A Medicina da Saúde é baseada na preservação e na promoção. É sempre superior à Medicina da Doença focada na cura e na prevenção. Somos seres humanos e não "teres humanos”. A doença começa quando se deixa o SER pelo TER; saúde e vitalidade aumentam na direção do SER. A busca pelo SER leva à ampliação da consciência, guia do homem saudável e espelho para o doente. Refletindo o exemplo a ser imitado mostra como sair da horizontalidade do adormecimento e entrar na verticalidade do despertar.
Contos de Tolstói
– Três Parábolas – Segunda Parábola (Fragmento).
Pessoas faziam negócios com farinha, manteiga, leite e todo tipo de
comestíveis. E, disputando umas com as outras, no intuito de ganharem o máximo possível
e ficarem ricas rapidamente, passaram a misturar cada vez mais substâncias
nocivas e baratas em suas mercadorias: na farinha misturavam farelo e cal, na
manteiga punham margarina, no leite, água e giz. Mas enquanto as mercadorias não
chegavam aos consumidores, tudo corria bem: os atacadistas vendiam aos
varejistas e os varejistas vendiam aos mascates.
Havia muitos armazéns e lojas e o comércio parecia correr de vento em
popa. E os negociantes estavam satisfeitos. Mas para os consumidores da cidade,
aqueles que não produziam o próprio alimento e por isso tinham de comprá-lo,
era muito desagradável e nocivo.
A farinha era ruim, a manteiga e o leite eram ruins, mas como nos
mercados da cidade não havia outras mercadorias senão as adulteradas, os
consumidores da cidade continuavam a comprar aquelas mercadorias e atribuíam a
si mesmos, e à maneira errada de preparar a comida o paladar ruim que sentiam
nos alimentos e os danos à saúde que causavam. E os comerciantes misturavam aos
produtos quantidades cada vez maiores de substâncias baratas e estranhas aos alimentos.
Isso durou muito tempo; os habitantes da cidade não paravam de sofrer e ninguém
se decidia a manifestar seu descontentamento.
Cantam os Titãs! Tudo
o mesmo para você? Três palavras para a mesma ideia? Quando coisas diferentes
parecem iguais, é momento de considerar um exame de vista na alma e no coração.
Na alma porque é a essência que irradiamos a partir de nosso ser; no coração
pois é lá que mora nosso calor e saber (saber decor = saber de coração).
Necessidade é urgência, sem o que não é possível seguir. A
necessidade é vital, é fisiológica, é instintiva, é compromisso assumido e
inadiável. Todos os acordos evolutivos que fizemos como humanidade e que não
podemos dizer: mudei de ideia. Respirar, dormir, servir, sorrir, ser,
instâncias do inadiável e do inalienável.
Necessidade é
sacrifício (sacro ofício), e, portanto, ofício sagrado inerente à vida. A
necessidade, à semelhança da morte, é vital, e se não me faço claro, sugiro ler
a obra “As intermitências da morte” de Saramago.
O desejo é sempre
um risco. Um risco fora do contexto principal. Uma chance de algo acontecer
independente do plano inicial. Que plano? Aquele que a maioria de nós esquece e
que Platão no mito de Er nos lembra em sua República.
O desejo é toda
tentativa de no curso do caminho, fazer uma parada, uma escala, escapar ao
trajeto, pegar um atalho. Algo que não estava nos planos, algo que nos visita e
em alguns casos nos possui. Somos possuídos pelos desejos e não ao contrário!
Sim, pois desejos sempre nos tomam a partir de fora para dentro. Em outras
palavras, a partir de nossa realidade exterior em relação à realidade interior.
Não brotam do interior, senão daquilo que nos chega pelas janelas dos cinco
sentidos. Atenção às janelas é pressuposto para não ser possuído. Desejo é um
tempero no prato da vida e deve ser usado com moderação, afinal muito sal causa
hipertensão, muito óleo hipercolesterolemia e tudo em excesso pode desvitalizar.
Viver é vital e desvitalizar é ir contra a vida. Sobriedade não é moralidade.
Desejo ou
“desideris” em latim pode ser melhor compreendido se concomitantemente olharmos
para o termo considerar, cuja etimologia complementa a primeira. No primeiro
termo desideris (desejo), existe um afastamento das estrelas (sideral) e do
plano celeste segundo o qual a vida estaria supostamente desenhada, como um
convite, mas desenhada. Nesse caso, o desejo me afastaria das estrelas, ou
impediria a minha visão desse desenho planejado nas estrelas, desse destino
enquanto convite do alto, dos céus. Enfim, um afastamento do plano original traçado nas estrelas. Esse afastamento proporcionado pelo desejo é como uma
fuga do “plano original”, onde sou levado a buscar uma qualidade de satisfação
diferente da que me caberia caso estivesse em estado de serenidade, de paz
interior ou de conexão com as estrelas. Ou quem sabe ainda com a organização
celeste presente quando de minha primeira respiração, meu tema natal (mapa astrológico)?
Considerar complementa desejar por significar justamente pensar com as estrelas
(con - sideris).
No ocultismo se
diz que o humano atual é revestido por um corpo de desejos e uma mente. O corpo
de desejos é subordinado à mente da mesma forma que somos convidados a
subordinar o desejo à vontade ou a abrir mão de desiderar em favor de
considerar.
