A Medicina da Saúde é baseada na preservação e na promoção. É sempre superior à Medicina da Doença focada na cura e na prevenção. Somos seres humanos e não "teres humanos”. A doença começa quando se deixa o SER pelo TER; saúde e vitalidade aumentam na direção do SER. A busca pelo SER leva à ampliação da consciência, guia do homem saudável e espelho para o doente. Refletindo o exemplo a ser imitado mostra como sair da horizontalidade do adormecimento e entrar na verticalidade do despertar.
Perguntas e respostas são irmãs
em diferentes estágios de maturidade. A pergunta é a resposta que ainda não
nasceu. Como não nasceu, pode ser todas as respostas imagináveis e
inimagináveis. Ainda que a pergunta seja mais antiga que a resposta, e,
portanto, com mais saber em si, a pessoa média quer respostas.
A pessoa média não aprecia
pensar sobre a morte, mas não percebe que respostas se assemelham a perguntas
mortas. Pobres aqueles que têm suas perguntas todas respondidas. As perguntas
tecem o chão que sustentam os corajosos. Sim, pois a ação do coração é a melhor
resposta e que sempre pode acontecer de outros modos, ainda que a pergunta se
repita.
Cada pulso do coração é a
resposta necessária para que a vida prossiga. Se o coração não responde, a
pergunta cala. No calabouço, é a pergunta que tem o poder de renovar, reanimar,
ressuscitar. Perguntas vibram com a vida. Uma resposta representa a morte de
todas as possibilidades.
Quando penso quem sou, devo
lembrar de incluir se sou mais pergunta ou resposta, mais nascimento ou morte
em meus encontros e ainda se sou mais possibilidades ou certeza. E uma vez
sabendo, me corrigir em cada respiração, essa pequena fatia de porvir que nos
define.
A pergunta está grávida! Conhece
esse estado? Sabe o que nascerá?
Então? Como alcançar esse estado
de portar em si todas as perguntas? Como suportar a tensão dilacerante das
respostas indigestas? Como viver a tentação da escolha de possibilidade que
exclui as demais? Como na esperança do parto normal aceitar a necessidade da
eventual cesariana?
Enfim, como libertar a mente dos vícios e compreender que todo
preconceito reside na resposta certa e na certeza, que é ainda mais mortal e
cada vez menos vital, quando absoluta. Como será portar todas as perguntas? Não
lhe parece mais do que portar todas as respostas?
Existem coisas que sabemos e também coisas que sabemos que não sabemos.
Mas existe uma terceira natureza de coisas, as mais interessantes. Falo das
coisas que não sabemos que não sabemos. Ouso dizer que as perguntas estão mais
próximas dessa última classe de coisas, do que as respostas. Perguntas são
movimentos e respostas são paradas; sim é preciso parar eventualmente, mas sem
perder de vista o fluxo e o fluir.
A pergunta é uma das, senão a maior conquista na vida da pessoa. Quando a
pessoa atinge sua maturidade plena surge a pergunta. A pergunta é a melhor
síntese que alguém pode alcançar em relação a um assunto. Todas as respostas
moram nela. Quem seria esse ser capaz de suportar em si o movimento de todas as
respostas. Quem poderia suportar em seu íntimo a liberdade de arbítrio de cada
resposta e ainda assim sustentar a vida da pergunta?
A pergunta é curva e nela não é possível a visão definir o que está por
vir. A resposta é reta, não se esconde, pode ser vista. Mas, e sempre há um
mas, quando eu vejo, meu interior se dobra, se curva, tende a...
Na insuficiência da prosa, com a devida licença:
Ainda que curvas, uma dentro e outra fora, diferentes aspectos afloram. A
curva dentro deforma o ser enquanto a outra reforma. Reformar é o efeito
vivificante da morte. Deformar é seu lado que nos faz temer; que nos
impossibilita permanecer quando o aspecto físico já não mais pode se sustentar.
Quando aprendo a caminhar nas curvas da vida e com o “pão de cada dia”,
de surpresa, de coincidência, da mudança me alimento, cada vez menos terei que
comer do “pão que o diabo amassou”.
O sobrenome da certeza é absoluta e seus irmãos gêmeos a prepotência e a
soberba.
Não saber não é um estado vazio, senão de posse de todas as perguntas
associado a outro estado, o de permeabilidade plena a todas as possibilidades.
Essa permeabilidade é o princípio da sabedoria, assim como a certeza é o
princípio da vida infernal. Claro que me refiro aqui ao inferno grego - entrada, tribunal e as três regiões comandadas por Hades.
