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segunda-feira, 14 de janeiro de 2019

ALIMENTAÇÃO CONSCIENTE XII – TOLSTÓI - 1895


CONTINUAÇÃO DE:



           Contos de Tolstói – Três Parábolas – Segunda Parábola (Fragmento).

Pessoas faziam negócios com farinha, manteiga, leite e todo tipo de comestíveis. E, disputando umas com as outras, no intuito de ganharem o máximo possível e ficarem ricas rapidamente, passaram a misturar cada vez mais substâncias nocivas e baratas em suas mercadorias: na farinha misturavam farelo e cal, na manteiga punham margarina, no leite, água e giz. Mas enquanto as mercadorias não chegavam aos consumidores, tudo corria bem: os atacadistas vendiam aos varejistas e os varejistas vendiam aos mascates.
Havia muitos armazéns e lojas e o comércio parecia correr de vento em popa. E os negociantes estavam satisfeitos. Mas para os consumidores da cidade, aqueles que não produziam o próprio alimento e por isso tinham de comprá-lo, era muito desagradável e nocivo.
A farinha era ruim, a manteiga e o leite eram ruins, mas como nos mercados da cidade não havia outras mercadorias senão as adulteradas, os consumidores da cidade continuavam a comprar aquelas mercadorias e atribuíam a si mesmos, e à maneira errada de preparar a comida o paladar ruim que sentiam nos alimentos e os danos à saúde que causavam. E os comerciantes misturavam aos produtos quantidades cada vez maiores de substâncias baratas e estranhas aos alimentos.
Isso durou muito tempo; os habitantes da cidade não paravam de sofrer e ninguém se decidia a manifestar seu descontentamento.
...


terça-feira, 9 de outubro de 2018

DESEJO, NECESSIDADE E VONTADE

TITÃS - COMIDA
      Cantam os Titãs! Tudo o mesmo para você? Três palavras para a mesma ideia? Quando coisas diferentes parecem iguais, é momento de considerar um exame de vista na alma e no coração. Na alma porque é a essência que irradiamos a partir de nosso ser; no coração pois é lá que mora nosso calor e saber (saber decor = saber de coração).
Necessidade é urgência, sem o que não é possível seguir. A necessidade é vital, é fisiológica, é instintiva, é compromisso assumido e inadiável. Todos os acordos evolutivos que fizemos como humanidade e que não podemos dizer: mudei de ideia. Respirar, dormir, servir, sorrir, ser, instâncias do inadiável e do inalienável.
      Necessidade é sacrifício (sacro ofício), e, portanto, ofício sagrado inerente à vida. A necessidade, à semelhança da morte, é vital, e se não me faço claro, sugiro ler a obra “As intermitências da morte” de Saramago.
      O desejo é sempre um risco. Um risco fora do contexto principal. Uma chance de algo acontecer independente do plano inicial. Que plano? Aquele que a maioria de nós esquece e que Platão no mito de Er nos lembra em sua República.
      O desejo é toda tentativa de no curso do caminho, fazer uma parada, uma escala, escapar ao trajeto, pegar um atalho. Algo que não estava nos planos, algo que nos visita e em alguns casos nos possui. Somos possuídos pelos desejos e não ao contrário! Sim, pois desejos sempre nos tomam a partir de fora para dentro. Em outras palavras, a partir de nossa realidade exterior em relação à realidade interior. Não brotam do interior, senão daquilo que nos chega pelas janelas dos cinco sentidos. Atenção às janelas é pressuposto para não ser possuído. Desejo é um tempero no prato da vida e deve ser usado com moderação, afinal muito sal causa hipertensão, muito óleo hipercolesterolemia e tudo em excesso pode desvitalizar. Viver é vital e desvitalizar é ir contra a vida. Sobriedade não é moralidade.
      Desejo ou “desideris” em latim pode ser melhor compreendido se concomitantemente olharmos para o termo considerar, cuja etimologia complementa a primeira. No primeiro termo desideris (desejo), existe um afastamento das estrelas (sideral) e do plano celeste segundo o qual a vida estaria supostamente desenhada, como um convite, mas desenhada. Nesse caso, o desejo me afastaria das estrelas, ou impediria a minha visão desse desenho planejado nas estrelas, desse destino enquanto convite do alto, dos céus. Enfim, um afastamento do plano original traçado nas estrelas. Esse afastamento proporcionado pelo desejo é como uma fuga do “plano original”, onde sou levado a buscar uma qualidade de satisfação diferente da que me caberia caso estivesse em estado de serenidade, de paz interior ou de conexão com as estrelas. Ou quem sabe ainda com a organização celeste presente quando de minha primeira respiração, meu tema natal (mapa astrológico)? Considerar complementa desejar por significar justamente pensar com as estrelas (con - sideris).
      No ocultismo se diz que o humano atual é revestido por um corpo de desejos e uma mente. O corpo de desejos é subordinado à mente da mesma forma que somos convidados a subordinar o desejo à vontade ou a abrir mão de desiderar em favor de considerar.
      A vontade é o atributo humano supremo. É a expressão humana mais sublime. É o exercício de nosso próprio ser na matéria.
      Quando uma pessoa tem vontade fraca, ela é movida pelos seus desejos. Por isso alguns trabalham por recompensa, por dinheiro, por reconhecimento. Trabalham ou vivem para receber algo de fora que as realize. Já, os que se destinam ao exercício pessoal da vontade, são menos reféns da necessidade de recompensas para prosseguirem. O próprio exercício do ser e da expressão da vontade é o prêmio. A sensação de viver se assemelha, nesse caso, a ser semelhante ao Sol, que silenciosamente se consome para irradiar luz e calor.
      Em suma, nosso corpo “sideral” tem uma porção desiderio, que deseja sem levar em conta o céu e as estrelas, e outra porção considerio, expressão da vontade, conceito intimamente ligado ao céu e às estrelas. Estas partes podem ser compreendidas como corpo de desejos e mente. Quem pensa com os desejos, deseja, é refém, quem pensa a partir da mente exercita vontade, é ser emancipado. O exercício maior e mais elevado da vontade é chegar amorosamente à conclusão de que devemos servir, sempre e cada vez com mais vontade, como se fôssemos um sol em formação.
      E você, é um ser inclinado à vontade, desejo ou necessidade? A vontade, a meu ver, deve sempre ser temperada pelo desejo. Se o desejo tomar conta é porque chegou a hora de ler a história contada por Goethe, “Fausto”, assistir a ópera Tannhäuser de Vagner ou quem sabe ainda ler o conto de Tolstoi chamado: “De quanta terra o homem precisa”.
Tudo isso apenas considerações pessoais de um humano errante. Sinto a necessidade de me desculpar caso em algum momento tenha soado rude. Meu desejo é participar.

