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terça-feira, 3 de dezembro de 2019

A PERGUNTA É A MÃE DA RESPOSTA

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        Perguntas e respostas são irmãs em diferentes estágios de maturidade. A pergunta é a resposta que ainda não nasceu. Como não nasceu, pode ser todas as respostas imagináveis e inimagináveis. Ainda que a pergunta seja mais antiga que a resposta, e, portanto, com mais saber em si, a pessoa média quer respostas.
        A pessoa média não aprecia pensar sobre a morte, mas não percebe que respostas se assemelham a perguntas mortas. Pobres aqueles que têm suas perguntas todas respondidas. As perguntas tecem o chão que sustentam os corajosos. Sim, pois a ação do coração é a melhor resposta e que sempre pode acontecer de outros modos, ainda que a pergunta se repita.
        Cada pulso do coração é a resposta necessária para que a vida prossiga. Se o coração não responde, a pergunta cala. No calabouço, é a pergunta que tem o poder de renovar, reanimar, ressuscitar. Perguntas vibram com a vida. Uma resposta representa a morte de todas as possibilidades.
        Quando penso quem sou, devo lembrar de incluir se sou mais pergunta ou resposta, mais nascimento ou morte em meus encontros e ainda se sou mais possibilidades ou certeza. E uma vez sabendo, me corrigir em cada respiração, essa pequena fatia de porvir que nos define.
        A pergunta está grávida! Conhece esse estado? Sabe o que nascerá?
      Então? Como alcançar esse estado de portar em si todas as perguntas? Como suportar a tensão dilacerante das respostas indigestas? Como viver a tentação da escolha de possibilidade que exclui as demais? Como na esperança do parto normal aceitar a necessidade da eventual cesariana?
Enfim, como libertar a mente dos vícios e compreender que todo preconceito reside na resposta certa e na certeza, que é ainda mais mortal e cada vez menos vital, quando absoluta. Como será portar todas as perguntas? Não lhe parece mais do que portar todas as respostas?
Existem coisas que sabemos e também coisas que sabemos que não sabemos. Mas existe uma terceira natureza de coisas, as mais interessantes. Falo das coisas que não sabemos que não sabemos. Ouso dizer que as perguntas estão mais próximas dessa última classe de coisas, do que as respostas. Perguntas são movimentos e respostas são paradas; sim é preciso parar eventualmente, mas sem perder de vista o fluxo e o fluir.
A pergunta é uma das, senão a maior conquista na vida da pessoa. Quando a pessoa atinge sua maturidade plena surge a pergunta. A pergunta é a melhor síntese que alguém pode alcançar em relação a um assunto. Todas as respostas moram nela. Quem seria esse ser capaz de suportar em si o movimento de todas as respostas. Quem poderia suportar em seu íntimo a liberdade de arbítrio de cada resposta e ainda assim sustentar a vida da pergunta?
A pergunta é curva e nela não é possível a visão definir o que está por vir. A resposta é reta, não se esconde, pode ser vista. Mas, e sempre há um mas, quando eu vejo, meu interior se dobra, se curva, tende a...
Na insuficiência da prosa, com a devida licença:
Ainda que curvas, uma dentro e outra fora, diferentes aspectos afloram. A curva dentro deforma o ser enquanto a outra reforma. Reformar é o efeito vivificante da morte. Deformar é seu lado que nos faz temer; que nos impossibilita permanecer quando o aspecto físico já não mais pode se sustentar.
Quando aprendo a caminhar nas curvas da vida e com o “pão de cada dia”, de surpresa, de coincidência, da mudança me alimento, cada vez menos terei que comer do “pão que o diabo amassou”.
O sobrenome da certeza é absoluta e seus irmãos gêmeos a prepotência e a soberba.
Não saber não é um estado vazio, senão de posse de todas as perguntas associado a outro estado, o de permeabilidade plena a todas as possibilidades. Essa permeabilidade é o princípio da sabedoria, assim como a certeza é o princípio da vida infernal. Claro que me refiro aqui ao inferno grego - entrada, tribunal e as três regiões comandadas por Hades.

SUGESTÃO DE EVENTO MENSAL - CONSCIÊNCIA - ATMA

terça-feira, 19 de março de 2019

CRIANÇA INTERIOR

POR: GERALDO DRUMOND


É na medida que não nos reconhecemos e não nos valorizamos, que buscamos o reconhecimento do outro. E é importante que saibamos que o relacionamento mais importante que temos é entre nossa mente consciente e nosso subconsciente, que é representado pela nossa criança interior. Este é o verdadeiro relacionamento importante que temos e que pode nos dar as respostas que buscamos. Estão dentro de nós mesmos e não na opinião dos outros.

OS PÉS


Os pés, no zodíaco representados por Peixes, representam a culminância da história cósmica de nossa humanidade. História que principia na cabeça (Áries), atravessa todas as hierarquias zodiacais e as diferentes partes do corpo que elas regem até alcançar a horizontalidade da superfície terrestre. Sim, pois os pés representam a consciência do contato com a terra. Na horizontalidade da terra os pés nos conduzem quando nos dispomos e não oferecemos obstáculo; eles são a última instância do querer que nos move.
Exceção feita ao folclórico Saci, não há um pé mais importante que o outro; o pé direito e o esquerdo compõem o atual estado humano. Quando o Humano é saudável, não claudica e não exige ou prefere pisar à direita ou à esquerda, senão apenas pisa. Se prefere um ao outro sente pena e afunda, já ao não preferir, as penas se reúnem em asas de voar e os pés deixam de ferir a pele da Terra. Voar permite ver de cima o movimento do abraço fraterno da respiração direita-esquerda.


