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terça-feira, 2 de outubro de 2018

GRANDES MUDANÇAS ESTÃO OCORRENDO


POR: GERALDO DRUMOND



Amigos, posso dizer a vocês que grandes mudanças estão ocorrendo. Vamos nos permitir ser mais amorosos, mais afetivos, viver mais o coração e menos a mente.
O universo é benevolente e conspira a favor. O ser humano é muito mais rico do que temos vivenciado. A nossa capacidade de amor é enorme, e temos que experimentar cada dia mais esta capacidade de amar, de perdoar, de nos entregarmos ao universo, como seres espirituais que somos. As dificuldades e adversidades do mundo são pequenas face à grandeza de nosso espírito, de nossa alma. Não devemos nos deixar levar pela notícia ruim, pelas estatísticas desastrosas. Elas representam ainda muito pouco da grandeza de um gesto de amor, de um sorriso de compreensão, de uma ajuda desprendida, de um pedido de desculpas, de um me perdoe, errei, quero acertar. O ser humano é muito melhor do que temos conseguido enxergar. E a expressiva maioria de nós quer acertar, quer ser feliz, ocupar o seu espaço (muito próprio) deste imenso universo, maravilhoso, enorme, que tem espaço para todos, e com sobra. Vamos nos acolher, nos compreender mais, nos aceitarmos mais. Podemos construir situações que vão nos permitir que a imensa maioria respire, alimente, more, ame, enfim, seja!!!


domingo, 9 de setembro de 2018

EU E TU III – A PIZZA DA CONSOLAÇÃO



            Noite fria, comendo pizza com amigos. Éramos três, papo bom, papo cabeça. Noite viva, noite feliz!
            Finda a pizza notei haviam sobrado dois pedaços! Com esse frio, talvez alguém na rua possa se beneficiar. Vou pedir para embrulhar. Que bom, não aprecio desperdício, vou otimizar.
            Já na rua, frio, bem frio, quase ninguém à vista. Será possível? Ninguém?
            Os amigos se afastaram, foram na frente conversando. Eu disse já vou, vão indo! Fiquei só, procurando.... Ninguém!! Espera! Tem alguém lá embaixo; rua da Consolação, frente ao cemitério, do outro lado da rua, do outro lado da vida; cachorro ao lado; revirando o lixo; pés descalços; roupa rasgada. Deve estar com fome. Eu, eu, eu, eu, esse cara que acha poder fazer diferença, que acha poder ajudar alguém, que acha que pode alguma coisa! Quanta pretensão.
            A vida é assim, surpreende onde se menos espera. E foi assim, me surpreendeu...
            – Moço, trouxe esse pedaço de pizza para você.
            Parou, soltou o lixo, me olhou, ainda de joelhos, e disse sereno:
– Não vai faltar para você?
Suficiente para gerar em mim a sensação de um raio atravessando as solas dos meus pés e arrepiar meus cabelos como se algo me puxasse forte em direção ao alto. O que acontecera?
No descuido de achar poder ser útil, ajudar, amaciar o próprio ego no calor da boa ação a quem não teria absolutamente como retribuir, fui desmascarado frente a Deus me transpassando no olhar e nas palavras de quem até então se manifestava aos olhos como um desgraçado.
Às vezes, sempre, só alguém profundamente desgraçado e amoroso para nos mostrar com tanta clareza o estado desgraçado que nos encontramos. Compreendemos a desgraça na medida em que a mesma nos assola. Entendo mal a desgraça, na medida em que a atitude do outro me consola. Ser assolado ou consolado, o que você preferiria nesse instante meu amigo?
Eu, naquele instante, Rua da Consolação, fui assolado pelo estado miserável em que me encontrava. Consolado na luz divina que se irradiara na experiência de comunhão com Deus de pés descalços no chão, ajoelhado e me perguntando: não vai faltar a você?
Claro que vai! Já faltou! Faltou o chão, faltou tato, faltou fôlego, mas antes de tudo faltou o mais importante; respeito. Respeito ao espaço alheio, respeito ao outro ser, respeito ao Tu que me referencia enquanto Eu. Enfim, me senti como talvez o político brasileiro, um ser repugnante; como talvez ainda a barata da metamorfose de Kafka. Sobre políticos, esclareço a propósito, com todo respeito, me refiro apenas aos eleitos; os candidatos pretendentes considero muito pudicos, ressalva seja feita! Pena nunca se elegerem. Coincidências mórbidas...
Amigo, acredite, não é fácil encontrar com a abundância na casa da penúria. O contrário é mais comum. O que acha?
Mas, não dava mais tempo, passado e futuro haviam colapsado e me algemado àquele momento de eternidade. Então aquilo era o presente?! Que presente!
O que acontecera, pensava enquanto voltava aos amigos de pizza. Milagre, mil lágrimas, era só o que me cabia. Sim, mais que isso talvez. Mas lágrimas de que? Alegria, vergonha? Não importa, senão que lavavam meu ser, tornando-o um pouco mais reverente ao outro, meu próximo. Meu próximo que julgo precisar de mim, mas sem o qual não sou ninguém, não tenho sentido.
As situações de êxtase são boas por isso, devolvem o sentido, organizam o sentir e orientam o perdido. E olha que meu sobrenome é Leme hein!?!
Lamentável Leme, você esqueceu! Esqueceu de pedir licença e perguntar se poderia oferecer algo a seu irmão, a seu igual, a seu maior! Sim, e o preço foi alto, altíssimo, levou um choque e recebeu em si instantaneamente todo o ser daquele que pensou pudesse ajudar. Foi ajudado! Ajudado a ser menos cego, pela luz invisível daquele que de nada carece pois está em paz. Que a paz esteja com você meu amigo desconhecido. Essa paz que é inteireza e que você me recordou com maestria.
Paz não é de fato ausência de guerra, senão inteireza em meio à guerra da vida que pode sim afetar nosso Ter, mas que não pode nada quanto ao Ser daquele que alcançou a compreensão do mistério sagrado do encontro do Eu com o Tu.
De fato, antes daquele, eu tinha passado por encontros mais adaptados a meu nível. Por exemplo aquele do cara ajoelhado no metrô com as mãos cheias de moedas e quando eu pus mais uma ele lançou tudo ao chão espalhando todas; e também aquele que para mim foi a cereja do bolo: o amigo que pedia no farol e que ao abaixar o vidro e lhe oferecer uma bala, me sugeriu que a colocasse entre as pernas na região terminal do intestino. Talvez não fossem essas as palavras, não me lembro bem, mas era algo assim.
Por essas e outras muitas que ainda se saberão é que aprendi a pedir licença e perguntar se posso ser útil de algum modo antes de achar que tenho a chave e a solução para o que o outro precisa.
E você amigo? Sabe do que seu próximo espera ou precisa de você?

