quinta-feira, 7 de agosto de 2014

SETE VEZES? - SETE VEZES SETENTA!



Nada é em vão neste mundo de luz…
Em um momento que o partir para a ignorância se mostra cada vez mais enfático, talvez importe ser um pouco menos ignorante. O ignorante, diferente do tapado, é aquele que ignora, não sabe. Por ignorar repete o que ouviu ou disseram, visto não "ter tempo", esta de fato sina do ignorante, não ter tempo...

Quando o tempo não há, aí o tempo fecha!
Quando há tempo a ignorância não passa pela brecha.

Sete escritos, sete obras que ajudam observar desde saúde à insanidade, o movimento humano na matéria assim como o movimento moral em diferentes momentos e nas diferentes camadas de consciência que o humano pode operar. Referências indispensáveis para os que buscam um melhor entendimento das razões profundas da situação em que a humanidade se encontra no presente. Existe uma medicina na literatura e na história da humanidade, não carece de prescrição médica, senão da boa vontade do estudante humano.
Carlos Marx – O capital - http://pt.wikipedia.org/wiki/Karl_Marx
(Como a obra é extensa e as repetições constantes sugere-se a edição resumida por Julian Borchardt traduzida para o português).
Adolfo Hitler – Minha luta - http://pt.wikipedia.org/wiki/Adolf_Hitler
Michael Ende – A história sem fim - http://en.wikipedia.org/wiki/Michael_Ende  
Erich Fromm – O medo à liberdade - http://pt.wikipedia.org/wiki/Erich_fromm
Jiddu Krishnamurti – A arte de aprender – Carta às escolas - http://pt.wikipedia.org/wiki/Jiddu_Krishnamurti
Peter L. Berger e Anton Zijderveld – Em favor da dúvida – como ter convicções sem se tornar um fanático
Herman Hesse – O jogo das contas de vidro - http://pt.wikipedia.org/wiki/Hermann_Hesse
Após a leitura ou se já leu, seu comentário será muito bem vindo.
Marcas do que se foi, um dia crianças e já no outro, pegadas de convicções desde o caos ao cosmos...

terça-feira, 5 de agosto de 2014

ASTROLOGIA – ARIANO SUASSUNA

Por: Ariano Suassuna - extraído do livro "Romance d'A Pedra do Reino"



Pedro Dinis Quaderna nasceu a 16 de Junho de 1897, na terceira década do Signo de Gêmeos, tempo no qual, segundo os livros de Astrologia, “pode nascer um Gênio verdadeiro”, sendo as pessoas nascidas aí “afetuosas e inconstantes, mas assinaladas e terríveis”. O Planeta desse signo, é Mercúrio, astro que, segundo o Lunário Perpétuo, tem domínio “sobre os Poetas-escrivães, letrados, Pintores, ourives, bordadores, tratantes, diligentes e mercadores”, sendo de notar que, quando há predominância das influências maléficas, aparecem entre os de Gêmeos “os charlatães, Palhaços, embusteiros, ladrões, estelionatários e falsificadores”!
– Como foi que você disse, meu Padrinho? – indaguei como se fosse de modo casual. – Você falou em poetas-escrivães, foi? Ouviu, Samuel? Quer dizer que eu sou como Pero Vaz de Caminha, um poeta-escrivão da Armada Brasileira!
O Fidalgo deu um muxoxo:
– O que você pode ser é um Palhaço, marcado pela “influência maléfica de Gêmeos e Mercúrio”, um embusteiro e falsificador de moeda!
– Não faltando com o respeito, o senhor está enganado, Doutor Samuel! – contestou João Melchíades. – Na terceira década do signo de Gêmeos, os influxos astrais são benéficos, pois Mercúrio já está iluminado pelo Sol! Aliás, Dinis sabe disso melhor do que eu, e pediu ao irmão dele, Taparica, para cortar um taco de madeira, representando o carro de Mercúrio alumiado pelo Sol e conduzido por um Gavião, com o signo de Gêmeos nas rodas!

quinta-feira, 3 de julho de 2014

O MÉDICO E O MEDO


Tão longe tão perto
o médico do medo.
Não sabe, é certo,
que a medicina que assina
faz escravo homem liberto,
e portanto não é sina do médico esperto,
mas d’outro que ainda
não teve olhos abertos.

