A Medicina da Saúde é baseada na preservação e na promoção. É sempre superior à Medicina da Doença focada na cura e na prevenção. Somos seres humanos e não "teres humanos”. A doença começa quando se deixa o SER pelo TER; saúde e vitalidade aumentam na direção do SER. A busca pelo SER leva à ampliação da consciência, guia do homem saudável e espelho para o doente. Refletindo o exemplo a ser imitado mostra como sair da horizontalidade do adormecimento e entrar na verticalidade do despertar.
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segunda-feira, 18 de fevereiro de 2019
segunda-feira, 14 de janeiro de 2019
FINAL FELIZ E OUTROS FINAIS
No cinema, teatro e na
vida as coisas podem ir bem ou não. Tem histórias que acabam bem e outras que
não. Tem pessoas que são de bem e outras que não; não chegam a ser más, apenas
não de bem. Não de bem com a vida.
Os amigos que gostam de
filmes e peças com final feliz tendem à desconfiança, apreciam o controle e
geralmente conhecem o medo. Julgam saber o que é certo ou errado com muita
clareza. Chegam a ser quase preconceituosos. Não gostam do feio, evitam. De
fato, o feio não faz parte da vida deles; como poderia? Vivem de aparências e de
comparações. Afinal, se eu não me comparo com algo, como saber quem sou? Quem
não tem dentro encontra suas referências fora. Vive no espelho, como a bruxa da
branca de neve.
Alguém disse que o hábito
faz o monge. Também o hábito da necessidade do final feliz ou conclusivo é
determinante do perfil da pessoa. Após a descrição da anatomia neurológica dos
neurônios em espelho, pessoalmente noto que isso é muito verdadeiro. Nos
relacionamos empaticamente com aquilo com que nos alimentamos; nos tornamos
nossos “alimentos”. O prisioneiro do final feliz precisa que alguém lhe mostre
o sentido, explique o porquê das coisas. A pessoa final feliz está mais refém do
mundo das informações que convencem em decorrência do sentido aparente. O
economista Nassim Nicholas Taleb no clássico “A Lógica do Cisne Negro” esclarece
com simplicidade o poder das notícias que explicam, que associam uma causa a um
dado efeito, que induzem, enfim que tentam mostrar que tudo está sob controle
porque tudo se explica e se justifica; inclusive o mercado financeiro. Claro o
sentido é sempre desejável, desde que proposto, raramente quando imposto e se
possível que seja composto entre as partes envolvidas.
O absurdo deve sempre ser
considerado e computado enquanto possibilidade; tudo é possível, nos cabendo
apenas considerar probabilidades. O pensador Guimarães Rosa tem histórias que
mostram isso. Teria o jagunço Riobaldo considerado a possibilidade de Diadorim
ser quem era?
Os amigos que gostam de
filmes com outros tipos de finais são diferentes. Diferentes de todos os
outros. São únicos. Chegam a ser chatos de tão únicos. Se percebem tão bem a
partir de dentro, pois têm vida interior, que parecem não se importar com o
mundo exterior. Mas se importam sim; querem fazer diferença. Sabem que as
coisas nem sempre acabam como gostariam e que o imprevisto e o inusitado são
faces da felicidade nem sempre bem-vindos.
Gosto de todo tipo de
final, mas também quando não termina. Quando não há final, então o caminho e a
caminhada podem ser o próprio fim.
domingo, 12 de fevereiro de 2017
SAÚDE E DOENÇA - DOIS LADOS DA MESMA MOEDA III
TEXTOS AFINS:
Colunas de saúde nos
jornais falam sobre doenças, programas de saúde enfocam nas doenças, os órgãos
de saúde só são utilizados por pessoas em estado de doença. Ministério da saúde
adverte enfocando a doença. Faria sentido um ministério só para a doença e
outro apenas para a saúde? Saúde na comunicação em primeiro lugar, saúde na
educação, saúde na justiça, saúde social e saúde econômica.
