberta do inconsciente: objeto da psicanálise. Sua descoberta revolucionou o início do século XIX e a nossa compreensão em relação a nós mesmos. Deduziu a existência do inconsciente, após contatos persistentes e minuciosos com seus pacientes. Pela fala, é possível curar e aliviar o sofrimento psíquico. Por inovar, encontrou muitos opositores. Sua genialidade permitiu supor estar na sexualidade a causa dos transtornos psíquicos: descarregar a energia (no ato sexual, por exemplo) dá prazer. Contê-la ou reprimi-la, ao contrário, provoca desprazer. Ao considerar-se a vitalidade física e psíquica, a sexualidade faz parte da existência, porém desvinculada do afeto, resulta em decepção e frustração.
Em se tratando de decepção e frustração, Hélio Pellegrino – psicanalista – ilustra que o homossexual elege por objeto de desejo, alguém que se iguale, alguém que é seu duplo perfeito, imagem radiosa de si pela qual se apaixona. A tensão das relações narcisadas, ao extremo, tende para a possessão intensa. Cada um vê no outro o seu próprio retrato idealizado ou deificado – isso rarefaz e mesmo impede a possibilidade do encontro autêntico. A pulsão narcísica não aceita diferença, limite ou separação. O desejo narcísico é insaciável, porque pretende transfigurar a imperfeição do ser que sou, através da ilusória radiância da imagem – mais que perfeita que quero ser e penso possuir. Esse drama, conforme Pellegrino, ilustra as peripécias do narcisismo.
Além da abordagem psicanalítica em relação à sexualidade, a neurocientista Dra. Suzana Herculano – Huzel – (UFRJ) afirma que a preferência sexual não é opção. Para a neurociência, a orientação sexual é inata (não aprendida) e determinada biologicamente, antes mesmo do nascimento.
A relação homossexual ou heterossexual é preferência e não opção. A preferência não se escolhe: descobre-se. Interessar-se sexualmente por homens ou mulheres é o que o cérebro faz automaticamente e pouco importa o que a pessoa pensa. A opção é o que se faz com a preferência: assume-se e curte publicamente, abafa ou esconde. Essa abordagem nova necessita, ainda, de pesquisas cautelosas e criteriosas. É essencial salientar que sou psicólogo e não pesquisador da sexualidade.
Com a nova legislação, casais homoafetivos passam a ser considerados famílias, com direito à adoção de crianças, contudo o preconceito e as agressões são ainda intensos.
O Conselho Federal de Psicologia despatologizou a relação homoafetiva: não é distúrbio (doença). Abre-se, pois, espaço para a compreensão das diferenças.
À luz da psicanálise, nossas tensões e angústias não vêm do outro, daquele que se diferencia de nós, mas daquilo que desconhecemos em nós mesmos. Para a convivialidade social, é fundamental respeitar o direito e a singularidade do outro.
Com efeito, a técnica de investigação psicológica criada por Freud acrescentou dimensão nova para a ciências humanas. Na clínica, pela interpretação, o psicoterapeuta ou psicanalista mostra quais forças destrutivas ou construtivas movem seu cliente. “Desfazem-se os nós”, quando ocorre a travessia da barreira entre o consciente e o inconsciente.
Muitos de nós ficamos presos ao passado que nos condena e ao futuro que nos inquieta - alerta o psicanalista Pessanha. A psicanálise privilegia sempre o presente.
Pelo prisma da psicanálise ou psicologia profunda, o traço característico da psicologia humana é a interferência intensa e contínua dos impulsos de amor, de um lado, e ódio do outro: “nosso bem-estar ou mal-estar depende das forças destrutivas ou construtivas do inconsciente”; equilibrando-se ou não, predominando com maior intensidade as forças construtivas ou destrutivas haverá vida mais saudável, valorização pessoal, relação amorosa e de amizade gratificantes; ou ideias persecutórias tendentes à autodestruição, à depressão, à agressão descontrolada, à relação amorosa e de amizade conflitantes.
A relação intrapsíquica (subjetiva) e interpessoal (com os outros) rege-se pelo jogo dos antagonismos: eros e tánatos - vida e morte - que nos movem, a cada instante, em permanente entrelaçar-se, confundir-se e, outra vez, juntos, porque é dessa simbiose (integração) que resulta a vida.
In Sêneca – filósofo - ter vida longa não é ter a cabeleira branca semelhante à neve, tampouco ter as faces sulcadas pelas rugas; se o homem dissipou seus dias, não viveu longo tempo, muito embora tenha existido longos anos: “Vida é profundidade e não extensão”.
Antes do advento da psicanálise, inquieto e perplexo, o ser humano acreditava que os mistérios de seu destino e as ameaças à sua estabilidade provinham apenas do mundo externo e nunca da intimidade de seu ser.
