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sexta-feira, 13 de novembro de 2020

A PARTE E O TODO


 

          O termo holos em grego expressa a ideia de inteireza e integridade. Para o conhecimento médio o todo se compõe das partes que o constituem, o todo é a soma dessas partes. Essa forma de conhecer associa parte e todo com o quebra-cabeça, assim como com a natureza inorgânica.

O inusitado surge, no entanto, quando se adentra o universo do orgânico onde um princípio organizador atua não apenas sustentando a forma, como também a transformando. Esse princípio pode ser compreendido como um epifenômeno ou como um nível superior de organização que atua sobre o nível inferior. Em qualquer desses casos, observáveis nos reinos vegetal, animal e humano, o que denominamos todo é sempre maior que a soma de suas partes.

Em outras palavras, enquanto no mundo inorgânico um mais um resulta dois, no mundo orgânico o resultado é sempre maior que dois. Saímos da matemática do inorgânico e adentramos a “matemágica” do orgânico. Esse conceito do todo poder ser maior que suas partes é a melhor aproximação desse termo holos.

Os termos shalom e salam, derivados de línguas semíticas, chegam à nossa gramática como paz. No entanto, naquelas línguas eles compreendem um sentido de integridade que pode ser inclusive transposto para objetos inanimados. Ou seja, posso dizer que uma vassoura está em paz! Pois está inteira e, portanto, íntegra.

Podemos então resgatar a compreensão de saúde enquanto estado pleno do ser. Se estou em paz e se estou inteiro, estou íntegro e integrado. As práticas integrativas almejam e propõem algo justamente nesse sentido.

Pessoas não integradas, ou seja, que romperam consigo mesmas, perderam a relação com sua essência, que em grande parte das tradições está relacionada ao coração. Daí o termo corrupto (cor – coração / rupto – roto); quando rompo com minha porção mais essencial é como se rompesse com o coração. Nessa corrupção, nessa rotura cardíaca está o princípio do adoecimento. Adoecimento que não ocorre como uma patologia que se instala instantaneamente, senão como estado de mal-estar ou de perda da paz interior. As práticas integrativas visam restabelecer a paz interior, a integridade perdida, antes que a doença se manifeste no corpo físico.


quarta-feira, 19 de dezembro de 2018

SUICÍDIO ESPIRITUAL


O suicídio físico é uma opção desesperada e pode ser consciente ou inconsciente. No primeiro caso um ato abrupto de desespero, no segundo decorrência de atitude ignorante que se perpetua no tempo (hábito alimentar precário, uso de drogas lícitas e ilícitas, sedentarismo, pouca leitura, hábito musical pobre). Estatísticas atuais apontam que a cada 40 segundos uma pessoa morre por suicídio no mundo. No Brasil os dados mais recentes apontam uma média de 32 suicídios por dia.
Mas, o suicídio mais surpreendente é o espiritual. Quando o materialista se descuida de seus veículos (corpos) suprafísicos, demonstra coragem surpreendente. Veículos que a tradição designa como corpo vital, corpo de desejos e mente. Sim, não é preciso ver para saber. A pessoa sensível pressente que a vida é o “mistério” que anima a matéria, mas que não pode ser encontrada quando se disseca a matéria em sua intimidade. Quem deseja deveria refletir de onde vem as tendências desejosas e quem pensa deveria fazer investigação semelhante em relação ao pensamento. Desejo e pensamento, qualidades materiais de outra natureza que não a física.
A visão, o sentido predileto da atualidade, nos impede ver além das aparências. Mas veja você mesmo então. Nascer arredondado, ver o corpo esticar e crescer, a seguir ficar enrugado, pontudo e desvitalizado é percebido na superfície, mas que tipo de forças determinam esse efeito sobre a matéria animada?
O suicídio espiritual não é tão falado quanto o suicídio físico. Finge-se não ver, mas quem teria olhos para isso não é mesmo?
A pessoa que vive em espírito torna a vida material leve, torna-se permeável à graça. A pessoa que vive para a matéria é cega à luz do espírito e sua vida se torna opaca, escura, densa, azeda, cheia de reclamações e emperrada. É aquela pessoa que não entende o porquê de certas situações (padrões) se repetirem em sua vida. A graça, assim como a graxa, serve para lubrificar. A primeira lubrifica as engrenagens da vida, a outra as engrenagens da matéria. Em outras palavras, uma vida sem graça é uma vida sem graxa, assim como uma vida sem graça é também sinônimo de desgraçada.
Para que a graça permeie o corpo humano, o mesmo precisa estar poroso em todas as suas instâncias. Assim como a obstrução dos poros da pele leva à morte rapidamente, a obstrução dos poros dos corpos suprafísicos (corpo vital, corpo de desejos e mente) leva à morte lenta. Essa morte lenta se apresenta aos olhos do observador como as pessoas que apenas existem, à semelhança das pedras. Viver é atributo do reino humano; fundamental para isso é a consciência dimensional adequada do que seja SER HUMANO. A vida material, horizontal, cotidiana da família, do trabalho, da política, da filosofia niilista, da diversão é apenas palco, sombra e efemeridade. Sem a graça, a vida material culmina em cadeia, hospital, falta e inconformidade. Mas cadeia, hospital, falta e inconformidade, lembremos, são escolhas pessoais. Toda escolha, entretanto, é permitida a Fausto, em Goethe, ao se perder para se encontrar.


