A Medicina da Saúde é baseada na preservação e na promoção. É sempre superior à Medicina da Doença focada na cura e na prevenção. Somos seres humanos e não "teres humanos”. A doença começa quando se deixa o SER pelo TER; saúde e vitalidade aumentam na direção do SER. A busca pelo SER leva à ampliação da consciência, guia do homem saudável e espelho para o doente. Refletindo o exemplo a ser imitado mostra como sair da horizontalidade do adormecimento e entrar na verticalidade do despertar.
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sexta-feira, 12 de agosto de 2022
EVENTO - CURSO FENOMENOLOGIA CELESTE
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domingo, 9 de setembro de 2018
EU E TU III – A PIZZA DA CONSOLAÇÃO
Noite fria,
comendo pizza com amigos. Éramos três, papo bom, papo cabeça. Noite viva, noite
feliz!
Finda a pizza
notei haviam sobrado dois pedaços! Com esse frio, talvez alguém na rua possa se
beneficiar. Vou pedir para embrulhar. Que bom, não aprecio desperdício, vou
otimizar.
Já na rua, frio,
bem frio, quase ninguém à vista. Será possível? Ninguém?
Os amigos se
afastaram, foram na frente conversando. Eu disse já vou, vão indo! Fiquei só,
procurando.... Ninguém!! Espera! Tem alguém lá embaixo; rua da Consolação,
frente ao cemitério, do outro lado da rua, do outro lado da vida; cachorro ao
lado; revirando o lixo; pés descalços; roupa rasgada. Deve estar com fome. Eu,
eu, eu, eu, esse cara que acha poder fazer diferença, que acha poder ajudar
alguém, que acha que pode alguma coisa! Quanta pretensão.
A vida é assim,
surpreende onde se menos espera. E foi assim, me surpreendeu...
– Moço, trouxe
esse pedaço de pizza para você.
Parou, soltou o
lixo, me olhou, ainda de joelhos, e disse sereno:
– Não vai faltar para você?
Suficiente para gerar em mim a sensação de um raio atravessando as
solas dos meus pés e arrepiar meus cabelos como se algo me puxasse forte em
direção ao alto. O que acontecera?
No descuido de achar poder ser útil, ajudar, amaciar o próprio ego
no calor da boa ação a quem não teria absolutamente como retribuir, fui
desmascarado frente a Deus me transpassando no olhar e nas palavras de quem até
então se manifestava aos olhos como um desgraçado.
Às vezes, sempre, só alguém profundamente desgraçado e amoroso para
nos mostrar com tanta clareza o estado desgraçado que nos encontramos.
Compreendemos a desgraça na medida em que a mesma nos assola. Entendo mal a
desgraça, na medida em que a atitude do outro me consola. Ser assolado ou
consolado, o que você preferiria nesse instante meu amigo?
Eu, naquele instante, Rua da Consolação, fui assolado pelo estado
miserável em que me encontrava. Consolado na luz divina que se irradiara na
experiência de comunhão com Deus de pés descalços no chão, ajoelhado e me
perguntando: não vai faltar a você?
Claro que vai! Já faltou! Faltou o chão, faltou tato, faltou
fôlego, mas antes de tudo faltou o mais importante; respeito. Respeito ao
espaço alheio, respeito ao outro ser, respeito ao Tu que me referencia enquanto
Eu. Enfim, me senti como talvez o político brasileiro, um ser repugnante; como
talvez ainda a barata da metamorfose de Kafka. Sobre políticos, esclareço a
propósito, com todo respeito, me refiro apenas aos eleitos; os candidatos
pretendentes considero muito pudicos, ressalva seja feita! Pena nunca se
elegerem. Coincidências mórbidas...
Amigo, acredite, não é fácil encontrar com a abundância na casa da
penúria. O contrário é mais comum. O que acha?
Mas, não dava mais tempo, passado e futuro haviam colapsado e me
algemado àquele momento de eternidade. Então aquilo era o presente?! Que
presente!
O que acontecera, pensava enquanto voltava aos amigos de pizza.
