quarta-feira, 1 de março de 2017

ALIMENTAÇÃO CONSCIENTE XI – FOME E ÍNDICES DE NATALIDADE

CONTINUAÇÃO DE:




Por Josué de Castro – A geopolítica da fome vol. 1 – 8ª ed. Pág. 127.
        Quando procuramos agrupar, dentro de um critério geográfico, os países de altos coeficientes de natalidade, superiores a trinta, verificamos que são todos países tropicais de condições geográficas e econômicas impróprias, tanto à produção como ao consumo de proteínas de origem animal. A alimentação, de predominância vegetal, desses países, constitui um dos fatores decisivos, influindo no segredo de sua prolificidade. Se compararmos os coeficientes de natalidade e os consumos de proteínas de origem animal, no mundo inteiro, verificaremos que existe franca correlação entre os dois fatores, baixando a fertilidade à proporção que sobre a taxa de consumo destas proteínas.
        Apresentamos, a seguir, um quadro de países dos mais diferentes coeficientes de natalidade, desde os mais elevados aos mais baixos, e no qual se evidencia, de maneira significativa, a citada correlação:
PAÍSES
COEFICIENTES DE NATALIDADE
CONSUMO DIÁRIO DE PROTEÍNAS ANIMAIS (g)
FORMOSA
MALAIA
ÍNDIA
JAPÃO
IUGOSLÁVIA
GRÉCIA
ITÁLIA
BULGÁRIA
ALEMANHA
IRLANDA
DINAMARCA
AUSTRÁLIA
E.U.A
SUÉCIA
45,6
39,7
33,0
27,0
25,9
23,5
23,4
22,2
20,0
19,1
18,3
18,0
17,9
15,0
4,7
7,5
8,7
9,7
11,2
15,2
15,2
16,8
37,3
46,7
56,1
59,9
61,4
62,6

        Estes dados foram retirados das estatísticas de 1950, apresentados no estudo de Lynn Smith (Population Analysis – 1948) sobre problemas de população e de uma publicação da FAO sobre o consumo de proteínas no mundo.
        Estes aspectos do problema alimentar referentes à influência da dieta sobre a reprodução constitui o ponto mais debatido de nosso trabalho. Desde que apareceu a primeira edição desse livro em 1951, várias críticas foram formuladas, principalmente tendo-se em vista que a ciência clássica da nutrição sempre considerou o fato de que uma dieta rica em proteínas constitui uma condição indispensável à boa capacidade reprodutiva. Considerando a alta importância desse assunto, pela repercussão e aplicação social que poderá ter esta teoria no campo prático da política demográfica, tomamos a deliberação de prosseguir em nossos trabalhos experimentais sob cujos resultados pretendemos publicar um trabalho especialmente dedicado ao problema da alimentação e reprodução. Aproveitamos, no entanto, a oportunidade do aparecimento desta nova edição para apresentar, de forma sintética, alguns fatos novos oriundos da investigação de outros estudiosos da matéria e da observação de fatos sociais que confirmam os nossos pontos de vista.
(Estes fatos e observações constam nas páginas 129-131 da presente obra referenciada no início do texto).
        Com estas observações e estas cifras, desejamos concluir por afirmar que, em última análise, a multiplicação exagerada da espécie, por sua excessiva fertilidade, constitui também uma forma de fome específica, uma das mais estranhas marcas do fenômeno da fome universal.
        Este aspecto do problema tem, a nosso ver, importância primordial, desde que fornece base biológica para apoio de nossa teoria – a teoria da fome específica como causa de superpopulação; da fome provocando o lançamento intempestivo, no metabolismo demográfico do mundo, de produtos humanos fabricados em excesso e de qualidade inferior.

        Como o mecanismo através do qual se exerce esta ação desequilibrante e degradante da fome crônica sobre a evolução demográfica dos grupos humanos envolve aspectos econômicos e sociais, ao lado dos aspectos biológicos, deixamos para desenvolver o assunto na ocasião oportuna, ao estudarmos o problema da fome no Extremo Oriente, área onde a superpopulação relativa se apresenta, nitidamente, como uma das mais estranhas e graves manifestações de fome específica.