segunda-feira, 27 de agosto de 2018

VIVEMOS EM UMA SOCIEDADE DOENTE?




Tudo o que existe, o que é, e também tudo o que se crê existir define um ente. Em outras palavras, somos entes na medida em que nos emancipamos, nos individualizamos da massa amorfa, nos tornamos saudáveis, enfim nos pertencemos.
Se por algum motivo nos afastamos desse estado fluídico do ente, do ser, da saúde, alteramos nosso estado de pertencimento a um novo estado que podemos denominar como ser possuído por. Quando me torno possuído por, deixo de ser ente e passo a pertencer a alguma entidade. Ou seja, me torno do ente; do ente que me possui. Nesse caso estou doente, vivencio a doença, enquanto refém desse estado.
Ao procurarmos em outros idiomas, pois idiomas têm uma vida interior, vamos encontrar semelhantes constatações em relação à doença. No inglês uma possível tradução da palavra vontade é "will". O processo de adoecer implica em perder o acesso ao livre exercício da vontade (no inglês livre arbítrio = free will). Quando minha vontade não é suficiente para que eu aja com liberdade eu me encontro doente (ill). Tornar-se "ill" no inglês é tornar-se refém das circunstâncias e portanto do ente ou da doença. Um "w" a menos e quanta diferença, não é mesmo? (When I loose my will I get ill). Um "do" a mais e quanta diferença faz!! (do-ente).
O convite atual proporcionado pelos meios de comunicação, pela opinião pública e pelo senso comum, é um risco potencial à saúde. Radical? Não, claro! Apenas lembremos que vivências dessa natureza deslocam a pessoa de si em direção aos valores oferecidos a partir de convenções externas ao ser. É comum que alguém seja constrangido em sua forma de ser, por uma forma de ser assumida por um grande número de pessoas ou, ainda mais maquiavélico, por alguma personalidade marcante com quem me identifico.
Nessa medida, a pessoa constrangida pode perder-se de si. Pode momentaneamente deixar de pertencer-se e passar a responder a outros valores, seja uma ideia, um sonho, uma ilusão ou mesmo algo que a desvia de seu propósito ou princípio existencial. Esse tipo de perder-se equivale a tornar-se doente, um estado de dependência de um modo operacional externo a seu ser.
Uma sociedade doente é toda aquela onde o individual é visto com indiferença. Viver em uma sociedade doente significa esquecer de si e seus propósitos existenciais, mergulhar na manada, na massa, na moda e na mídia. Vejamos bem que somos livres para escolher esse caminho, mas a questão é fazê-lo conscientes da existência de outra opção, e não como que forçados pela ignorância de podermos optar! Posso ser materialista ou não, posso escolher. Dar a César o que é de César. O que escolho determina o que sou e como atuo no mundo.
As sociedades superorganizadas, plasmadas na competição, pragmatismo e utilitarismo, enfrentam, a despeito de seu alto nível social e cultural alguns efeitos colaterais desafiadores. Arriscando elencar alguns encontramos: o suicídio em grande escala, o uso indiscriminado de drogas alucinógenas legais ou ilegais, as doenças cerebrovasculares (derrames cerebrais e enfartes), a dissolução da família e a mercantilização do erotismo associada ao decorrente aumento nas estatísticas de abusos sexuais os mais diversos e perversos. 
Para o materialista, o humano é o topo da cadeia evolutiva, não há nenhuma forma de vida superior à forma humana. É uma escolha, portanto uma escola e, portanto, uma parcialidade. Saúde é inteireza, doença é parcialidade. Toda pessoa que adoece se transforma após o processo quando sobrevive. Que possamos continuar a sobreviver até que possamos transcender o tempo e suas intempéries. Transcender o tempo é entrar em paz. Estar em paz é estar inteiro e, portanto, saudável. Para ser saudável é imprescindível a clareza conceitual entre desejo, necessidade e vontade. Se tudo isso é a mesma coisa para mim, sou sociopata, careço do discernimento fundamental para o ser saudável.
Vivemos a idade mídia, momento delicado para os interessados em aprofundamento, autoconhecimento e sentido. Essa escolha atual de desfrontalização (deixar de usar os lobos frontais do cérebro - sede da razão e do pensamento abstrato) não deve em absoluto ser vista de forma preconceituosa ou pejorativa, mas de forma alguma deve passar despercebida ao humano em busca da saúde. Isso pois, sentido existencial interior e saúde caminham de mãos dadas.
Parte considerável dos alimentos disponíveis são inflamatórios e parte considerável dos estímulos aos quais estamos submetidos são desorganizadores mentais, não se excluem os noticiários! As doenças crônicas como diabetes e hipertensão aliadas aos distúrbios do humor decorrem em grande parte da forma insana como nos alimentamos na atualidade. Um processo irreversível decorrente da péssima qualidade das escolhas que fizemos em passado recente.
Por outro lado, sejamos otimistas, não sejamos preconceituosos, experimentemos estabelecer uma relação viva com conceitos emancipadores. Não se revolte, senão apenas volte a si e reconheça o porquê do ambiente à sua volta ser como é. Reflexões simples, mas que nos esquivamos da responsabilidade diariamente.
Diminuir o uso de antidepressivos, moduladores de humor, sedativos do ser, talvez seja opção a ser considerada com certa urgência. Parar de apontar fora e reconhecer dentro aquilo que cabe apenas a mim realizar. Tornar-se pílula de saúde individual.
É possível ser saudável dentro dessa sociedade! Mas é preciso atenção às fórmulas, respostas prontas e receitas, pois cada vida é única. Não nos esqueçamos que o contrário de algo é a mesma coisa ao contrário e que para que a integralidade seja alcançada, os opostos devem ser integrados em um todo, ou seja compreendidos. Oposição é parcialidade, integração é saúde. Uma sociedade partida é uma sociedade condenada, onde tudo o que muda visa apenas fazer com que tudo permaneça como está!
O caminho para a vida saudável é o caminho das perguntas, das possibilidades e raras vezes o das respostas e do tic-tac dos relógios. O poeta cantou que temos nosso próprio tempo. Entrar em relação com este tempo interno que é único para cada ser é primeiro passo solitário e certeiro para a possibilidade da vida saudável.
Não é preciso ficar doente para habitar uma sociedade doente. A pessoa com vida interior pode frequentar a sociedade e reconhecer seus equívocos, pois pensa, tem membrana seletiva. A pessoa desfrontalizada responde aos desafios sociais à semelhança dos animais na floresta. E tudo isso é muito belo de se observar. Observar é um grande passo para o humano. Observemos! 


