sábado, 16 de fevereiro de 2013

PRESCRIÇÃO DE SAÚDE I


A medicina da saúde é mais pedagogia e educação do que técnica clínica e cirúrgica. Sua prática permite que a vida se revista de sentido e significado. Isto ocorre, pois cada pessoa é vista como única em seu processo existencial e não apenas como fragmento estatístico em que, geralmente, esta qualidade única do ser é negligenciada. A medicina da saúde trabalha com qualidade, em detrimento de outras linhas que se baseiam na quantidade.

Um pequeno exemplo disso, aplicado sobre o comportamento das pessoas do Brasil, pode ser observado no caso daquela qualidade humana que diz respeito à lei da vantagem, ou “lei de Gerson” para o brasileiro.

O conceito de saúde, enquanto pedagogia, pede atenção ao espírito brasileiro, especialmente no que diz respeito à doença corrupção. Vale lembrar, ao contrário do que algumas escolas ainda insistem em ensinar, o Brasil não foi descoberto, talvez invadido seja termo de maior precisão, quem sabe? O cineasta Hector Babenco explora esta questão com maestria no filme "Brincando nos Campos do Senhor", indicado ao Globo de ouro em 1991.


      Para quem não compreende, fica mais fácil pensar assim: quando um ladrão invade uma casa e mata seu proprietário, conforme os noticiários atuais mostram, ele descobriu um espaço interior da casa, que antes lhe era desconhecido, incluindo os bens do proprietário anterior. Na medicina da saúde tudo está ligado em uma corrente de eventos e comportamentos que envolve até mesmo a hereditariedade comportamental ancestral, além da genética.

A receita para este mal, proposta pelo pensador brasileiro Huberto Rohden é possuir sem ser possuído, ou em suas palavras:

“Pode um milionário não ser possuído por aquilo que possui, e pode um mendigo ser possuído por aquilo que não possui, mas deseja desregradamente possuir. Mais importante que possuir ou não possuir é saber como possuir ou não possuir. Já na antiguidade era esta a grande sabedoria dos filósofos estóicos.

Abusar é proibido.

Recusar é permitido.

Usar é recomendado.”


segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

SOBRE VIVER E MORRER COM SAÚDE VII

POR MÁRIO INGLESI - "A ALEGRE SORRATEIRA" VII - CONTINUAÇÃO DE:


http://saudeconsciencia.blogspot.com.br/2012/09/a-alegre-sorrateira-i-viver-com-saude.html
http://saudeconsciencia.blogspot.com.br/2012/09/sobre-viver-e-morrer-com-saude-ii.html
http://saudeconsciencia.blogspot.com.br/2012/10/a-alegre-sorrateira-iii-viver-com-saude.html
http://saudeconsciencia.blogspot.com.br/2012/10/sobre-viver-e-morrer-com-saude-iv.html
http://saudeconsciencia.blogspot.com.br/2012/11/sobre-viver-e-morrer-com-saude-v.html
http://saudeconsciencia.blogspot.com.br/2012/12/sobre-viver-e-morrer-com-saude-vi.html


Pina Bausch - Sagração da Primavera - Stravinski

 
Assim, o melhor mesmo é dar Vivas! Muitos vivas e olés e brindes à Vida!  Afinal, devemos ter continuamente em vista que:
“A Natureza de uma coisa faz outra brotar. E, da morte, uma nova vida nascer”
Lucrécio (c.98-55 a. C.)

É, obviamente, esse sentido de encarar a morte é o ideal prevalecente inclusive para as crianças, a fim de evitar dores, transtornos psíquicos e traumas futuros, dando desde logo “morte à morte” e, deste modo elaborar convenientemente o luto e as culpas, uma vez que se presenciou o desaparecimento de uma parte intrínseca da vida.
Porém, se a tanto não puder, “carpe diem”, ou seja, “Colhe o dia”, Aproveite-o:
 “Goza, goza da flor da mocidade,
Que o tempo trata a toda ligeireza.
E imprime em toda a flor sua pisada.
Ó, não guarde que a madura idade
Te converta essa for, essa beleza,
Em terra, em cima, em pó, em sombra, em nada”
(Gregório de Matos, in Carpe Diem, crônica de António Cícero, FSP, 06.02.2010, pág. E12).