Os pés guardam relação íntima com o perdão, sendo comum que eles doam ou se machuquem na medida em que me nego a exercitar o perdão, seja na coragem do sentido ativo de perdoar ou na resignação do pedir perdão. Cabe à nossa humanidade criar asas nos pés, para que eles sejam alçados ao alto de onde vieram. Morfologicamente semelhantes aos ouvidos, os pés portam em si todos os pontos de acupuntura em sua superfície. Isso mostra que somos destinados a escutar a terra e que devemos tornar nossos pés, como que um segundo ouvido, com a finalidade de contar ao alto tudo o que se passa aqui nesse plano (como em cima em baixo).
É fundamental, apesar de nossa única parte que funciona na horizontal, que de tempos em tempos permitamos que eles se verticalizem. Como fazer isso? Sempre que reverentemente nos curvamos e agradecemos à vida e a Deus pelo mistério que nos envolve e que permite que continuemos a ser, apesar dos tantos equívocos cotidianamente cometidos. Quando ajoelho, meus pés se verticalizam e com eles subo aos céus, se não por mim, pela graça que me acolhe em oração. Praticar a verticalização dos pés ao ajoelhar é o melhor preparo para a verticalização última dos pés, quando a respiração deixa de ser e o corpo se deita de forma definitiva.
Pedras nos sapatos se formam quando não há oração (aspiração) e nos tornamos vítimas da gravidade terrestre (desespero); a oração que não sobe se cristaliza e empedra. Caminhar sem oração é errar, seu oposto é curar. É preciso, que à semelhança do Cristo, descalcemos nossos pés e lavemos os pés dos que se nos apresentam como irmãos. A atitude descalça aguça a audição assim como os pés limpos.


Não, os representantes dos três poderes não estariam dando um tiro nos pés se deslocassem seus escritórios para áreas próximas às favelas. A oportunidade de elevar suas consciências podálicas a ambientes tão anecúmenos, culminaria em algum momento em uma melhor compreensão das necessidades de quem nelas mora. Palmilhar diferentes solos é tornar-se consciente das diferentes nuances do humano.
Peixes, os pés, é um signo relacionado com o elemento água. A gravidade celeste evapora, eleva, enleva, aspira e faz chover. A água que não evapora aos céus se torna desespero; as águas que o fazem, esperança, porque chovem e agraciam a terra. Que nossas águas chovam e não chorem. Que eu abençoe antes a despertar pena. Quando eu purifico e elevo minhas águas, meu sangue se purifica e pode receber, além de mais conscientemente aprender o meu Ser. O sangue purificado é abençoado e visitado cada vez mais por aqueles que inspiram e conduzem, e cada vez menos por aqueles que viciam, vampirizam e induzem.


Notemos quando caminhamos e palmilhamos o chão, como os pés se assemelham a dois corações que, ao pisar sobre o plexo venoso na sola, bombeiam o sangue para cima; sangue que ascende com todo o aprendizado do percurso. Caminhemos e sejamos corações nos pés, quem sabe seja esse o primeiro passo para criar asas nesse órgão tão pouco visitado pela nossa atenção apesar de tão frequentemente pisoteado por todos.



