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sexta-feira, 13 de novembro de 2020

A PARTE E O TODO


 

          O termo holos em grego expressa a ideia de inteireza e integridade. Para o conhecimento médio o todo se compõe das partes que o constituem, o todo é a soma dessas partes. Essa forma de conhecer associa parte e todo com o quebra-cabeça, assim como com a natureza inorgânica.

O inusitado surge, no entanto, quando se adentra o universo do orgânico onde um princípio organizador atua não apenas sustentando a forma, como também a transformando. Esse princípio pode ser compreendido como um epifenômeno ou como um nível superior de organização que atua sobre o nível inferior. Em qualquer desses casos, observáveis nos reinos vegetal, animal e humano, o que denominamos todo é sempre maior que a soma de suas partes.

Em outras palavras, enquanto no mundo inorgânico um mais um resulta dois, no mundo orgânico o resultado é sempre maior que dois. Saímos da matemática do inorgânico e adentramos a “matemágica” do orgânico. Esse conceito do todo poder ser maior que suas partes é a melhor aproximação desse termo holos.

Os termos shalom e salam, derivados de línguas semíticas, chegam à nossa gramática como paz. No entanto, naquelas línguas eles compreendem um sentido de integridade que pode ser inclusive transposto para objetos inanimados. Ou seja, posso dizer que uma vassoura está em paz! Pois está inteira e, portanto, íntegra.

Podemos então resgatar a compreensão de saúde enquanto estado pleno do ser. Se estou em paz e se estou inteiro, estou íntegro e integrado. As práticas integrativas almejam e propõem algo justamente nesse sentido.

Pessoas não integradas, ou seja, que romperam consigo mesmas, perderam a relação com sua essência, que em grande parte das tradições está relacionada ao coração. Daí o termo corrupto (cor – coração / rupto – roto); quando rompo com minha porção mais essencial é como se rompesse com o coração. Nessa corrupção, nessa rotura cardíaca está o princípio do adoecimento. Adoecimento que não ocorre como uma patologia que se instala instantaneamente, senão como estado de mal-estar ou de perda da paz interior. As práticas integrativas visam restabelecer a paz interior, a integridade perdida, antes que a doença se manifeste no corpo físico.


terça-feira, 21 de janeiro de 2020

LEIS DA NATUREZA


Alex Grey
O humano e também as leis da natureza que o cercam parecem evoluir, conforme Sheldrake aprofunda no livro "Presença do Passado". A Terra pode ser pensada como um “ser” em evolução bem como campo evolutivo para outros seres; o mesmo vale para o Sol, planetas e suas luas assim como o próprio sistema solar. No caso do sistema solar, os próprios planetas podem ser simbolicamente vistos como seus órgãos constituintes à semelhança do fígado, pulmões rins etc. no corpo humano.
Prosseguindo nesta linha, um zodíaco assim como qualquer campo arquetípico representativo de hierarquias superiores ao humano, também são “seres” em seus processos intrínsecos e peculiares. Tudo isso impulsiona o pensar na direção de um sentido maior inquietante, frente ao qual Kant fala assim:
“Duas coisas enchem de maravilha meu ser, a lei moral no interior do homem e o céu estrelado acima de minha cabeça”. (Kant - Crítica da razão pura)


terça-feira, 9 de abril de 2019

O SANGUE E AS LÁGRIMAS


Natureza Abstrata - Henrique Luna

                O sangue nasce no interior dos ossos (Saturno). Algumas águas nascem do interior da terra ou do alto das montanhas. Moisés bateu duas vezes na pedra para a água sair; ouvisse bem, bateria apenas uma. Você já viu uma nascente? Você se percebe enquanto nascente?
Assim como a água nasce do profundo da terra, as lágrimas são expressão de tudo que está empedrado no interior. Elas brotam para lavar os olhos, nossa janela. Elas vêm para que vejamos melhor. Vêm para compreendermos que há algo que não vemos bem. Vêm para que enxerguemos. Vêm para anunciar algo que endureceu no profundo do ser, e que anseia pela vida.
Antes do sangue brotar no interior dos ossos, sede de nossa dureza e resistência, é importante que a água seja extraída da fonte da rocha de nossas cristalizações.
O sangue que nasce na pessoa empedrada e emparedada, é sangue aguado, diluído. Diluído na água do lamento e, portanto, lamacenta. Da água que deveria ter brotado em algum momento, espontaneamente, como a chuva do céu; que não choveu por não ter havido leveza suficiente para que flutuasse no ar e subisse aos céus. Não houve oração (aspiração) e, portanto, foi vítima da gravidade terrestre (desespero); não subiu, se cristalizou e empedrou. A gravidade celeste evapora, eleva, enleva, aspira e faz chover.
A água que não evapora aos céus se torna desespero; as águas que o fazem, esperança, porque chovem e agraciam a terra. Que nossas águas chovam e não chorem. Que eu abençoe antes a despertar pena.
Quando eu purifico e elevo minhas águas, meu sangue se purifica e pode receber, além de mais conscientemente aprender o meu Ser. O sangue purificado é abençoado e visitado cada vez mais por aqueles que inspiram e conduzem, e cada vez menos por aqueles que viciam, vampirizam e induzem.
O sangue não purificado guarda relação vibratória funcional íntima com Saturno; purificar o sangue é, em linguagem astrológica, aumentar a tonalidade de Júpiter concomitante à diminuição da Saturnina. “Jupiterizar” o sangue é ato que conduz para além do tempo (sempre, nunca) em direção ao eterno (agora), ao éter, ao etérico. A região etérica é vinculada à vida, àquela árvore e rios que Ezequiel trata poeticamente em seu capítulo 47.
Corine Heline expressa essa reflexão no livro “Anatomia Oculta e a Bíblia” com as seguintes palavras:
Deve-se notar ainda que um importante trabalho na iniciação concerne à transformação do esqueleto Saturnino no corpo Jupteriano, e qualquer interferência com o sangue retarda esse processo uma vez que as células vermelhas do sangue são no presente estado das coisas manufaturadas na medula óssea do esqueleto.

