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quarta-feira, 1 de março de 2017

ALIMENTAÇÃO CONSCIENTE XI – FOME E ÍNDICES DE NATALIDADE

CONTINUAÇÃO DE:




Por Josué de Castro – A geopolítica da fome vol. 1 – 8ª ed. Pág. 127.
        Quando procuramos agrupar, dentro de um critério geográfico, os países de altos coeficientes de natalidade, superiores a trinta, verificamos que são todos países tropicais de condições geográficas e econômicas impróprias, tanto à produção como ao consumo de proteínas de origem animal. A alimentação, de predominância vegetal, desses países, constitui um dos fatores decisivos, influindo no segredo de sua prolificidade. Se compararmos os coeficientes de natalidade e os consumos de proteínas de origem animal, no mundo inteiro, verificaremos que existe franca correlação entre os dois fatores, baixando a fertilidade à proporção que sobre a taxa de consumo destas proteínas.
        Apresentamos, a seguir, um quadro de países dos mais diferentes coeficientes de natalidade, desde os mais elevados aos mais baixos, e no qual se evidencia, de maneira significativa, a citada correlação:
PAÍSES
COEFICIENTES DE NATALIDADE
CONSUMO DIÁRIO DE PROTEÍNAS ANIMAIS (g)
FORMOSA
MALAIA
ÍNDIA
JAPÃO
IUGOSLÁVIA
GRÉCIA
ITÁLIA
BULGÁRIA
ALEMANHA
IRLANDA
DINAMARCA
AUSTRÁLIA
E.U.A
SUÉCIA
45,6
39,7
33,0
27,0
25,9
23,5
23,4
22,2
20,0
19,1
18,3
18,0
17,9
15,0
4,7
7,5
8,7
9,7
11,2
15,2
15,2
16,8
37,3
46,7
56,1
59,9
61,4
62,6

        Estes dados foram retirados das estatísticas de 1950, apresentados no estudo de Lynn Smith (Population Analysis – 1948) sobre problemas de população e de uma publicação da FAO sobre o consumo de proteínas no mundo.
        Estes aspectos do problema alimentar referentes à influência da dieta sobre a reprodução constitui o ponto mais debatido de nosso trabalho. Desde que apareceu a primeira edição desse livro em 1951, várias críticas foram formuladas, principalmente tendo-se em vista que a ciência clássica da nutrição sempre considerou o fato de que uma dieta rica em proteínas constitui uma condição indispensável à boa capacidade reprodutiva. Considerando a alta importância desse assunto, pela repercussão e aplicação social que poderá ter esta teoria no campo prático da política demográfica, tomamos a deliberação de prosseguir em nossos trabalhos experimentais sob cujos resultados pretendemos publicar um trabalho especialmente dedicado ao problema da alimentação e reprodução. Aproveitamos, no entanto, a oportunidade do aparecimento desta nova edição para apresentar, de forma sintética, alguns fatos novos oriundos da investigação de outros estudiosos da matéria e da observação de fatos sociais que confirmam os nossos pontos de vista.
(Estes fatos e observações constam nas páginas 129-131 da presente obra referenciada no início do texto).
        Com estas observações e estas cifras, desejamos concluir por afirmar que, em última análise, a multiplicação exagerada da espécie, por sua excessiva fertilidade, constitui também uma forma de fome específica, uma das mais estranhas marcas do fenômeno da fome universal.
        Este aspecto do problema tem, a nosso ver, importância primordial, desde que fornece base biológica para apoio de nossa teoria – a teoria da fome específica como causa de superpopulação; da fome provocando o lançamento intempestivo, no metabolismo demográfico do mundo, de produtos humanos fabricados em excesso e de qualidade inferior.

        Como o mecanismo através do qual se exerce esta ação desequilibrante e degradante da fome crônica sobre a evolução demográfica dos grupos humanos envolve aspectos econômicos e sociais, ao lado dos aspectos biológicos, deixamos para desenvolver o assunto na ocasião oportuna, ao estudarmos o problema da fome no Extremo Oriente, área onde a superpopulação relativa se apresenta, nitidamente, como uma das mais estranhas e graves manifestações de fome específica.

2 comentários:

  1. Oi, querido amigo.

    Muito bom, você, trazer este assunto à tona, e, principalmente, lembrar-nos que existiu um cara chamado Josué de Castro, cuja preocupação deveria ser lembrada sempre pelos meios de comunicação vigentes e por todos que se preocupam com o bem viver para todos indiscriminadamente.
    Aliás, isso parece não ter muita importância nos dias de hoje, cuja modernidade consiste na aceitação dos lucros desejáveis por poucos, acima de tudo.
    Beijo
    Modesta

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    1. Olá Professora Modesta!

      De fato, deveríamos ser um pouco mais cuidadosos com nossos pensadores não é mesmo. Vivemos um tempo em que o não pensar parece estar na vanguarda.

      Aliás, será que esses cavalheiros ímprobos que por aí desfilam no planalto do salto alto, tal qual mulas sem cabeça, não se envergonham pelos seus filhos e família? Fico a imaginar que tipo de educação teriam recebido a ponto de abafar tão bem todo suspiro moral, menor que fosse.

      Se o Dr. Guimarães Rosa estivesse entre nós diria: "O que não é Deus, é estado do demônio"

      Beijo

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