Se afastar da graça (ser desgraçado) por opção ou por ignorância é suicídio espiritual. O espiritual diz respeito a tudo o que está além dos cinco sentidos. O interesse também é um sentido que podemos vivenciar e experimentar. Mais interesse e menos indiferença é alternativa válida na profilaxia do suicídio espiritual.



segunda-feira, 27 de agosto de 2018

VIVEMOS EM UMA SOCIEDADE DOENTE?




Tudo o que existe, o que é, e também tudo o que se crê existir define um ente. Em outras palavras, somos entes na medida em que nos emancipamos, nos individualizamos da massa amorfa, nos tornamos saudáveis, enfim nos pertencemos.
Se por algum motivo nos afastamos desse estado fluídico do ente, do ser, da saúde, alteramos nosso estado de pertencimento a um novo estado que podemos denominar como ser possuído por. Quando me torno possuído por, deixo de ser ente e passo a pertencer a alguma entidade. Ou seja, me torno do ente; do ente que me possui. Nesse caso estou doente, vivencio a doença, enquanto refém desse estado.
Ao procurarmos em outros idiomas, pois idiomas têm uma vida interior, vamos encontrar semelhantes constatações em relação à doença. No inglês uma possível tradução da palavra vontade é "will". O processo de adoecer implica em perder o acesso ao livre exercício da vontade (no inglês livre arbítrio = free will). Quando minha vontade não é suficiente para que eu aja com liberdade eu me encontro doente (ill). Tornar-se "ill" no inglês é tornar-se refém das circunstâncias e portanto do ente ou da doença. Um "w" a menos e quanta diferença, não é mesmo? (When I loose my will I get ill). Um "do" a mais e quanta diferença faz!! (do-ente).
O convite atual proporcionado pelos meios de comunicação, pela opinião pública e pelo senso comum, é um risco potencial à saúde. Radical? Não, claro! Apenas lembremos que vivências dessa natureza deslocam a pessoa de si em direção aos valores oferecidos a partir de convenções externas ao ser. É comum que alguém seja constrangido em sua forma de ser, por uma forma de ser assumida por um grande número de pessoas ou, ainda mais maquiavélico, por alguma personalidade marcante com quem me identifico.
Nessa medida, a pessoa constrangida pode perder-se de si. Pode momentaneamente deixar de pertencer-se e passar a responder a outros valores, seja uma ideia, um sonho, uma ilusão ou mesmo algo que a desvia de seu propósito ou princípio existencial. Esse tipo de perder-se equivale a tornar-se doente, um estado de dependência de um modo operacional externo a seu ser.
Uma sociedade doente é toda aquela onde o individual é visto com indiferença. Viver em uma sociedade doente significa esquecer de si e seus propósitos existenciais, mergulhar na manada, na massa, na moda e na mídia. Vejamos bem que somos livres para escolher esse caminho, mas a questão é fazê-lo conscientes da existência de outra opção, e não como que forçados pela ignorância de podermos optar! Posso ser materialista ou não, posso escolher. Dar a César o que é de César. O que escolho determina o que sou e como atuo no mundo.
As sociedades superorganizadas, plasmadas na competição, pragmatismo e utilitarismo, enfrentam, a despeito de seu alto nível social e cultural alguns efeitos colaterais desafiadores. Arriscando elencar alguns encontramos: o suicídio em grande escala, o uso indiscriminado de drogas alucinógenas legais ou ilegais, as doenças cerebrovasculares (derrames cerebrais e enfartes), a dissolução da família e a mercantilização do erotismo associada ao decorrente aumento nas estatísticas de abusos sexuais os mais diversos e perversos. 