domingo, 17 de fevereiro de 2019

ASPECTOS DO PENSAR E DESACELERAR I


Por: José Geraldo M. Meireles - Psicólogo

Era Primavera: as flores exalavam em profusão perfumes, e os pássaros cantavam.
Nesse clima de festa, conta a lenda: um filho sacudido pelo entusiasmo e um pai tranquilo caminhavam por uma montanha. De repente, o menino cai, machuca-se e grita: ai! Para sua surpresa, escuta sua voz repetindo-se em algum lugar da montanha. Curioso, o menino pergunta: quem é você? Contrariado grita: seu covarde! E escuta a resposta: seu covarde!
O menino olha atentamente para o pai e indaga: o que é isso? O pai sorri e diz: meu filho, preste atenção. Grita em direção à montanha: eu admiro você! Você é campeão! A voz responde: você é campeão!
O menino espanta-se e não entende. O pai explica pacientemente. As pessoas chamam isso de eco, mas, na verdade, isso é da vida que lhe dá de volta tudo que fala, deseja de bem ou de mal aos outros. Devolverá toda blasfêmia, inveja, incompreensão, falta de honestidade que você desejou às pessoas que o cercam. Nossa vida é o reflexo de nossas ações. Se quer mais amor, compreensão, harmonia e felicidade crie mais amor, compreensão, harmonia e felicidade no coração. Agindo, assim, meu filho, a vida lhe dará felicidade, sucesso e amor das pessoas que o cercam.
Desde a infância, a autoimagem é formada por crenças, convicções e valores. Forma-se a base da personalidade. A autoimagem positiva aponta para comportamentos construtivos; a negativa, para comportamentos destrutivos.
O sucesso é, também, moldado pela autoimagem que se constrói: “sucesso e vitória estão a serviço da vida, e triunfo está ligado à arrogância e à morte, pois implica em destruir o outro ou pisá-lo”. Diante do sofrimento e da carência dos outros, o arrogante não se sensibiliza, o que é atributo da pessoa imatura e egoísta.
Tempo há, pesquisas científicas diversas comprovam que pensamentos positivos ou negativos podem apontar para respostas fisiológicas correspondentes.
Do imaginário à realidade, ante as contradições brutais de nossa época e a repressão advinda de elementos culturais, percebo que algumas pessoas se sentem ansiosas e tensas. Muitas vezes, a incerteza instala-se. Sob a égide do livre arbítrio, deparam-se com dilemas inevitáveis: “o que podem, o que querem e o que devem fazer”. Isso envolve o princípio do prazer – o desejo é inquietante e indomável – e o princípio da realidade.
Não acredito que os anseios da pessoa consciente e corajosa restrinjam-se a uma casual e modesta participação na realidade socioeconômica contemporânea.
A nova dimensão da realidade e as mudanças trazem turbulência e geram ansiedade acentuada. É chegado o momento de banir modelos rígidos de trabalho. O homem e suas motivações são dinâmicos. Mesmo no ambiente competitivo do trabalho, toda pessoa é um ser sensível e racional. Sua caminhada se faz através de todas as possibilidades que lhe são inerentes: o agir segue o ser – ensina o filósofo S. Tomás de Aquino.
A geração da década de 1960 – da qual fiz parte – injetava utopia na veia e pautava-se por ideologias solidárias: mudar o mundo, derrubar ditaduras, desigualdades sociais, redirecionar a ordem das coisas etc. Na atualidade, com raríssimas exceções predominam a mesmice e a mediocridade.
In Sêneca – filósofo – vida é profundidade e não extensão. As pedras existem, mas inertes, não vivem. “Se a vida está na ação, mais vive aquele que mais age”.
A igreja católica é sábia quando, em sua profunda psicologia da vida escrevia sobre os túmulos daqueles que morriam na mocidade, mas com as mãos repletas de virtude esta belíssima inscrição: este morreu na mocidade, mas foram longos os seus dias. Feliz é o homem que sabe que não sabe e vai à busca do saber – esclarece o psicólogo Dr. Agostinho Minicucci (1918-2006).
John Barrymore – ator inglês – alerta que a pessoa envelhece, quando os lamentos substituem os sonhos.
A massagem e o relaxamento são eficazes para estimular a secreção de endorfinas – analgésicos poderosos cujo fluxo proporciona bem-estar, mantendo o equilíbrio entre o tônus vital e a depressão.
Após o banho, revigora-se o ânimo. No banheiro, a pessoa despe-se dos resíduos do corpo (higiene pessoal) e da mente. Desfazem-se as máscaras sociais, e advém a sensação de alívio.
Cada nau tem a sensação de descobrimento, porque o mar não guarda vestígio das quilhas anteriores. O sábio e experiente navegador que a conduz sente a realização de sua própria vida em cada parcela de verdade por ele conhecida, ao contemplar a dinâmica das ondas. Movido pela vibração intensa, pode intuir que “sabedoria é a memória da experiência”.
Renovar-se, pois, significa entregar à morte tudo o que é ultrapassado, para que o novo possa expandir-se livremente. Desprender-se de coisas que, um dia, foram boas e de ideias que foram relevantes, mas, com o passar do tempo, ficaram ultrapassadas.

Referências

LEITE, S. M e MEIRELES, J.G. Ser...Gerente, Mg. Editores Associados – São Paulo, 1988.
REGINATO, G. Artigo: É hora de desacelerar. Jornal da Tarde – São Paulo, 2006.
JORNAL – Hospital Santa Cruz, São Paulo, 2002.
PELLEGRINO, H. A Burrice do Demônio, Editora Rocco – Rio de Janeiro, 1989.
BETTO, F. O que a vida me ensinou – Editora Saraiva – São Paulo, 2013.
CURY, A. Ansiedade – Editora Saraiva – São Paulo, 2014.
PESSANHA, A. L. S. Além do Divã – Casa do Psicólogo – São Paulo, 2004.
MENTE CÉREBRO – Revista – Os Tormentos da Ansiedade – Ano XVIII – nº 219, São Paulo.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2019

