A Medicina da Saúde é baseada na preservação e na promoção. É sempre superior à Medicina da Doença focada na cura e na prevenção. Somos seres humanos e não "teres humanos”. A doença começa quando se deixa o SER pelo TER; saúde e vitalidade aumentam na direção do SER. A busca pelo SER leva à ampliação da consciência, guia do homem saudável e espelho para o doente. Refletindo o exemplo a ser imitado mostra como sair da horizontalidade do adormecimento e entrar na verticalidade do despertar.
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sexta-feira, 12 de agosto de 2022
EVENTO - CURSO FENOMENOLOGIA CELESTE
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quarta-feira, 19 de dezembro de 2018
SUICÍDIO ESPIRITUAL
O suicídio físico é uma
opção desesperada e pode ser consciente ou inconsciente. No primeiro caso um
ato abrupto de desespero, no segundo decorrência de atitude ignorante que se
perpetua no tempo (hábito alimentar precário, uso de drogas lícitas e ilícitas,
sedentarismo, pouca leitura, hábito musical pobre). Estatísticas atuais apontam
que a cada 40 segundos uma pessoa morre por suicídio no mundo. No Brasil os
dados mais recentes apontam uma média de 32 suicídios por dia.
Mas, o suicídio mais
surpreendente é o espiritual. Quando o materialista se descuida de seus
veículos (corpos) suprafísicos, demonstra coragem surpreendente. Veículos que a
tradição designa como corpo vital, corpo de desejos e mente. Sim, não é preciso
ver para saber. A pessoa sensível pressente que a vida é o “mistério” que anima
a matéria, mas que não pode ser encontrada quando se disseca a matéria em sua
intimidade. Quem deseja deveria refletir de onde vem as tendências desejosas e quem
pensa deveria fazer investigação semelhante em relação ao pensamento. Desejo e
pensamento, qualidades materiais de outra natureza que não a física.
A visão, o sentido
predileto da atualidade, nos impede ver além das aparências. Mas veja você
mesmo então. Nascer arredondado, ver o corpo esticar e crescer, a seguir ficar
enrugado, pontudo e desvitalizado é percebido na superfície, mas que tipo de
forças determinam esse efeito sobre a matéria animada?
O suicídio espiritual não
é tão falado quanto o suicídio físico. Finge-se não ver, mas quem teria olhos
para isso não é mesmo?
A pessoa que vive em
espírito torna a vida material leve, torna-se
permeável à graça. A pessoa que vive para a matéria é cega à luz do
espírito e sua vida se torna opaca, escura, densa, azeda, cheia de reclamações
e emperrada. É aquela pessoa que não entende o porquê de certas situações (padrões)
se repetirem em sua vida. A graça, assim como a graxa, serve para lubrificar. A
primeira lubrifica as engrenagens da vida, a outra as engrenagens da matéria.
Em outras palavras, uma vida sem graça é uma vida sem graxa, assim como uma
vida sem graça é também sinônimo de desgraçada.
Para que a graça permeie o
corpo humano, o mesmo precisa estar poroso em todas as suas instâncias. Assim
como a obstrução dos poros da pele leva à morte rapidamente, a obstrução dos
poros dos corpos suprafísicos (corpo vital, corpo de desejos e mente) leva à
morte lenta. Essa morte lenta se apresenta aos olhos do observador como as
pessoas que apenas existem, à semelhança das pedras. Viver é atributo do reino
humano; fundamental para isso é a consciência dimensional adequada do que seja
SER HUMANO. A vida material, horizontal, cotidiana da família, do trabalho, da
política, da filosofia niilista, da diversão é apenas palco, sombra e
efemeridade. Sem a graça, a vida material culmina em cadeia, hospital, falta e
inconformidade. Mas cadeia, hospital, falta e inconformidade, lembremos, são
escolhas pessoais. Toda escolha, entretanto, é permitida a Fausto, em Goethe, ao se perder
para se encontrar.
Se afastar da graça (ser
desgraçado) por opção ou por ignorância é suicídio espiritual. O espiritual diz
respeito a tudo o que está além dos cinco sentidos. O interesse também é um
sentido que podemos vivenciar e experimentar. Mais interesse e menos
indiferença é alternativa válida na profilaxia do suicídio espiritual.
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segunda-feira, 26 de fevereiro de 2018
SOBRE A ASTROLOGIA E SUA COMPREENSÃO
“Falo e respondo enquanto não sou.
