quinta-feira, 12 de setembro de 2013

SAÚDE E CORPOS ETÉRICOS - ENRIQUECER

Enriquecer sem esquecer; como é isso?; quero saber quero saber...



 Reflexões pessoais sempre pedem atenção e cuidado; não sendo conhecimento absoluto nem verdade inconteste, mas pequena síntese de assuntos surgidos na prática cotidiana, apesar das limitações pessoais, naturais ao humano em aprendizado. Passageiro, compartilho fragmentos da breve e insólita caminhada...

O ser humano faz parte de um corpo maior que se chama humanidade e que consiste em um organismo único. O ser humano é uma célula dessa humanidade. Existem muitas células saudáveis e algumas doentes nessa humanidade. O mecanismo de defesa da humanidade é a vida em sociedade e as atitudes antissociais estão na gênese de muitos distúrbios no corpo da humanidade (vide texto a célula e você - livro “Saúde é Consciência”).

Conceito interessante o de corpo vital; oriundo de diversas linhas de pensamento desde a medicina chinesa, passando pelo hinduísmo, teosofia, gnosticismo siríaco-egípcio e cristão, e atualmente no contexto ocidental, incorporado na literatura do cristianismo rosa cruz (Vide: Conceito Rosacruz do Cosmos) e também no cristianismo Steineriano do movimento antroposófico (Vide: A Ciência Oculta).

O referido corpo, compreendido grosso modo, como um “segundo corpo”, permeia e envolve o corpo físico, sendo responsabilizado, na compreensão dos sábios, pela vitalização deste último, daí seu nome: corpo vital.

Questões elementares podem servir de “esqueleto” para um pensar mais vivo ainda pouco exercitado na atualidade. Por exemplo: o que pode acontecer quando alguém deseja enriquecer? Seja feita a ressalva preliminar da diferença fundamental entre querer e desejar, sobre a qual é preciso atenção serena. Também lembrando apenas que riqueza implica em um estado pleno de ser que transcende em muito a forma como alguns a concebem, ou seja, associada apenas ao plano material. Posto isso podemos ousar ir além; caso isso não faça sentido para você, sugiro respeitosamente que pare a leitura por aqui.

O corpo vital, nas concepções acima referidas, disposto em camadas, tem duas mais “próximas” ao corpo físico e, portanto mais próximas e voltadas às questões inferiores (terrenas) e duas “externas” mais ligadas às questões superiores (espirituais). Conforme seus pensadores (citados acima), esta instância serve de interface ao relacionamento com todas as outras instâncias da vida, sejam elas de outras pessoas, dos demais reinos da natureza conhecidos e desconhecidos, sejam infrafísicos, físicos ou suprafísicos.

Quando uma pessoa começa a “enriquecer” do ponto de vista físico pessoal, as primeiras camadas ficam intrinsecamente envolvidas. Ter saúde é ser rico. Como dito antes, as riquezas podem ser vistas desde seu aspecto mais grosseiro ou material, até seu aspecto mais sutil ou consciencial. Em última análise, um espectro (como o arco-íris) cobre desde a riqueza material até a riqueza consciencial. Assim, grosso modo, pode-se exercitar a existência de um enriquecimento pessoal que diz respeito a estas duas primeiras camadas (éteres) e ao corpo humano; e ainda outro, dentro do qual o primeiro se encaixa, e que diz respeito ao espaço que vai desde o tecido moral e ético individual até o “espaço” onde a espécie humana se encontra em contato com os demais reinos e hierarquias inferiores e superiores a ela. Sempre que o corpo vital vivenciar um “enriquecer” desproporcional em seus tecidos constituintes, o ser estará sob o risco de se desvitalizar, perder saúde e eventualmente adoecer.