Os pés, no zodíaco
representados por Peixes, representam a culminância da história cósmica de
nossa humanidade. História que principia na cabeça (Áries), atravessa todas as
hierarquias zodiacais e as diferentes partes do corpo que elas regem até
alcançar a horizontalidade da superfície terrestre. Sim, pois os pés
representam a consciência do contato com a terra. Na horizontalidade da terra
os pés nos conduzem quando nos dispomos e não oferecemos obstáculo; eles são a
última instância do querer que nos move.
Exceção feita ao
folclórico Saci, não há um pé mais importante que o outro; o pé direito e o
esquerdo compõem o atual estado humano. Quando o Humano é saudável, não
claudica e não exige ou prefere pisar à direita ou à esquerda, senão apenas
pisa. Se prefere um ao outro sente pena e afunda, já ao não preferir, as penas
se reúnem em asas de voar e os pés deixam de ferir a pele da Terra. Voar
permite ver de cima o movimento do abraço fraterno da respiração
direita-esquerda.
Os pés guardam relação íntima
com o perdão, sendo comum que eles doam ou se machuquem na medida em que me nego
a exercitar o perdão, seja na coragem do sentido ativo de perdoar ou na
resignação do pedir perdão. Cabe à nossa humanidade criar asas nos pés, para
que eles sejam alçados ao alto de onde vieram. Morfologicamente semelhantes aos
ouvidos, os pés portam em si todos os pontos de acupuntura em sua superfície.
Isso mostra que somos destinados a escutar a terra e que devemos tornar nossos
pés, como que um segundo ouvido, com a finalidade de contar ao alto tudo o que
se passa aqui nesse plano (como em cima em baixo).
É fundamental, apesar de
nossa única parte que funciona na horizontal, que de tempos em tempos
permitamos que eles se verticalizem. Como fazer isso? Sempre que reverentemente
nos curvamos e agradecemos à vida e a Deus pelo mistério que nos envolve e que
permite que continuemos a ser, apesar dos tantos equívocos cotidianamente
cometidos. Quando ajoelho, meus pés se verticalizam e com eles subo aos céus, se
não por mim, pela graça que me acolhe em oração. Praticar a verticalização dos
pés ao ajoelhar é o melhor preparo para a verticalização última dos pés, quando
a respiração deixa de ser e o corpo se deita de forma definitiva.
Pedras nos sapatos se
formam quando não há oração (aspiração) e nos tornamos vítimas da gravidade
terrestre (desespero); a oração que não sobe se cristaliza e empedra. Caminhar
sem oração é errar, seu oposto é curar. É preciso, que à semelhança do Cristo,
descalcemos nossos pés e lavemos os pés dos que se nos apresentam como irmãos.
A atitude descalça aguça a audição assim como os pés limpos.
Não, os representantes
dos três poderes não estariam dando um tiro nos pés se deslocassem seus
escritórios para áreas próximas às favelas. A oportunidade de elevar suas
consciências podálicas a ambientes tão anecúmenos, culminaria em algum momento em
uma melhor compreensão das necessidades de quem nelas mora. Palmilhar
diferentes solos é tornar-se consciente das diferentes nuances do humano.
Peixes, os pés, é um
signo relacionado com o elemento água. A gravidade celeste evapora, eleva,
enleva, aspira e faz chover. A água que não evapora aos céus se torna
desespero; as águas que o fazem, esperança, porque chovem e agraciam a terra.
Que nossas águas chovam e não chorem. Que eu abençoe antes a despertar pena. Quando
eu purifico e elevo minhas águas, meu sangue se purifica e pode receber, além
de mais conscientemente aprender o meu Ser. O sangue purificado é abençoado e
visitado cada vez mais por aqueles que inspiram e conduzem, e cada vez menos
por aqueles que viciam, vampirizam e induzem.
Notemos quando caminhamos
e palmilhamos o chão, como os pés se assemelham a dois corações que, ao pisar
sobre o plexo venoso na sola, bombeiam o sangue para cima; sangue que ascende
com todo o aprendizado do percurso. Caminhemos e sejamos corações nos pés, quem
sabe seja esse o primeiro passo para criar asas nesse órgão tão pouco visitado
pela nossa atenção apesar de tão frequentemente pisoteado por todos.
