terça-feira, 12 de julho de 2016

O QUE É ESTÉTICA?

FRIEDERICH SCHILLER – nota de rodapé da obra “A Educação Estética do Homem”


                Para leitores que não estejam familiarizados com a significação deste termo tão mal-empregado pela ignorância, sirva de explicação o seguinte. Todas as coisas que de algum modo possam ocorrer no fenômeno são pensáveis sob quatro relações diferentes. Uma coisa pode referir-se imediatamente a nosso estado sensível (nossa existência e bem estar): esta é a sua índole física. Ela pode, também, referir-se a nosso entendimento, possibilitando-nos conhecimento: esta é sua índole lógica. Ela pode, ainda, referir-se à nossa vontade e ser considerada como objeto de escolha para um ser racional: esta é sua índole moral. Ou, finalmente, ela pode referir-se ao todo de nossas diversas faculdades sem ser objeto determinado para nenhuma isolada dentre elas: esta é sua índole estética. Um homem pode ser-nos agradável por sua solicitude; pode, pelo diálogo, dar-nos o que pensar; pode incutir respeito pelo seu caráter; enfim, independentemente disso tudo e sem que tomemos em consideração alguma lei ou fim, ele pode aprazer-nos na mera contemplação e apenas por seu modo de aparecer. Nesta última qualidade, julgamo-lo esteticamente. Existe, assim, uma educação para a saúde, uma educação do pensamento, uma educação para a moralidade, uma educação para o gosto e a beleza. Esta tem por fim desenvolver em máxima harmonia o todo de nossas faculdades sensíveis e espirituais. Para contrariar a corriqueira sedução de um falso gosto, fortalecido também por falsos raciocínios segundo os quais o conceito do estético comporta o do arbitrário, observo ainda uma vez (embora estas cartas sobre a educação estética de nada mais se ocupem além da refutação deste erro) que a mente no estado estético, embora livre, e livre no mais alto grau, de qualquer coerção, de modo algum age livre de leis; e acrescento que a liberdade estética se distingue da necessidade lógica no pensamento e da necessidade moral no querer, apenas pelo fato de que as leis segundo as quais a mente procede ali não são representadas e, como não encontram resistência, não aparecem como constrangimento.

EVENTO DE UMA AMIGA

segunda-feira, 4 de julho de 2016

ALIMENTAÇÃO CONSCIENTE VII

CONTINUAÇÃO DE:

REFLEXÕES NADA CIENTÍFICAS SOBRE HÁBITOS ALIMENTARES
Por: André Oliveira Guimarães Leite – Advogado da saúde - Email: aogleite@gmail.com



Sentes cansaço? Tens bom apetite? Tens sono profundo? Tens boa memória? Tens bom humor? Tens rapidez de raciocínio e de execução? Estas seriam as seis condições enumeradas por Georges Ohsawa indicativas de boa saúde e felicidade. Trata-se do autor de "Macrobiótica zen - arte do rejuvenescimento e longevidade".
Esses questionamentos nos fazem refletir a respeito do que é a felicidade e a saúde, e o que é preciso para alcançá-las. Com certeza, a alimentação é um dos pilares para uma vida saudável, e, por consequência, feliz.
Existem divergências, no entanto sobre o que é uma boa alimentação. Além da qualidade do alimento, questões referentes à quantidade, à forma de se alimentar e outros hábitos alimentares podem ser determinantes para alcançar, preservar e promover a almejada saúde.
Cientistas realizaram um estudo com cobaias, separando-as em dois grupos: um dos grupos era alimentado constantemente, com intervalos nunca superiores a 10 horas, enquanto que o outro era submetido, diariamente, a um intervalo de 13 horas entre alguma das refeições diárias. O resultado foi surpreendente: a longevidade do segundo grupo foi consideravelmente maior que a do primeiro.
Isso nos faz pensar a respeito das recentes orientações nutricionais que recomendam a ingestão de alimentos a cada três horas... Para muitos, trata-se de lobby criado por grandes empresas do ramo alimentício...
Há relatos de pessoas para quem a alimentação não seja algo imprescindível. Isso mesmo, pessoas que poderiam "viver de luz" ou se alimentar de prana.