terça-feira, 21 de março de 2017

SOBRE EDUCAÇÃO INFANTIL


Precisamos nos esmerar na educação infantil, assim em muito pouco tempo serão necessários menos hospitais, presídios, partidos e manicômios; quem sabe ainda no médio e longo prazo possamos abrir mão da classe política em favor de uma nova qualidade de seres, quiçá humanos!
As minorias, cuja expressão máxima hoje é representada pelos políticos, têm se apresentado como vítimas. Vítimas inimputáveis que disputam e computam o que podem a seu favor. É preciso rever o sentido da palavra preconceito e aplicá-la com propriedade onde ela sirva como prevenção do aleijão, seja ele moral, social, animal, carnaval, decimal ou débil mental.
Quatro breves histórias, em forma de animações, lembram parte importante da educação infantil primária para a saúde quanto aos quesitos:
Paciência e disciplina: https://youtu.be/Klx8UBMRrMA
Zelar, não matar o ideal na criança: https://vimeo.com/194276412

E você, acredita em educação infantil ou domesticação infantil?
As fragilidades psicológicas decorrentes da baixa qualidade da educação infantil podem ser contornadas com o auxílio da Arte. Alain de Botton e John Armstrong nos dão pistas sobre como isso poderia ser feito:


A arte é um corretivo da memória fraca, pois torna os frutos da experiência memoráveis e renováveis; a arte é um provedor de esperança, pois mantém à vista coisas alegres e agradáveis; a arte é uma fonte de dignidade para o sofrimento, pois nos lembra o lugar legítimo do sofrimento numa boa vida; a arte é um agente de equilíbrio, pois codifica com invulgar clareza a essência das nossas boas qualidades; a arte é um guia para o autoconhecimento, pois ajuda a identificar o que é central para nós, mas difícil de expressar em palavras; a arte é um guia para a ampliação da experiência, pois nos oferece alguns dos exemplos mais eloquentes das vozes de outras culturas; a arte é um instrumento de recuperação da sensibilidade, pois remove nossa casca e nos salva do habitual descaso pelo que há ao redor.