ROMA E NIETZSCHE




Alguns amigos meus apreciam esse pensador contemporâneo Nietzsche. Para conversar com eles li alguns livros que esse cavalheiro simpático de bigode escreveu. Depois do livro “O Anticristo”, onde o autor descreve a célebre “Lei contra o cristianismo”, bem nas últimas páginas, com os sete artigos famosos, prossegui aprendendo no “Ecce Homo” o porquê de ele escrever livros tão bons assim como o porquê de sua sabedoria e inteligência. Muito interessante sua forma de escrever e explicar!
Lendo, entretanto, o livro “Além do Bem e do Mal”, fui surpreendido pela coincidência sincroníssima de assistir ao filme Roma. Sim, pois a tensão que se mostra na compreensão da mulher em cada uma das obras é tão intensa que chama a atenção do leitor.
Em “Roma” a mulher é retratada como pilar de sustentação, pedra fundamental, pedra angular, enquanto o homem é ser de qualidade lastimável e que deixa a desejar pois: não assume seus compromissos, é tosco, foge quando o contexto se torna complexo e finalmente se situa inevitavelmente em um dos extremos que vai de uma mansidão servil a uma agressividade cega e sem fundamento. O filme retrata as qualidades femininas e surpreende ao expor as limitações de um masculino caricato. Curiosamente caricato, mas facilmente identificável nos noticiários e nas telenovelas da atualidade.
No capítulo “Nossas Virtudes” de “Além do bem e do mal” do filósofo niilista encontra-se uma compreensão da mulher curiosíssima e de qualidade diametralmente oposta. Senão vejamos no fragmento 234 onde se lê: “... Se a mulher fosse uma criatura pensante teria descoberto, cozinhando a milênios, os mais importantes fatos fisiológicos, e teria também aprendido arte da cura! Por más cozinheiras – por total ausência de razão na cozinha é que a evolução do homem foi mais longamente retardada, mais gravemente prejudicada: isso pouco mudou em nossos dias”. Uma visão particular do autor a respeito das mulheres; um convite a pensar.
É curiosa a forma como o autor compreende e descreve a mulher na referida obra, em especial no que se refere às “Sete máximas de mulher”, onde ele se solta e esbanja em intensidade e potência:
1-      Como voa para longe o tédio, quando um homem nos faz o assédio!
2-      A idade, ai! A ciência e a cultura tornam virtuosa até mesmo a menos pura.
3-      Vestido escuro e boca fechada: faz toda mulher parecer – dotada.
4-      A quem sou grata a vida inteira? A Deus – e a minha costureira!
5-      Jovem: caverna com flores. Velha: um dragão diz horrores.
6-      Nome distinto, olhos de fera, além disso homem: ah, quem me dera!
7-      Palavra curta, sentido amplo como um rio: para a jumenta, gelo escorregadio!
Finalmente, o pensador expressa sua apreciação ao trato às mulheres no oriente e nos convida a meditar a respeito. Assim no fragmento 238 lemos: “Mas um homem que tenha profundidade tanto no espírito como nos desejos, e também a profundidade da benevolência que é capaz de rigor e dureza, não pode pensar sobre a mulher senão de modo oriental – ele tem de conceber a mulher como posse, como propriedade, a manter sob sete chaves, como algo destinado a servir e que só então se realiza; ele tem que se apoiar na imensa razão asiática, na superioridade de instinto da Ásia, tal como antigamente fizeram os gregos, esses grandes herdeiros e discípulos da Ásia...”.
Compor uma síntese onde o feminino e o masculino sejam contemplados em sua importância e inteireza não é simples. Tal síntese, no entanto, é desejável no momento presente. A leitura de obras que se contrapõem auxilia na visita aos espaços recônditos, dos preconceitos e das limitações, mas principalmente é convite ao autoexame. Assim como o autoexame da mama tem utilidade na profilaxia do câncer de mama, o autoexame da alma e a compreensão sincera de nossos limites pode ser de grande utilidade na profilaxia do “câncer” na alma.
Na sua opinião, entre as polaridades masculino e feminino, qual está cumprindo melhor seu compromisso com a história humana?



CATÁSTROFES NATURAIS



O homem é ser integrante da natureza. Existem catástrofes, mas a natureza em si é maravilha.
Para o olho que enxerga, além de ver, a natureza respira no vulcão que resfria a terra; se acomoda em seu leito esplêndido terremotando e remontando a terra; banha suas costas com o mar remoto no maremoto, esse mar maroto; e se enfurece e furacona para se aliviar; afinal de contas quem de nós não suspira às vezes.
A natureza sempre ajuda, corrige, compensa. Ultimamente as catástrofes naturais são recebidas com estranheza. As catástrofes, se de fato hão, são do humano, esse acidente da natureza, que se contrapõe à mãe e seu convite a ser natural. Escolheu o normal, esqueceu o natural!!
A catástrofe natural mais óbvia talvez seja a catástrofe humana. A natureza é uma aliada e ensina os movimentos primordiais que nós humanos devemos operar, sejam o fogo criativo vulcânico que refresca e oferece matéria prima para o corpo; a água fecundante dos mares que inundam e limpam nossos recessos mais inférteis para que retornem à fertilidade; o remexer dos terremotos e de terra que nos recorda de tempos em tempos que a vida é movimento; finalmente o sopro dos furacões que nos recorda também sermos sopro e que passaremos como eles.
Qual seria a maior catástrofe, os movimentos de acomodação da natureza ou o humano e sua paralisia? Há evidências contundentes de que o humano está paralítico e que a natureza, solene e silente, o encontra sempre distraído. Seja bem vinda mãe e irmã!