Neste “tecido” vital, pode ser concebida (pensada) e quiçá vivenciada, como que uma substância equalizadora dentro do grande “corpo” humanidade. Para a riqueza poder se desenvolver de forma indefinida, é preciso passar de sua primeira etapa que é desenvolvimento pessoal para a segunda e mais importante etapa que diz respeito ao desenvolvimento da família humana como se esta consistisse em um corpo único. Esta compreensão possibilita o humano enriquecer de forma indefinida sem que os revezes do ter ameacem o ser em formação. Tudo o mais é “dado” por acréscimo quando o justo a ser feito e buscado é levado a cabo. Ou ainda nas palavras dos sábios:



“Buscai primeiro o reino de Deus e a sua justiça e tudo mais vos será dado por acréscimo” (Jesus Cristo)


       “Pratique a nobreza divina e a nobreza humana naturalmente o acompanhará”
“Quando na abundância, esteja preparado para a necessidade.”

(Mêncio - Ji Mèngkē)



Entretanto, o modus operandi deste enriquecimento é diverso daquele buscado hoje por uma parcela da humanidade. À semelhança da respiração ele é fluxo; na inspiração se enriquece nos dois “éteres” inferiores e na expiração se enriquece nos dois “éteres” superiores. Este estado fluídico é aquele mesmo em que a pessoa bem sucedida materialmente é convidada no segundo passo a promover o enriquecimento do restante da estrutura corpo humanidade. Ignorar esta lei natural é perseverar (insistir) na direção do enriquecer apenas as duas primeiras camadas etéricas (relativas ao mundo material); entretanto, existe um ponto (um círculo-não-passa) a partir do qual não é possível ir, a menos que se promova o crescimento conjunto do corpo como um todo. Um exemplo simbólico analógico da contravenção desta lei pode ser visto no câncer, cujas células que entram em crescimento desordenado pegam para si tudo, inclusive os nutrientes que deveriam servir de alimentos para outras células.

As situações mais variadas podem ser percebidas pelo observador amoroso e atento da natureza humana assim como no desenlace das vidas que se desenvolvem ao nosso redor. Exemplo disso é o fato de que os antigos se empenhavam em cultivar unicamente a nobreza divina e como consequência, a nobreza humana lhes era concedida, sendo hoje comuns situações em que se cultiva a nobreza divina pela vontade implícita da conquista de nobreza humana! Uma total inversão na ordem das coisas; uma forma de barganha típica à personalidade tacanha.  

Nos primeiros éteres a riqueza máxima pode ser alcançada quando o tecido moral e o tecido material se equilibrem em calor e valor (claro que valor relativo – algo como um caminhão que só pode carregar aquilo que seu espaço permita na caçamba – mas no caso de uma pessoa, sua caçamba é sua própria musculatura ético-moral ou em uma palavra única, seu caráter).

Nos “éteres” externos a situação se torna algo mais complexa, pois o tecido que se estende do caráter ao “corpo” das hierarquias inferiores e superiores funciona de forma diversa do primeiro. Aqui o trabalho é servir, é sobre o amor ao próximo, e o enriquecer é dar maior profundidade a este amor; e o que enriquece passa a ser aquilo que se partilha com o outro, não aquilo que se conquista para si, como no caso anterior. Desconhecendo este tipo de processo, apesar de ser possível prosseguir no acúmulo de recursos de natureza material, cria-se espaço a situações de perda de outras naturezas que vão desde dificuldades pessoais e familiares, passando por doenças pessoais e culminando em situações escandalosas decorrentes da própria reação do corpo humanidade em relação à postura desenfreada, caracterizada pelo vício do acúmulo pessoal em detrimento do acúmulo família humana...

Todos e cada um de nós pode se realizar materialmente, mas para que esta realização seja plena, é preciso que se perceba a importância de aprender a criar um espaço interior de receptividade. Este espaço guarda íntima relação com o desenvolvimento do caráter e de virtudes. Só uma vida virtuosa permite o livre fluxo da realidade material (possuir sem ser possuído ou ainda melhor, poder possuir sem ser possuído, nas palavras do eminente filósofo brasileiro Rohden).

