Mostrando postagens com marcador Resiliência. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Resiliência. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 1 de novembro de 2018

PRECONCEITO E OPINIÃO FORMADA


POR: GERALDO DRUMOND



Fico imaginando como o preconceito, o rótulo, a "opinião formada" nos impede de ver com olhos de enxergar o outro, nos impede de viver o novo, que se revela a todo o momento. Tudo bem que temos nossa personalidade, nosso caráter, que nos molda e nos define, mas também é muito importante que observemos o movimento da vida, as mudanças das pessoas. Podemos sim mudar! Acreditar que podemos ser melhores, acreditar num mundo de mais compreensão, compaixão. O ditado que diz que pau que nasce torto morre torto deve ser revisto.

segunda-feira, 26 de fevereiro de 2018

O PERFIL DA PESSOA IDOSA


Por: José Geraldo Macedo Meireles - Psicólogo.


Sei que traçar o perfil da pessoa idosa é tarefa complexa. Conforme minha experiência clínica, percebo que demonstrando jovialidade e estado de espírito saudável, a pessoa idosa indaga, com serenidade, se vale a pena continuar a viver; sonha; dispõe-se a aprender; pratica esporte ou, de alguma forma, exercita-se; sente e compartilha o amor; em seu calendário, há amanhãs; por ter tido experiência, alegra-se; tem os olhos postos no horizonte, e a esperança pulsa forte; usufrui o que a vida continua oferecendo-lhe; dialoga com a juventude e procura entender os tempos novos; sente que o tempo passa rápido. E a velhice não a perturba, é capaz de indignar-se, não reprimindo a agressividade que é o combustível da ação, negar esse combustível, reprimindo-o, é nocivo e prejudica a saúde, mas é fundamental pensar.
 Alio-me a John Barrymore - ator inglês - a pessoa envelhece, quando os lamentos substituem os sonhos.
Já a pessoa com outro perfil - sem jovialidade - diz, em geral, que não vale mais a pena o viver; distancia-se dos fatos e do convívio; já não ensina; é ciumenta e possessiva; dá prioridade à inatividade; em seu calendário só se destacam ontens; carrega o peso dos anos e transmite pessimismo às gerações novas; volta-se para os tempos que se passaram e neles se apega com amargura; sofre pela aproximação inevitável da morte; recusa-se a perceber e aceitar os tempos novos; cochila intensamente em sua vidinha, e as horas arrastam-se, destituídas de sentido; o tempo não passa, e o tédio torna-se fardo muito pesado; reclama de tudo, mas não questiona; contém a agressividade, por isso, também adoece.
 Na certidão, essas pessoas podem ter a mesma idade cronológica, mas o que têm mesmo são idades diferentes em suas almas. Algumas rugas transmitem serenidade e paz, porque marcadas pelo sorriso; outras, inquietação e angústia, porque vincadas pela lamentação.

Referências

In Poemas, Contos e Crônicas - UDESC Florianópolis, 1996.
PESSANHA, A.L. do Divã. Ed. Casa do Psicólogo; São Paulo, 2004.
MUNARO, Júlio Pe. - Saber  Envelhecer.

sábado, 11 de novembro de 2017

ESTUDOS CIENTÍFICOS OU ...DA PERSEVERANÇA

Por: Maria Paula Teixeira jan/2011


Estava cansado do dia a dia. Sentia vontade de sair dali, escapar. O cruel rigor do cotidiano e sua aparente monotonia o deixavam desesperado. Seus pensamentos e desejos se apresentavam tal qual uma cadeia, uma corrente infindável e instável. Diante disso se sentia impelido a sair, se libertar dessa existência que se tornara simplesmente pessoal. Algo o atraía: uma busca por uma compreensão objetiva. Quem sabe até procurar em outro Universo, ir além.
Dentro de seu isolamento espiritual se sentia tal qual o homem da cidade grande que procura refúgio no campo. As pacíficas paisagens o atraem para longe dos ruídos e agitações complicadas. E na pureza da atmosfera repousante, o seu olhar vagueia. Há ali uma lembrança da Eternidade. Mas por que e para quê essa busca? O que procura, afinal?
Nessa cadência tenta, e procura formar uma imagem, de qualquer maneira, do Mundo. Uma imagem seguindo sua própria lógica, que seja simples e clara. Sabe que, de alguma forma, tem que transcender; que sua visão atual já é ultrapassada. E, nessa procura, ao julgar ter obtido êxito, substituirá aquela visão limitada, pessoal, por uma imagem, agora muito mais ampla.
Tenta a seu modo consagrar à imagem assim formada, o máximo de sua sensibilidade; para alcançar talvez a Paz... Sente que a energia gerada no processo é muito maior que aquela advinda da experiência agitada, a que se mantinha submerso.