À época de Freud, (início da psicanálise) as pessoas recorriam ao tratamento psicanalítico, porque temiam realizar seus desejos. Hoje, a psicanálise desperta muito interesse. Isso ocorre, não porque reprimem seus desejos, mas por não saberem, efetivamente, o que desejam. Quando buscam a psicoterapia, esperam que o profissional se converta em aliado confiável, para que possam confidenciar-lhe seus mais íntimos segredos sem o receio de traição.
Desvela-se, assim, o perfil do ego maduro e livre: não autoritário, integrado e seguro; predomina nele o equilíbrio, porque é capaz de manter-se sob controle, de não se deixar levar pela desmotivação, de tolerar frustrações, de não negar sua agressividade-combustível da ação - de portar-se serenamente diante de pressões. Contudo, é imprescindível pensar.
Um conjunto harmônico de qualidades psíquicas herdadas e adquiridas caracteriza esse perfil, tornando a pessoa original a sua forma de ser e agir.
Há décadas, psicólogo clínico trabalho em clínica particular. Atendo adolescentes e adultos. Meu trabalho baseia-se na psicoterapia psicanalítica, psicologia biodinâmica (massagem psicoterapêutica), e avaliação psicológica.
Ao longo desse tempo, percebo, na clínica, que as relações amorosas, por diferença têm sido, às vezes, dramáticas. O amor obsessivo e a inveja transtornam a vida da pessoa pela qual a que se tem fixação doentia em inferno. Sendo a inveja o subproduto doentio da admiração destrói a pessoa invejada. Nem sempre se percebe o transtorno, e a infelicidade impera. Sei que a temática é muito complexa, mas é possível compreendê-la.
Geralmente, admiramos pessoas possuidoras de características físicas ou psíquicas que valorizamos muito. O critério dessa escolha é sempre pessoal. Há fascínio pelo conjunto harmônico de qualidades que tornam alguém original na sua forma de ser e agir. Esse fascínio pode levar a dois modos de amar: por diferença ou semelhança.
As pessoas que se sentem inferiores - e esse sentimento é mais acentuado na adolescência - tendem a admirar outras que trazem consigo características ideais, às vezes, inatingíveis (sempre do ponto de vista do(a) admirador(a)). Assim sendo, o amor surge entre pessoas de temperamento diferente, havendo recíproca admiração.
O humor - tendência situacional - é a disposição afetiva para a introversão ou extroversão. O introvertido: reservado, pouco combativo, voltado mais para a solidão e reflexão une-se ao extrovertido: participante, voltado mais para os outros, de fácil adaptação, combativo, preferindo mais atividades práticas.
Obviamente, os componentes de admiração podem desencadear relações tensas, não só em decorrência, das diferenças de temperamento, mas também da inveja recíproca. A insatisfação pessoal e a precária auto-avaliação, com forte tendência a subestimar-se, despertam raiva e inquietação.
As pessoas que se sentem bem consigo mesmas e, consequentemente, mais estáveis e maduras não se comportam opressivamente e envolvem-se em relacionamento de intimidade mais intensa e harmoniosa, pois o vínculo é regido por afinidades. O amor, por semelhança, é mais gratificante, porque não há, na relação, os elementos desestabilizadores do vínculo: a inveja (é difícil invejar pessoas com características semelhantes), e irritações que decorrem das diferenças de temperamento. Sob a égide da estabilidade psíquica e das afinidades, as relações de amizade tornam-se também harmoniosas e duradouras; os amigos propiciam bem-estar e asseguram a saúde psíquica.
Em seu livro: Ser livre – que tive o privilégio de revisar – o psiquiatra Flávio Gikovate (1943 – 2016) enfatiza que ser livre não é ser desta ou daquela maneira; ser livre não é agir desta ou daquela forma. A liberdade é a sensação íntima de alegria que deriva da coerência entre pensamento e conduta.
Por esse prisma, a liberdade é um estado muito gratificante. As afinidades e não as diferenças é que podem determinar ligações profundamente gratificantes.
Renovar-se significa entregar à morte tudo o que é ultrapassado para que o novo possa expandir-se com toda a liberdade. Desprender-se de coisas que, um dia, foram boas e de ideias que foram relevantes, mas com o passar do tempo, ficaram ultrapassadas, ou seja, ter ânimo para recomeçar, estar aberto para escutar, aprender e buscar novos paradigmas.
Para a efetiva compreensão das diferenças e do lado sombrio das emoções a ajuda psicológica é sempre bem-vinda para busca do bem-estar físico, psíquico e social.
Profissional da psicologia discuti, sumariamente, com base na psicanálise, diferenças e semelhanças no amor, sem desconsiderar a árdua vida diária e o mundo atual, terrivelmente injusto, impiedoso, individualista e abalado pela crise de valores e predadores sociais.