No processo de criação deste espaço interior há que se considerar a mudança de hábitos nocivos, cujos mecanismos ocupam espaço interior precioso, muitas vezes funcionando como bloqueio à recepção de experiências como alegria, felicidade e de plenitude e paz, acompanhamento natural das conquistas terrenas resultantes do exercício da virtude. Esvaziar-se dos maus hábitos e melhorar as virtudes; considerando sempre o cosmos como um todo ao qual se pode integrar amorosamente seja no querer ou no desejar.

Parece haver uma economia cósmica que leva em conta este modus operandi no Enriquecer, e que geralmente falta no enriquecer...

A imunização coletiva, panaceia, diz muito respeito à consciência oriunda do conhecimento desses limites e seu funcionamento. Habitamos uma terra que também tem um “corpo etérico”, que está viva e se relaciona conosco e nossas decisões por meio de nossos “corpos etéricos” (Ki, chi, vital).

Sob inconteste domínio do Sol e tudo o que simbolicamente Ele representa, fonte de riqueza que a vida É, a Terra deve lembrar-se, enquanto Ungida por esta energia, a ser reverente à vida que é paixão e passagem, portanto Páscoa.

Agora, isso tudo sem esquecer que teoria sem prática é estéril, o oposto quiçá infantil. Só não quero esquecer o perfume de Guimarães Rosa nas palavras do jagunço-filósofo Riobaldo, para quem a natureza da gente não cabe em nenhuma certeza:

"O senhor saiba: eu toda a minha vida pensei por mim, forro, sou nascido diferente. Eu sou é eu mesmo. Divêrjo de todo o mundo... Eu quase que nada não sei. Mas desconfio de muita coisa. O senhor concedendo, eu digo: para pensar longe, sou cão mestre - o senhor solte em minha frente uma ideia ligeira, e eu rastreio essa por fundo de todos os matos. Amém! Olhe: o que devia de haver, era de se reunirem-se os sábios, políticos, constituições gradas, fecharem o definitivo a noção – proclamar por uma vez, artes assembleias, que não tem diabo nenhum, não existe, não pode. Valor de lei! Só assim, davam tranquilidade boa à gente. Por que o Governo não cuida?!"



Agora, se para você nada disso faz sentido, existem outros caminhos:



quinta-feira, 5 de setembro de 2013

7 de SETEMBRO 1822


Texto de autoria: Mário Inglesi

Vídeos youtube sugeridos por: Ricardo Leme  




O Hino da Independência do Brasil foi criado logo após o 7 de setembro. A letra do hino é de Evaristo da Veiga e a música de D. Pedro I.



HINO DA INDEPENDÊNCIA
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Já podeis, da Pátria filhos,
Ver contente a mãe gentil;
Já raiou a liberdade
No horizonte do Brasil.

Brava gente brasileira!
Longe vá... temor servil:
Ou ficar a pátria livre
Ou morrer pelo Brasil.

Os grilhões que nos forjava
Da perfídia astuto ardil...
Houve mão mais poderosa:
Zombou deles o Brasil.

Brava gente brasileira!
Longe vá... temor servil:
Ou ficar a pátria livre
Ou morrer pelo Brasil.

Não temais ímpias falanges,
Que apresentam face hostil;
Vossos peitos, vossos braços
São muralhas do Brasil.

Brava gente brasileira!
Longe vá... temor servil:
Ou ficar a pátria livre
Ou morrer pelo Brasil.

Parabéns, ó brasileiro,
Já, com garbo varonil,
Do universo entre as nações
Resplandece a do Brasil.

Brava gente brasileira!
Longe vá... temor servil:
Ou ficar a pátria livre
Ou morrer pelo Brasil.