Mas, chegado ao ponto, um novo início sempre se apresenta, inspirando, quem sabe, um salto! E que Beleza se reserva ali! Do caminho infindável, percorrendo as infinitas possibilidades, a Razão emerge, como um presente.
Uma Graça!

sábado, 15 de julho de 2017

O PODER DOS MANTRAS COTIDIANOS


“No princípio era a Palavra, e a Palavra estava com Deus, e a Palavra era Deus.” (João 1:1).
Tudo começa com a palavra – pensada, falada ou escrita. Por meio dela, o ser humano constrói realidades internas e externas, define roteiros que podem levá-lo a prazeres carnais, objetivos materiais, reinos celestiais ou aspectos sombrios do inconsciente. Da abundância à ruína, da felicidade à depressão, da saúde à enfermidade.
Um olhar atento constata que em toda escolha de vida os “mantras”, mensagens de caráter repetitivo, recebidas e emitidas, interferem muito em nossas decisões. De origem sânscrita, a palavra mantra possui dois significados: 1) palavra ou som repetido para ajudar a concentração na meditação, 2) declaração ou slogan repetido com frequência (Dicionário Oxford, 2016).
O uso da palavra “mantra” com o significado de declaração ou palavra de ordem é frequente entre jornalistas, professores de economia e até mesmo autoridades. Haja vista declaração recente de um ex-ministro brasileiro de que a “austeridade” seria o “mantra” permanente do novo governo (FERREIRA, 2016).
Na presente obra, resultado de monografia apresentada no curso de especialização em Cuidados Integrativos da Unifesp, o termo foi considerado em sentido amplo (lato sensu), desde o aspecto sagrado – sons, ladainhas e orações, como o OM, o AUM e o Pai-Nosso – ao profano dos decretos, slogans e afirmações presentes na estrutura familiar, cultural, cotidiana e, principalmente nos meios de comunicação, os maiores difusores de mensagens liminares e subliminares.
Vale saber que 95% dos brasileiros passam mais de quatro horas por dia em frente à televisão, absorvendo informações muitas vezes de caráter questionável. O rádio figura em segundo lugar nas preferências, seguido das plataformas digitais, dos jornais (a fonte mais confiável, segundo a Pesquisa Brasileira de Mídia, SECOM, 2015) e das revistas. Já as novas mídias, as redes sociais, são as favoritas de 92% dos internautas.
Dos sons, imagens e textos veiculados neste universo, entre 50% a 90% possui teor negativo, estando ligado a temas como violência, corrupção, desarmonia familiar, traição e sexo doentio. A exposição intensa a estas temáticas, aliada à falta de sentido existencial, provoca reações em nosso cérebro, incentiva e “legaliza” comportamentos, dessensibiliza para a realidade e torna o pensar e agir compulsivos. Como atraímos tudo por ressonância interna, acabamos sempre atraindo mais do mesmo.
Afinal, podemos fechar os olhos e escolher não olhar para algo, mas nossos ouvidos permanecem abertos e sensíveis durante toda a vida, mesmo durante o sono. Quem de nós não conhece pessoas que têm televisão no dormitório e adormecem com o aparelho ligado? Ou que perdem horas preciosas do dia com programas, leituras e conversas que não lhes acrescentam nada...
Estas atitudes ativam um “poder” criativo gigantesco, se considerarmos que a mente humana gera, em média, 60 mil pensamentos por dia, 60% a 70% deles negativos. O que fazemos com esses pensamentos, essas palavras e imagens que surgem em nossas mentes, define em parte o roteiro de nossa vida. Se os interiorizamos, ruminamos ou simplesmente deixamos ir...
Daí a importância de conhecer mais de perto as mensagens que recebemos do entorno desde o nosso nascimento e também o Universo de Comunicação, com sua capacidade imensa de transformação que pode ser usada de forma terapêutica a qualquer momento. A partir da identificação de nossos mantras dominantes, podemos refletir com mais clareza sobre seus efeitos na nossa conduta e saúde. Podemos começar a mudar...
O manejo consciente e terapêutico das mensagens, imagens e sons que dominam nosso cotidiano representa alternativa interessante para alterar as memórias celulares de dor e a dinâmica de pensamentos e crenças, no sentido de promover a maturidade e o equilíbrio necessário para uma vida plena e saudável, assim como para exercer qualquer atividade ligada à cura.
Com essas ponderações, esperamos fortalecer em outros humanos o exercício do livre pensar e o ressurgir do Ser tão essencial.