Referências

Jung. C. G.- Tipos Psícolágicos- Zahar Editores - Rio de Janeiro, 1981.
Gikovate, F. - Falando de Amor- MG. Editores Associados - São Paulo, 1976.
Pellegrino, H. - A Burrice do Demônio – Rocco - Rio de Janeiro, 1989.
Boff. L. - Coragem para Renovar in Rede - Ano XXI - nº 241 - Petrópolis, 2013.
Pessanha, A. L. S. - Além do Divã - Casa do Psicólogo - São Paulo, 2001.
Revista - Mente Cérebro - Ano XIX - nº 242 - São Paulo, 2013.
Green, A. - Psicanálise Contemporrânea – Imago - Rio de Janeiro, 2001.
Melman, C. - A Família está Acabando – Veja - São Paulo, 2008.

terça-feira, 19 de março de 2019

CRIANÇA INTERIOR

POR: GERALDO DRUMOND


É na medida que não nos reconhecemos e não nos valorizamos, que buscamos o reconhecimento do outro. E é importante que saibamos que o relacionamento mais importante que temos é entre nossa mente consciente e nosso subconsciente, que é representado pela nossa criança interior. Este é o verdadeiro relacionamento importante que temos e que pode nos dar as respostas que buscamos. Estão dentro de nós mesmos e não na opinião dos outros.

OS PÉS


Os pés, no zodíaco representados por Peixes, representam a culminância da história cósmica de nossa humanidade. História que principia na cabeça (Áries), atravessa todas as hierarquias zodiacais e as diferentes partes do corpo que elas regem até alcançar a horizontalidade da superfície terrestre. Sim, pois os pés representam a consciência do contato com a terra. Na horizontalidade da terra os pés nos conduzem quando nos dispomos e não oferecemos obstáculo; eles são a última instância do querer que nos move.
Exceção feita ao folclórico Saci, não há um pé mais importante que o outro; o pé direito e o esquerdo compõem o atual estado humano. Quando o Humano é saudável, não claudica e não exige ou prefere pisar à direita ou à esquerda, senão apenas pisa. Se prefere um ao outro sente pena e afunda, já ao não preferir, as penas se reúnem em asas de voar e os pés deixam de ferir a pele da Terra. Voar permite ver de cima o movimento do abraço fraterno da respiração direita-esquerda.