SOBRE ANJOS - ESTÓRIAS E OUTRAS COISAS

Continuação de: O ANJO EM MIM


       O materialista em sua coragem escolheu um mundo e um modo de viver divorciados de tudo o que não pode ser apreendido pelos cinco sentidos físicos. Como consequência, entendeu ser o humano, do ponto de vista vida ou biológico, o mais elevado entre os seres. Escolheu ainda que seu reino, o reino humano, unido aos reinos animal, vegetal e mineral, compreende tudo o que possa ser objeto de estudo ou ainda as únicas instâncias que merecem a alcunha de realidade.
      Para os demais, permeáveis ao incognoscível, em que momento da evolução humana nos desconectamos dos anjos? Em que momento voltaremos a nos conectar?




      Algumas histórias de anjos carecem ser lidas como: “O anjo está perto” de Chopra, o conto “Do que os homens precisam” de Tolstói (Contos Populares – década de 1880) e o inigualável Guimarães Rosa (Primeiras Estórias) no conto “Um moço muito branco”. Cada um, a seu modo, compartilha seus olhares concernentes a esse reino suprafísico imediato ao humano. Cada um abre uma janela de possibilidades de relação com essa classe de seres pouco compreendidos e pouco visitados, ao menos daqui pra lá...
      Chopra aproxima a ideia de anjo à da luz. Na medida em que o personagem se permite entrar em relação com ela (Luz), a mesma se metamorfoseia em um ser antropomórfico disponível ao diálogo.
– Eu sei que nós chamamos vocês de anjos, mas o que você é para si próprio? Há algum nome que você use?
– Na verdade, não. Quando vejo a mim sou apenas uma janela. Se quiser pode olhar através de mim. Sou transparente. É assim que sou para Deus e, portanto para mim.
      O curioso em Chopra é a ideia da presença do anjo causar um aumento da consciência das pessoas que estão em proximidade a ele; consciência que na maior parte das vezes se dissipa com o afastamento do anjo, dado que o humano não teria desenvolvido em si a força de sustentação para aquela consciência. Isso se assemelha à experiência humana de entendermos algo quando alguém que sabe àquele respeito nos explica, mas que se esvai de nossa compreensão quando da ausência daquela pessoa sabidona.
      Em Tolstói, Mikhail cumpre contrariado uma missão e perde as asas pela inconformidade com o que lhe foi solicitado. Aprende com o humano sobre algo que no reino que habitava não era possível aprender. Traz em si três perguntas a serem respondidas: “O que existe nos homens? O que não é dado aos homens? Do que vivem os homens?”. Sua luz aumenta conforme aprende, é silencioso e hábil além de capaz de enxergar além das aparências. Reconquista as asas ao encontrar as respostas e compreender que o mal que acreditou ter feito visava um bem maior, impossível de compreender então.
      Finalmente, Guimarães pinta com palavras a estória de um moço muito branco, que aparece, não se lembra, visto para ele só haver o presente, e em todos que se aproxima desperta aquilo que mais carecem. Desaparece como apareceu em meio a fenômenos extremos da natureza sob chuva, raios e trovões...
      Estórias anedóticas para uns, realidade para outros, estão contadas aí para quem quiser ler. Se fosse você eu leria, para não dizer depois que não sabia...
No caso do assunto interessar, vale ler também: de Matthew Fox e Rupert Sheldrake “A física dos anjos”, uma visão científica e filosófica dos seres celestiais; de Rudolf Steiner “O anjo em nosso corpo astral” e “A Ciência Oculta”; de Max Heindel “Conceito Rosacruz do Cosmos”; de Diether Lauenstein “As Leis Biográficas à Luz da Biblia”; de Mônica Bonfiglio “A magia dos anjos cabalísticos” e de Wim Wenders o filme “Asas do desejo”. Finalmente, para uma compreensão mais lúcida é imprescindível a leitura das lâminas 14 (A Temperança) e 15 (O Diabo) na obra magistral “Meditações Sobre os 22 Arcanos Maiores do Tarô” escrita por autor anônimo pela editora Paulus.