Quando vir alguém fazendo arte, não se altere, observe suas emoções, silencie para então alegrar-se!

quarta-feira, 1 de março de 2017

ALIMENTAÇÃO CONSCIENTE XI – FOME E ÍNDICES DE NATALIDADE

CONTINUAÇÃO DE:




Por Josué de Castro – A geopolítica da fome vol. 1 – 8ª ed. Pág. 127.
        Quando procuramos agrupar, dentro de um critério geográfico, os países de altos coeficientes de natalidade, superiores a trinta, verificamos que são todos países tropicais de condições geográficas e econômicas impróprias, tanto à produção como ao consumo de proteínas de origem animal. A alimentação, de predominância vegetal, desses países, constitui um dos fatores decisivos, influindo no segredo de sua prolificidade. Se compararmos os coeficientes de natalidade e os consumos de proteínas de origem animal, no mundo inteiro, verificaremos que existe franca correlação entre os dois fatores, baixando a fertilidade à proporção que sobre a taxa de consumo destas proteínas.
        Apresentamos, a seguir, um quadro de países dos mais diferentes coeficientes de natalidade, desde os mais elevados aos mais baixos, e no qual se evidencia, de maneira significativa, a citada correlação:
PAÍSES
COEFICIENTES DE NATALIDADE
CONSUMO DIÁRIO DE PROTEÍNAS ANIMAIS (g)
FORMOSA
MALAIA
ÍNDIA
JAPÃO
IUGOSLÁVIA
GRÉCIA
ITÁLIA
BULGÁRIA
ALEMANHA
IRLANDA
DINAMARCA
AUSTRÁLIA
E.U.A
SUÉCIA
45,6
39,7
33,0
27,0
25,9
23,5
23,4
22,2
20,0
19,1
18,3
18,0
17,9
15,0
4,7
7,5
8,7
9,7
11,2
15,2
15,2
16,8
37,3
46,7
56,1
59,9
61,4
62,6

        Estes dados foram retirados das estatísticas de 1950, apresentados no estudo de Lynn Smith (Population Analysis – 1948) sobre problemas de população e de uma publicação da FAO sobre o consumo de proteínas no mundo.
        Estes aspectos do problema alimentar referentes à influência da dieta sobre a reprodução constitui o ponto mais debatido de nosso trabalho. Desde que apareceu a primeira edição desse livro em 1951, várias críticas foram formuladas, principalmente tendo-se em vista que a ciência clássica da nutrição sempre considerou o fato de que uma dieta rica em proteínas constitui uma condição indispensável à boa capacidade reprodutiva. Considerando a alta importância desse assunto, pela repercussão e aplicação social que poderá ter esta teoria no campo prático da política demográfica, tomamos a deliberação de prosseguir em nossos trabalhos experimentais sob cujos resultados pretendemos publicar um trabalho especialmente dedicado ao problema da alimentação e reprodução. Aproveitamos, no entanto, a oportunidade do aparecimento desta nova edição para apresentar, de forma sintética, alguns fatos novos oriundos da investigação de outros estudiosos da matéria e da observação de fatos sociais que confirmam os nossos pontos de vista.
(Estes fatos e observações constam nas páginas 129-131 da presente obra referenciada no início do texto).
        Com estas observações e estas cifras, desejamos concluir por afirmar que, em última análise, a multiplicação exagerada da espécie, por sua excessiva fertilidade, constitui também uma forma de fome específica, uma das mais estranhas marcas do fenômeno da fome universal.
        Este aspecto do problema tem, a nosso ver, importância primordial, desde que fornece base biológica para apoio de nossa teoria – a teoria da fome específica como causa de superpopulação; da fome provocando o lançamento intempestivo, no metabolismo demográfico do mundo, de produtos humanos fabricados em excesso e de qualidade inferior.

        Como o mecanismo através do qual se exerce esta ação desequilibrante e degradante da fome crônica sobre a evolução demográfica dos grupos humanos envolve aspectos econômicos e sociais, ao lado dos aspectos biológicos, deixamos para desenvolver o assunto na ocasião oportuna, ao estudarmos o problema da fome no Extremo Oriente, área onde a superpopulação relativa se apresenta, nitidamente, como uma das mais estranhas e graves manifestações de fome específica.

domingo, 12 de fevereiro de 2017

SAÚDE E DOENÇA - DOIS LADOS DA MESMA MOEDA III

TEXTOS AFINS:


Colunas de saúde nos jornais falam sobre doenças, programas de saúde enfocam nas doenças, os órgãos de saúde só são utilizados por pessoas em estado de doença. Ministério da saúde adverte enfocando a doença. Faria sentido um ministério só para a doença e outro apenas para a saúde? Saúde na comunicação em primeiro lugar, saúde na educação, saúde na justiça, saúde social e saúde econômica.
Precisamos de um plano de saúde! Mas não desses usados quando não há mais tempo, melhor denominados planos de doenças. Doença e dinheiro são parceiros, assim como o fazem saúde e consciência. A principal campanha de vacinação é a vacinação consciencial. O momento atual pede a troca das pílulas de doença por pérolas de saúde, preservar o bem maior (saúde) e não correr atrás do prejuízo (doença) quando já é tarde.
Um primeiro passo nessa direção implica em fazer as perguntas adequadas para que o incômodo inicial gere o movimento da consciência:
O que é mais importante para um ser humano, formação ou informação?
A mídia promove a formação, informação ou deformação do pensar?
A Universidade forma, informa ou deforma os alunos?
A estrutura familiar forma, informa ou deforma seus filhos?
Não é possível propor qualquer sugestão de melhora social se desviarmos o olhar de questões fundamentais que a princípio podem incomodar. Afinal, informação sem que a pessoa seja formada acaba em problemas ou em alguém querendo tirar vantagem de outrem. Quando se opta por um sistema que deforma e anestesia, o efeito colateral é a impossibilidade do despertar que impulsione o interesse das pessoas na direção da saúde. Acertar requer esforço e quando se vive em um meio que prega a lei do mínimo esforço não surpreende o atual estado das coisas.
Se pensarmos por analogia em um rio contaminado e como tratá-lo, as diferentes estratégias das medicinas da saúde e da doença podem ser mais bem compreendidas. Uma medicina que enfoca a doença vai atacar a contaminação de frente, colocando barcos para drenagem do lixo, aprofundando o leito do rio, jogando substâncias químicas, tentando aumentar o seu fluxo cimentando as bordas e assim por diante, como se sabe. Note que o tratamento aqui vai em direção ao resultado imediato e que seja sentido pelo “paciente” em pouco tempo, daí a intervenção ser tão intensa ao ponto de agir sobre a própria “anatomia” do rio, desconsiderando sua “fisiologia”, como se ele fosse um objeto ou uma máquina a ser consertada.
A mesma situação vista pela medicina da saúde adquire perspectiva bastante diversa. O rio, como se sabe, é uma espécie de ser vivo, tem uma nascente, comporta vida em si, interage com o meio ambiente por onde passa e finalmente assim como nasce tem uma foz onde deságua e se religa ao mar. Assim a medicina que enfoca a saúde vai agir de forma mais profunda apesar de menos agressiva, se valendo da própria vida do rio como fonte propulsora para seu tratamento. Chegando às causas da contaminação a medicina da saúde age inibindo os agentes contaminantes. Isto pode ser muito complexo, pois no caso do rio os poluidores são empresas e pessoas ligadas às esferas do tecido produtivo nacional, eventualmente populações de moradores de edifícios, sejam suntuosos ou “malocosos”, à beira dos leitos onde despejam seus esgotos. Deixar de depositar o esgoto no rio implica em um grande sacrifício para todos, pois elevará gastos com obras de infraestrutura, além de terem efeitos apenas no médio ao longo prazo.
O mesmo acontece quando uma pessoa doente precisa abandonar os maus hábitos que a conduziram ao adoecer, requer esforço e sacrifício pessoal. Apesar de ser óbvio o que fazer, muitos preferem intervenções rápidas e paliativas que permitam o retorno aos mesmos hábitos a uma revisão geral seguida pela mudança comportamental. É importante notar que o próprio rio tem vida e poder de recuperação, caso deixemos de destruí-lo, o mesmo ocorrendo com a saúde. Se para o rio ficar saudável o lema deve ser: “vamos trazer os peixes de volta ao rio”, para o corpo são o lema é: “vamos deixar de ser dormentes e nos tornar seres conscientes”.
É clara a importância e a complementaridade entre as duas medicinas, mas fica agora gritante em que implica a prática da medicina da doença sem a percepção ampliada da medicina da saúde. Salta aos olhos a falta de sentido e o desperdício que é tratar doenças sem concomitantemente cuidar da saúde.
A medicina da doença se baseia na cura e na prevenção; a medicina da saúde por sua vez na preservação e na promoção. Duas medicinas que se complementam sendo a segunda superior à primeira. Prevenir e curar doenças são importantes, mas preservar e promover saúde são fundamentais. Mas afinal qual a diferença entre promover saúde e prevenir doenças? A diferença é toda. As pessoas se previnem geralmente por medo ou receio de que algo lhes aconteça, e por isso fazem seguros ou planos que supostamente as protegeriam. No entanto a própria tentativa de se proteger promove um estado interior de retração ou contração, devido ao medo. Este medo age gerando reflexos em todas as esferas do ser, principalmente sobre o tônus vascular promovendo hipertensão, e sobre o tônus imunológico promovendo imunodepressão. Assim, a aparentemente simples atitude de se prevenir implica em uma atitude reflexa de receptividade a experiências e estados mórbidos que naturalmente acompanham os seres amedrontados em relação aos desafios da vida.
Oposto disso, o promover saúde, coloca o ser em estado de expansão e entrega confiante ao viver, anticorpos naturais para situações sombrias, que ainda que ocorram serão menos traumatizantes e mais construtivas. Promover saúde é expandir a consciência, a partir do que uma prevenção natural sobrevirá. Entretanto agora não gerada pelo medo, mas pelo interesse e prontidão em viver de forma a sempre ampliar o horizonte de possibilidades. Apesar de não ter a suposta certeza de uma segurança comprada, ser o melhor que posso e estar pronto para o que der e vier abrem a vida para a graça, assim como a flor recebe a chuva. Viver com medo dificulta o contato com a graça, que apesar de independente, não chega aos desgraçados fechados à sua visita pelo medo.
Mas porque afinal as colunas de saúde dos jornais só falam em doenças? Quem ganha com isso? Porque os órgãos responsáveis enfocam nas doenças e falam tão pouco em saúde? Se campanhas de vacinação movimentam o mercado e as correspondentes verbas governamentais, tudo bem, mas é fundamental a contraparte que requer verba ínfima comparativamente e que diz respeito à vacinação da consciência das pessoas para questões importantes de saúde pública.
O artigo: Ricos aceitam melhor publicidade em escolas mostra a relevância da questão ao comparar a diferença entre a legislação dos diferentes países (EUA, Alemanha, Portugal e Brasil) em relação ao marketing infantil assim como o cuidado que cada país tem com a forma como suas crianças são educadas. Se os atuais planos de “doença” se beneficiam do sofrimento de seus associados e da exploração dos profissionais de saúde, urge que busquemos planos de saúde que enfoquem a saúde e estimulem seus clientes numa verdadeira relação de sócio em que o pagador receba orientações que expandam a consciência fazendo a vida ser sinônimo de saúde plena.
Na educação para a saúde a formação (educere) da pessoa tem valor superior ao da informação (educare). O ser pleno e saudável tem boa formação de maneira geral, tendo o SER primazia sobre o TER. Somos seres humanos e não teres humanos, lembrando que o caminho para a doença começa quando a vida se afasta do SER na direção do TER do mesmo modo que a saúde e a vitalidade aumentam na direção do SER.
Ser implica em consciência, lanterna do homem saudável e espelho para o homem doente que vendo-se refletido no exemplo a ser imitado encontra referência e fonte de inspiração para sair da horizontal do adormecimento e entrar na vertical do despertar.
Você pensa a esse respeito?