Os pés guardam relação íntima com o perdão, sendo comum que eles doam ou se machuquem na medida em que me nego a exercitar o perdão, seja na coragem do sentido ativo de perdoar ou na resignação do pedir perdão. Cabe à nossa humanidade criar asas nos pés, para que eles sejam alçados ao alto de onde vieram. Morfologicamente semelhantes aos ouvidos, os pés portam em si todos os pontos de acupuntura em sua superfície. Isso mostra que somos destinados a escutar a terra e que devemos tornar nossos pés, como que um segundo ouvido, com a finalidade de contar ao alto tudo o que se passa aqui nesse plano (como em cima em baixo).
É fundamental, apesar de nossa única parte que funciona na horizontal, que de tempos em tempos permitamos que eles se verticalizem. Como fazer isso? Sempre que reverentemente nos curvamos e agradecemos à vida e a Deus pelo mistério que nos envolve e que permite que continuemos a ser, apesar dos tantos equívocos cotidianamente cometidos. Quando ajoelho, meus pés se verticalizam e com eles subo aos céus, se não por mim, pela graça que me acolhe em oração. Praticar a verticalização dos pés ao ajoelhar é o melhor preparo para a verticalização última dos pés, quando a respiração deixa de ser e o corpo se deita de forma definitiva.
Pedras nos sapatos se formam quando não há oração (aspiração) e nos tornamos vítimas da gravidade terrestre (desespero); a oração que não sobe se cristaliza e empedra. Caminhar sem oração é errar, seu oposto é curar. É preciso, que à semelhança do Cristo, descalcemos nossos pés e lavemos os pés dos que se nos apresentam como irmãos. A atitude descalça aguça a audição assim como os pés limpos.


Não, os representantes dos três poderes não estariam dando um tiro nos pés se deslocassem seus escritórios para áreas próximas às favelas. A oportunidade de elevar suas consciências podálicas a ambientes tão anecúmenos, culminaria em algum momento em uma melhor compreensão das necessidades de quem nelas mora. Palmilhar diferentes solos é tornar-se consciente das diferentes nuances do humano.
Peixes, os pés, é um signo relacionado com o elemento água. A gravidade celeste evapora, eleva, enleva, aspira e faz chover. A água que não evapora aos céus se torna desespero; as águas que o fazem, esperança, porque chovem e agraciam a terra. Que nossas águas chovam e não chorem. Que eu abençoe antes a despertar pena. Quando eu purifico e elevo minhas águas, meu sangue se purifica e pode receber, além de mais conscientemente aprender o meu Ser. O sangue purificado é abençoado e visitado cada vez mais por aqueles que inspiram e conduzem, e cada vez menos por aqueles que viciam, vampirizam e induzem.


Notemos quando caminhamos e palmilhamos o chão, como os pés se assemelham a dois corações que, ao pisar sobre o plexo venoso na sola, bombeiam o sangue para cima; sangue que ascende com todo o aprendizado do percurso. Caminhemos e sejamos corações nos pés, quem sabe seja esse o primeiro passo para criar asas nesse órgão tão pouco visitado pela nossa atenção apesar de tão frequentemente pisoteado por todos.