Ao ignorarmos a presença dos anjos fecham-se as portas conscientes aos demais reinos, ou seja: arcanjos, principados, potestades, virtudes, dominações, tronos, querubins, serafins, terafins e xeofins; síntese que integra a “antena” cósmica do humano.
Se você nasceu sem asas não faça nada para impedi-las de crescer.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

SOBRE POLÍTICA – FERNANDO PESSOA

        A ordem de Cristo não tem graus, templo, rito,
Subsolo.
A Ordem de Cristo não tem graus, templo, rito, insígnia ou passe. Não precisa reunir, e os seus cavaleiros, para assim lhes chamar, conhecem-se sem saber uns dos outros, falam-se sem o que propriamente se chama linguagem. Quando se é escudeiro dela não se está ainda nela; quando se é mestre dela já se lhe não pertence. Nestas palavras obscuras se conta quanto basta para quem, que o queira ou saiba, entenda o que é a Ordem de Cristo — a mais sublime de todas do mundo.
Não se entra para a Ordem de Cristo por nenhuma iniciação, ou, pelo menos, por nenhuma iniciação que possa ser descrita em palavras. Não se entra para ela por querer ou por ser chamado; nisto ela se conforma com a fórmula dos mestres: «Quando o discípulo está pronto, o Mestre está pronto também». E é na palavra «pronto» que está o sentido vário, conforme as ordens e as regras.
Fiel à sua obediência — se assim se pode chamar onde não há obedecer — à Fraternidade de quem é filha e mãe, há nela a perfeita regra de Liberdade, Igualdade, Fraternidade. Os seus cavaleiros — chamemos-lhes sempre assim — não dependem de ninguém, não obedecem a ninguém, não precisam de ninguém, nem da Fraternidade de que dependem, a quem obedecem e de que precisam. Os seus cavaleiros são entre si perfeitamente iguais naquilo que os torna cavaleiros; acabou entre eles toda a diferença que há em todas as coisas do mundo. Os seus cavaleiros são ligados uns aos outros pelo simples laço de serem tais, e assim são irmãos, não sócios nem associados. São irmãos, digamos assim, porque nasceram tais. Na ordem de Cristo não há juramento nem obrigação.
Ela, sendo assim tão semelhante à Fraternidade em que respira, porque, segundo a Regra, «o que está em baixo é como o que está em cima», não é contudo aquela Fraternidade: é ainda uma ordem, embora uma Ordem Fraterna, ao passo que a Fraternidade não é uma ordem.

s.d.

Fernando Pessoa e a Filosofia Hermética - Fragmentos do espólio . Fernando Pessoa. (Introdução e organização de Yvette K. Centeno.) Lisboa: Presença, 1985. - 47.

sábado, 18 de fevereiro de 2017

SOBRE POLÍTICA - PIERRE TEILHARD DE CHARDIN

No texto abaixo, Chardin sugere o Cristianismo como alternativa aos regimes políticos atuais. Um exercício para a imaginação...