A vontade é o
atributo humano supremo. É a expressão humana mais sublime. É o exercício de
nosso próprio ser na matéria.
Quando uma pessoa
tem vontade fraca, ela é movida pelos seus desejos. Por isso alguns trabalham
por recompensa, por dinheiro, por reconhecimento. Trabalham ou vivem para
receber algo de fora que as realize. Já, os que se destinam ao exercício
pessoal da vontade, são menos reféns da necessidade de recompensas para
prosseguirem. O próprio exercício do ser e da expressão da vontade é o prêmio.
A sensação de viver se assemelha, nesse caso, a ser semelhante ao Sol, que silenciosamente
se consome para irradiar luz e calor.
Em suma, nosso
corpo “sideral” tem uma porção desiderio, que deseja sem levar em conta o céu e
as estrelas, e outra porção considerio, expressão da vontade, conceito
intimamente ligado ao céu e às estrelas. Estas partes podem ser compreendidas
como corpo de desejos e mente. Quem pensa com os desejos, deseja, é refém, quem
pensa a partir da mente exercita vontade, é ser emancipado. O exercício maior e
mais elevado da vontade é chegar amorosamente à conclusão de que devemos
servir, sempre e cada vez com mais vontade, como se fôssemos um sol em
formação.
E você, é um ser inclinado
à vontade, desejo ou necessidade? A vontade, a meu ver, deve sempre ser
temperada pelo desejo. Se o desejo tomar conta é porque chegou a hora de ler a
história contada por Goethe, “Fausto”, assistir a ópera Tannhäuser de Vagner ou
quem sabe ainda ler o conto de Tolstoi chamado: “De quanta terra o homem
precisa”.
Tudo isso apenas considerações pessoais de um
humano errante. Sinto a necessidade de me desculpar caso em algum momento tenha
soado rude. Meu desejo é participar.
Tudo o que existe, o que é, e também tudo o que se crê existir
define um ente. Em outras palavras, somos entes na medida em que nos
emancipamos, nos individualizamos da massa amorfa, nos tornamos saudáveis,
enfim nos pertencemos.
Se por algum motivo nos afastamos desse estado fluídico do
ente, do ser, da saúde, alteramos nosso estado de pertencimento a um novo
estado que podemos denominar como ser possuído por. Quando me
torno possuído por, deixo de ser ente e passo a pertencer a alguma
entidade. Ou seja, me torno do ente; do ente que me possui. Nesse caso estou
doente, vivencio a doença, enquanto refém desse estado.
Ao procurarmos em outros idiomas, pois idiomas têm uma vida
interior, vamos encontrar semelhantes constatações em relação à doença. No
inglês uma possível tradução da palavra vontade é "will". O
processo de adoecer implica em perder o acesso ao livre exercício da vontade
(no inglês livre arbítrio = free will). Quando minha vontade não é suficiente
para que eu aja com liberdade eu me encontro doente (ill). Tornar-se
"ill" no inglês é tornar-se refém das circunstâncias e portanto do
ente ou da doença. Um "w" a menos e quanta diferença, não é mesmo?
(When I loose my will I get ill). Um "do" a mais e quanta diferença
faz!! (do-ente).
O convite atual proporcionado pelos meios de comunicação, pela
opinião pública e pelo senso comum, é um risco potencial à saúde. Radical? Não,
claro! Apenas lembremos que vivências dessa natureza deslocam a pessoa de si em
direção aos valores oferecidos a partir de convenções externas ao ser. É comum
que alguém seja constrangido em sua forma de ser, por uma forma de ser assumida
por um grande número de pessoas ou, ainda mais maquiavélico, por alguma
personalidade marcante com quem me identifico.
Nessa medida, a pessoa constrangida pode perder-se de si. Pode
momentaneamente deixar de pertencer-se e passar a responder a outros valores,
seja uma ideia, um sonho, uma ilusão ou mesmo algo que a desvia de seu
propósito ou princípio existencial. Esse tipo de perder-se equivale a tornar-se
doente, um estado de dependência de um modo operacional externo a seu ser.
Uma sociedade doente é toda aquela onde o individual é visto com
indiferença. Viver em uma sociedade doente significa esquecer de si e seus
propósitos existenciais, mergulhar na manada, na massa, na moda e na mídia.
Vejamos bem que somos livres para escolher esse caminho, mas a questão é
fazê-lo conscientes da existência de outra opção, e não como que forçados pela
ignorância de podermos optar! Posso ser materialista ou não, posso escolher.
Dar a César o que é de César. O que escolho determina o que sou e como
atuo no mundo.
As sociedades superorganizadas, plasmadas na competição,
pragmatismo e utilitarismo, enfrentam, a despeito de seu alto nível social e
cultural alguns efeitos colaterais desafiadores. Arriscando elencar alguns
encontramos: o suicídio em grande escala, o uso
indiscriminado de drogas alucinógenas legais ou ilegais, as doenças
cerebrovasculares (derrames cerebrais e enfartes), a dissolução da família
e a mercantilização do erotismo associada ao decorrente aumento nas estatísticas de abusos sexuais os mais diversos e perversos.
