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quinta-feira, 1 de novembro de 2018

SILÊNCIO E RUÍDO


O SILÊNCIO - ARNALDO ANTUNES
O vazio é condição que predispõe ao preenchimento acontecer. O vazio do copo, o vazio da janela, o vazio da porta, o vazio do vaso, o vazio do útero, o vazio onde o eixo da roda se encaixa, o vazio do sapato. O vazio é um espaço perigoso, pode-se cair nele, e viver é de fato muito perigoso.
Em minha infância se dizia: “Mente vazia oficina do Diabo”; um vazio onde até o Diabo poderia cair!? Curiosa associação essa do Diabo com a mente e de Deus com o coração. É como se Deus não pudesse ser sabido ou pensado, senão apenas recordado (cordis = coração). Parafraseando Agostinho de Hipona sobre o tempo: se me perguntam o que é Deus, eu não sei, se não me perguntam eu sei.
É pelo vazio das câmaras cardíacas que o sangue flui. Por outro lado, o cérebro utiliza muito fósforo na forma de ATP em seu metabolismo. Para quem não sabe, fósforo é uma palavra derivada do grego que no latim se torna lúcifer, ambas significando o portador da luz. Mesmo você que já sabe que cérebro e mente são coisas relacionadas, mas muito diferentes, vale pensar a respeito.
Posso ser livre de tudo o que tenho, mas posso ser escravo até do que não tenho. A liberdade é um conceito estranho. Por exemplo, sou livre para acreditar ou não em Deus. Na medida em que acredito, a liberdade de arbítrio se manifesta enquanto coopero com o “sistema de leis” divinas. Na medida em que não acredito a liberdade de arbítrio se manifesta enquanto compito com o “sistema de leis” da natureza. Simples assim, geotropismo x teotropismo. Em relação ao livre arbítrio, competir ou cooperar, escolher o mais sensato depende do estado em que me encontro, quanto eu acredito estar no controle da vida e no que escolho acreditar. Escolhas que não se excluem, senão se mesclam até que a unidade seja melhor compreendida por cada um de nós.
Meus espaços vazios são cavernas fechadas ou canais de passagem? Cavernas que portam luz ou canais que permitem que a luz circule? Em mim predomina o mental ou o cardíaco; o carnal ou o espiritual?
O silêncio é espaço onde tudo pode acontecer. É potencialidade. É campo de metamorfose. É onde o tu pode encontrar com o eu. Sem o silêncio, pouco é possível. Quem está cheio, precisa de um pouco de silêncio; espaço na alma para que alguém possa ser. Não é possível ser sem espaço, e o silêncio é espaço pleno. No silêncio eu me escuto; no silêncio sou escutado. O silêncio é solene e é só nele que o dentro e o fora podem estabelecer diálogo. O artista disse que o silêncio foi a primeira coisa que surgiu. Para recordarmos esse momento primordial, sejamos silentes.
A despeito disso, existe hoje guerra declarada ao silêncio. Máquinas de som e imagem insistem na inseminação ruidosa de nossos orifícios, em nossos ofícios. Nossos ossos pulsam com a gravidade da situação, com a gravidade dos baixos profundos, com a gravidade das gravatas e ainda com a gravidade da gravidez. Inseminados com o mesmo e variações do mesmo tema, papagaiamos o barulho pré-fabricado em nossas casas.
Ao impedir que a vontade alcance o silêncio, as irrelevâncias das informações cotidianas nos tornam dependentes de mais uma dose. Esse vício moderno que preenche os vazios, os tempos, os sentidos, me tira de mim. Me afasta a vontade e me entrega aos desejos. Vontades de ser escorregam em desejos de ter. Mas, sem o silêncio, sem esse espaço, o que ser senão o que se diz, o que me dizem, o que foi dito naquele programa?
Esse barulho que penetra a mente a partir dos tímpanos, que nos rouba a lembrança essencial, precisa ser encarado de frente. Desejo a você que ele ocorra antes e não depois que o tempo se recolha.

quinta-feira, 14 de abril de 2016

SAÚDE EM NOVE MOVIMENTOS


O James Redfield escreveu, em profecia celestina, sobre nove movimentos associados ao processo de emancipação ou individuação. Em Cloud Atlas (no Brasil “A Viagem” – decorrência da sina brasileira de deformar e aleijar títulos de filmes traduzidos do original) e na trilogia Matrix dos irmãos Wachowski, os diretores apontam um roteiro similar.


O convite começa quando se começa a levar a sério as coincidências e se perguntar sobre a possibilidade de algo atuando subjacente ao que nossos sentidos nos permitem acessar.
Depois, a consciência até então adormecida passa a ser vista como algo real. A preocupação excessiva com a realidade material impede esse olhar, mas aos poucos se desconfia haver certa superioridade do ser sobre o ter. É quando o ser se descobre humano.

