sexta-feira, 1 de julho de 2011

EROS E PSIQUE - FERNANDO PESSOA

...E assim vêdes, meu Irmão, que as verdades
que vos foram dadas no Grau de Neófito, e
aquelas que vos foram dadas no Grau de Adepto
Menor, são, ainda que opostas, a mesma verdade.
(Do Ritual Do Grau De Mestre Do Átrio
Na Ordem Templária De Portugal)

Conta a lenda que dormia
Uma Princesa encantada
A quem só despertaria
Um Infante, que viria
De além do muro da estrada.

Ele tinha que, tentado,
Vencer o mal e o bem,
Antes que, já libertado,
Deixasse o caminho errado
Por o que à Princesa vem.

A Princesa Adormecida,
Se espera, dormindo espera,
Sonha em morte a sua vida,
E orna-lhe a fronte esquecida,
Verde, uma grinalda de hera.

Longe o Infante, esforçado,
Sem saber que intuito tem,
Rompe o caminho fadado,
Ele dela é ignorado,
Ela para ele é ninguém.

Mas cada um cumpre o Destino
Ela dormindo encantada,
Ele buscando-a sem tino
Pelo processo divino
Que faz existir a estrada.

E, se bem que seja obscuro
Tudo pela estrada fora,
E falso, ele vem seguro,
E vencendo estrada e muro,
Chega onde em sono ela mora,

E, inda tonto do que houvera,
À cabeça, em maresia,
Ergue a mão, e encontra hera,
E vê que ele mesmo era
A Princesa que dormia.

Fernando Pessoa

A MORTE DO BOM SENSO

Apresentação que convida à reflexão sobre o bom senso e seu estado precário de saúde... Esta obra pode ser vista à semelhança de um programa de vacinação em massa, também no sentido de prevenir doenças, mas principalmente no de promover saúde; especialmente saúde social. Do mesmo modo que não é habitual se alimentar no banheiro e que o sambódromo é o local mais propício para a apreciação do samba, coisas óbvias, é importante observarmos como estão sendo cuidados nossos cartões postais. Nossa imagem como civilização no exterior, pude notar algumas vezes, não está entre as mais salutares... Imagine o carnaval na avenida Paulista ou na Faria Lima, não aparenta estranheza? Creio que por isso alguém resolveu construir uma estrutura propícia. Será que faltam parques? 
http://www.slideshare.net/guestbfc114/a-morte-do-bom-senso-presentation

quarta-feira, 22 de junho de 2011

MAPA MUNDI DIGITAL

     Recentemente o IBGE lançou um mapa-mundi digital, com síntese, histórico, indicadores sociais, economia, redes, meio ambiente, entre outros, vale conferir! Este tipo de trabalho sintético auxilia na compreensão do desenvolvimento humano em perspectiva ampliada e favorecida pela visão global. Conhecer um pouco mais do mundo é conhecer um pouco mais de si mesmo.

Enviado por Koshiro Nishikuni

O SIGNIFICADO DA PALAVRA NOITE

   

Em muitos idiomas europeus, a palavra NOITE é formada pela letra N + o número 8 na respectiva língua. A letra N é o símbolo matemático de infinito e o 8 deitado também simboliza infinito, ou seja, noite significa, em todas as línguas, a união do infinito!!!
Português: noite = n + oito
Inglês: night = n + eight
Alemão: nacht = n + acht
Espanhol: noche = n + ocho
Francês: nuit = n + huit
Italiano: notte = n + Otto

Interessante, não?
Enviado por Brenno Andrade Junior

terça-feira, 21 de junho de 2011

SAÚDE GLOBAL – UMA SÍNTESE




Nesta genial síntese da saúde global, pelo médico Hans Rosling, é possível uma visão panorâmica dos processos associados ao desenvolvimento da humanidade. De forma esquemática podem ser observados os efeito das guerras, do desenvolvimento econômico e tecnológico da medicina e das pestes sobre a população de cada um dos países de cada continente do planeta.
Finalmente pode-se acompanhar como as políticas de governo escolhidas por cada bloco de países interferiu no aumento da expectativa de vida da população. O Brasil é apontado e situado no presente estudo, sendo possível observar de uma perspectiva estatística e gráfica a posição ocupada pela nação entre as 200 escolhidas no recorte.
        Uma análise ainda mais profunda pode ser acompanhada aqui:
A pergunta que permanece é: as coisas estão melhorando, piorando ou estão como sempre foram?