Para o materialista, o humano é o topo da cadeia evolutiva, não há
nenhuma forma de vida superior à forma humana. É uma escolha, portanto uma
escola e, portanto, uma parcialidade. Saúde é inteireza, doença é parcialidade.
Toda pessoa que adoece se transforma após o processo quando sobrevive. Que
possamos continuar a sobreviver até que possamos transcender o tempo e suas
intempéries. Transcender o tempo é entrar em paz. Estar em paz é estar inteiro
e, portanto, saudável. Para ser saudável é imprescindível a clareza conceitual
entre desejo, necessidade e vontade. Se tudo isso é a mesma
coisa para mim, sou sociopata, careço do discernimento fundamental
para o ser saudável.
Vivemos a idade mídia, momento delicado para os interessados em
aprofundamento, autoconhecimento e sentido. Essa escolha atual de
desfrontalização (deixar de usar os lobos frontais do cérebro - sede da razão e
do pensamento abstrato) não deve em absoluto ser vista de forma preconceituosa
ou pejorativa, mas de forma alguma deve passar despercebida ao humano em busca
da saúde. Isso pois, sentido existencial interior e saúde caminham de mãos
dadas.
Parte considerável dos alimentos disponíveis são inflamatórios e
parte considerável dos estímulos aos quais estamos submetidos são
desorganizadores mentais, não se excluem os noticiários! As doenças
crônicas como diabetes e hipertensão aliadas aos distúrbios do humor decorrem
em grande parte da forma insana como nos alimentamos na atualidade. Um processo
irreversível decorrente da péssima qualidade das escolhas que
fizemos em passado recente.
Por outro lado, sejamos otimistas, não sejamos preconceituosos,
experimentemos estabelecer uma relação viva com conceitos emancipadores. Não se
revolte, senão apenas volte a si e reconheça o porquê do ambiente à sua volta
ser como é. Reflexões simples, mas que nos esquivamos da responsabilidade
diariamente.
Diminuir o uso de antidepressivos, moduladores de humor, sedativos
do ser, talvez seja opção a ser considerada com certa urgência. Parar de
apontar fora e reconhecer dentro aquilo que cabe apenas a mim realizar.
Tornar-se pílula de saúde individual.
É possível ser saudável dentro dessa sociedade! Mas é preciso
atenção às fórmulas, respostas prontas e receitas, pois cada vida é única.
Não nos esqueçamos que o contrário de algo é a mesma coisa ao contrário e que
para que a integralidade seja alcançada, os opostos devem ser integrados em um
todo, ou seja compreendidos. Oposição é parcialidade, integração é saúde. Uma
sociedade partida é uma sociedade condenada, onde tudo o que muda visa
apenas fazer com que tudo permaneça como está!
O caminho para a vida saudável é o caminho das perguntas, das
possibilidades e raras vezes o das respostas e do tic-tac dos relógios. O poeta
cantou que temos nosso próprio tempo. Entrar em relação com este tempo interno
que é único para cada ser é primeiro passo solitário e certeiro para a
possibilidade da vida saudável.
Não é preciso ficar doente para habitar uma sociedade doente. A
pessoa com vida interior pode frequentar a sociedade e reconhecer seus
equívocos, pois pensa, tem membrana seletiva. A pessoa desfrontalizada responde
aos desafios sociais à semelhança dos animais na floresta. E tudo isso é muito
belo de se observar. Observar é um grande passo para o humano.
Observemos!
Precisamos nos esmerar na educação infantil, assim em muito pouco tempo
serão necessários menos hospitais, presídios, partidos e manicômios; quem sabe
ainda no médio e longo prazo possamos abrir mão da classe política em favor de
uma nova qualidade de seres, quiçá humanos!
As minorias, cuja expressão máxima hoje é representada pelos políticos,
têm se apresentado como vítimas. Vítimas inimputáveis que disputam e
computam o que podem a seu favor. É
preciso rever o sentido da palavra preconceito e aplicá-la com propriedade onde
ela sirva como prevenção do aleijão, seja ele moral, social, animal, carnaval,
decimal ou débil mental.
Quatro breves histórias, em forma de animações, lembram parte importante da educação infantil
primária para a saúde quanto aos quesitos:
E você, acredita em educação infantil ou domesticação infantil?
As fragilidades psicológicas decorrentes da baixa qualidade da educação
infantil podem ser contornadas com o auxílio da Arte. Alain de Botton e John
Armstrong nos dão pistas sobre como isso poderia
ser feito:
A arte é um corretivo da memória fraca, pois torna os frutos da experiência
memoráveis e renováveis; a arte é um provedor de esperança, pois mantém à vista
coisas alegres e agradáveis; a arte é uma fonte de dignidade para o sofrimento,
pois nos lembra o lugar legítimo do sofrimento numa boa vida; a arte é um
agente de equilíbrio, pois codifica com invulgar clareza a essência das nossas
boas qualidades; a arte é um guia para o autoconhecimento, pois ajuda a
identificar o que é central para nós, mas difícil de expressar em palavras; a
arte é um guia para a ampliação da experiência, pois nos oferece alguns dos
exemplos mais eloquentes das vozes de outras culturas; a arte é um instrumento
de recuperação da sensibilidade, pois remove nossa casca e nos salva do
habitual descaso pelo que há ao redor.