Ou então, como Horácio, com suas Odes, orgulhe-se de ter feito com seus escritos:
“um monumento mais duradouro que o bronze
mais alto do que a régia construção das pirâmides
que nem a voraz chuva, nem a impetuosidade dos anos,
nem a fuga dos tempos poderão destruir
Nem tudo em mim morrerá […] jovem para sempre
crescerei no louvor dos vindouros
(Horácio, Ode 3.30, trad. Pedro Braga Falcão, in Carpe Diem, ibidem).

Com todas essas atitudes de um viver saudável, a vida será melhor vivida e grandiosa, por todos nós, fazendo inclusive com que, aqueles que abreviaram suas vidas, por motivos que não nos cabem ajuizar, não mereçam nossa repulsa ou ignomínia, mas apenas compreensão e compadecimento.    
Como remate, é sempre bom ter presente que a indústria da morte – que garante, para si, uma nota “preta” (será em louvor ao luto?) já não se apresenta tão poderosa hoje em dia, dada, principalmente, às mutações que vem ocorrendo na celebração mortuária, inclusive no âmbito religioso.
Para minar e talvez fazer desaparecer parte supérflua de todo o aparato mortuário, nada melhor que começar cantarolando aos vizinhos, aos conhecidos, amigos e parentes próximos ou distantes a letra da música de Nelson Cavaquinho, “Quando eu me chamar saudade”:

Sei que amanhã
Quando eu morrer
Os meus amigos vão dizer
Que eu tinha um bom coração
Alguns até hão de chorar
E querer me homenagear
Fazendo de ouro um violão
Mas depois que o tempo passar
Sei que ninguém vai se lembrar
Que eu fui embora
Por isso é que eu penso assim
Se alguém quiser fazer por mim
Que faça agora

Me dê as flores em vida
O carinho, a mão amiga,
Para aliviar meus ais
Depois que eu me chamar saudade
Não preciso de vaidade
Quero preces e nada mais.
Nesse particular, é sempre bem-vindo esclarecer que mausoléus, capelas, bronzes, mármores (de Carrara) vasos de cristal, fotos emolduradas, lápides com inscrições de afetividade, (verdadeiros panegíricos) e epitáfios, em sua maioria pífios, isso tudo não passa de demonstração de grandeza muita, e, inocuidade profunda.  Afinal: “serás pó,” reza a Bíblia. Melhor empreitada, sem dúvida, é fazer uma auto-reflexão e reservar, e reverter tudo à vida, aos viventes e aos sobreviventes, para tornar a vida realmente não meramente um sonho, mas uma realidade. Com isso, certamente, descobriremos a nós mesmos e ao outro. E, porque não?  Pablo Picasso - o célebre pintor que revolucionou as artes plásticas alertou: “Tudo o que se pode imaginar é real”. Portanto, nada de acanhamento, nada de superfície, só mar adentro.

 
Mar Adentro - Alejandro Amenábar - Vale assistir



Ramón Sampedro: 1 - Entrevista Mercedes Milá

 

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

SOBRE O AMOR E O AMAR SAUDÁVEL


Atualizando (primeira 14/06/11 20:41)...


A Primavera - também conhecido como "Alegoria da Primavera" - Sandro Botticelli.


            Respirei pela primeira vez, aqui na terra, no dia do amor! Ensinaram-me, de início, que era dia dos namorados, 12 de junho, mas com o tempo compreendi a vã tentativa de comercializar o que não deve ser comercializado sob nenhuma hipótese. Naquele ano, 1968, Corpus Christi, data simbólica em homenagem ao representante maior do amor, Jesus Cristo, foi no dia seguinte; nasci no dia do pequeno Mercúrio (na língua portuguesa: quarta feira), véspera do dia do grande Júpiter (na língua portuguesa: quinta feira), portanto, dia da grande festa!