domingo, 17 de fevereiro de 2019

SUGESTÃO DE EVENTO 23/02/19 - MESA REDONDA


ASPECTOS DO PENSAR E DESACELERAR I


Por: José Geraldo M. Meireles - Psicólogo

Era Primavera: as flores exalavam em profusão perfumes, e os pássaros cantavam.
Nesse clima de festa, conta a lenda: um filho sacudido pelo entusiasmo e um pai tranquilo caminhavam por uma montanha. De repente, o menino cai, machuca-se e grita: ai! Para sua surpresa, escuta sua voz repetindo-se em algum lugar da montanha. Curioso, o menino pergunta: quem é você? Contrariado grita: seu covarde! E escuta a resposta: seu covarde!
O menino olha atentamente para o pai e indaga: o que é isso? O pai sorri e diz: meu filho, preste atenção. Grita em direção à montanha: eu admiro você! Você é campeão! A voz responde: você é campeão!
O menino espanta-se e não entende. O pai explica pacientemente. As pessoas chamam isso de eco, mas, na verdade, isso é da vida que lhe dá de volta tudo que fala, deseja de bem ou de mal aos outros. Devolverá toda blasfêmia, inveja, incompreensão, falta de honestidade que você desejou às pessoas que o cercam. Nossa vida é o reflexo de nossas ações. Se quer mais amor, compreensão, harmonia e felicidade crie mais amor, compreensão, harmonia e felicidade no coração. Agindo, assim, meu filho, a vida lhe dará felicidade, sucesso e amor das pessoas que o cercam.
Desde a infância, a autoimagem é formada por crenças, convicções e valores. Forma-se a base da personalidade. A autoimagem positiva aponta para comportamentos construtivos; a negativa, para comportamentos destrutivos.
O sucesso é, também, moldado pela autoimagem que se constrói: “sucesso e vitória estão a serviço da vida, e triunfo está ligado à arrogância e à morte, pois implica em destruir o outro ou pisá-lo”. Diante do sofrimento e da carência dos outros, o arrogante não se sensibiliza, o que é atributo da pessoa imatura e egoísta.
Tempo há, pesquisas científicas diversas comprovam que pensamentos positivos ou negativos podem apontar para respostas fisiológicas correspondentes.
Do imaginário à realidade, ante as contradições brutais de nossa época e a repressão advinda de elementos culturais, percebo que algumas pessoas se sentem ansiosas e tensas. Muitas vezes, a incerteza instala-se. Sob a égide do livre arbítrio, deparam-se com dilemas inevitáveis: “o que podem, o que querem e o que devem fazer”. Isso envolve o princípio do prazer – o desejo é inquietante e indomável – e o princípio da realidade.
Não acredito que os anseios da pessoa consciente e corajosa restrinjam-se a uma casual e modesta participação na realidade socioeconômica contemporânea.
A nova dimensão da realidade e as mudanças trazem turbulência e geram ansiedade acentuada. É chegado o momento de banir modelos rígidos de trabalho. O homem e suas motivações são dinâmicos. Mesmo no ambiente competitivo do trabalho, toda pessoa é um ser sensível e racional. Sua caminhada se faz através de todas as possibilidades que lhe são inerentes: o agir segue o ser – ensina o filósofo S. Tomás de Aquino.
A geração da década de 1960 – da qual fiz parte – injetava utopia na veia e pautava-se por ideologias solidárias: mudar o mundo, derrubar ditaduras, desigualdades sociais, redirecionar a ordem das coisas etc. Na atualidade, com raríssimas exceções predominam a mesmice e a mediocridade.
In Sêneca – filósofo – vida é profundidade e não extensão. As pedras existem, mas inertes, não vivem. “Se a vida está na ação, mais vive aquele que mais age”.
A igreja católica é sábia quando, em sua profunda psicologia da vida escrevia sobre os túmulos daqueles que morriam na mocidade, mas com as mãos repletas de virtude esta belíssima inscrição: este morreu na mocidade, mas foram longos os seus dias. Feliz é o homem que sabe que não sabe e vai à busca do saber – esclarece o psicólogo Dr. Agostinho Minicucci (1918-2006).
John Barrymore – ator inglês – alerta que a pessoa envelhece, quando os lamentos substituem os sonhos.
A massagem e o relaxamento são eficazes para estimular a secreção de endorfinas – analgésicos poderosos cujo fluxo proporciona bem-estar, mantendo o equilíbrio entre o tônus vital e a depressão.
Após o banho, revigora-se o ânimo. No banheiro, a pessoa despe-se dos resíduos do corpo (higiene pessoal) e da mente. Desfazem-se as máscaras sociais, e advém a sensação de alívio.
Cada nau tem a sensação de descobrimento, porque o mar não guarda vestígio das quilhas anteriores. O sábio e experiente navegador que a conduz sente a realização de sua própria vida em cada parcela de verdade por ele conhecida, ao contemplar a dinâmica das ondas. Movido pela vibração intensa, pode intuir que “sabedoria é a memória da experiência”.
Renovar-se, pois, significa entregar à morte tudo o que é ultrapassado, para que o novo possa expandir-se livremente. Desprender-se de coisas que, um dia, foram boas e de ideias que foram relevantes, mas, com o passar do tempo, ficaram ultrapassadas.