Regina e Ricardo

segunda-feira, 12 de junho de 2017

O MELHOR POSSÍVEL II

Por Maria Júlia Paes da Silva – juliaps@usp.br
Fragmento da obra: "No caminho - Fragmentos para ser o melhor"


           Maria, por trabalhar na área de saúde, viu muitas incisões, feridas, machucados e lesões. E também por trabalhar na área da saúde aprendeu a reconhecer o tecido de cicatrização. Aprendeu a reconhecer um corpo que mostra que está reagindo e que está se esforçando para recuperar o próprio equilíbrio e bem estar.
      Ela aprendeu a olhar essas lesões, localizar o tecido de cicatrização (a cura sempre acontece de dentro para fora!) e, espontaneamente dizer: "Que lindo está ficando isso aqui!", para, muitas vezes, surpresa dos pacientes e dos seus alunos que a acompanhavam em sua prática profissional.
      Não foram poucos os pacientes que perguntaram por que "lindo", e ela pôde explicar e partilhar a beleza expressa na vida se reconstruindo, se reorganizando. Auxiliar os pacientes a colocar o foco no lado positivo do momento, fortalecendo o belo de cada situação.
      O mundo é uma construção subjetiva, pessoal! É o reflexo de nossa visão e consciência. Não há momento do dia em que a meta não possa ser visualizada e o trabalho consigo mesmo levado adiante.
       Não ouvimos tudo o que é dito; só o que queremos/conseguimos ver. Tudo que lemos não está escrito de verdade; lemos o que desejamos ler. Nossa visão, audição e leitura são seletivas; nós escolhemos.
        Maria se lembrava de um paciente que não comia. Deixavam a bandeja com seu prato, o copo de suco e a sobremesa para que comesse, conforme o usual de um hospital, e o prato quando vinham buscar, estava intacto. Sempre escreviam, então, que o paciente "recusara a dieta". Um dia, Maria pediu que um de seus alunos voltasse à enfermaria e perguntasse ao paciente o motivo de sua recusa, afinal ele estava aprendendo enfermagem e não havia perguntado se o paciente estava com náuseas, sem apetite, com dor ou algum outro motivo para que não comesse nada do que lhe era oferecido. Além do que, já havia registro de uma passagem de plantão de que o paciente não estava comendo. Para surpresa de todos, ele respondeu que era porque não tinha dinheiro para pagar pela refeição. Pode parecer óbvio para alguns de nós que um paciente internado em um hospital público saiba que não se cobra pela comida, entretanto a vida acaba mostrando que "não tirar conclusões" pode ampliar nosso mundo.

sexta-feira, 5 de maio de 2017

O MELHOR POSSÍVEL

Por Maria Júlia Paes da Silva – juliaps@usp.br
Fragmento da obra: "No caminho - Fragmentos para ser o melhor"