sexta-feira, 17 de junho de 2011

A SAÚDE DA EDUCAÇÃO

As palavras da professora Amanda Gurgel assim como os dados apresentados pelo sociólogo Carlos Alberto Dória convidam com propriedade a refletir sobre as escolhas que estamos fazendo hoje. Não há problema nenhum em fazer escolhas erradas, o problema está em achar que não temos escolhas. Salta aos olhos a similaridade entre escolhas / escolas e visto que educação e saúde são indissociáveis, a quem interessaria um país de ignorantes? Certamente a ninguém. O Professor é um médico social que trabalha aplicando a vacina do conhecimento para promover consciência e erradicar a ignorância. O Médico é um professor de saúde que aplica a vacina do discernimento para auxiliar o professor na cura desse grande mal, a ignorância. Médico e Professor, duas profissões para uma mesma idéia, cuidar da saúde e promover consciência.

Professora Amanda Gurgel convida Deputados a reflexão em audiência pública   -   A EDUCAÇÃO NO BRASIL 


Que educação a ignorância requer?
Por Carlos Alberto Dória

Governo esconde sob o tapete a indigência do ensino e favorece o darwinismo socioeducacional
     Uma pesquisa recente entre executivos, gerentes e técnicos de empresas indica que a primeira opção de investimentos em 2007 é imóveis (46% executivos, 38% gerentes e técnicos). A segunda é educação: 21% para executivos e 31% para gerentes e técnicos. Quer dizer, muitos técnicos e gerentes acham que se qualificando mais, chegarão lá na condição confortável de quem pode pensar prioritariamente em imóveis ou renda da terra...
     A educação é um valor forte. O governo é censurado sempre que lhe nega recursos. Jornalistas se sentem à vontade para dizer que o “maior responsável pela queda do Brasil no recém-divulgado ranking mundial de desenvolvimento humano, a educação, teve seus recursos federais reduzidos no governo Lula”. Isto, mesmo reconhecendo que “não é possível estabelecer uma relação direta de causa e efeito entre a redução dos gastos em educação e o desempenho brasileiro apurado pelo IDH (Índice de Desenvolvimento Humano)” 1.

A educação em perspectiva histórica
     Desde a Revolução Francesa o tema da educação popular é central na construção da cidadania, de tal sorte que ela deve ser pública, universal e laica. Do mesmo modo, ela foi estratégica na cultura alemã pós-Reforma e, como observaria Marx, por esse caminho se produziu o proletariado mais culto do mundo. Cada um a seu modo, o Estado moderno, a ética protestante, o espírito do capitalismo e as esperanças socialistas se fundaram na educação.
     As revoluções socialistas aprofundaram a diretriz da Revolução Francesa e, no geral, tiveram enorme sucesso na empreitada, alfabetizando as massas em pouco tempo e garantindo um nível de escolaridade média bem superior à maioria dos países capitalistas. Mais recentemente, experiências de crescimento econômico vertiginoso, como dos “tigres asiáticos”, têm seu sucesso associado aos investimentos em educação, especialmente educação superior científica, de tal sorte que esta parece ser a porta privilegiada para a modernidade.
     Em fins do Império o grande embate foi entre o ensino bacharelesco e o cientificismo. A reforma do ensino era perseguida por aqueles que achavam que o Brasil só teria futuro se introduzisse conteúdos científicos no sistema educacional, a exemplo da reforma do ensino francês que se seguiu à Guerra Franco-Prussiana 2.
     Depois dessa fase, veio outra que se pode chamar de “melhorista”: corresponde à superação da concepção de que as raças formadoras do Brasil estavam condenadas, por atavismo, ao atraso permanente. Num terceiro momento, quando da grande mobilização pelas chamadas “reformas de base”, o reformismo educacional expressava-se claramente na chamada “pedagogia do oprimido”. Com o golpe de 1964, a ênfase recaiu sobre o ensino técnico de nível médio com a “missão” de formar trabalhadores aptos a suportarem o processo de expansão capitalista.
     Depois da redemocratização, a antiga pergunta “educação para quê?” cede lugar à pergunta “quanto para a educação?”. Isso começa em 1983, com a aprovação da chamada Emenda Calmon à Constituição, que estabelecia a obrigatoriedade de aplicação anual, pela União, de no mínimo 25% de renda resultante de impostos.
     Mas os resultados sempre pífios do sistema educacional brasileiro fazem suspeitar que os seus males não se reduzem à falta de recursos financeiros, exigindo que, de novo, se pergunte: “educação para quê?”.