O suicídio físico é uma
opção desesperada e pode ser consciente ou inconsciente. No primeiro caso um
ato abrupto de desespero, no segundo decorrência de atitude ignorante que se
perpetua no tempo (hábito alimentar precário, uso de drogas lícitas e ilícitas,
sedentarismo, pouca leitura, hábito musical pobre). Estatísticas atuais apontam
que a cada 40 segundos uma pessoa morre por suicídio no mundo. No Brasil os
dados mais recentes apontam uma média de 32 suicídios por dia.
Mas, o suicídio mais
surpreendente é o espiritual. Quando o materialista se descuida de seus
veículos (corpos) suprafísicos, demonstra coragem surpreendente. Veículos que a
tradição designa como corpo vital, corpo de desejos e mente. Sim, não é preciso
ver para saber. A pessoa sensível pressente que a vida é o “mistério” que anima
a matéria, mas que não pode ser encontrada quando se disseca a matéria em sua
intimidade. Quem deseja deveria refletir de onde vem as tendências desejosas e quem
pensa deveria fazer investigação semelhante em relação ao pensamento. Desejo e
pensamento, qualidades materiais de outra natureza que não a física.
A visão, o sentido
predileto da atualidade, nos impede ver além das aparências. Mas veja você
mesmo então. Nascer arredondado, ver o corpo esticar e crescer, a seguir ficar
enrugado, pontudo e desvitalizado é percebido na superfície, mas que tipo de
forças determinam esse efeito sobre a matéria animada?
O suicídio espiritual não
é tão falado quanto o suicídio físico. Finge-se não ver, mas quem teria olhos
para isso não é mesmo?
A pessoa que vive em
espírito torna a vida material leve, torna-se
permeável à graça. A pessoa que vive para a matéria é cega à luz do
espírito e sua vida se torna opaca, escura, densa, azeda, cheia de reclamações
e emperrada. É aquela pessoa que não entende o porquê de certas situações (padrões)
se repetirem em sua vida. A graça, assim como a graxa, serve para lubrificar. A
primeira lubrifica as engrenagens da vida, a outra as engrenagens da matéria.
Em outras palavras, uma vida sem graça é uma vida sem graxa, assim como uma
vida sem graça é também sinônimo de desgraçada.
Para que a graça permeie o
corpo humano, o mesmo precisa estar poroso em todas as suas instâncias. Assim
como a obstrução dos poros da pele leva à morte rapidamente, a obstrução dos
poros dos corpos suprafísicos (corpo vital, corpo de desejos e mente) leva à
morte lenta. Essa morte lenta se apresenta aos olhos do observador como as
pessoas que apenas existem, à semelhança das pedras. Viver é atributo do reino
humano; fundamental para isso é a consciência dimensional adequada do que seja
SER HUMANO. A vida material, horizontal, cotidiana da família, do trabalho, da
política, da filosofia niilista, da diversão é apenas palco, sombra e
efemeridade. Sem a graça, a vida material culmina em cadeia, hospital, falta e
inconformidade. Mas cadeia, hospital, falta e inconformidade, lembremos, são
escolhas pessoais. Toda escolha, entretanto, é permitida a Fausto, em Goethe, ao se perder
para se encontrar.
Se afastar da graça (ser
desgraçado) por opção ou por ignorância é suicídio espiritual. O espiritual diz
respeito a tudo o que está além dos cinco sentidos. O interesse também é um
sentido que podemos vivenciar e experimentar. Mais interesse e menos
indiferença é alternativa válida na profilaxia do suicídio espiritual.
A política é prática diabólica. Poder, medo, dinheiro, fama e controle são
seus combustíveis. O Diabo aprecia tudo que é partido. Adora espelhos, poderes
partidos, partidos políticos, partidas de futebol e até mesmo o raio que o
parta. Se for inteiro e não pela metade, então tem que ter Deus também. Mas
ainda não chegamos lá, estamos longe. Tão longe e tão perto...
A Bíblia em Jó (antigo testamento), Goethe em Fausto e Saramago no
Evangelho segundo Jesus Cristo, criam situações curiosas onde Deus e o Diabo
trabalham alinhados, no mesmo partido, conversam e planejam! Nada parecido com
a prática geopolítica atual, onde as partes se odeiam. A literatura bíblica é explícita
quanto às coisas de César e as coisas de Deus.
Em minha infância se dizia: “Mente vazia oficina do Diabo”. Curiosa
associação essa do Diabo com a mente e de Deus com o coração. É como se Deus
não pudesse ser sabido ou pensado, senão apenas recordado (cordis = coração).