Quando souber, não mais.
Porque então não será mais preciso.
Néscio ainda acredito em explicações.
Quando não souber então serei; e quando for, não será mais preciso saber,
Apenas caminhar.”
A astrologia representa uma
“conversa” entre duas naturezas (humana e divina) e o mapa astrológico, um
tabuleiro, onde pode ser observado o plano para o nascimento da natureza divina
no humano. A distribuição zodiacal com seus doze signos mostra como as forças
divinas (suprafísicas) se manifestam no plano terreno (físico); a distribuição
das doze casas sobre as quais os signos se distribuem mostra a forma como
aquele ser se constitui, assim como ele dispõe de suas potencialidades
naturais.
O mapa astrológico é uma
representação arquetípica da manifestação física e auxilia na compreensão de
como o sistema de veículos (físico, etérico, desejos e mente) estão alinhados
entre si, além de sugerir simbolicamente o estado da relação personalidade,
alma e espírito em cada indivíduo (vide roda da fortuna).
Desta observação deve
nascer o interesse em comparar e meditar
seu mapa natal (natureza humana) com o mapa zero Áries, uma nuance do divino na
linguagem astrológica, entre outras. Na interação ou no atrito entre estas representações
surge uma janela de possibilidade para o nascimento do indivíduo na plenitude
de seu potencial.
Existem livros que
explicam ao estudante os símbolos e os valores básicos que estruturam o pensar
astrológico cotidiano e convencional. Estes livros são muito importantes para
um primeiro contato e seus potenciais.
No entanto, a própria
astrologia parece ser estrutura viva que evolui conjuntamente ao humano, seu
co-criador. Ela é ferramenta bastante interessante para aprofundar-se em
questões pessoais existenciais. O seu aprendizado pode ocorrer em grupos, aulas
e cursos, mas a interpretação do tema de cada pessoa é território sagrado a ser
palmilhado individualmente e apenas na medida da capacidade que a pessoa tenha aprendido
a ver por si só. A sugestão de evitar o olhar alheio decorre de não sabermos a
condição evolutiva de quem encontramos no caminho, sendo que cada um interpreta
segundo suas próprias concepções. Do mesmo modo que a baleia não cabe na gaiola
de um pássaro, alguns seres não caberão nas interpretações de seres de “menor porte”.
De fato, não é possível saber o tamanho da consciência bem como do alcance
espiritual dos outros seres com quem interagimos.
Por isso se torna
importante o estudo concomitante das mitologias, das filosofias, da história do
mundo; tentativas de contornar abordagens técnicas e materialistas sobre o
fenômeno vida – manifestação ímpar de cada ser, com sua peculiar missão
existencial.
quinta-feira, 5 de outubro de 2017
segunda-feira, 17 de abril de 2017
PARUSIA, DEPOIS DA PÁSCOA
Mais sobre páscoa no link: Páscoa, cordeiro ou coelho?
A semana da Páscoa Cristã é a
celebração do derramamento do sangue de Jesus Cristo na Terra e sua
ressurreição. Como se sabe, o sangue é o veículo do Espírito e por meio do
sangue derramado na cruz a Terra recebeu em seu interior o Espírito de Cristo
que desde então sustenta o planeta até onde a vista não alcança.
Na tradição Cristã, a Parusia é o nome dado à segunda vinda de Cristo. As
linhagens exotéricas devocionais (filhos da água) celebram esse mistério na
comunhão do rito sagrado na missa; de maneira complementar, as linhagens esotéricas
ocultistas (filhos do fogo) compreendem que esse mistério pode ser vivenciado
por cada um que se desenvolveu em seus corpos sutis ao ponto da possibilidade
de uma vivência pessoal com o Cristo ressurreto. Isso é possível a partir do
desenvolvimento do corpo etérico ou vital, o primeiro corpo transcendente acima
do corpo físico.
A respeito desse corpo, Rudolf Steiner, Max Heindel e Corine Helline escreveram
obra considerável, assim como exercitá-lo com base no desenvolvimento do
caráter e da excelência silenciosa do viver saudável.
Na tradição bíblica, a experiência de Paulo em Damasco é ilustrativa
desse encontro suprassensível em Cristo. Paulo designa esse corpo em suas
cartas na bíblia como corpo alma (soma psuchicon – I Cor. 15:44).