Quando vir alguém fazendo arte, não se altere, observe suas emoções,
silencie para então alegrar-se!
Por Josué de
Castro – A geopolítica da fome vol. 1 – 8ª ed. Pág. 127.
Quando procuramos agrupar,
dentro de um critério geográfico, os países de altos coeficientes de
natalidade, superiores a trinta, verificamos que são todos países tropicais de condições
geográficas e econômicas impróprias, tanto à produção como ao consumo de proteínas
de origem animal. A alimentação, de predominância vegetal, desses países,
constitui um dos fatores decisivos, influindo no segredo de sua prolificidade.
Se compararmos os coeficientes de natalidade e os consumos de proteínas de
origem animal, no mundo inteiro, verificaremos que existe franca correlação entre
os dois fatores, baixando a fertilidade à proporção que sobre a taxa de consumo
destas proteínas.
Apresentamos, a seguir, um
quadro de países dos mais diferentes coeficientes de natalidade, desde os mais
elevados aos mais baixos, e no qual se evidencia, de maneira significativa, a
citada correlação:
PAÍSES
COEFICIENTES
DE NATALIDADE
CONSUMO
DIÁRIO DE PROTEÍNAS ANIMAIS (g)
FORMOSA
MALAIA
ÍNDIA
JAPÃO
IUGOSLÁVIA
GRÉCIA
ITÁLIA
BULGÁRIA
ALEMANHA
IRLANDA
DINAMARCA
AUSTRÁLIA
E.U.A
SUÉCIA
45,6
39,7
33,0
27,0
25,9
23,5
23,4
22,2
20,0
19,1
18,3
18,0
17,9
15,0
4,7
7,5
8,7
9,7
11,2
15,2
15,2
16,8
37,3
46,7
56,1
59,9
61,4
62,6
Estes dados foram retirados das
estatísticas de 1950, apresentados no estudo de Lynn Smith (Population Analysis
– 1948) sobre problemas de população e de uma publicação da FAO sobre o consumo
de proteínas no mundo.
Estes aspectos do problema
alimentar referentes à influência da dieta sobre a reprodução constitui o ponto
mais debatido de nosso trabalho. Desde que apareceu a primeira edição desse
livro em 1951, várias críticas foram formuladas, principalmente tendo-se em
vista que a ciência clássica da nutrição sempre considerou o fato de que uma
dieta rica em proteínas constitui uma condição indispensável à boa capacidade
reprodutiva. Considerando a alta importância desse assunto, pela repercussão e aplicação
social que poderá ter esta teoria no campo prático da política demográfica,
tomamos a deliberação de prosseguir em nossos trabalhos experimentais sob cujos
resultados pretendemos publicar um trabalho especialmente dedicado ao problema
da alimentação e reprodução. Aproveitamos, no entanto, a oportunidade do
aparecimento desta nova edição para apresentar, de forma sintética, alguns
fatos novos oriundos da investigação de outros estudiosos da matéria e da observação
de fatos sociais que confirmam os nossos pontos de vista.
(Estes fatos e observações constam nas páginas 129-131 da presente obra
referenciada no início do texto).
Com estas observações e estas
cifras, desejamos concluir por afirmar que, em última análise, a multiplicação exagerada
da espécie, por sua excessiva fertilidade, constitui também uma forma de fome
específica, uma das mais estranhas marcas do fenômeno da fome universal.
Este aspecto do problema tem, a
nosso ver, importância primordial, desde que fornece base biológica para apoio
de nossa teoria – a teoria da fome específica como causa de superpopulação; da
fome provocando o lançamento intempestivo, no metabolismo demográfico do mundo,
de produtos humanos fabricados em excesso e de qualidade inferior.
Como o mecanismo através do qual
se exerce esta ação desequilibrante e degradante da fome crônica sobre a evolução
demográfica dos grupos humanos envolve aspectos econômicos e sociais, ao lado
dos aspectos biológicos, deixamos para desenvolver o assunto na ocasião oportuna,
ao estudarmos o problema da fome no Extremo Oriente, área onde a superpopulação
relativa se apresenta, nitidamente, como uma das mais estranhas e graves manifestações
de fome específica.
Colunas de saúde nos
jornais falam sobre doenças, programas de saúde enfocam nas doenças, os órgãos
de saúde só são utilizados por pessoas em estado de doença. Ministério da saúde
adverte enfocando a doença. Faria sentido um ministério só para a doença e
outro apenas para a saúde? Saúde na comunicação em primeiro lugar, saúde na
educação, saúde na justiça, saúde social e saúde econômica.
Precisamos de um plano de
saúde! Mas não desses usados quando não há mais tempo, melhor denominados
planos de doenças. Doença e dinheiro são parceiros, assim como o fazem saúde e consciência.
A principal campanha de vacinação é a vacinação consciencial. O momento atual
pede a troca das pílulas de doença por pérolas de saúde, preservar o bem maior
(saúde) e não correr atrás do prejuízo (doença) quando já é tarde.
Um primeiro passo nessa
direção implica em fazer as perguntas adequadas para que o incômodo inicial
gere o movimento da consciência:
O que é mais importante
para um ser humano, formação ou informação?