Que a assassina ceda espaço
amiúde e humilde
a todo médico da Saúde.
Que assim a semelhança de
médico e medo
doutor e dor
se dissolva na esperança
da medicina do amor.


terça-feira, 1 de julho de 2014

SALUTOGÊNESE



Por: Dra. Ana Cristina Guimarães


O conceito de Salutogênese foi proposto na segunda metade do século XX pelo médico e sociólogo norte americano Aaron Antonovsky.
Do latim, Salus- sanidade e do grego Gênesis- origem, portanto ele significa a origem da sanidade ou da saúde. A noção se contrapõe a “Patogênese”, que consiste no conceito da Medicina atual, fundamentada na busca e na origem das doenças. Os dois conceitos são complementares, pois obviamente precisamos saber a causa e o tratamento das doenças.
Porém, na Salutogênese a pergunta primária é outra. Como desenvolver e manter a saúde de uma população ou de um indivíduo?
Surge o conceito de “resiliência”, ou seja, resistência. Por que alguns indivíduos submetidos a um stress constante, físico e psíquico, sobrevivem sem adoecer, enquanto outros não têm tantas condições de resistência?
Trazendo para o nosso dia a dia, a preocupação primária de uma empresa ou de um governo deveria ser sobre quais os programas que poderiam ser implementados para que os funcionários ou a população não adoecessem. Quando adoecemos, já estamos correndo atrás do prejuízo: horas perdidas de trabalho, o custo enorme dos remédios ou de internações hospitalares. O velho ditado “prevenir é melhor do que remediar” demonstra-se verdadeiro tanto em nível pessoal, como em nível de política empresarial e pública.

Um brasileiro manter-se saudável atualmente é um verdadeiro “milagre divino”.
Porém, quando pensamos em “prevenir” uma doença, logo pensamos em exames de laboratório para “check-up”, ou uma consulta médica para “ver se está tudo bem...”.  Muitas vezes, vemos pacientes sedentários, fumantes e estressados saírem do consultório, felizes por seus exames não apresentarem nenhuma alteração. Em um caso como este, o fato dos exames estarem normais não significa nada e seria até um fator precipitante de doença, pois não serviu para que este paciente tomasse consciência de seu estilo de vida. Entretanto, na verdade não estaremos prevenindo nada com estes atos, apenas participando do conceito “patogênico”, com foco na doença e não na saúde.
Encarando desta maneira, a questão da saúde torna-se primariamente uma questão pedagógica. Ensinar a ser saudável é a primeira preocupação da Medicina da Saúde.
Segundo Antonovsky, os recursos promotores de saúde podem ser divididos em dois grupos.
O primeiro grupo seria atributivo, isto é, não dependente de nós:
-hereditariedade favorável, bom nível nutricional desde a infância, atendimento as necessidades afetivas básicas da infância, bom nível sócio econômico familiar, integração familiar, boa qualidade de vida em relação ao meio ambiente.
Quem teve a felicidade de receber uma boa educação, em um ambiente familiar amoroso e morando em um meio ambiente ecológico agradável já é um grande de candidato a adoecer menos. Como isto nos foi dado (ou não), não podemos agir sobre estes fatores, mas podemos pensar em nossos filhos ou na próxima geração, promovendo uma alimentação saudável, procurando criar um espaço familiar de harmonia e pensando coletivamente em como melhorar o meio ambiente. Percebemos também com este conceito, que políticas públicas que visem melhorar a qualidade de vida de uma grande cidade, aumentando áreas verdes, combatendo a poluição, seriam de extrema importância para a saúde.
O segundo grupo de fatores salutogenéticos seria aquisitivo, isto é, obtidos por nosso esforço voluntário:
 - coerente projeto de vida, boa situação sócio-cultural individual, boa interação afetiva, auto-cultivo em termos estéticos, filosóficos e espirituais, engajamento ideológico nobre.
Quando pensamos em “manter a saúde” logo nos vem à mente exercícios físicos (horas de academia) ou dietas restritivas. Obviamente uma dieta controlada, e certo grau de atividade física são importantes, porém no conceito salutogênico, as questões mais enfatizadas são as sociais, espirituais e culturais.
Diversos estudos mostram a importância de questões anímicas tais como cultivar alguma espécie de religiosidade, a sensação de que existe uma intencionalidade ou “sentido” para a vida, e o menor adoecimento ou maior resistência de pacientes acometidos por doenças graves, como, por exemplo, o câncer. Segue um exemplo de estudo, no link:

No conceito salutogênico, arte e cultura também são promotoras de saúde. Trabalhos tem demonstrado a importância da música e de atividades artísticas relacionadas à manutenção da saúde, pois atuam melhorando o anímico-espiritual.

 Como estamos levando a nossa vida diária e quanto tempo dedicamos a alguma atividade que não seja o trabalho?!
Para a manutenção da saúde devemos incorporar algum tempo para as atividades nutridoras de nossa alma, tais como leitura, música, arte; procurar estabelecer um ambiente de harmonia, tanto em casa como no trabalho; cultivar uma religião (oficial ou não) ou estudar filosofia. Amplia-se assim o antigo conceito de que saúde está apenas relacionada à prática esportiva, alimentação regrada e visitas regulares ao médico.

Para saber mais: Moraes, Wesley Aragão: Salutogênese e Auto-Cultivo, uma abordagem interdisciplinar. Instituto Gaia. 2006.

SUGESTÃO DE EVENTO