Menos radical, todavia, conhecemos ou já ouvimos falar sobre os benefícios que podem advir da prática de algum tipo de jejum. A cultura oriental sempre nos ensinou que não devemos nos alimentar em excesso. "Comer até estar 80% satisfeito" é uma das máximas desta cultura milenar.
Segundo Mahatma Gandhi, "devemos mastigar as nossas bebidas e beber os nossos alimentos".
Todas essas informações fazem-nos refletir se não há algum grau de toxidade intrínseca em todo e qualquer alimento. Não só porque estão impregnados de todo tipo de substância tóxica empregada na sua produção, mas também em razão da própria constituição do alimento e  os diversos quadros de intolerância de cada organismo humano. Se pensarmos no atual estágio da sociedade, na qual é comum que princípios éticos sucumbam frente às exigências do capitalismo, mais razão se teria para perder o apetite.
Quem já não abusou daquela feijoada de sábado e depois ficou horas em estado quase vegetativo? O nosso corpo reclama sempre que nos alimentamos um pouco além da conta. Em sentido oposto, experimente fazer um jejum de mingau de arroz durante um dia e verá que leveza sentirá em todo o seu ser!
Em tempos de massificação da sociedade, o grande pecado parece ser a padronização da alimentação. A industrialização alimentar e a vida moderna retiraram do homem o "livre arbítrio" do que levar a boca... Perdemos a capacidade de ouvir o nosso estômago, consumindo porcarias prontas, sem qualquer relação com o que o nosso organismo anseia.
Hoje não temos mais tempo de sentir fome, aquele sentimento saudável (claro, desde que voluntário). Fomos acostumados a nos pré-alimentar. "Coma menino, senão você passará fome"... A lógica parece estar invertida.
Alimentar-se bem, por vezes, pode significar não ingerir qualquer alimento, permitindo que o nosso corpo se recupere e aproveite o ventre livre para se alimentar de outro tipo de energia. 
É importante manter viva a pergunta: você come para viver, ou vive para comer?


quarta-feira, 22 de junho de 2016

OUVIRUMDUM - DIVAGAÇÕES POLÍTICAS PARA UMA NAÇÃO UTÓPICA



Por um instante, consideremos ser menos 12 de outubro e mais 7 de setembro pois só com muito 1º de maio não seremos um eterno 1º de abril. Toda essa tinta no chão me faz perguntar se as coisas não estariam ficando pretas...
Sou estudante na USP, em greve (Veja: Greve na USP) há mais de um mês. Ao invés de escrever as resenhas usuais, aproveito esse tempo de ócio para uma reflexão leve e “macunaímica”.
Como se sabe, o contrário de uma coisa sempre e inexoravelmente é: “a mesma coisa ao contrário”. A solução talvez seja o novo, o inusitado, o impensável. Um impensável que não seja dividido ou partido e muito menos um coração partido, conforme dizia aquele cantor Cazuza, senão talvez uno como o UNI verso.
Que o exemplo de Cristo irradie a luz que carecemos nesse momento e que possamos reencontrar o caminho da roça. Como sempre, aos desavisados sugiro atenção e a bondade de quando cito Cristo seja feita a devida distinção dentre as inúmeras corruptelas e variações do mesmo tema, invariavelmente em oitavas inferiores. Pois Cristo é o coração e as variações são couraçados e desgraçados, e sem a graça já se sabe que a “coisa” fica sem graxa e a engrenagem emperra.