Parafraseando Agostinho de Hipona sobre o tempo: se me perguntam o que é Deus,
eu não sei, se não me perguntam eu sei. Quando penso Deus me dissocio e,
portanto, me torno diabólico. O cérebro utiliza o fósforo na forma de ATP (adenosina
trifosfato) em seu metabolismo. Fósforo em grego é lúcifer em latim, ambos
significam o portador da luz.
Posso ser livre de tudo o que tenho, mas posso ser escravo até do que
não tenho. A liberdade é um conceito estranho. Liberdade para acreditar ou não.
Na medida em que acredito coopero com o “sistema de leis” (teotropismo), e na
medida em que não acredito compito com o “sistema de leis” (geotropismo). Competir
ou cooperar, prerrogativas do estado em que me encontro. Escolhas que não se
excluem, senão se mesclam até que a unidade seja melhor compreendida por cada
um de nós.
O vazio é condição que predispõe ao
preenchimento acontecer. O vazio do copo, o vazio da janela, o vazio da porta,
o vazio do vaso, o vazio do útero, o vazio onde o eixo da roda se encaixa, o
vazio do sapato. O vazio é um espaço perigoso, pode-se cair nele, e viver é de
fato muito perigoso.
Em minha infância se dizia: “Mente
vazia oficina do Diabo”; um vazio onde até o Diabo poderia cair!? Curiosa
associação essa do Diabo com a mente e de Deus com o coração. É como se Deus
não pudesse ser sabido ou pensado, senão apenas recordado (cordis = coração). Parafraseando
Agostinho de Hipona sobre o tempo: se me perguntam o que é Deus, eu não sei, se
não me perguntam eu sei.
É pelo vazio das câmaras
cardíacas que o sangue flui. Por outro lado, o cérebro utiliza muito fósforo na
forma de ATP em seu metabolismo. Para quem não sabe, fósforo é uma palavra derivada
do grego que no latim se torna lúcifer, ambas significando o portador da luz.
Mesmo você que já sabe que cérebro e mente são coisas relacionadas, mas muito
diferentes, vale pensar a respeito.
Posso ser livre de tudo o que
tenho, mas posso ser escravo até do que não tenho. A liberdade é um conceito
estranho. Por exemplo, sou livre para acreditar ou não em Deus. Na medida em
que acredito, a liberdade de arbítrio se manifesta enquanto coopero com o
“sistema de leis” divinas. Na medida em que não acredito a liberdade de
arbítrio se manifesta enquanto compito com o “sistema de leis” da natureza.
Simples assim, geotropismo x teotropismo. Em relação ao livre arbítrio, competir
ou cooperar, escolher o mais sensato depende do estado em que me encontro,
quanto eu acredito estar no controle da vida e no que escolho acreditar. Escolhas
que não se excluem, senão se mesclam até que a unidade seja melhor compreendida
por cada um de nós.
Meus espaços vazios são cavernas
fechadas ou canais de passagem? Cavernas que portam luz ou canais que permitem
que a luz circule? Em mim predomina o mental ou o cardíaco; o carnal ou o
espiritual?
O silêncio é espaço onde tudo
pode acontecer. É potencialidade. É campo de metamorfose. É onde o tu pode
encontrar com o eu. Sem o silêncio, pouco é possível. Quem está cheio, precisa
de um pouco de silêncio; espaço na alma para que alguém possa ser. Não é
possível ser sem espaço, e o silêncio é espaço pleno. No silêncio eu me escuto;
no silêncio sou escutado. O silêncio é solene e é só nele que o dentro e o fora
podem estabelecer diálogo. O artista disse que o silêncio foi a primeira coisa
que surgiu. Para recordarmos esse momento primordial, sejamos silentes.
A despeito disso, existe hoje guerra
declarada ao silêncio. Máquinas de som e imagem insistem na inseminação ruidosa
de nossos orifícios, em nossos ofícios. Nossos ossos pulsam com a gravidade da
situação, com a gravidade dos baixos profundos, com a gravidade das gravatas e
ainda com a gravidade da gravidez. Inseminados com o mesmo e variações do mesmo
tema, papagaiamos o barulho pré-fabricado em nossas casas.
Ao impedir que a vontade alcance
o silêncio, as irrelevâncias das informações cotidianas nos tornam dependentes
de mais uma dose. Esse vício moderno que preenche os vazios, os tempos, os
sentidos, me tira de mim. Me afasta a vontade e me entrega aos desejos.
Vontades de ser escorregam em desejos de ter. Mas, sem o silêncio, sem esse espaço,
o que ser senão o que se diz, o que me dizem, o que foi dito naquele programa?