Precisamos de um plano de
saúde! Mas não desses usados quando não há mais tempo, melhor denominados
planos de doenças. Doença e dinheiro são parceiros, assim como o fazem saúde e consciência.
A principal campanha de vacinação é a vacinação consciencial. O momento atual
pede a troca das pílulas de doença por pérolas de saúde, preservar o bem maior
(saúde) e não correr atrás do prejuízo (doença) quando já é tarde.
Um primeiro passo nessa
direção implica em fazer as perguntas adequadas para que o incômodo inicial
gere o movimento da consciência:
O que é mais importante
para um ser humano, formação ou informação?
A mídia promove a
formação, informação ou deformação do pensar?
A Universidade forma,
informa ou deforma os alunos?
A estrutura familiar
forma, informa ou deforma seus filhos?
Não é possível propor
qualquer sugestão de melhora social se desviarmos o olhar de questões
fundamentais que a princípio podem incomodar. Afinal, informação sem que a
pessoa seja formada acaba em problemas ou em alguém querendo tirar vantagem de
outrem. Quando se opta por um sistema que deforma e anestesia, o efeito
colateral é a impossibilidade do despertar que impulsione o interesse das
pessoas na direção da saúde. Acertar requer esforço e quando se vive em um meio
que prega a lei do mínimo esforço não surpreende o atual estado das coisas.
Se pensarmos por analogia
em um rio contaminado e como tratá-lo, as diferentes estratégias das medicinas
da saúde e da doença podem ser mais bem compreendidas. Uma medicina que enfoca
a doença vai atacar a contaminação de frente, colocando barcos para drenagem do
lixo, aprofundando o leito do rio, jogando substâncias químicas, tentando
aumentar o seu fluxo cimentando as bordas e assim por diante, como se sabe.
Note que o tratamento aqui vai em direção ao resultado imediato e que seja
sentido pelo “paciente” em pouco tempo, daí a intervenção ser tão intensa ao
ponto de agir sobre a própria “anatomia” do rio, desconsiderando sua
“fisiologia”, como se ele fosse um objeto ou uma máquina a ser consertada.
A mesma situação vista
pela medicina da saúde adquire perspectiva bastante diversa. O rio, como se
sabe, é uma espécie de ser vivo, tem uma nascente, comporta vida em si,
interage com o meio ambiente por onde passa e finalmente assim como nasce tem
uma foz onde deságua e se religa ao mar. Assim a medicina que enfoca a saúde
vai agir de forma mais profunda apesar de menos agressiva, se valendo da
própria vida do rio como fonte propulsora para seu tratamento. Chegando às
causas da contaminação a medicina da saúde age inibindo os agentes
contaminantes. Isto pode ser muito complexo, pois no caso do rio os poluidores
são empresas e pessoas ligadas às esferas do tecido produtivo nacional, eventualmente
populações de moradores de edifícios, sejam suntuosos ou “malocosos”, à beira
dos leitos onde despejam seus esgotos. Deixar de depositar o esgoto no rio
implica em um grande sacrifício para todos, pois elevará gastos com obras de infraestrutura,
além de terem efeitos apenas no médio ao longo prazo.
O mesmo acontece quando
uma pessoa doente precisa abandonar os maus hábitos que a conduziram ao
adoecer, requer esforço e sacrifício pessoal. Apesar de ser óbvio o que fazer,
muitos preferem intervenções rápidas e paliativas que permitam o retorno aos
mesmos hábitos a uma revisão geral seguida pela mudança comportamental. É
importante notar que o próprio rio tem vida e poder de recuperação, caso deixemos
de destruí-lo, o mesmo ocorrendo com a saúde. Se para o rio ficar saudável o
lema deve ser: “vamos trazer os peixes de volta ao rio”, para o corpo são o
lema é: “vamos deixar de ser dormentes e nos tornar seres conscientes”.