Para o materialista, o humano é o topo da cadeia evolutiva, não há nenhuma forma de vida superior à forma humana. É uma escolha, portanto uma escola e, portanto, uma parcialidade. Saúde é inteireza, doença é parcialidade. Toda pessoa que adoece se transforma após o processo quando sobrevive. Que possamos continuar a sobreviver até que possamos transcender o tempo e suas intempéries. Transcender o tempo é entrar em paz. Estar em paz é estar inteiro e, portanto, saudável. Para ser saudável é imprescindível a clareza conceitual entre desejo, necessidade e vontade. Se tudo isso é a mesma coisa para mim, sou sociopata, careço do discernimento fundamental para o ser saudável.
Vivemos a idade mídia, momento delicado para os interessados em aprofundamento, autoconhecimento e sentido. Essa escolha atual de desfrontalização (deixar de usar os lobos frontais do cérebro - sede da razão e do pensamento abstrato) não deve em absoluto ser vista de forma preconceituosa ou pejorativa, mas de forma alguma deve passar despercebida ao humano em busca da saúde. Isso pois, sentido existencial interior e saúde caminham de mãos dadas.
Parte considerável dos alimentos disponíveis são inflamatórios e parte considerável dos estímulos aos quais estamos submetidos são desorganizadores mentais, não se excluem os noticiários! As doenças crônicas como diabetes e hipertensão aliadas aos distúrbios do humor decorrem em grande parte da forma insana como nos alimentamos na atualidade. Um processo irreversível decorrente da péssima qualidade das escolhas que fizemos em passado recente.
Por outro lado, sejamos otimistas, não sejamos preconceituosos, experimentemos estabelecer uma relação viva com conceitos emancipadores. Não se revolte, senão apenas volte a si e reconheça o porquê do ambiente à sua volta ser como é. Reflexões simples, mas que nos esquivamos da responsabilidade diariamente.
Diminuir o uso de antidepressivos, moduladores de humor, sedativos do ser, talvez seja opção a ser considerada com certa urgência. Parar de apontar fora e reconhecer dentro aquilo que cabe apenas a mim realizar. Tornar-se pílula de saúde individual.
É possível ser saudável dentro dessa sociedade! Mas é preciso atenção às fórmulas, respostas prontas e receitas, pois cada vida é única. Não nos esqueçamos que o contrário de algo é a mesma coisa ao contrário e que para que a integralidade seja alcançada, os opostos devem ser integrados em um todo, ou seja compreendidos. Oposição é parcialidade, integração é saúde. Uma sociedade partida é uma sociedade condenada, onde tudo o que muda visa apenas fazer com que tudo permaneça como está!
O caminho para a vida saudável é o caminho das perguntas, das possibilidades e raras vezes o das respostas e do tic-tac dos relógios. O poeta cantou que temos nosso próprio tempo. Entrar em relação com este tempo interno que é único para cada ser é primeiro passo solitário e certeiro para a possibilidade da vida saudável.
Não é preciso ficar doente para habitar uma sociedade doente. A pessoa com vida interior pode frequentar a sociedade e reconhecer seus equívocos, pois pensa, tem membrana seletiva. A pessoa desfrontalizada responde aos desafios sociais à semelhança dos animais na floresta. E tudo isso é muito belo de se observar. Observar é um grande passo para o humano. Observemos! 


sexta-feira, 26 de maio de 2017

PÉROLAS DE CONSCIÊNCIA



Ad Vitam Aeternam
https://youtu.be/1pAt-GS9BWE

Cartas a um jovem poeta - Rilke
https://youtu.be/NAuu5t8mpuc

Destiny
https://youtu.be/XsAySbcjWGk

A Salamandra
https://youtu.be/SEejivHRIbE

Caridade
https://youtu.be/0ZIdzXFcQYU

The Maker
https://youtu.be/YDXOioU_OKM

The fish and I
https://youtu.be/Yxuh17G5tis

A Natureza está falando!
https://www.youtube.com/playlist?list=PL5WqtuU6JrnXjsGO4WUpJuSVmlDcEgEYb