Milagre, mil lágrimas, era só o que me cabia. Sim, mais que isso talvez. Mas
lágrimas de que? Alegria, vergonha? Não importa, senão que lavavam meu ser,
tornando-o um pouco mais reverente ao outro, meu próximo. Meu próximo que julgo
precisar de mim, mas sem o qual não sou ninguém, não tenho sentido.
As situações de êxtase são boas por isso, devolvem o sentido,
organizam o sentir e orientam o perdido. E olha que meu sobrenome é Leme
hein!?!
Lamentável Leme, você esqueceu! Esqueceu de pedir licença e
perguntar se poderia oferecer algo a seu irmão, a seu igual, a seu maior! Sim,
e o preço foi alto, altíssimo, levou um choque e recebeu em si instantaneamente
todo o ser daquele que pensou pudesse ajudar. Foi ajudado! Ajudado a ser menos
cego, pela luz invisível daquele que de nada carece pois está em paz. Que a paz
esteja com você meu amigo desconhecido. Essa paz que é inteireza e que você me
recordou com maestria.
Paz não é de fato ausência de guerra, senão inteireza em meio à
guerra da vida que pode sim afetar nosso Ter, mas que não pode nada quanto ao
Ser daquele que alcançou a compreensão do mistério sagrado do encontro do Eu
com o Tu.
De fato, antes daquele, eu tinha passado por encontros mais
adaptados a meu nível. Por exemplo aquele do cara ajoelhado no metrô com as
mãos cheias de moedas e quando eu pus mais uma ele lançou tudo ao chão
espalhando todas; e também aquele que para mim foi a cereja do bolo: o amigo
que pedia no farol e que ao abaixar o vidro e lhe oferecer uma bala, me sugeriu
que a colocasse entre as pernas na região terminal do intestino. Talvez não fossem essas as palavras, não me lembro bem, mas era algo assim.
Por essas e outras muitas que ainda se saberão é que aprendi a
pedir licença e perguntar se posso ser útil de algum modo antes de achar que
tenho a chave e a solução para o que o
outro precisa.
E você amigo? Sabe do que seu próximo espera ou precisa de você?
segunda-feira, 27 de agosto de 2018
PEQUENAS ATITUDES PARA GRANDES SERES
- No Blog de Saúde Infantil do Instituto Pensi, do Hospital Infantil Sabará, encontramos várias pérolas para o desenvolvimento saudável da criança. Todos temos uma criança interior a ser cuidada e visitada sempre que possível.Nesse tempo de escassez de tempo, cuidemos do nosso com informações que valem a pena! Não espere até quando não houver mais tempo! Falta de tempo para o que interessa é uma das faces da falta de saúde.
terça-feira, 15 de agosto de 2017
SOBRE O TEMPO – UM SONHO
Outro dia, em sonho, muito tempo atrás,
quase ontem, perguntaram se o tempo existe de fato e do que ele se trata.
Andei, falei e pensei:
Sim o tempo existe, e o eterno
insiste, duas direções espaciais que quando se fala em tempo se mostram necessárias.
Sim, pois a existência do tempo exige o conceito de mudança e de movimento, sem
o que o conceito não se manifesta. Se estiver difícil, me interrompa, por
favor, e pergunte ok?
Existir é vir para fora (prefixo
ex), é acontecer, é manifestar, é temporalizar. E tudo que é temporalizado
ganha duração e, portanto finitude. Se não a finitude no sentido anterógrado,
ao menos a do sentido retrógrado, pois que pode ser infinita para frente, mas
não o é para trás, visto teve princípio e, portanto não é eterna. Digo que a
eternidade é a infinitude do passado e o tempo (temporalidade) é a infinitude
do futuro. Por isso sempre ter existido (eterno) é tão diferente de poder
existir para sempre (infinito).
O tempo nasce de um sacrifício.
Para se “ter” tempo é importante algum grau de sacrifício. De outro modo,
aqueles cujas vidas não “têm” sacrifício, não têm tempo. O tempo os têm, são
possuídos pelo tempo, escravos do tempo, vítimas do tempo. Nas palavras de
Rohden, podemos ser livres daquilo que possuímos, mas podemos ser escravos,
mesmo daquilo que não possuímos. Não há mal nenhum em possuir, todo mal está em
ser possuído. Sacrifício é ofício sagrado e verticaliza o humano, sofrimento é
escolha animal, horizontaliza o humano e esvazia o sentido de vida. Sacrifício
é vital e ativo, já sofrimento é mortal e passivo.