quarta-feira, 19 de dezembro de 2018

SUICÍDIO ESPIRITUAL


O suicídio físico é uma opção desesperada e pode ser consciente ou inconsciente. No primeiro caso um ato abrupto de desespero, no segundo decorrência de atitude ignorante que se perpetua no tempo (hábito alimentar precário, uso de drogas lícitas e ilícitas, sedentarismo, pouca leitura, hábito musical pobre). Estatísticas atuais apontam que a cada 40 segundos uma pessoa morre por suicídio no mundo. No Brasil os dados mais recentes apontam uma média de 32 suicídios por dia.
Mas, o suicídio mais surpreendente é o espiritual. Quando o materialista se descuida de seus veículos (corpos) suprafísicos, demonstra coragem surpreendente. Veículos que a tradição designa como corpo vital, corpo de desejos e mente. Sim, não é preciso ver para saber. A pessoa sensível pressente que a vida é o “mistério” que anima a matéria, mas que não pode ser encontrada quando se disseca a matéria em sua intimidade. Quem deseja deveria refletir de onde vem as tendências desejosas e quem pensa deveria fazer investigação semelhante em relação ao pensamento. Desejo e pensamento, qualidades materiais de outra natureza que não a física.
A visão, o sentido predileto da atualidade, nos impede ver além das aparências. Mas veja você mesmo então. Nascer arredondado, ver o corpo esticar e crescer, a seguir ficar enrugado, pontudo e desvitalizado é percebido na superfície, mas que tipo de forças determinam esse efeito sobre a matéria animada?
O suicídio espiritual não é tão falado quanto o suicídio físico. Finge-se não ver, mas quem teria olhos para isso não é mesmo?
A pessoa que vive em espírito torna a vida material leve, torna-se permeável à graça. A pessoa que vive para a matéria é cega à luz do espírito e sua vida se torna opaca, escura, densa, azeda, cheia de reclamações e emperrada. É aquela pessoa que não entende o porquê de certas situações (padrões) se repetirem em sua vida. A graça, assim como a graxa, serve para lubrificar. A primeira lubrifica as engrenagens da vida, a outra as engrenagens da matéria. Em outras palavras, uma vida sem graça é uma vida sem graxa, assim como uma vida sem graça é também sinônimo de desgraçada.
Para que a graça permeie o corpo humano, o mesmo precisa estar poroso em todas as suas instâncias. Assim como a obstrução dos poros da pele leva à morte rapidamente, a obstrução dos poros dos corpos suprafísicos (corpo vital, corpo de desejos e mente) leva à morte lenta. Essa morte lenta se apresenta aos olhos do observador como as pessoas que apenas existem, à semelhança das pedras. Viver é atributo do reino humano; fundamental para isso é a consciência dimensional adequada do que seja SER HUMANO. A vida material, horizontal, cotidiana da família, do trabalho, da política, da filosofia niilista, da diversão é apenas palco, sombra e efemeridade. Sem a graça, a vida material culmina em cadeia, hospital, falta e inconformidade. Mas cadeia, hospital, falta e inconformidade, lembremos, são escolhas pessoais. Toda escolha, entretanto, é permitida a Fausto, em Goethe, ao se perder para se encontrar.


Se afastar da graça (ser desgraçado) por opção ou por ignorância é suicídio espiritual. O espiritual diz respeito a tudo o que está além dos cinco sentidos. O interesse também é um sentido que podemos vivenciar e experimentar. Mais interesse e menos indiferença é alternativa válida na profilaxia do suicídio espiritual.



MUDAR A MIM


POR: GERALDO DRUMOND


Vivo muito melhor agora que vejo as pessoas como realmente são, e não como gostaria que fossem. As pessoas são melhores assim, sem o rótulo que as conferimos, sendo imprevisíveis aos nossos desejos de controlar, de dominar, de saber o que poder esperar. Não julgo mais. Não condeno mais. A cada vez que julgo, mais distante dos outros e de mim mesmo. Tudo aquilo que condeno no outro, além de me incomodar, ainda corro o risco de ter ou ser também. Na maioria das vezes nossos julgamentos só consideram nosso próprio senso de valor, e não o das pessoas que estamos avaliando.
O Buda observou que sofremos porque queremos que a vida seja diferente daquilo que ela é, e dói quando continuamos a bater a cabeça contra a realidade básica.
São muitas as estórias, são muitos os sentimentos, são muitos os vínculos, são muitos os desejos, são muitas as reações e nossa mente é muito pequena para captar e assimilar todo o movimento das relações, das vidas das pessoas.
Mudar somente a mim mesmo, que é de quem dou conta e a quem cabe trabalhar para ser melhor. A vida pode ser muito melhor! Conquistamos a leveza de viver que desejamos quando conseguimos carregar a nós mesmos! Que Deus me ajude a persistir!


terça-feira, 2 de outubro de 2018

GRANDES MUDANÇAS ESTÃO OCORRENDO


POR: GERALDO DRUMOND



Amigos, posso dizer a vocês que grandes mudanças estão ocorrendo. Vamos nos permitir ser mais amorosos, mais afetivos, viver mais o coração e menos a mente.
O universo é benevolente e conspira a favor. O ser humano é muito mais rico do que temos vivenciado. A nossa capacidade de amor é enorme, e temos que experimentar cada dia mais esta capacidade de amar, de perdoar, de nos entregarmos ao universo, como seres espirituais que somos. As dificuldades e adversidades do mundo são pequenas face à grandeza de nosso espírito, de nossa alma. Não devemos nos deixar levar pela notícia ruim, pelas estatísticas desastrosas. Elas representam ainda muito pouco da grandeza de um gesto de amor, de um sorriso de compreensão, de uma ajuda desprendida, de um pedido de desculpas, de um me perdoe, errei, quero acertar. O ser humano é muito melhor do que temos conseguido enxergar. E a expressiva maioria de nós quer acertar, quer ser feliz, ocupar o seu espaço (muito próprio) deste imenso universo, maravilhoso, enorme, que tem espaço para todos, e com sobra. Vamos nos acolher, nos compreender mais, nos aceitarmos mais. Podemos construir situações que vão nos permitir que a imensa maioria respire, alimente, more, ame, enfim, seja!!!