Como a música fortalece o cérebro?
https://youtu.be/ZZ_qoBTSZCs

Existe um rio em cima de nós!
https://youtu.be/HYcY5erxTYs

Qual é a energia da mensagem que você lê?
https://youtu.be/oJOkwwg7QkE

Aprendendo a Aprender
https://youtu.be/GvsEqthCTxU

A Lua
https://youtu.be/MJC9mYJfUPk

Uma História de Vida
https://vimeo.com/194276412

Virando o Jogo
https://youtu.be/Zyv57MXs1R8

História da Medicina
http://www.jmrezende.com.br/

Filosofia Esotérica
http://www.filosofiaesoterica.com/

Guilherme Castagna - TED - Meu sonho é nadar no rio Tietê
http://youtu.be/T8caDcL4brQ

Fabian Nacer
http://www.palestrasdrogas.com.br/

Alain Jézéquel
http://www.alainjezequel.com/

O Homem que plantava árvores
http://youtu.be/Klx8UBMRrMA 

Repensando os dogmas da ciência - Rupert Sheldrake
http://youtu.be/JKHUaNAxsTg

Portal Namu - Saúde
http://namu.com.br/

O Mito do leite - Orientação Médica Alimentar - Lair Ribeiro
http://youtu.be/NYOeGQY0p98

O Século do Self - BBC Londres 
http://vimeo.com/65256698 

Saúde vem da horta - Edson Hiroshi
http://www.youtube.com/watch?v=C4QoAM14Yt8#at=126
http://www.youtube.com/watch?v=h8UkkG0DECk 
http://www.youtube.com/watch?v=5-WeJKAR82o

Os velhos e os novos pecados - Leandro Karnal
http://www.youtube.com/watch?v=dNVhp98SCbs 

O ódio no Brasil - Leandro Karnal
http://www.cpflcultura.com.br/2012/05/28/o-odio-no-brasil-leandro-karnal/ 

Crianças ensinam sobre como cuidar dos animais
http://www.youtube.com/watch?v=NX4O6smZrLE 
http://www.youtube.com/watch?v=Nq0GP4yQup4 

Criança a alma do negócio - porque saúde é consciência...
http://www.youtube.com/watch?v=49UXEog2fI8

Muito além do peso - porque saúde é consciência
http://www.youtube.com/watch?v=TsQDBSfgE6k

Turista espacial - La Belle Verte
https://vimeo.com/29791036
http://www.dailymotion.com/video/x1zzefg_la-belle-verte-el-planeta-libre-sub-es_shortfilms


A escala do universo 
http://htwins.net/scale2/

O melhor da imprensa européia (ver texto: A crise explicada às crianças)
http://www.presseurop.eu/pt 

Um Peregrino - Apresentações
https://skydrive.live.com/?cid=9500c4759eaec27d&id=9500C4759EAEC27D!5659 


Sobre a Deficiência Visual

Kung Fu - Saúde Física

Michael Ende - Site oficial

Akatu - Consumo consciente

Escola aposta em educação sem computadores

Instituto de Moralogia do Brasil

CPFL - Cultura ao vivo

Projeto 7 bilhões de outros

Mapa do Cérebro Humano

Manifesto Slow Science

Idéias que valem a pena propagar

Café filosófico - do sujeito corporal ao sujeito pós orgânico

Movimento Zeitgeist

Outras Palavras

EarthLings - Terráqueos (Tem com legenda em português na inet)

Tempo de transcendência - Leonardo Boff

Carta às queridas mulheres

O futuro da humanidade 1 - D. Bohm e J. Krishnamurti

O futuro da humanidade 2 - D. Bohm e J. Krishnamurti

Stephen Hawking: 'There is no heaven; it's a fairy story'

Nassim Haramein - Repensando a criação




segunda-feira, 4 de julho de 2016

ALIMENTAÇÃO CONSCIENTE VII

CONTINUAÇÃO DE:

REFLEXÕES NADA CIENTÍFICAS SOBRE HÁBITOS ALIMENTARES
Por: André Oliveira Guimarães Leite – Advogado da saúde - Email: aogleite@gmail.com