domingo, 1 de janeiro de 2017

ALIMENTAÇÃO CONSCIENTE X – FOME E COMPORTAMENTO SEXUAL

CONTINUAÇÃO DE:


Por Josué de Castro – A geopolítica da fome vol. 1 – 8ª ed. Pág. 124.

      No que diz respeito ao comportamento sexual, verifica-se que a fome crônica – específica ou latente – age de maneira bem distinta da fome aguda. Os povos submetidos à ação contínua de uma alimentação deficitária, longe de diminuírem seu apetite sexual, apresentam exaltação do mesmo e nítido aumento de fertilidade. Esta intensificação da capacidade reprodutiva dos povos cronicamente famintos explica-se através de um complexo mecanismo onde entram fatores de ordem psicológica e de ordem fisiológica. Psicologicamente, a fome crônica determina exaltação das funções sexuais, como um mecanismo de compensação emocional. Todos os fisiologistas são unânimes em reconhecer que, em condições normais, existe uma espécie de competição entre os dois instintos – o de nutrição e o de reprodução – e, toda vez que um se atenua, o outro, imediatamente, se exalta.
      Como a fome crônica, principalmente a fome de proteínas e de certas vitaminas, determina inapetência habitual, perda de interesse pelos alimentos, dá-se em consequência um enfraquecimento da força do instinto de nutrição diante da força do instinto de reprodução, que passa a predominar. Com o apetite embotado, satisfazendo-se facilmente com qualquer coisa, o faminto crônico pode desviar seus interesses para outras atividades independentes da obtenção do alimento, e o primeiro grupo de atividades que se apresenta, não só por sua hierarquia de natureza biológica, como também como compensação psicológica, é o das atividades de ordem sexual. Neste mecanismo psicológico baseia-se o exagerado sensualismo de certos grupos humanos e de certas classes que vivem num regime de desnutrição crônica.
      Mas há também um mecanismo fisiológico determinando esta significativa correlação entre alimentação insuficiente e índice de fertilidade. De há muito, tinham os criadores observado que certos animais, bem cevados, tornam-se estéreis e que basta restringir-lhes a alimentação, durante certo tempo, para que recuperem a fecundidade. Mas o fato empírico não tivera grande repercussão nos meios científicos. Hoje, no entanto, dispomos de dados experimentais e de observações sistematizadas que nos permitem compreender como atuam as deficiências alimentares parciais, como fator de aceleração da multiplicação da espécie. É exatamente a fome de proteínas, acarretando o fornecimento deficitário de certos ácidos aminados indispensáveis, que atua de maneira mais intensa sobre a capacidade reprodutiva dos animais.
      ...Com a espécie humana ocorre idêntico fenômeno. Os grupos de mais alta fertilidade são aqueles que dispõem de menor teor de proteínas completas, de origem animal na sua dieta habitual...
                 

sábado, 1 de outubro de 2016

ALIMENTAÇÃO CONSCIENTE IX – O ALIMENTO DO FUTURO...

CONTINUAÇÃO DE:


        Atualmente, o alimento que recebemos internamente desfaz-se e decompõe-se devido ao calor interno do corpo, permitindo, desse modo, que o éter químico, com o qual estão impregnadas todas as partículas alimentares, se combine com o éter químico do nosso corpo vital. O alimento magnetizado pela ação do sol sobre as plantas é, então, assimilado e “permanece conosco” até que se esgote o magnetismo. Quanto mais diretamente os alimentos vierem do solo para nós, tanto mais magnetismo solar eles conterão. Consequentemente, eles “permanecerão conosco” durante um tempo maior se forem comidos crus. Quando um alimento sofre um processo de cozimento, uma parte do éter nele contido perde-se, pois certa parte das partículas sutis é dissolvida pelo calor e impregna o ar da cozinha com o odor do alimento do qual provém. Portanto, as células do alimento cozido permanecem menos tempo em nosso corpo que o alimento cru, e o alimento que já foi assimilado pelo animal contêm em si pouquíssimo éter químico (exceto o leite, que é obtido através de um processo vital e contem uma quantidade maior de éter que qualquer outro alimento**).

No que se refere à carne dos animais, podemos dizer que a maior parte do éter químico de suas rações foi absorvida pelo corpo vital antes que o animal fosse morto e, ao ocorrer a morte, o corpo vital deixa a carcaça. Portanto, a carne apodrece muito mais depressa que os vegetais e “permanece conosco” somente por pouco tempo depois que a comemos.

