A Medicina da Saúde é baseada na preservação e na promoção. É sempre superior à Medicina da Doença focada na cura e na prevenção. Somos seres humanos e não "teres humanos”. A doença começa quando se deixa o SER pelo TER; saúde e vitalidade aumentam na direção do SER. A busca pelo SER leva à ampliação da consciência, guia do homem saudável e espelho para o doente. Refletindo o exemplo a ser imitado mostra como sair da horizontalidade do adormecimento e entrar na verticalidade do despertar.
segunda-feira, 14 de janeiro de 2019
ALIMENTAÇÃO CONSCIENTE XII – TOLSTÓI - 1895
CONTINUAÇÃO DE:
Contos de Tolstói
– Três Parábolas – Segunda Parábola (Fragmento).
Pessoas faziam negócios com farinha, manteiga, leite e todo tipo de
comestíveis. E, disputando umas com as outras, no intuito de ganharem o máximo possível
e ficarem ricas rapidamente, passaram a misturar cada vez mais substâncias
nocivas e baratas em suas mercadorias: na farinha misturavam farelo e cal, na
manteiga punham margarina, no leite, água e giz. Mas enquanto as mercadorias não
chegavam aos consumidores, tudo corria bem: os atacadistas vendiam aos
varejistas e os varejistas vendiam aos mascates.
Havia muitos armazéns e lojas e o comércio parecia correr de vento em
popa. E os negociantes estavam satisfeitos. Mas para os consumidores da cidade,
aqueles que não produziam o próprio alimento e por isso tinham de comprá-lo,
era muito desagradável e nocivo.
A farinha era ruim, a manteiga e o leite eram ruins, mas como nos
mercados da cidade não havia outras mercadorias senão as adulteradas, os
consumidores da cidade continuavam a comprar aquelas mercadorias e atribuíam a
si mesmos, e à maneira errada de preparar a comida o paladar ruim que sentiam
nos alimentos e os danos à saúde que causavam. E os comerciantes misturavam aos
produtos quantidades cada vez maiores de substâncias baratas e estranhas aos alimentos.
Isso durou muito tempo; os habitantes da cidade não paravam de sofrer e ninguém
se decidia a manifestar seu descontentamento.
...
quarta-feira, 19 de dezembro de 2018
SUICÍDIO ESPIRITUAL
O suicídio físico é uma
opção desesperada e pode ser consciente ou inconsciente. No primeiro caso um
ato abrupto de desespero, no segundo decorrência de atitude ignorante que se
perpetua no tempo (hábito alimentar precário, uso de drogas lícitas e ilícitas,
sedentarismo, pouca leitura, hábito musical pobre). Estatísticas atuais apontam
que a cada 40 segundos uma pessoa morre por suicídio no mundo. No Brasil os
dados mais recentes apontam uma média de 32 suicídios por dia.
Mas, o suicídio mais
surpreendente é o espiritual. Quando o materialista se descuida de seus
veículos (corpos) suprafísicos, demonstra coragem surpreendente. Veículos que a
tradição designa como corpo vital, corpo de desejos e mente. Sim, não é preciso
ver para saber. A pessoa sensível pressente que a vida é o “mistério” que anima
a matéria, mas que não pode ser encontrada quando se disseca a matéria em sua
intimidade. Quem deseja deveria refletir de onde vem as tendências desejosas e quem
pensa deveria fazer investigação semelhante em relação ao pensamento. Desejo e
pensamento, qualidades materiais de outra natureza que não a física.
A visão, o sentido
predileto da atualidade, nos impede ver além das aparências. Mas veja você
mesmo então. Nascer arredondado, ver o corpo esticar e crescer, a seguir ficar
enrugado, pontudo e desvitalizado é percebido na superfície, mas que tipo de
forças determinam esse efeito sobre a matéria animada?
O suicídio espiritual não
é tão falado quanto o suicídio físico. Finge-se não ver, mas quem teria olhos
para isso não é mesmo?
A pessoa que vive em
espírito torna a vida material leve, torna-se
permeável à graça. A pessoa que vive para a matéria é cega à luz do
espírito e sua vida se torna opaca, escura, densa, azeda, cheia de reclamações
e emperrada. É aquela pessoa que não entende o porquê de certas situações (padrões)
se repetirem em sua vida. A graça, assim como a graxa, serve para lubrificar. A
primeira lubrifica as engrenagens da vida, a outra as engrenagens da matéria.
Em outras palavras, uma vida sem graça é uma vida sem graxa, assim como uma
vida sem graça é também sinônimo de desgraçada.