Sobre isso tudo, e enquanto trabalhamos diligentemente sobre nossos
veículos, uma poesia de um amigo, o Pompeu Salgado, que já esteve entre nós aqui
pela Terra:
Nascimento de Cristo
em Cada Homem
Cristo está em cada homem,
Fraquinho, pois eles não se movem.
Para isso a espiritualidade devem percorrer,
Mesmo com perigos a correr.
Vamos nossos erros lamentar,
De arrependimento chorar,
Após isso a Deus orar.
Dessa forma Cristo renascerá
Dentro de cada um de nós.
Insistindo nisso, Ele mais crescerá.
Boa Parusia a todos!!
sábado, 1 de abril de 2017
quarta-feira, 1 de março de 2017
SOBRE ANJOS - ESTÓRIAS E OUTRAS COISAS
Continuação de: O ANJO EM MIM
O
materialista em sua coragem escolheu um mundo e um modo de viver divorciados de
tudo o que não pode ser apreendido pelos cinco sentidos físicos. Como
consequência, entendeu ser o humano, do ponto de vista vida ou biológico, o
mais elevado entre os seres. Escolheu ainda que seu reino, o reino humano,
unido aos reinos animal, vegetal e mineral, compreende tudo o que possa ser
objeto de estudo ou ainda as únicas instâncias que merecem a alcunha de
realidade.
Para
os demais, permeáveis ao incognoscível, em que momento da evolução humana nos
desconectamos dos anjos? Em que momento voltaremos a nos conectar?
Algumas
histórias de anjos carecem ser lidas como: “O anjo está perto” de Chopra, o conto
“Do que os homens precisam” de Tolstói (Contos Populares – década de 1880) e o
inigualável Guimarães Rosa (Primeiras Estórias) no conto “Um moço muito branco”.
Cada um, a seu modo, compartilha seus olhares concernentes a esse reino
suprafísico imediato ao humano. Cada um abre uma janela de
possibilidades de relação com essa classe de seres pouco compreendidos e pouco
visitados, ao menos daqui pra lá...
Chopra
aproxima a ideia de anjo à da luz. Na medida em que o personagem se permite
entrar em relação com ela (Luz), a mesma se metamorfoseia em um ser antropomórfico
disponível ao diálogo.
– Eu sei que nós chamamos
vocês de anjos, mas o que você é para si próprio? Há algum nome que você use?
– Na verdade, não. Quando
vejo a mim sou apenas uma janela. Se quiser pode olhar através de mim. Sou
transparente. É assim que sou para Deus e, portanto para mim.
O
curioso em Chopra é a ideia da presença do anjo causar um aumento da
consciência das pessoas que estão em proximidade a ele; consciência que na
maior parte das vezes se dissipa com o afastamento do anjo, dado que o humano
não teria desenvolvido em si a força de sustentação para aquela consciência.
Isso se assemelha à experiência humana de entendermos algo quando alguém que
sabe àquele respeito nos explica, mas que se esvai de nossa compreensão quando
da ausência daquela pessoa sabidona.
Em
Tolstói, Mikhail cumpre contrariado uma missão e perde as asas pela
inconformidade com o que lhe foi solicitado. Aprende com o humano sobre algo
que no reino que habitava não era possível aprender. Traz em si três perguntas
a serem respondidas: “O que existe nos homens? O que não é dado aos homens? Do
que vivem os homens?”. Sua luz aumenta conforme aprende, é silencioso e hábil
além de capaz de enxergar além das aparências. Reconquista as asas ao encontrar
as respostas e compreender que o mal que acreditou ter feito visava um bem
maior, impossível de compreender então.
Finalmente,
Guimarães pinta com palavras a estória de um moço muito branco, que aparece,
não se lembra, visto para ele só haver o presente, e em todos que se aproxima
desperta aquilo que mais carecem. Desaparece como apareceu em meio a fenômenos
extremos da natureza sob chuva, raios e trovões...
Estórias
anedóticas para uns, realidade para outros, estão contadas aí para quem quiser
ler. Se fosse você eu leria, para não dizer depois que não sabia...
No caso do
assunto interessar, vale ler também: de Matthew Fox e Rupert Sheldrake “A física
dos anjos”, uma visão científica e filosófica dos seres celestiais; de Rudolf
Steiner “O anjo em nosso corpo astral” e “A Ciência Oculta”; de Max Heindel
“Conceito Rosacruz do Cosmos”; de Diether Lauenstein “As Leis Biográficas à Luz
da Biblia”; de Mônica Bonfiglio “A magia dos anjos cabalísticos” e de Wim
Wenders o filme “Asas do desejo”. Finalmente, para uma compreensão mais lúcida é
imprescindível a leitura das lâminas 14 (A Temperança) e 15 (O Diabo) na obra
magistral “Meditações Sobre os 22 Arcanos Maiores do Tarô” escrita por autor
anônimo pela editora Paulus.