Referências

LEITE, S. M e MEIRELES, J.G. Ser...Gerente, Mg. Editores Associados – São Paulo, 1988.
REGINATO, G. Artigo: É hora de desacelerar. Jornal da Tarde – São Paulo, 2006.
JORNAL – Hospital Santa Cruz, São Paulo, 2002.
PELLEGRINO, H. A Burrice do Demônio, Editora Rocco – Rio de Janeiro, 1989.
BETTO, F. O que a vida me ensinou – Editora Saraiva – São Paulo, 2013.
CURY, A. Ansiedade – Editora Saraiva – São Paulo, 2014.
PESSANHA, A. L. S. Além do Divã – Casa do Psicólogo – São Paulo, 2004.
MENTE CÉREBRO – Revista – Os Tormentos da Ansiedade – Ano XVIII – nº 219, São Paulo.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2019

CATÁSTROFES NATURAIS



O homem é ser integrante da natureza. Existem catástrofes, mas a natureza em si é maravilha.
Para o olho que enxerga, além de ver, a natureza respira no vulcão que resfria a terra; se acomoda em seu leito esplêndido terremotando e remontando a terra; banha suas costas com o mar remoto no maremoto, esse mar maroto; e se enfurece e furacona para se aliviar; afinal de contas quem de nós não suspira às vezes.
A natureza sempre ajuda, corrige, compensa. Ultimamente as catástrofes naturais são recebidas com estranheza. As catástrofes, se de fato hão, são do humano, esse acidente da natureza, que se contrapõe à mãe e seu convite a ser natural. Escolheu o normal, esqueceu o natural!!
A catástrofe natural mais óbvia talvez seja a catástrofe humana. A natureza é uma aliada e ensina os movimentos primordiais que nós humanos devemos operar, sejam o fogo criativo vulcânico que refresca e oferece matéria prima para o corpo; a água fecundante dos mares que inundam e limpam nossos recessos mais inférteis para que retornem à fertilidade; o remexer dos terremotos e de terra que nos recorda de tempos em tempos que a vida é movimento; finalmente o sopro dos furacões que nos recorda também sermos sopro e que passaremos como eles.
Qual seria a maior catástrofe, os movimentos de acomodação da natureza ou o humano e sua paralisia? Há evidências contundentes de que o humano está paralítico e que a natureza, solene e silente, o encontra sempre distraído. Seja bem vinda mãe e irmã!



segunda-feira, 14 de janeiro de 2019

EU ACREDITO


POR: GERALDO DRUMOND
 

Acredito que estamos vivendo um momento que devemos exaltar o respeito, o amor, a verdade, a ética, e caminhar juntos, olhando nos olhos uns dos outros e escutando o coração. Não devemos mais uma vez desconstruir o outro para nos tornarmos donos da verdade!

ALIMENTAÇÃO CONSCIENTE XII – TOLSTÓI - 1895


CONTINUAÇÃO DE:



           Contos de Tolstói – Três Parábolas – Segunda Parábola (Fragmento).

Pessoas faziam negócios com farinha, manteiga, leite e todo tipo de comestíveis. E, disputando umas com as outras, no intuito de ganharem o máximo possível e ficarem ricas rapidamente, passaram a misturar cada vez mais substâncias nocivas e baratas em suas mercadorias: na farinha misturavam farelo e cal, na manteiga punham margarina, no leite, água e giz. Mas enquanto as mercadorias não chegavam aos consumidores, tudo corria bem: os atacadistas vendiam aos varejistas e os varejistas vendiam aos mascates.
Havia muitos armazéns e lojas e o comércio parecia correr de vento em popa. E os negociantes estavam satisfeitos. Mas para os consumidores da cidade, aqueles que não produziam o próprio alimento e por isso tinham de comprá-lo, era muito desagradável e nocivo.
A farinha era ruim, a manteiga e o leite eram ruins, mas como nos mercados da cidade não havia outras mercadorias senão as adulteradas, os consumidores da cidade continuavam a comprar aquelas mercadorias e atribuíam a si mesmos, e à maneira errada de preparar a comida o paladar ruim que sentiam nos alimentos e os danos à saúde que causavam. E os comerciantes misturavam aos produtos quantidades cada vez maiores de substâncias baratas e estranhas aos alimentos.
Isso durou muito tempo; os habitantes da cidade não paravam de sofrer e ninguém se decidia a manifestar seu descontentamento.
...