Quando resolvemos ser o melhor possível, podemos deixar que as coisas e os outros sejam o que conseguirem ser ou deixar de gastar energia tentando fazer que os outros sejam aquilo que eu imagino seja o melhor. Se somos conscientes do compromisso de sermos o melhor de nós mesmos a todo instante, tomamos as decisões com esse foco e não ficamos perdidos em elucubrações de: e se... e se... Economizamos energia. Motivo pelo qual é verdade que se um relacionamento tiver que ser segredo, é melhor não entrar nele. Ou sair rapidinho.
Só porque o caminho do autoconhecimento é longo, constante e árduo, deveríamos deixar de trilhá-lo? Será que somos menos capazes que um bebê? Todos nós já fomos bebê e deveríamos ter suficiente prática em levar tombos!
Auto-observação é autocorreção. Teve uma doença grave? Faça controle periódico e toque a vida. Tem uma doença crônica? Faça os controles necessários e curta a vida!
A construção de nossa história deve/pode nos confortar. Reconhecer que fez o melhor possível em determinado momento não significa que faria novamente o que fez, hoje. Significa apenas que fomos tomando consciência de algumas coisas e refazendo escolhas a partir de nossas necessidades, miopia, ilusão e recursos.
Responsabilizarmo-nos pela vida que há em nós é fundamental para vivermos no presente e para fazermos o melhor possível...
Peter Senge e sua equipe afirmam que "transferência de responsabilidade" é uma estrutura sistêmica arquetípica, quando as pessoas agem para amenizar os sintomas de um problema e acabam se tornando mais e mais dependentes dessas soluções sintomáticas. Por exemplo: tomar duas aspirinas para aliviar a dor de cabeça parece adequado, mas... Se a origem dessa dor for o estresse do trabalho ou compromissos assumidos além de nossa capacidade ou habilidade, continuar tomando aspirinas não é resolutivo! Nesse caso, uma intervenção como essa pode mascarar um desafio mais grave. Não enfrentar o desafio real só fará piorá-lo. Se o padrão que gerou o desconforto não for corrigido, além do excesso de trabalho, pode-se ainda criar um problema de dependência medicamentosa...
Esse aspecto precisa ser recordado porque é um padrão insidioso e comum em uma sociedade que exige soluções rápidas para questões complicadas e complexas. E, por ser comum, essa dinâmica de transferência de responsabilidade passa despercebida. Nós somos os responsáveis por nossa vida!
As duas abordagens "soluções sintomáticas" e "soluções fundamentais" não são mutuamente exclusivas, até porque a vida é complexa! Mas é fácil transferir a responsabilidade para soluções tecnológicas e, assim, reduzir o desenvolvimento de nossas habilidades e capacidades. Por exemplo: com a calculadora, esquecemos a aritmética; com o carro renunciamos ao caminhar; com o Whatsapp, não conversamos pessoalmente; com a internet, se reduziram as conversas entre familiares e o "olho a olho" (até remédio em excesso é veneno!).
É necessário cultivar os hábitos, as posturas, os comportamentos, os sentimentos que desenvolvem nossa capacidade de sermos humanos! De sermos o melhor de nós.
Muitos dos desafios mais prementes de hoje, como danos ambientais e desigualdade no acesso à tecnologia, surgem como efeitos colaterais de longo prazo do processo de transferência de responsabilidade, criando novos sintomas do problema, que requerem, por sua vez, novas respostas tecnológicas. É necessário refletir o quanto é adequado ou nocivo, apesar de mais fácil, comprar um carro maior para nos sentirmos mais seguros, em vez de aprendermos a nos entender uns com os outros a fim de gerarmos mais segurança para todos. A maioria de nós não tem ideia de nossa capacidade para aprimorar as qualidades que realmente valorizamos na vida.
Hoje em dia, definimos o progresso basicamente por novas conquistas em tecnologia e não por uma noção mais ampla de melhora no bem estar! Fazer o melhor possível é um "chamado", uma oportunidade para nos entregarmos a algo maior que nosso ego e a nos tornarmos aquilo que deveríamos e podemos ser.
Lavarmos as mãos mesmo quando ninguém está olhando. Cumprirmos com horários e prazos combinados, sem inventarmos "imprevistos" (se não tiver um, claro!). Assumirmos o quê e como dissemos algo, pedirmos desculpas quando errarmos, sermos honestos com nossas intenções... Parecem tão simples essas ações, mas que Maria entendeu que a base de qualquer trabalho consigo mesmo é uma consciência limpa. Consciência limpa permite que harmonizemos razão e coração, e por isso viver em harmonia começa conosco, não com o mundo à nossa volta.