Ao ignorarmos a presença
dos anjos fecham-se as portas conscientes aos demais reinos, ou seja: arcanjos,
principados, potestades, virtudes, dominações, tronos, querubins, serafins,
terafins e xeofins; síntese que integra a “antena” cósmica do humano.
Se você nasceu sem asas
não faça nada para impedi-las de crescer.
segunda-feira, 25 de abril de 2016
sexta-feira, 2 de outubro de 2015
EVENTO SAÚDE 17/10/2015 - ENCONTRO COM RICARDO LEME
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domingo, 1 de fevereiro de 2015
ELISABETH VREEDE - ASTROLOGIA
Por: Elisabeth Vreede
Num horóscopo abstratamente
calculado, nem sempre se pode ver se e em que medida, um, dois ou três planetas
supra-solares devem ser considerados especialmente ativos. Aqui tem papel
relevante a individualidade (vontade) que, de acordo com sua evolução tem que
ter uma relação bem diferente para com seu próprio horóscopo. Não basta para
tanto um cálculo, mas apenas intuição real.
segunda-feira, 1 de dezembro de 2014
RUDOLF STEINER - ASTROLOGIA
Por: Rudolf Steiner
![]() |
| Steiner trabalhando sua escultura em madeira chamada: "O Representante da Humanidade". |
Se extraíssemos o cérebro de um homem e o
examinássemos de forma clarividente, de forma a distinguir cada circunvolução e
seus prolongamentos, veríamos que cada pessoa tem o cérebro diferente da outra.
Não há dois cérebros que se assemelham. Suponhamos que se pudesse fotografar a
estrutura do cérebro, de modo a obter uma espécie de hemisfério onde todos os
detalhes fossem visíveis: essa imagem seria diferente para cada indivíduo. E se
fotografássemos o cérebro de um homem no momento exato em que ele nasce, e
fotografássemos em seguida a parte do céu que se estende justamente por cima do
lugar de seu nascimento, essa imagem corresponderia exatamente a esse cérebro
humano. Certas partes do cérebro estão dispostas como estrelas na constelação.
O homem tem em si uma imagem do firmamento que difere conforme o lugar e o
momento de seu nascimento. Isso é um indício de que o homem nasce do cosmo
inteiro.
Usando uma comparação, poderíamos dizer: imaginemos
cada homem sob a forma de uma esfera em que se refletem todos os objetos em
derredor. Esta esfera reflete todas as imagens em torno dela. Suponhamos que
com um lápis de decalque desenhássemos os contornos que se refletem nesse
espelho. Poderíamos, em seguida, retirar o espelho e transportar por toda parte
o decalque dos reflexos. Isto seja um símbolo para o fato que o homem, na hora
de seu nascimento traz em si um reflexo do cosmo, levando consigo o efeito
deste reflexo por toda a sua vida.
Com
estas forças espirituais do cosmo o homem está em ligação, cada indivíduo de um
modo pessoal. Se um homem nasce na Europa, depende de condições climáticas e
outras, diferentes da Austrália. Do mesmo modo na vida entre a morte e nova
encarnação, um indivíduo está em relações mais estreitas com as forças de
Marte, outro com as de Júpiter e outros ainda com as de todo o sistema
planetário. E são estas mesmas forças que trazem o homem de retorno à Terra.
Assim ele vive antes do nascimento unido a todo o espaço estelar.
Essas
relações particulares do indivíduo com o Cosmo determinam também as forças que
atraem um indivíduo para este ou aquele país ou região. O impulso, o instinto
de se reencarnar neste ou naquele lugar, nesta ou naquela família, neste ou
naquele povo, numa ou noutra época, depende da maneira pela qual o homem está
ligado ao Cosmo antes do nascimento.
terça-feira, 1 de julho de 2014
SALUTOGÊNESE
Por: Dra. Ana Cristina Guimarães
O conceito de Salutogênese foi proposto na
segunda metade do século XX pelo médico e sociólogo norte americano Aaron
Antonovsky.