Quando o Janine assumiu a educação estranhei, um pensador filósofo? Será que alguém está de fato interessado em transformar o gigante? Mas, ilusão, durou pouco, quase nada. Janine escreveu um livro muito bom, eu gostei! “A sociedade contra o social” minuciosamente mostra como o tecido embasado nas telenovelas prepara e molda o pensar, se antecipando muitas vezes às mudanças do cenário político do país. Além disso, o autor ressalta o fato corriqueiro no Brasil de se fazer piada de coisa séria. Quando se faz piada de coisas sérias o senso comum e a opinião pública são treinados a perderem a noção de importância de alguns fatos. Fazer piada de coisas sérias é uma forma de alienar e desviar a atenção, você já pensou nisso? De qualquer modo, a nomeação do ministro em tempo quântico não passou de mais uma piada de mau gosto com as coisas sérias. Deve ser uma loucura saber como são os bastidores de fenômenos dessa natureza.
Agora, cá entre nós, fala sério!!!
Era uma casa muito engraçada, não tinha teto não tinha nada... Quanto mais pessoas viviam ali, maior era a necessidade de alimentos e a qualidade nutricional se empobrecia na mesma medida. Não havia comida de qualidade para todos! Os preços subiam e principalmente do feijão. Porque então procriavam, não seria o caso de repensarem a natalidade e suas taxas?
As torcidas, assim como o crime, se organizaram e agora os órgãos públicos estão começando a se organizar. Fala-se em golpe, para alguns de sorte, para outros, nocaute; para você? O fato é que nesse inverno as quadrilhas continuam a solta e nas festas juninas se escuta: olha a cobra! É mentira! Quando eu era criança pensava que quando o ladrão fosse visto roubando precisaria se entregar à autoridade, cresci e aprendi que a escuta ilegal mesmo quando desvenda o crime não pode ser usada como prova no tribunal! O que é ilegal afinal?


Vejamos como Thomas More (A Utopia) descreve em sua obra magna os Utopianos em relação ao quesito legal:
“Possuem apenas um número muito restrito de leis, pois, para um povo tão instruído como os Utopianos, e com tais instituições, poucas leis são necessárias. Desaprovam principalmente nos outros povos o número interminável de leis e comentários sobre as mesmas, e que esses povos consideram ainda insuficientes. Têm como suprema injustiça que se obrigue um homem a obedecer a leis que não consegue conhecer, pois são inúmeras e tão obscuras que ninguém as pode compreender com exatidão. Excluem ainda mais rigorosamente os advogados, procuradores e solicitadores, que manejam habilmente os processos e discutem astuciosamente as leis. Pensam ser mais acertado que cada um defenda a sua própria causa e confesse diretamente ao juiz o mesmo que contaria ao advogado. Deste modo haverá menos ambiguidade, e a verdade descobrir-se-á mais facilmente, pois o juiz pesará e examinará com bom senso as razões de cada um, a quem nenhum advogado instruiu com impostura, defendendo os espíritos ingênuos e simples contra as calúnias maliciosas dos malabaristas de palavras.
É difícil observar esses princípios em países com número de leis intrincadas e equívocas. Na Utopia, no entanto, todos são advogados hábeis, pois é pequeno o número de leis que os regem e sua interpretação mais simples e vulgar é considerada a mais justa. Pois todas estas leis, dizem os Utopianos, são promulgadas com o único intento de que cada homem fique convenientemente informado de seus direitos e deveres. Ora a interpretação cheia de sutilezas e habilidades é acessível a pouca gente e só esclarece um pequeno número, enquanto as leis formuladas com clareza e simplicidade são facilmente compreendidas por todos.”
Quincas Borba, filósofo Machadiano, já havia previsto isso tudo ao entregar as batatas ao vencedor; mas a filosofia moderna ensina que o vencedor mesmo é quem consegue dividir as batatas pelo maior número de pessoas possíveis, assim todos vencem e se alguém descobrir, nada a fazer! O crime perfeito é aquele que não aconteceu, então para que votar se os vencedores já dividiram as batatas antes mesmo da eleição?
Parece-me óbvio que para correr uma maratona é preciso treino. O treino é a poupança necessária para que se consiga terminar a maratona sem morrer no caminho. Mas qual a diferença disso e a poupança necessária para a compra da casa de seus sonhos? Nenhuma! Morrer no caminho e não honrar compromissos são sinônimos; treinar para a maratona e aprender a poupar também. Tudo isso parece muito óbvio, mas porque o brasileiro tem tanta dificuldade em poupar? Alguém saberia explicar? Na festa junina de sábado eles explicaram assim: A ponte caiu! É mentira!