terça-feira, 3 de novembro de 2015

O SEGREDO DA LONGEVIDADE - PARTE II

Por: Koshiro Nishikuni – Médico da Saúde e yoboku da Igreja Tenryu

 

Veja também:

     Vocês lembram quando tiveram um pensamento feliz? Como sentiu o seu corpo? Quando nasce um nenê, a mãe, com o sentimento de amor incondicional, sente alegria e gratidão, o que faz transbordar leite do seu seio. Ao contrário, se discutir com alguém, ficar tensa, com raiva ou triste, as glândulas mamárias se contraem, bloqueando a saída de leite; e, acontecendo repetidamente, a mama endurece progressivamente e fica com a doença chamada de mastite. Contudo, é mais fácil tomar um medicamento para aliviar a dor, do que compreender a mensagem que o organismo está sinalizando. Somos imediatistas e tratamos apenas as consequências, deixando de buscar a verdadeira origem da doença. No hino X dos Hinos Sagrados, temos: “O sofrimento vem do seu próprio espírito, devem ter rancor de si mesmos. Embora seja a doença um fato penoso, não há quem tenha conhecido a sua origem. Até o presente momento, todos igualmente, não conheciam a origem das doenças. Desta vez, foi revelada, a origem das doenças está no espírito.”
       Do ponto de vista médico, o corpo humano possui a função básica de manter o equilíbrio do organismo diante de todos os estímulos, exterior e interior. Isto é, acontece através da livre circulação de energia no organismo, assim como através das trocas contínuas entre o corpo e o meio ambiente. Esse fluxo contínuo de energia é que nos mantêm vivos. Quando a circulação de energia ocorre de maneira inadequada, surgem as doenças. O corpo sinaliza, com antecedência, o desequilíbrio através de pequenas alterações funcionais sem substrato físico. A não valorização desses sinais e a manutenção do padrão de vida, faz as alterações físico-químicas se cronificarem e se solidificarem até atingirem o corpo físico. A doença passa a se expressar em algum órgão ou víscera, acompanhada de padrões mentais e emocionais bem determinados.
      Saúde e doença são aspectos de um mesmo movimento. Através do desequilíbrio atingimos um novo equilíbrio, uma nova frequência e um novo patamar energético. No período de transição para esse novo padrão, vivencia-se a doença. Ela não é considerada como algo estranho, muitas vezes, através da doença é que alcançamos a saúde. Verifica-se, com certa frequência, em pacientes com doenças graves ou terminais, relatos de estarem vivendo melhor, de forma mais saudável, a partir do momento que se conscientizaram de seu comportamento doente.
Para vivermos em harmonia, precisamos ter flexibilidade e disposição para um grande número de opções de interação com o meio ambiente. Sem flexibilidade não há equilíbrio. Períodos de saúde precária são estágios naturais na interação contínua entre o indivíduo e o meio onde ele está inserido. Estar em desequilíbrio significa passar por fases temporárias de doença, nas quais se pode aprender a crescer.
A doença é uma oportunidade para a introspecção. A função básica do terapeuta está em espelhar a verdade para o paciente, ajudá-lo a desenvolver uma consciência do processo de vida e dos mecanismos (obstáculos e ilusões) que se criam para gerar a doença. Também, ajudá-lo a entrar em sintonia com seus próprios recursos de cura, possibilitando o resgate da autoestima, da aceitação, do perdão e da gratidão. O organismo doente está envolvido no aparecimento, no desenvolvimento e na cura de sua doença. O ser humano pode se fixar na doença e mesmo obter com ela benefícios, mas pode principalmente, pela doença, exprimir tendências profundas. O corpo relata, fala, descarrega e protesta através do seu próprio adoecimento. É sempre, uma forma de o organismo expressar conflitos profundos. Os distúrbios digestivos, por exemplo, são, muitas vezes, expressões de conflitos entre o reter e o expelir, entre o desejo e a necessidade.