Vísceras a céu aberto
     Talvez o mais impressionante diagnóstico sobre a educação brasileira atual seja aquele preparado pela OCDE (Organização de Cooperação e Desenvolvimento Econômico), intitulado “Aprendendo para o Mundo de Amanhã”, conhecido como “Relatório Pisa”, cujos resultados foram publicados em 2004 e pouquíssimo divulgados entre nós 3.
     Curiosamente, o Brasil -cujo governo aderiu voluntariamente a este teste 4- praticamente escondeu os resultados, tanto da população quanto do conjunto dos profissionais do ensino, se compararmos com o impacto que ele provocou em países como Portugal e Espanha. Mesmo a nossa imprensa “vigilante” não conseguiu compreender o seu alcance, a julgar pela pálida repercussão, restrita a uma matéria que considerou como aspecto mais relevante uma pequena diferença de aprendizado de matemática detectada entre meninos e meninas 5.
     Objeções metodológicas são levantadas por pedagogos contra o “Relatório Pisa”. Os que assim pensam preferem a pesquisa chamada “Prova Brasil”, feita em novembro de 2005 pelo Ministério da Educação com o mesmo propósito. Esta envolveu mais de 3 milhões de alunos em mais de 5 mil municípios. As conclusões não são muito diferentes, exceto pelo fato de que a pesquisa nacional é mais confortável para o sistema de ensino, pois não o coloca em cheque, já que o desempenho dos alunos não é comparado entre países. O Ministério prefere apresentar os dados por escola, de tal sorte que, no máximo, se pode comparar escolas entre si e com o padrão do teste -como se fosse um “fuvest de escolas”.
     Dentre os 41 países que participaram do “Pisa”, o Brasil ocupa, invariavelmente, as piores posições em todos os itens avaliados.Por exemplo, onde os finlandeses obtiveram 648 pontos (95% do total) -seguido de perto pelo Canadá e pela Nova Zelândia- os estudantes brasileiros atingiram 388 pontos, o último lugar, logo abaixo do México, que atingiu 422.
     O Pisa (sigla de Project for International Student Assessment) é de responsabilidade da OCDE e visa avaliar se, ao completarem a escolaridade obrigatória, em torno dos 15 anos, os jovens dominam as competências essenciais que lhes possibilitem continuar aprendendo ao longo da vida. Avaliam-se competências em três domínios: leitura, matemática e ciências. A pesquisa publicada em 2004 concentrou-se no aprendizado de matemática.
     Pesquisas internacionais anteriores concentraram-se no conhecimento “escolar”. O Pisa inova ao medir o desempenho dos alunos, além do que determina o currículo escolar, enfocando as competências necessárias para a vida extra-escola. Basicamente ele mede: a) a capacidade dos jovens de usarem seus conhecimentos na resolução dos problemas da vida real; b) a habilidade em leitura, matemática e ciências; c) a compreensão de conceitos fundamentais e o domínio dos processos e aplicação dos conhecimentos; d) as qualidades do sistema educacional, não restrito à escola e incluindo a família e outras formas de acesso ao conhecimento.
     Os pontos obtidos pelos brasileiros não correspondem a um mau resultado. Ele é péssimo. Pois os alunos foram colocados diante de uma pluralidade de situações concretas e saíram-se mal em todas, como uma simples história escrita, uma carta na internet ou uma informação de um diagrama, a partir de textos que servem para a vida privada, para uso público (documentos oficiais), uso ocupacional (manuais), ou educacional (apostilas escolares).
     Os resultados foram hierarquizados em cinco níveis, de tal sorte que os alunos no nível superior são aqueles capazes de realizar tarefas sofisticadas que envolvem processos como gestão de informação, identificação de informações relevantes para uma determinada tarefa, avaliação critica e formulação de hipóteses, além de adaptação de conceitos que são contrários às expectativas. No penúltimo nível, os alunos só são capazes de realizar as tarefas de leitura menos complexas, localizando uma única informação, relacionando-a com o conhecimento cotidiano e identificando o tema do texto. No último nível, não são capazes de realizar sequer o que o nível anterior é capaz, sabendo ler apenas no “sentido técnico” ou formal, realizando menos de 10% das tarefas propostas.
     Assim, 60% dos jovens brasileiros, estavam situados nos dois níveis inferiores na escala de avaliação, o que garantiu ao Brasil a última classificação no ranking, tendo logo acima o México, a Federação Russa, Portugal e a Grécia.
     Outra perspectiva interessante que o estudo revela são os fatores escolares e familiares relacionados com o desempenho dos alunos, comparando os que obtiveram melhores e piores resultados. Assim, o peso das diferenças socioeconômicas não foi tão relevante quando os bens culturais da família, o interesse social dos pais ou os recursos educacionais familiares. No tocante aos próprios alunos, são expressivas as diferenças entre a velocidade, o interesse, a motivação e a diversidade da leitura; as estratégias de controle (como planejar o que é mais importante estudar), o esforço e perseverança. Quase nenhuma diferença se apurou, porém, no tocante à memorização.
     Em relação à matemática propriamente dita, o péssimo desempenho dos jovens brasileiros significa que eles não compreendem convenientemente os conceitos de quantidade, espaço e forma, mudanças, correlações e incerteza. Apesar disso, 61% dos estudantes se consideram bons em matemática, contra 36% dos coreanos e 28% dos japoneses. Os brasileiros também têm opinião de que sempre que estudam matemática se concentram no fundamental (86%), ao passo que apenas 26% dos japoneses têm essa auto-imagem de desempenho pessoal.
     No tocante à avaliação do próprio suporte que a escola dá ao aprendizado da matemática, mais de 80% dos estudantes brasileiros acham que os professores estão interessados no seu aprendizado e os auxiliam sempre que preciso para compreender os conteúdos, além de oferecerem oportunidades (76%) para expressarem sua opinião; já entre os coreanos este número não vai além de 56% e, entre os japoneses, não vai além de 62%.
     Apesar da autoconfiança dos alunos, o quadro pode ser considerado trágico. E é compreensível que essa evisceração do sistema educacional seja varrida para baixo do tapete, de onde fede. Num sentido muito forte ela indica uma sorte de inutilidade dos atuais esforços educacionais, e mesmo a duvidosa reivindicação por mais verbas quando esta não vem associada à destinação pela melhoria da qualidade do ensino.
     No tocante à qualidade, e com base no “Prova Brasil”, a Unicef fez um estudo de 33 escolas que se saíram bem no teste, apesar de estarem localizadas em áreas com indicadores socioeconômicos sofríveis. Tratava-se de descobrir quais os fatores de sucesso mesmo em condições tidas como adversas. Este estudo chamou-se “Aprova Brasil” e foi publicado em dezembro de 2006 6. Do ponto de vista das conclusões gerais, ele aponta como fundamental “para explicar o protagonismo das escolas em meio a um cenário pouco provável de alto desempenho escolar” essencialmente o papel do professor, a participação dos alunos e as práticas pedagógicas ligadas à realidade dos alunos. Em uma só palavra, o determinante é a relação criativa professor-aluno.
     Para este estudo, portanto, um PIB ou IDH baixo não são fatalidades. A fatalidade mora na desqualificação do ensino, tratado como uma máquina gigantesca que cospe anualmente milhões de jovens despreparados para a vida em padrões culturais e civilizatórios mínimos. Esta é a sociedade brasileira, e é forçoso reconhecer que somente uma outra sociedade seria capaz de resolver este problema; pois preencher os requisitos do bom ensino exigiria uma forma e um padrão educacional que a atual sociedade tem sido incapaz de produzir. Não é só a relação do Estado com a escola que precisaria mudar.