Sentes cansaço? Tens bom apetite? Tens sono profundo? Tens boa memória? Tens bom humor? Tens rapidez de raciocínio e de execução? Estas seriam as seis condições enumeradas por Georges Ohsawa indicativas de boa saúde e felicidade. Trata-se do autor de "Macrobiótica zen - arte do rejuvenescimento e longevidade".
Esses questionamentos nos fazem refletir a respeito do que é a felicidade e a saúde, e o que é preciso para alcançá-las. Com certeza, a alimentação é um dos pilares para uma vida saudável, e, por consequência, feliz.
Existem divergências, no entanto sobre o que é uma boa alimentação. Além da qualidade do alimento, questões referentes à quantidade, à forma de se alimentar e outros hábitos alimentares podem ser determinantes para alcançar, preservar e promover a almejada saúde.
Cientistas realizaram um estudo com cobaias, separando-as em dois grupos: um dos grupos era alimentado constantemente, com intervalos nunca superiores a 10 horas, enquanto que o outro era submetido, diariamente, a um intervalo de 13 horas entre alguma das refeições diárias. O resultado foi surpreendente: a longevidade do segundo grupo foi consideravelmente maior que a do primeiro.
Isso nos faz pensar a respeito das recentes orientações nutricionais que recomendam a ingestão de alimentos a cada três horas... Para muitos, trata-se de lobby criado por grandes empresas do ramo alimentício...
Há relatos de pessoas para quem a alimentação não seja algo imprescindível. Isso mesmo, pessoas que poderiam "viver de luz" ou se alimentar de prana.



Menos radical, todavia, conhecemos ou já ouvimos falar sobre os benefícios que podem advir da prática de algum tipo de jejum. A cultura oriental sempre nos ensinou que não devemos nos alimentar em excesso. "Comer até estar 80% satisfeito" é uma das máximas desta cultura milenar.
Segundo Mahatma Gandhi, "devemos mastigar as nossas bebidas e beber os nossos alimentos".
Todas essas informações fazem-nos refletir se não há algum grau de toxidade intrínseca em todo e qualquer alimento. Não só porque estão impregnados de todo tipo de substância tóxica empregada na sua produção, mas também em razão da própria constituição do alimento e  os diversos quadros de intolerância de cada organismo humano. Se pensarmos no atual estágio da sociedade, na qual é comum que princípios éticos sucumbam frente às exigências do capitalismo, mais razão se teria para perder o apetite.
Quem já não abusou daquela feijoada de sábado e depois ficou horas em estado quase vegetativo? O nosso corpo reclama sempre que nos alimentamos um pouco além da conta. Em sentido oposto, experimente fazer um jejum de mingau de arroz durante um dia e verá que leveza sentirá em todo o seu ser!
Em tempos de massificação da sociedade, o grande pecado parece ser a padronização da alimentação. A industrialização alimentar e a vida moderna retiraram do homem o "livre arbítrio" do que levar a boca... Perdemos a capacidade de ouvir o nosso estômago, consumindo porcarias prontas, sem qualquer relação com o que o nosso organismo anseia.
Hoje não temos mais tempo de sentir fome, aquele sentimento saudável (claro, desde que voluntário). Fomos acostumados a nos pré-alimentar. "Coma menino, senão você passará fome"... A lógica parece estar invertida.
Alimentar-se bem, por vezes, pode significar não ingerir qualquer alimento, permitindo que o nosso corpo se recupere e aproveite o ventre livre para se alimentar de outro tipo de energia. 
É importante manter viva a pergunta: você come para viver, ou vive para comer?


quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

DESOSPITALIZAÇÃO FAZ SENTIDO PENSAR ALGO ASSIM?


      O filósofo e pedagogo Ivan Illich é um humano sabidão. Digo “é” pois a qualidade maior do ser e dos que são, é a eternidade. Eternidade lá e aqui, lá fácil entender, mas aqui enquanto privilégio dos que semearam a verdade trazida no coração desde lá longe no sem tempo até o momento do nascimento no tempo aqui no planeta azul. Sabidona é uma pessoa que consegue pensar soluções em meio a situações e ambientes inóspitos.
Por pensar inóspitos, Ivan nos convida à possibilidade de uma sociedade em que a educação poderia acontecer sem escolas e a saúde sem hospitais. Loucura? De forma alguma! Em obra extensa e de clareza admirável, o autor aponta caminhos para a construção da inusitada proposta.
https://vimeo.com/66948476 - Entrevista com Ivan Illich

Os ministérios da educação e saúde podem e devem zelar para que obras de pensadores sabidões e capazes de pensar o novo possam ser traduzidas com mais brevidade, especialmente em países como o Brasil em que os orçamentos destinados ao colegiado, grupo, ministério ou “patota da saúde” são mais rechonchudos comparativamente aos demais ministérios.