Poderíamos, entre outras coisas, dizer que a doença é passagem e transformação, e, acima de tudo, tem um sentido muito pessoal, a cada momento. É uma entrada para uma outra realidade, como um sonho, ela pode ter inúmeras leituras para cada um. A oração e a meditação são práticas que podem ajudar nesse processo. Porém, nem sempre é possível explicar tudo. Há muitas coisas misteriosas na vida e decifrá-las está além do nosso alcance a despeito de qualquer esforço. Entretanto, se formos humildes e confiantes, precisamos acreditar que em tudo existe o amor divino. Ou seja, as doenças são manifestações do amor divino para incentivar a reforma e acelerar a evolução espiritual ou interior. A nossa essência sempre nos mostrará o que é possível; e quanto ao que permanecer, nos guiará e ajudará a acolher e reverenciar o desígnio divino: Ser Feliz, a sublime missão!
Não podemos fugir ou pensar que a causa está em outras pessoas ou nos fatos. Devemos trabalhar o sentimento para mudarmos a maneira de refletir e buscar o verdadeiro significado da vida, e, assim, aproximar-nos um pouco mais da intenção de Deus. Porém, sabemos perfeitamente que a realidade não é tão simples assim, que existe uma grande dificuldade para aceitarmos tudo com alegria e sinceridade, principalmente nos fatos que consideramos “negativos”. “Seja no que for não existem dores nem doenças em absoluto. São a instância e orientação de Deus”.
Segundo a doutrina de Tenrikyo, este mundo era um mar de lama e Deus-Parens criou os seres humanos por desejar ver o viver alegre e feliz. Renascendo oito mil e oito vezes, passamos por todos os graus de existência. Aprendi, no curso de Formação Espiritual, que a evolução da macaca para o homem, que é uma diferença sutil, foi o último grande retoque de Deus-Parens. Uma benção!
Em um vídeo de experiência feito com chimpanzés, na Universidade de Kyoto, os cientistas concluíram que só o homem consegue rir e viver ajudando-se mutuamente, coisa que os chimpanzés são incapazes. “A causa da doença está no sentimento”. Essa frase ficou popular na década de 70, com a impressionante pesquisa sobre a influência da mente na evolução do câncer, feito pelo psiquiatra David Spiegel, professor da Universidade de Stanford. As pacientes que se reuniam com os grupos de apoio sociais se mostraram mais alegres, otimistas e menos ansiosos/deprimidos e com menor uso de remédios para combater a dor. E esses pacientes viveram o dobro dos que somente receberam o tratamento convencional. Nas reuniões de 90 minutos semanais, 50 sessões por ano, cada paciente pode expressar os seus sentimentos e tinham com quem compartilhar as dores, ouvindo-as com coração.
A ministração do Sazuke, a oração, a orientação e a palavra amiga fazem grande diferença para aliviarem o sofrimento das pessoas. O neurocientista Grafman analisou o cérebro de 40 pessoas, religiosas e não religiosas, enquanto liam frases que confirmavam ou confrontavam a crença em Deus. Usando imagens do cérebro, mostraram que, em longo prazo, há alterações no lobo frontal e no sistema límbico (áreas ligadas às emoções). Descobriu que as partes ativadas durante a leitura de frases relacionadas à fé eram quase as mesmas usadas para entender as emoções e as intenções de outras pessoas.
O Centro para Estudos da Religião, Espiritualidade e Saúde da Universidade de Duke (EUA), analisou o efeito da oração em 4.000 pessoas com mais de 65 anos e concluiu que os fiéis apresentam sistema imunológico melhor, e consequentemente com o índice de mortalidade 46% menor do que o grupo que não reza.
“A ciência sem religião é claudicante, e a religião sem ciência é cega” (Albert Einstein). As revelações do Einstein podem ter sido o passo inicial facilitador da aproximação do mundo científico com a religião. Vários pesquisadores têm tentado mensurar e provar o efeito da fé e oração, alguns chamam de “misteriosos” estes resultados. “Um pouco de Ciência nos afasta de Deus. Muito, nos aproxima” (Louis Pasteur). Acredito que são bem aceitos para quem tem o espírito de devoção sincera a Deus Parens.

terça-feira, 1 de setembro de 2015

O SEGREDO DA LONGEVIDADE - PARTE I

Por: Koshiro Nishikuni – Médico da Saúde e yoboku da Igreja Tenryu
Veja também:


Oyassama disse que, com o espírito sereno podemos viver até os 115 anos de idade. O pesquisador Dan Buettner percorreu o mundo e encontrou cinco regiões onde vivem pessoas centenárias, repletas de alegria e ótima qualidade de vida, livres de doenças e incapacitações.
Foram mapeadas cinco localidades do mundo onde as chances de alcançar os 100 anos de idade são 10 vezes maiores, comparadas a outras regiões. Esses locais são chamados de “Blue Zones” ou “Zonas Azuis”: Okinawa (Japão), região com o maior percentual de centenários no mundo inteiro; Sardenha (Itália); 371 pessoas já haviam completado 100 anos em 2012; Loma Linda (EUA), cidade fundada pela Igreja Adventista do Sétimo Dia; Península de Nicoya (Costa Rica), localidade com o maior número de centenários no mundo, 400; e Icária (Grécia), estima-se que um terço da população chegará aos 90 anos de idade. A genética desempenha um papel coadjuvante, mas o fator determinante na longevidade humana é, sem dúvida, o estilo de vida. Temos muito a aprender com os moradores dessas cinco regiões. Analisando a pesquisa, notei que a filosofia de vida deles, tem muita semelhança com os ensinamentos de Oyassama. Todos apresentam algumas características em comum:
1. Corpo em movimento
Nas zonas azuis, as pessoas não estão acostumadas a fazer exercícios específicos para atividade física; eles se mantêm em movimento, sem precisar fazer muito esforço para isso. Na Sardenha e em Icária, por exemplo, grande parte da população é acostumada a pastorear animais, mantendo-os sempre em movimento. Cuidar do jardim, caminhar até o trabalho ou, simplesmente, viver em local com escadas, também contribui para se manter em movimento.
2. Alimentação
Boa parte da população é vegetariana; frutas, vegetais e grãos são itens indispensáveis à mesa. Também, bebem com moderação e utilizam pratos pequenos. Em Okinawa, existe uma prática conhecida como hara hachi bu”, que consiste em comer até o estômago estar 80% completo. Devemos sentir gratidão pelo que alimentamos, quando resta este pouquinho de vontade.
3. Espiritualidade:
Independentemente da fé, este item é um ponto forte nessas comunidades. Por exemplo, Loma Linda está relacionada à Igreja Adventista do Sétimo Dia, e os habitantes da Península de Nicoya têm uma profunda fé em Deus. Segundo o pesquisador, participar de atividades relacionadas à fé ao menos quatro vezes por mês, pode adicionar até 14 anos à vida.
4. Senso de comunidade
Família e amigos estão sempre em primeiro lugar. Em Loma Linda, a Igreja é o lugar de reuniões e amizades. Em Okinawa, os habitantes possuem grupos de amigos que os acompanham desde a infância e com quem podem compartilhar as alegrias e tristezas.
5. Propósito de vida
Todos sabem exatamente o motivo que os fazem acordar de manhã: existe um propósito. Também são voluntariados, procurando, desta forma, um sentido a mais para a vida. Isso me fez lembrar do hinokishin e as frases de Oyassama, sobre as três coisas importantes na vida: levantar cedo, ser honesto e ser trabalhador. Cerca de 65% desses idosos são completamente independentes para as atividades diárias. Ainda, para 2015, há a expectativa do número de idosos com mais de 100 anos seja 20 vezes maior do que há 15 anos. “Uma dieta saudável é importante, mas, não pode faltar: rir e se divertir com as pessoas ao redor” – disse a Srª Panchita, de108 anos. O senso de humor é extremamente importante para a qualidade de vida. É exatamente como o ensinamento de Oyassama: “viver com alegria”.
O cientista Kazuo Murakami acredita que a alegria, a gratidão e a oração podem ativar os genes benéficos. O resultado de um experimento relativo ao riso foi a primeira descoberta. Despertar os bons genes que estão adormecidos com a risada. Até então, havia a ideia de que as características genéticas eram imutáveis, porém, as pesquisas revelaram que os genes podem ser mudados, como um interruptor liga/desliga, ou seja, ativa ou desativa. Ativar o gene é fazê-lo trabalhar e desativar é interromper o seu trabalho. A experiência foi feita com 25 voluntários diabéticos, após o almoço, observando-se a variação da taxa de glicemia, após uma estressante explicação médica sobre as consequências da diabetes e uma seção de humor, realizados em dias consecutivos. O resultado apontou um aumento médio de 123 mg de taxa de glicose contra 77 nos respectivos testes. Os médicos ficaram espantados com o resultado. Quando estamos alegres o cérebro libera neurotransmissores como serotonina e endorfina, chamado também de “hormônio da felicidade”. A palavra endorfina se origina das palavras endo (interno) e morfina (analgésico) e constitui nossa morfina endógena, que o próprio corpo produz. Por ser um potente analgésico natural, ao ser liberada no sangue gera sensação de bem estar, conforto, melhora no humor e alegria é sinônimo de saúde. É a “farmácia natural” que Deus nos oferece.
CONTINUA...

terça-feira, 17 de junho de 2014

ELOGIO x ELEGIA À VAIDADE – ACONTECEU EM 12 DE JUNHO

“Palavras do pregador, filho de Davi, rei em Jerusalém.
Vaidade de vaidades, diz o pregador, vaidade de vaidades! Tudo é vaidade.
Que proveito tem o homem, de todo o seu trabalho, que faz debaixo do sol?”.
Eclesiastes 1:1-3

Blogueiros homenageados 12/06/2014

No último dia 12 deste mês um evento sem precedentes ocorreu na Arena Saúde é Consciência. Os mundialmente famosos blogueiros Mário Inglesi e Ricardo Leme, reconhecidos pelo incansável trabalho rumo a uma humanidade plenamente saudável, completaram juntos 126 anos! Sendo destes a maior experiência atribuída ao octogenário Sr. Inglesi e 46 ao principiante Sr. Leme.
Excepcionalmente e de forma inédita, a equipe de repórteres e correspondentes internacionais do blog foi destacada para a cobertura do evento que transcorreu em ambiente reservado. Durante o evento os homenageados discursaram cada qual manifestando sua peculiar expressão geminiana. Seguem as falas dos homenageados.