Muito se tem falado sobre o amor, mas enquanto alguns falam do que não é “falável”, outros o vivem e irradiam o aroma que ajuda lembrar pelo que viemos enquanto habitamos a carne.



Ainda que eu fale as línguas dos homens e dos anjos, se não tiver amor, serei como o bronze que soa ou como o címbalo que retine.

Ainda que eu tenha o dom da profecia e conheça todos os mistérios e tenha todo o conhecimento; ainda que eu tenha toda a fé, a ponto de remover montanhas, se não tiver amor, nada serei.

E ainda que eu distribua todos os meus bens para dar de comer a outros, e ainda que entregue o meu corpo para que tenha de que me gloriar, se não tiver amor, nada disso me aproveitará.
O amor é paciente. O amor é bondoso; não é ciumento. O amor não se vangloria, não se ensoberbece;
não se conduz inconvenientemente, não procura os seus próprios interesses; não se enfurece, não se ressente do mal;
não se alegra com a injustiça, mas regozija-se com a verdade;
tudo cobre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.
O amor jamais acaba; quanto às profecias, se tornarão inúteis; as línguas cessarão; o conhecimento se tornará inútil.
Pois em parte conhecemos, e em parte profetizamos;
quando, porém, vier o que é completo, o que é em parte se tornará inútil.
Quando eu era menino, falava como menino, pensava como menino, julgava como menino; quando me tornei homem, acabei com as coisas de menino.
Porque agora vemos por espelho, obscuramente; mas então veremos face a face. Agora conheço em parte; mas então conhecerei plenamente, assim como também fui plenamente conhecido.
Agora, pois, permanecem a fé, a esperança e o amor, estes três; porém o maior destes é o amor.
1 Coríntios 13

Se por um lado o amor é graça, por outro é dom, dom supremo. Graça para a qual devemos sempre estar abertos e dom para que possamos praticar. As "musculaturas" da alma e do espírito se fortalecem na prática da “halterofilia” do amor, conforme o Peregrino nos ensina:


Há os que falam, os que escrevem, os que vivem, os que classificam e os que são. Ser é nosso objetivo supremo e é neste verbo curto que se esconde em nossa língua o fundamento da palavra saúde. Já percebeu que são é saudável, mas também é ser no plural? Ser são é ser vivo, é plenificar a existência humana. Mas não é possível, como a palavra ensina, ser são só! A saúde é um estado comum e pleno de bem estar familiar humano e seu significado maior só pode ser contemplado enquanto realidade ubíqua. Sem pressa, mas sem demora, tornemo-nos conscientes daquela pequena parte que nos cabe e sejamos mais amorosos com os que ainda não perceberam a sua.
Jean-Yves Leloup em seu livro “O essencial do amor” nos presenteia com um estudo etimológico que com propriedade, ajuda a nos aproximar das possíveis roupagens do amor em dez instâncias, aquelas que hoje nos são compreensíveis.
1-      Pornéia – amor apetite – vou devorar-te, comer-te – amo-te como um animal. É amor captativo, que reduz e torna objeto.
2-      Pothos – amor necessidade – És tudo para mim – sinto necessidade de ti – amo-te como uma criança. Desejo de posse.
3-      Mania Pathé – amor paixão – Amo-te de paixão, estou apaixonado por ti – és meu e só meu – amo-te como um louco, não posso viver sem ti. Sedução, amor possessivo.
4-      Eros – amor erótico – sinto desejo por ti – tu me dás prazer, és lindo – és jovem. Desejo de satisfação e de satisfazer. É amor interessado.
5-      Philia – amor amizade – tenho respeito e admiração por ti – aprecio nossas diferenças – sinto-me bem sem ti, e ainda melhor contigo – és meu amigo – gosto de estar contigo – és benfazejo para mim. É amor interessado
a.      Xeniké – amizade, troca
b.      Hetairiké – hospitalidade
c.       Erotiké – amizade erótica
d.      Phisiké – amizade parental
6-      Storgé – amor ternura – Eu me supero quando estás comigo – sinto muita ternura por ti – estou feliz porque estás comigo. O carinho. É amor interessado.
7-      Harmonia – Como a vida é linda quando amamos – estamos bem juntos – contigo tudo é música, o mundo mais belo. A bondade. É desinteressado.
8-      Eunoia – amor dedicação – gosto de cuidar de ti – estou a serviço do melhor de ti mesmo. É a compaixão. É desinteressado.
9-      Charis – amor celebração – Amo porque te amo – é uma alegria, é uma graça amar e te amar – amo-te sem condições, amo-te sem razões. É a gratidão. É desinteressado.
10-  Agapé – amor de graça – O amor que faz girar a Terra, o coração humano e as outras estrelas – Não sou eu que amo e te amo, mas é o Amor que ama. É o Ser. O Amor mesmo.
Mas se escrever e definir são importantes, é pouco comparativamente ao que o artista é capaz de produzir e acessar na obra de arte. O artista é o médico do futuro. Nesse sentido o passeio que se segue no link resgata e lembra como no hebraico antigo o amor se vestia. Difícil entender como é possível sabermos tanto há tanto tempo e ainda insistirmos tanto em alguns hábitos...

