domingo, 1 de fevereiro de 2015

LONGEVIDADE



Por: Dr. Mário Inglesi

Dr. Ricardo
Muito tem sido veiculado pela mídia os inúmeros progressos alcançados pela medicina e pelo atendimento de determinadas regras, para a humanidade alcançar a longevidade.
Em princípio, o fato é comemorado como alvissareiro e bem-vindo. Afinal, quem não gosta de saber que poderá viver mais, mesmo longevo, pois projetos e obras poderão ser continuados e talvez até outros começados, já que haverá um bom tempo pela frente para seu término e também para vislumbrar o alcance do seu sucesso. Tal perspectiva realmente fortalece a vontade de continuar vivendo e de gozar esse tempo que se oferece agora, com maior prazer e dedicação. O que torna tais progressos auspiciosos e de bom grado acompanhados pari-passo, como algo de muito alento para uma vida em andamento.
Mas, para que tal ocorra, deverão ser obedecidas determinadas premissas, antes mesmo de usufruir-se da longevidade. A começar pela efetivação de uma vida regrada, sem excessos, ou seja, uma vida saudável. Isso, talvez só ocorrerá com usufruto de uma vida monástica, isto é, com uma alimentação balanceada, sem os vícios ou excessos de bebida e fumo, e longe do sedentarismo que abarca os dias e noites das pessoas, por preguiça ou por costume arraigado em seu dia a dia.
Inicialmente, portanto, são candidatos à longevidade aqueles, obviamente, que seguirem rigorosamente a tais normas, o que, evidentemente serão bem poucos, pois a maioria está fora dos padrões exigidos, por ignorância ou por não levarem em conta os benefícios exigidos ao alcance da longevidade, ou ainda, por ser tarde demais para atender as exigências prescritas, principalmente em razão do tempo já decorrido num existencial desregrado.
Estarão, entretanto, fora também da competição, aqueles portadores de doenças hereditárias desconhecidas até a eclosão dos primeiros sintomas que os façam ir procurar por uma consulta médica, mormente quando envolve dores ou sofrimentos agudos.
Mas será facilmente eleito, aquele candidato que, independente da obediência aos padrões exigidos, for portador dos genes da longevidade, em sua constituição física. Este sim será o vencedor, e, o troféu de uma vida longa e benfazeja, poderá ser-lhe entregue de imediato.
Não lhe bastará o troféu, se as próprias condições sociais de vida não o ajudarem, ou seja, se não morrer de bala perdida, ou não perder a vida em um acidente de carro ou de avião, ou, em um tsunami, ou ainda, num terremoto ou ciclone, que lhe tire a vida, juntamente com outros no local, ou mesmo que num assalto à mão armada, um tiro lhe seja fatal.
Nestas condições ou em outras porventura advindas do seu viver social, a longevidade almejada só não será o efeito de um sonho, se houver ainda condições materiais e outras, que possam lhe propiciar um viver adequado, até o último instante de vida.
Mas, esse sonho tem um ônus deveras alto, e, a continuar com vida por muito mais tempo que o esperado, os custos se elevam às alturas, absorvendo não apenas do idoso, mas também a renda familiar.
Tudo começa com as medidas protecionistas ao idoso, como barras de segurança, antiderrapantes pela casa inteira, bengala, muletas, e se alonga, à medida que o tempo passa, como concurso de profissionais ou pessoas habilitadas, para cuidar regularmente do idoso, cujas perdas físicas, orgânicas e sensitivas começam a se acentuar a partir já dos 60 anos de idade.
Assim, a exigência de garantir adequadamente os benefícios à existência condigna aos atingidos nesta, dita “quarta idade”, se manifesta tão grande, que só pessoas bastante situadas financeiramente, podem arcar com a sua manutenção regular e idônea e, o idoso usufruir de tudo que lhe possa garantir uma continuidade de vida regular, dentro de suas capacidades ou incapacidades físicas, exigindo inicialmente cadeira de rodas, aparelhos respiratórios e, até softwares que auxiliam sua comunicação, etc. etc.
Portanto, a “maior vida” – como chamam alguns – só poderá abarcar uma ínfima parcela da população idosa, - os financeiramente privilegiados, para mantê-la inclusive com filhos que podem ou querem assumir integralmente os pais, em sua longevidade. Não se trata de arcar com uma pessoa com alguma deficiência física, mas com muitas deficiências, às vezes, exacerbadas.
Infelizmente, os demais, precariamente se deixam ficar numa cama: quase imobilizados, sozinhos, tendo à frente, a televisão ligada, cuja miopia, muitas vezes o impede de ver claramente o que se passa, numa existência vegetativa que se mostra cumulativamente intolerável, apenas minorada por alguém, vizinho ou parente, que venha de quando em quando verificar as precisões imediatas do velho longevo.