Dr. Ricardo,
Caro amigo.
Não bastassem as festas juninas, em homenagem aos sempre louvados: Santo Antônio, São João e São Pedro, dançando ‘quadrilha’, tomando quentão, comendo pipoca e muitas guloseimas caseiras feitas e oferecidas pelos paroquianos, e cantando, músicas de repertório já eternizado, em meio a fogueiras e chuva de fogos de artifício, temos, também - ao que se saiba - festejos de aniversários de dois compadres, um da saúde e todos os demais afazeres, e, o outro - agora octogenário - pintando e bordando em escritos vários e fugazes.
Agora, no arranjo dos desarranjos, a ocorrer sempre neste mês de junho, porém, de quatro em quatro anos, em países diversos, inventaram para gáudio popular, no Brasil, a tal Copa do Mundo de Futebol, além de outras bossas esportivas, já agendadas, sempre com muita antecedência e preparo.
Assim, neste ano, mais uma Copa do Mundo. Desta feita, - imaginem que glória! - no Brasil. Trabalho e dinheiro - logo, não faltarão desperdício e malversação, principalmente, no que se refere ao segundo.
Isto tudo, porém, são apenas firulas, o que interessa mesmo agora é homenagear o sr. doutor.
É que ele, tal como Sócrates e Tostão - também doutores - o foram, em tempos idos - imaginem! - recebeu convocação para integrar à seleção brasileira de futebol à Copa de 2014. Entre os melhores dos melhores, pela somatória de feitos, lógico que é merecedor - e muito- da nossa maior confiança e elogios. Afinal, como emérito atacante, mas com qualidades para jogar em quaisquer posições ou frentes, sempre com sucesso, como já demonstrou e vem demonstrando, numa metamorfose a olhos vistos, só nos resta aplaudi-lo e torcer por seus gols logo na primeira partida no dia 12 de junho. Estamos confiantes, sempre na torcida, para aclamá-lo e parabenizá-lo logo na estreia, pelo gol ou gols da vitória do time brasileiro.
Portanto, doutor, conte com nossa confiança e nossos aplausos sempre. Um ídolo é para comemorá-lo e homenageá-lo em todas as oportunidades, principalmente, nessa dupla ocasião de aniversariante e jogador na 1ª Copa inteiramente brasileira.
Afinal, depois da foto com o rei Pelé, o senhor estará, visceralmente, no olho da mídia, ainda mais, com o abraço do Rei, o seu aval, como jogador foi garantido. Ô, homem sortudo, tá feito na vida…
 Ora, ora. Mas, não há surpresas. Tudo é possível. Para quem é fundador e titular do: “Saúde É Consciência”, - time dos mais importantes e cujos feitos esportivos e sociais em prol da saúde vem ganhando cada vez maior notoriedade, o fato ora ocorrido é notoriamente corriqueiro e justificado.
 Bem! O cansaço por tantas efemérides festivas – Festas Juninas, Aniversários e Copa do Mundo – creia, não me fará esmorecer e nem me abaterá nenhum pouco, ainda porque, com um sorriso à la “Monalisa” e ensimesmado, aproveitarei para refletir sobre a “brevidade da vida”.
Parabéns e abraços de congratulações a todos os festeiros e com vivas e brindes, em particular, ao nosso grande e emérito amigo homenageado.
Mário Inglesi

Dr. Sr. e Vovô Mário,
Companheiro de caminhada!
Compadres comemoram, festas juninam e neste ano nosso doze de junho virou feriado! Importantes por tabela, operários da saúde, brindemos os leitores com reflexões, especialmente as octogenárias, saudáveis em si visto o precioso e consistente percurso que as sustentam desde nosso primeiro bate bola no livro “Saúde É Consciência”.
Passadas as firulas, bem delineadas e acentuadas, me resta, embalado pelos confetes lançados, agradecer e retribuir o aprendizado que abunda sempre de sua bondade, palavras que se envaidecem por um lado, por outro lembram a longa caminhada desde a estação vaidade à quase inavistável e quiçá inabitável humildade. De fato, suas palavras me envaideceram e assim me levaram a refletir sobre esta companheira, também sorrateira!
Um amigo mineiro que estudou física sempre fica sério quando eu descuidado o elogio e diz: “Ricardo, como sabe, o elogio colapsa a função de onda e quando a onda vira partícula pode esbarrar em alguém e se desviar...”. De fato, o elogio, primo distante da elegia, pode confundir e fazer tropicar. Recordo-me a esse respeito da última cena do filme “Advogado do Diabo” (veja abaixo) em que o moço crente na vitória, de fato baldeava para a estação eterno retorno...


É vaidade ou orgulho popular dizer que devagar se vai ao longe, que uma andorinha só não faz verão e que nenhum ser humano é uma ilha? Sem resposta, desejo que a profícua caminhada conjunta prossiga, assim como sua inspiradora generosidade, na esperança de algum dia, por imitação eu possa ser um pouco menos Eu e um pouco mais Tu, buberianamente falando. De fato, vaidade é insanidade e, portanto distancia da saúde.
E por ser assunto capital, convoco o pensador Leandro Karnal para nos contar em palavras precisas um pouco mais sobre esse pecado nosso de cada dia, o orgulho. Precisas de necessárias e também de certeiras, carregadas de preciosidade e de precisão, mas recheadas do amor inerente à sabedoria.