"Em caso algum o Cosmo poderia ser concebido, realizado, sem um Centro supremo de consistência espiritual. Não apenas por força das fórmulas especiais da União criadora, mas em qualquer Metafísica que se preze, imaginar a criação Isolada de um átomo ou de um grupo de mônadas seria absurdo: o que é desejado e obtido, na Criação, é primeiro o Todo, e em seguida o resto nele, depois dele. Em qualquer hipótese, o Mundo, para ser pensável, exige ser centrado. Por conseguinte, a presença à sua frente, de um ômega nada tem a ver com o fato de sua “elevação sobrenatural”. O que faz exatamente a característica “graciosa” do Mundo, é que o lugar de Centro universal não foi dado a um nenhum supremo intermediário entre Deus e o Universo; mas foi ocupado pela própria Divindade, - que nos introduziu, assim, in et cum Mundo, no seio trinitário de sua imanência.
Em suma – o Mundo é uma vasta Cosmogênese? Cristo é o motor. Essa Cosmogênese é processo que se orienta? Cristo é seu alvo, Cristo a atrai. Alfa e ômega, Cristo é um ser em que o Pessoal se expande até se fazer Universal. O Cristianismo impregna, então todo um programa que, ao mesmo tempo, ultrapassa as correntes confusas da Democracia decadente, do Comunismo e do Fascismo nascentes e se superpõe aos ateísmos militantes, aos espiritualismos desencarnados, às religiões anêmicas. Não é mais necessário, portanto, procurar a “ponte” entre as naturezas ou as Coisas num Universo em que a unidade é o estado de equilíbrio para o qual tendem os seres, espiritualizando-se."

Pierre Teilhard de Chardin

domingo, 12 de fevereiro de 2017

SAÚDE E DOENÇA - DOIS LADOS DA MESMA MOEDA III

TEXTOS AFINS:


Colunas de saúde nos jornais falam sobre doenças, programas de saúde enfocam nas doenças, os órgãos de saúde só são utilizados por pessoas em estado de doença. Ministério da saúde adverte enfocando a doença. Faria sentido um ministério só para a doença e outro apenas para a saúde? Saúde na comunicação em primeiro lugar, saúde na educação, saúde na justiça, saúde social e saúde econômica.
Precisamos de um plano de saúde! Mas não desses usados quando não há mais tempo, melhor denominados planos de doenças. Doença e dinheiro são parceiros, assim como o fazem saúde e consciência. A principal campanha de vacinação é a vacinação consciencial. O momento atual pede a troca das pílulas de doença por pérolas de saúde, preservar o bem maior (saúde) e não correr atrás do prejuízo (doença) quando já é tarde.
Um primeiro passo nessa direção implica em fazer as perguntas adequadas para que o incômodo inicial gere o movimento da consciência:
O que é mais importante para um ser humano, formação ou informação?
A mídia promove a formação, informação ou deformação do pensar?
A Universidade forma, informa ou deforma os alunos?
A estrutura familiar forma, informa ou deforma seus filhos?
Não é possível propor qualquer sugestão de melhora social se desviarmos o olhar de questões fundamentais que a princípio podem incomodar. Afinal, informação sem que a pessoa seja formada acaba em problemas ou em alguém querendo tirar vantagem de outrem. Quando se opta por um sistema que deforma e anestesia, o efeito colateral é a impossibilidade do despertar que impulsione o interesse das pessoas na direção da saúde. Acertar requer esforço e quando se vive em um meio que prega a lei do mínimo esforço não surpreende o atual estado das coisas.
Se pensarmos por analogia em um rio contaminado e como tratá-lo, as diferentes estratégias das medicinas da saúde e da doença podem ser mais bem compreendidas. Uma medicina que enfoca a doença vai atacar a contaminação de frente, colocando barcos para drenagem do lixo, aprofundando o leito do rio, jogando substâncias químicas, tentando aumentar o seu fluxo cimentando as bordas e assim por diante, como se sabe. Note que o tratamento aqui vai em direção ao resultado imediato e que seja sentido pelo “paciente” em pouco tempo, daí a intervenção ser tão intensa ao ponto de agir sobre a própria “anatomia” do rio, desconsiderando sua “fisiologia”, como se ele fosse um objeto ou uma máquina a ser consertada.
A mesma situação vista pela medicina da saúde adquire perspectiva bastante diversa. O rio, como se sabe, é uma espécie de ser vivo, tem uma nascente, comporta vida em si, interage com o meio ambiente por onde passa e finalmente assim como nasce tem uma foz onde deságua e se religa ao mar. Assim a medicina que enfoca a saúde vai agir de forma mais profunda apesar de menos agressiva, se valendo da própria vida do rio como fonte propulsora para seu tratamento. Chegando às causas da contaminação a medicina da saúde age inibindo os agentes contaminantes. Isto pode ser muito complexo, pois no caso do rio os poluidores são empresas e pessoas ligadas às esferas do tecido produtivo nacional, eventualmente populações de moradores de edifícios, sejam suntuosos ou “malocosos”, à beira dos leitos onde despejam seus esgotos. Deixar de depositar o esgoto no rio implica em um grande sacrifício para todos, pois elevará gastos com obras de infraestrutura, além de terem efeitos apenas no médio ao longo prazo.
O mesmo acontece quando uma pessoa doente precisa abandonar os maus hábitos que a conduziram ao adoecer, requer esforço e sacrifício pessoal. Apesar de ser óbvio o que fazer, muitos preferem intervenções rápidas e paliativas que permitam o retorno aos mesmos hábitos a uma revisão geral seguida pela mudança comportamental. É importante notar que o próprio rio tem vida e poder de recuperação, caso deixemos de destruí-lo, o mesmo ocorrendo com a saúde. Se para o rio ficar saudável o lema deve ser: “vamos trazer os peixes de volta ao rio”, para o corpo são o lema é: “vamos deixar de ser dormentes e nos tornar seres conscientes”.
É clara a importância e a complementaridade entre as duas medicinas, mas fica agora gritante em que implica a prática da medicina da doença sem a percepção ampliada da medicina da saúde. Salta aos olhos a falta de sentido e o desperdício que é tratar doenças sem concomitantemente cuidar da saúde.
A medicina da doença se baseia na cura e na prevenção; a medicina da saúde por sua vez na preservação e na promoção. Duas medicinas que se complementam sendo a segunda superior à primeira. Prevenir e curar doenças são importantes, mas preservar e promover saúde são fundamentais. Mas afinal qual a diferença entre promover saúde e prevenir doenças? A diferença é toda. As pessoas se previnem geralmente por medo ou receio de que algo lhes aconteça, e por isso fazem seguros ou planos que supostamente as protegeriam. No entanto a própria tentativa de se proteger promove um estado interior de retração ou contração, devido ao medo. Este medo age gerando reflexos em todas as esferas do ser, principalmente sobre o tônus vascular promovendo hipertensão, e sobre o tônus imunológico promovendo imunodepressão. Assim, a aparentemente simples atitude de se prevenir implica em uma atitude reflexa de receptividade a experiências e estados mórbidos que naturalmente acompanham os seres amedrontados em relação aos desafios da vida.
Oposto disso, o promover saúde, coloca o ser em estado de expansão e entrega confiante ao viver, anticorpos naturais para situações sombrias, que ainda que ocorram serão menos traumatizantes e mais construtivas. Promover saúde é expandir a consciência, a partir do que uma prevenção natural sobrevirá. Entretanto agora não gerada pelo medo, mas pelo interesse e prontidão em viver de forma a sempre ampliar o horizonte de possibilidades. Apesar de não ter a suposta certeza de uma segurança comprada, ser o melhor que posso e estar pronto para o que der e vier abrem a vida para a graça, assim como a flor recebe a chuva. Viver com medo dificulta o contato com a graça, que apesar de independente, não chega aos desgraçados fechados à sua visita pelo medo.
Mas porque afinal as colunas de saúde dos jornais só falam em doenças? Quem ganha com isso? Porque os órgãos responsáveis enfocam nas doenças e falam tão pouco em saúde? Se campanhas de vacinação movimentam o mercado e as correspondentes verbas governamentais, tudo bem, mas é fundamental a contraparte que requer verba ínfima comparativamente e que diz respeito à vacinação da consciência das pessoas para questões importantes de saúde pública.
O artigo: Ricos aceitam melhor publicidade em escolas mostra a relevância da questão ao comparar a diferença entre a legislação dos diferentes países (EUA, Alemanha, Portugal e Brasil) em relação ao marketing infantil assim como o cuidado que cada país tem com a forma como suas crianças são educadas. Se os atuais planos de “doença” se beneficiam do sofrimento de seus associados e da exploração dos profissionais de saúde, urge que busquemos planos de saúde que enfoquem a saúde e estimulem seus clientes numa verdadeira relação de sócio em que o pagador receba orientações que expandam a consciência fazendo a vida ser sinônimo de saúde plena.
Na educação para a saúde a formação (educere) da pessoa tem valor superior ao da informação (educare). O ser pleno e saudável tem boa formação de maneira geral, tendo o SER primazia sobre o TER. Somos seres humanos e não teres humanos, lembrando que o caminho para a doença começa quando a vida se afasta do SER na direção do TER do mesmo modo que a saúde e a vitalidade aumentam na direção do SER.
Ser implica em consciência, lanterna do homem saudável e espelho para o homem doente que vendo-se refletido no exemplo a ser imitado encontra referência e fonte de inspiração para sair da horizontal do adormecimento e entrar na vertical do despertar.
Você pensa a esse respeito?

segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

ESPERMIDINA E MEMÓRIA - NEUROCIÊNCIA E FILOSOFIA



Em alguns homens, as funções digestivas e sexuais absorvem o poder vital, e quanto mais fortes são estas, mais o indivíduo é fraco. Quanto mais perecem destas vespas, tanto melhor é para a colmeia. Se, mais tarde, derem origem a algum indivíduo superior, que possua bastante força para acrescentar uma nova aspiração a esse ser animal e meios completos para realizar, esquecer-se-ão com alegria todos os antepassados. Muitos homens e muitas mulheres são simplesmente um casal a mais. De quando em quando, uma pequena célula ou câmara nova se abre no cérebro de um deles – aptidão que não modifica de modo algum a classe do ser na escala da natureza, porém serve para passar o tempo, continuando como antes a vida sensual.

LINKS:


           Aquecendo os motores para o carnaval, algumas considerações sobre sua matéria prima, claro com o máximo de pudor, respeito e rigor científico que o tema demanda!
Sexo, drogas (álcool) e rock’n roll (carnaval) compõem uma trindade com um exército de seguidores que sempre causou surpresa aos cultores de outras trindades menos libertinas. A antropogênese, criação do homem, é terreno movediço, especialmente quando nos permitimos aprofundar em diferentes abordagens e aspectos do assunto. Vejamos assim uma pitada a esse respeito quando comparamos um estudo recente, mencionado na revista Ser Médico do CREMESP número 77 de dezembro 2016, com escritos da filosofia rosacruz, por Max Heindel.

FRAGMENTO DA REVISTA SER MÉDICO:
      Para não esquecer,
      Não é novidade que a capacidade de memorização de muitas pessoas diminui drasticamente com o envelhecimento, devido à alteração nas sinapses, conexões entre os neurônios responsáveis pela formação de memórias. Mas não precisa ser assim. Segundo um artigo publicado, recentemente, na revista Plos, uma substância natural produzida pelo próprio corpo pode evitar, por exemplo, o Mal de Alzheimer. O estudo, feito por pesquisadores de universidades de Berlim, Göttingen, na Alemanha, e Graz, na Áustria, concluiu que a espermidina, composto orgânico envolvido no metabolismo celular, pode ajudar a evitar alterações sinápticas relacionadas com a idade. Ao atuar nos neurônios, o composto protegeria as sinapses da perda de memória típica da idade.