terça-feira, 19 de março de 2019

OS PÉS


Os pés, no zodíaco representados por Peixes, representam a culminância da história cósmica de nossa humanidade. História que principia na cabeça (Áries), atravessa todas as hierarquias zodiacais e as diferentes partes do corpo que elas regem até alcançar a horizontalidade da superfície terrestre. Sim, pois os pés representam a consciência do contato com a terra. Na horizontalidade da terra os pés nos conduzem quando nos dispomos e não oferecemos obstáculo; eles são a última instância do querer que nos move.
Exceção feita ao folclórico Saci, não há um pé mais importante que o outro; o pé direito e o esquerdo compõem o atual estado humano. Quando o Humano é saudável, não claudica e não exige ou prefere pisar à direita ou à esquerda, senão apenas pisa. Se prefere um ao outro sente pena e afunda, já ao não preferir, as penas se reúnem em asas de voar e os pés deixam de ferir a pele da Terra. Voar permite ver de cima o movimento do abraço fraterno da respiração direita-esquerda.


Os pés guardam relação íntima com o perdão, sendo comum que eles doam ou se machuquem na medida em que me nego a exercitar o perdão, seja na coragem do sentido ativo de perdoar ou na resignação do pedir perdão. Cabe à nossa humanidade criar asas nos pés, para que eles sejam alçados ao alto de onde vieram. Morfologicamente semelhantes aos ouvidos, os pés portam em si todos os pontos de acupuntura em sua superfície. Isso mostra que somos destinados a escutar a terra e que devemos tornar nossos pés, como que um segundo ouvido, com a finalidade de contar ao alto tudo o que se passa aqui nesse plano (como em cima em baixo).
É fundamental, apesar de nossa única parte que funciona na horizontal, que de tempos em tempos permitamos que eles se verticalizem. Como fazer isso? Sempre que reverentemente nos curvamos e agradecemos à vida e a Deus pelo mistério que nos envolve e que permite que continuemos a ser, apesar dos tantos equívocos cotidianamente cometidos. Quando ajoelho, meus pés se verticalizam e com eles subo aos céus, se não por mim, pela graça que me acolhe em oração. Praticar a verticalização dos pés ao ajoelhar é o melhor preparo para a verticalização última dos pés, quando a respiração deixa de ser e o corpo se deita de forma definitiva.
Pedras nos sapatos se formam quando não há oração (aspiração) e nos tornamos vítimas da gravidade terrestre (desespero); a oração que não sobe se cristaliza e empedra. Caminhar sem oração é errar, seu oposto é curar. É preciso, que à semelhança do Cristo, descalcemos nossos pés e lavemos os pés dos que se nos apresentam como irmãos. A atitude descalça aguça a audição assim como os pés limpos.


Não, os representantes dos três poderes não estariam dando um tiro nos pés se deslocassem seus escritórios para áreas próximas às favelas. A oportunidade de elevar suas consciências podálicas a ambientes tão anecúmenos, culminaria em algum momento em uma melhor compreensão das necessidades de quem nelas mora. Palmilhar diferentes solos é tornar-se consciente das diferentes nuances do humano.
Peixes, os pés, é um signo relacionado com o elemento água. A gravidade celeste evapora, eleva, enleva, aspira e faz chover. A água que não evapora aos céus se torna desespero; as águas que o fazem, esperança, porque chovem e agraciam a terra. Que nossas águas chovam e não chorem. Que eu abençoe antes a despertar pena. Quando eu purifico e elevo minhas águas, meu sangue se purifica e pode receber, além de mais conscientemente aprender o meu Ser. O sangue purificado é abençoado e visitado cada vez mais por aqueles que inspiram e conduzem, e cada vez menos por aqueles que viciam, vampirizam e induzem.


