segunda-feira, 12 de março de 2012

A MULHER, O FEMININO E VOCÊ

POR:

CHRISTIANA ALONSO MORON (Médica Dermatologista – http://www.aynisaude.com.br );

RICARDO JOSÉ DE ALMEIDA LEME  (Saúde é Consciência)

         Nesta semana em que se comemorou o dia internacional da mulher, nós, mulheres, recebemos muitas mensagens de homenagens. A maioria delas pelos inúmeros papéis que adotamos no mundo moderno (esposas, mães, profissionais, cuidadoras, entre outros) e nos atribui um rótulo de "guerreiras", e mais sutilmente, de "heroínas sofredoras". Mas:

Será que as mulheres estão realmente realizando suas reais missões de vida?
Será que o mundo está usufruindo o melhor que a mulher pode dar a ele?
Além desses papéis, cumpridos hoje quase de maneira automática, mental e com o tempo contado, existe uma cobrança pela sociedade que acaba sendo muito cruel para o feminino da mulher: a cobrança por um comportamento masculino. Cruel por ter conseqüências diretas na saúde física, mental e espiritual da mulher, conseqüências essas que acabam sendo notadas apenas quando se manifestam sintomas físicos, que são na verdade, manifestação final de um processo que se inicia na negação da essência feminina.


Tenho visto na prática médica exemplos disso: mulheres que optam por métodos contraceptivos para abolir a menstruação apenas por não desejarem passar pela TPM (tensão pré-menstrual), com receio que isso acarrete prejuízo em suas carreiras, vivem estados constantes de tensão e estresse, muitas vezes sutil e percebido durante o sono ou em algumas reações no dia a dia; outras chegam a adiar o desejo de ter um filho até um ponto em que passam da idade fértil, entrando em crises existenciais, também por conta da carreira. Importante lembrar nestes casos que mesmo passando da idade fértil é possível ser mãe, mesmo sem gerar um filho e que em muitos casos estas são mais mães que aquelas que os geraram.


Presenciei inclusive casos de menopausa precoce, aos 35, 40 anos, de mulheres em ambientes de trabalho completamente masculinos, nos quais elas passavam pela necessidade de se adaptar como se fossem homens!
            O que a humanidade ainda não despertou ou mesmo enxergou é que justamente esse feminino, cuja expressão está sendo descuidada e mesmo negada pela sociedade atual, inclusive nos homens, que muitas vezes não se permitem a expressão deste seu lado, é o maior responsável pela beleza e pela harmonia do mundo.
            Enquanto a expressão do masculino, importante na objetividade, na ação e na concretização de ideais prepondera quase que isoladamente, o feminino é negligenciado. ESSA NEGLIGÊNCIA ESTÁ DEIXANDO O MUNDO FEIO! Tudo o que reclamamos hoje em dia em relação ao mundo vem da falta de expressão do feminino. Parem para pensar...

Nem vou entrar em detalhes em relação ao que está feio, não vale a pena, todos estão fartos das notícias ruins e meu foco é no positivo. Nosso mundo está sendo hoje dirigido praticamente apenas pelo masculino. Até mesmo nas mulheres que chegam ao poder, o lado "yang" é dominante, e o feminino raramente percebido ou trabalhado.
            E o que o feminino pode fazer de diferente pelo mundo? O que? Do feminino vem simplesmente toda a sensibilidade, a percepção, o sutil, o cuidar amorosamente, o colorido, o belo. A pessoa que tem o feminino desenvolvido exala uma "fragrância" que pode ser percebida como se fosse um perfume.
Enquanto o "yang" é regido pela mente, o feminino é guiado pelo coração. A mente é importante, mas dela só virão ações éticas e para o bem do todo se o coração estiver no comando (co-mando: mandando junto). Nas palavras de Exupéry:

"Eis o meu segredo: só se vê bem com o coração. O essencial é invisível aos olhos. Os homens esqueceram essa verdade, mas tu não a deves esquecer. Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas."
           
Deixo um alerta, especialmente às mulheres: procuremos nos conectar com o feminino em nossa essência, ação simples que requer apenas atenção e lembrança constantes. Certamente, despertando o olhar do coração, veremos melhor a beleza ao redor (nas pessoas, na natureza, no mundo) e a partir dessa mudança, naturalmente tudo muda ao redor. Assim como a flor de lótus nasce na lama, também é possível plantar beleza no mundo e com ela florescer!
            Conforme Gandhi sugere: "seja a mudança que você quer ver no mundo"

Mas nem tudo são flores e o defeito da mulher merece ser lembrado, conforme circula na Rede:
O DEFEITO DA MULHER
Quando Deus fez a mulher já estava em seu sexto dia de trabalho fazendo horas extras.

Um anjo apareceu e Lhe disse: 'Por quê leva tanto tempo nisto?'
E o Senhor respondeu: 'Já viu a minha ficha de especificações para ela?'
Deve ser completamente lavável, mas sem ser de plástico, ter mais de 200 peças móveis e ser capaz de funcionar com uma dieta de qualquer coisa, até sobras, ter um colo que possa acomodar quatro crianças ao mesmo tempo, ter um beijo que possa curar desde um joelho arranhado até um coração partido e fará tudo isto somente com duas mãos.