Um futuro sem futuro?
     Do ponto de vista ideológico, a qualidade educacional que interessa ao neoliberalismo é medida em termos de “empregabilidade” e “capacidade de empreender”. A idéia-mestra é que a formação educacional é o capital intelectual do aluno, um patrimônio com o qual ele vai ao mercado, pouco importando se os conhecimentos que o tornam um “ganhador”, foram adquiridos na rede pública ou através do esforço privado.
     Em termos simples, trata-se de uma nova modalidade de “darwinismo social” -agora como darwinismo socioeducacional- onde o mercado processa a “seleção natural” dos ganhadores, quando se sabe que quase ninguém, com menos de oito anos de escolaridade, conseguirá o seu “lugar ao sol”. Assim, 37% dos jovens entre 15 e 25 anos que não completam sequer o ensino fundamental, ou os trabalhadores adultos que em média possuem 6,6 anos de estudo, vivem na fronteira da própria “empregabilidade”, vale dizer, sem cidadania econômica.
     O desprezo governamental pelos resultados do “Relatório Pisa” é tanto mais grave quando se considera que um de seus objetivos para os países testados é fornecer instrumentos mais eficazes na definição de políticas educacionais que melhorem a preparação dos jovens para a vida futura. Tanto ele como este recente “Aprova Brasil” mostram uma crise sem precedentes do ensino brasileiro se visto da ótica da qualidade, isto é, daquilo que qualifica o cidadão. E se a sociedade não é capaz de se reproduzir em padrões produtivos requeridos pelos níveis técnicos modernos então é toda a sua cultura que se tornou anacrônica.
(Publicado em 23/2/2007).