Notemos quando caminhamos e palmilhamos o chão, como os pés se assemelham a dois corações que, ao pisar sobre o plexo venoso na sola, bombeiam o sangue para cima; sangue que ascende com todo o aprendizado do percurso. Caminhemos e sejamos corações nos pés, quem sabe seja esse o primeiro passo para criar asas nesse órgão tão pouco visitado pela nossa atenção apesar de tão frequentemente pisoteado por todos.



domingo, 17 de fevereiro de 2019

SUGESTÃO DE EVENTO 23/02/19 - MESA REDONDA


ASPECTOS DO PENSAR E DESACELERAR I


Por: José Geraldo M. Meireles - Psicólogo

Era Primavera: as flores exalavam em profusão perfumes, e os pássaros cantavam.
Nesse clima de festa, conta a lenda: um filho sacudido pelo entusiasmo e um pai tranquilo caminhavam por uma montanha. De repente, o menino cai, machuca-se e grita: ai! Para sua surpresa, escuta sua voz repetindo-se em algum lugar da montanha. Curioso, o menino pergunta: quem é você? Contrariado grita: seu covarde! E escuta a resposta: seu covarde!
O menino olha atentamente para o pai e indaga: o que é isso? O pai sorri e diz: meu filho, preste atenção. Grita em direção à montanha: eu admiro você! Você é campeão! A voz responde: você é campeão!
O menino espanta-se e não entende. O pai explica pacientemente. As pessoas chamam isso de eco, mas, na verdade, isso é da vida que lhe dá de volta tudo que fala, deseja de bem ou de mal aos outros. Devolverá toda blasfêmia, inveja, incompreensão, falta de honestidade que você desejou às pessoas que o cercam. Nossa vida é o reflexo de nossas ações. Se quer mais amor, compreensão, harmonia e felicidade crie mais amor, compreensão, harmonia e felicidade no coração. Agindo, assim, meu filho, a vida lhe dará felicidade, sucesso e amor das pessoas que o cercam.
Desde a infância, a autoimagem é formada por crenças, convicções e valores. Forma-se a base da personalidade. A autoimagem positiva aponta para comportamentos construtivos; a negativa, para comportamentos destrutivos.
O sucesso é, também, moldado pela autoimagem que se constrói: “sucesso e vitória estão a serviço da vida, e triunfo está ligado à arrogância e à morte, pois implica em destruir o outro ou pisá-lo”. Diante do sofrimento e da carência dos outros, o arrogante não se sensibiliza, o que é atributo da pessoa imatura e egoísta.
Tempo há, pesquisas científicas diversas comprovam que pensamentos positivos ou negativos podem apontar para respostas fisiológicas correspondentes.
Do imaginário à realidade, ante as contradições brutais de nossa época e a repressão advinda de elementos culturais, percebo que algumas pessoas se sentem ansiosas e tensas. Muitas vezes, a incerteza instala-se. Sob a égide do livre arbítrio, deparam-se com dilemas inevitáveis: “o que podem, o que querem e o que devem fazer”. Isso envolve o princípio do prazer – o desejo é inquietante e indomável – e o princípio da realidade.
Não acredito que os anseios da pessoa consciente e corajosa restrinjam-se a uma casual e modesta participação na realidade socioeconômica contemporânea.
A nova dimensão da realidade e as mudanças trazem turbulência e geram ansiedade acentuada. É chegado o momento de banir modelos rígidos de trabalho. O homem e suas motivações são dinâmicos. Mesmo no ambiente competitivo do trabalho, toda pessoa é um ser sensível e racional. Sua caminhada se faz através de todas as possibilidades que lhe são inerentes: o agir segue o ser – ensina o filósofo S. Tomás de Aquino.
A geração da década de 1960 – da qual fiz parte – injetava utopia na veia e pautava-se por ideologias solidárias: mudar o mundo, derrubar ditaduras, desigualdades sociais, redirecionar a ordem das coisas etc. Na atualidade, com raríssimas exceções predominam a mesmice e a mediocridade.
In Sêneca – filósofo – vida é profundidade e não extensão. As pedras existem, mas inertes, não vivem. “Se a vida está na ação, mais vive aquele que mais age”.
A igreja católica é sábia quando, em sua profunda psicologia da vida escrevia sobre os túmulos daqueles que morriam na mocidade, mas com as mãos repletas de virtude esta belíssima inscrição: este morreu na mocidade, mas foram longos os seus dias. Feliz é o homem que sabe que não sabe e vai à busca do saber – esclarece o psicólogo Dr. Agostinho Minicucci (1918-2006).
John Barrymore – ator inglês – alerta que a pessoa envelhece, quando os lamentos substituem os sonhos.
A massagem e o relaxamento são eficazes para estimular a secreção de endorfinas – analgésicos poderosos cujo fluxo proporciona bem-estar, mantendo o equilíbrio entre o tônus vital e a depressão.
Após o banho, revigora-se o ânimo. No banheiro, a pessoa despe-se dos resíduos do corpo (higiene pessoal) e da mente. Desfazem-se as máscaras sociais, e advém a sensação de alívio.
Cada nau tem a sensação de descobrimento, porque o mar não guarda vestígio das quilhas anteriores. O sábio e experiente navegador que a conduz sente a realização de sua própria vida em cada parcela de verdade por ele conhecida, ao contemplar a dinâmica das ondas. Movido pela vibração intensa, pode intuir que “sabedoria é a memória da experiência”.
Renovar-se, pois, significa entregar à morte tudo o que é ultrapassado, para que o novo possa expandir-se livremente. Desprender-se de coisas que, um dia, foram boas e de ideias que foram relevantes, mas, com o passar do tempo, ficaram ultrapassadas.

