A Medicina da Saúde é baseada na preservação e na promoção. É sempre superior à Medicina da Doença focada na cura e na prevenção. Somos seres humanos e não "teres humanos”. A doença começa quando se deixa o SER pelo TER; saúde e vitalidade aumentam na direção do SER. A busca pelo SER leva à ampliação da consciência, guia do homem saudável e espelho para o doente. Refletindo o exemplo a ser imitado mostra como sair da horizontalidade do adormecimento e entrar na verticalidade do despertar.
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domingo, 17 de fevereiro de 2019
quarta-feira, 19 de dezembro de 2018
SUICÍDIO ESPIRITUAL
O suicídio físico é uma
opção desesperada e pode ser consciente ou inconsciente. No primeiro caso um
ato abrupto de desespero, no segundo decorrência de atitude ignorante que se
perpetua no tempo (hábito alimentar precário, uso de drogas lícitas e ilícitas,
sedentarismo, pouca leitura, hábito musical pobre). Estatísticas atuais apontam
que a cada 40 segundos uma pessoa morre por suicídio no mundo. No Brasil os
dados mais recentes apontam uma média de 32 suicídios por dia.
Mas, o suicídio mais
surpreendente é o espiritual. Quando o materialista se descuida de seus
veículos (corpos) suprafísicos, demonstra coragem surpreendente. Veículos que a
tradição designa como corpo vital, corpo de desejos e mente. Sim, não é preciso
ver para saber. A pessoa sensível pressente que a vida é o “mistério” que anima
a matéria, mas que não pode ser encontrada quando se disseca a matéria em sua
intimidade. Quem deseja deveria refletir de onde vem as tendências desejosas e quem
pensa deveria fazer investigação semelhante em relação ao pensamento. Desejo e
pensamento, qualidades materiais de outra natureza que não a física.
A visão, o sentido
predileto da atualidade, nos impede ver além das aparências. Mas veja você
mesmo então. Nascer arredondado, ver o corpo esticar e crescer, a seguir ficar
enrugado, pontudo e desvitalizado é percebido na superfície, mas que tipo de
forças determinam esse efeito sobre a matéria animada?
O suicídio espiritual não
é tão falado quanto o suicídio físico. Finge-se não ver, mas quem teria olhos
para isso não é mesmo?
A pessoa que vive em
espírito torna a vida material leve, torna-se
permeável à graça. A pessoa que vive para a matéria é cega à luz do
espírito e sua vida se torna opaca, escura, densa, azeda, cheia de reclamações
e emperrada. É aquela pessoa que não entende o porquê de certas situações (padrões)
se repetirem em sua vida. A graça, assim como a graxa, serve para lubrificar. A
primeira lubrifica as engrenagens da vida, a outra as engrenagens da matéria.
Em outras palavras, uma vida sem graça é uma vida sem graxa, assim como uma
vida sem graça é também sinônimo de desgraçada.
Para que a graça permeie o
corpo humano, o mesmo precisa estar poroso em todas as suas instâncias. Assim
como a obstrução dos poros da pele leva à morte rapidamente, a obstrução dos
poros dos corpos suprafísicos (corpo vital, corpo de desejos e mente) leva à
morte lenta. Essa morte lenta se apresenta aos olhos do observador como as
pessoas que apenas existem, à semelhança das pedras. Viver é atributo do reino
humano; fundamental para isso é a consciência dimensional adequada do que seja
SER HUMANO. A vida material, horizontal, cotidiana da família, do trabalho, da
política, da filosofia niilista, da diversão é apenas palco, sombra e
efemeridade. Sem a graça, a vida material culmina em cadeia, hospital, falta e
inconformidade. Mas cadeia, hospital, falta e inconformidade, lembremos, são
escolhas pessoais. Toda escolha, entretanto, é permitida a Fausto, em Goethe, ao se perder
para se encontrar.
Se afastar da graça (ser
desgraçado) por opção ou por ignorância é suicídio espiritual. O espiritual diz
respeito a tudo o que está além dos cinco sentidos. O interesse também é um
sentido que podemos vivenciar e experimentar. Mais interesse e menos
indiferença é alternativa válida na profilaxia do suicídio espiritual.
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domingo, 9 de setembro de 2018
ASTROLOGIA - ELMAN BACHER
A astrologia é para o estudante Rosacruz uma fase
da religião, basicamente uma ciência espiritual. Mais que qualquer outro
estudo, ela revela o homem a si mesmo.
Nenhuma outra ciência é tão sublime, tão profunda e
tão abarcadora. Ela oferece uma representação pictórica dinâmica da relação
entre Deus (o Macrocosmo) e o homem (o Microcosmo), mostrando-os como algo
fundamentalmente uno.
A ciência oculta, ao investigar as forças sutis que
agem sobre o ser humano, o Espírito, e seus veículos, descreve seus efeitos com
a mesma precisão que a ciência acadêmica o faz com relação as reações que
ocorrem no mar, no solo, nas plantas e animais, decorrentes dos raios do sol e
da lua.
Com este conhecimento podemos determinar o padrão
astrológico de cada indivíduo e conhecer as fortalezas e as debilidades
relativas das várias forças atuantes em cada vida. De acordo com o que tenhamos
alcançado deste conhecimento, é possível começar a construção sistemática e
científica do caráter – e caráter é destino!
Existem períodos e estações cosmicamente vantajosos
para o desenvolvimento de certas qualidades, correção de maus hábitos e
eliminação de inclinações destrutivas.
A ciência divina da astrologia revela causas
ocultas que trabalham em nossas vidas. Assessora o adulto com respeito à
vocação, os pais na orientação dos filhos, o mestre na orientação dos
discípulos, o médico no diagnóstico das enfermidades; prestando-lhes,
desta maneira ajuda em qualquer situação.
Nenhuma outra matéria ao alcance do conhecimento
humano até o presente momento contém as possibilidades estendidas aos
estudantes de astrologia na ajuda aos demais, no digno caminho de
deuses-em-formação, a um entendimento maior da lei universal e à percepção de
que estamos eternamente seguros nos braços carinhosos do infinito e ilimitado
Ser.
segunda-feira, 26 de fevereiro de 2018
SOBRE A ASTROLOGIA E SUA COMPREENSÃO
“Falo e respondo enquanto não sou.
Quando souber, não mais.
Porque então não será mais preciso.
Néscio ainda acredito em explicações.
Quando não souber então serei; e quando for, não será mais preciso saber,
Apenas caminhar.”
A astrologia representa uma
“conversa” entre duas naturezas (humana e divina) e o mapa astrológico, um
tabuleiro, onde pode ser observado o plano para o nascimento da natureza divina
no humano. A distribuição zodiacal com seus doze signos mostra como as forças
divinas (suprafísicas) se manifestam no plano terreno (físico); a distribuição
das doze casas sobre as quais os signos se distribuem mostra a forma como
aquele ser se constitui, assim como ele dispõe de suas potencialidades
naturais.
O mapa astrológico é uma
representação arquetípica da manifestação física e auxilia na compreensão de
como o sistema de veículos (físico, etérico, desejos e mente) estão alinhados
entre si, além de sugerir simbolicamente o estado da relação personalidade,
alma e espírito em cada indivíduo (vide roda da fortuna).
Desta observação deve
nascer o interesse em comparar e meditar
seu mapa natal (natureza humana) com o mapa zero Áries, uma nuance do divino na
linguagem astrológica, entre outras. Na interação ou no atrito entre estas representações
surge uma janela de possibilidade para o nascimento do indivíduo na plenitude
de seu potencial.
Existem livros que
explicam ao estudante os símbolos e os valores básicos que estruturam o pensar
astrológico cotidiano e convencional. Estes livros são muito importantes para
um primeiro contato e seus potenciais.
No entanto, a própria
astrologia parece ser estrutura viva que evolui conjuntamente ao humano, seu
co-criador. Ela é ferramenta bastante interessante para aprofundar-se em
questões pessoais existenciais. O seu aprendizado pode ocorrer em grupos, aulas
e cursos, mas a interpretação do tema de cada pessoa é território sagrado a ser
palmilhado individualmente e apenas na medida da capacidade que a pessoa tenha aprendido
a ver por si só. A sugestão de evitar o olhar alheio decorre de não sabermos a
condição evolutiva de quem encontramos no caminho, sendo que cada um interpreta
segundo suas próprias concepções. Do mesmo modo que a baleia não cabe na gaiola
de um pássaro, alguns seres não caberão nas interpretações de seres de “menor porte”.