A mídia promove a
formação, informação ou deformação do pensar?
A Universidade forma,
informa ou deforma os alunos?
A estrutura familiar
forma, informa ou deforma seus filhos?
Não é possível propor
qualquer sugestão de melhora social se desviarmos o olhar de questões
fundamentais que a princípio podem incomodar. Afinal, informação sem que a
pessoa seja formada acaba em problemas ou em alguém querendo tirar vantagem de
outrem. Quando se opta por um sistema que deforma e anestesia, o efeito
colateral é a impossibilidade do despertar que impulsione o interesse das
pessoas na direção da saúde. Acertar requer esforço e quando se vive em um meio
que prega a lei do mínimo esforço não surpreende o atual estado das coisas.
Se pensarmos por analogia
em um rio contaminado e como tratá-lo, as diferentes estratégias das medicinas
da saúde e da doença podem ser mais bem compreendidas. Uma medicina que enfoca
a doença vai atacar a contaminação de frente, colocando barcos para drenagem do
lixo, aprofundando o leito do rio, jogando substâncias químicas, tentando
aumentar o seu fluxo cimentando as bordas e assim por diante, como se sabe.
Note que o tratamento aqui vai em direção ao resultado imediato e que seja
sentido pelo “paciente” em pouco tempo, daí a intervenção ser tão intensa ao
ponto de agir sobre a própria “anatomia” do rio, desconsiderando sua
“fisiologia”, como se ele fosse um objeto ou uma máquina a ser consertada.
A mesma situação vista
pela medicina da saúde adquire perspectiva bastante diversa. O rio, como se
sabe, é uma espécie de ser vivo, tem uma nascente, comporta vida em si,
interage com o meio ambiente por onde passa e finalmente assim como nasce tem
uma foz onde deságua e se religa ao mar. Assim a medicina que enfoca a saúde
vai agir de forma mais profunda apesar de menos agressiva, se valendo da
própria vida do rio como fonte propulsora para seu tratamento. Chegando às
causas da contaminação a medicina da saúde age inibindo os agentes
contaminantes. Isto pode ser muito complexo, pois no caso do rio os poluidores
são empresas e pessoas ligadas às esferas do tecido produtivo nacional, eventualmente
populações de moradores de edifícios, sejam suntuosos ou “malocosos”, à beira
dos leitos onde despejam seus esgotos. Deixar de depositar o esgoto no rio
implica em um grande sacrifício para todos, pois elevará gastos com obras de infraestrutura,
além de terem efeitos apenas no médio ao longo prazo.
O mesmo acontece quando
uma pessoa doente precisa abandonar os maus hábitos que a conduziram ao
adoecer, requer esforço e sacrifício pessoal. Apesar de ser óbvio o que fazer,
muitos preferem intervenções rápidas e paliativas que permitam o retorno aos
mesmos hábitos a uma revisão geral seguida pela mudança comportamental. É
importante notar que o próprio rio tem vida e poder de recuperação, caso deixemos
de destruí-lo, o mesmo ocorrendo com a saúde. Se para o rio ficar saudável o
lema deve ser: “vamos trazer os peixes de volta ao rio”, para o corpo são o
lema é: “vamos deixar de ser dormentes e nos tornar seres conscientes”.
É clara a importância e a
complementaridade entre as duas medicinas, mas fica agora gritante em que
implica a prática da medicina da doença sem a percepção ampliada da medicina da
saúde. Salta aos olhos a falta de sentido e o desperdício que é tratar doenças
sem concomitantemente cuidar da saúde.
A medicina da doença se
baseia na cura e na prevenção; a medicina da saúde por sua vez na preservação e
na promoção. Duas medicinas que se complementam sendo a segunda superior à
primeira. Prevenir e curar doenças são importantes, mas preservar e promover
saúde são fundamentais. Mas afinal qual a diferença entre promover saúde e
prevenir doenças? Adiferença é toda. As pessoas se previnem geralmente por
medo ou receio de que algo lhes aconteça, e por isso fazem seguros ou planos
que supostamente as protegeriam. No entanto a própria tentativa de se proteger
promove um estado interior de retração ou contração, devido ao medo. Este medo
age gerando reflexos em todas as esferas do ser, principalmente sobre o tônus
vascular promovendo hipertensão, e sobre o tônus imunológico promovendo imunodepressão.
Assim, a aparentemente simples atitude de se prevenir implica em uma atitude
reflexa de receptividade a experiências e estados mórbidos que naturalmente
acompanham os seres amedrontados em relação aos desafios da vida.
Oposto disso, o promover
saúde, coloca o ser em estado de expansão e entrega confiante ao viver,
anticorpos naturais para situações sombrias, que ainda que ocorram serão menos
traumatizantes e mais construtivas. Promover saúde é expandir a consciência, a
partir do que uma prevenção natural sobrevirá. Entretanto agora não gerada pelo
medo, mas pelo interesse e prontidão em viver de forma a sempre ampliar o
horizonte de possibilidades. Apesar de não ter a suposta certeza de uma
segurança comprada, ser o melhor que posso e estar pronto para o que der e vier
abrem a vida para a graça, assim como a flor recebe a chuva. Viver com medo
dificulta o contato com a graça, que apesar de independente, não chega aos
desgraçados fechados à sua visita pelo medo.