Para que a graça permeie o
corpo humano, o mesmo precisa estar poroso em todas as suas instâncias. Assim
como a obstrução dos poros da pele leva à morte rapidamente, a obstrução dos
poros dos corpos suprafísicos (corpo vital, corpo de desejos e mente) leva à
morte lenta. Essa morte lenta se apresenta aos olhos do observador como as
pessoas que apenas existem, à semelhança das pedras. Viver é atributo do reino
humano; fundamental para isso é a consciência dimensional adequada do que seja
SER HUMANO. A vida material, horizontal, cotidiana da família, do trabalho, da
política, da filosofia niilista, da diversão é apenas palco, sombra e
efemeridade. Sem a graça, a vida material culmina em cadeia, hospital, falta e
inconformidade. Mas cadeia, hospital, falta e inconformidade, lembremos, são
escolhas pessoais. Toda escolha, entretanto, é permitida a Fausto, em Goethe, ao se perder
para se encontrar.
Se afastar da graça (ser
desgraçado) por opção ou por ignorância é suicídio espiritual. O espiritual diz
respeito a tudo o que está além dos cinco sentidos. O interesse também é um
sentido que podemos vivenciar e experimentar. Mais interesse e menos
indiferença é alternativa válida na profilaxia do suicídio espiritual.
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MUDAR A MIM
POR: GERALDO DRUMOND
Vivo muito melhor agora que vejo
as pessoas como realmente são, e não como gostaria que fossem. As pessoas são
melhores assim, sem o rótulo que as conferimos, sendo imprevisíveis aos nossos
desejos de controlar, de dominar, de saber o que poder esperar. Não julgo mais.
Não condeno mais. A cada vez que julgo, mais distante dos outros e de mim
mesmo. Tudo aquilo que condeno no outro, além de me incomodar, ainda corro o
risco de ter ou ser também. Na maioria das vezes nossos julgamentos só
consideram nosso próprio senso de valor, e não o das pessoas que estamos
avaliando.
O Buda observou que sofremos
porque queremos que a vida seja diferente daquilo que ela é, e dói quando
continuamos a bater a cabeça contra a realidade básica.
São muitas as estórias, são muitos
os sentimentos, são muitos os vínculos, são muitos os desejos, são muitas as
reações e nossa mente é muito pequena para captar e assimilar todo o movimento
das relações, das vidas das pessoas.
Mudar somente a mim mesmo, que é
de quem dou conta e a quem cabe trabalhar para ser melhor. A vida pode ser
muito melhor! Conquistamos a leveza de viver que desejamos quando conseguimos
carregar a nós mesmos! Que Deus me ajude a persistir!
sexta-feira, 2 de novembro de 2018
DEUS E DIABOS III
A política é prática diabólica. Poder, medo, dinheiro, fama e controle são
seus combustíveis. O Diabo aprecia tudo que é partido. Adora espelhos, poderes
partidos, partidos políticos, partidas de futebol e até mesmo o raio que o
parta. Se for inteiro e não pela metade, então tem que ter Deus também. Mas
ainda não chegamos lá, estamos longe. Tão longe e tão perto...
A Bíblia em Jó (antigo testamento), Goethe em Fausto e Saramago no
Evangelho segundo Jesus Cristo, criam situações curiosas onde Deus e o Diabo
trabalham alinhados, no mesmo partido, conversam e planejam! Nada parecido com
a prática geopolítica atual, onde as partes se odeiam. A literatura bíblica é explícita
quanto às coisas de César e as coisas de Deus.
Em minha infância se dizia: “Mente vazia oficina do Diabo”. Curiosa
associação essa do Diabo com a mente e de Deus com o coração. É como se Deus
não pudesse ser sabido ou pensado, senão apenas recordado (cordis = coração).
Parafraseando Agostinho de Hipona sobre o tempo: se me perguntam o que é Deus,
eu não sei, se não me perguntam eu sei. Quando penso Deus me dissocio e,
portanto, me torno diabólico. O cérebro utiliza o fósforo na forma de ATP (adenosina
trifosfato) em seu metabolismo. Fósforo em grego é lúcifer em latim, ambos
significam o portador da luz.
Posso ser livre de tudo o que tenho, mas posso ser escravo até do que
não tenho. A liberdade é um conceito estranho. Liberdade para acreditar ou não.
Na medida em que acredito coopero com o “sistema de leis” (teotropismo), e na
medida em que não acredito compito com o “sistema de leis” (geotropismo). Competir
ou cooperar, prerrogativas do estado em que me encontro. Escolhas que não se
excluem, senão se mesclam até que a unidade seja melhor compreendida por cada
um de nós.
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