É sempre surpresa notar como apenas duas letras transformam a vaidade, cheia de si, em algo formoso como a vacuidade, voilá, prima esvaziada. Que esse “vazio” seja para nós, vaso a ser preenchido não pelo inútil visto fútil, talvez infértil quando não infernal...
Enquanto esperamos, na semana vindoura, a chegada simbólica do Corpo de Cristo, recordemos que em intervalo similar ao que separa nossas idades, um de nossa raça foi capaz de mudar a história do humano sem usar um lápis, senão sendo um. Um verdadeiro escritor fantasma!
Claro houve outros, como Sócrates, e o mais incrível foi ter feito tudo sem gastar um “Tostão”! Ou seja, sem desperdício ou malversação!
Caro amigo, que nosso time, nossa tabelinha, nossa caminhada se eternize (seja escrita no éter) e seja útil; e que seus 80 “gols” sirvam de lanterna para os cantos escuros onde o breve viver de seu parceiro não alcança. Que sua humílima pessoa e sabedoria possam continuar presenteando este blog e seus leitores e que saúde e consciência lhe sejam concedidas nos incontáveis “doces de junho” por virem. Espero não tê-lo embevecido, escolhi a elegia ao elogio, pois sei de ter sido ensinado, que para desencaminhar um grande homem, bastam três elogios.
Muitos vivas para os vivos aos 80 e de maneira especial ao companheiro de jornada Dr. Sr. e Vovô Inglesi, visto ser vivo que vive e não dos que apenas existem como o reino mineral e quimeras do hominal.

Ricardo José de Almeida Leme

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

UM MORCEGO APARECEU – ETERNIDADE x EFEMERIDADE




            Mês passado em casa, lua nova, um morcego apareceu; uma semana após minha visita a Rubem Alves em Borboletas e Morcegos. Estranho, um rato que voa; voa à noite, sem ver não, sem vergonha. A palavra morcego tem origem no nome arcaico para "rato", "mur" (do latim mure) com "cego", significando, portanto, "rato cego". Mas ao contrário do que muitos pensam, os morcegos têm boa visão; o que, entretanto não os poupou do apelido que pegou, e mesmo enxergando ficou rato cego.
            Também, néctar para beija-flores, que de dia voam na sala em casa, fica na varanda às vezes até tarde. Acostumou, quando eu esquecia, beber também. Deve ter se sentido em casa, mas fora o néctar, em casa só tem livros de ler. Tentou uma revista e pus para fora com revisteiro e tudo! Vampiro letrado nunca havia visto antes.
            Fiquei olhando da janela e quando saiu do revisteiro, peguei de volta e fechei a porta. Bicho esquisito, o que veio fazer aqui pensei. Seria ele oriundo de algum dos três poderes, fugindo da cassação? Talvez, olhando bem, suas vestes me lembraram de ternos e togas, máscaras do poder. Não me satisfiz, tantas sacadas, porque bem na minha?
            Coloquei luz, joguei água, apontei com a lanterna, testei ponteira laser, nada, quieto, imóvel, barriga para baixo. E dormiu lá! Ainda tentou entrar em casa, raspou a porta, mas não abri!
            Dia seguinte estava lá, barriga para baixo, estranho, pensei que dormisse de ponta cabeça, mas porque ficou ali e não voou à noite? Mais água, cutucadinha com vassoura ao que sibilou abrindo as asas – Qui, qui, qui, qui... Matar nem pensar, mas alimentar e cuidar também estavam fora de cogitação.
            Os prejudicados durante o dia foram os passarinhos, ficaram sem o néctar que penduro todo dia.
            Uma hora ele tem que sair daí, não é possível, se chegou vai... Tinha que ser um quiróptero? Não podia ser um pássaro? O que esse bicho quer comigo?