Referências

LEITE, S. M e MEIRELES, J.G. Ser...Gerente, Mg. Editores Associados – São Paulo, 1988.
REGINATO, G. Artigo: É hora de desacelerar. Jornal da Tarde – São Paulo, 2006.
JORNAL – Hospital Santa Cruz, São Paulo, 2002.
PELLEGRINO, H. A Burrice do Demônio, Editora Rocco – Rio de Janeiro, 1989.
BETTO, F. O que a vida me ensinou – Editora Saraiva – São Paulo, 2013.
CURY, A. Ansiedade – Editora Saraiva – São Paulo, 2014.
PESSANHA, A. L. S. Além do Divã – Casa do Psicólogo – São Paulo, 2004.
MENTE CÉREBRO – Revista – Os Tormentos da Ansiedade – Ano XVIII – nº 219, São Paulo.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2019

O MUNDO INTERIOR


POR: GERALDO DRUMOND
   


Viva sua vida fazendo a sua parte, cuidando daqueles que lhe são queridos, assumindo a responsabilidade integral pelos seus acertos e erros. Procure fazer sempre o melhor mesmo que não enxergue benefícios imediatos. O mundo exterior melhora quando trabalhamos nosso mundo interior. É a grande contribuição que fazemos a nós mesmos e ao universo...


CATÁSTROFES NATURAIS



O homem é ser integrante da natureza. Existem catástrofes, mas a natureza em si é maravilha.
Para o olho que enxerga, além de ver, a natureza respira no vulcão que resfria a terra; se acomoda em seu leito esplêndido terremotando e remontando a terra; banha suas costas com o mar remoto no maremoto, esse mar maroto; e se enfurece e furacona para se aliviar; afinal de contas quem de nós não suspira às vezes.
A natureza sempre ajuda, corrige, compensa. Ultimamente as catástrofes naturais são recebidas com estranheza. As catástrofes, se de fato hão, são do humano, esse acidente da natureza, que se contrapõe à mãe e seu convite a ser natural. Escolheu o normal, esqueceu o natural!!
A catástrofe natural mais óbvia talvez seja a catástrofe humana. A natureza é uma aliada e ensina os movimentos primordiais que nós humanos devemos operar, sejam o fogo criativo vulcânico que refresca e oferece matéria prima para o corpo; a água fecundante dos mares que inundam e limpam nossos recessos mais inférteis para que retornem à fertilidade; o remexer dos terremotos e de terra que nos recorda de tempos em tempos que a vida é movimento; finalmente o sopro dos furacões que nos recorda também sermos sopro e que passaremos como eles.
Qual seria a maior catástrofe, os movimentos de acomodação da natureza ou o humano e sua paralisia? Há evidências contundentes de que o humano está paralítico e que a natureza, solene e silente, o encontra sempre distraído. Seja bem vinda mãe e irmã!



segunda-feira, 14 de janeiro de 2019

EU ACREDITO


POR: GERALDO DRUMOND
 

Acredito que estamos vivendo um momento que devemos exaltar o respeito, o amor, a verdade, a ética, e caminhar juntos, olhando nos olhos uns dos outros e escutando o coração. Não devemos mais uma vez desconstruir o outro para nos tornarmos donos da verdade!

quarta-feira, 19 de dezembro de 2018

SUICÍDIO ESPIRITUAL


O suicídio físico é uma opção desesperada e pode ser consciente ou inconsciente. No primeiro caso um ato abrupto de desespero, no segundo decorrência de atitude ignorante que se perpetua no tempo (hábito alimentar precário, uso de drogas lícitas e ilícitas, sedentarismo, pouca leitura, hábito musical pobre). Estatísticas atuais apontam que a cada 40 segundos uma pessoa morre por suicídio no mundo. No Brasil os dados mais recentes apontam uma média de 32 suicídios por dia.
Mas, o suicídio mais surpreendente é o espiritual. Quando o materialista se descuida de seus veículos (corpos) suprafísicos, demonstra coragem surpreendente. Veículos que a tradição designa como corpo vital, corpo de desejos e mente. Sim, não é preciso ver para saber. A pessoa sensível pressente que a vida é o “mistério” que anima a matéria, mas que não pode ser encontrada quando se disseca a matéria em sua intimidade. Quem deseja deveria refletir de onde vem as tendências desejosas e quem pensa deveria fazer investigação semelhante em relação ao pensamento. Desejo e pensamento, qualidades materiais de outra natureza que não a física.
A visão, o sentido predileto da atualidade, nos impede ver além das aparências. Mas veja você mesmo então. Nascer arredondado, ver o corpo esticar e crescer, a seguir ficar enrugado, pontudo e desvitalizado é percebido na superfície, mas que tipo de forças determinam esse efeito sobre a matéria animada?
O suicídio espiritual não é tão falado quanto o suicídio físico. Finge-se não ver, mas quem teria olhos para isso não é mesmo?
A pessoa que vive em espírito torna a vida material leve, torna-se permeável à graça. A pessoa que vive para a matéria é cega à luz do espírito e sua vida se torna opaca, escura, densa, azeda, cheia de reclamações e emperrada. É aquela pessoa que não entende o porquê de certas situações (padrões) se repetirem em sua vida. A graça, assim como a graxa, serve para lubrificar. A primeira lubrifica as engrenagens da vida, a outra as engrenagens da matéria. Em outras palavras, uma vida sem graça é uma vida sem graxa, assim como uma vida sem graça é também sinônimo de desgraçada.
Para que a graça permeie o corpo humano, o mesmo precisa estar poroso em todas as suas instâncias. Assim como a obstrução dos poros da pele leva à morte rapidamente, a obstrução dos poros dos corpos suprafísicos (corpo vital, corpo de desejos e mente) leva à morte lenta. Essa morte lenta se apresenta aos olhos do observador como as pessoas que apenas existem, à semelhança das pedras. Viver é atributo do reino humano; fundamental para isso é a consciência dimensional adequada do que seja SER HUMANO. A vida material, horizontal, cotidiana da família, do trabalho, da política, da filosofia niilista, da diversão é apenas palco, sombra e efemeridade. Sem a graça, a vida material culmina em cadeia, hospital, falta e inconformidade. Mas cadeia, hospital, falta e inconformidade, lembremos, são escolhas pessoais. Toda escolha, entretanto, é permitida a Fausto, em Goethe, ao se perder para se encontrar.