Do latim, Salus- sanidade e do grego Gênesis-
origem, portanto ele significa a origem da sanidade ou da saúde. A noção se contrapõe a “Patogênese”, que
consiste no conceito da Medicina atual, fundamentada na busca e na origem das
doenças. Os dois conceitos são complementares, pois obviamente precisamos saber
a causa e o tratamento das doenças.
Porém, na Salutogênese a pergunta primária
é outra. Como
desenvolver e manter a saúde de uma população ou de um indivíduo?
Surge o conceito de “resiliência”, ou
seja, resistência. Por que alguns indivíduos submetidos a um stress constante,
físico e psíquico, sobrevivem sem adoecer, enquanto outros não têm tantas
condições de resistência?
Trazendo para o nosso dia a dia, a
preocupação primária de uma empresa ou de um governo deveria ser sobre quais os
programas que poderiam ser implementados para que os funcionários ou a
população não adoecessem. Quando adoecemos, já estamos correndo atrás do
prejuízo: horas perdidas de trabalho, o custo enorme dos remédios ou de
internações hospitalares. O velho ditado “prevenir é melhor do que remediar”
demonstra-se verdadeiro tanto em nível pessoal, como em nível de política empresarial
e pública.
Um brasileiro
manter-se saudável atualmente é um verdadeiro “milagre divino”.
Porém, quando pensamos em “prevenir” uma
doença, logo pensamos em exames de laboratório para “check-up”, ou uma consulta
médica para “ver se está tudo bem...”.
Muitas vezes, vemos pacientes sedentários, fumantes e estressados saírem
do consultório, felizes por seus exames não apresentarem nenhuma alteração. Em
um caso como este, o fato dos exames estarem normais não significa nada e seria
até um fator precipitante de doença, pois não serviu para que este paciente
tomasse consciência de seu estilo de vida. Entretanto, na verdade não estaremos
prevenindo nada com estes atos, apenas participando do conceito “patogênico”,
com foco na doença e não na saúde.
Encarando desta maneira, a questão da
saúde torna-se primariamente uma questão pedagógica. Ensinar a ser saudável é a
primeira preocupação da Medicina da Saúde.
Segundo Antonovsky, os recursos promotores
de saúde podem ser divididos em dois grupos.
O primeiro grupo seria atributivo, isto é,
não dependente de nós:
-hereditariedade favorável, bom nível nutricional desde a
infância, atendimento as necessidades afetivas básicas da infância, bom nível
sócio econômico familiar, integração familiar, boa qualidade de vida em relação
ao meio ambiente.
Quem teve a felicidade de receber uma boa
educação, em um ambiente familiar amoroso e morando em um meio ambiente
ecológico agradável já é um grande de candidato a adoecer menos. Como isto nos
foi dado (ou não), não podemos agir sobre estes fatores, mas podemos pensar em
nossos filhos ou na próxima geração, promovendo uma alimentação saudável,
procurando criar um espaço familiar de harmonia e pensando coletivamente em
como melhorar o meio ambiente. Percebemos também com este conceito, que
políticas públicas que visem melhorar a qualidade de vida de uma grande cidade,
aumentando áreas verdes, combatendo a poluição, seriam de extrema importância para
a saúde.
O segundo grupo de fatores salutogenéticos
seria aquisitivo, isto é, obtidos por nosso esforço voluntário:
- coerente projeto de
vida, boa situação sócio-cultural individual, boa interação afetiva, auto-cultivo
em termos estéticos, filosóficos e espirituais, engajamento ideológico nobre.
Quando pensamos em “manter a saúde” logo
nos vem à mente exercícios físicos (horas de academia) ou dietas restritivas.
Obviamente uma dieta controlada, e certo grau de atividade física são
importantes, porém no conceito salutogênico, as questões mais enfatizadas são
as sociais, espirituais e culturais.
Diversos estudos mostram a importância de
questões anímicas tais como cultivar alguma espécie de religiosidade, a
sensação de que existe uma intencionalidade ou “sentido” para a vida, e o menor
adoecimento ou maior resistência de pacientes acometidos por doenças graves,
como, por exemplo, o câncer. Segue um exemplo de estudo, no link:
No conceito salutogênico, arte e cultura
também são promotoras de saúde. Trabalhos tem demonstrado a importância da música
e de atividades artísticas relacionadas à manutenção da saúde, pois atuam
melhorando o anímico-espiritual.
Como estamos levando a nossa vida diária e quanto tempo dedicamos
a alguma atividade que não seja o trabalho?!