De fato, não é possível saber o tamanho da consciência bem como do alcance
espiritual dos outros seres com quem interagimos.
Por isso se torna
importante o estudo concomitante das mitologias, das filosofias, da história do
mundo; tentativas de contornar abordagens técnicas e materialistas sobre o
fenômeno vida – manifestação ímpar de cada ser, com sua peculiar missão
existencial.
domingo, 10 de dezembro de 2017
ASTROLOGIA E SAÚDE - EXISTE RELAÇÃO?
Um dia houve a separação fundamental
entre as ciências físicas e espirituais. A despeito disso, grupos preservaram segredos
esotéricos da medicina e da astrologia, sustentando o conhecimento interpretado
sob a luz da mística, sendo os segredos espirituais restaurados, ocultos do
vulgo e dados àqueles que anelavam pelas causas do espírito.
Hoje observamos educadores que
ignoram os valores espirituais; vemos a ciência material tornar-se uma instituição
orgulhosa, que ignora a alma, fascinada pela matéria não deixando lugar para a
mística. Como resultado, temos uma desilusão geral e um abatimento decorrentes
da insignificância das coisas materiais: fuga, desespero e tristeza. O atual interesse
renovado pela Astrologia como recurso de cura resgata o pensamento de Paracelso,
expoente do pensamento vivo que dizia:
“Assim
como existem estrelas nos céus (macrocosmo), também há estrelas dentro do ser
humano. Portanto, nada existe no universo que não tenha seu equivalente no
microcosmo (o corpo humano)” e “O espírito do ser humano deriva das
constelações (estrelas fixas - sóis); sua alma, dos planetas; e seu corpo, dos
elementos”.
O Macrocosmo é a difusão infinita do cosmos em
suas ilhas, galáxias, nebulosas, estrelas, planetas, corpos celestes onde
inumeráveis formas de vida estão sempre evoluindo. O Microcosmo são as células de nosso corpo, incontáveis como as
estrelas do céu. A chave mestra que permite acesso à correlação entre macro e
microcosmos e que favorece a compreensão dos mistérios é:
“Como é em cima, assim é embaixo”.
A Astrologia pode ser vivenciada como
uma “tela” que permite o vislumbre da inter-relação das forças entre o
Macrocosmo e o Microcosmo, entre o externo a nós e o nosso interior, além de
ser um instrumento da realização da Lei de Consequência ou Lei de Causa e
Efeito. Assim, dentro de perspectiva que admite a possibilidade do renascer,
alguns pensamentos descrevem observações pertinentes ao pensar astrológico:
· “Viver para comer ao invés de comer
para viver”, pode implicar futuramente na colheita de complicações no aparelho
digestivo.
· A excessiva irritação, intolerância, impaciência,
impetuosidade, podem implicar futuramente na colheita de desordens
circulatórias e seus efeitos colaterais em todo o sistema: apoplexias,
derrames, varizes, pressão sanguínea irregular, etc.
· A impulsividade e o rancor podem
implicar futuramente na colheita de úlceras, artrites, disfunções glandulares,
insuficiência cardíaca, pressão baixa, problemas linfáticos.
· A atividade excessiva em função do
mal, caracterizada por comportamentos maleficamente agressivos, violentos e
vingativos pode implicar futuramente na colheita de baixa energia dinâmica assim
como de ausência de resistência a doenças; membros defeituosos, acidentes com
perda de membros; articulações sujeitas a artrites; dores musculares,
reumatismo e enxaquecas.
· O abuso da função sexual e sua utilização
apenas para a gratificação dos sentidos pode implicar futuramente na colheita de
falta de vitalidade, vontade fraca ou até debilidade mental.
· A recusa em gerar ou aceitar o filho
gerado, criá-lo e educá-lo pode implicar futuramente na colheita de disfunções
nos órgãos geradores, predisposição ao câncer de próstata ou laringe, útero,
seios e estômago.
Felizmente, SÓ COLHEMOS AQUILO QUE
SEMEAMOS.
A grande maioria das doenças
origina-se no comportamento negativo face às circunstâncias que, quase sempre,
envolvem nosso semelhante. Trata-se do antigo e misterioso conselho dado por
Cristo no Sermão da Montanha: “se qualquer membro do teu corpo te escandalizar
(o mau uso) arranca-o e joga-o fora...” Justo o que fazemos
literalmente antes de renascer!
Enquanto os exames médicos mostram as
condições de nosso corpo no momento da coleta, o horóscopo mostra as
enfermidades latentes e ativas em toda nossa vida terrestre. Deste modo temos
tempo suficiente para: prevenir-nos, minimizar os efeitos e até não desenvolver
essa enfermidade, pois: “as estrelas impelem, mas não obrigam”!
Através da astrodiagnose e terapia é
possível conhecer os melhores métodos para efetuar a cura, assim como o melhor tratamento
para cada paciente, além de ser possível observar o caráter do enfermo (forte,
débil, negativo, emocional). A partir desse estudo, é possível saber o dia em
que as crises tendem a se manifestar e quando as influências adversas
diminuirão.
Estamos sujeitos a enfermidades físicas,
psíquicas, sociais, mentais e espirituais. De acordo com a ciência
oculta, construímos nosso Corpo Denso e o
controlamos. Havendo doença nele somos levados a concluir que não fizemos nosso
trabalho de forma ideal. Isso é expresso nas duas classes de enfermidades
apontadas em um horóscopo:
·
Latentes
o São indicadas pelas aflições
planetárias no horóscopo quando nascemos.
o Podem permanecer latentes durante
toda a nossa vida terrestre.
o Dependem do nosso modo de vida: se
não respondemos às tendências indicadas pelas aflições planetárias, elas não se
manifestarão.
o Podemos atuar com nossa vontade até o
ponto de anular as indicações de nosso horóscopo.
·
Ativas
o São indicadas pelas aflições planetárias
no horóscopo quando nascemos, mas nós respondemos a essas aflições, através: de
pensamentos, sentimentos, palavras ou atos negativos, inferiores e destrutivos.
o As posições planetárias progredidas indicam
os momentos de atuação.
o Consertando o nosso modo de vida:
aliviaremos, suspenderemos ou seremos curados da enfermidade.
Para aplicarmos ao estudo dessa
ciência e arte de obter conhecimento científico das enfermidades, suas causas,
segundo indicações dos planetas, e dos meios de curar é necessário:
· Dedicar-nos ao conhecimento da
fisiologia e anatomia de nosso Corpo Denso.
· Usar esse conhecimento
altruisticamente na ajuda aos sofredores.
· Esquecer o próprio horóscopo e
dedicar o conhecimento a ajudar os outros.
· Fazer os exercícios de Retrospecção e de Concentração diariamente.
· Praticar mais a devoção no dia a dia.
· “Pregar o Evangelho e curar os
enfermos”.
O PODER DOS MANTRAS – VIVER É COMUNICAR
Comunicar é parte essencial do viver. Essa
ligação com o outro - por meio de uma vibração sonora, escrita ou mental - gera
um intercâmbio que transcende as palavras e nos sensibiliza para um “mantra”,
seja ele uma ideia, uma crença, um comportamento ou um sonho.
Cada um interioriza e irradia as informações que
reverberam em seu íntimo e, dependendo do conteúdo, atrai alegria ou tristeza,
saúde ou doença, união ou separação. Na visão de Michel Maffesoli (2003) a
comunicação entre as pessoas é o cimento social, o que promove o religare (religação).
Conhecido pela popularização do conceito de tribo urbana, o sociólogo francês
afirma que só existimos de fato e nos compreendemos na relação com o outro,
destacando a falta de sentido do individualismo.
O poder da palavra é evidenciado por Braden
(2007) no livro “O Efeito Isaías”, segundo o qual cada ser humano cria seu
código de conduta a partir das informações que recebe, fazendo escolhas a favor
ou contra a vida. Assim, as enfermidades, por exemplo, podem derivar de
escolhas e ações individuais e não apenas de causas exteriores. Percebe-se a
partir dessas observações que o uso consciente das palavras é uma forma de
resgatar a relação perdida consigo mesmo, com as outras pessoas e com o
Universo. É a “linguagem que move montanhas”, segundo Braden.