domingo, 9 de setembro de 2018

EU E TU III – A PIZZA DA CONSOLAÇÃO



            Noite fria, comendo pizza com amigos. Éramos três, papo bom, papo cabeça. Noite viva, noite feliz!
            Finda a pizza notei haviam sobrado dois pedaços! Com esse frio, talvez alguém na rua possa se beneficiar. Vou pedir para embrulhar. Que bom, não aprecio desperdício, vou otimizar.
            Já na rua, frio, bem frio, quase ninguém à vista. Será possível? Ninguém?
            Os amigos se afastaram, foram na frente conversando. Eu disse já vou, vão indo! Fiquei só, procurando.... Ninguém!! Espera! Tem alguém lá embaixo; rua da Consolação, frente ao cemitério, do outro lado da rua, do outro lado da vida; cachorro ao lado; revirando o lixo; pés descalços; roupa rasgada. Deve estar com fome. Eu, eu, eu, eu, esse cara que acha poder fazer diferença, que acha poder ajudar alguém, que acha que pode alguma coisa! Quanta pretensão.
            A vida é assim, surpreende onde se menos espera. E foi assim, me surpreendeu...
            – Moço, trouxe esse pedaço de pizza para você.
            Parou, soltou o lixo, me olhou, ainda de joelhos, e disse sereno:
– Não vai faltar para você?
Suficiente para gerar em mim a sensação de um raio atravessando as solas dos meus pés e arrepiar meus cabelos como se algo me puxasse forte em direção ao alto. O que acontecera?
No descuido de achar poder ser útil, ajudar, amaciar o próprio ego no calor da boa ação a quem não teria absolutamente como retribuir, fui desmascarado frente a Deus me transpassando no olhar e nas palavras de quem até então se manifestava aos olhos como um desgraçado.
Às vezes, sempre, só alguém profundamente desgraçado e amoroso para nos mostrar com tanta clareza o estado desgraçado que nos encontramos. Compreendemos a desgraça na medida em que a mesma nos assola. Entendo mal a desgraça, na medida em que a atitude do outro me consola. Ser assolado ou consolado, o que você preferiria nesse instante meu amigo?
Eu, naquele instante, Rua da Consolação, fui assolado pelo estado miserável em que me encontrava. Consolado na luz divina que se irradiara na experiência de comunhão com Deus de pés descalços no chão, ajoelhado e me perguntando: não vai faltar a você?
Claro que vai! Já faltou! Faltou o chão, faltou tato, faltou fôlego, mas antes de tudo faltou o mais importante; respeito. Respeito ao espaço alheio, respeito ao outro ser, respeito ao Tu que me referencia enquanto Eu. Enfim, me senti como talvez o político brasileiro, um ser repugnante; como talvez ainda a barata da metamorfose de Kafka. Sobre políticos, esclareço a propósito, com todo respeito, me refiro apenas aos eleitos; os candidatos pretendentes considero muito pudicos, ressalva seja feita! Pena nunca se elegerem. Coincidências mórbidas...
Amigo, acredite, não é fácil encontrar com a abundância na casa da penúria. O contrário é mais comum. O que acha?
Mas, não dava mais tempo, passado e futuro haviam colapsado e me algemado àquele momento de eternidade. Então aquilo era o presente?! Que presente!
O que acontecera, pensava enquanto voltava aos amigos de pizza. Milagre, mil lágrimas, era só o que me cabia. Sim, mais que isso talvez. Mas lágrimas de que? Alegria, vergonha? Não importa, senão que lavavam meu ser, tornando-o um pouco mais reverente ao outro, meu próximo. Meu próximo que julgo precisar de mim, mas sem o qual não sou ninguém, não tenho sentido.
As situações de êxtase são boas por isso, devolvem o sentido, organizam o sentir e orientam o perdido. E olha que meu sobrenome é Leme hein!?!
Lamentável Leme, você esqueceu! Esqueceu de pedir licença e perguntar se poderia oferecer algo a seu irmão, a seu igual, a seu maior! Sim, e o preço foi alto, altíssimo, levou um choque e recebeu em si instantaneamente todo o ser daquele que pensou pudesse ajudar. Foi ajudado! Ajudado a ser menos cego, pela luz invisível daquele que de nada carece pois está em paz. Que a paz esteja com você meu amigo desconhecido. Essa paz que é inteireza e que você me recordou com maestria.
Paz não é de fato ausência de guerra, senão inteireza em meio à guerra da vida que pode sim afetar nosso Ter, mas que não pode nada quanto ao Ser daquele que alcançou a compreensão do mistério sagrado do encontro do Eu com o Tu.
De fato, antes daquele, eu tinha passado por encontros mais adaptados a meu nível. Por exemplo aquele do cara ajoelhado no metrô com as mãos cheias de moedas e quando eu pus mais uma ele lançou tudo ao chão espalhando todas; e também aquele que para mim foi a cereja do bolo: o amigo que pedia no farol e que ao abaixar o vidro e lhe oferecer uma bala, me sugeriu que a colocasse entre as pernas na região terminal do intestino. Talvez não fossem essas as palavras, não me lembro bem, mas era algo assim.
Por essas e outras muitas que ainda se saberão é que aprendi a pedir licença e perguntar se posso ser útil de algum modo antes de achar que tenho a chave e a solução para o que o outro precisa.
E você amigo? Sabe do que seu próximo espera ou precisa de você?