Esse barulho que penetra a mente a
partir dos tímpanos, que nos rouba a lembrança essencial, precisa ser encarado
de frente. Desejo a você que ele ocorra antes e não depois que o tempo se
recolha.
Quando o senhor, também conhecido como deus, se apercebeu de que a adão
e eva, perfeitos em tudo o que apresentavam à vista, não lhes saía uma palavra
da boca nem emitiam ao menos um simples som primário que fosse, teve de ficar
irritado consigo mesmo, uma vez que não havia mais ninguém no jardim do éden a
quem pudesse responsabilizar pela gravíssima falta, quando os outros animais,
produtos, todos eles, tal como os dois humanos, do faça-se divino, uns por meio
de mugidos e rugidos, outros por roncos, chilreios, assobios e cacarejos,
desfrutavam já de voz própria. Num acesso de ira, surpreendente em quem tudo
poderia ter solucionado com outro rápido fiat, correu para o casal e, um após
outro, sem contemplações, sem meias-medidas, enfiou-lhes a língua pela garganta
abaixo.
O
senhor não vê? O que não é Deus, é estado do demônio. Deus existe mesmo quando
não há. Mas o demônio não precisa de existir para haver – a gente sabendo que
ele não existe, aí é que ele toma conta de tudo.
Goethe viveu a transição de uma
época chamada Iluminismo, onde os humanos da época decidiram abrir mão de uma
certa qualidade de valores em função de outra. As escolhas daquela época
refletem na época atual; alguém disse: quem planta vento colhe tempestade. Quem
gosta de chuva forte nem liga, mas quem não gosta tende a ficar cada vez mais
ligado.
Saramago, Guimarães Rosa, Goethe e
Tolstoi deixaram rastros, em suas obras literárias, dessa figura bíblica canhestra,
esse ser da encruzilhada que se perdeu na caminhada. Na obra Fausto, Goethe o
veste com a alcunha de...
MEFISTÓFELES
(com seriedade)
Deus o Senhor – sabe-se a
causa – quando
Do éter nos exilou à profundeza
Em que arde fogo cêntrico,
abraseando
Voraz conflagração em torno acesa,
Vimo-nos lá, na luz
exagerada,
Em situação incômoda e
apertada.
Pôs-se a tossir toda a mó
dos demônios,
Do alto e baixo a expelir
bofes medonhos,
O inferno encheu de
enxofre, ácido e azia,
Deu isso um gás!
monstruoso em demasia,
Até que em breve, apesar de robusta,
Rebentou afinal a térrea crusta.
A cousa agora está por
outro bico:
O que antes era a base,
hoje é o pico.
Daí o ensino lógico é oriundo:
Virar-se para o mais alto
o mais fundo;
Pois escapamos da
opressiva esfera,
À integração no ar livre
da atmosfera.
É segredo óbvio, muito bem
guardado,
Pois
aos povos não foi tão cedo revelado. (Ef. 6, 12)
Em Efésios 6,12 lemos:
“Pois não é contra homens de carne e
sangue, que temos de lutar, mas contra os principados e potestades, contra os príncipes
deste mundo tenebroso, contra as forças espirituais do mal espalhadas nos ares.
”
Quem caminha ao pé na letra trava a
luta nos pulmões, quem não, escafandro, na atmosfera. E você Fausto amigo?
Um dia houve a separação fundamental
entre as ciências físicas e espirituais. A despeito disso, grupos preservaram segredos
esotéricos da medicina e da astrologia, sustentando o conhecimento interpretado
sob a luz da mística, sendo os segredos espirituais restaurados, ocultos do
vulgo e dados àqueles que anelavam pelas causas do espírito.
Hoje observamos educadores que
ignoram os valores espirituais; vemos a ciência material tornar-se uma instituição
orgulhosa, que ignora a alma, fascinada pela matéria não deixando lugar para a
mística. Como resultado, temos uma desilusão geral e um abatimento decorrentes
da insignificância das coisas materiais: fuga, desespero e tristeza. O atual interesse
renovado pela Astrologia como recurso de cura resgata o pensamento de Paracelso,
expoente do pensamento vivo que dizia:
“Assim
como existem estrelas nos céus (macrocosmo), também há estrelas dentro do ser
humano. Portanto, nada existe no universo que não tenha seu equivalente no
microcosmo (o corpo humano)” e “O espírito do ser humano deriva das
constelações (estrelas fixas - sóis); sua alma, dos planetas; e seu corpo, dos
elementos”.