     A morte e a doença geralmente são devidas ao fato de insistirmos em tomar alimentos compostos de células desprovidas de seu éter químico individual, obtido durante a assimilação vegetal. Este éter é diferente e não deve ser confundido com o éter químico planetário que impregna os minerais, as plantas, os animais e o homem. A alimentação carnívora, privada pela morte do corpo vital individual que envolve o animal durante a vida, fica reduzida realmente à sua forma química mineral que tem pouco valor nos processos vitais. De fato, é prejudicial a eles e deve ser eliminada do sistema tão rapidamente quanto possível, pois sendo minerais, essas partículas de carne estão mortas e são de manipulação difícil. Portanto, elas gradualmente vão-se acumulando. Mesmo a parte dos vegetais que é composta de cinzas e minerais permanece em nosso sistema, de maneira que há um processo gradual de obstrução que nós consideramos como crescimento. Isto acontece porque privamos os vegetais e outros alimentos de seu éter químico. Se fôssemos semelhantes às plantas e capazes de impregnar os minerais com éter, seríamos provavelmente capazes de assimilá-los e desenvolver nossa estatura de um modo gigantesco, mas, tal como somos, o material morto acumula-se cada vez mais até que finalmente o crescimento para devido aos nossos poderes de assimilação terem-se tornado cada vez menos eficientes.

      Futuramente não digeriremos os alimentos no interior do corpo, mas extrairemos o éter químico e o inalaremos pelo nariz, onde ele entrará em contato com o corpo pituitário. Este é o órgão geral de assimilação e agente de crescimento. Nosso corpo tornar-se-á, então, cada vez mais etérico, os processos vitais não serão embaraçados pelos resíduos obstrutores e, consequentemente, a moléstia desaparecerá e a vida será prolongada. É significativo, em relação a este fato, que muitos cozinheiros não sentem apetite, pois o aroma picante dos pratos que preparam satisfazem-nos bastante.

     A ciência está aprendendo gradualmente as verdades anteriormente ensinadas pela ciência oculta, e sua atenção está sendo voltada para as glândulas endócrinas, que lhes darão a solução de muitos mistérios. Contudo, não parecem estar inteirados ainda de que há uma ligação física entre o corpo pituitário, o principal órgão de assimilação e, portanto, do crescimento, e as glândulas suprarrenais, que eliminam os resíduos e assimilam as proteínas. Elas também estão ligadas fisicamente com o baço, o timo e as glândulas tireoides. Nesta ligação, é significativo, do ponto de vista astrológico, que o corpo pituitário é regido por Urano, que é a oitava superior de Vênus, o regulador do plexo solar, onde está localizado o átomo semente do corpo vital. Deste modo, Vênus guarda a entrada do fluido vital que nos vem diretamente do Sol através do baço, e Urano é o guardião da porta de entrada do alimento físico. É a função dessas duas correntes que produz o poder latente armazenado em nosso corpo vital, até que seja convertido em energia dinâmica pela natureza marcial do desejo.



** O autor escreveu esse texto no início do século XX e se referia ao leite extraído diretamente da vaca para consumo imediato. É preciso lembrar que hoje são raríssimas as vacas que se alimentam exclusivamente de capim, pois a maioria se alimenta com ração à base de milho. Essas rações modificam o metabolismo animal especialmente no que diz respeito à relação ômega 3 / ômega 6 em favor desse último (Sobre isso, vide os livros campeões de venda de Michael Pollan, “O Dilema do Onívoro”, e de David Schreiber, “Anticâncer”). O desbalanço caracterizado pelo aumento de ômega 6 em relação ao ômega 3 coloca o corpo em estado de inflamação. A inflamação por sua vez predispõe a doenças crônicas e aparecimento de neoplasias (cânceres). Cuide em diferenciar o leite da vaca do leite de saquinho ou de caixinha, pois são substâncias de naturezas diferentes. Tudo o que é da natureza tem vida e vitalidade e se renova rapidamente, já o que tem pouca vida e pouca vitalidade, pode ser conservado por meses quando não indefinidamente.

segunda-feira, 8 de agosto de 2016

ALIMENTAÇÃO CONSCIENTE VIII

CONTINUAÇÃO DE:


A despeito do trabalho oferecido pelos cuidadosos documentários abaixo relacionados, a alimentação saudável pede um cuidado e uma amorosidade sustentados, por parte das autoridades, especialmente no que diz respeito ao que aparenta ser bonitinho e engraçadinho.



            A criança é o patrimônio mais precioso de uma nação. Na verdade aprendi isso quando morei nos Estados Unidos, um país que cuida de suas crianças como sua maior riqueza. Por exemplo, quando um ônibus escolar parava para pegar uma criança, toda e qualquer circulação de veículos na redondeza do transporte escolar precisava parar no sentido de garantir a integridade dos estudantes, um pequeno detalhe entre outros tantos. A criança que cresce assim, percebe, sente-se cuidada e valorizada. A criança valorizada sabe dar valor.
Criança gosta de brincar e repetir tudo o que escuta; um idioma pode ser muito mais facilmente aprendido por uma criança que por alguém de mais idade. Por isso é especialmente importante cuidarmos da qualidade do que se oferece como material de repetição. De fato isso é fundamentalmente importante no que diz respeito à educação alimentar.
Acredito nesse momento histórico em que se discute a obesidade infantil, valer a pena visitar e pensar sobre materiais musicais similares ao que se mostra abaixo. Sempre no sentido de refletir sobre a qualidade alimentar de nossas crianças ou baixinhos para quem acha que ser grande é questão de tamanho.

