Deus é Amor. Há diferenças em Deus. No Amor, a desigualdade é o que
iguala. Ser diferente qualifica os Filhos de Deus. Quando ousam ser iguais, se afastam
da fonte rumo ao reino das iguarias.
Por isso há preferidos e preteridos em Deus. Os preferidos de Deus vivem
no apaixonamento Divino pela criação. A criação é a Criança Divina. Ser criança
e saber-se de Deus é viver a paixão de Deus na carne. As pessoas, no tempo,
esquecem, muitas vezes, que são a manifestação deste apaixonamento. Mas, Deus,
tecelão do tear temporal, regente das moiras, não esquece. O esquecimento é quando
abusamos tanto da liberdade que, a saudade divina nos purifica de nós mesmos.
É esse esquecimento e essa purificação que fazem as pessoas envelhecerem.
Mas, não todos! Há preferidos e preteridos. Os preferidos são impossibilitados
de esquecerem. Porque justamente, são feitos da própria substância da Saudade
de Deus. Vivem na terra, mas não são da terra. Tudo o que sentem é produto, não
da experiência terrena, mas dos efeitos da experiência terrena aos epitélios
divinos.
O tempo, substância-chave da culinária divina, é a membrana que limita
preteridos de preferidos. Para os preteridos o tempo passa, há desgaste e
atrito. O desgaste e o atrito é quando Deus arrisca um carinho e fingimos não
ver. Ser preterido não é condenação, senão decorrências do livre-arbítrio. Ser
preterido é acreditar na gravidade terrestre e seus efeitos e se abster das
benesses da gravidade celeste.
Os preferidos passam pelo tempo e o esculpem. Escutam em si o Divino que
não limita, não nega, não exclui e não proíbe, senão torce para que seja
surpreendido. Essa torcida divina é sentida neles como entusiasmo e, aos olhos
dos preteridos é compreendida como loucura. A loucura, como produto do entusiasmo,
é quando Deus visita a terra.
Os preferidos se apaixonam, os preteridos se amedrontam. O amedrontamento
é quando alguém fica de mal com Deus. Os preferidos confiam, os outros duvidam.
O tempo é diferente para os preferidos de Deus, pois que ele mesmo para
para os contemplar. Quando o tempo contempla, o Céu desce à Terra. Se alguém
estiver perto nessa hora, pode até sentir! Entender, raramente, mas sentir sim,
se estiver disponível, claro. Deus não invade, convida.
O Amor Divino contempla preferidos e preteridos e, não favorece um ou
outro. Preferidos ou Preteridos, escolhemos a forma de nos relacionar com o
mistério. Surpreendente é o mistério nos aceitar e tratar na medida em que
decidimos ser preferidos ou preteridos.
Claro isso tudo não ser simples! Ser preferido tem seus mistérios. A “pré-ferida” que se oportuniza pode ser Deus semeando-se nos meandros do agraciado. Por outro lado, preteridos, que optam por compreender seu atual estado a partir de seus estados “pretéritos”, ousam a aventura e o risco de serem capturados pela culpa do que não foram capazes de eternizar; e a prepotência de acreditarem que algum dia poderão eternizar algo. A mesma moeda, que nada mais faz que aumentar o efeito gravitacional e o aprisionamento na vida densa e eventualmente infernal.
Deus é Amor; quem permanece no Amor, permanece em Deus. Deus têm seus preferidos e Deus têm seus preteridos.
(Equinócio aproximativo 2025)


Amar a Deus como o amado Joao O amou e fez Dele um preferido. Quando lemos a carta de João o que nos chama atenção é o amor em falar do Cristo, ele fala com o coração, João O encontra em Si, o observa em silêncio, seu coração se enche dessa ternura e sua língua fala, proclama o amor. Ser preferido deve ser também preferir a obra divina, se aperfeiçoar na criação com gratidão sábia. Deus abençoe todo esse dom perfeito que vem do alto a ti Ricardo. 🌻
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