Saberás que não te amo e que te amo
Porquanto de dois modos é a vida,
A palavra é uma asa do silêncio
O fogo tem sua metade fria.

Eu te amo para começar a te amar,
Para recomeçar o infinito
E para não deixar de te amar nunca:
Por isso mesmo é que ainda não te amo

Te amo e não te amo como se tivesse
Em minhas mãos a chave da ventura
E um incerto destino desditado.

Meu amor tem duas vidas para amar-te
Por isso te amo quando não te amo
E por isso te amo quando te amo

PABLO NERUDA – Cien sonetos de amor

Mas, aos que associam amor à recompensa, posse e ao ciúme, ingredientes do medo da perda e marcas do ser apegado, Krishnamurti escreve o seguinte:



        Segundo Erich Fromm:

            “Amar é uma expressão do poder da gente para amar, e amar alguém é a concretização e concentração desse poder com relação a uma pessoa. Não é verdade, como o sustentaria a ideia de amor romântico, que só existe aquela única pessoa no mundo a que se possa amar e que a grande oportunidade da vida do indivíduo é achar aquela pessoa. Nem tampouco é verdade, caso seja achada aquela pessoa, que o amor a ela (ou ele) produza o desaparecimento do amor a outros. O amor que só pode ser experimentado com relação a uma única pessoa demonstra, por este simples fato, não ser amor, mas uma ligação simbólica. A afirmação básica que se contém no amor dirige-se para a pessoa amada como uma encarnação de qualidades essencialmente humanas. O amor a uma pessoa implica amor do ser humano como tal. O tipo de “divisão do trabalho”, como William James a denomina, por meio da qual a pessoa ama sua família, mas não tem sentimentos para com os “estranhos”, é um sinal da incapacidade básica para amar. O amor ao homem não é, como amiúde se imagina, uma abstração que se segue ao amor a uma determinada pessoa, porém sua premissa, conquanto geneticamente seja adquirido amando-se indivíduos em particular.”

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

"MÉDICOS CONSCIENCIAIS"

Regina Helena Ribeiro "Médica Antroposofia"
email: reginaehlena@gmail.com

Ronaldo Perlatto "Médico Orientador Biográfico"
email: rperlatto@gmail.com
 
Sidney Federmann "Médico da Alimentação Saudável"
www.sidneyfedermann.com.br
email: sidneyfedermann@terra.com.br

Paulo Freire "Médico Educador"
   
Marcelo Petraglia "Médico Musicoterapeuta"

Josué de Castro "Médico Autoridade Mundial em Fome"

Nilson José Machado "Médico Matemático Educador"

Roda Viva - Patch Adams - "Médico Dr. Alegria"

Roda Viva - Amit Goswami - "Médico Quântico"

Roda Viva - Leonardo Boff - "Médico Filósofo Teólogo"

Roda Viva - Edgar Morin - "Médico Filósofo Educador"