A Medicina da Saúde é baseada na preservação e na promoção. É sempre superior à Medicina da Doença focada na cura e na prevenção. Somos seres humanos e não "teres humanos”. A doença começa quando se deixa o SER pelo TER; saúde e vitalidade aumentam na direção do SER. A busca pelo SER leva à ampliação da consciência, guia do homem saudável e espelho para o doente. Refletindo o exemplo a ser imitado mostra como sair da horizontalidade do adormecimento e entrar na verticalidade do despertar.
domingo, 9 de setembro de 2018
EU E TU III – A PIZZA DA CONSOLAÇÃO
Noite fria,
comendo pizza com amigos. Éramos três, papo bom, papo cabeça. Noite viva, noite
feliz!
Finda a pizza
notei haviam sobrado dois pedaços! Com esse frio, talvez alguém na rua possa se
beneficiar. Vou pedir para embrulhar. Que bom, não aprecio desperdício, vou
otimizar.
Já na rua, frio,
bem frio, quase ninguém à vista. Será possível? Ninguém?
Os amigos se
afastaram, foram na frente conversando. Eu disse já vou, vão indo! Fiquei só,
procurando.... Ninguém!! Espera! Tem alguém lá embaixo; rua da Consolação,
frente ao cemitério, do outro lado da rua, do outro lado da vida; cachorro ao
lado; revirando o lixo; pés descalços; roupa rasgada. Deve estar com fome. Eu,
eu, eu, eu, esse cara que acha poder fazer diferença, que acha poder ajudar
alguém, que acha que pode alguma coisa! Quanta pretensão.
A vida é assim,
surpreende onde se menos espera. E foi assim, me surpreendeu...
– Moço, trouxe
esse pedaço de pizza para você.
Parou, soltou o
lixo, me olhou, ainda de joelhos, e disse sereno:
– Não vai faltar para você?
Suficiente para gerar em mim a sensação de um raio atravessando as
solas dos meus pés e arrepiar meus cabelos como se algo me puxasse forte em
direção ao alto. O que acontecera?
No descuido de achar poder ser útil, ajudar, amaciar o próprio ego
no calor da boa ação a quem não teria absolutamente como retribuir, fui
desmascarado frente a Deus me transpassando no olhar e nas palavras de quem até
então se manifestava aos olhos como um desgraçado.
Às vezes, sempre, só alguém profundamente desgraçado e amoroso para
nos mostrar com tanta clareza o estado desgraçado que nos encontramos.
Compreendemos a desgraça na medida em que a mesma nos assola. Entendo mal a
desgraça, na medida em que a atitude do outro me consola. Ser assolado ou
consolado, o que você preferiria nesse instante meu amigo?
Eu, naquele instante, Rua da Consolação, fui assolado pelo estado
miserável em que me encontrava. Consolado na luz divina que se irradiara na
experiência de comunhão com Deus de pés descalços no chão, ajoelhado e me
perguntando: não vai faltar a você?
Claro que vai! Já faltou! Faltou o chão, faltou tato, faltou
fôlego, mas antes de tudo faltou o mais importante; respeito. Respeito ao
espaço alheio, respeito ao outro ser, respeito ao Tu que me referencia enquanto
Eu. Enfim, me senti como talvez o político brasileiro, um ser repugnante; como
talvez ainda a barata da metamorfose de Kafka. Sobre políticos, esclareço a
propósito, com todo respeito, me refiro apenas aos eleitos; os candidatos
pretendentes considero muito pudicos, ressalva seja feita! Pena nunca se
elegerem. Coincidências mórbidas...
Amigo, acredite, não é fácil encontrar com a abundância na casa da
penúria. O contrário é mais comum. O que acha?
Mas, não dava mais tempo, passado e futuro haviam colapsado e me
algemado àquele momento de eternidade. Então aquilo era o presente?! Que
presente!
O que acontecera, pensava enquanto voltava aos amigos de pizza.
Milagre, mil lágrimas, era só o que me cabia. Sim, mais que isso talvez. Mas
lágrimas de que? Alegria, vergonha? Não importa, senão que lavavam meu ser,
tornando-o um pouco mais reverente ao outro, meu próximo. Meu próximo que julgo
precisar de mim, mas sem o qual não sou ninguém, não tenho sentido.
As situações de êxtase são boas por isso, devolvem o sentido,
organizam o sentir e orientam o perdido. E olha que meu sobrenome é Leme
hein!?!