Com o início de uma nova vida emerge a consciência da profunda desnutrição gramatical e linguística, recursos fundamentais para acessar e descrever a profundidade do universo que se descortina. O desespero e a experiência do vazio colocam a pessoa em contato com a natureza de um lado e com o espírito científico de outro. O que não se pode explicar ganha o nome de energia e o mundo passa a ser visto como um vasto sistema de energia.
Eu uso a energia e ela me sustenta, mas de onde ela vem? Como pude permanecer até hoje desconectado? Eu preciso disso que designo energia e sem ela me sinto fraco, inseguro e carente. Vou roubá-la dos outros! Em cada encontro com o outro buscarei recursos para me autoafirmar a partir da energia do outro. Minha vida será uma competição e meu objetivo é me nutrir da energia que flui entre as pessoas. Em minha família, na profissão, na relação com amigos e em todo encontro com o próximo, aumentarei minha energia pessoal a partir da energia alheia. Quero estar sempre certo, sempre com a razão e portar sempre a última palavra. Evolução é a sobrevivência do mais forte!


       Eu me dou conta que não preciso vampirizar a energia alheia, pois o universo proporciona tudo o que necessito, basta que eu esteja aberto a isso. Eu me abro, e me sinto preenchido por outra qualidade de energia. Não sei como, mas passam a ocorrer coincidências que me fazem progredir. Assim, me estabeleço em outro nível de energia e me percebo existindo em uma vibração mais elevada.
      Sinto-me forte ao ponto de poder olhar, elaborar, aprender e varrer os velhos dramas que repetidamente venho vivenciando. Descubro a verdade a meu respeito.

Autobiografia em cinco capítulos
 1. Ando pela rua.
Há um buraco fundo na calçada.
Eu caio...
Estou perdido... Sem esperança.
Não é culpa minha.
Leva uma eternidade para encontrar a saída.

2. Ando pela mesma rua.
Há um buraco fundo na calçada.
Mas finjo não vê-lo.
Caio nele de novo.
Não posso acreditar que estou no mesmo lugar.
Mas não é culpa minha.
Ainda assim leva um tempão para sair.

3. Ando pela mesma rua.
Há um buraco fundo na calçada.
Vejo que ele ali está.
Ainda assim caio... É um hábito.
Meus olhos se abrem.
Sei onde estou.
É minha culpa.
Saio imediatamente.

4. Ando pela mesma rua.
Há um buraco fundo na calçada.
Dou a volta.

5. Ando por outra rua.
(Extraído de "O Livro Tibetano do Viver e do Morrer" -“ Sogyal Rinpoche -“)

      Envolvo-me conscientemente e me torno alerta para toda coincidência que me cerca e para tudo que o universo me oferece em termos de experiências e respostas. Estabeleço relação entre o que acontece no cotidiano com meus sonhos e comparo a história dos sonhos com a história de minha vida. Descubro a intuição e seu fluxo mágico. A felicidade não é um estado estático de alegria que a qualquer momento pode acabar, mas um potencial entre o estado que me encontro e a realidade da plenitude. Essa distância potencial permeia de sentido a vida e se torna o motivo pelo qual eu caminho todos os dias, sem a expectativa de chegar, senão pela alegria do caminhar.

      Todo encontro traz uma mensagem. Absolutamente nada acontece por acaso, mas a forma como respondo a cada encontro determina se sou capaz de receber a mensagem. Se conversar com alguém que cruza o meu caminho e não identificar uma mensagem sobre minhas questões atuais, isso não significa que ela não houvesse. Significa apenas que não a captei, por algum motivo.
      Meu senso de propósito se satisfaz com o sentimento de minha própria evolução. Exalto-me no desenvolver da intuição e ao apreciar o destino a se desenrolar. O mundo se humaniza, diminui seu ritmo e fico atento ao próximo encontro significativo a surgir. Sei que o mesmo pode ocorrer a qualquer momento e em qualquer lugar. Minha percepção e vibração revelam um céu diante de mim, ainda que não o veja. Acesso o amor e lembro que a energia é a própria veste de Deus. É o amor que mantém minha vibração adequada; o amor me mantém saudável. Meu corpo vibra em determinada frequência, que aumentada ou diminuída excessivamente pode levá-lo ao sofrimento - eis a relação entre estresse e doença. A saúde se sustenta na medida em que eu me relaciono com o céu estando aqui na Terra. Assim, diferente da sobrevivência do mais forte, evolução é cooperação e os seres mais bem sucedidos evolutivamente são aqueles que de algum modo cooperam.

quarta-feira, 22 de junho de 2011

O SIGNIFICADO DA PALAVRA NOITE

   

Em muitos idiomas europeus, a palavra NOITE é formada pela letra N + o número 8 na respectiva língua. A letra N é o símbolo matemático de infinito e o 8 deitado também simboliza infinito, ou seja, noite significa, em todas as línguas, a união do infinito!!!
Português: noite = n + oito
Inglês: night = n + eight
Alemão: nacht = n + acht
Espanhol: noche = n + ocho
Francês: nuit = n + huit
Italiano: notte = n + Otto

Interessante, não?
Enviado por Brenno Andrade Junior