O Macrocosmo é a difusão infinita do cosmos em
suas ilhas, galáxias, nebulosas, estrelas, planetas, corpos celestes onde
inumeráveis formas de vida estão sempre evoluindo. O Microcosmo são as células de nosso corpo, incontáveis como as
estrelas do céu. A chave mestra que permite acesso à correlação entre macro e
microcosmos e que favorece a compreensão dos mistérios é:
“Como é em cima, assim é embaixo”.
A Astrologia pode ser vivenciada como
uma “tela” que permite o vislumbre da inter-relação das forças entre o
Macrocosmo e o Microcosmo, entre o externo a nós e o nosso interior, além de
ser um instrumento da realização da Lei de Consequência ou Lei de Causa e
Efeito. Assim, dentro de perspectiva que admite a possibilidade do renascer,
alguns pensamentos descrevem observações pertinentes ao pensar astrológico:
·“Viver para comer ao invés de comer
para viver”, pode implicar futuramente na colheita de complicações no aparelho
digestivo.
·A excessiva irritação, intolerância, impaciência,
impetuosidade, podem implicar futuramente na colheita de desordens
circulatórias e seus efeitos colaterais em todo o sistema: apoplexias,
derrames, varizes, pressão sanguínea irregular, etc.
·A impulsividade e o rancor podem
implicar futuramente na colheita de úlceras, artrites, disfunções glandulares,
insuficiência cardíaca, pressão baixa, problemas linfáticos.
·A atividade excessiva em função do
mal, caracterizada por comportamentos maleficamente agressivos, violentos e
vingativos pode implicar futuramente na colheita de baixa energia dinâmica assim
como de ausência de resistência a doenças; membros defeituosos, acidentes com
perda de membros; articulações sujeitas a artrites; dores musculares,
reumatismo e enxaquecas.
·O abuso da função sexual e sua utilização
apenas para a gratificação dos sentidos pode implicar futuramente na colheita de
falta de vitalidade, vontade fraca ou até debilidade mental.
·A recusa em gerar ou aceitar o filho
gerado, criá-lo e educá-lo pode implicar futuramente na colheita de disfunções
nos órgãos geradores, predisposição ao câncer de próstata ou laringe, útero,
seios e estômago.
Felizmente, SÓ COLHEMOS AQUILO QUE
SEMEAMOS.
A grande maioria das doenças
origina-se no comportamento negativo face às circunstâncias que, quase sempre,
envolvem nosso semelhante. Trata-se do antigo e misterioso conselho dado por
Cristo no Sermão da Montanha: “se qualquer membro do teu corpo te escandalizar
(o mau uso) arranca-o e joga-o fora...” Justo o que fazemos
literalmente antes de renascer!
Enquanto os exames médicos mostram as
condições de nosso corpo no momento da coleta, o horóscopo mostra as
enfermidades latentes e ativas em toda nossa vida terrestre. Deste modo temos
tempo suficiente para: prevenir-nos, minimizar os efeitos e até não desenvolver
essa enfermidade, pois: “as estrelas impelem, mas não obrigam”!
Através da astrodiagnose e terapia é
possível conhecer os melhores métodos para efetuar a cura, assim como o melhor tratamento
para cada paciente, além de ser possível observar o caráter do enfermo (forte,
débil, negativo, emocional). A partir desse estudo, é possível saber o dia em
que as crises tendem a se manifestar e quando as influências adversas
diminuirão.
Estamos sujeitos a enfermidades físicas,
psíquicas, sociais, mentais e espirituais. De acordo com a ciência
oculta, construímos nosso Corpo Denso e o
controlamos. Havendo doença nele somos levados a concluir que não fizemos nosso
trabalho de forma ideal. Isso é expresso nas duas classes de enfermidades
apontadas em um horóscopo:
·Latentes
oSão indicadas pelas aflições
planetárias no horóscopo quando nascemos.
oPodem permanecer latentes durante
toda a nossa vida terrestre.
oDependem do nosso modo de vida: se
não respondemos às tendências indicadas pelas aflições planetárias, elas não se
manifestarão.
oPodemos atuar com nossa vontade até o
ponto de anular as indicações de nosso horóscopo.
·Ativas
oSão indicadas pelas aflições planetárias
no horóscopo quando nascemos, mas nós respondemos a essas aflições, através: de
pensamentos, sentimentos, palavras ou atos negativos, inferiores e destrutivos.
oAs posições planetárias progredidas indicam
os momentos de atuação.
oConsertando o nosso modo de vida:
aliviaremos, suspenderemos ou seremos curados da enfermidade.