É a morte em vida. É o ser humano no limite máximo da carência, da penúria, açambarcado por uma noite infinda e intolerável.
Privilegiados ou não, a longevidade não se apresenta de modo nenhum uma dádiva para ninguém, nem mesmo para o Estado e a sociedade como um todo, pois resulta numa desvantagem sem limite, um problema cuja existência deve merecer não só a atenção como providências enérgicas e imediatas, como mais um item de saúde pública, pois ele atinge a muitos indistintamente hoje ou amanhã e pelo resto de suas vidas.
O interessante, em tudo isso, é que o aflorar da velhice, com os primeiros fios de cabelos brancos, as pequenas rugas na tez, somos levados a pequena euforia de início do envelhecer, da maturidade que começa a tomar conta de nós com certo encanto e prazer.
Ao passar dos anos, essa mostra de envelhecer se expande se ramifica e começa a dar frutos que, verdadeiramente, não ousamos saborear. Pois nos deforma. As pequenas rugas transformam-se em verdadeiras tatuagens que nos enfeiam, e nos fazem desprezar o espelho; os olhos se tornam mortiços; as orelhas parecem aumentar e o nariz tão empinado antes, parece cair. Fisicamente, já não nos conhecemos mais.
Agora, já almejamos o quanto antes, a sonhada e bem vinda, aposentadoria, com usufruto total de descanso e o lazer tanto esperados, num aprazível lugar rural, ou numa praia ensolarada, sob o deleite de uma vivência de mais alguns anos, sem as obrigações de horário, transporte e trabalho diuturnos.
Parecemos estar vivos ainda. Conscientizamo-nos disso quando pouco a pouco nos apercebemos quantos amigos, conhecidos e parentes já se foram “pro andar de cima, mesmo antes da hora” como dizem. E constatamos que vamos ficando sós, enclausurados em nós mesmos, asfixiados por um tempo que já não é mais nosso e, portanto, pouco vivenciamos. Então só nos resta a arte. Só ela, para nos acalentar. Nela depositamos todas as nossas expectativas, nossos sonhos de vida, nossas alegrias e tristezas. E, não é para menos, ela traduz o que de mais fundo ainda podemos usufruir condignamente, sem nos exigir nada em troca, além da sensibilidade e do prazer, pois o cotidiano manifesta-se desprezível, insosso, mesquinho, nada aprazível, além do cantar dos pássaros, o perfume das flores, sobrestados pela poluição e o barulho, numa paisagem urbana onde o ser humano, mais ainda os longevos, vem sendo abandonado, em meio a entraves de toda ordem: lixo, preconceito, violência, maldade.
O sonho vem aos poucos esmorecer, e, a paisagem urbana, ainda que ruim, desaparece, com o enclausuramento exigido pela nossa idade e muito mais ainda pela longevidade, que nos oferecem, como um prêmio de vida.
Perdemos, em princípio, aquilo que mais cultuávamos o físico e sua aparência. Ficamos estranhos a nós mesmos: perdemos a identidade; com o passar do tempo perdemos a privacidade, e, por último, perdemos, sucessivamente, em maior ou menor grau, a vitalidade, a sensibilidade, a serenidade e a intimidade: uma afronta sem limites que a velhice e sua longevidade nos foca, com veracidade terrificante, a nossa condição última de “coisa”, nada mais, nada menos, numa estampa facial inscrita com manchas senis, uma “serenata do adeus” triste, lúgubre e desesperançosa.
Assim, a velhice, e agora, a longevidade com o que nos querem acalentar se mostram apenas e tão somente um rito de passagem da finitude inapelável de um sopro de vida em seu desmoronar humilhante, sombrio e inapelável.
A opção menos constrangedora, menos dolorosa, mas mais valiosa será viver, ainda que pouco, sem muitos projetos, mas condignamente e deixar obra (s) que configure seu nome no tempo e no espaço, como, aliás, aconteceu com os nosso poetas românticos, a exemplo de Álvares de Azevedo, Castro Alves e outros mais. É o que há de melhor e mais produtivo, do que firmar-se num viver mais duradouro, mas constrangedor, ainda que sustentado por procedimentos cirúrgicos ou não, em prol de um enganoso aparato, cujo principal objetivo é esconder – como se isso fosse possível – o envelhecimento cada vez mais ligeiro e de todo modo – queiram ou não – irreversível.
O melhor mesmo é brincar com a própria sombra. Ela – êta coisa boa! – não se apresenta com cabelos brancos, manchas senis, olhos empapuçados, feições enrugadas, nariz adunco e orelhas grandes, nem se arroga de qualquer individualização, a não ser a de sombra mesmo.
Mário Inglesi