IDEALIZANDO


POR: GERALDO DRUMOND


Você não tem que idealizar nada. Viva sua vida, sua singularidade. Não tome para si sonhos que não são seus, ideais que não são seus. Desidealize para você viver com naturalidade, com simplicidade. Seja do jeito que você é. Faz toda a diferença. Quando temos coragem de nos aceitar como somos tudo fica mais fácil. Quando você se entende, fica mais fácil entender e conviver com o outro. E o que é a vida senão relações?


segunda-feira, 27 de agosto de 2018

VIVEMOS EM UMA SOCIEDADE DOENTE?




Tudo o que existe, o que é, e também tudo o que se crê existir define um ente. Em outras palavras, somos entes na medida em que nos emancipamos, nos individualizamos da massa amorfa, nos tornamos saudáveis, enfim nos pertencemos.
Se por algum motivo nos afastamos desse estado fluídico do ente, do ser, da saúde, alteramos nosso estado de pertencimento a um novo estado que podemos denominar como ser possuído por. Quando me torno possuído por, deixo de ser ente e passo a pertencer a alguma entidade. Ou seja, me torno do ente; do ente que me possui. Nesse caso estou doente, vivencio a doença, enquanto refém desse estado.
Ao procurarmos em outros idiomas, pois idiomas têm uma vida interior, vamos encontrar semelhantes constatações em relação à doença. No inglês uma possível tradução da palavra vontade é "will". O processo de adoecer implica em perder o acesso ao livre exercício da vontade (no inglês livre arbítrio = free will). Quando minha vontade não é suficiente para que eu aja com liberdade eu me encontro doente (ill). Tornar-se "ill" no inglês é tornar-se refém das circunstâncias e portanto do ente ou da doença. Um "w" a menos e quanta diferença, não é mesmo? (When I loose my will I get ill). Um "do" a mais e quanta diferença faz!! (do-ente).
O convite atual proporcionado pelos meios de comunicação, pela opinião pública e pelo senso comum, é um risco potencial à saúde. Radical? Não, claro! Apenas lembremos que vivências dessa natureza deslocam a pessoa de si em direção aos valores oferecidos a partir de convenções externas ao ser. É comum que alguém seja constrangido em sua forma de ser, por uma forma de ser assumida por um grande número de pessoas ou, ainda mais maquiavélico, por alguma personalidade marcante com quem me identifico.
Nessa medida, a pessoa constrangida pode perder-se de si. Pode momentaneamente deixar de pertencer-se e passar a responder a outros valores, seja uma ideia, um sonho, uma ilusão ou mesmo algo que a desvia de seu propósito ou princípio existencial. Esse tipo de perder-se equivale a tornar-se doente, um estado de dependência de um modo operacional externo a seu ser.
Uma sociedade doente é toda aquela onde o individual é visto com indiferença. Viver em uma sociedade doente significa esquecer de si e seus propósitos existenciais, mergulhar na manada, na massa, na moda e na mídia. Vejamos bem que somos livres para escolher esse caminho, mas a questão é fazê-lo conscientes da existência de outra opção, e não como que forçados pela ignorância de podermos optar! Posso ser materialista ou não, posso escolher. Dar a César o que é de César. O que escolho determina o que sou e como atuo no mundo.
As sociedades superorganizadas, plasmadas na competição, pragmatismo e utilitarismo, enfrentam, a despeito de seu alto nível social e cultural alguns efeitos colaterais desafiadores. Arriscando elencar alguns encontramos: o suicídio em grande escala, o uso indiscriminado de drogas alucinógenas legais ou ilegais, as doenças cerebrovasculares (derrames cerebrais e enfartes), a dissolução da família e a mercantilização do erotismo associada ao decorrente aumento nas estatísticas de abusos sexuais os mais diversos e perversos. 
Para o materialista, o humano é o topo da cadeia evolutiva, não há nenhuma forma de vida superior à forma humana. É uma escolha, portanto uma escola e, portanto, uma parcialidade. Saúde é inteireza, doença é parcialidade. Toda pessoa que adoece se transforma após o processo quando sobrevive. Que possamos continuar a sobreviver até que possamos transcender o tempo e suas intempéries. Transcender o tempo é entrar em paz. Estar em paz é estar inteiro e, portanto, saudável. Para ser saudável é imprescindível a clareza conceitual entre desejo, necessidade e vontade. Se tudo isso é a mesma coisa para mim, sou sociopata, careço do discernimento fundamental para o ser saudável.
Vivemos a idade mídia, momento delicado para os interessados em aprofundamento, autoconhecimento e sentido. Essa escolha atual de desfrontalização (deixar de usar os lobos frontais do cérebro - sede da razão e do pensamento abstrato) não deve em absoluto ser vista de forma preconceituosa ou pejorativa, mas de forma alguma deve passar despercebida ao humano em busca da saúde. Isso pois, sentido existencial interior e saúde caminham de mãos dadas.
Parte considerável dos alimentos disponíveis são inflamatórios e parte considerável dos estímulos aos quais estamos submetidos são desorganizadores mentais, não se excluem os noticiários! As doenças crônicas como diabetes e hipertensão aliadas aos distúrbios do humor decorrem em grande parte da forma insana como nos alimentamos na atualidade. Um processo irreversível decorrente da péssima qualidade das escolhas que fizemos em passado recente.
Por outro lado, sejamos otimistas, não sejamos preconceituosos, experimentemos estabelecer uma relação viva com conceitos emancipadores. Não se revolte, senão apenas volte a si e reconheça o porquê do ambiente à sua volta ser como é. Reflexões simples, mas que nos esquivamos da responsabilidade diariamente.
Diminuir o uso de antidepressivos, moduladores de humor, sedativos do ser, talvez seja opção a ser considerada com certa urgência. Parar de apontar fora e reconhecer dentro aquilo que cabe apenas a mim realizar. Tornar-se pílula de saúde individual.
É possível ser saudável dentro dessa sociedade! Mas é preciso atenção às fórmulas, respostas prontas e receitas, pois cada vida é única. Não nos esqueçamos que o contrário de algo é a mesma coisa ao contrário e que para que a integralidade seja alcançada, os opostos devem ser integrados em um todo, ou seja compreendidos. Oposição é parcialidade, integração é saúde. Uma sociedade partida é uma sociedade condenada, onde tudo o que muda visa apenas fazer com que tudo permaneça como está!
O caminho para a vida saudável é o caminho das perguntas, das possibilidades e raras vezes o das respostas e do tic-tac dos relógios. O poeta cantou que temos nosso próprio tempo. Entrar em relação com este tempo interno que é único para cada ser é primeiro passo solitário e certeiro para a possibilidade da vida saudável.
Não é preciso ficar doente para habitar uma sociedade doente. A pessoa com vida interior pode frequentar a sociedade e reconhecer seus equívocos, pois pensa, tem membrana seletiva. A pessoa desfrontalizada responde aos desafios sociais à semelhança dos animais na floresta. E tudo isso é muito belo de se observar. Observar é um grande passo para o humano. Observemos! 