Se afastar da graça (ser desgraçado) por opção ou por ignorância é suicídio espiritual. O espiritual diz respeito a tudo o que está além dos cinco sentidos. O interesse também é um sentido que podemos vivenciar e experimentar. Mais interesse e menos indiferença é alternativa válida na profilaxia do suicídio espiritual.



quinta-feira, 1 de novembro de 2018

PRECONCEITO E OPINIÃO FORMADA


POR: GERALDO DRUMOND



Fico imaginando como o preconceito, o rótulo, a "opinião formada" nos impede de ver com olhos de enxergar o outro, nos impede de viver o novo, que se revela a todo o momento. Tudo bem que temos nossa personalidade, nosso caráter, que nos molda e nos define, mas também é muito importante que observemos o movimento da vida, as mudanças das pessoas. Podemos sim mudar! Acreditar que podemos ser melhores, acreditar num mundo de mais compreensão, compaixão. O ditado que diz que pau que nasce torto morre torto deve ser revisto.

terça-feira, 9 de outubro de 2018

DESEJO, NECESSIDADE E VONTADE

TITÃS - COMIDA
      Cantam os Titãs! Tudo o mesmo para você? Três palavras para a mesma ideia? Quando coisas diferentes parecem iguais, é momento de considerar um exame de vista na alma e no coração. Na alma porque é a essência que irradiamos a partir de nosso ser; no coração pois é lá que mora nosso calor e saber (saber decor = saber de coração).
Necessidade é urgência, sem o que não é possível seguir. A necessidade é vital, é fisiológica, é instintiva, é compromisso assumido e inadiável. Todos os acordos evolutivos que fizemos como humanidade e que não podemos dizer: mudei de ideia. Respirar, dormir, servir, sorrir, ser, instâncias do inadiável e do inalienável.
      Necessidade é sacrifício (sacro ofício), e, portanto, ofício sagrado inerente à vida. A necessidade, à semelhança da morte, é vital, e se não me faço claro, sugiro ler a obra “As intermitências da morte” de Saramago.
      O desejo é sempre um risco. Um risco fora do contexto principal. Uma chance de algo acontecer independente do plano inicial. Que plano? Aquele que a maioria de nós esquece e que Platão no mito de Er nos lembra em sua República.
      O desejo é toda tentativa de no curso do caminho, fazer uma parada, uma escala, escapar ao trajeto, pegar um atalho. Algo que não estava nos planos, algo que nos visita e em alguns casos nos possui. Somos possuídos pelos desejos e não ao contrário! Sim, pois desejos sempre nos tomam a partir de fora para dentro. Em outras palavras, a partir de nossa realidade exterior em relação à realidade interior. Não brotam do interior, senão daquilo que nos chega pelas janelas dos cinco sentidos. Atenção às janelas é pressuposto para não ser possuído. Desejo é um tempero no prato da vida e deve ser usado com moderação, afinal muito sal causa hipertensão, muito óleo hipercolesterolemia e tudo em excesso pode desvitalizar. Viver é vital e desvitalizar é ir contra a vida. Sobriedade não é moralidade.
      Desejo ou “desideris” em latim pode ser melhor compreendido se concomitantemente olharmos para o termo considerar, cuja etimologia complementa a primeira. No primeiro termo desideris (desejo), existe um afastamento das estrelas (sideral) e do plano celeste segundo o qual a vida estaria supostamente desenhada, como um convite, mas desenhada. Nesse caso, o desejo me afastaria das estrelas, ou impediria a minha visão desse desenho planejado nas estrelas, desse destino enquanto convite do alto, dos céus. Enfim, um afastamento do plano original traçado nas estrelas. Esse afastamento proporcionado pelo desejo é como uma fuga do “plano original”, onde sou levado a buscar uma qualidade de satisfação diferente da que me caberia caso estivesse em estado de serenidade, de paz interior ou de conexão com as estrelas. Ou quem sabe ainda com a organização celeste presente quando de minha primeira respiração, meu tema natal (mapa astrológico)? Considerar complementa desejar por significar justamente pensar com as estrelas (con - sideris).
      No ocultismo se diz que o humano atual é revestido por um corpo de desejos e uma mente. O corpo de desejos é subordinado à mente da mesma forma que somos convidados a subordinar o desejo à vontade ou a abrir mão de desiderar em favor de considerar.
      A vontade é o atributo humano supremo. É a expressão humana mais sublime. É o exercício de nosso próprio ser na matéria.
      Quando uma pessoa tem vontade fraca, ela é movida pelos seus desejos. Por isso alguns trabalham por recompensa, por dinheiro, por reconhecimento. Trabalham ou vivem para receber algo de fora que as realize. Já, os que se destinam ao exercício pessoal da vontade, são menos reféns da necessidade de recompensas para prosseguirem. O próprio exercício do ser e da expressão da vontade é o prêmio. A sensação de viver se assemelha, nesse caso, a ser semelhante ao Sol, que silenciosamente se consome para irradiar luz e calor.
      Em suma, nosso corpo “sideral” tem uma porção desiderio, que deseja sem levar em conta o céu e as estrelas, e outra porção considerio, expressão da vontade, conceito intimamente ligado ao céu e às estrelas. Estas partes podem ser compreendidas como corpo de desejos e mente. Quem pensa com os desejos, deseja, é refém, quem pensa a partir da mente exercita vontade, é ser emancipado. O exercício maior e mais elevado da vontade é chegar amorosamente à conclusão de que devemos servir, sempre e cada vez com mais vontade, como se fôssemos um sol em formação.
      E você, é um ser inclinado à vontade, desejo ou necessidade? A vontade, a meu ver, deve sempre ser temperada pelo desejo. Se o desejo tomar conta é porque chegou a hora de ler a história contada por Goethe, “Fausto”, assistir a ópera Tannhäuser de Vagner ou quem sabe ainda ler o conto de Tolstoi chamado: “De quanta terra o homem precisa”.
Tudo isso apenas considerações pessoais de um humano errante. Sinto a necessidade de me desculpar caso em algum momento tenha soado rude. Meu desejo é participar.