Eu queria ter um dia
Pra comer só porcaria
Três quilos de sorvete
Dentro de uma melancia

Mergulhar numa piscina
Cheia de coca-cola
Uma caixa de bombom
No meu recreio da escola

Eu quero é mais, eu quero é mais,
Eu quero é mais, mais, mais, mais, mais

Se eu ficar gordo muito gordo, tudo certo
Tudo bem tanto faz, eu quero é mais

Quero chegar na lanchonete
Comer quinze Sanduiches
Um pão de cada lado
E dentro tudo que existe

Eu quero 5 Salsichas
Dentro de um cachorro-quente
Com creme e chantilly, só pra ficar diferente

Eu quero é mais, eu quero é mais
Eu quero mais, mais, mais, mais, mais

Se eu ficar gordo muito gordo, tudo certo
Tudo bem, tanto faz, eu quero é mais

Uma pizza gigante, enorme colossal
Grandona bem servida de tamanho anormal

Um saco de batatas, crocantes e super fritas
E só de falar nisso a barriga se agita

Eu quero é mais, eu quero é mais
Eu quero mais, mais, mais, mais, mais

Se eu ficar gordo muito gordo, tudo certo
Tudo bem, tanto faz.


segunda-feira, 4 de julho de 2016

ALIMENTAÇÃO CONSCIENTE VII

CONTINUAÇÃO DE:

REFLEXÕES NADA CIENTÍFICAS SOBRE HÁBITOS ALIMENTARES
Por: André Oliveira Guimarães Leite – Advogado da saúde - Email: aogleite@gmail.com



Sentes cansaço? Tens bom apetite? Tens sono profundo? Tens boa memória? Tens bom humor? Tens rapidez de raciocínio e de execução? Estas seriam as seis condições enumeradas por Georges Ohsawa indicativas de boa saúde e felicidade. Trata-se do autor de "Macrobiótica zen - arte do rejuvenescimento e longevidade".
Esses questionamentos nos fazem refletir a respeito do que é a felicidade e a saúde, e o que é preciso para alcançá-las. Com certeza, a alimentação é um dos pilares para uma vida saudável, e, por consequência, feliz.
Existem divergências, no entanto sobre o que é uma boa alimentação. Além da qualidade do alimento, questões referentes à quantidade, à forma de se alimentar e outros hábitos alimentares podem ser determinantes para alcançar, preservar e promover a almejada saúde.
Cientistas realizaram um estudo com cobaias, separando-as em dois grupos: um dos grupos era alimentado constantemente, com intervalos nunca superiores a 10 horas, enquanto que o outro era submetido, diariamente, a um intervalo de 13 horas entre alguma das refeições diárias. O resultado foi surpreendente: a longevidade do segundo grupo foi consideravelmente maior que a do primeiro.
Isso nos faz pensar a respeito das recentes orientações nutricionais que recomendam a ingestão de alimentos a cada três horas... Para muitos, trata-se de lobby criado por grandes empresas do ramo alimentício...
Há relatos de pessoas para quem a alimentação não seja algo imprescindível. Isso mesmo, pessoas que poderiam "viver de luz" ou se alimentar de prana.



Menos radical, todavia, conhecemos ou já ouvimos falar sobre os benefícios que podem advir da prática de algum tipo de jejum. A cultura oriental sempre nos ensinou que não devemos nos alimentar em excesso. "Comer até estar 80% satisfeito" é uma das máximas desta cultura milenar.
Segundo Mahatma Gandhi, "devemos mastigar as nossas bebidas e beber os nossos alimentos".
Todas essas informações fazem-nos refletir se não há algum grau de toxidade intrínseca em todo e qualquer alimento. Não só porque estão impregnados de todo tipo de substância tóxica empregada na sua produção, mas também em razão da própria constituição do alimento e  os diversos quadros de intolerância de cada organismo humano. Se pensarmos no atual estágio da sociedade, na qual é comum que princípios éticos sucumbam frente às exigências do capitalismo, mais razão se teria para perder o apetite.
Quem já não abusou daquela feijoada de sábado e depois ficou horas em estado quase vegetativo? O nosso corpo reclama sempre que nos alimentamos um pouco além da conta. Em sentido oposto, experimente fazer um jejum de mingau de arroz durante um dia e verá que leveza sentirá em todo o seu ser!
Em tempos de massificação da sociedade, o grande pecado parece ser a padronização da alimentação. A industrialização alimentar e a vida moderna retiraram do homem o "livre arbítrio" do que levar a boca... Perdemos a capacidade de ouvir o nosso estômago, consumindo porcarias prontas, sem qualquer relação com o que o nosso organismo anseia.
Hoje não temos mais tempo de sentir fome, aquele sentimento saudável (claro, desde que voluntário). Fomos acostumados a nos pré-alimentar. "Coma menino, senão você passará fome"... A lógica parece estar invertida.
Alimentar-se bem, por vezes, pode significar não ingerir qualquer alimento, permitindo que o nosso corpo se recupere e aproveite o ventre livre para se alimentar de outro tipo de energia. 
É importante manter viva a pergunta: você come para viver, ou vive para comer?