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Glossário:

- Brava: valente
- Servil: relativo a servo, subserviente
- Grilhões: corrente de metal
- Perfídia: deslealdade, traição
- Astuto: habilidoso para fazer o mal
- Ardil: artimanha, estratégia
- Ímpias: cruéis
- Falanges: tropa, legião
- Hostil: inimigo
- Garbo: elegância, porte
- Varonil: viril, esforçado





Em razão da historiografia pública brasileira, no seu afã incontido de perpetuar como mitologia os principais fatos, e personagens que configuraram desde o início a imagem do Brasil colônia, inverdades vêm consolidando o imaginário do brasileiro, sobre a sua própria história.
A começar, pelo questionamento inviável de que se o Brasil não fosse colonizado pelos portugueses, ele seria outro, bem melhor, sem as mazelas que preencheram sua vida pública e privada.
Ora, isso é apenas quimera, Colonização é colonização, não há melhor, e mais ainda em seu processo e efeitos.
No caso do Brasil, é certo que usaram e abusaram de nossas riquezas naturais, exaurindo-as de maneira drástica em proveito próprio.
Mas, em contrapartida, talvez, nos legaram um bem maior: a língua portuguesa, cuja existência eleva nosso patrimônio cultural a alturas inimagináveis, como exemplificam “Os Sertões”, de Euclides da Cunha, a obra romanesca de Machado de Assis, e a admirável criação de “Grande Sertão: Veredas”, de Guimarães Rosa e muitos e muitos outros, em que se destacam poetas, cordelistas e cantadores da mais nobre estirpe brasileira.
E não é só, nos ofereceu patrimonialmente a miscigenação, quando esta era considerada até mesmo pela ciência, como degradação e falência humana, e como tal, empobrecedora física e moral do brasileiro, tornando-o um ser inferior.
Com ela aflorou, em caráter permanente e de bom grado, a nossa sexualidade, como, aliás, bem ponderou Gilberto Freyre, em sua “Casa Grande & Senzala”, mostrando que a Senzala era a extensão da Casa Grande, como ainda fez aflorar usos e costumes, donde resultou toda a grande culinária brasileira de doces e salgados, o nosso ar folgazão, nosso destravar linguístico, nosso sem “papas na língua”, nosso misticismo e nosso “macunaísmo”, como bem configurou Mário de Andrade, em sua obra máxima.
Com a vinda da “Família Real” para o Brasil, em 1808, inicia-se o apregoar de imagens, cujo único objetivo era denegrir seus integrantes.
Assim, D. João passou a ser “o rei glutão”, nada mais que isso, quando seus feitos foram inestimáveis para a consolidação da permanência una do território, como para a consagração eficaz, de D. Pedro I, como imperador do Brasil, e para a eficaz “abertura dos portos”, assim como para a instalação da imprensa no país.
D. Pedro I, por sua vez, tem sido sempre alvo de chacotas por seu “grito” do Ipiranga: Independência ou Morte, além de ser visto como mulherengo atroz: um verdadeiro “rabo de saias”.
Ora, tendo se casado por imposição e conveniência, com Dona Maria Leopoldina, da Áustria, a primeira imperatriz do Brasil, D. Pedro, como era natural, à época, pulava o muro, com amantes sem número, embora sempre junto da mulher que o favoreceu até mesmo na proclamação da Independência.
Mas se isso moralmente poderia causar certa espécie aos moralistas de plantão, é preciso convir que com D. Pedro houve, no Brasil, liberdade de Imprensa, a proclamação da Independência, a elaboração e vigência da 1a Constituição Brasileira, outorgada em 1824, sempre tendo ao seu lado o então famoso José Bonifácio, ministro “Patriarca da Independência” do país.
Outro mito comum, sempre repetido, é que com o famoso grito de “Independência ou Morte”, no caso, não houve nem independência nem morte. Isto é pura falácia, pois houve sim muitas mortes não só antes como depois, com todas as injunções de portugueses e brasileiros no Brasil e do governo português, configuradas na Guerra Cisplatina e na Confederação do Equador e outras lutas internas.
Parece que todo mundo nasce sabendo, o aprendizado foi pras cucuias, vive-se de mitos e lendas pela vida afora.
Portanto, vamos bradar e comemorar a Independência do Brasil, sem alarde, sem palanques e palanqueiros usuais, mas com muito afã de aprendiz. Só assim nossa mente aprenderá a ser solerte e terá o respeito que merece, afastando para bem longe a inidônea tarefa de “Maria vai com as outras”.
Mário Inglesi