Maria se lembrava da história de um homem muito crente, que todo dia pedia a Deus que lhe indicasse o que deveria ser feito. Um dia, por ele ter tanta fé, Deus lhe apareceu e pediu que empurrasse, diariamente, a grande pedra que havia em frente à sua casa. Ele fez isso todos os dias, com alegria, anos a fio, mas foi percebendo que a pedra não se movia nem um só centímetro. A fé do homem foi esmorecendo, sua vontade diminuindo, até que um dia Deus lhe apareceu novamente e lhe perguntou o que estava acontecendo. Ele lhe disse que a pedra não havia se movido um centímetro, apesar de, diariamente, ele a ter empurrado! Deus sorriu e lhe disse que sua intenção não era mover a pedra, mas torná-lo forte! Que ele prestasse atenção a como estavam seus músculos e sua força.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

EVENTO - I CONGRESSO NACIONAL DO BEM ESTAR E SAÚDE EM ESSÊNCIA

Queridos amigos,
Amanhã às 20 horas iniciaremos ao vivo pela internet o "I Congresso Nacional do Bem Estar e Saúde em Essência".
Os interessados podem acessar gratuitamente e participar do ConBem, com um webinar ao vivo com Ricardo J. A. Leme sobre Medicina da Saúde x Medicina da Doença.
Divulguem aos interessados e quem puder se inscreva gratuitamente no site:
http://conbem.com.br/ para acompanhar todas as palestras na íntegra.
Até amanhã!
Para assistir ao vivo e enviar suas perguntas, acesse às 20h de amanhã (4/12):

segunda-feira, 27 de abril de 2015

DESERTIFICAÇÃO



Tanto o capitalismo social quanto o socialismo do capital não se mostraram efetivos em solucionar as questões elementares associadas aos requisitos básicos de manutenção dos meios de sobrevivência social.
Seja roubando e fazendo ou não fazendo e roubando, os sistemas operacionais carecem de um repensar métodos que retorne aos princípios de um governo cujo fundamento seja verdadeiramente democrático. De fato, o que se vê tende a algo demoniocrático ou idiocrático mais que propriamente o idealizado a priori. 
O pensamento exploratório parece funcionar adequadamente e sem problemas por algum tempo, mas ao que tudo indica, desde o princípio aponta para um momento de crise e insustentabilidade, a insustentável leveza do ser...
O processo de desertificação, indissociável do empobrecimento intelectual (emburrecimento) humano, sempre se associa à anestesia volitiva (da vontade) e à hipnose do bom senso. Assim, mesmo que algo esteja claramente acontecendo, a estratégia metodológica é negar ou mais recentemente eufemizar, baseados no, eventualmente astucioso, princípio da inocência presumida. Há que se estar atento ao modus operandi que culmina no atual estado das coisas, de modo que situações que passam despercebidas fundamentam o que se observa, conforme, por exemplo, se pode verificar nestes links:

            Tudo isso é brilhante e jocosamente documentado no filme estadunidense “Idiocracia” em que uma sociedade futura descrita com base no que hoje é oferecido em termos de educação, consumo e valores, se encontra à beira do colapso e de uma verdadeira desertificação. O filme apresenta situação insólita em que os cidadãos, hipersexualizados (apetite sexual aumentado), influenciados por uma propaganda de bebida, destas que se usam após atividade física extenuante, passam a irrigar suas plantações com as mesmas resultando na desertificação da cidade. No filme, um trabalho midiático levou a população a crer que os isotônicos seriam mais adequados em nutrientes que a própria água para a irrigação das plantações! Algo aparentemente absurdo apesar de não muito distante do que se pode observar em relação ao cuidado com nossas florestas ou na escolha dos adubos nitrogenados sintéticos ao invés da fixação bacteriana do nitrogênio na agricultura ou ainda no estabelecimento do milho como fundamento alimentar para um crescimento populacional ilimitado entre outras escolhas aparentemente suicidas, com o perdão da palavra. Enfim, contingências subliminares de um aparente “emburrecimento” sub-reptício sustentado apesar de insustentável.



Outra pérola sobre a desertificação, russa e mais recente, é dramática e cruamente retratada em “Leviatã” por Andrei Zviaguintsev, banhado musicalmente no prelúdio e epílogo da ópera trágica Aquenáton por Philip Glass.

Finalmente completando a descrição artística da desertificação, “Timbuktu” e “Ida”, cada qual a seu modo, tocando a questão religiosa de forma mais ou menos explícita, mostra o indizível.