Hermes e Asclépio com três de suas filhas e alguém que implora

        Hermes é a divindade grega relacionada ao comércio e seu símbolo é o caduceu; Asclépio se correlaciona com a prática médica, sendo citado logo após Apolo no tradicional Juramento de Hipócrates. Na figura acima, aparece acompanhado de três de suas filhas: Higéia (higiene, limpeza e prevenção), Panacéia (a solução para todos os males, a síntese da saúde) e Meditrina (longevidade). Iaso (recuperação da doença), Agléia (Esplendor, Graça e Beleza) e Aceso (o processo da cura) também são suas filhas, apesar de não retratadas aqui.
      Toda exploração e aproximação simbólica visam auxiliar o humano na lembrança de conceitos e saberes predispostos à corrosão temporal e, portanto dos valores com os quais se relacionam; no presente caso vem à tona a relação entre a arte e os aspectos mercantis relacionados. Caro amigo, observe o olhar de Asclépio para Hermes assim como a posição de súplica do homem na representação acima e compreenderá a que me refiro.
A imagem grita o que palavras apenas balbuciam. Lembre-se ao saborear as belas propagandas oferecidas na atualidade; as maiores mentiras são, geralmente, contadas por personagens bem aparentados, em muitos casos contraexemplos práticos das mensagens propagadas. Já se disse que a mentira repetida muitas vezes se torna verdade; repitamos verdades apenas e que a inanição cumpra sua função com o resto.
Ivan Illich
Illich, no contundente texto Medical Nemesis, apresenta com lucidez ofuscante os tópicos que esclarecem a tensão saúde-doença, assim como a cri$e de confiança que a medicina moderna atrave$$a. Veja-se a situação recente dos hospitais da cidade maravilhosa neste início de 2016. Lembremos conforme se repete aqui ad nauseum que: cuidar da saúde é simples e barato, correr atrás da doença é complexo e dispendioso.
A discussão sobre iatrogênese proposta por Ivan aponta o leigo e não o médico como portador da chave para a solução dos problemas que ele designa como “epidemia iatrogênica”. Emancipação requer vontade e para tal o pensar não pode estar alienado ou anestesiado; a pessoa deve fazer algo para melhorar (ser agente) e não esperar que o terapeuta faça algo por ela (ser paciente). Nas palavras de Ivan em 2003 no Journal of Epidemiology & Community Health :
“A saúde designa um processo de adaptação. Não é resultado de instinto, mas de vida autônoma e reação à realidade experimentada. Ela designa a habilidade de adaptação a ambientes em mudança, de crescer e de envelhecer, de se curar quando lesado, de sofrer e da expectativa pacífica da morte. A Saúde envolve o futuro também e inclui portanto a angústia e os recursos internos para viver com ela.
A habilidade humana em lidar com sua fragilidade, individualidade e capacidade de se relacionar de forma autônoma é fundamental para sua saúde. Na medida em que a pessoa se torna dependente na lida com sua intimidade ela renuncia à sua autonomia e sua saúde declina. O milagre verdadeiro da medicina moderna é diabólico. Ele consiste em fazer não apenas indivíduos, mas populações inteiras sobreviverem em desumanamente baixos níveis de saúde pessoal. Apenas os operadores de sistemas de saúde não sabem que a saúde diminui na mesma medida em que se oferecem mais serviços de saúde, precisamente porque suas estratégias decorrem de sua cegueira à inalienabilidade da saúde.
O nível da saúde pública corresponde ao grau em que os meios e as responsabilidades na lida com a doença estejam distribuídos entre a população total. Esta habilidade em lidar pode ser aumentada, mas nunca trocada pela intervenção médica nas vidas das pessoas ou das características higiênicas do ambiente. Aquela sociedade que possa reduzir a intervenção profissional ao mínimo proverá as melhores condições para a saúde. Quanto maior o potencial para a adaptação autônoma em si, aos outros e ao ambiente, menos procedimentos para adaptação serão necessários ou tolerados.”
Abaixo, um pouco mais do trabalho desse humano que até pouco esteve entre nós:


sábado, 5 de dezembro de 2015