Em seu cotidiano, observe que ao chegar de mau
humor a um local, as outras pessoas não lhe parecerão bem também. Percepção que
muda completamente a partir de atitude mais disponível e sorriso no rosto. E é
isso mesmo: o corpo serve para compartilhar experiências individuais de raiva,
ciúme e ódio, mas também de amor, compaixão e perdão.
Ainda segundo Braden (2007), há cerca de 500
anos antes de Cristo, na cultura essênia, já se dizia que tudo o que se pensa,
fala ou faz constrói uma prece permanente, semelhante a um estado de constante
oração.
De fato, cada um, nessa prece ativa dos
“mantras” dominantes, projeta sua realidade e define a qualidade de seus
relacionamentos e saúde, além da presença, ou não, de abundância na vida.
Novamente, Jesus Cristo, segundo Mateus nos recorda isso ao dizer: “O que
contamina o homem não é o que entra na boca, mas o que sai da boca, isso é o
que contamina o homem”.
De acordo com a filosofia hermética, a realidade
se compõe de vários "tecidos" que se interpenetram, qualificando um
plano físico (território de estudo das ciências básicas convencionais) e vários
planos suprafísicos (território de estudo das ciências ocultas tradicionais).
Resumidamente, a região química do mundo físico é envolto e permeado pela
região etérica, que por sua vez é envolvido e transpassado pela
"matéria" da região do mundo do desejo, que é cercada e imersa na
"matéria" da região do mundo do pensamento.
Nesse arcabouço, as afirmações manifestas,
mental ou verbalmente, intencional ou inconscientemente, ganham força,
especialmente quando aliadas a sentimentos ou emoções intensas, atraindo e
sintonizando outras vibrações similares presentes na região etérica do mundo
físico e nas regiões inferiores do mundo do desejo (Heindel, 1909).
Nas regiões inferiores desses mundos, se
encontram vibrações destrutivas de medo, pobreza, doença, fracasso e miséria,
assim como nas regiões superiores são encontradas vibrações construtivas de
prosperidade, saúde, sucesso e felicidade (Hill, 2009).
Ao seguirmos essa linha de raciocínio fica claro
que um pensamento “potencializado” pela emoção é semelhante a uma semente que,
plantada em terra produtiva, brota e se multiplica em milhares da “mesma”
espécie. Um “poder” de criação
incalculável ao considerarmos que a mente humana gera, em média, 60 mil
pensamentos por dia (Byrne, 2015), sendo 60% a 70% deles negativos (Lucas, 2013).
O poder da palavra associada a emoções genuínas
é genialmente ilustrado por Tolstói (2001) no conto “Os Três Eremitas”. Ele
conta a história de um sacerdote que, em visita a uma ilha distante, decide
ensinar como rezar a três eremitas que lá habitavam. Com suas crenças, ele se
indigna com a forma simples dos eremitas pedirem a proteção divina: “Vós
sois três. Nós somos três. Tenha piedade de nós”.
Em sua função pedagógica ele dedica um dia inteiro
a ensinar o “Pai Nosso”. À noite, já se afastando em seu navio, o sacerdote é
surpreendido por uma luz distante no horizonte. Ele percebe então os três
eremitas correndo sobre as águas do mar rumo ao barco, em reverência e pesar, a
lhe perguntar sobre uma parte esquecida do Pai Nosso. Diante de insólita
situação, o sacerdote se rende à simplicidade da prece proferida por eles, com
a pureza d’alma que os caracteriza (Tolstói, 2001).
De forma lúdica, o poder dos conteúdos
veiculados foi explorado em filmes como “A Origem” (Inception), ficção
científica onde ideias são inseridas na mente das pessoas por meio dos sonhos
que se confundem com a realidade, e “Poder Além da Vida” (Peaceful Warrior),
baseado em fatos reais onde um ginasta se recupera de grave lesão ao reverter
sua forma de pensar por meio de “mantras” recebidos de um conselheiro (ou
mestre interior).
Os dois filmes explicitam os efeitos danosos de
temáticas negativas, nos âmbitos psicológico e emocional, assim como a
possibilidade de alcançar o equilíbrio, saúde e sucesso a partir do uso
consciente das palavras. Conteúdo semelhante é mostrado de forma jocosa na
comédia “As Mil Palavras”, onde a vida do personagem central é condicionada ao
número de palavras emitidas e à coerência de seu discurso com suas ações.
Assim, salta aos olhos o fato da qualidade de
vida do ser humano guardar relação íntima com o pensar e o sentir. Amigo leitor
como estão seus pensamentos e sentimentos, rendidos ao medo consequente ao
viver de modo reprodutivo, ou imersos na coragem do viver produtivo?
quarta-feira, 15 de novembro de 2017
O PODER DOS MANTRAS - UM UNIVERSO MÂNTRICO
Dizem que, no início dos tempos, um mantra ecoou do hálito divino: o OM.
Esse som primordial teve em si o poder de dar forma ao caos, permitindo a
criação do mundo em suas diferentes dimensões e seres. Presente no Universo
ainda hoje, ele simboliza o Ser Supremo e entoá-lo conduz a um estado de
introversão e harmonia; libera energias letárgicas e pode levar ao contato com
a Consciência Transcendental, DEUS.
A capacidade do Som de nos conectar com a essência divina é objeto de
vários estudos esotéricos. É descrita, por exemplo, uma relação entre a nota
tripla AUM e as diferentes dimensões do nosso corpo, e da nota espiritual OM
com nossas aspirações mais elevadas. Segundo Anglada (Na obra: Magia
Planetária Organizada), o OM é a expressão vibratória da Alma em seu
próprio plano, enquanto AUM é a vibração da alma em encarnação (a
personalidade) – sendo “A” expressão da mente, “U” do corpo de desejos (ou
corpo astral) e “M” do corpo físico.
Em busca dessa conexão e do estado de lucidez decorrente, o OM e outros
milhares de mantras sagrados são repetidos diariamente em várias linhagens
religiosas nas diferentes partes do mundo. De forma similar, são empregados os
vocábulos AMÉM e AMIN, que significam “Assim seja!”, como um pedido de
intervenção divina na criação de algo benéfico. Também orações como a Ave-Maria
e o Pai-Nosso são proferidas em busca desta confirmação e estado d’alma.
Mas, à semelhança do som repetitivo do Universo, tudo à nossa volta tem
caráter mântrico, repetitivo, a começar pela batida do coração. Do nascimento à
morte, imitamos o Universo e organizamos o caos interior, construindo
realidades a partir de “mantras”. São decretos transmitidos pela família e pela
sociedade de forma consciente ou inconsciente, e que indicam ou mesmo formatam
silenciosamente a forma “adequada” de sentir, proceder e viver.
Estas frases dominantes ou palavras de ordem expressam ideias ou
valores, mobilizam forças psíquicas e criam crenças e padrões de conduta. A
cada segundo, constroem a identidade e o campo mental / energético / espiritual
das pessoas, de comunidades e de nações. Seu poder de condicionamento independe
da forma de transmissão, seja oral, escrita ou telepática, assim como do teor,
positivo ou negativo. Esses verdadeiros “mantras” concretizam uma verdade
universal trazida à luz por Cristo e expressa no evangelho de Mateus como: “Pedi,
e vos será concedido” (Mateus 7:7).
quarta-feira, 11 de maio de 2016
SOBRE A MORTE E O MORRER
Por:
Rubem Alves
Já tive medo da morte. Hoje não tenho mais. O que sinto é uma
enorme tristeza. Concordo com Mário Quintana: “Morrer, que me importa? (...) O
diabo é deixar de viver.” A vida é tão boa! Não quero ir embora...
Eram 6h. Minha filha me acordou. Ela tinha três anos. Fez-me
então a pergunta que eu nunca imaginara: “papai, quando você morrer, você vai
sentir saudades?”. Emudeci. Não sabia o que dizer. Ela entendeu e veio em meu
socorro: “não chore, que eu vou te abraçar...” Ela, menina de três anos, sabia
que a morte é onde mora a saudade.
Cecília Meireles sentia algo parecido: “E fico a imaginar se
depois de muito navegar a algum lugar enfim se chega... O que será, talvez, até
mais triste. Nem barcas, nem gaivotas. Apenas pobres humanas companhias... Com
que tristeza o horizonte avisto, aproximado e sem recurso. Que pena a vida seja
só isto...”.