E porque não lembrar Erich Fromm em um trecho do livro “A sobrevivência da humanidade” onde ele faz uma imparcial análise do raciocínio normal e do raciocínio patológico na política. Nesse capítulo o autor alerta sobre os obstáculos que uma sociedade emocionalmente desequilibrada, carente e racionalmente enfraquecida (território fértil para as novelas, reality shows e esportes de massa) oferece a seus habitantes, dificultando a percepção da realidade:
“A maioria das pessoas de qualquer sociedade não tem consciência dessa deformação. Só vê a deformação quando constitui um desvio da atitude da maioria, e está convencida de que as opiniões da maioria são certas e “sãs”. Não obstante, isso não é certo. Tal como existe uma “folie à deux”, há insanidade de milhões, e o consenso no erro não faz dele uma verdade. Para gerações posteriores surgidas anos após a irrupção da insanidade em massa, o caráter insano desse raciocínio, mesmo quando partilhado por quase todos, poderá ser percebido claramente”.


O Dostoievski na obra “Os demônios” (se ainda não leu considere seriamente) descreve com clareza imparcial o modus operandi dos regimes que surgem como alternativa salvadora, mas cujo objetivo é salvarem a si mesmos. Ninguém melhor que ele, vítima do processo político russo, para elucidar como regimes aberrantes se apropriam do poder a partir da instauração sistemática do caos, senão vejamos o que ocorre no epílogo do clássico na página 646 pelo personagem Liámchin:
“À pergunta: por que tantos assassinatos, escândalos e torpezas? – Respondeu com uma pressa exaltada que era “para provocar um abalo sistemático das bases da sociedade, para a desintegração sistemática da sociedade e de todos os princípios; para deixar todo mundo em desalento e transformar tudo numa barafunda e, uma vez assim abalada a sociedade, esmorecida e doente, cínica e descrente, mas com uma sede infinita de alguma ideia diretora e de autopreservação, tomar tudo de repente em suas mãos, erguendo a bandeira da rebelião e apoiando-se em toda uma rede de quintetos, que entrementes agiam, recrutavam gente e procuravam na prática todos os procedimentos e todos os pontos frágeis aos quais podiam agarrar-se.”

Sempre surpreende os momentos em que o passado revisita o presente não acham?

quarta-feira, 15 de junho de 2016

O HOMEM ESTÁ NA CIDADE COMO UMA COISA...

Pelo neoconcretista Ferreira Gullar

O homem está na cidade
como uma coisa está em outra
e a cidade está no homem
que está em outra cidade

mas variados são os modos
como uma coisa
está em outra coisa:
o homem, por exemplo, não está na cidade
como uma árvore está

em qualquer outra
nem como uma árvore
está em qualquer uma de suas folhas
(mesmo rolando longe dela)
O homem não está na cidade
como uma árvore está num livro
quando um vento ali a folheia

a cidade está no homem
mas não da mesma maneira
que uma pássaro está numa árvore
não da mesma maneira que uma pássaro
(a imagem dele)
está/va na água
e nem da mesma maneira
que o susto do pássaro
está no pássaro que eu escrevo

a cidade está no homem
quase como a árvore voa
no pássaro que a deixa

cada coisa está em outra
de sua própria maneira
e de maneira distinta
de como está em si mesma

a cidade não está no homem
do mesmo modo que em suas
quitandas praças e ruas


terça-feira, 14 de junho de 2016

POEMA AOS CANALHAS (09/11/11)

     
Esse poeminho escrito cinco anos atrás é para aqueles de nós, que como eu,

querem melhorar, voar e lembrar...



Sabemos que suas intenções não são as melhores

e que o benefício próprio é a razão de seu viver.

Como a corrente que prende,

repare e veja sua vida

onde ela para e de que ela se nutre...

Assim como o abutre voe alto

mas imite a águia  que não anda em bando

Bandidos, projetos de benditos, acordem da letargia

antes que suas próprias vidas e vídeos os intoxiquem

de forma que não possam mais arrancar a máscara colada

por medo de encontrar quem você foi um dia.

E ainda pior!

“LEMBRAR”

o que veio fazer e esqueceu,

quando o tempo já não for seu.