É clara a importância e a
complementaridade entre as duas medicinas, mas fica agora gritante em que
implica a prática da medicina da doença sem a percepção ampliada da medicina da
saúde. Salta aos olhos a falta de sentido e o desperdício que é tratar doenças
sem concomitantemente cuidar da saúde.
A medicina da doença se
baseia na cura e na prevenção; a medicina da saúde por sua vez na preservação e
na promoção. Duas medicinas que se complementam sendo a segunda superior à
primeira. Prevenir e curar doenças são importantes, mas preservar e promover
saúde são fundamentais. Mas afinal qual a diferença entre promover saúde e
prevenir doenças? A diferença é toda. As pessoas se previnem geralmente por
medo ou receio de que algo lhes aconteça, e por isso fazem seguros ou planos
que supostamente as protegeriam. No entanto a própria tentativa de se proteger
promove um estado interior de retração ou contração, devido ao medo. Este medo
age gerando reflexos em todas as esferas do ser, principalmente sobre o tônus
vascular promovendo hipertensão, e sobre o tônus imunológico promovendo imunodepressão.
Assim, a aparentemente simples atitude de se prevenir implica em uma atitude
reflexa de receptividade a experiências e estados mórbidos que naturalmente
acompanham os seres amedrontados em relação aos desafios da vida.
Oposto disso, o promover
saúde, coloca o ser em estado de expansão e entrega confiante ao viver,
anticorpos naturais para situações sombrias, que ainda que ocorram serão menos
traumatizantes e mais construtivas. Promover saúde é expandir a consciência, a
partir do que uma prevenção natural sobrevirá. Entretanto agora não gerada pelo
medo, mas pelo interesse e prontidão em viver de forma a sempre ampliar o
horizonte de possibilidades. Apesar de não ter a suposta certeza de uma
segurança comprada, ser o melhor que posso e estar pronto para o que der e vier
abrem a vida para a graça, assim como a flor recebe a chuva. Viver com medo
dificulta o contato com a graça, que apesar de independente, não chega aos
desgraçados fechados à sua visita pelo medo.
Mas porque afinal as
colunas de saúde dos jornais só falam em doenças? Quem ganha com isso? Porque
os órgãos responsáveis enfocam nas doenças e falam tão pouco em saúde? Se
campanhas de vacinação movimentam o mercado e as correspondentes verbas
governamentais, tudo bem, mas é fundamental a contraparte que requer verba
ínfima comparativamente e que diz respeito à vacinação da consciência das
pessoas para questões importantes de saúde pública.
O artigo: Ricos aceitam melhor publicidade em escolas
mostra a relevância da questão ao comparar a diferença entre a legislação dos
diferentes países (EUA, Alemanha, Portugal e Brasil) em relação ao marketing
infantil assim como o cuidado que cada país tem com a forma como suas crianças
são educadas. Se os atuais planos de “doença” se beneficiam do sofrimento de
seus associados e da exploração dos profissionais de saúde, urge que busquemos planos
de saúde que enfoquem a saúde e estimulem seus clientes numa verdadeira relação
de sócio em que o pagador receba orientações que expandam a consciência fazendo
a vida ser sinônimo de saúde plena.
Na educação para a saúde
a formação (educere) da pessoa tem valor superior ao da informação (educare). O
ser pleno e saudável tem boa formação de maneira geral, tendo o SER primazia
sobre o TER. Somos seres humanos e não teres humanos, lembrando que o caminho
para a doença começa quando a vida se afasta do SER na direção do TER do mesmo
modo que a saúde e a vitalidade aumentam na direção do SER.
Ser implica em
consciência, lanterna do homem saudável e espelho para o homem doente que vendo-se
refletido no exemplo a ser imitado encontra referência e fonte de inspiração
para sair da horizontal do adormecimento e entrar na vertical do despertar.
Você pensa a esse
respeito?
domingo, 10 de janeiro de 2016
SALVE 2016! x SALVE-SE QUEM PUDER EM 2016!