Mas porque afinal as
colunas de saúde dos jornais só falam em doenças? Quem ganha com isso? Porque
os órgãos responsáveis enfocam nas doenças e falam tão pouco em saúde? Se
campanhas de vacinação movimentam o mercado e as correspondentes verbas
governamentais, tudo bem, mas é fundamental a contraparte que requer verba
ínfima comparativamente e que diz respeito à vacinação da consciência das
pessoas para questões importantes de saúde pública.
O artigo: Ricos aceitam melhor publicidade em escolas
mostra a relevância da questão ao comparar a diferença entre a legislação dos
diferentes países (EUA, Alemanha, Portugal e Brasil) em relação ao marketing
infantil assim como o cuidado que cada país tem com a forma como suas crianças
são educadas. Se os atuais planos de “doença” se beneficiam do sofrimento de
seus associados e da exploração dos profissionais de saúde, urge que busquemos planos
de saúde que enfoquem a saúde e estimulem seus clientes numa verdadeira relação
de sócio em que o pagador receba orientações que expandam a consciência fazendo
a vida ser sinônimo de saúde plena.
Na educação para a saúde
a formação (educere) da pessoa tem valor superior ao da informação (educare). O
ser pleno e saudável tem boa formação de maneira geral, tendo o SER primazia
sobre o TER. Somos seres humanos e não teres humanos, lembrando que o caminho
para a doença começa quando a vida se afasta do SER na direção do TER do mesmo
modo que a saúde e a vitalidade aumentam na direção do SER.
Ser implica em
consciência, lanterna do homem saudável e espelho para o homem doente que vendo-se
refletido no exemplo a ser imitado encontra referência e fonte de inspiração
para sair da horizontal do adormecimento e entrar na vertical do despertar.
Por Josué de Castro – A geopolítica da fome vol. 1 – 8ª ed. Pág. 124.
No que diz respeito ao
comportamento sexual, verifica-se que a fome crônica – específica ou latente –
age de maneira bem distinta da fome aguda. Os povos submetidos à ação contínua
de uma alimentação deficitária, longe de diminuírem seu apetite sexual, apresentam
exaltação do mesmo e nítido aumento de fertilidade. Esta intensificação da capacidade
reprodutiva dos povos cronicamente famintos explica-se através de um complexo
mecanismo onde entram fatores de ordem psicológica e de ordem fisiológica.
Psicologicamente, a fome crônica determina exaltação das funções sexuais, como
um mecanismo de compensação emocional. Todos os fisiologistas são unânimes em reconhecer
que, em condições normais, existe uma espécie de competição entre os dois
instintos – o de nutrição e o de reprodução – e, toda vez que um se atenua, o
outro, imediatamente, se exalta.
Como a fome crônica,
principalmente a fome de proteínas e de certas vitaminas, determina inapetência
habitual, perda de interesse pelos alimentos, dá-se em consequência um
enfraquecimento da força do instinto de nutrição diante da força do instinto de
reprodução, que passa a predominar. Com o apetite embotado, satisfazendo-se facilmente
com qualquer coisa, o faminto crônico pode desviar seus interesses para outras
atividades independentes da obtenção do alimento, e o primeiro grupo de
atividades que se apresenta, não só por sua hierarquia de natureza biológica,
como também como compensação psicológica, é o das atividades de ordem sexual.
Neste mecanismo psicológico baseia-se o exagerado sensualismo de certos grupos
humanos e de certas classes que vivem num regime de desnutrição crônica.
Mas há também um mecanismo fisiológico
determinando esta significativa correlação entre alimentação insuficiente e índice
de fertilidade. De há muito, tinham os criadores observado que certos animais,
bem cevados, tornam-se estéreis e que basta restringir-lhes a alimentação,
durante certo tempo, para que recuperem a fecundidade. Mas o fato empírico não tivera
grande repercussão nos meios científicos. Hoje, no entanto, dispomos de dados
experimentais e de observações sistematizadas que nos permitem compreender como
atuam as deficiências alimentares parciais, como fator de aceleração da multiplicação
da espécie. É exatamente a fome de proteínas, acarretando o fornecimento
deficitário de certos ácidos aminados indispensáveis, que atua de maneira mais
intensa sobre a capacidade reprodutiva dos animais.
...Com a espécie humana ocorre idêntico
fenômeno. Os grupos de mais alta
fertilidade são aqueles que dispõem de menor
teor de proteínas completas, de origem animal na sua dieta habitual...
Atualmente,
o alimento que recebemos internamente desfaz-se e decompõe-se devido ao calor interno do corpo, permitindo, desse
modo, que o éter químico, com o qual estão impregnadas todas as partículas
alimentares, se combine com o éter químico do nosso corpo vital. O alimento
magnetizado pela ação do sol sobre as plantas é, então, assimilado e “permanece
conosco” até que se esgote o magnetismo. Quanto mais diretamente os alimentos
vierem do solo para nós, tanto mais magnetismo solar eles conterão.