Para a manutenção da saúde devemos
incorporar algum tempo para as atividades nutridoras de nossa alma, tais como
leitura, música, arte; procurar estabelecer um ambiente de harmonia, tanto em
casa como no trabalho; cultivar uma religião (oficial ou não) ou estudar
filosofia. Amplia-se assim o antigo conceito de que saúde está apenas
relacionada à prática esportiva, alimentação regrada e visitas regulares ao
médico.
Para saber mais: Moraes, Wesley Aragão: Salutogênese e Auto-Cultivo,
uma abordagem interdisciplinar. Instituto Gaia. 2006.
terça-feira, 8 de abril de 2014
SIMETRIA IV - UMA POSSIBILIDADE INSÓLITA
Continuação de:
Simetrias I
Simetrias um pouco mais
Simetrias II
Simetrias III
Simetrias I
Simetrias um pouco mais
Simetrias II
Simetrias III
![]() |
| Narciso e Eco - Observe-se a verticalidade x horizontalidade além da cor das vestes |
Existe como que uma
simetria linguística, conceitual, envolvendo as ciências duras e moles. Dura e
mole são, neste caso, sinônimos para o entendimento respectivo das ciências
natural e social (Ciência - wikipedia).
Grosso modo, a sustentação conceitual para que uma ciência seja considerada
dura é a existência de um paradigma (modelo) sobre o qual ela possa ser
constituída (Paradigma - wikipedia).
Os proponentes mais exaltados deste pensar argumentam que as "ciências
moles" não usam o método científico, e que ousam admitir evidências “anedotais”
ou não matemáticas, carecendo de rigor em seus métodos!
Oponentes moderados
argumentam que as "ciências sociais" se articulam sobre sistemáticos
estudos estatísticos em ambientes estritamente controlados e que essas
condições nem sempre são respeitadas sequer pelas ciências naturais. Cite-se a
Astronomia, ciência observacional que se desenvolve peculiarmente, haja vista
as grandezas e distâncias envolvidas.
![]() |
| Galáxia Sombrero |
De fato, para uma teoria
classificar-se como científica, deve obedecer aos rigores do método científico
sem que transcenda o paradigma vigente
sob o qual foi concebida. Mas, e se a teoria não couber no paradigma, for maior
que ele? Isso implica que para um conhecimento em humanidades adquirir grau de
científico, deveria se articular sobre um paradigma. Neste caso, isso
implicaria em estabelecer um modelo ou compreensão básica em relação à questão
magna: “O que é a Vida?”. Mas como alcançar questionamentos desta envergadura neste momento em que o humano chafurda em preconceitos? Pré conceitos falsos assumidos a priori decorrentes de seu próprio desinteresse a respeito do que seja a vida. Para muitos, até hoje, a Terra orbita um Sol central estático, ignorando o fato do mesmo ser um viajor sideral a cerca de 72000 Km/h ou 20 Km/s!
Supondo que tal paradigma
pudesse ser estabelecido, uma ciência, gramaticalmente constituída e
funcionalmente equipada, com sua matemática própria e com suas leis daria os
ares de sua graça. Curioso notar, entretanto que o próprio método científico e
seu atual paradigma dificulta a possibilidade de um novo olhar, visto ser hoje
pedra angular de toda estrutura social. Na mesma medida em que é palavra última
a respeito do que se trata a vida e sobre qual é a direção do “progresso” e
sobre o que é desenvolvimento, silenciosa e sub-repticiamente determina como as
pessoas devem viver.
“Uma mentira
repetida mil vezes torna-se verdade” (J.G.)
Lembre-se que o humano,
sendo sugestionável e respondendo instintivamente a muitas situações,
presentemente tem pouca consciência do processo maior que subjaz à própria
existência. De fato, viver menos de um século deveras dificulta esta
compreensão, especialmente em momentos de liquefação nas relações e aceleração
do ritmo de vida decorrente do estado sutil de adoecimento social.
Fundamentalmente isso deságua em outra questão magna da qual o humano se afasta
mais a cada dia: “Qual é o sentido da vida?”. Ocuparam-se desta questão com
propriedade solene, dois pensadores de ascendência judaica, Viktor Frankl e
Erich Fromm.