Para aplicarmos ao estudo dessa
ciência e arte de obter conhecimento científico das enfermidades, suas causas,
segundo indicações dos planetas, e dos meios de curar é necessário:
·Dedicar-nos ao conhecimento da
fisiologia e anatomia de nosso Corpo Denso.
·Usar esse conhecimento
altruisticamente na ajuda aos sofredores.
·Esquecer o próprio horóscopo e
dedicar o conhecimento a ajudar os outros.
Tudo em nossa vida parece
principiar com um pensamento. A mente é o instrumento a partir do qual os
pensamentos são criados. Quando a imaginação humana se desenvolver a seu mais
alto patamar, será a condutora da raça humana.
Muitas pessoas
habituaram-se a deixar o pensamento desconcentrado, o que os torna incapazes de
manter-se em um mesmo assunto por um maior espaço de tempo até que a concentração
do pensamento seja completamente controlada. Não nos damos conta das ramificações
e consequências de nossos pensamentos mais insignificantes.
Quando concentrado em
qualquer assunto ele abre caminho através de qualquer obstáculo e resolve
qualquer problema. Entretanto, o controle do pensamento é algo difícil de
atingir e requer um exercício diário consciente. Como é nosso principal poder,
devemos aprender a ter absoluto controle sobre nossos pensamentos de modo que o
que criemos não seja uma ilusão egoísta prejudicial induzida por condições materiais,
mas a verdadeira imaginação gerada interiormente pelo Espírito.
Muitas pessoas acreditam
que problemas e condições de saúde resultam de influências externas. Argumentam
que temos o direito de pensar o que quisermos e que os pensamentos egoístas e
negativos não são prejudiciais. Isso está longe de ser verdadeiro. O poder dos
pensamentos negativos bem como o poder dos pensamentos positivos é grande. Acredita-se
que doenças infecciosas sejam particularmente a materialização do medo e do
ódio e, portanto, são vencidas pelas forças opostas da coragem e do Amor.
Hoje em dia, indivíduos
em todo o mundo habitualmente focalizam em guerra, doença, pobreza e problemas,
usando-as como rótulos: Sou hipoglicêmico, estou zangado, com medo, pobre, etc.
Eles não se responsabilizam por seus pensamentos e condições, o que pode ser
comprovado por seus pensamentos e palavras. Outros olham para o mundo e se
queixam de tudo que não lhes agrada ou imitam a negatividade dos outros, não percebendo
que “todos temos o poder de mudar
qualquer vibração, escolhendo que tipo de pensamento ou ação adotar”.
Podemos dirigir nossa
mente para nos sentirmos bem, em paz, com saúde, com energia, com segurança,
usando a mente, um dom de Deus, para controlarmos nossas experiências na Terra.
A Mente é a mais poderosa das possessões do homem, mas deve tornar-se uma força
poderosa para o bem. Também pode tornar-se uma ferramenta para o mal dependendo
de seu uso. Isto significa que, se desejarmos ser pioneiros no processo de
mudança, precisamos usar nossa vontade pessoal para nos conectarmos com o Eu
Superior ou Deus, selecionando cuidadosamente sobre o que pensar e falar.
Escolhemos focalizar em ações
e palavras egoístas e materiais, dando energia para o negativo, criando o caos,
a guerra, o conflito? Ou conscientemente escolhemos focalizar na centelha
divina latente no homem, clamando por amor e paz para manifestar-se? Nossa
Laringe Criadora expressa nossos pensamentos que amplamente influenciam nossos
atos. Se nos esforçarmos em pensar/falar bem, agiremos bem. Se cultivarmos tais
pensamentos, em breve teremos amor, paz e harmonia disseminadas em torno de
nós. Atentemos sobre o que pensamos e falamos, escolhendo SER A FORÇA QUE FAZ A
DIFERENÇA agora e nos tempos vindouros.
A semana da Páscoa Cristã é a
celebração do derramamento do sangue de Jesus Cristo na Terra e sua
ressurreição. Como se sabe, o sangue é o veículo do Espírito e por meio do
sangue derramado na cruz a Terra recebeu em seu interior o Espírito de Cristo
que desde então sustenta o planeta até onde a vista não alcança.