domingo, 9 de setembro de 2018

IDEALIZANDO


POR: GERALDO DRUMOND


Você não tem que idealizar nada. Viva sua vida, sua singularidade. Não tome para si sonhos que não são seus, ideais que não são seus. Desidealize para você viver com naturalidade, com simplicidade. Seja do jeito que você é. Faz toda a diferença. Quando temos coragem de nos aceitar como somos tudo fica mais fácil. Quando você se entende, fica mais fácil entender e conviver com o outro. E o que é a vida senão relações?


ASTROLOGIA - ELMAN BACHER



A astrologia é para o estudante Rosacruz uma fase da religião, basicamente uma ciência espiritual. Mais que qualquer outro estudo, ela revela o homem a si mesmo.
Nenhuma outra ciência é tão sublime, tão profunda e tão abarcadora. Ela oferece uma representação pictórica dinâmica da relação entre Deus (o Macrocosmo) e o homem (o Microcosmo), mostrando-os como algo fundamentalmente uno.
A ciência oculta, ao investigar as forças sutis que agem sobre o ser humano, o Espírito, e seus veículos, descreve seus efeitos com a mesma precisão que a ciência acadêmica o faz com relação as reações que ocorrem no mar, no solo, nas plantas e animais, decorrentes dos raios do sol e da lua.
Com este conhecimento podemos determinar o padrão astrológico de cada indivíduo e conhecer as fortalezas e as debilidades relativas das várias forças atuantes em cada vida. De acordo com o que tenhamos alcançado deste conhecimento, é possível começar a construção sistemática e científica do caráter – e caráter é destino!
Existem períodos e estações cosmicamente vantajosos para o desenvolvimento de certas qualidades, correção de maus hábitos e eliminação de inclinações destrutivas.
A ciência divina da astrologia revela causas ocultas que trabalham em nossas vidas. Assessora o adulto com respeito à vocação, os pais na orientação dos filhos, o mestre na orientação dos discípulos, o médico no diagnóstico das enfermidades; prestando-lhes, desta maneira ajuda em qualquer situação.
Nenhuma outra matéria ao alcance do conhecimento humano até o presente momento contém as possibilidades estendidas aos estudantes de astrologia na ajuda aos demais, no digno caminho de deuses-em-formação, a um entendimento maior da lei universal e à percepção de que estamos eternamente seguros nos braços carinhosos do infinito e ilimitado Ser.

segunda-feira, 27 de agosto de 2018

PEQUENAS ATITUDES PARA GRANDES SERES

O PODER DOS MANTRAS - A ESSÊNCIA DOS MANTRAS COTIDIANOS


EU SOU AQUILO QUE TENHO - O QUE FAÇO - FAZER MAIS E MELHOR AQUILO QUE OS OUTROS PENSAM A MEU RESPEITO. SOU DISTINTO DOS OUTROS - ESTOU SEPARADO DO QUE FALTA EM MINHA VIDA