![]() |
| Leia na íntegra: Edição 73 http://www.cremesp.org.br/?siteAcao=RevistaSerMedico |
Começo o ano recebendo em
casa a revista “Ser Médico” do Conselho Regional de Medicina do Estado de São
Paulo, e lá li:
Artigo especial sobre
“Como formar um bom médico humanista?”. Artigo interessante na contramão do que
se vê no momento em que o humano, aprendiz a partir de exemplos, nada na
abundância daqueles que papel higiênico algum bastaria. Isso por Hygeia ser a representante grega da
higiene na saúde pública. Humanismo é busca insólita nesse momento em que valores
humanistas são recebidos sob-risos, risadas e gargalhadas pelas “altas esferas”
do plano físico, enquanto aguardamos mais um carnaval, a nova novela e o
próximo campeonato.
Estava lá escrito assim,
dito por um xará quartanista de renomada instituição: “Quando um aluno fala em ética ou bioética, os outros riem dele”.
Um convite à meditação. O homem meditabundo é semente humanista a germinar.
Germinemos em amor.
Mas, considerando,
desconfiado, haver algo louvável no texto, pingo um tijolo nessa obra: assista
ao filme brasileiro “O Cheiro do Ralo”, atente à dinâmica de relação entre opressor e oprimido e depois me digam. Com os votos cordiais de que aprendamos a eleger melhores "opressores" para dividir o orçamento dos impostos de modo mais fraterno.
Depois, li lá também um
artigo bem legal sobre armamentos e a perda da capacidade de indignação. Estava
escrito que o gasto com armamentos atual é mais de 200 vezes maior que o que se
gasta para combater a fome. Para nós brasileiros isso é muito chocante, pois
aqui nasceu o maior estudioso do mundo sobre essa questão, o inigualável médico
Josué de Castro. Leiamos nas escolas médicas a obra desse ilustre médico,
especialmente “Geografia da Fome” e “Geopolítica da Fome”.
Lembremos apenas que fome
não deve ser combatida ou morta, senão apenas as pessoas alimentadas; e a meu
ver, não há nenhum combate quando alimentamos alguém. Quando aprenderemos a
usar melhor as palavras? Enquanto a linguagem for de combate e morte, me parece
óbvio que se gaste cada vez mais com armamentos. Meditemos. O estado
meditabundo é a promessa do médico humanizado. O que acha?
Ainda sobre os
armamentos, estava lá escrito sobre o recente bombardeio pela força aérea
estadunidense em três de outubro de 2015 de uma unidade do Médico Sem
Fronteiras (MSF) no Afeganistão. Apesar das desculpas do presidente Obama à MSF
pela morte de doze profissionais do MSF e doze pacientes, a médica Joanne Liu,
presidente internacional da MSF fala em crime de guerra e interpreta o fato
como violação imperdoável do Direito Internacional Humanitário. O que leva
alguém a trabalhar no Médico Sem Fronteiras?
Depois ainda li lá um
artigo assim: “Um mundo tão desigual é viável?”. Disse que, segundo o banco
Credit Suisse, 1% da população mundial detém quase 50% da riqueza produzida no
planeta. Os outros 99% dividem, em partes também desiguais, os cerca de 50%
restantes. A autora, Kátia Maia se mostrou indignada com o fato de 85 pessoas
apenas serem donas da quantia equivalente ao que a metade da população mais
pobre do planeta tem.
O jornal El País fez uma
reportagem interessante sobre isso em 17/10/2015:
Quem quiser ver o
relatório e a pirâmide de distribuição acesse:
http://ep00.epimg.net/descargables/2015/10/14/81cef5bbe2878e321682f7adfde25ec6.pdf
Um Amigo falou certo dia
sobre a economia: “Daí a César o que é de César e a Deus o que é de Deus”, mas
com o advento da modernidade Deus foi anexado aos domínios de César. Assim,
humanizamos a moeda! Ao menos é o que se nota nas Américas quando ao norte
lemos nos dólares “In God we Trust” (Acreditamos em Deus) ou mais recentemente ao
sul nas notas de dinheiros dos Estados Unidos do Brasil onde se lê: “Deus seja
louvado”. Talvez “Deus nos proteja” seja alternativa evolutiva interessante a
se considerar nas impressões futuras.