Em vista da
insolubilidade epistemológica desta questão, Schrödinger, físico fundamental na
elaboração da teoria quântica (cuja equação de onda leva seu nome), interessado
em religiões tradicionais e filosofia da física, deu um pequeno passo em seu
modesto e profundo ensaio: “O que é a vida” (What is life – 1944). Sem entrar
nos pormenores, a parte curiosa diz respeito à sua colocação em relação às
simetrias e à biologia. Nesta obra, leitura imprescindível, o autor esmiúça um
olhar simétrico e comparativo aos cristais periódicos e aperiódicos. O
cromossomo (DNA) pode ser visto como um cristal aperiódico carregador da vida,
segundo ele. Em suas palavras:
“Para dar à
sentença vida e cor, permita-me antecipar o que será explicado em muito mais
detalhes à frente; seja que a parte mais essencial de uma célula viva, o
cromossomo, possa ser chamada apropriadamente um cristal aperiódico. Em física
temos lidado, até então, apenas com cristais periódicos. Para a mente de um
físico humilde, estes são objetos muito interessantes e complicados, constituindo
uma das mais fascinantes e complexas estruturas materiais pela qual a natureza
inanimada arquiteta sua perspicácia. Ainda assim, comparados aos cristais aperiódicos, eles são
mais simples e sem graça. A diferença em estrutura é do mesmo tipo que aquela
entre um papel de parede ordinário no qual o mesmo padrão se repete
indefinidamente em periodicidade regular e um bordado artístico, digamos uma
tapeçaria de Rafael, sem repetições óbvias, mas um desenho elaborado, coerente,
significativo traçado pelo grande mestre. Ao chamar o cristal periódico como um
dos mais complexos objetos de sua pesquisa, eu tinha em mente o físico
propriamente. A química orgânica, na verdade, ao investigar moléculas mais e
mais complexas, se aproximou muito mais daquele “cristal aperiódico”, que em
minha opinião, é o material carregador da vida.” (E. Schrödinger –
What is life? The Physical Aspect of the Living Cell – 1944. p.3-4)
Cerca de nove anos após as
palavras de Schrödinger, Watson e Crick em 1953 descreviam a molécula de DNA, sendo
em 1962 agraciados com o Nobel de Medicina. Mais recentemente, em 1995, uma
nova obra: “O que é a vida? 50 anos depois” – traduzida pela editora UNESP –
revisita a proposta de Schrödinger e nos presenteia com várias novas pérolas e
especulações sobre o futuro da biologia; merece ler e reler!
Recentemente, alguma
atenção foi dada aos cristais aperiódicos conforme citação na segunda parte da
presente reflexão, em relação aos quasicristais. Mas enquanto a ciência não
monta o “quebra-cabeça”, sempre vale apreciar visões menos convencionais, que fora
do paradigma vigente possam oferecer alternativas ao pensamento cristalizado,
mineralizado e quiçá morto.
A fim de explicitar
graficamente as relações possíveis no mundo fenomênico, os físicos utilizam o
diagrama de Minkowiski (Diagrama Minkowski - wikipedia).
Pelo diagrama é possível observar três tipos de intervalos na
descrição da realidade: tipo tempo, tipo espaço e tipo luz. Grosso modo,
habitamos uma realidade do tipo tempo, caracterizada pela observação sucessiva
de eventos que interpretamos a partir da noção de que uma causa gera um efeito
consequente. Simplificando, no intervalo tipo luz, o tempo pararia e a
causalidade cessaria como se fosse um mundo de simultaneidade atemporal. No
intervalo tipo espaço, é concebida conceitualmente a ideia de um espaço de realidades
fenomênicas ocorrendo a velocidades superiores à da luz, o que ocasionaria um
desacoplamento da relação de causa e efeito conforme estamos habituados,
podendo o efeito se manifestar antes da causa, por exemplo. Esta concepção aparentemente
insana é bem ilustrada por Steiner abaixo. Autores como Alan Lightman em “Sonhos
de Einstein” e Italo Calvino em “Cidades Invisíveis” encaram estas ideias com
galhardia e estimulam a criar espaço interior para conceber a realidade sob
perspectivas inusitadas até o momento presente.
Rudolf Steiner proferiu
uma palestra em 17 de maio de 1905 sobre possibilidade insólita e ainda pouco
considerada em nossos dias, senão repudiada. Trata-se de um olhar à quarta
dimensão como outro plano de existência, chamado pelo autor de mundo astral. O
pré-requisito básico para a compreensão das ocorrências neste espaço seria a
interpretação simétrica de eventos! Nas palavras de Steiner, os eventos
posteriores ocorreriam primeiro e os anteriores ocorreriam a posteriori, ocorrendo
aqui como que uma inversão na relação de causalidade (causa-efeito). Se no
plano físico o nascimento ocorre primeiro e nascimento significa que algo novo
nasceu de algo antigo, no plano astral o antigo emergiria do novo, de modo que
a paternidade e a maternidade estariam de fato no interior do filho ou da
filha.
