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quinta-feira, 26 de abril de 2012

DOIS POEMAS - ARQUITETURA DA SAÚDE SOCIAL





EUGÊNIO BUCCI (Folha de SP - Ilustríssima 21/08/2011)

Justiça
 
O que a lei
não redime
é o crime
com defeito.

Se bem-feito

ou bonito,
o delito
talvez rime
com direito.

Se perfeito,

ora, o crime
é a lei.

 
Rampa

Do alto desta encosta em que cederam
a fibra dos meus olhos, o meu claro
silêncio vertebrado de palavras
sólidas e também a minha infância;

em que, sobre joelhos eucarísticos,

testemunhei o fluxo da mentira
enquanto o vinho azul me entorpecia
aos poucos com o medo de perdê-lo,

não me despeço. Parto. Vou embora.

Ao cesto de papel deixo a gravata
descolorida pelo sol de cal.

Porões ainda existem e governam,

mas hoje estendem notas de dinheiro
em vez de músculos no pau-de-arara.


2 comentários:

  1. "um silêncio vertebrado de palavras"...isso faz meu coração em pedacinhos de pequenas sílabas de batimentos tão suaves, quase silenciosos. Meu coração invertebrado, tão primário e tão leve. Santa poesia..

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  2. Que maravilha!
    Esses dois poemas retratam a realidade! Adorei.
    Parabéns!
    Anjo da guarda!

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