Da. Clara era uma velhinha de 95 anos, lá em Minas. Vivia uma
religiosidade mansa, sem culpas ou medos. Na cama, cega, a filha lhe lia a
Bíblia. De repente, ela fez um gesto, interrompendo a leitura. O que ela tinha
a dizer era infinitamente mais importante. “Minha filha, sei que minha hora
está chegando... Mas, que pena! A vida é tão boa...”.
Mas tenho muito medo de morrer. O morrer pode vir acompanhado de
dores, humilhações, aparelhos e tubos enfiados em meu corpo, contra a minha
vontade, já não sou mais dono de mim mesmo; solidão, ninguém tem coragem ou
palavras para, de mãos dadas comigo, falar sobre a minha morte, medo de que a
passagem seja demorada. Bom seria se, depois de anunciada, ela acontecesse de
forma mansa e sem dores, longe dos hospitais, em meio às pessoas que se ama, em
meio a visões de beleza.
Mas a medicina não entende. Um amigo contou-me dos últimos dias
do seu pai, já bem velho. As dores eram terríveis. Era-lhe insuportável a visão
do sofrimento do pai. Dirigiu-se então, ao médico: “O senhor não poderia
aumentar a dose dos analgésicos?”. O médico olhou-o com olhar severo e disse:
“O senhor está sugerindo que eu pratique a eutanásia?”.
Há dores que fazem sentido, como as dores do parto: uma vida
nova está nascendo. Mas há dores que não fazem sentido nenhum. Seu velho pai
morreu sofrendo uma dor inútil. Qual foi o ganho humano? Que eu saiba, apenas a
consciência apaziguada do médico, que dormiu em paz por haver feito aquilo que
o costume mandava; costume a que frequentemente se dá o nome de ética.
Outro velhinho querido, 92 anos, cego, surdo, todos os
esfíncteres sem controle, numa cama – de repente um acontecimento feliz! O
coração parou. Ah, com certeza fora o seu anjo da guarda, que assim punha um
fim à sua miséria! Mas o médico, movido pelos automatismos costumeiros,
apressou-se a cumprir o seu dever; debruçou-se sobre o velhinho e o fez
respirar de novo. Sofreu inutilmente por mais dois dias antes de tocar de novo
o acorde final.
Dir-me-ão que é dever dos médicos fazer todo o possível para que
a vida continue. Eu também, da minha forma, luto pela vida. A literatura tem o
poder de ressuscitar os mortos. Aprendi com Albert Schweitzer que a “reverência
pela vida“ é o supremo princípio ético do amor. Mas o que é vida? Mais
precisamente, o que é a vida de um ser humano?
O que e quem a define? O coração que continua a bater num corpo
aparentemente morto? Ou serão os ziguezagues nos vídeos dos monitores, que
indicam a presença de ondas cerebrais?
Confesso que, na minha experiência de ser humano, nunca me
encontrei com a vida sob a forma de batidas de coração ou ondas cerebrais. A
vida humana não se define biologicamente. Permanecemos humanos enquanto existe
em nós a esperança da beleza e da alegria. Morta a possibilidade de sentir
alegria ou gozar a beleza, o corpo se transforma numa casca de cigarra vazia.
Muitos dos chamados “recursos heroicos” para manter vivo o paciente
são, do meu ponto de vista, uma violência ao princípio da “reverência pela
vida”. Porque, se os médicos dessem ouvidos ao pedido que a vida está fazendo,
eles a ouviriam dizer: “Liberta-me”.
Comovi-me com o drama do jovem francês Vincent Humbert, de 22
anos, há três anos cego, surdo, mudo, tetraplégico, vítima de um acidente
automobilístico. Comunicava-se por meio do único dedo que podia movimentar. E
foi assim que escreveu um livro em que dizia: “Morri em 24 de setembro de 2000
desde aquele dia, eu não vivo. Fazem-me viver. Para quem, para que, eu não
sei...”. Implorava que lhe dessem o direito de morrer. Como as autoridades,
movidas pelo costume e pelas leis, se recusassem, sua mãe realizou seu desejo.
A morte o libertou do sofrimento.
Dizem as escrituras sagradas: “Para tudo há o seu tempo. Há
tempo para nascer e tempo para morrer”. A morte e a vida não são contrárias.
São irmãs. A “reverência pela vida” exige que sejamos sábios para permitir que
a morte chegue quando a vida deseja ir. Cheguei a sugerir uma nova
especialidade médica, simétrica à obstetrícia: a “morienterapia”, o cuidado com
os que estão morrendo. A missão da morienterapia seria cuidar da vida que se
prepara para partir. Cuidar para que ela seja mansa, sem dores e cercada de
amigos, longe das UTIs. Já encontrei a padroeira para essa nova especialidade:
a “Pietá” de Michelangelo, com o Cristo morto nos seus braços. Nos braços
daquela mãe o morrer deixa de causar medo.
segunda-feira, 16 de junho de 2014
CORPUS CHRISTI - A "PEDRA ANGULAR"
Veja também: CORPUS CHRISTI - DO LATIM CORPO DE CRISTO
Texto escrito há 74 anos atrás por: René Guénon(*) (1)
O simbolismo da "pedra
angular" na tradição cristã é baseado neste texto: "A pedra que os
construtores rejeitaram tornou-se a principal pedra de ângulo" ou, mais
precisamente, "a cabeça de ângulo" (caput anguli)(2). O estranho é que esse simbolismo é
quase sempre mal compreendido, como resultado de uma confusão comumente feita
entre a "pedra angular" e a "pedra fundamental", à qual se
refere este outro texto ainda mais conhecido: "Tu és Pedro e sobre esta
pedra edificarei a minha Igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra
ela"(3). Tal confusão é estranha, dizemos, porque do ponto de
vista especificamente cristão equivale a confundir São Pedro com o próprio CRISTO,
visto ser este designado de forma expressa como "pedra angular", tal como
mostra esta passagem de São Paulo, que, além do mais, distingue-a claramente
das "fundações" do edifício: "Sois um edifício construído sobre
o fundamento dos apóstolos e profetas, com o próprio Jesus CRISTO como pedra
principal do ângulo (summo angulari lapide);
nele, bem ajustado, o edifício inteiro se ergue em templo sagrado, no Senhor; e
vós, também, nele sois co-edificados para serdes uma habitação de Deus, no
Espírito(4). Se o equívoco em questão fosse apenas moderno, sem
dúvida não haveria motivo para surpresa, mas parece já encontrar-se em tempos
nos quais não é mais possível atribuí-lo pura e simplesmente à ignorância do
simbolismo. Somos portanto levados a perguntar se, na realidade, não se
trataria antes, na origem, de uma “substituição” intencional, que explica o
papel de São Pedro como "substituto" de CRISTO (no latim vicarius, correspondendo nesse sentido ao
árabe Khalîfah). Se assim for, esse
modo de “velar” o simbolismo da "pedra angular" parece indicar que esta
era algo que encerrava um particular mistério, e veremos a seguir que tal
suposição está longe de ser injustificada(5). Seja como for, existe
nesta identificação das duas pedras, mesmo do ponto de vista da lógica simples,
o que é claramente uma impossibilidade, desde que se examinem com um pouco de
atenção os textos citados acima: a "pedra fundamental" é colocada em
primeiro lugar, exatamente no início da construção de um edifício (e é por isso
que ela é também denominada "primeira pedra")(6). Consequentemente,
como poderia ela ser transferida durante o desenrolar da própria construção?
Para que assim seja, é preciso ao contrário que a “pedra angular” tenha uma tal
forma que não possa ainda encontrar seu lugar. E de fato, como veremos, ela só
pode encontrá-lo no momento da conclusão do edifício como um todo, tornando-se,
assim, em realidade a "cabeça de ângulo".
Em um artigo já
mencionado(7), Ananda Coomaraswamy observou que a intenção do texto
de São Paulo é evidentemente representar CRISTO como o único princípio do qual depende
todo o edifício da Igreja, acrescentando que "o princípio de uma coisa não
é nem uma de suas partes em relação às demais, nem a totalidade de suas partes,
mas sim aquilo a que todas as partes são reduzidas numa unidade sem composição".