ACESSE AQUI O TRABALHO NA ÍNTEGRA:

Resumo do trabalho:
Acredita-se que as memórias são formadas por grupos de sinapses que mudam seu formato estrutural com atividade. A eficácia da formação de novas memórias declina com o avançar da idade, mas as mudanças sinápticas que ocorrem com o envelhecimento são pouco compreendidas. Recentemente, descobrimos que o aumento da oferta de espermidina está relacionado à supressão da perda de memória com a idade. Aqui, demonstramos que um compartimento sináptico específico, a zona ativa pré-sináptica (ZA), aumenta a extensão de sua elaboração ultraestrutural e libera significantemente mais vesículas sinápticas com o avançar da idade. Estes achados induzidos pela idade sobre a ZA, entretanto, foram totalmente suprimidos pela ingesta de espermidina... Isso indica que a administração de espermidina suprime as alterações de memória idade dependente diretamente na sinapse.

FRAGMENTO DO LIVRO A FILOSOFIA ROSACRUZ EM PERGUNTAS E RESPOSTAS VOL. 1 - PERGUNTA 7:
            Qual o propósito da divisão dos sexos?
            A divisão dos sexos foi efetuada num estágio bem antigo da evolução humana, quando o homem ainda não tinha cérebro ou laringe. Metade da força criadora foi, então, dirigida para cima, para que estes dois órgãos pudessem ser construídos. O cérebro foi criado com o intuito de permitir a evolução do pensamento, que torna o homem capaz de criar no Mundo Físico. Casas, cidades, navios, ferrovias, tudo quanto é realizado pela mão do homem, é pensamento humano cristalizado. A laringe foi também formada pela força criadora do sexo, para que o homem pudesse expressar seus pensamentos. A conexão entre estes órgãos e a força expressa através do órgão criador inferior, torna-se evidente ao lembrarmo-nos que a voz do menino, que possui a força criadora positiva, muda na época da puberdade, quando ele se torna capaz de perpetuar a sua espécie. Recordamos também que o homem que abusa da energia sexual torna-se um idiota, enquanto o pensador profundo, que concentra quase toda a sua força criadora no pensamento, terá pouca ou nenhuma inclinação para as práticas amorosas de natureza sexual.
       Antes desta divisão, o homem era, a exemplo de certas plantas, uma unidade criadora completa capaz de perpetuar a sua espécie sem o auxílio de outrem. As faculdades de pensamento e da fala foram adquiridas em detrimento desta força criadora; mas hoje, esta metade da força criadora, que é expressa através do cérebro e da laringe, pode ser empregada na criação dos elementos terrenos - casas, navios etc.

SAÚDE É CONSCIÊNCIA
Semelhanças entre Espermatozoides e Neurônios

      O referido estudo europeu sugere e mostra o efeito neuroprotetor da espermidina, essa substância presente no esperma. Não discute, no entanto, se resguardar a eliminação do esperma pode ter alguma função neuroprotetora sobre a preservação sináptica e, portanto sobre a capacidade de neuroplasticidade encefálica. Por outro lado, de acordo com a abordagem da referida filosofia, tal associação é tida como fato.


Será que a ciência caminha em direção a essa conclusão também? Mídia e sociedade, no aspecto grande massa, curiosamente, observemos, se deliciam ao toque dos impulsos de natureza libidinosa, estimulantes primários da sociedade de consumo. Apesar de observar isso tudo ser muito divertido é preciso estar disponível, se não para mudar, ao menos para compreender o atual estado das coisas. Após a constatação dos efeitos neurodegenerativos do álcool, a ciência espreita agora os “prazeres da carne”, mas a pergunta que não cala é: será que o “Rock n roll” e variações escaparão dos ensaios científicos e suas conclusões? Acompanhemos de perto os próximos empolgantes capítulos da novela do humano em evolução e quem sabe saberemos, claro se a memória permitir!
      Para os que se recusam a esperar, os aficionados em saúde e também os apreciadores de estudos sobre doenças, vale a pena uma olhadinha no que a ciência já descreveu a respeito dos efeitos antiproliferativos da espermina e da espermidina sobre alguns tipos de câncer.

Mais um capítulo insólito da comédia humana e suas descobertas.