Lamentável Leme, você esqueceu! Esqueceu de pedir licença e
perguntar se poderia oferecer algo a seu irmão, a seu igual, a seu maior! Sim,
e o preço foi alto, altíssimo, levou um choque e recebeu em si instantaneamente
todo o ser daquele que pensou pudesse ajudar. Foi ajudado! Ajudado a ser menos
cego, pela luz invisível daquele que de nada carece pois está em paz. Que a paz
esteja com você meu amigo desconhecido. Essa paz que é inteireza e que você me
recordou com maestria.
Paz não é de fato ausência de guerra, senão inteireza em meio à
guerra da vida que pode sim afetar nosso Ter, mas que não pode nada quanto ao
Ser daquele que alcançou a compreensão do mistério sagrado do encontro do Eu
com o Tu.
De fato, antes daquele, eu tinha passado por encontros mais
adaptados a meu nível. Por exemplo aquele do cara ajoelhado no metrô com as
mãos cheias de moedas e quando eu pus mais uma ele lançou tudo ao chão
espalhando todas; e também aquele que para mim foi a cereja do bolo: o amigo
que pedia no farol e que ao abaixar o vidro e lhe oferecer uma bala, me sugeriu
que a colocasse entre as pernas na região terminal do intestino. Talvez não fossem essas as palavras, não me lembro bem, mas era algo assim.
Por essas e outras muitas que ainda se saberão é que aprendi a
pedir licença e perguntar se posso ser útil de algum modo antes de achar que
tenho a chave e a solução para o que o
outro precisa.
E você amigo? Sabe do que seu próximo espera ou precisa de você?
IDEALIZANDO
POR: GERALDO DRUMOND
Você não tem que idealizar nada. Viva sua vida,
sua singularidade. Não tome para si sonhos que não são seus, ideais que não são
seus. Desidealize para você viver com naturalidade,
com simplicidade. Seja do jeito que você é. Faz toda a diferença. Quando temos
coragem de nos aceitar como somos tudo fica mais fácil. Quando você se entende,
fica mais fácil entender e conviver com o outro. E o que é a vida senão
relações?
ASTROLOGIA - ELMAN BACHER
A astrologia é para o estudante Rosacruz uma fase
da religião, basicamente uma ciência espiritual. Mais que qualquer outro
estudo, ela revela o homem a si mesmo.
Nenhuma outra ciência é tão sublime, tão profunda e
tão abarcadora. Ela oferece uma representação pictórica dinâmica da relação
entre Deus (o Macrocosmo) e o homem (o Microcosmo), mostrando-os como algo
fundamentalmente uno.
A ciência oculta, ao investigar as forças sutis que
agem sobre o ser humano, o Espírito, e seus veículos, descreve seus efeitos com
a mesma precisão que a ciência acadêmica o faz com relação as reações que
ocorrem no mar, no solo, nas plantas e animais, decorrentes dos raios do sol e
da lua.
Com este conhecimento podemos determinar o padrão
astrológico de cada indivíduo e conhecer as fortalezas e as debilidades
relativas das várias forças atuantes em cada vida. De acordo com o que tenhamos
alcançado deste conhecimento, é possível começar a construção sistemática e
científica do caráter – e caráter é destino!
Existem períodos e estações cosmicamente vantajosos
para o desenvolvimento de certas qualidades, correção de maus hábitos e
eliminação de inclinações destrutivas.
A ciência divina da astrologia revela causas
ocultas que trabalham em nossas vidas. Assessora o adulto com respeito à
vocação, os pais na orientação dos filhos, o mestre na orientação dos
discípulos, o médico no diagnóstico das enfermidades; prestando-lhes,
desta maneira ajuda em qualquer situação.
Nenhuma outra matéria ao alcance do conhecimento
humano até o presente momento contém as possibilidades estendidas aos
estudantes de astrologia na ajuda aos demais, no digno caminho de
deuses-em-formação, a um entendimento maior da lei universal e à percepção de
que estamos eternamente seguros nos braços carinhosos do infinito e ilimitado
Ser.
segunda-feira, 27 de agosto de 2018
PEQUENAS ATITUDES PARA GRANDES SERES
- No Blog de Saúde Infantil do Instituto Pensi, do Hospital Infantil Sabará, encontramos várias pérolas para o desenvolvimento saudável da criança. Todos temos uma criança interior a ser cuidada e visitada sempre que possível.Nesse tempo de escassez de tempo, cuidemos do nosso com informações que valem a pena! Não espere até quando não houver mais tempo! Falta de tempo para o que interessa é uma das faces da falta de saúde.