A "pedra fundamental" (foundation-stone)
pode também em certo sentido, denominar-se a "pedra de ângulo" (corner-stone) tal como se faz habitualmente,
porque ela é colocada em um ângulo ou em um canto (corner) do edifício(8), mas ela não é única nesse caso,
pois o edifício tem necessariamente quatro ângulos. Mesmo que se queira falar da
“primeira pedra” em particular, ela não difere em nada das pedras de base dos
outros ângulos, com exceção de sua localização (9), e não se
distingue nem por sua função nem por sua forma, nada mais sendo, em suma, que um
dentre os quatro suportes iguais entre si. Seria possível dizer que qualquer
uma dessas quatro corner-stones
“reflete” de alguma forma o princípio dominante do edifício, mas não se poderia
de forma alguma considerá-la como o próprio princípio(10). Além
disso, se a questão estivesse aí na verdade, não se poderia logicamente falar "da
pedra angular", visto que, de fato, seriam quatro. Esta, portanto deve ser
em essência alguma coisa diferente da corner-stone,
entendida no sentido corrente de "pedra fundamental", tendo apenas em
comum o caráter de pertencerem ao mesmo simbolismo "construtivo".
Acabamos
de nos referir à forma da "pedra angular", o que é de fato um ponto
particularmente importante, pois esta pedra tem uma forma especial e única, que
a diferencia de todas as outras, e também porque não só não encontra seu lugar no
transcurso da construção, como que ainda os próprios construtores não podem
sequer entender qual seja sua finalidade. Se eles a compreendessem, é evidente
que não a rejeitariam e se contentariam em guardá-la até o fim. Porém,
perguntam-se: “o que farão com a pedra”? – e não podendo encontrar uma resposta
satisfatória para esta questão decidem, acreditando-a inutilizável, “lançá-la
entre os entulhos” (to heave it over
among the rubbish)(11). O destino da pedra só pode ser
compreendido por outra categoria de construtores, que não intervém ainda nesse
estágio: são os que transpuseram “o esquadro e o compasso”, e por essa distinção
é preciso naturalmente entender a diferença das formas geométricas que esses
dois instrumentos servem para traçar, isto é, o quadrado e o círculo, que
simbolizam de um modo geral, como se sabe, a Terra e o Céu. Aqui, a forma
quadrada correspondente à parte inferior do edifício, e a forma circular a sua
parte superior, que, nesse caso, deve ser constituída por um domo ou uma abóbada(12).
De fato, a "pedra angular" é na realidade uma “chave de abóbada” (Keystone). A. Coomaraswamy diz que, para
exprimir o verdadeiro significado da expressão "tornou-se a cabeça do
ângulo” (is become the head of the corner)
poder-se-ia traduzi-la por is become the
keystone of the arch, o que é perfeitamente exato. E assim essa pedra,
tanto por sua forma, quanto por sua posição, é, com efeito, a única no edifício
todo, tal como deve ser para poder simbolizar o princípio do qual tudo depende.
Poderá parecer surpreendente que a representação do princípio seja apenas
colocada em último lugar na construção; esta, porém em seu conjunto, poderíamos
dizer, está ordenada em relação a ela (o que São Paulo expressa ao dizer que
"nela o edifício inteiro se ergue em templo sagrado, no Senhor"), e que
é nela finalmente que encontra a sua unidade. Existe aí, também, uma aplicação
da analogia, como explicado por nós em outras ocasiões, entre
"primeiro" e o "último" ou o "princípio" e o "fim":
a construção representa a manifestação em que o princípio só aparece como o
arremate último. É precisamente em virtude dessa mesma analogia que a "primeira
pedra" ou "pedra fundamental", pode ser considerada como um
"reflexo" da "última pedra", que é a verdadeira "pedra
angular".
O equívoco implícito em
uma expressão como corner-stone repousa
em definitivo sobre os diversos sentidos possíveis da palavra "ângulo".
Coomaraswamy observa que, nas diferentes línguas, as palavras que significam
"ângulo" estão com frequência relacionadas a outras que significam
"cabeça" e "extremidade": no grego kephalê, “cabeça”, e na arquitetura “capitel” (capitulum, diminutivo de caput)
só pode aplicar-se a um topo; porém akros
(sânscrito agra) pode indicar uma extremidade em qualquer direção, ou seja, no
caso de um edifício, tanto o topo como um dos quatro “cantos” (sendo esta
última palavra, coin no francês, etimologicamente
aparentada do grego gônia, “ângulo”)
ainda que muitas vezes se aplique de preferência ao topo. Porém, o mais
importante do ponto de vista dos textos sobre a "pedra angular" na
tradição judaico-cristã, é a consideração da palavra hebraica que significa "ângulo"
– a palavra pinnah – encontrada em
expressões como eben pinnah, “pedra
de ângulo”, e rosh pinnah, “cabeça de
ângulo”. Mas é particularmente notável que, figurativamente, a mesma palavra pinnah é usada para significar “chefe”.
Uma expressão que designa os “chefes do povo” (pinnoth ha-am) é traduzida literalmente na Vulgata por angulos populorum(13). O
"chefe" é etimologicamente o "cabeça" (caput) e pinnah liga-se
por sua raiz a pnê, que significa
"face". É evidente a estreita relação entre as ideias de
"cabeça" e de "face" e, além disso, o termo "face"
pertence a um simbolismo em geral muito difundido e que mereceria ser examinado
à parte(14).
Outra ideia conexa é a de
“ponta” (que se encontra no sânscrito agra,
no grego akros, no latim acer e acies). Já falamos do simbolismo das pontas a propósito das armas e
cornos(15), e vimos que se refere à ideia de extremidade e, mais
particularmente com respeito à extremidade superior, ou seja, o ponto mais elevado
ou o topo. Todos esses paralelos apenas confirmam o que dissemos a respeito da
situação da “pedra angular” no topo do edifício: mesmo existindo outras “pedras
angulares” no sentido mais geral dessa expressão(16), só aquela é na
realidade “a pedra angular” por excelência.
Podemos encontrar outras
indicações interessantes nas significações da palavra árabe rukn, "ângulo" ou
"canto". Essa palavra, por designar as extremidades de uma coisa, ou
seja, suas partes mais recuadas e, portanto, mais ocultas (recondita e abscondita,
poderíamos dizer em latim), toma, às vezes, o sentido de "segredo" ou
de "mistério". Sob esse aspecto, o plural arkân está próximo ao latim arcanum,
que tem o mesmo sentido, e com o qual apresenta uma semelhança surpreendente.
Quanto ao mais, na linguagem dos hermetistas pelo menos, emprego do termo
“arcano” foi certamente influenciado de uma forma direta pela palavra árabe em
questão(17). Por outro lado, rukn
tem ainda o sentido de “base” ou “fundação”, o que nos reconduz à corner-stone entendida como "pedra fundamental".
Na terminologia alquímica, el-arkân,
quando essa designação é empregada sem outra indicação, refere-se aos quatro
elementos, isto é, às “bases” substanciais do nosso mundo, que são comparáveis,
assim, às pedras de base dos quatro ângulos de um edifício, visto ser sobre
elas que de algum modo, é construído todo o mundo corporal (representado pela
forma quadrada(18)). E por aí retornamos diretamente ao próprio simbolismo
que nos ocupa no momento. De fato, não existem apenas esses quatro arkân ou elementos "básicos",
mas também um quinto rukn, um quinto
elemento ou a "quintessência" (isto é, o éter, el-athîr), que não se encontra no mesmo "plano" dos
outros, pois não é simplesmente uma base como eles, mas sim o próprio princípio
deste mundo(19). Ele será, portanto, representado pelo quinto
"ângulo" do edifício, localizado em seu topo. É a esse "quinto",
na realidade o "primeiro", que convém propriamente a designação de ângulo
supremo, de ângulo por excelência ou "ângulo dos ângulos" (rukn el-arkân), pois é nele que a
multiplicidade dos outros ângulos fica reduzida à unidade(20). Podemos
ainda notar que a figura geométrica obtida pela junção desses cinco ângulos é a
pirâmide com base quadrangular: as arestas laterais da pirâmide emanam do seu topo
como raios, do mesmo modo que os quatro elementos comuns, representados pelas
extremidades inferiores dessas arestas, procedem do quinto e são produzidos por
ele. É também de acordo com essas mesmas arestas, que intencionalmente
comparamos aos raios por essa razão (e também em virtude do caráter "solar"
do ponto do qual provêm, conforme examinamos ao tratar do “olho” por domo), que
a "pedra angular" do topo se "reflete" em cada uma das "pedras
fundamentais" dos quatro ângulos da base.
Enfim, no que acaba de
ser dito encontra-se a indicação muito clara de uma correlação entre o
simbolismo alquímico e o simbolismo arquitetônico, que se explica, aliás, pelo
seu caráter "cosmológico" comum. Trata-se de um ponto importante, sobre
o qual voltaremos a propósito de outros paralelos da mesma ordem.