O PODER DOS MANTRAS - A ESSÊNCIA DOS MANTRAS COTIDIANOS


EU SOU AQUILO QUE TENHO - O QUE FAÇO - FAZER MAIS E MELHOR AQUILO QUE OS OUTROS PENSAM A MEU RESPEITO. SOU DISTINTO DOS OUTROS - ESTOU SEPARADO DO QUE FALTA EM MINHA VIDA



Os “mantras” dominantes são criados no momento do nascimento e se estendem por toda a vida, sendo boa parte dos conteúdos veiculados pela família, entorno e mídia (imprensa) ligados ao ego ou à ambição. São as mensagens do amanhecer da vida e que devem ser mudadas ao entardecer, conforme Wayne Dyer (2012).
Um exemplo é a orientação subliminar “Eu sou aquilo que tenho”, que surge muito cedo e se cristaliza como memória celular. Essa mentalidade de acúmulo começa com os brinquedos e cresce ao ponto de fazer com que o sucesso seja medido pela quantidade e tamanho dos brinquedos acumulados na idade adulta. A perda dos mesmos, em alguns casos, pode culminar em depressão e suicídio.
Outra afirmação de profundo impacto na formação, segundo Dyer, é “Eu sou o que faço”, que começa no engatinhar e se estende durante a vida, reforçando a noção equivocada de que é importante sempre “Fazer mais e melhor”! Da mesma forma, a expressão “Eu sou aquilo que os outros pensam a meu respeito” pode condicionar nosso valor à opinião alheia e ao nos afastar do próprio ideal de perfeição, inviabiliza qualquer relacionamento harmonioso e de iguais.
“Sou distinto de todos os outros”, um “mantra” que promove a separação, também é recorrente e abre espaço para outro equívoco: “Estou separado daquilo que falta em minha vida”. Esta afirmação decorre da falta de fidelidade ao próprio poder e ao fluxo divino da vida. Desconectados, passamos a nos ligar ao que falta - ou seja, às carências de amor, saúde e prosperidade.
A tentativa - quase sempre bem-sucedida - de afastamento da Fonte Original decorre do desejo de comando do ego, que se traduz em afirmações que retratam o divino como distante e temperamental ou estruturam o Universo sob um conceito devedor, em que a pessoa está sempre descontente e cobrando algo de alguém (Dyer, 2012).
Somente quando escapamos ao domínio da personalidade egóica ou autocentrada, conseguimos enxergar o fluxo da vida em sua perfeição, com seus sucessivos aprendizados e possibilidades de nos reinventarmos e manifestarmos nossa essência, construindo no ritmo adequado relações mais saudáveis.
Quando a consciência está desperta, floresce o “mantra” ‘Simplesmente Ser’, um convite à autenticidade, e à vida em aceitação e amor. Um retorno ao Ser.