            Na estória de Rubem Alves, os olhos dos morcegos atrofiaram por terem escolhido viver nas cavernas. O que ele teria vindo fazer aqui na Rua Alves Guimarães, curiosa mistura de Rubem Alves com Guimarães Rosa?
            Seria ele hematófago? Primo do Batman? Herbívoro? O que queria aqui?
        Foi um tempo de introspecção; sete dias, uma lua nova passada em reflexão. Aliás, agora escrevendo recordo que lua nova é nome de livro sobre vampiro. Lua nova, crepúsculo, Drácula, variações de um tema comum. Eu que gosto de borboletas, bicho simples, do povo, inseto, visitado por um quiróptero mamífero Hollywoodiano associado ao poder e aos governantes, sinal ou aviso?
          Na infância, além do Batman e o morcego vermelho, sua paródia, tinha ainda o batfino - BATFINO E HUGO AGOGO - Morcego lembrança!
         Ligados à ideia da imortalidade permeiam o imaginário, e se por um lado geram bilheterias milionárias (Batman, Crepúsculo, Drácula), por outro estimulam o pensar apegado de uma ciência que busca no plano físico eternizar uma humanidade atualmente condenada à temporalidade finita. Afinal, não é disso que trata a clonagem, o congelamento de embriões, em alguns casos corpo inteiros, técnicas antienvelhecimento, domínio funcional de células totipotentes e pluripotentes? Penso que sim, mas tudo isso nos fará mais felizes ou mais apegados? Decisão importante essa de viver em preparo para apegar ou para se apagar. Efemeridade Eterna versus eternidade efêmera; pensemos juntos qual aparenta maior potencial salutogênico e como se associam aos conceitos de saúde e doença. A doença tem várias roupagens ao contrário da saúde e seus modestos hábitos.
Curiosa a semelhança do poético “O amor é cego” com morcego; de fato as histórias de morcego sempre têm paixões evolvidas: Batman, Drácula, Crepúsculo, Lua nova etc. Amor apegado esse de morcego, quer morder para ficar dono do outro. Desconfio! Seria a nova artimanha do TER amor a infiltrar o delicado e mal resolvido tema humano do SER amor? Ter amor lembra terra e teratoma, tranca; Ser, céu e sereno, solta. De qualquer modo, nesta literatura de morcegos, os “heróis” são muito sensíveis, verdadeiros radares.
            Radar! Um PALÍNDROMO! De trás para frente e de frente para trás, em si traz o próprio fenômeno reflexão “RA D AR”. Devemos ser mais atentos à etimologia e aos movimentos das palavras, especialmente quando ocorrem em nossa língua materna. Neste caso RA é a própria imagem do ar que sai da boca, veja você; e AR é a própria imagem do ar voltando. RA e AR brincando em torno do D.
            Falando em brincar, me alivio ao escrever onde a insólita situação ganha sentido. Nesse meio tempo ele permanecia lá, barriga para baixo, dia e noite; estaria doente? Com fome?
            Fosse um bichinho bonito eu teria dado comida com certeza, mas o preconceito aparece onde a gente menos espera! A beleza, essa garota que abre e fecha portas, descobri também no mundo animal, depois das modelos, moças da previsão do tempo e as que leem as notícias que as mandam ler. Que mundo fecundo e belo nesta feia criatura que me auxilia nestes pensares sociológicos. Aliás – você leu? – eu li, “A beleza salvará o mundo” do búlgaro Tzvetan Todorov? Como pode um livro falar tanto sendo mudo não é mesmo? Confira...
            E o morcego lá, toda manhã, resistindo à água apesar de não parecer muito agradado. Mas porque não ia embora? Do quarto para o quinto dia não tentava mais entrar em casa, ou melhor, não raspava mais a porta com sua asa à noite.
           O que queres comigo animal? Vários amigos com quem partilhei ofereceram ricas explicações a respeito do simbolismo de tal visita. Apesar do asco nas fisionomias ninguém deixou de notar o aspecto profundo e inconsciente associado à criatura. Mamífero também, mas com asas de voar. Porque não voava daqui do vigésimo primeiro andar? Aliás, porque haveria de ter voado tão alto? Medo de cair? Medo de voltar?
            Fica aí criatura, mas comida não te sirvo; ofereço meu olhar e banho todo dia, ciente de seu desconforto, mas comida não.
            Talvez estivesse fraco em busca de local para fazer sua passagem. Pensei finalmente que como do néctar dos pássaros pendurado na sacada muitas vezes se alimentou, quando durante a noite pendurado o mesmo ficou, devesse estar ali para fraco em segurança para o além partir.
            E assim o fez um quarto de lua após chegar:
Asas abertas deixou o corpo, a vida assim se libertou.
No último voo, de presente deixou seu corpo estendido
na sacada de quem um dia sem saber o alimentou.
Caro animal, companheiro de jornada,
aqui lhe presto esta homenagem;
seja sua vida longa nessa imagem
se não pude oferecer melhor camaradagem.
Que o céu dos morcegos, onde o amor não seja cego,
lhe receba em festa n’outra varanda,
onde a vida seja plena e os seus
menos egoístas que eu.
Nesse dia em que partiste, minha voz se calou,
rouco que estou;
seja meu silêncio oferta à rica reflexão
nesta breve lua nova,
sua última.

            Naquela noite, após o velório da manhã, Lua e Plutão conjuntos em proximidade a Vênus, tudo em Capricórnio, céu limpo, porta da sacada aberta, ainda pensei – se “Saúde é Consciência” todo ato traz consequência – pouco antes de voar em sonhos.


segunda-feira, 18 de novembro de 2013

DIA DA CONSCIÊNCIA NEGRA - 20.11.2013

Brasil Escola: Zumbi e Consciência Negra

“Cesse tudo o que a musa antiga canta,

Um valor mais alto se alevanta”

(Camões in “Os Lusíadas”)
 


Fixado como feriado em determinados lugares e regiões do País, os negros se propõem chamar a atenção para a necessidade da consciência negra para auferir direitos ainda equidistantes em relação aos brancos, como a paridade salarial, ou, em outra ponta, igualmente para os vis preconceitos que ainda sofrem em diversos níveis sociais.

Tais proposições são mais que justas, e, como tal, merecedoras da atenção especial de todos, negros ou não.

Em princípio, não se pode esquecer de levantar o fato de que o negro e a miscigenação já foram objeto da ciência, em determinada época, como fatores negativos. Isto, advindo da classe científica, foi tomada como total verdade e, como tal, permeou, socialmente, diversos trabalhos de acadêmicos ou de literatos ainda hoje em evidência.

Mas modificar tais trabalhos, hoje, por tais mazelas é deslustrar a história e sua época, em detrimento óbvio de todo conhecimento das novas gerações.

Portanto, não é preciso inquisitorialmente levantar-se contra isso, mas fazer-se entender a situação e o que a levou a instituir-se como tal.