A "pedra
angular", tomada em seu sentido verdadeiro de pedra "do topo", é
designada ao mesmo tempo, em inglês, por keystone,
capstone (encontrando-se às vezes escrito capestone), e por copestone
(ou coping-stone). A primeira destas
três palavras é facilmente compreensível, pois é o equivalente exato do termo
“chave de abóbada” (ou de arco, pois a palavra pode na realidade aplicar-se
tanto à pedra que forma o topo de um arco, como o de uma abóbada). Mas as duas
outras palavras pedem maiores explicações. Em capstone, a palavra cap é
evidentemente o caput latino, “cabeça”,
o que nos leva à designação desta pedra como a "cabeça de ângulo"; é
exatamente a pedra que “acaba” ou “coroa” um edifício; é ainda um capitel, ou
seja, o “coroamento” de uma coluna(21). Falávamos do "acabamento",
e ambas as palavras, cap e
"cabeça", são de fato etimologicamente idênticas(22). A capstone é, portanto o chef, o "cabeça" do edifício
ou da “obra”, e devido à sua forma especial, que para ser talhada requer
conhecimentos ou capacidades particulares, é também, ao mesmo tempo uma chef-d’oeuvre (ou seja, uma
“obra-prima”, uma “obra capital”) nos termos das corporações de ofícios(23).
É através dela que o edifício fica completamente terminado, ou, em outros
termos, é finalmente levado à sua "perfeição"(24).
Quanto ao termo copestone, a palavra cope expressa a ideia de “cobrir”, mas
também, e diríamos mesmo sobretudo, porque essa pedra se coloca de modo a
cobrir a abertura do topo, ou seja, o "olho" do domo ou da abóbada, do
qual falamos acima(25). É em suma, sob esse aspecto, o equivalente
de uma roof-plate, tal como observa Coomaraswamy,
o qual acrescenta ainda que essa pedra pode ser considerada como a terminação
superior ou o capitel do "pilar axial" (skambha sânscrito, stauros
no grego)(26). Esse pilar, como já explicamos, pode não estar representado
materialmente na estrutura do edifício, mas nem por isso deixa de ser sua parte
essencial, em torno da qual se ordena todo o conjunto. O caráter de topo do "pilar
axial" presente de uma forma apenas "ideal", é indicado de um
modo particularmente surpreendente no caso em que a “chave de abóbada” desce em
forma de “pendente”, passando para o interior do edifício, sem ser suportado de
modo visível por nada em sua parte inferior(27). Toda a construção
tem seu princípio nesse pilar e todas as suas diferentes partes vêm finalmente
unificar-se em sua “cumeeira”, que é o topo desse mesmo pilar e a “chave de
abóbada” ou a “cabeça de ângulo”(28).
A
interpretação real da "pedra angular" como "pedra do topo"
parece ter sido muito bem conhecida de modo geral na Idade Média, tal como
mostra em particular uma ilustração do Speculm
Humanae Salvationis, abaixo reproduzido(29). Essa obra foi muito
difundida, pois existem dela ainda várias centenas de manuscritos.
Vemos nessa ilustração dois pedreiros
com uma espátula numa das mãos e, com a outra, sustentam a pedra que se
preparam para colocar no topo de um edifício (aparentemente a torre de uma
igreja, onde a pedra deve completar o topo), o que não deixa qualquer dúvida
quanto à sua significação. Deve notar-se, no que se refere a esta figura, que a
pedra em questão, enquanto “chave de abóbada”, ou qualquer outra função
semelhante, de acordo com a estrutura do edifício que irá "coroar", só
pode, em virtude de sua própria forma, ser colocada pelo alto (sem o que,
aliás, é evidente que poderia cair no interior do edifício). Por isso, ela
representa de algum modo a "pedra descida do céu", expressão
perfeitamente aplicável a CRISTO(30), e que lembra também a pedra do
Graal (o lapsit exilis de Wolfram von Eschenbach, que pode ser interpretado
como lapis ex coelis)(31).
Existe ainda outro ponto importante a observar: o Sr. Erwin Panofsky apontou
que a mesma figura mostra a pedra com a aparência de um objeto em forma de
diamante (o que a aproxima de novo da pedra do Graal, igualmente descrita como tendo sido talhada facetada). Essa
questão merece um exame mais detalhado, porque, embora essa representação
esteja longe de constituir o caso mais geral, diz respeito a outros aspectos do
simbolismo complexo da "pedra angular", além daqueles que estudamos até
aqui, e que também são interessantes para destacar os seus laços com todo o
conjunto do simbolismo tradicional.
Antes
de chegar a este ponto, no entanto, resta-nos uma questão acessória por
elucidar. Falávamos que a "pedra do topo" pode não ser uma "chave
de abóbada" em todos os casos e, na verdade, ela só o é em uma construção
cuja parte superior tem a forma de domo. Em qualquer outro caso, como no de uma
construção encimada por um teto pontiagudo ou em forma de tenda, nem por isso
deixa de existir uma "última pedra" que, colocada no topo, desempenha
desse ponto de vista o mesmo papel da "chave de abóbada" e, portanto,
também corresponde a esta simbolicamente, sem contudo ser possível designá-la
por esse nome. É preciso também falar no caso especial do pyramídion, já aludido em outra ocasião. Deve ficar claro que, no
simbolismo dos construtores medievais, que se baseia na tradição judaico-cristã
e está ligada à construção do Templo de Salomão(32), é certo que se
trata, no que diz respeito à "pedra angular", de uma “chave de
abóbada”. E se a forma exata do Templo de Salomão deu margem a discussões do
ponto de vista histórico, concorda-se em todo caso que sua forma não era piramidal.
Trata-se de fatos que precisamos necessariamente levar em conta na
interpretação dos textos bíblicos que se referem à "pedra angular"(33).
O pyramídion, ou seja, a pedra que forma a ponta superior da
pirâmide, não é de forma alguma uma "chave de abóbada", mas nem por
isso deixa de ser o “coroamento” do edifício, e podemos observar que ele
reproduz reduzidamente a forma da pirâmide inteira, como se toda a estrutura estivesse
assim sintetizada nessa pedra única; a expressão "cabeça de ângulo",
literalmente, lhe convém de forma exata, assim como o sentido figurado da palavra
hebraica "ângulo", que designa o "chefe", especialmente
porque a pirâmide, a partir da multiplicidade da base alcança gradualmente a
unidade no topo, sendo com frequência considerada como símbolo de uma
hierarquia. Por outro lado, segundo o que explicamos antes, a respeito do topo e
dos quatro ângulos da base, em conexão com o significado da palavra árabe rukn, poderíamos dizer que a forma da
pirâmide está de algum modo implicitamente contida em toda estrutura
arquitetônica. O simbolismo "solar" dessa forma, que indicamos então,
encontra-se expresso em particular no pyramídion,
como mostrado de modo claro as diversas descrições arqueológicas citadas por
Coomaraswamy: o ponto central ou topo corresponde ao próprio Sol, e as quatro faces
(cada uma das quais compreendidas entre dois "raios" extremos que delimitam
o domínio por ela representado) têm os mesmos aspectos secundários do próprio Sol,
em relação aos quatro pontos cardeais, para os quais essas faces estão respectivamente
voltadas. Apesar de tudo, não é menos verdadeiro que o pyramídion seja apenas um caso particular da "pedra
angular" e só a representa em uma forma tradicional especial, ou seja, a
dos antigos egípcios. Para corresponder ao simbolismo judaico-cristão dessa
pedra, que pertence a outra forma tradicional, seguramente muito diferente,
falta-lhe um caráter essencial, que é o de ser uma "chave de abóbada".