Essas reportagens da
revista “Ser Médico” iniciando 2016, ano chinês macaco de fogo, aliadas ao
estado atual das coisas fazem pensar se cabe um “salve 2016” ou um “salve-se
quem puder em 2016”! Será que as autoridades falam de coração quando o assunto
é humanizar?
terça-feira, 23 de dezembro de 2014
CONTOS DE NATAL
Natal, nascimento da luz
na gruta, Jesus, quem diria tudo isso terminar em cruz?
Dois irmãos, em que Cristo
vive e habita o coração, mostram como é isso:
O gigante egoísta (O. Wilde)
A árvore de natal na casa do Cristo
(F. Dostoiévski)
De presente peço uma lembrança:
Que a Criança no presépio a nascer
Seja sempre lembrada a nós por você.
Seu vermelho brilhante, quero crer,
remete ao sangue em que o amor se
encarnou.
E se isso não for, por favor!!
Sua barba branca seja franca
não esconda o rosto da verdade
dO Menino Sua Santidade.
E se me engano peço o favor
não seja isso estímulo ao pobre
consumidor...
Não se ofenda por amor quanto à cruz
Se está aqui é só porque lembra
Jesus.
Criança que está a nascer
Representante maior do Ser.
sexta-feira, 7 de novembro de 2014
CONSUMO E MEDICINA - BLACK FRIDAY x BRIGHT FRIDAY
Por Dra. Ana Cristina Guimarães, médica.
Durante o mês de
fevereiro, pré-carnaval, com o consultório mais tranquilo, estive lendo um
livro que me chamou a atenção, a ponto de desejar repassar alguns conceitos
para meus amigos e colegas. Seu nome é “Vidas para Consumo”, o autor Zygmunt
Bauman. Nele, nossa sociedade e modo de viver são discutidos de uma maneira tão
realista e transparente que nos causa até uma sensação de angústia e nos faz
reavaliar alguns atos que realizamos no dia a dia, sem muitas vezes pensar
sobre as consequências.
Na sociedade atual,
sociedade consumista como o autor chama, nós não vivemos mais para produzir
(trabalhar) e sim para consumir. Vivemos para satisfazer nossas necessidades,
cada vez mais crescentes e mais caras, sob o impulso de adquirir e juntar.
Nosso trabalho é somente uma ponte para podermos comprar coisas, com a
consequente diminuição do orgulho do que somos e fazemos.
Para aqueles que acham
que isso é um exagero, notem... Em poucos anos os imóveis subiram cinco vezes
ou mais (um apartamento de 160m2 está 1.600.000 reais na planta! E
pensem rápido porque já é um dos últimos...).
Um carro não é mais um
fusquinha... Tem que ser um BMW ou Land Rover mesmo que pago em 100
prestações... E do ano! Uma amiga entrou no meu carro que já tem três anos e
fez cara de nojo, - você não vai trocar?!!
A bolsa tem que ser Louis
Vitton, a calça Seven, o óculos Gucci, o relógio sei lá qual e com certeza já
estou defasada porque estes já não são mais a Última Moda.
E aí entra outro ponto
importante! Da mesma maneira que compramos temos que nos livrar dos objetos
rapidamente, para podermos comprar outros da Última Moda. Nunca estaremos
satisfeitos com o que já temos, pois o Mercado sempre pede novidades. Logo,
estamos sempre insatisfeitos, sempre buscando mais... Quero trocar meu carro,
minha casa precisa ser maior, meus móveis já estão velhos etc.