Usando a mitologia grega
como instrumento, Steiner simboliza três mundos a partir das divindades gregas Urano,
Cronos e Zeus. Urano representando o mundo do pensamento (devachan), Cronos o
mundo astral e Zeus o mundo físico. É dito que Cronos devorava suas crianças.
No mundo astral, a criação não nasce, mas é devorada. Nas palavras de Steiner:
“A questão se torna ainda
mais complexa quando consideramos a moralidade no plano astral. A moralidade,
também aparece de forma reversa, ou como sua própria imagem espelho
(simétrica). Você pode imaginar o quanto as explicações dos eventos lá diferem
de nossas explicações habituais no mundo físico. Imagine, por exemplo, que
vejamos um animal selvagem se aproximando de nós no mundo astral e que ele nos
devora. Assim é como parece para alguém habituado a interpretar eventos externos,
mas não podemos interpretar este evento como o faríamos no mundo físico. Na
realidade, o animal selvagem é uma qualidade interna, um aspecto de nosso
próprio corpo astral que nos devora. O ataque devorador é uma qualidade
residente em nossos próprios desejos. Se tivermos um pensamento de vingança,
por exemplo, o pensamento pode assumir uma forma exterior e nos atormentar como
o Anjo da Morte. Na realidade, tudo no mundo astral irradia de nós. Devemos
interpretar tudo que se aproxima de nós no mundo astral como irradiado a partir
de nosso interior. Este conteúdo retorna a nós por todos os lados como vindo da
periferia, do espaço infinito. Na verdade, entretanto, estamos nos confrontando
apenas com o que nosso próprio corpo astral emitiu.” (R. Steiner –
The Fourth Dimension – Sacred Geometry, Alchemy and Mathematics – p.20)
É preciso parcimônia
neste momento em que tudo parece vitimado por explicações quânticas, apesar de até
agora a teoria estar dando conta do recado, ao menos dentro do domínio físico
material. Aferir realidades suprassensíveis com técnicas e materiais de uma
realidade inferior parece contrassenso a ser repensado. Ao que tudo indica pode
ser necessária uma transformação na própria forma como concebemos a realidade antes
de prosseguir.
Explicar o inexplicável
ou inefável com substratos do mundo da matéria pede atenção! A razão e a lógica
são ferramentas indiscutivelmente poderosas dentro de suas arenas, mas podem
não sê-lo em outras questões. Um modelo alternativo de elaboração, nem melhor
nem pior, apenas diferente, é o pensar analógico que encontra nos mitos sua
expressão plena. Os mitos funcionam como um milagre ou espelho que por
concessão simétrica nos permite algum vislumbre do incognoscível, desde que
haja mínima reverência no coração do buscador pelo fundamento de sua busca
(Michael Ende trata disso no capítulo 6 e 7 da obra "História sem Fim").
Não bastasse isso tudo,
um afastamento temporal ainda mais ousado, permite o vislumbre de um fenômeno
simétrico significativo, ainda pouco compreendido, descrito por Paulo na
primeira carta aos Coríntios.
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| Conversão de Saulo - Note-se a horizontalização do humano e a verticalização do animal - Damasco (Cidade do Jasmin) |
“A nossa ciência é
parcial, a nossa profecia imperfeita. Quando chegar o que é perfeito o
imperfeito desaparecerá. Quando eu era criança, falava como criança, pensava
como criança, julgava como criança, quando me tornei homem, acabei com as
coisas de criança. Porque agora vemos
por um espelho, obscuramente; mas então veremos face a face. Agora conheço
em parte; mas então conhecerei plenamente, assim como também fui plenamente
conhecido.”
A provocativa simetria poética
do texto acima se faz ainda mais significativa quando vista à luz da concepção
Paulina de corpo psíquico (Soma Psuchicon - Psiqué – Alma), corpo alma – que animaria
o corpo físico (anima = alma) e permitiria o despertar consciente nos planos
suprafísicos; enfim, a ideia de um corpo representando a própria manifestação conceitual
e funcional de simetria.
Loucura ou caminho para
um pensar mais vivo?
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