Na gênese do processo temporal de desertificação é notável muitas nações terem optado pelo modelo de colonização ou colonialista exploratório. Curioso apenas nesse sentido é o movimento dos alemães no século passado, que talvez se possa dizer o século da Alemanha. Duas guerras perdidas com destruição total do país e, no entanto ainda hoje potência mundial econômica apesar de aparentemente não colonialista! O segredo penso eu, educação, e se não for isso só pode ser milagre.
Mas, essa questão do deserto parece ser algo cada vez mais próximo e de fato não é novidade. Em passado recente os Maias parecem ter se confrontado com desafios climáticos e ecológicos, sendo estes cogitados como explicações para a diminuição de seu contingente populacional. Quando a natureza se desentende com o humano, ainda é o humano que deve pensar onde pode estar se equivocando.

Atualmente, Israel é um país de primeiro mundo que chama atenção na ocupação do deserto, surpreendendo quanto às plantações de banana ou não, em regimes de irrigação que margeiam suas estradas em terreno extremamente anecúmeno. Devemos aprender a sobreviver em situações desérticas se de fato cogitarmos prosseguir:


Mas deserto perigoso mesmo é o da alma; se não tem alma aí a coisa pega e isso ninguém nega; para tudo isso valer a pena o poeta já mostrou com sua pena qual deve ser o seu tamanho...

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

O SEGREDO DO TRABALHO TERAPÊUTICO



Adaptado de Bert Hellinger, por Moacir Amaral
 

O trabalho terapêutico é muito fácil. A pessoa se coloca, entra em contato com o que está sentindo, respira livre e profundamente, deixando o ar descer até a barriga, solta a barriga, abre o períneo, entra em contato consigo mesma, com o que está experimentando e fica com o que é, fica com o que está acontecendo. Não faz nenhum movimento para evitar, ou suprimir, ou afastar de si, ou consertar, ou comparar, ou julgar, nem mesmo para conservar o que está acontecendo. Fica com o que está acontecendo do jeito que está acontecendo. Fica com o que é. Sem pressa. Sem esforço. O que se vê é uma surpresa para todo mundo, para o cliente e para o terapeuta. Não há método para se lidar com isso, exceto que o terapeuta se expõe às imagens que percebe, ao quadro que vê e que o cliente pode relatar ou não, e espera por uma ocorrência na alma, por um movimento na alma, e o segue.
Existem algumas precondições. A primeira é que o terapeuta não tem propósito nenhum, ele não quer curar o paciente, e não faz esforço nenhum. Ele somente segue o movimento, seja qual for o resultado; e ele não tem medo – isto é muito importante, ele não tem medo do que pode vir à tona, do que pode acontecer, ou do que as pessoas vão falar, ou do que elas vão pensar, ou se elas ficarão com raiva, ou se elas vão rir, ou o que seja. O terapeuta fica fora disso tudo, e ele não procura pelo problema, ele olha para solução.
Se eu procuro pelo problema eu me sinto superior; se eu olho para solução eu vou junto com o fluxo, nem acima nem abaixo, exatamente no mesmo nível; nesse fluxo nós fluímos juntos, é o que conduz à solução, seja ela qual for; mesmo que para alguns possa não parecer a mais apropriada. Mas eu não dirijo a alma, eu sigo a alma, e a alma, às vezes, necessita somente um pouco de informação sobre a sua ideia, sobre a sua imagem, sobre o seu amor, e ela trabalha por si mesma, não quer muita interferência do terapeuta. Assim eu não tenho muito trabalho, não tenho que ser perfeito. Eu faço alguma coisa, dou um pequeno empurrãozinho talvez, e isso é tudo, todo o resto é feito pela pessoa. Com isso o trabalho vem a ser bastante respeitoso para com o paciente, não interfere na economia do processo.
Naturalmente o trabalho é conduzido por um profundo amor, mas é um estranho amor; não é um amor preocupado com a pessoa, é um amor por algo maior do que a pessoa individualmente; e assim o terapeuta não pode ser distraído por nada que não esteja em harmonia com esse campo maior; e se você tem essa atitude, você pode fazer o trabalho.
É preciso de um pouco de informação e você pode fazer o trabalho. Mas você não pode aprendê-lo como um método que possa ser reproduzido, como um experimento; você não pode fazer isso com este tipo de trabalho. Assim é suficiente se você assistiu e vivenciou alguns atendimentos, e você confia na sua alma, confia no seu paciente, e confia nas forças que estão por trás de ambos, trabalhando, não importa o quê, e vocês terão uma surpresa.
Este é o segredo deste trabalho.