Mas, o tempo é essa coisa que
passa e quanto mais apego mais ele se materializa e entra em nossas entranhas.
Faz tudo parecer real, na medida em que vivenciamos um antes e um depois.
Decorrências de sua “passagem”.
Quando se olha um rio do alto,
ele aparenta inteiro e imóvel. Quando entramos nesse mesmo rio, ele parece
passar ou ir em alguma direção. Quanto mais denso o estado da matéria, mais o
tempo se faz sentir.
Antigamente o tempo era visto
como divindade, CHRONOS
(Grécia), depois também Saturno (Roma). Nessa época era bem sabido o porquê
dessa divindade devorar seus filhos. Hoje o tempo nos devora, mas perdemos
aquela qualidade de percepção e a trocamos pela noção de que simplesmente o
tempo passa e com ele nós passamos...
Certamente passamos, mas o tempo
será que passa mesmo? Ou se assemelha ao rio que visto do alto é parado e só
quando nele se entra é possível perceber o fluxo?
O tempo também tinha outra
representação divina no passado, relacionada à sua qualidade, a seu como. Essa
representação era conhecida por KAIRÓS.
A qualidade do tempo determina uma instância de natureza etérea em relação à
quantidade de tempo, e de fato, a envolve com essa atmosfera. Por isso alguns
tempos são mais curtos e outros mais demorados, apesar de serem os mesmos quando
medidos em ponteiros. O escritor e físico Alan Lightman escreve sobre isso com propriedade
na obra “Sonhos de Einstein”.
Até hoje, por mais que
pesquisemos, não sabemos se o tempo é contínuo ou granuloso (discreto), mas um
cientista chamado Planck definiu o que se pode arriscar como a menor quantidade
de tempo, a partir da qual podemos falar em tempo; é o TEMPO DE PLANCK. Mas
isso tudo só vale enquanto a velocidade da luz, a constante gravitacional e a
constante de Planck forem consideradas constantes; se alguém descobrir que não
são tão constantes assim, tudo isso deve se transformar em algo bem
diferente...
Se o tempo for granuloso,
descontínuo, talvez seja nesses “espaços” que a qualidade possa se encaixar!
Algo como a água que adentra as rachaduras do solo! Que pena não se poder medir
as qualidades como se pode medir o tempo e descobrir se elas podem ser
constituídas de pequenas partes como o tempo do Planck!
Dizemos que temos tempo, mas
temos de fato ou é o tempo que nos têm em si? Estamos no tempo e ele em nós,
nossos ritmos cardíacos e respiratórios o dizem, mas por quanto tempo?
Saturno, o senhor do tempo e
também o ceifador, no simbolismo astrológico rege um signo de terra
(Capricórnio); a terra é o palco do tempo; além disso, Saturno se exalta em um
signo de ar (Libra), que representa os atores do tempo, que atuam em parceria
comigo. Ambos signos cardinais, que iniciam movimentos e que evocam a
manifestação e a importância do tempo. Por outro lado, Saturno, o senhor do
tempo, fica mal posicionado nos signos de Áries e Câncer. Áries é o próprio
princípio ígneo que subjaz a toda manifestação e que não pode ser restrito ou
subjugado pela temporalidade; Câncer é o princípio vital que clama por
manifestar-se em vida e que não pode ser restrito ou subjugado senão apenas
brevemente.
No devorar de seus filhos, Saturno nos ensina sobre a tensão dinâmica
entre as forças dinâmicas de manifestação e perpetuação da vida em
contraposição às forças de cristalização e de atrito da vida.
Para parar o tempo, é preciso ir
para bem longe. É o que as estrelas fizeram. Quando vemos uma estrela, vemos
como ela foi e não como é nesse momento. Nosso sol, por exemplo, o vemos como
ele foi oito minutos atrás; outras estrelas como foram há milhões de anos
atrás. No mundo em que vivemos quanto mais distante um objeto de nós, mais
antigo ele nos parecerá; quanto mais próximos de sua luz, mais novo.