Consequentemente, eles “permanecerão conosco” durante um tempo maior se forem
comidos crus. Quando um alimento sofre um processo de cozimento, uma parte do
éter nele contido perde-se, pois certa parte das partículas sutis é dissolvida
pelo calor e impregna o ar da cozinha com o odor do alimento do qual provém.
Portanto, as células do alimento cozido permanecem menos tempo em nosso corpo
que o alimento cru, e o alimento que já foi assimilado pelo animal contêm em si
pouquíssimo éter químico (exceto o leite, que é obtido através de um processo
vital e contem uma quantidade maior de éter que qualquer outro alimento**).
No que se refere à carne
dos animais, podemos dizer que a maior parte do éter químico de suas rações foi
absorvida pelo corpo vital antes que o animal fosse morto e, ao ocorrer a
morte, o corpo vital deixa a carcaça. Portanto, a carne apodrece muito mais
depressa que os vegetais e “permanece conosco” somente por pouco tempo depois
que a comemos.
A
morte e a doença geralmente são devidas ao fato de insistirmos em tomar
alimentos compostos de células desprovidas de seu éter químico individual, obtido durante a assimilação
vegetal. Este éter é diferente e não deve ser confundido com o éter químico planetário que impregna os minerais, as
plantas, os animais e o homem. A alimentação carnívora, privada pela morte do
corpo vital individual que envolve o animal durante a vida, fica reduzida
realmente à sua forma química mineral que tem pouco valor nos processos vitais.
De fato, é prejudicial a eles e deve ser eliminada do sistema tão rapidamente
quanto possível, pois sendo minerais, essas partículas de carne estão mortas e
são de manipulação difícil. Portanto, elas gradualmente vão-se acumulando.
Mesmo a parte dos vegetais que é composta de cinzas e minerais permanece em
nosso sistema, de maneira que há um processo gradual de obstrução que nós
consideramos como crescimento. Isto acontece porque privamos os vegetais e
outros alimentos de seu éter químico. Se fôssemos semelhantes às plantas e
capazes de impregnar os minerais com éter, seríamos provavelmente capazes de
assimilá-los e desenvolver nossa estatura de um modo gigantesco, mas, tal como
somos, o material morto acumula-se cada vez mais até que finalmente o
crescimento para devido aos nossos poderes de assimilação terem-se tornado cada
vez menos eficientes.
Futuramente
não digeriremos os alimentos no interior do corpo, mas extrairemos o éter
químico e o inalaremos pelo nariz, onde ele entrará em contato com o corpo
pituitário. Este é o órgão geral de assimilação e agente de crescimento. Nosso
corpo tornar-se-á, então, cada vez mais etérico, os processos vitais não serão
embaraçados pelos resíduos obstrutores e, consequentemente, a moléstia
desaparecerá e a vida será prolongada. É significativo, em relação a este fato,
que muitos cozinheiros não sentem apetite, pois o aroma picante dos pratos que
preparam satisfazem-nos bastante.
A
ciência está aprendendo gradualmente as verdades anteriormente ensinadas pela
ciência oculta, e sua atenção está sendo voltada para as glândulas endócrinas,
que lhes darão a solução de muitos mistérios. Contudo, não parecem estar
inteirados ainda de que há uma ligação física entre o corpo pituitário, o
principal órgão de assimilação e, portanto, do crescimento, e as glândulas
suprarrenais, que eliminam os resíduos e assimilam as proteínas. Elas também
estão ligadas fisicamente com o baço, o timo e as glândulas tireoides. Nesta
ligação, é significativo, do ponto de vista astrológico, que o corpo pituitário
é regido por Urano, que é a oitava superior de Vênus, o regulador do plexo
solar, onde está localizado o átomo semente do corpo vital. Deste modo, Vênus
guarda a entrada do fluido vital que nos vem diretamente do Sol através do
baço, e Urano é o guardião da porta de entrada do alimento físico. É a função
dessas duas correntes que produz o poder latente armazenado em nosso corpo
vital, até que seja convertido em energia dinâmica pela natureza marcial do
desejo.
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O autor escreveu esse texto no início do século XX e se referia ao leite
extraído diretamente da vaca para consumo imediato. É preciso lembrar que hoje
são raríssimas as vacas que se alimentam exclusivamente de capim, pois a
maioria se alimenta com ração à base de milho. Essas rações modificam o
metabolismo animal especialmente no que diz respeito à relação ômega 3 / ômega
6 em favor desse último (Sobre isso, vide os livros campeões de venda de Michael Pollan, “O Dilema do Onívoro”, e de David Schreiber, “Anticâncer”).
O desbalanço caracterizado pelo aumento de ômega 6 em relação ao ômega 3 coloca
o corpo em estado de inflamação. A inflamação por sua vez predispõe a doenças
crônicas e aparecimento de neoplasias (cânceres). Cuide em diferenciar o leite
da vaca do leite de saquinho ou de caixinha, pois são substâncias de naturezas diferentes.
Tudo o que é da natureza tem vida e vitalidade e se renova rapidamente, já o
que tem pouca vida e pouca vitalidade, pode ser conservado por meses quando não
indefinidamente.