SUGESTÃO DE EVENTO - 07/02/15


ELISABETH VREEDE - ASTROLOGIA

Por: Elisabeth Vreede



      Num horóscopo abstratamente calculado, nem sempre se pode ver se e em que medida, um, dois ou três planetas supra-solares devem ser considerados especialmente ativos. Aqui tem papel relevante a individualidade (vontade) que, de acordo com sua evolução tem que ter uma relação bem diferente para com seu próprio horóscopo. Não basta para tanto um cálculo, mas apenas intuição real.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

A SOLICITAÇÃO DE EMPREGO






       Prezados senhores!

Sou um jovem pobre dedicado ao comércio, mas desempregado, meu nome é Wenzel e estou à procura de um posto apropriado, razão pela qual permito-me aqui, com gentileza e deferência, perguntar-lhes se haveria em suas arejadas, iluminadas e amistosas instalações alguma vaga desse tipo. Sei que sua valorosa empresa é grande, orgulhosa, antiga e rica, motivo pelo qual sinto-me autorizado a entregar-me à agradável suposição de que os senhores terão uma vaguinha assim, leve, simpática e bonita, na qual eu possa me enfiar como numa espécie de esconderijo quentinho. É necessário que os senhores saibam que me presto extraordinariamente bem à ocupação de um cantinho modesto como esse, porque toda a minha natureza é delicada, e minha essência é a de uma criança quietinha, bem-educada e sonhadora, que fica feliz quando pensam que ela não exige muito e quando lhe permitem tomar posse de um pedacinho minúsculo de existência, no qual ela possa, à sua maneira, mostrar-se útil e sentir-se bem ao fazê-lo. Um lugarzinho à sombra, quieto, doce e sossegado, sempre foi o gracioso conteúdo de todos os meus sonhos, e se as ilusões que nutro em relação a sua empresa atrevem-se agora a se transformar na esperança de que meu jovem e velho sonho possa vir a se tornar vívida e encantadora realidade, isso significa que os senhores terão em mim o mais zeloso e fiel dos servidores, para o qual o cumprimento exato e pontual de todas as suas insignificantes obrigações será questão de princípio. Tarefas grandes e difíceis não posso cumprir, e obrigações de natureza mais vasta são demasiado complexas para minha cabeça. Não sou particularmente sagaz e, o mais importante, não me agrada fatigar em demasia minha capacidade de compreensão; sou antes um sonhador que um pensador, antes um zero à esquerda que um auxílio, antes burro que perspicaz. Por certo, em sua instituição altamente ramificada, que imagino pródiga em funções e subfunções, há de haver um tipo de trabalho que possa ser realizado como num sonho. Sou, para dizê-lo francamente, um chinês, isto é, uma pessoa para a qual tudo que é pequeno e modesto parece belo e adorável, e terrível e pavoroso tudo quanto é grande e assaz desafiador. A única necessidade que conheço é a de me sentir bem, a fim de que eu possa, a cada dia, agradecer a Deus por minha existência tão querida e abençoada. A paixão por ir longe neste mundo me é desconhecida. Nem mesmo a África, com seus desertos, me é mais estranha. Agora, pois, os senhores sabem que tipo de pessoa eu sou. Como veem, escrevo com graça e fluência, e os senhores não precisam imaginar-me totalmente desprovido de inteligência. Tenho uma mente lúcida, mas ela se recusa a apreender coisas demais, algo a que tem aversão. Sou honesto e tenho consciência de que essa característica significa muito, muito pouco no mundo em que vivemos. Dito isso, prezados senhores, aguardo para ver o que lhes aprazerá responder-me, e o faço afogando-me na mais alta estima e em suma devoção,

Wenzel.

1914 


quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

ALIMENTAÇÃO CONSCIENTE VI



Os Segredos do Marketing Alimentar
(Legendas em Português em Settings ou direto no youtube)


            Para o gado bovino (bois e vacas) o capim no pasto é como um saboroso bufê de saladas e de fato quando cuidado, o pasto apresenta enorme variedade de coisas para a degustação desses animais. Pasto sem variedade é pasto empobrecido. A agricultura é um negócio que consiste em transformar energia solar gratuita em um produto alimentício a ser consumido pelo humano. Sobre consumir existem duas formas: comer diretamente o grão, legume ou vegetal plantado ou fazer com que um animal coma essas coisas e a seguir comê-lo. Em última análise se consome a energia solar transformada. No caso dos grãos, legumes e vegetais, o fluxo de energia passado ao consumidor é razoavelmente maior que o do segundo caso (animais) conforme a ilustração.

            Segundo Pollan, um dos princípios do moderno cultivo do capim é que o fazendeiro utilize ao máximo a energia contemporânea do Sol (fotossíntese) ao invés da energia fossilizada do Sol (adubos petroquímicos). Mudando um pouco de assunto, mas não muito, me ocorreu a frase do jornalista Upton Sinclair: “É difícil fazer com que uma pessoa compreenda determinada coisa quando seu salário depende do fato dela não compreendê-la”.

