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quinta-feira, 20 de agosto de 2015

VAMOS FALAR SOBRE DOENÇAS? - DOENÇAS CRÔNICAS

Como ser saudável ou Como não ter doenças? Adequando a linguagem à saúde

       A forma como uma pessoa pensa é fator determinante sobre a forma como a vida da pessoa acontece. A importância do observador sobre os fenômenos cotidianos é cada vez mais notada, até mesmo pela ciência, a caçula dentre suas irmãs, a arte e a espiritualidade; variações do bom, belo e verdadeiro cujo desgaste temporal renomeou.



      Assim, pensar a vida na perspectiva da doença é viver imerso em uma nuvem de possibilidades de doenças em um contínuo agir em função de atitudes de prevenção (se previne de doenças) e de cura (só se cura de doenças). Não nos prevenimos da saúde e muito menos nos curamos da saúde, mas o mais interessante é a pouca atenção que temos dado à forma de pensar a saúde em relação à ênfase que temos dado ao pensar e equacionar a doença.
      Pensar a vida na perspectiva da saúde é viver imerso em outo tipo de nuvem de possibilidades. Se no caminho da doença as palavras fundamentos são: medo e culpa, no caminho da saúde são: coragem e responsabilidade. Desse modo, urge que assimilemos que a vida alinhada à saúde diz respeito ao agir contínuo em função de atitudes de preservação (se preserva a saúde) e de promoção (se promove a saúde). Note-se que as palavras relacionadas à doença se deformam quando colocadas ao lado da saúde! Por exemplo, conhece alguém que se cura da saúde? Conhece alguém que se previna da saúde? Conhece alguém que promova doença? Conhece alguém que preserve doença? Vale insistir que assim como se pensa se é, e que as rotinas decorrentes do viver sem tempo dificultam a percepção das palavras que fundamentam nossa forma de viver. Quando tiver um tempinho pense a esse respeito, por amor.
       Como venho propondo, somos seres humanos e não teres humanos! Portanto, deixo a vocês a pergunta sobre o vídeo que inicia esta reflexão: qual entre os dois temas abaixo seria mais adequado ao mesmo?
            1- Como não ter doenças em uma sociedade doente
            2- Como ser saudável em uma sociedade doente
       Bem, caro amigo desconhecido, se escolheu a opção 2 prossiga a leitura; caso tenha escolhido a opção 1, peço a bondade e gentileza de recomeçar a leitura além de aceitar minhas desculpas pela inabilidade em ser mais claro quanto a obviedade da insólita realidade...
       Eventualmente a proposta 1 poderia ser amorosamente corrigida para:
            1- Como não ter doenças em uma sociedade de ontem

       Mas, guardemo-nos dos riscos relativos aos que apreciam Diógenes e prossigamos da forma mais cartesiana possível.
      Cronos é o "antigo" deus grego relacionado ao tempo, renomeado Saturno quando os romanos assumem o bastão - entregue o bastão e conhecerás o vilão. É da divindade Cronos que surgem os conceitos semânticos cronômetro, cronológico e crônico. Todas, diferentes realidades do tempo. De fato, quando as coisas se perdem no tempo cronológico do dia a dia, existe o risco de se tornarem crônicas. Em outras palavras, quando não cuidamos de algo que o tempo cronológico apresenta como oportunidade, se cria um processo de cronificação a se arrastar indefinidamente no tempo (Cronos).
      As doenças crônicas são assim, os vícios são assim, ações que se repetem e acabam determinando alterações no caráter do ser, que não se sabe ao fim de onde surgiram. Diabetes, obesidade e hipertensão costumam visitar o hospedeiro em decorrência de hábitos relativos ao comportamento alimentar, além de contextos sedentários no viver. Fossem cultivados hábitos alimentares aliados a atividade física regular e muito se alcançaria quanto a minimizar estas entidades.
       Isso tudo parece muito óbvio, mas nem tanto ao ponto de saber que a imaginação e o pensamento também beneficiam o viver quando visitados com atenção. Afinal, como são os pensamentos e a imaginação da pessoa com uma doença crônica? Ela se refere à doença como minha? Minha dor, minha gastrite, minha enxaqueca, meu diabetes? Como pensa alguém, assim ele é. Abaixo Rohden fala um pouco a esse respeito:


     Não se negue a existência dos processos crônicos, mas busquemos uma causa crônica ou um hábito arraigado no comportamento daquele "doente" e talvez nos surpreendamos com o campo analógico entre um dado comportamento da pessoa e a forma pela qual a pessoa adoeceu. Aliás, caso não tenha notado, ser doente é o mesmo que ser do ente, ou pertencer a alguma entidade (doença, diabetes, cefaleia, hepatite), ou seja, pertencer à doença! Conforme as músicas explicam na perspectiva da arte, muito maior que o alcance da capacidade intelectual:


       Mas cuidemos ao enveredar por esses caminhos e Alberto Caeiro deixou bem avisado que "Pensar é estar doente dos olhos". Ora, talvez quisesse dizer que pensar é solitário caminhar em que a ousadia de fechar os olhos ao senso comum, a moral de nossos dias, seja passo fundamental ao encontro de novas soluções para os antigos problemas. Quem sabe pensar seja, se assim for, um olhar para dentro? E se for, nada melhor que fechar os olhos e ver aonde chegamos...
        Cada vez mais se percebe que saúde e doença não são conceitos antagônicos como por muito tempo se pensou, senão que a segunda seja parte integrante da primeira. Um alarme que soa! Desconfio então das pessoas que chegam a procura de medicação ou solução para seu problema sem qualquer reflexão quanto a como vem vivendo - nas palavras do sambista: "deixa a vida me levar, vida leva eu". Ainda pior quando o terapeuta sugere a reflexão e a pessoa se irrita, aí sim começa ficar claro o porquê da dor que se torna crônica ou o porquê daquela determinada parte do corpo estar degenerando (Leia sobre isso no livro a Doença como Caminho).
        As pessoas estão "ganhando" cada vez mais anos de vida e com isso muitos estão apenas ficando mais velhos enquanto alguns estão ficando mais sábios. Os dois, se me permitem, são excludentes pois ao encontrar um sábio logo se reconhece uma criança enquanto o velho é quando a criança saiu e não voltou. Caminhamos para sábios ou nas palavras de um professor da faculdade: "Somos apenas seres que carregam o cadáver nas costas"?
       Isso tudo para dizer que a pessoa que coloca a responsabilidade de sua melhora no médico responde ao tratamento de forma muito diversa daquela pessoa que se responsabiliza pelo estado em que se encontra. Repito, se responsabiliza! Se responsabilizar é o oposto de sentir culpa. E quem ainda acha que culpa e responsabilidade são a mesma coisa é porque certamente não leu o capítulo culpa x responsabilidade do livro "Saúde é Consciência", está lá!
       Nossa sociedade funciona por meio de sistemas, um conceito matemático para solucionar problemas que se apresenta como um modo de rotina operacional a impedir as pessoas sem tempo (Cronos) de pensar (estar doente dos olhos) e consequentemente de responsabilizarem-se pelas suas escolhas. Nossas escolhas são nossas escolas, lembrar sempre.
       É devido a esses sistemas que nos acostumamos e aos quais facilmente nos adaptamos, que a sociedade cada vez mais pode e está sendo controlada por máquinas, robôs e até mesmo outros sistemas conhecidos por sistemas operacionais. Um sistema funciona a partir de pressupostos e portanto, em uma sociedade, a partir de estatísticas comportamentais – IBOPE, pesquisas eleitorais, níveis de audiência e similares. Ao se equacionar comportamentos e reflexos econômicos dos mesmos, torna-se possível automatizar soluções. Claro que a história seria outra se nossos antepassados tivessem optado por parar de procriar, parar de votar, parar de pagar impostos e parar de comprar e de consumir, a utopia dos descrentes no mundo material e seus prazeres e decorrências. Outrossim, a utopia de Thomas More também seria alternativa louvável, aliás, que belo livro...
        Surge, no entanto uma forte tensão, intimamente relacionada ao tema saúde-doença, que diz respeito a dois comportamentos humanos às diversas oportunidades que a vida oferece como arena evolutiva: o comportamento compulsório (automático – não requer criatividade) e o comportamento emancipatório (requer criatividade e esforço). O comportamento compulsório é o da “boiada” que não tem tempo, são reféns de Cronos e portanto predispostos às doenças crônicas, da depressão, passando pela hipertensão e chegando à insônia. O comportamento emancipatório é aquele ao qual Caeiro se refere acima, o de quem ficou “doente dos olhos”. E é sobre esse fato que Exupéry se refere no Pequeno Príncipe quando nos recorda que o essencial é invisível aos olhos e que só se vê bem com o coração. A coragem, o cor agir, o agir com o coração é a essência do comportamento emancipatório, sem o que Cronos escraviza e toma conta de tudo. E quando Cronos toma conta, aí é tomar remédio para o resto da vida, pois a própria vida é o resto do que não foi.
       Isso fica claro no diálogo do cruzado com a morte, belamente retratado no “Sétimo Selo” de Bergman e acessível no link abaixo:


      A alternativa, que encontramos no comportamento emancipatório, oferece as benesses a quem verdadeiramente mergulha na busca de sentido pessoal em cada encontro, em cada processo, sempre em busca do autodesenvolvimento, à custa da “doença dos olhos”, pois as aparências enganam e conforme Hipócrates, aquele pelo qual os médicos juram quando se formam:

“A vida é curta, a arte é longa, a ocasião fugidia, a experiência enganadora, o julgamento difícil. É preciso que se faça não apenas o que convém, mas também com que o doente, os assistentes e as coisas exteriores concorram para isso.”
      
      Concluo disso tudo que: de todas as doenças crônicas a mais grave é a falta de amor.

quinta-feira, 8 de maio de 2014

TEO-TROPISMO - SAÚDE AVANÇADA

       Mineral, Vegetal, Animal, Humano;

      Magnetismo, Heliotropismo, Geotropismo, Teotropismo...

      Coincidência, Consciência ou Consequência linguística?

      Em português, todas as letras da palavra Deus estão em Saúde!

      Saúde é vida é sentido é luz. Luz visível aos olhos ou ao coração...


POR HUBERTO ROHDEN - PROFESSOR E PENSADOR BRASILEIRO 


É este o inexplicável mistério de todas as coisas creadas:

Quando as procuramos – fogem de nós...

Quando as agarramos – diluem-se em nossas mãos...

Quando lhes saboreamos a natural doçura – enchem-nos a boca de fel...

Quando delas enchemos a nossa vida – abrem dentro de nós o vácuo do deserto...

Mas, quando nos desapegamos das creaturas e vamos em demanda do Creador – elas correm em nosso encalço, prendem-se a nós e conosco querem ir para Deus.

Pois, como, sem nós, só podem atingir parcialmente o seu fim, conosco e por nós o querem alcançar plenamente.

É este o estranho teo-tropismo de todas as coisas da terra:

Desconfiam do homem que as procura e delas se enamora – e tem confiança no homem que delas se afasta por amor a Deus.

Para fugir das creaturas não é necessário submergir na solidão do deserto – basta, e é necessário, desprender delas o coração.

Crear na alma um ambiente de serena neutralidade, de perfeita libertação.

Pode o homem se escravo daquilo que não possui – e pode ser livre daquilo que possui.

Não há mal em possuir – todo o mal está em ser possuído.

É triste a condição do homem que, em vez de possuir as creaturas, é delas possuído ou possesso...

É razoável a atitude do homem que se despossui das creaturas para não ser por elas possuído.

É sublime a liberdade do homem que sabe possuir as creaturas sem ser por

elas possuído.

Herodes não possuía – era possuído.

João Batista não possuía nem era possuído.

Jesus Cristo podia possuir sem ser possuído.

O homem perfeito, o gênio da espiritualidade, depois de se desfazer das creaturas que o escravizaram, pode a elas tornar, sem perigo de cair vítima de sua tirania.

“Tendo tudo – sem possuir nada” (São Paulo).

Contempla todas as coisas da sua perspectiva superior, aureolado da luz divina, imerso na atmosfera da sua grande liberdade interior...

À luz dessa gloriosa liberdade dos filhos de Deus, falava um dos espíritos mais livres do mundo com o “irmão lobo”, com a “irmã cotovia” e entoava o “cântico do sol”, até da “irmã morte”, sintonizando a mais intensa onda poética com a mais sublime onda religiosa.

Para ele, religião era poesia – e poesia era religião.

Ao som da sua grande liberdade interior, celebrava Francisco as núpcias do Evangelho e da Natureza...

Diluía-se o heliotropismo de sua alma sedenta de Beleza no teo-tropismo de seu espírito faminto de Verdade...

E reconquistou o paraíso perdido.