A despeito do trabalho oferecido
pelos cuidadosos documentários abaixo relacionados, a alimentação saudável pede
um cuidado e uma amorosidade sustentados, por parte das autoridades,
especialmente no que diz respeito ao que aparenta ser bonitinho e engraçadinho.
A
criança é o patrimônio mais precioso de uma nação. Na verdade aprendi isso
quando morei nos Estados Unidos, um país que cuida de suas crianças como sua
maior riqueza. Por exemplo, quando um ônibus escolar parava para pegar uma
criança, toda e qualquer circulação de veículos na redondeza do transporte
escolar precisava parar no sentido de garantir a integridade dos estudantes, um
pequeno detalhe entre outros tantos. A criança que cresce assim, percebe,
sente-se cuidada e valorizada. A criança valorizada sabe dar valor.
Criança gosta de brincar
e repetir tudo o que escuta; um idioma pode ser muito mais facilmente aprendido
por uma criança que por alguém de mais idade. Por isso é especialmente
importante cuidarmos da qualidade do que se oferece como material de repetição.
De fato isso é fundamentalmente importante no que diz respeito à educação alimentar.
Acredito nesse momento histórico
em que se discute a obesidade infantil, valer a pena visitar e pensar sobre materiais
musicais similares ao que se mostra abaixo. Sempre no sentido de refletir sobre
a qualidade alimentar de nossas crianças ou baixinhos para quem acha que ser
grande é questão de tamanho.
REFLEXÕES
NADA CIENTÍFICAS SOBRE HÁBITOS ALIMENTARES
Por: André Oliveira Guimarães Leite – Advogado da saúde - Email:
aogleite@gmail.com
Sentes cansaço? Tens bom apetite? Tens sono profundo? Tens
boa memória? Tens bom humor? Tens rapidez de raciocínio e de execução? Estas
seriam as seis condições enumeradas por Georges Ohsawa indicativas de boa saúde
e felicidade. Trata-se do autor de "Macrobiótica zen - arte do rejuvenescimento
e longevidade".
Esses questionamentos nos fazem refletir a respeito do que
é a felicidade e a saúde, e o que é preciso para alcançá-las. Com certeza, a
alimentação é um dos pilares para uma vida saudável, e, por consequência,
feliz.
Existem divergências, no entanto sobre o que é uma boa
alimentação. Além da qualidade do alimento, questões referentes à quantidade, à
forma de se alimentar e outros hábitos alimentares podem ser determinantes para
alcançar, preservar e promover a almejada saúde.
Cientistas realizaram um estudo com cobaias, separando-as
em dois grupos: um dos grupos era alimentado constantemente, com intervalos
nunca superiores a 10 horas, enquanto que o outro era submetido, diariamente, a
um intervalo de 13 horas entre alguma das refeições diárias. O resultado foi
surpreendente: a longevidade do segundo grupo foi consideravelmente maior que a
do primeiro.
Isso nos faz pensar a respeito das recentes orientações
nutricionais que recomendam a ingestão de alimentos a cada três horas... Para
muitos, trata-se de lobby criado por grandes empresas do ramo alimentício...
Há relatos de pessoas para quem a alimentação não seja
algo imprescindível. Isso mesmo, pessoas que poderiam "viver de luz"
ou se alimentar de prana.
Menos radical, todavia, conhecemos ou já ouvimos falar
sobre os benefícios que podem advir da prática de algum tipo de jejum. A
cultura oriental sempre nos ensinou que não devemos nos alimentar em excesso.
"Comer até estar 80% satisfeito" é uma das máximas desta cultura
milenar.
Segundo Mahatma Gandhi, "devemos mastigar as nossas
bebidas e beber os nossos alimentos".
Todas essas informações fazem-nos refletir se não há algum
grau de toxidade intrínseca em todo e qualquer alimento. Não só porque estão
impregnados de todo tipo de substância tóxica empregada na sua produção, mas
também em razão da própria constituição do alimento e os diversos quadros
de intolerância de cada organismo humano. Se pensarmos no atual estágio da
sociedade, na qual é comum que princípios éticos sucumbam frente às
exigências do capitalismo, mais razão se teria para perder o apetite.
Quem já não abusou daquela feijoada de sábado e depois
ficou horas em estado quase vegetativo? O nosso corpo reclama sempre que nos
alimentamos um pouco além da conta. Em sentido oposto, experimente fazer um
jejum de mingau de arroz durante um dia e verá que leveza sentirá em todo o seu
ser!
Em tempos de massificação da sociedade, o grande pecado
parece ser a padronização da alimentação. A industrialização alimentar e a vida
moderna retiraram do homem o "livre arbítrio" do que levar a boca...
Perdemos a capacidade de ouvir o nosso estômago, consumindo porcarias prontas,
sem qualquer relação com o que o nosso organismo anseia.
Hoje não temos mais tempo de sentir fome, aquele
sentimento saudável (claro, desde que voluntário). Fomos acostumados a nos pré-alimentar.
"Coma menino, senão você passará fome"... A lógica parece estar
invertida.
Alimentar-se bem, por vezes, pode significar não ingerir
qualquer alimento, permitindo que o nosso corpo se recupere e aproveite o
ventre livre para se alimentar de outro tipo de energia.
É importante manter viva a pergunta: você come para viver,
ou vive para comer?