Dito isto, podemos voltar
para a configuração da "pedra angular" sob a forma de um diamante. Coomaraswamy,
no artigo a que nos referimos, parte de uma observação feita a respeito da
palavra alemã Eckstein, que tem ao
mesmo tempo o sentido de 'pedra angular' e de 'diamante'(34). Ele
lembra, a propósito, os significados simbólicos do vajra, que já consideramos em diversas oportunidades: de um modo geral,
a pedra ou metal, considerado como o que há de mais duro e brilhante, foi
tomado nas diferentes tradições como "um símbolo de indestrutibilidade,
invulnerabilidade, estabilidade, luz e imortalidade". E, em particular, essas
qualidades são frequentemente atribuídas ao diamante. A ideia de "indestrutibilidade"
ou de "indivisibilidade" (ambas estão intimamente ligadas e são expressas
no sânscrito pela mesma palavra akshara)
convém evidentemente à pedra que representa o princípio único do edifício (pois
a verdadeira unidade é essencialmente invisível). A ideia de "estabilidade"
que, na ordem arquitetônica, se aplica com propriedade a um pilar, cabe igualmente
a essa mesma pedra que constitui o capitel do "pilar axial", que por
sua vez, simboliza o "Eixo do Mundo". Este último, que Platão em
especial descreve como um "eixo do diamante" é também, por outro
lado, um "pilar de luz" (como um símbolo de Agni e como "raio solar"). E, com mais forte razão, esta
última qualidade se aplica ("eminentemente", poderíamos dizer) ao seu
"coroamento", representando a própria fonte de onde emana enquanto
raio luminoso(35). No simbolismo hindu e budista, tudo o que tem uma
significação "central" ou "axial" é geralmente comparado ao
diamante (por exemplo, em expressões como vajrâsana,
'trono de diamante'). É fácil dar-se conta de que todas essas associações são
parte de uma tradição que se pode dizer verdadeiramente universal.
E isso ainda não é tudo: o
diamante é considerado a "pedra preciosa" por excelência. E enquanto "pedra
preciosa", é também um símbolo de CRISTO, que se encontra desse modo identificado
a outro símbolo seu, a "pedra angular", ou então, se o preferimos, esses
dois símbolos ficam assim reunidos em um só. Pode-se dizer então que a “pedra
angular”, enquanto representa um "acabamento" ou uma "realização"(36),
é, na linguagem da tradição hindu, um chintâmani,
equivalente à expressão alquímica ocidental "Pedra Filosofal"(37).
É muito significativo, sob esse ponto de vista, que os hermetistas cristãos falem
de CRISTO como sendo a verdadeira "Pedra Filosofal", com a mesma
frequência que se referem a Ele como "Pedra Angular"(38). Desta
forma, somos reconduzidos ao que dizíamos antes a propósito do duplo sentido em
que pode compreender-se a expressão árabe rukn
el-arkân, sobre a correspondência existente entre os simbolismos arquitetônico
e alquímico.
Para terminar com uma nota
de alcance geral este estudo já longo, mas sem dúvida incompleto, pois trata-se
de assunto quase inesgotável, podemos acrescentar que a própria correspondência
entre os simbolismos da arquitetura e da alquimia nada mais é, no fundo, que um
caso particular da que existe também, ainda que de um modo talvez nem sempre
tão manifesto, entre todas as ciências e artes tradicionais, que são simplesmente,
na realidade, expressões e aplicações diversas das mesmas verdades e ordem primordial
e universal.
NOTAS
(*) René Guénon, Símbolos
fundamentales de la ciencia sagrada, Editorial Universitaria de Buenos Aires,
1988. Capítulo XLIII.
(1) [Publicado en É. T., abril-mayo
de 1940..]
(2) Salmo CVIII, 22; San Mateo, XXI,
42; San Marcos, XII, 10; San Lucas, XX, 17.
(3) San Mateo, XVI, 18.
(4) Efesios, II, 20-22.
(5) La "sustitución" pudo
haber sido favorecida también, por la similitud fónica existente entre el
nombre el nombre hebreo [arameo] Kêfáh, 'piedra', y la palbra griega kephalê,
'cabeza'; pero no hay entre ambos vocablos otra relación, y el fundamento de un
edificio no puede identificarse, evidentemente, con su "cabeza", es
decir, con su sumidad, lo que equivaldría a invertir el edificio íntegro; por
otra parte, cabría preguntarse también si esa "inversión" no tiene
alguna correspondencia simbólica con la crucificción de San Pedro, cabeza
abajo.
(6) Esta piedra debe situarse en el
ángulo nordeste del edificio; notaremos a este propósito que cabe distinguir,
en el simbolismo de San Pedro, varios aspectos o funciones a las cuales corresponden
"situaciones" diferentes, pues, por otra parte, en cuanto ianitor
['portero'], su lugar está en occidente, donde se encuentra la entrada de toda
iglesia normalmente orientada; además, San Pedro y San Pablo están también
representados como las dos "columnas" de la Iglesia, y entonces se
los figura habitualmente al uno con las llaves y al otro con la espada, en la
actitud de dos dvârapâla [vaksha o 'genios' que guardan el umbral de ciertas
puertas sagradas, en el hinduismo].
(7) "Eckstein", en la
revista Speculum, número de enero de 1939 [reseña de R. Guénon en É.T., mayo de
1939].
(8) En este estudio nos veremos
obligados a referirnos a menudo a los términos "técnicos" ingleses,
porque, pertenecientes primitivamente al lenguaje de la antigua masonería operativa,
han sido conservados en su mayoría en los rituales de la Royal Arch Masonry y
de los grados accesorios vinculados con ella, rituales de los que no existe
equivalente en nuestra lengua; y se verá que algunos de esos términos son de
traducción muy difícil.
(9) Según el ritual operativo, esta
"primera piedra" es, según lo hemos dicho, la del ángulo nordeste;
las piedras de los demás ángulos se colocan posterior y sucesivamente según el
sentido del curso aparente del sol, es decir, en el sudeste, sudoeste,
noroeste.
(10) Esta "reflexión" está
evidentemente relacionada de modo directo con la situación mencionada antes.
(11) La expresión "to heave
over" es bastante singular, y al parecer inusitada en ese sentido en
inglés moderno; parecería poder significar 'levantar' o 'elevar', pero, según
el resto de la frase citada, es claro que en realidad se aplica aquí al acto de
"arrojar" la piedra rechazada.
(12) Esta distinción es, en otros
términos, la de la Square Masonry y la Arch Masonry, que, por sus respectivas
relaciones con la "tierra" y el "cielo", o con las partes
del edificio que las representan, están aquí en correspondencia con los
"pequeños misterios" y los "grandes misterios"
respectivamente. [Véase cap. XXXIX, notas 4 y 5 (N. del T.)]
(13) I Samuel, XIV, 38; la versión
griega de los Setenta emplea igualmente aquí la palabra gônía.
(14) Cf. A. M. Hocart, Les Castes,
pp. 151-54, acerca de la expresión "faces de la tierra" empleada en
las islas Fiji para designar a los jefes. La palabra griega Kárai servía, en
los primeros siglos del cristianismo, para designar las cinco "faces"
o "caras" o "cabezas" de la Iglesia, es decir, los cinco
patriarcados principales, cuyas iniciales reunidas formaban precisamente esa
palabra: Costantinopla, Alejandría, Roma, Antioquía, Jerusalén [=Ierousalêm].
(15) Cabe advertir que la palabra
inglesa corner es evidentemente un derivado de cone [francés, 'cuerno'].
(16) En este sentido, las cuatro
piedras angulares no existen solamente en la base, sino también en un nivel
cualquiera de la construcción; y esas piedras son todas de la misma forma
común, rectilínea y rectangular (es decir, talladas on the square, pues la
palabra square tiene la doble significación de 'escuadra' y 'cuadrado'),
contrariamente a lo que ocurre en el caso único de la keystone.
(17) Podría resultar de interés
investigar si puede existir un parentesco etimológico real entre la palabra
árabe y la latina, incluso en el uso antiguo de esta última (por ejemplo, en la
disciplina arcani de los cristianos de los primeros tiempos ), o si se trata
solo de una "convergencia" producida solo ulteriormente, entre los
hermetistas medievales.
(18) Esta asimilación de los
elementos a los cuatro ángulos de un cuadrado está también en relación,
naturalmente, con la correspondencia que existe entre esos elementos y los
puntos cardinales.
(19) Estaría en el mismo plano (en su
punto central) si este plano se tomara como representación de un estado de
existencia íntegro; pero no siempre es el caso aquí, pues el edificio total es
una imagen del mundo. Observemos, a este respecto, que la proyección horizontal
de la pirámide a que nos referíamos más arriba está constituida por el cuadrado
de la base con sus diagonales, y las aristas laterales se proyectan según las
diagonales y el vértice en el punto de encuentro de estos elementos, o sea en
el centro mismo del cuarado.