O tempo é amigo da distância, a vida é amiga da luz.
A luz brilha nas trevas, mas as trevas não a compreendem.
quarta-feira, 1 de março de 2017
ALIMENTAÇÃO CONSCIENTE XI – FOME E ÍNDICES DE NATALIDADE
CONTINUAÇÃO DE:
Por Josué de
Castro – A geopolítica da fome vol. 1 – 8ª ed. Pág. 127.
Quando procuramos agrupar,
dentro de um critério geográfico, os países de altos coeficientes de
natalidade, superiores a trinta, verificamos que são todos países tropicais de condições
geográficas e econômicas impróprias, tanto à produção como ao consumo de proteínas
de origem animal. A alimentação, de predominância vegetal, desses países,
constitui um dos fatores decisivos, influindo no segredo de sua prolificidade.
Se compararmos os coeficientes de natalidade e os consumos de proteínas de
origem animal, no mundo inteiro, verificaremos que existe franca correlação entre
os dois fatores, baixando a fertilidade à proporção que sobre a taxa de consumo
destas proteínas.
Apresentamos, a seguir, um
quadro de países dos mais diferentes coeficientes de natalidade, desde os mais
elevados aos mais baixos, e no qual se evidencia, de maneira significativa, a
citada correlação:
PAÍSES
|
COEFICIENTES
DE NATALIDADE
|
CONSUMO
DIÁRIO DE PROTEÍNAS ANIMAIS (g)
|
FORMOSA
MALAIA
ÍNDIA
JAPÃO
IUGOSLÁVIA
GRÉCIA
ITÁLIA
BULGÁRIA
ALEMANHA
IRLANDA
DINAMARCA
AUSTRÁLIA
E.U.A
SUÉCIA
|
45,6
39,7
33,0
27,0
25,9
23,5
23,4
22,2
20,0
19,1
18,3
18,0
17,9
15,0
|
4,7
7,5
8,7
9,7
11,2
15,2
15,2
16,8
37,3
46,7
56,1
59,9
61,4
62,6
|
Estes dados foram retirados das
estatísticas de 1950, apresentados no estudo de Lynn Smith (Population Analysis
– 1948) sobre problemas de população e de uma publicação da FAO sobre o consumo
de proteínas no mundo.
Estes aspectos do problema
alimentar referentes à influência da dieta sobre a reprodução constitui o ponto
mais debatido de nosso trabalho. Desde que apareceu a primeira edição desse
livro em 1951, várias críticas foram formuladas, principalmente tendo-se em
vista que a ciência clássica da nutrição sempre considerou o fato de que uma
dieta rica em proteínas constitui uma condição indispensável à boa capacidade
reprodutiva. Considerando a alta importância desse assunto, pela repercussão e aplicação
social que poderá ter esta teoria no campo prático da política demográfica,
tomamos a deliberação de prosseguir em nossos trabalhos experimentais sob cujos
resultados pretendemos publicar um trabalho especialmente dedicado ao problema
da alimentação e reprodução. Aproveitamos, no entanto, a oportunidade do
aparecimento desta nova edição para apresentar, de forma sintética, alguns
fatos novos oriundos da investigação de outros estudiosos da matéria e da observação
de fatos sociais que confirmam os nossos pontos de vista.
(Estes fatos e observações constam nas páginas 129-131 da presente obra
referenciada no início do texto).
Com estas observações e estas
cifras, desejamos concluir por afirmar que, em última análise, a multiplicação exagerada
da espécie, por sua excessiva fertilidade, constitui também uma forma de fome
específica, uma das mais estranhas marcas do fenômeno da fome universal.
Este aspecto do problema tem, a
nosso ver, importância primordial, desde que fornece base biológica para apoio
de nossa teoria – a teoria da fome específica como causa de superpopulação; da
fome provocando o lançamento intempestivo, no metabolismo demográfico do mundo,
de produtos humanos fabricados em excesso e de qualidade inferior.