Carlos Alberto Dória
É sociólogo, doutorando em sociologia no IFCH-Unicamp e autor de "Ensaios Enveredados", "Bordado da Fama" e "Os Federais da Cultura", entre outros livros. Acaba de publicar "Estrelas no Céu da Boca - Escritos Sobre Culinária e Gastronomia" (ed. Senac).


1 - “Governo Lula reduziu gastos com educação”, 11/11/2006, http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u86600.shtml

2 - Silvio Romero, um dos que lutaram pelo conteúdo científico do ensino, era de opinião de que este não era o caminho de emancipação nacional. “A mania da instrução, como panacéia para curar males e desventuras nacionais, foi febre francesa, após o desastre da guerra de 1870” (“A América Latina: Análise do Livro de Igual Titulo do Dr. M. Bomfim”, Porto, Livraria Chardon, 1906, pág. 257)

3 - “Learning for Tomorrow´s World: First Results from PISA 2003”, Paris, OCDE, 2004. http://www.oecd.org/pages/0,2966,en_32252351_32236173_1_1_1_1_1,00.html. Há tradução para o português, publicada pela Editora Moderna. Em 2000, o próprio governo publicou um resumo do Relatório, a exemplo do que fizeram outros países, porém a rodada de 2003 não teve o mesmo tratamento.

4 - No Brasil o "Pisa'' é coordenado pelo Inep. Esse órgão do Ministério da Educação informa que, em 2003, o PISA foi aplicado em todo o Brasil entre os dias 18 e 29 de agosto. Participaram 229 escolas de 179 municípios das 5 regiões, distribuídas entre estabelecimentos das zonas urbana e rural, das redes pública e privada. Foram selecionados para participar do exame 5.235 alunos com 15 anos de idade que estivessem cursando a 7ª ou 8ª séries do ensino fundamental ou o 1º, 2º ou 3º anos do ensino médio. A avaliação consistiu de cerca de 60 perguntas (a maioria de Matemática e o restante dividido entre Leitura e Ciências) e um questionário de pesquisa socioeconômica e cultural. Ver a respeito http://www.inep.gov.br/internacional/pisa/

5 - “Pisa mostra diferenças entre meninos e meninas”, “O Estado de S. Paulo”, 10/5/2005, http://www.estadao.com.br/educacao/noticias/2005/mai/10/27.htm

6 - Disponível em http://www.unicef.org/brazil/finalaprovabrz.pdf

quinta-feira, 16 de junho de 2011

SER HUMANO x TER HUMANO

Depoimento dado ao Instituto de Moralogia do Brasil – acessível em: http://www.moralogia.org.br/depoimentos.html

Um sociólogo, em visita ao Brasil vindo do Japão, me ensinou – após sua visita a cerca de 40 países – que nações cujos índices de desenvolvimento humano (IDH) são mais elevados valorizam muito as áreas ligadas às humanidades; em contraposição, as nações em vias de desenvolvimento priorizam os setores ligados às ciências exatas e biológicas.

Essa priorização, em parte devida às questões de cunho econômico ligadas às instituições (governos e coorporações) detentoras de tecnologias, passivas de serem monopolizadas, acaba por refletir em aspectos profundos da organização social, implicando em última análise em um impacto na formação do ser humano. Dessa forma, por exemplo, uma sociedade culturalmente enriquecida estará muito melhor capacitada para oferecer motivos para as pessoas se interessarem pela vida. Caso contrário, uma estrutura baseada em técnica e tecnologia promove a aceleração do processo de desumanização, e conseqüentemente, do desinteresse pela vida ou interesse pelas vantagens imediatas do plano material.

Quando uma sociedade não tem nada de profundo a oferecer ou não valoriza o íntimo de seus habitantes, ela se torna uma sociedade de valores superficiais, sendo este o princípio da sociedade de consumo; aquela em que os seres são reconhecidos de acordo com seu potencial de consumo, e não pelo que eles são. Buscar profundidade como fundamento para a construção social implica em um movimento que deve iniciar pelo lado mais íntimo de cada ser, almejando a construção do mesmo de dentro para fora, cultivando-o, e nunca de fora para dentro, explorando-o. Alguns se reconhecem a partir do que têm (teres humanos) e não pelo que são (seres humanos), o que além de torná-los frágeis interiormente torna-os vítimas do próprio apego em suas manifestações mais variadas.