FAUSTO – GOETHE – MEFISTO
Goethe viveu a transição de uma
época chamada Iluminismo, onde os humanos da época decidiram abrir mão de uma
certa qualidade de valores em função de outra. As escolhas daquela época
refletem na época atual; alguém disse: quem planta vento colhe tempestade. Quem
gosta de chuva forte nem liga, mas quem não gosta tende a ficar cada vez mais
ligado.
Saramago, Guimarães Rosa, Goethe e
Tolstoi deixaram rastros, em suas obras literárias, dessa figura bíblica canhestra,
esse ser da encruzilhada que se perdeu na caminhada. Na obra Fausto, Goethe o
veste com a alcunha de...
MEFISTÓFELES
(com seriedade)
Deus o Senhor – sabe-se a
causa – quando
Do éter nos exilou à profundeza
Em que arde fogo cêntrico,
abraseando
Voraz conflagração em torno acesa,
Vimo-nos lá, na luz
exagerada,
Em situação incômoda e
apertada.
Pôs-se a tossir toda a mó
dos demônios,
Do alto e baixo a expelir
bofes medonhos,
O inferno encheu de
enxofre, ácido e azia,
Deu isso um gás!
monstruoso em demasia,
Até que em breve, apesar de robusta,
Rebentou afinal a térrea crusta.
A cousa agora está por
outro bico:
O que antes era a base,
hoje é o pico.
Daí o ensino lógico é oriundo:
Virar-se para o mais alto
o mais fundo;
Pois escapamos da
opressiva esfera,
À integração no ar livre
da atmosfera.
É segredo óbvio, muito bem
guardado,
Pois
aos povos não foi tão cedo revelado. (Ef. 6, 12)
Em Efésios 6,12 lemos:
“Pois não é contra homens de carne e
sangue, que temos de lutar, mas contra os principados e potestades, contra os príncipes
deste mundo tenebroso, contra as forças espirituais do mal espalhadas nos ares.
”
Quem caminha ao pé na letra trava a
luta nos pulmões, quem não, escafandro, na atmosfera. E você Fausto amigo?
VIVEMOS EM UMA SOCIEDADE DOENTE?
Tudo o que existe, o que é, e também tudo o que se crê existir
define um ente. Em outras palavras, somos entes na medida em que nos
emancipamos, nos individualizamos da massa amorfa, nos tornamos saudáveis,
enfim nos pertencemos.
Se por algum motivo nos afastamos desse estado fluídico do
ente, do ser, da saúde, alteramos nosso estado de pertencimento a um novo
estado que podemos denominar como ser possuído por. Quando me
torno possuído por, deixo de ser ente e passo a pertencer a alguma
entidade. Ou seja, me torno do ente; do ente que me possui. Nesse caso estou
doente, vivencio a doença, enquanto refém desse estado.
Ao procurarmos em outros idiomas, pois idiomas têm uma vida
interior, vamos encontrar semelhantes constatações em relação à doença. No
inglês uma possível tradução da palavra vontade é "will". O
processo de adoecer implica em perder o acesso ao livre exercício da vontade
(no inglês livre arbítrio = free will). Quando minha vontade não é suficiente
para que eu aja com liberdade eu me encontro doente (ill). Tornar-se
"ill" no inglês é tornar-se refém das circunstâncias e portanto do
ente ou da doença. Um "w" a menos e quanta diferença, não é mesmo?
(When I loose my will I get ill). Um "do" a mais e quanta diferença
faz!! (do-ente).
O convite atual proporcionado pelos meios de comunicação, pela
opinião pública e pelo senso comum, é um risco potencial à saúde. Radical? Não,
claro! Apenas lembremos que vivências dessa natureza deslocam a pessoa de si em
direção aos valores oferecidos a partir de convenções externas ao ser. É comum
que alguém seja constrangido em sua forma de ser, por uma forma de ser assumida
por um grande número de pessoas ou, ainda mais maquiavélico, por alguma
personalidade marcante com quem me identifico.
Nessa medida, a pessoa constrangida pode perder-se de si. Pode
momentaneamente deixar de pertencer-se e passar a responder a outros valores,
seja uma ideia, um sonho, uma ilusão ou mesmo algo que a desvia de seu
propósito ou princípio existencial. Esse tipo de perder-se equivale a tornar-se
doente, um estado de dependência de um modo operacional externo a seu ser.