Como o mecanismo através do qual
se exerce esta ação desequilibrante e degradante da fome crônica sobre a evolução
demográfica dos grupos humanos envolve aspectos econômicos e sociais, ao lado
dos aspectos biológicos, deixamos para desenvolver o assunto na ocasião oportuna,
ao estudarmos o problema da fome no Extremo Oriente, área onde a superpopulação
relativa se apresenta, nitidamente, como uma das mais estranhas e graves manifestações
de fome específica.
domingo, 1 de janeiro de 2017
ALIMENTAÇÃO CONSCIENTE X – FOME E COMPORTAMENTO SEXUAL
CONTINUAÇÃO DE:
Alimentação Consciente I
Alimentação Consciente II
Alimentação Consciente III
Alimentação Consciente IV
Alimentação Consciente V
Alimentação Consciente VI
Alimentação Consciente VII
Alimentação Consciente VIII
Alimentação Consciente II
Alimentação Consciente III
Alimentação Consciente IV
Alimentação Consciente V
Alimentação Consciente VI
Alimentação Consciente VII
Alimentação Consciente VIII
Por Josué de Castro – A geopolítica da fome vol. 1 – 8ª ed. Pág. 124.
No que diz respeito ao
comportamento sexual, verifica-se que a fome crônica – específica ou latente –
age de maneira bem distinta da fome aguda. Os povos submetidos à ação contínua
de uma alimentação deficitária, longe de diminuírem seu apetite sexual, apresentam
exaltação do mesmo e nítido aumento de fertilidade. Esta intensificação da capacidade
reprodutiva dos povos cronicamente famintos explica-se através de um complexo
mecanismo onde entram fatores de ordem psicológica e de ordem fisiológica.
Psicologicamente, a fome crônica determina exaltação das funções sexuais, como
um mecanismo de compensação emocional. Todos os fisiologistas são unânimes em reconhecer
que, em condições normais, existe uma espécie de competição entre os dois
instintos – o de nutrição e o de reprodução – e, toda vez que um se atenua, o
outro, imediatamente, se exalta.
Como a fome crônica,
principalmente a fome de proteínas e de certas vitaminas, determina inapetência
habitual, perda de interesse pelos alimentos, dá-se em consequência um
enfraquecimento da força do instinto de nutrição diante da força do instinto de
reprodução, que passa a predominar. Com o apetite embotado, satisfazendo-se facilmente
com qualquer coisa, o faminto crônico pode desviar seus interesses para outras
atividades independentes da obtenção do alimento, e o primeiro grupo de
atividades que se apresenta, não só por sua hierarquia de natureza biológica,
como também como compensação psicológica, é o das atividades de ordem sexual.
Neste mecanismo psicológico baseia-se o exagerado sensualismo de certos grupos
humanos e de certas classes que vivem num regime de desnutrição crônica.
Mas há também um mecanismo fisiológico
determinando esta significativa correlação entre alimentação insuficiente e índice
de fertilidade. De há muito, tinham os criadores observado que certos animais,
bem cevados, tornam-se estéreis e que basta restringir-lhes a alimentação,
durante certo tempo, para que recuperem a fecundidade. Mas o fato empírico não tivera
grande repercussão nos meios científicos. Hoje, no entanto, dispomos de dados
experimentais e de observações sistematizadas que nos permitem compreender como
atuam as deficiências alimentares parciais, como fator de aceleração da multiplicação
da espécie. É exatamente a fome de proteínas, acarretando o fornecimento
deficitário de certos ácidos aminados indispensáveis, que atua de maneira mais
intensa sobre a capacidade reprodutiva dos animais.
...Com a espécie humana ocorre idêntico
fenômeno. Os grupos de mais alta
fertilidade são aqueles que dispõem de menor
teor de proteínas completas, de origem animal na sua dieta habitual...
quarta-feira, 18 de maio de 2016
TEMPO E MOVIMENTO DOS ASTROS CELESTES
Por: Deyvid José - Graduando em Física - USP

Atualmente, muitas
sociedades humanas vivem e se organizam em torno de um calendário que é
constituído por dias, semanas, meses e anos. Diversas pessoas, desde a tenra
infância, aprendem que o tempo está passando e que “há horário pra tudo”:
comer, dormir, brincar, trabalhar, ir para a escola… enfim, é como se a vida na
sociedade contemporânea exigisse um pensar constante sobre o tempo e a
necessidade de utilizar um calendário.