Afinal, estamos no correr do século 21, e a situação social dos negros também, felizmente, não é a mesma instituída à época da escravidão, embora possam ainda existir resquícios de mazelas que ainda atingem os negros, em graus indesejáveis para todos nós.

De todo modo, à lembrança da consciência negra deve juntar-se também o pedido da consciência dos brancos, pois, em muitos e muitos casos, a igualdade de problemas são comuns a brancos e negros, como – só para citar – os casos da pobreza, da fome, da moradia e das condições sub-humanas que os atingem.

Nesse patamar, a igualdade entre brancos e negros é a mesma, e exige de todos consciência e luta, junto aos poderes públicos, e não meras dádivas ou benesses, que só fazem inferiorizar a negritude, destituindo-a de seus valores imanentes.

Para isso se faz mister ter sempre em mente os maravilhosos poemas do poeta negro Solano Trindade, que, com sua arte de resistência, marcou sua presença ativa da cultura negra do Brasil, com a exaltação da cultura negra e de seus expoentes, sempre em prol da liberdade e da presença forte de seus sujeitos, a exemplo dos poemas “Poema Autobiográfico”, "Orgulho Negro”, “Conversa”, “Canto América”, “Reflexão” e “Trem da Leopoldina”, entre tantos outros.



Conversa



 “- Eita negro!

Quem foi que disse

Que a gente não é gente?

Quem foi esse demente,

Se tem olhos não vê…

Que foi que fizeste mano

Pra tanto falar assim?

- Plantei algodão

nos campos do sul

pros homens de sangue azul

que pagavam meu trabalho

com surra de cipó-pau.

Basta mano pra eu não chorar”

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .



Canto América



“Não canto de mentira e falsidade

que a ilusão ariana

cantou para o mundo

na conquista do ouro

nem canto de supremacia dos derramadores de sangue

das utopias novas”



Reflexão

 

“Vou assistir um espetáculo humano;

A confecção de bandeiras iguais,

Para seres que parecem diferentes”



Tem gente com fome



"Trem sujo da Leopoldina

correndo correndo

parece dizer

tem gente com fome

tem gente com fome

Piiiiii

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .



Só nas estações

quando vai parando

lentamente começa a dizer

se tem gente com fome

dá de comer

Mas o freio de ar

todo autoritário

manda o trem calar

Psiuuuuuuuuuuuu”



Nesse cantar simples, solene, o negro se faz presente não apenas por seu passado, mas pela urgência de um futuro compartilhado com reflexões, consciência e atuação: se tem gente com fome, sem condições financeiras, sem saúde e sem moradia, sem escolaridade, sejam negros, brancos ou amarelos, não deixe que “o freio de ar, todo autoritário mande o trem calar, com o seu Psiuuuuuuuu”.

Se isso fizerdes – oh! Glória – tua consciência negra alçará às alturas e terá lugar definido e definitivo neste solo brasileiro. Não sereis mais pessoas presas no tempo e no espaço, inclusive de suas próprias vidas e, assim, suas decisões e escolhas modificarão a sua e a nossa vida, para sempre. Então, como Castro Alves (1847-1871), podereis clamar, aos quatro ventos, com sua bela negritude e a serenidade de um dever cumprido:

 

 “Senhores, a glória de um povo é ser livre…

O nome de livres é o nosso brasão,

Seja esta a divisa da nossa existência.

E este epitáfio se escreva no chão…”

(Ao dia dous de julho – Saudação, parte 3a.)



Ora, nas quebradas desse mundaréu que é este Brasilzão, gente ainda é bicho do mato e, como tal, vive, - se é que isso é viver -, nos esconsos da ignorância, dos complexos preconceituosos e dos anátemas da pobreza, do aniquilamento e da morte.

Nessa confluência abrangente é preciso firmar, para todos, a concretude das aspirações mais profundas do ser humano: ser gente e, não bicho. Ter paz, liberdade, com o flamejar da chama democrática, e, finalmente, darmos, em uníssono, “aquele abraço”, entoando, quiçá, com força e veracidade o refrão de um tema enredo da Imperatriz Leopoldinense, de 1989,:

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .  .

“Liberdade! Liberdade!

Abre as asas sobre nós

E que a voz da igualdade

Seja sempre a nossa voz.”



Esse sonho pode apresentar-se como uma distante quimera, uma utopia, mas, de todo modo, é sempre bom sonhar sonhos grandes alvissareiros. Eles ajudam a viver melhor, ainda mais com toda a tentativa de torna-los realidade, com aquiescência e ajuda da consciência negra, por um Brasil real brasileiro, onde as confluências das culturas se aproximem, se mesclem e se construam em novas culturas, onde a negra tenha um lugar de primazia preponderante, fazendo jus ao seu primado histórico de beleza e diversidade, em seu pluriculturalismo imbricado, afastando de vez o olhar disforme de ver o outro com vista precípua à sua cor de pele ou de sua posição econômica, e também não como vítima de um destino traçado pelo colonizador, mas como agentes histórico-culturais como sonhou e se postou Martin Luther King, em seu discurso “Eu Tenho Um Sonho”, de 28/08/1963.

O sonho referido advém da certeza contida no espraiar da consciência para um olhar realmente apurado para ver o outro como a si mesmo, sem tensões, embates, dilaceramentos, prejudiciais a uma convivência humana comum e saudável.



Mario Inglesi.