quarta-feira, 19 de dezembro de 2018

SUICÍDIO ESPIRITUAL


O suicídio físico é uma opção desesperada e pode ser consciente ou inconsciente. No primeiro caso um ato abrupto de desespero, no segundo decorrência de atitude ignorante que se perpetua no tempo (hábito alimentar precário, uso de drogas lícitas e ilícitas, sedentarismo, pouca leitura, hábito musical pobre). Estatísticas atuais apontam que a cada 40 segundos uma pessoa morre por suicídio no mundo. No Brasil os dados mais recentes apontam uma média de 32 suicídios por dia.
Mas, o suicídio mais surpreendente é o espiritual. Quando o materialista se descuida de seus veículos (corpos) suprafísicos, demonstra coragem surpreendente. Veículos que a tradição designa como corpo vital, corpo de desejos e mente. Sim, não é preciso ver para saber. A pessoa sensível pressente que a vida é o “mistério” que anima a matéria, mas que não pode ser encontrada quando se disseca a matéria em sua intimidade. Quem deseja deveria refletir de onde vem as tendências desejosas e quem pensa deveria fazer investigação semelhante em relação ao pensamento. Desejo e pensamento, qualidades materiais de outra natureza que não a física.
A visão, o sentido predileto da atualidade, nos impede ver além das aparências. Mas veja você mesmo então. Nascer arredondado, ver o corpo esticar e crescer, a seguir ficar enrugado, pontudo e desvitalizado é percebido na superfície, mas que tipo de forças determinam esse efeito sobre a matéria animada?
O suicídio espiritual não é tão falado quanto o suicídio físico. Finge-se não ver, mas quem teria olhos para isso não é mesmo?
A pessoa que vive em espírito torna a vida material leve, torna-se permeável à graça. A pessoa que vive para a matéria é cega à luz do espírito e sua vida se torna opaca, escura, densa, azeda, cheia de reclamações e emperrada. É aquela pessoa que não entende o porquê de certas situações (padrões) se repetirem em sua vida. A graça, assim como a graxa, serve para lubrificar. A primeira lubrifica as engrenagens da vida, a outra as engrenagens da matéria. Em outras palavras, uma vida sem graça é uma vida sem graxa, assim como uma vida sem graça é também sinônimo de desgraçada.
Para que a graça permeie o corpo humano, o mesmo precisa estar poroso em todas as suas instâncias. Assim como a obstrução dos poros da pele leva à morte rapidamente, a obstrução dos poros dos corpos suprafísicos (corpo vital, corpo de desejos e mente) leva à morte lenta. Essa morte lenta se apresenta aos olhos do observador como as pessoas que apenas existem, à semelhança das pedras. Viver é atributo do reino humano; fundamental para isso é a consciência dimensional adequada do que seja SER HUMANO. A vida material, horizontal, cotidiana da família, do trabalho, da política, da filosofia niilista, da diversão é apenas palco, sombra e efemeridade. Sem a graça, a vida material culmina em cadeia, hospital, falta e inconformidade. Mas cadeia, hospital, falta e inconformidade, lembremos, são escolhas pessoais. Toda escolha, entretanto, é permitida a Fausto, em Goethe, ao se perder para se encontrar.


Se afastar da graça (ser desgraçado) por opção ou por ignorância é suicídio espiritual. O espiritual diz respeito a tudo o que está além dos cinco sentidos. O interesse também é um sentido que podemos vivenciar e experimentar. Mais interesse e menos indiferença é alternativa válida na profilaxia do suicídio espiritual.