Na tradição Cristã, a Parusia é o nome dado à segunda vinda de Cristo. As
linhagens exotéricas devocionais (filhos da água) celebram esse mistério na
comunhão do rito sagrado na missa; de maneira complementar, as linhagens esotéricas
ocultistas (filhos do fogo) compreendem que esse mistério pode ser vivenciado
por cada um que se desenvolveu em seus corpos sutis ao ponto da possibilidade
de uma vivência pessoal com o Cristo ressurreto. Isso é possível a partir do
desenvolvimento do corpo etérico ou vital, o primeiro corpo transcendente acima
do corpo físico.
A respeito desse corpo, Rudolf Steiner, Max Heindel e Corine Helline escreveram
obra considerável, assim como exercitá-lo com base no desenvolvimento do
caráter e da excelência silenciosa do viver saudável.
Na tradição bíblica, a experiência de Paulo em Damasco é ilustrativa
desse encontro suprassensível em Cristo. Paulo designa esse corpo em suas
cartas na bíblia como corpo alma (soma psuchicon – I Cor. 15:44).
Sobre isso tudo, e enquanto trabalhamos diligentemente sobre nossos
veículos, uma poesia de um amigo, o Pompeu Salgado, que já esteve entre nós aqui
pela Terra:
“Deus não joga dados” – Afirmação de A. Einstein – Físico
“Não deve ser tarefa nossa prescrever
a Deus como Ele deve reger o mundo”
Resposta de N. Bohr – Físico (Do
livro “A Parte e o Todo” de Heisenberg)
Dentre os movimentos ateístas,
mais chamam atenção aqueles em que o homem é chamado ao auto-aperfeiçoamento,
como ápice da cadeia evolutiva, sem a necessidade de abertura ou reverência a estados
superiores ao humano, enquanto divindades. Grosso modo, caminhos reencarnacionistas
em direção à “iluminação” e à cessação do ciclo de nascimento e morte. É
possível concebermos, em teoria, movimentos ascensionais e movimentos descensionais,
o que clareia, apesar de alguma relatividade, os estados de elevação do humano (despertar)
e de descida do divino (mergulhar).
É suicídio mental espiritual
ou aleijão e caolhice se afastar da tensão paradoxal da complementaridade. As
tensões do tipo Confúcio – Lao Tsé, Aristóteles – Platão, Aquino – Agostinho, Averróis
– Avicena, permeiam a história humana como ioiô.
Assim, se mostra curioso
o movimento dos cientistas que partem do pressuposto básico da inexistência de
Deus! Fundamental notar que esta negação se baseia numa certeza, uma forma de
fé radical, uma fé no nada, ou de que nada existe além do que os cinco sentidos
permitem. Se meu pressuposto é a negação, afirmo que sou o próprio Arquiteto.
Forma discreta e elegante do culto materialista. Ney Matogrosso oferece solução a essa tensão característica da insustentável leveza do ser em sua música "Balada do Louco"
“Eu juro que é melhor
não ser o normal. Se posso pensar que Deus sou eu.”
Mas haveria espaço para
todas essas posturas sem que uma estivesse correta e a outra equivocada?
Acredito que sim e que todos estejam igualmente certos em suas observações e
conclusões. Existe uma ideia corrente de que a própria consciência de cada ser
humano, de algum modo, determina sua realidade. O mundo e a realidade de cada
pessoa respondem a estas convicções pessoais, levando-as cada vez mais a
concretizá-las em sua forma de viver e escolher. Estou afirmando que a história
de cada pessoa responde ao modo como ela constitui seu universo e percepções –
negar possibilidades é bloquear certas vivências; permiti-las é estar aberto ao
novo. Desse modo, alguém cujas convicções se baseiam na materialidade e no
vazio pré e pós-existência corpórea, assim é para ele e assim será. Não apenas
como modelo abstrato e argumento para discussões, mas como fato real de como
sua história se desdobrará.
Realmente um olhar atento
descobrirá existirem fortes evidências de que construímos o mundo com base em
nossas ideias, sendo este o grande dilema do livre arbítrio da vontade. O livre
arbítrio da vontade é uma ferramenta mestra. Pensar o mundo como algo formatado
em que todos os seres e consciências simplesmente respondem às leis naturais é
limitar o conceito livre-arbítrio. Afinal, como concluímos que as próprias leis
não estejam em processo pessoal de evolução?
Sheldrake nos convida a reflexões
dessa natureza de forma elegante na obra “Ciência sem Dogmas”, entre outras.
Quando sua vida estiver equilibrada, procure pensar a esse respeito. Caso sua
vida esteja constantemente desequilibrada, procure pensar a esse respeito
também...
“Como quereis que os homens vos
façam, do mesmo modo fazei a eles.”