Os “mantras” dominantes são criados no momento do nascimento e se estendem por toda a vida, sendo boa parte dos conteúdos veiculados pela família, entorno e mídia (imprensa) ligados ao ego ou à ambição. São as mensagens do amanhecer da vida e que devem ser mudadas ao entardecer, conforme Wayne Dyer (2012).
Um exemplo é a orientação subliminar “Eu sou aquilo que tenho”, que surge muito cedo e se cristaliza como memória celular. Essa mentalidade de acúmulo começa com os brinquedos e cresce ao ponto de fazer com que o sucesso seja medido pela quantidade e tamanho dos brinquedos acumulados na idade adulta. A perda dos mesmos, em alguns casos, pode culminar em depressão e suicídio.
Outra afirmação de profundo impacto na formação, segundo Dyer, é “Eu sou o que faço”, que começa no engatinhar e se estende durante a vida, reforçando a noção equivocada de que é importante sempre “Fazer mais e melhor”! Da mesma forma, a expressão “Eu sou aquilo que os outros pensam a meu respeito” pode condicionar nosso valor à opinião alheia e ao nos afastar do próprio ideal de perfeição, inviabiliza qualquer relacionamento harmonioso e de iguais.
“Sou distinto de todos os outros”, um “mantra” que promove a separação, também é recorrente e abre espaço para outro equívoco: “Estou separado daquilo que falta em minha vida”. Esta afirmação decorre da falta de fidelidade ao próprio poder e ao fluxo divino da vida. Desconectados, passamos a nos ligar ao que falta - ou seja, às carências de amor, saúde e prosperidade.
A tentativa - quase sempre bem-sucedida - de afastamento da Fonte Original decorre do desejo de comando do ego, que se traduz em afirmações que retratam o divino como distante e temperamental ou estruturam o Universo sob um conceito devedor, em que a pessoa está sempre descontente e cobrando algo de alguém (Dyer, 2012).
Somente quando escapamos ao domínio da personalidade egóica ou autocentrada, conseguimos enxergar o fluxo da vida em sua perfeição, com seus sucessivos aprendizados e possibilidades de nos reinventarmos e manifestarmos nossa essência, construindo no ritmo adequado relações mais saudáveis.
Quando a consciência está desperta, floresce o “mantra” ‘Simplesmente Ser’, um convite à autenticidade, e à vida em aceitação e amor. Um retorno ao Ser.

terça-feira, 3 de julho de 2018

O PODER DOS MANTRAS – A MENTIRA COLETIVA


LA VIDA ES LUCHA VIVA LA REVOLUCION DOLCE FAR NIENTE TIME IS MONEY
GOSTO DE LEVAR VANTAGEM EM TUDO FELICIDADE INTERNA BRUTA
CONFIANÇA EM SI E NO OUTRO

 

Logo ao nascer, o indivíduo é submetido ao mantra coletivo de seu país de origem. Uma afirmação inconsciente que permeia a visão do mundo e vida daquela população, mais ou menos positiva.
O idioma de uma nação é um conjunto de “mantras”, que facilita a comunicação consigo, com o outro e com o universo. Interiorizados ou expressos, estes conteúdos repetidos promovem maior ou menor conexão, saúde ou doença, alienação ou consciência.
Tudo parece ter iniciado, segundo o livro do Gênesis, com a construção da Torre de Babel. Na época, os descendentes de Noé, falavam a mesma língua e tinham a tarefa de "crescer" e se "multiplicar" quando decidiram construir uma torre que alcançasse o céu, a morada divina. Até que Jeová "confunde" as línguas, inviabilizando assim a construção. Metade da comunicação é falar, a outra metade escutar. Quando alguém fala, mas não escuta o que o outro fala, ocorre algo semelhante ao que o mito acima narra.
A fragmentação em um número extenso de idiomas e dialetos contribui em parte para a falta de compreensão e afastamento entre as pessoas. Mas por quê? Talvez pelo fato dos homens não perceberem que o essencial para o encontro com o divino é a comunhão entre si (torre interior) e não a construção da torre exterior.
Assim, por não perceberem que viviam na unidade e falavam a mesma língua, construíram a tal da torre. Por não perceberem sua unidade, qualidade maior do modo “Ser”, se perderam na busca pelo modo “Ter”. Na ambição e prazer peculiares ao “Ter”, perderam a paz e a alegria características do “Ser”.
Já naquela época abrimos mão da “Unidade” pela fragmentária ideia de “Partido”. Essa pode mesmo ser a história dos partidos políticos e também da fragmentação linguística, decorrência do afastamento do princípio do amor em direção ao princípio da individualização e do poder. O poder de nomear as coisas e de convencer que elas sejam da forma como eu acredito que elas devam ser.
A “confusão“ decorrente do aparecimento de novos idiomas e a consequente perda de entendimento do “todo” foi expressa por Enio Starosky (2015), para quem a percepção da realidade depende do “sistema linguagem - pensamento”.
Para exemplificar, ele cita um ”mantra” usado por muitas pessoas para desejar paz ao outro: “Salam”, em árabe, ou “Shalom”, em hebraico.  A palavra original traz em si vários significados que se perdem na tradução para o português: integridade física, sanidade, saúde (física e espiritual) e aceitação – entre outros.
Um fenômeno semelhante acontece com o conceito de amor no idioma alemão. Enquanto os gregos, os romanos e mesmo as línguas modernas derivadas do latim possuem um número amplo de substantivos para designar o fenômeno do amor - afeto, simpatia, amizade, caridade, compaixão, ternura, paixão - a língua alemã usa um único vocábulo “Liebe”.
Às vezes a gramática do idioma favorece uma visão mais ou menos individualista. Observemos o aramaico, onde a conjugação dos verbos começa com a terceira pessoa e termina com a primeira: Ele ama, tu amas, eu amo.
Nós, em nossa civilização ocidental, somos inclinados a começar tudo pelo ‘eu’. A gramática do eu em primeiro lugar é o reflexo do quão egoísta o meu mundo particular é”, destaca Starosky (2015).
Em algumas línguas, até mesmo as palavras que designam os dias da semana reforçam a conexão com algo maior. No livro Fundamentos de Astronomia, o autor Romildo Póvoa Faria (1987) atribui aos mesopotâmios a criação do conceito de semana em meados do 3° milênio A.C. Segundo ele, os planetas eram entendidos como verdadeiros deuses que exerciam influência direta nos seres humanos e nos acontecimentos da Terra.
Nesse sentido, dedicaram um dia à adoração de cada deus que conheciam, começando pelo Sol (domingo), que era o “mais importante”. Os outros dias foram destinados, respectivamente, à Lua (segunda-feira), Marte (terça-feira), Mercúrio (quarta-feira), Júpiter (quinta-feira), Vênus (sexta-feira) e Saturno (sábado). Muitas culturas preservaram essa concepção por meio da linguagem.