(20) En el sentido de
"misterio", que hemos indicado, rukn el-arkàn equivale a sirr
el-asrâr ['misterio de los misterios', 'misterio supremo'], representado, según
lo hemos explicado en otra oportunidad, por el extremo superior de la letra
álif; como el álif mismo figura el "Eje del Mundo", esto, según se
verá en seguida, corresponde con toda exactitud a la posición de la keystone.
(21) El término de
"coronamiento" ha de relacionarse aquí con la designación de la
"coronilla" craneana, en razón de la asimilación simbólica, que hemos
señalado anteriormente, entre el "ojo" de la cúpula y el
Brahmarandhra [séptimo y último chakra, o sea "órgano o centro
sutil", cuyo "despertar" corresponde a la culminación del
Kundalinî-Yogal]; sabido es, por lo demás, que la corona, como ls cuernos,
expresa esencialmente la idea de elevación. Cabe notar también a este respecto
que el juramento del grado de Royal Arch contiene una alusión a la
"coronilla" (the crown of the skull), la cual sugiere una relación
entre la apertura de ésta (como en los ritos de trepanación póstuma) y el acto
de quitar (removing) la keystone; por lo demás, de modo general, las llamadas
"penalidades" formuladas en los juramentos de los diferentes grados
masónicos, así como los signos que a ellas corresponden, se refieren en
realidad a los diversos centros sutiles del ser humano.
(22) En la significación de la
palabra "acabar", o en la expresión equivalente 'llevar a cabo', la
idea de "cabeza" [caput] está asociada a la de "fin", lo
que responde perfectamente a la situación de la "piedra angular",
conocida a la vez como "piedra cimera" y como "última
piedra" del edificio. Mencionaros aún otro término derivado de caput: en
francés se llama chevet ('cabecera')- y en español "cabecera" o
"testero"- de una iglesia a la extremidad oriental donde se encuentra
el ábside, cuya forma semicircular corresponde, en el plano horizontal, a la
cúpula en elevación vertical, según lo hemos explicdo en otra ocasión.
(23) La palabra "obra" se
emplea a la vez en arquitectura y en alquimia, y se verá que no sin razón
relacionamos ambas cosas: en arquitectura, la conclusión de la obra es la
"piedra angular", y en alquina, la "piedra filosofal".
(24) Es de notar que, en ciertos
ritos masónicos, los grados que corresponden más o menos exactamente a la parte
superior de la construcción de que aquí se trata (decimos más o menos
exactamente, pues a veces hay en todo ello cierta confusión) se designan precisamente
con el nombre de "grados de perfección". Por otra parte, el vocablo
"exaltación, que designa el acceso al grado de Royal Arch, puede
entenderse como una alusión a la posición elevada de la keystone.
(25) Para la colocación de esta
piedra, se encuentra la expresión "to bring forth the copestone",
cuyo sentido es también bastante oscuro a primera vista: to bring forth
significa literalente 'producir' (en el sentido etimológico del latín
producere) o 'sacar a luz'; puesto que la piedra ha sido ya retirada
anteriormente, durante la construcción, no puede tratarse, el día de la
conclusión de la obra, de su "producción" en el sentido de una
"confección"; pero, como ha sido arrojada "entre los
escombros", se trata de volver a sacarla a la luz, para colocarla en lugar
visible, en la sumidad del edificio, de modo que se convierta en "cabeza
del ángulo"; así, to bring forth se opone aquí a to heave over.
(26) Staurós significa también
'cruz', y sabido es que, en el simbolismo cristiano, la cruz se asimila al
"Eje del Mundo"; Coomaraswamy vincula ese término con el sánscrito
sthàvara, 'firme' o 'estable', lo que en efecto, conviene a un pilar y, además,
concuerda exactamente con el significado de "estabilidad" dado a la
reunión de los nombres de las dos columnas del Templo de Salomón.
(27) Es la sumidad del "pilar
axial", que corresponde, según lo hemos dicho, a la punta superior del
álif en el simbolismo literal árabe; recordemos también, con motivo de los
términos keystone y "clave de bóveda", que el símbolo mismo de la
"clave" o "llave" tiene igualmente significado
"axial".
(28) Coomaraswamy recuerda la
identidad simbólica entre el techo (en particular abovedado) con el parasol;
agregaremos también, a este respecto, que el símbolo chino del "Gran
Extremo" (T'ai-ki) designa literalmente una "arista superior" o
una "sumidad": es, propiamente, la sumidad del "techo del
mundo".
(29) Manuscrito de Munich, columna
146, fol.35 (Lutz y Perdrizet, II, lám.64): la fotografía nos ha sido
proporcionada por A. K. Coomaraswamy; ha sido reproducida en el Art Bulletin,
p. 450 y fig. 20, por Erwin Panofski, quien considera esa ilustración como la
mas próxima al prototipo y, a ese respecto, habla del lapis in caput anguli
['la piedra en la cabeza del ángulo'] como de una keystone ; se podría decir
también, de acuerdo con nuestras precedentes explicaciones, que esa figura
representa the bringing forth of the copestone.
(30) A este respecto, podría
establecerse una vinculación entre la "piedra descendida del cielo" y
el "pan descendido del cielo", pues existen relaciones simbóicas
importantes entre la piedra y el pan; pero esto sale de los límites de nuestro
tema actual; en todos los casos, el "descenso del cielo" representa,
naturalmente, el avatárana ['descenso' o aparición del Avatâra].
(31) Cf. también la piedra simbólica
de la Etoile Internelle ['estrella interna'] de que ha hablado l.
Charbonneau-Lassay y que, como la esmeralda de Graal, es una piedra facetada;
esa piedra, en la copa donde se la pone, corresponde exactamente al "joyel
en el loto" (mani padme) del budismo mahâyâna.
(32) Las "leyendas" del
Compagnonnage ['compañerazgo', organización artesanal de origen medieval,
emparentada con la masonería], en todas sus ramas, dan fe de ello, así como las
"superviviencias" propias de la antigua masonería operativa, que
hemos considerado aquí.
(33) Así, pues, no podría tratarse de
ningún modo, como algunos pretenden, de una alusión a un incidente ocurrido
durante la construcción de la "Gran Pirámide" y con motivo del cual
ésta habría quedado inconclusa. lo que, por otra parte, es una hipótesis harto
dudosa en sí y una cuestión histórica probablemente insoluble; además esa
"inconclusión" misma estaría en contradicción directa con el
simbolismo según el cual la piedra que había sido rechazada toma finalmente su
lugar eminente como "cabeza del ángulo".
(34) Stoudt, "Consider the
lilies, how they grow", respecto de la significación de un motivo
ornamental en forma de diamante, explicado por escritos donde se habla de CRISTO
como del Eckstein. El doble sentido de la palabra se explica, verosímilamente,
desde el punto de vista etimológico, por el hecho de que pueda entendérsela a
la vez como "piedra de ángulo" y como "piedra en ángulos",
es decir, facetada; pero, por supuesto, esta explicación nada quita al valor de
la relación simbólica indicada por la reunión de ambos significados en la misma
palabra.
(35) El diamante no tallado tiene
naturalmente ocho ángulos, y el poste sacrificial (yûpa) debe ser tallado
"en ocho ángulos" (ashtâçri) para figuara el vajra (que se entiende
aquí a la vez en su otro sentido de 'rayo'); la palabra pâli attansa,
literalmente, 'de ocho ángulos' significa a la vez 'diamante' y 'pilar'.
(36) Desde el punto de vista
"contructivo", es la perfección de la realización del plan del
arquitecto; desde el punto de vista alquímico, es la "perfección" o
fin último de la "Gran Obra"; hay exacta corespondencia entre uno y
otro.
(37) El diamante entre las piedras y
el oro entre los metales son lo más precioso, y tienen además un carácer
"luminoso" y "solar"; pero el diamante, al igual que la
"piedra filosofal", a la cual se asimila aquí, se considera como más
precioso aún que el oro.
(38) El simbolismo de la "piedra
angular" se encuentra expresamente mencionado, por ejemplo, en diversos
pasajes de las obras herméticas de Robert Fludd, citados por A. E. Waite, The
Secret Tradition in Freemasonry, pp. 27-28; por otra parte, debe señalarse que
tales pasajes contienen esa confusión con la "piedra fundamental" de
que hablábamos al principio; lo que el autor que los cita dice por su cuenta
acerca de la "piedra angular" en varios lugares del mismo libro
tampoco es muy adecuado para esclarecer el punto, y no puede sino contribuir
más bien a mantener la confusión indicada.
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