MUDAR A MIM


POR: GERALDO DRUMOND


Vivo muito melhor agora que vejo as pessoas como realmente são, e não como gostaria que fossem. As pessoas são melhores assim, sem o rótulo que as conferimos, sendo imprevisíveis aos nossos desejos de controlar, de dominar, de saber o que poder esperar. Não julgo mais. Não condeno mais. A cada vez que julgo, mais distante dos outros e de mim mesmo. Tudo aquilo que condeno no outro, além de me incomodar, ainda corro o risco de ter ou ser também. Na maioria das vezes nossos julgamentos só consideram nosso próprio senso de valor, e não o das pessoas que estamos avaliando.
O Buda observou que sofremos porque queremos que a vida seja diferente daquilo que ela é, e dói quando continuamos a bater a cabeça contra a realidade básica.
São muitas as estórias, são muitos os sentimentos, são muitos os vínculos, são muitos os desejos, são muitas as reações e nossa mente é muito pequena para captar e assimilar todo o movimento das relações, das vidas das pessoas.
Mudar somente a mim mesmo, que é de quem dou conta e a quem cabe trabalhar para ser melhor. A vida pode ser muito melhor! Conquistamos a leveza de viver que desejamos quando conseguimos carregar a nós mesmos! Que Deus me ajude a persistir!


sexta-feira, 2 de novembro de 2018

DEUS E DIABOS III



A política é prática diabólica. Poder, medo, dinheiro, fama e controle são seus combustíveis. O Diabo aprecia tudo que é partido. Adora espelhos, poderes partidos, partidos políticos, partidas de futebol e até mesmo o raio que o parta. Se for inteiro e não pela metade, então tem que ter Deus também. Mas ainda não chegamos lá, estamos longe. Tão longe e tão perto...
A Bíblia em Jó (antigo testamento), Goethe em Fausto e Saramago no Evangelho segundo Jesus Cristo, criam situações curiosas onde Deus e o Diabo trabalham alinhados, no mesmo partido, conversam e planejam! Nada parecido com a prática geopolítica atual, onde as partes se odeiam. A literatura bíblica é explícita quanto às coisas de César e as coisas de Deus.
Em minha infância se dizia: “Mente vazia oficina do Diabo”. Curiosa associação essa do Diabo com a mente e de Deus com o coração. É como se Deus não pudesse ser sabido ou pensado, senão apenas recordado (cordis = coração). Parafraseando Agostinho de Hipona sobre o tempo: se me perguntam o que é Deus, eu não sei, se não me perguntam eu sei. Quando penso Deus me dissocio e, portanto, me torno diabólico. O cérebro utiliza o fósforo na forma de ATP (adenosina trifosfato) em seu metabolismo. Fósforo em grego é lúcifer em latim, ambos significam o portador da luz.
Posso ser livre de tudo o que tenho, mas posso ser escravo até do que não tenho. A liberdade é um conceito estranho. Liberdade para acreditar ou não. Na medida em que acredito coopero com o “sistema de leis” (teotropismo), e na medida em que não acredito compito com o “sistema de leis” (geotropismo). Competir ou cooperar, prerrogativas do estado em que me encontro. Escolhas que não se excluem, senão se mesclam até que a unidade seja melhor compreendida por cada um de nós.


SUGESTÃO DE EVENTO 11/11/18 - ENCONTRO DA SAÚDE



quinta-feira, 1 de novembro de 2018

PRECONCEITO E OPINIÃO FORMADA


POR: GERALDO DRUMOND



Fico imaginando como o preconceito, o rótulo, a "opinião formada" nos impede de ver com olhos de enxergar o outro, nos impede de viver o novo, que se revela a todo o momento. Tudo bem que temos nossa personalidade, nosso caráter, que nos molda e nos define, mas também é muito importante que observemos o movimento da vida, as mudanças das pessoas. Podemos sim mudar! Acreditar que podemos ser melhores, acreditar num mundo de mais compreensão, compaixão. O ditado que diz que pau que nasce torto morre torto deve ser revisto.