            Logo após a segunda grande guerra, os processos logísticos e a indústria da alimentação passaram por revoluções operacionais importantes. Se por um lado isso se explica pela maior demanda, por outro a redução de custos operacionais decorrentes dos regimes de confinamento e alimentação dos animais não é fato a se desprezar pelo investidor atento.

É fato inconteste que a harmonia da fisiologia humana depende intimamente do equilíbrio entre as substâncias ômega-3 e ômega-6. Brevemente, os ácidos graxos ômega-6 atuam de forma pró-inflamatória enquanto os ômega-3 de modo anti-inflamatório. De fato, curiosamente essa relação é o que mais mudou em nossa alimentação desde os tempos do pós-guerra. Nesse sentido seja lembrada a citação de Schreiber no best-seller “Anticâncer – prevenir e vencer usando nossas defesas naturais”:
                “A partir dos anos 1950, a demanda de laticínios e de carne bovina aumentou de tal maneira que os criadores tiveram que contornar a imposição do ciclo natural de produção de leite e reduzir o espaço de pasto necessário para alimentar um bovino de 750Kg. As pastagens foram então abandonadas em favor da criação confinada. O milho, a soja e o trigo que passaram a constituir a alimentação principal dos animais, quase não contêm ômega-3. Eles são, por outro lado, muito ricos em ômega-6. Os ácidos graxos ômega-3 e 6 são ditos essenciais por não serem fabricados pelo corpo humano; consequentemente, a quantidade de ômega-3 e 6 em nosso corpo decorre diretamente das quantidades presentes em nossa alimentação. Estas dependem, por sua vez, do que absorveram as vacas ou as galinhas de onde obtivemos nosso alimento. Se elas comem capim, então a carne, o leite e os ovos que nos oferecem são perfeitamente equilibrados em ômega-3 e ômega-6 (um equilíbrio próximo de 1/1). Se elas comem milho e soja, o desequilíbrio em nosso organismo alcança as taxas atuais, ou seja, 1/15, ou até 1/40 para alguns de nós.”
Logo a seguir o autor aponta que as galinhas de hoje são quase que universalmente nutridas à base de milho, fato que faz com que seus ovos contenham vinte vezes mais ômega-6 que ômega-3, relação que deveria ser próxima de 1/1.

Esses fatos estimularam Michael Pollan a nos presentear com algumas perguntas:

1-      Por que trocamos nosso almoço grátis por uma refeição biologicamente desastrosa baseada no milho?

2-      Por que os americanos foram tirar os ruminantes de cima da grama?

3-    Como as coisas podem ter-se passado de modo que um hambúrguer fast-food produzido com milho e combustível fóssil viesse a custar menos que um hambúrguer produzido com capim e luz do Sol?

Na verdade uma policultura de gramíneas produz mais biomassa que um milharal, sem falar que só os caroços do milho são colhidos em um milharal, enquanto todo o capim de uma pastagem vai para dentro do rúmen bovino. Resumindo, os criadores descobriram que o milho, sendo fonte densa de calorias, produz carne mais rapidamente do que o capim, além de eliminar as diferenças sazonais e regionais encontradas nas carnes de animais alimentados com capim. Nas palavras de Pollan em seu best-seller “O Dilema do Onívoro”:
“Com o tempo, o próprio gado foi mudando à medida que a indústria selecionava os animais que se davam bem com o milho; muito maiores, esses animais geralmente tinham dificuldades em extrair toda sua energia do capim. Os criadores de vacas leiteiras passaram a optar por raças superprodutivas, como as Holstein, cujas necessidades em matéria de energia eram tão grandes que elas mal conseguiam sobreviver com uma dieta composta exclusivamente de capim. Desse modo, os ruminantes alimentados com milho passaram a fazer um certo sentido em termos econômicos – digo “certo sentido” porque essa afirmação depende especificamente do método de contabilidade que nossa economia aplica a essas questões, um método que tende a ocultar o alto custo da comida barata produzida a partir do milho. O preço de 99 centavos de dólar de um hambúrguer fast-food simplesmente não leva em conta o custo verdadeiro dessa refeição – o custo para o solo, o petróleo, a saúde pública, o tesouro público etc., custos que nunca são cobrados diretamente do consumidor mas, indiretamente e de modo invisível, do contribuinte (na forma de subsídios), do sistema de saúde pública (na forma de obesidade e de doenças provocadas pela comida) e do meio ambiente (na forma de poluição), sem falar no bem-estar dos trabalhadores nos confinamentos e nos matadouros, e no bem estar dos próprios animais. Não fosse por essa espécie de contabilidade de cego, o capim faria muito mais sentido em termos econômicos do que faz atualmente.”
Guardemos no coração sempre: o capim é uma forma de captar a energia solar.