DIA DA SEMANA
INGLÊS
ESPANHOL
SIGNIFICADO
Domingo
Sunday

Dia do Sol
Segunda feira
Monday
Lunes
Dia da Lua
Terça feira

Martes
Dia de Marte
Quarta feira

Miercoles
Dia de Mercúrio
Quinta feira

Jueves
Dia de Júpiter
Sexta feira

Viernes
Dia de Vênus
Sábado
Saturday

Dia de Saturno


Fato é que a repetição de ideias e conceitos molda a forma de ver o mundo assim como o modo como nos relacionamos com ele, seja ele mais terreno, espiritual ou simbólico. Além disso, a língua de um país pode reforçar ou enfraquecer aspectos e comportamentos humanos.
Entre os mantras coletivos identificamos alguns com facilidade: “La vida es lucha”, dos argentinos; o “Viva la revolución”, entre os nicaraguenses, o “Dolce far niente” dos italianos, “Time is money”, dos americanos e a lei do Gerson ou “Gosto de levar vantagem em tudo” que, curiosamente, ainda prospera no Brasil.
Nascido na Argentina, o renascedor Ronald Fuchs conviveu por muitos anos com o mantra de que a vida é uma luta, uma crença que - segundo ele - se reflete não só nos indivíduos, mas também na política, nas empresas e nos relacionamentos. Através de um trabalho consistente de autoconhecimento, ele identificou sua postura de atrito com as situações e pessoas que se apresentavam em sua vida e resolveu mudar. Aos poucos, a dinâmica de luta, enfim, está saindo de seu roteiro. “É um trabalho de uma existência inteira”, diz.
A mentira coletiva é uma programação que diz respeito aos aspectos que temos a trabalhar, e que pode ser transmutada a partir de nossas escolhas individuais e coletivas. Na avaliação de Fuchs, a crença brasileira de “levar vantagem em tudo”, por exemplo, está ligada à corrupção e à escravidão.
Os dois temas estão intimamente relacionados ao abuso: estou numa posição de poder, então eu posso fazer tudo. Porque eu sou poderoso... Provavelmente há uma dinâmica de abuso a ser trabalhada aqui no Brasil e que no momento presente está aflorando com mais força”.
A prova de que é possível fazer diferente está em outras culturas. No distante Butão, o teor dos “mantras” que povoam as mentes dos moradores é de natureza diversa. Neste país, localizado nas montanhas do Himalaia, os pensamentos dominantes se referem à “Felicidade Interna Bruta”, “que não é uma lei escrita, mas um ideal que norteia as decisões do governo nos últimos 30 anos”.
A mesma disposição permeia as mentes na Dinamarca. Lá, “Confiança em si e no outro” é o mantra dominante, considerado o mais feliz do mundo, segundo a ONU. Essa certeza é tão presente que cerca de 70% da população acha que desconhecidos são dignos de confiança (bem distante dos 7% reconhecidos no Brasil) e 94% acredita que o próprio indivíduo pode melhorar a sua vida. Com crenças bem menos positivas, o Brasil figura na 24ª colocação entre os 156 países no ranking da Felicidade (Previdelli, 2013).