O processo de formação e educação hoje se estabelece sobre um modelo que favorece os que sabem mais e castiga quem sabe menos. Pessoas são encorajadas a estudar por algo externo a elas como uma carreira, em detrimento de estudar para acrescentar valores e se desenvolver interiormente. Este processo repetido por vários anos na vida da pessoa estimula que o sistema de valores se volte para fora e se baseie na comparação e em títulos adquiridos. Se por um lado isso pode fazer algum sentido num primeiro olhar em que o mais capacitado será privilegiado, por outro, traz em si a semente do individualismo. Uma sociedade embasada no individualismo tende a se tornar mais aparelhada tecnicamente, porém menos do ponto de vista humano. Acredito que o estudo da ciência da moral (moralogia) possa ser uma saída saudável antes que se atinja um ponto sem retorno em que o lado selvagem dos homens seja cada vez mais evidente e o lado sublime cada vez menos valorizado.

Viver na superfície da personalidade sem o contato com a essência profunda pessoal esvazia a pessoa tornando-a vulnerável ao desenvolvimento de dores intratáveis, dores na alma. Em última análise, cada um é a melhor criação física que a essência pode manifestar na forma de vida. Negligenciar a essência é como construir uma casa sem colunas de sustentação. Existe liberdade para escolher a forma de estruturar a existência, mas não para escolher os resultados. A moralogia ensina que não somos culpados, mas responsáveis pela nossa situação de vida. A culpa é passiva enquanto a responsabilidade é ativa e auxilia a perceber nas atitudes tomadas o meu papel como gerador da situação e como revertê-la, se for o caso.

Pessoas com potencial para desenvolver dores psíquicas podem aparentar sucesso, mas a sensação de que tudo está dando “certo” na vida, que acompanha o sempre conseguir o que se quer, deve ser um alerta. Dentre as formas de conquistar objetivos existem situações do tipo ganho-ganha (todos os envolvidos ganham) e situações do tipo perde-ganha (uma parte ganha e a outra perde). Buscar situações do tipo ganho-ganha e evitar ao máximo e na medida do possível o envolvimento com as situações do tipo perde-ganha é um método preventivo eficiente para dores do tipo psíquicas.

O tratamento para as dores psíquicas se baseia nos processos que levam à expansão da consciência, estratégias para aprofundar o autoconhecimento, desenvolvimento e aperfeiçoamento do caráter e virtudes pessoais e finalmente, mas não menos, no cultivo da coerência entre pensar, falar e agir no mundo. Apesar da melhoria técnica nos processos de aprendizado e formação profissionais, o empobrecimento humano e cultural nas diversas áreas de atuação é nítido. Existe uma qualidade de conhecimentos que para serem aprendidos requerem um desenvolvimento do caráter, que não acontece por si só, principalmente em uma sociedade cujos veículos de informação ainda têm o costume de chafurdar as profundezas e fingirem de cegos ao belo, bom e verdadeiro, fundamentais à alimentação do ser humano integral e para a formação do bom profissional em todas as áreas. Caráter e destino são dois aspectos de uma mesma realidade e sempre que situações difíceis se apresentam é importante considerar melhorar o primeiro antes de se queixar do segundo.

Três elementos básicos e seus tratamentos no sentido de desenvolver a habilidade no manuseio das dores de natureza psíquica:

1-      Efemeridade da vida --> Prática do desapego

2-     Prisão da certeza --> Duvidar é privilégio do sábio, a certeza a marca do ignorante

3-      Ganância --> Serviço amoroso e desinteressado

A prática é a teoria coroada, e certas lições só podem ser aprendidas quando ocorre a entrega na experiência. Saber algo guarda relação com a palavra latina sapere, ou seja, sentir o gosto, saborear. Assim, saber é vivenciar algo interior e intimamente, mais que compreender e repetir racionalmente. Tente explicar a alguém o gosto da berinjela? Que palavras você usaria?


"Nada designa melhor o caráter de um povo que aquilo que ele acha ridículo" (Goethe)


"Eu sou livre de tudo o que sei, mas sou escravo de tudo o que ignoro" (Espinoza)


"Nada do que é digno de ser conhecido pode ser ensinado" (O. Wilde).

"Pratique a nobreza divina e a nobreza humana naturalmente o acompanhará" (Mêncio)