É a cultura da
insatisfação, da infelicidade! Estimulada por todos os meios de comunicação,
novelas, jornais e revistas. É impossível abrir um simples jornal sem que
sejamos bombardeados por anúncios gigantescos de apartamentos e carros.
Muitos enquanto leem isto
devem estar pensando: e daí, eu quero e eu posso comprar, qual o problema?
Quero ter o melhor ou quero dar o melhor para meu filho, esposa...
O problema é que cada vez
mais, se não pensarmos no assunto, vamos ter que trabalhar mais – mais rápido,
mais horas e com menos qualidade- para mantermos esta roda de consumo que esta
cada vez mais cara e veloz. E se trabalhamos muito e consumirmos muito também
pensamos menos, aceitamos uma qualidade de vida menor, não ficamos com a
família, não vemos os filhos crescerem, não fazemos amigos, enfim, abdicamos de
tudo o que realmente importa para ser feliz.
Outro problema- as
pessoas também estão se transformando em objetos de consumo. Quantas vezes
ouvimos dos amigos ou pacientes – meu Médico é o Fulano de tal, aquele que
aparece nas revistas! Especialmente na dermatologia, o médico tem que ter uma
marca e um nome, para que os pacientes contem nas rodinhas que ele frequenta
Aquela Dermatologista Famosa!
E também nós médicos
fazemos a mesma coisa com nossos pacientes, quando atendemos de 10 em 10
minutos , o próximo e rápido, por favor... Muitos entram na sala sem saber o
nosso nome e também não sabemos o nome deles. Objetos, números de carteirinhas
de convênios...
Outro dia, ouvi que nós
médicos somos substituíveis. Dormi vários dias com isso na mente. Como posso
não ser substituível? Como posso agir para que meu filho se for médico, não
tenha que ouvir estas palavras tão dolorosas...
Uma das maneiras que
encontrei foi esta, divulgar um pouco mais o que eu penso. A outra e mais
importante é prestar cada vez mais atenção para que eu não trate as pessoas,
família, amigos, colegas e pacientes como substituíveis.
E gastar menos, prestar
atenção quando for comprar, ensinar aos filhos que eles têm que SER e não TER!
Qual a vida e a sociedade que queremos deixar
para nossos filhos? Queremos que eles trabalhem até às 3 da manhã por que eles
aprenderam que eles PRECISAM de um carro novo? Se eles se tornarem médicos,
gostaríamos que eles atendessem 100 pacientes dia a 20 reais a consulta? É o
que vai acontecer se fingirmos que está tudo bem. Se não brigarmos agora por
eles, se cada um de nós não tomar um pouco de consciência hoje, nossos filhos
sofrerão no futuro. Serão mais substituíveis do que nós fomos, ganharão menos
por uma consulta, trabalharão muito mais do que já trabalhamos, e serão mais
infelizes.
Um dos motivos por que
parei de atender os convênios foi por que não aguentava mais não saberem o meu
nome (meu nome era aquela médica lá do fundo do corredor...). Outro motivo foi
pelos meus filhos.
Muitos vão pensar, ah eu
não consigo... mas minha especialidade não é assim... Mentira! Todos conseguem,
não de repente, não sem certo sacrifício pessoal, inicio de agendas vazias,
sensação de abandono. Mas um paciente particular por dia é igual financeiramente
a quantas consultas convênio? E qual é o valor inestimável deste paciente saber
o seu nome e falar que veio indicado por alguém, procurando por você e nenhum
outro? Não tem preço e não dá para comprar com Mastercard!
Se você já for um
milionário ou morar na Islândia talvez o que discuti não tenha nada a ver com a
sua vida. Do contrário pare pelo menos 5 minutos para pensar e discutir este
assunto e talvez tomar uma atitude, pequena que seja. Talvez você concorde
comigo, talvez não, mas o que importa é que parou e pensou. E quando pensamos
não fazemos mais parte da manada nem agimos por impulso.
Começamos a nos tornar
Humanos e Insubstituíveis!
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