Poderíamos
nos perguntar: “Como tudo isso começou?”, “Por que a semana tem sete dias?”,
“Por que as escolas devem cumprir no mínimo 200 dias letivos de aula?”, “Por
que tantas pessoas trabalham 40 horas (ou mais) por semana?”, “O que é tempo?”
ou pior: “O que tudo isso tem a ver comigo?” rsrsrs.
Como pode ter ficado
claro, pensar sobre tempo e calendário nos permite questionar várias coisas,
porém muitas respostas podem parecer incompletas ou difíceis de achar num primeiro momento. No contexto da “astronomia
moderna” (ocidental), a primeira reflexão sobre o tempo que poderíamos fazer
seria relacioná-lo com o movimento aparente dos astros celestes.
O
dia e a noite estão relacionados com o movimento aparente do Sol, as chamadas fases da Lua se relacionam com as ideias
de semana e mês e o movimento de translação da Terra, assim como as 4 estações,
estão relacionados com o passar de um ano.
No
livro Fundamentos de Astronomia, o
autor Romildo Póvoa Faria atribui aos mesopotâmios a criação do conceito de
semana em meados do 3° milênio a.C.. Segundo ele, os planetas eram entendidos
como verdadeiros deuses que exerciam influência direta nos seres humanos e nos
acontecimentos da Terra.
Nesse
sentido, dedicaram um dia à adoração de cada deus que conheciam, começando pelo
Sol (domingo), que era o “mais importante”. Os outros dias foram dedicados,
respectivamente, à Lua (segunda-feira), Marte (terça-feira), Mercúrio
(quarta-feira), Júpiter (quinta-feira), Vênus (sexta-feira) e Saturno (sábado).

Outro ponto curioso a
esse respeito é o fato de muitas culturas terem preservado essa concepção por
meio da linguagem, como podemos observar no inglês e espanhol, conforme
indicado na tabela abaixo.
|
Tabela 1 - Influência da cultura mesopotâmica nas
línguas inglesa e espanhola
|
|||
|
Dia da Semana
|
Inglês
|
Espanhol
|
Significado
|
|
Domingo
|
Sunday
|
|
Dia do Sol
|
|
Segunda-feira
|
Monday
|
|
Dia da Lua
|
|
Terça-feira
|
|
Martes
|
Dia de Marte
|
|
Quarta-feira
|
|
Miercoles
|
Dia de Mercúrio
|
|
Quinta-feira
|
|
Jueves
|
Dia de Júpiter
|
|
Sexta-feira
|
|
Viernes
|
Dia de Vênus
|
|
Sábado
|
Saturday
|
|
Dia de Saturno
|
Tão interessante quanto isso, talvez seja o fato de não precisarmos necessariamente consultar um relógio e calendário para saber a época/estação do ano e a hora do dia ou da noite. Observando, por exemplo, o céu de São Paulo por algumas horas numa noite limpa (sem nuvens) podemos perceber que há uma tendência dos astros visíveis (estrelas, planetas e Lua) se movimentarem de leste para oeste, assim como o Sol faz durante o dia; o que nos permite associar esse movimento aparente com o passar das horas.
Nessa perspectiva,
durante o dia é possível saber a hora e época do ano observando simplesmente a
sombra de um gnômon, conforme ilustrado nas imagens a seguir, que mostram o
Relógio Solar da USP, localizado na Praça do Relógio - Cidade Universitária/SP.
Esse relógio em especial também é interessante pelo fato de mostrar as Constelações que são visíveis no céu noturno durante as épocas do ano. Vale a pena conhecê-lo e, principalmente, tentar torná-lo conhecido e compreendido por todos estudantes que se interessam em conceitos de astronomia e principalmente pela vida e seus movimentos.
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