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domingo, 1 de janeiro de 2017

ALIMENTAÇÃO CONSCIENTE X – FOME E COMPORTAMENTO SEXUAL

CONTINUAÇÃO DE:


Por Josué de Castro – A geopolítica da fome vol. 1 – 8ª ed. Pág. 124.

      No que diz respeito ao comportamento sexual, verifica-se que a fome crônica – específica ou latente – age de maneira bem distinta da fome aguda. Os povos submetidos à ação contínua de uma alimentação deficitária, longe de diminuírem seu apetite sexual, apresentam exaltação do mesmo e nítido aumento de fertilidade. Esta intensificação da capacidade reprodutiva dos povos cronicamente famintos explica-se através de um complexo mecanismo onde entram fatores de ordem psicológica e de ordem fisiológica. Psicologicamente, a fome crônica determina exaltação das funções sexuais, como um mecanismo de compensação emocional. Todos os fisiologistas são unânimes em reconhecer que, em condições normais, existe uma espécie de competição entre os dois instintos – o de nutrição e o de reprodução – e, toda vez que um se atenua, o outro, imediatamente, se exalta.
      Como a fome crônica, principalmente a fome de proteínas e de certas vitaminas, determina inapetência habitual, perda de interesse pelos alimentos, dá-se em consequência um enfraquecimento da força do instinto de nutrição diante da força do instinto de reprodução, que passa a predominar. Com o apetite embotado, satisfazendo-se facilmente com qualquer coisa, o faminto crônico pode desviar seus interesses para outras atividades independentes da obtenção do alimento, e o primeiro grupo de atividades que se apresenta, não só por sua hierarquia de natureza biológica, como também como compensação psicológica, é o das atividades de ordem sexual. Neste mecanismo psicológico baseia-se o exagerado sensualismo de certos grupos humanos e de certas classes que vivem num regime de desnutrição crônica.
      Mas há também um mecanismo fisiológico determinando esta significativa correlação entre alimentação insuficiente e índice de fertilidade. De há muito, tinham os criadores observado que certos animais, bem cevados, tornam-se estéreis e que basta restringir-lhes a alimentação, durante certo tempo, para que recuperem a fecundidade. Mas o fato empírico não tivera grande repercussão nos meios científicos. Hoje, no entanto, dispomos de dados experimentais e de observações sistematizadas que nos permitem compreender como atuam as deficiências alimentares parciais, como fator de aceleração da multiplicação da espécie. É exatamente a fome de proteínas, acarretando o fornecimento deficitário de certos ácidos aminados indispensáveis, que atua de maneira mais intensa sobre a capacidade reprodutiva dos animais.
      ...Com a espécie humana ocorre idêntico fenômeno. Os grupos de mais alta fertilidade são aqueles que dispõem de menor teor de proteínas completas, de origem animal na sua dieta habitual...
                 

2 comentários:

  1. Olá, dr. Ricardo. Sou jornalista e gostaria de entrar em contato com o sr. Poderia me passar um e-mail, por favor? Obrigada

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  2. Olá Pri Portugal! Posso sim, por gentileza, anote: rjleme@hotmail.com

    Até breve

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