Uma sociedade doente é toda aquela onde o individual é visto com
indiferença. Viver em uma sociedade doente significa esquecer de si e seus
propósitos existenciais, mergulhar na manada, na massa, na moda e na mídia.
Vejamos bem que somos livres para escolher esse caminho, mas a questão é
fazê-lo conscientes da existência de outra opção, e não como que forçados pela
ignorância de podermos optar! Posso ser materialista ou não, posso escolher.
Dar a César o que é de César. O que escolho determina o que sou e como
atuo no mundo.
As sociedades superorganizadas, plasmadas na competição,
pragmatismo e utilitarismo, enfrentam, a despeito de seu alto nível social e
cultural alguns efeitos colaterais desafiadores. Arriscando elencar alguns
encontramos: o suicídio em grande escala, o uso
indiscriminado de drogas alucinógenas legais ou ilegais, as doenças
cerebrovasculares (derrames cerebrais e enfartes), a dissolução da família
e a mercantilização do erotismo associada ao decorrente aumento nas estatísticas de abusos sexuais os mais diversos e perversos.
Para o materialista, o humano é o topo da cadeia evolutiva, não há
nenhuma forma de vida superior à forma humana. É uma escolha, portanto uma
escola e, portanto, uma parcialidade. Saúde é inteireza, doença é parcialidade.
Toda pessoa que adoece se transforma após o processo quando sobrevive. Que
possamos continuar a sobreviver até que possamos transcender o tempo e suas
intempéries. Transcender o tempo é entrar em paz. Estar em paz é estar inteiro
e, portanto, saudável. Para ser saudável é imprescindível a clareza conceitual
entre desejo, necessidade e vontade. Se tudo isso é a mesma
coisa para mim, sou sociopata, careço do discernimento fundamental
para o ser saudável.
Vivemos a idade mídia, momento delicado para os interessados em
aprofundamento, autoconhecimento e sentido. Essa escolha atual de
desfrontalização (deixar de usar os lobos frontais do cérebro - sede da razão e
do pensamento abstrato) não deve em absoluto ser vista de forma preconceituosa
ou pejorativa, mas de forma alguma deve passar despercebida ao humano em busca
da saúde. Isso pois, sentido existencial interior e saúde caminham de mãos
dadas.
Parte considerável dos alimentos disponíveis são inflamatórios e
parte considerável dos estímulos aos quais estamos submetidos são
desorganizadores mentais, não se excluem os noticiários! As doenças
crônicas como diabetes e hipertensão aliadas aos distúrbios do humor decorrem
em grande parte da forma insana como nos alimentamos na atualidade. Um processo
irreversível decorrente da péssima qualidade das escolhas que
fizemos em passado recente.
Por outro lado, sejamos otimistas, não sejamos preconceituosos,
experimentemos estabelecer uma relação viva com conceitos emancipadores. Não se
revolte, senão apenas volte a si e reconheça o porquê do ambiente à sua volta
ser como é. Reflexões simples, mas que nos esquivamos da responsabilidade
diariamente.
Diminuir o uso de antidepressivos, moduladores de humor, sedativos
do ser, talvez seja opção a ser considerada com certa urgência. Parar de
apontar fora e reconhecer dentro aquilo que cabe apenas a mim realizar.
Tornar-se pílula de saúde individual.
É possível ser saudável dentro dessa sociedade! Mas é preciso
atenção às fórmulas, respostas prontas e receitas, pois cada vida é única.
Não nos esqueçamos que o contrário de algo é a mesma coisa ao contrário e que
para que a integralidade seja alcançada, os opostos devem ser integrados em um
todo, ou seja compreendidos. Oposição é parcialidade, integração é saúde. Uma
sociedade partida é uma sociedade condenada, onde tudo o que muda visa
apenas fazer com que tudo permaneça como está!
O caminho para a vida saudável é o caminho das perguntas, das
possibilidades e raras vezes o das respostas e do tic-tac dos relógios. O poeta
cantou que temos nosso próprio tempo. Entrar em relação com este tempo interno
que é único para cada ser é primeiro passo solitário e certeiro para a
possibilidade da vida saudável.
Não é preciso ficar doente para habitar uma sociedade doente. A
pessoa com vida interior pode frequentar a sociedade e reconhecer seus
equívocos, pois pensa, tem membrana seletiva. A pessoa desfrontalizada responde
aos desafios sociais à semelhança dos animais na floresta. E tudo isso é muito
belo de se observar. Observar é um grande passo para o humano.
Observemos!
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