 O anjo se maravilhou com as especificações.  
Somente duas mãos... Impossível!” E este é somente o modelo básico? É muito trabalho  para um dia... Espere até amanhã para terminá-la.
Isso não, protestou o Senhor. Estou tão perto de terminar esta criação que é favorita de Meu próprio coração. Ela se cura sozinha quando está doente e pode trabalhar jornadas de 18 horas... O anjo se aproximou mais e tocou a mulher.

Mas o Senhor a fez tão suave...

“É suave”, disse Deus, mas a fiz também forte. Você não tem idéia do que pode agüentar ou conseguir.
“Será capaz de pensar?” perguntou o  anjo.   
Deus respondeu:
“Não somente será capaz de pensar, mas também de raciocinar e negociar”
O anjo então notou algo e estendendo a mão tocou a bochecha da  mulher...
“Senhor, parece que este modelo tem um vazamento... Eu Lhe disse que estava colocando muita coisa nela...” 
“Isso não é nenhum vazamento... é uma lágrima” explicou o Senhor.
“Para que serve a lágrima?” perguntou o anjo.
e Deus disse:
“As lágrimas são sua maneira de expressar seu destino, sua pena, seu desengano, seu amor, sua solidão, seu sofrimento, e seu orgulho.”
Isto impressionou muito ao anjo “O Senhor é um gênio, pensou em tudo. A mulher é verdadeiramente maravilhosa”
Sim é! A mulher tem forças que maravilham aos homens. Agüentam dificuldades, levam  grandes cargas, mas têm felicidade, amor e  alegria. Sorriem quando querem gritar. Cantam  quando querem chorar. Choram quando estão felizes e riem quando estão nervosas. Lutam pelo que crêem. Enfrentam à  injustiça. Não aceitam 'não' como resposta quando elas crêem que há uma solução melhor. Privam-se para que a sua família possa ter. Vão ao médico com uma amiga que tem medo de ir. Amam incondicionalmente. Choram quando seus filhos triunfam e se alegram quando seus amigos ganham prêmios... Ficam  felizes quando ouvem sobre um nascimento ou um casamento. Seu coração se parte quando morre uma amiga. Sofrem com a perda de um ente querido, entretanto são fortes quando pensam que já não há mais forças. Sabem que um beijo e um abraço podem ajudar a curar um coração partido. 
 
Entretanto, há um defeito na mulher:
É que ela se esquece o quanto vale.

sábado, 10 de março de 2012

MÁSCARAS E MASCARADOS II - SAÚDE SOCIAL

POR MÁRIO INGLESI


 Para começar, atentemos para o poema, “Inventário”, também de Drummond, para um início de reflexão


Inventário
 

Que fiz do meu dia?
Tanta correria.

Que fiz da noite?
O lanho do açoite.

Da manhã, que fiz?
Uma cicatriz.

Bolas, desta vida
Que lembrança lida,

Cantada, sonhada,
Ficará do nada.

Que fui eu, acordado?
Mancha no retrato.

(Poemas “Sociedade” e “Inventário, de Carlos Drummond de Andrade, “Poesia Completa, Ed. Aguilar S/A 1977)

Entretanto, há uma máscara que foge aos adereços ou a tipos consagrados e já conhecidos, pela vida afora. É uma máscara toda particular, Uma máscara cujo uso nos espanta e nos dá incômodos, temores, noites mal dormidas. Contra ela apenas algumas cirurgias


mínimas ou make-up para corrigi-la, disfarçá-la, mas, nunca retirá-la. É a máscara que o tempo da nossa vida vai nos impondo com vagar, mas com persistência e  impetuosidade marcantes. Que mapeia nossas dores, amores, tensões, pretensões, preocupações e, principalmente nossa ânsia de ter sempre, cada vez mais e melhor.  Mas, apesar de tudo ela não configura mais nossa identificação, fazendo com que recorramos a documentos, registros, a velhas fotografias, para sabermos quem realmente somos e como éramos antes de ela formatar nossa face com todas as suas sinuosidades. Essa é a máscara da “VELHICE”, com sua amostragem desabrida e deselegante, de rugas, sulcos, vincos, papadas, olheiras, bem como com o aparentar de orelhas grandes, nariz adunco, rosto afilado, cabelos brancos.  Eis que, com sua inteireza, não mais nos reconhecemos e também já não nos reconhecem.

“Olho-me no espelho
e percebo que estou
envelhecendo rápida e
definitivamente; com
esses cabelos brancos
parece que não vou morrer,
apenas minha imagem
vai se apagando, vou
ficando menos nítido, estou
parecendo um desses
clichês sempre feitos com
fotografias antigas que os
jornais publicam de um
desaparecido que a família
procura em vão.”
(Rubem Braga, O Desaparecido)

Todavia, com tal máscara, vamos viver um tempo diferente: mais curto, é certo, mais cheio de limitações, obviamente certo, mas, também, um tempo vivido, cuja experiência, sabedoria e aprendizado ninguém pode tirar, Um tempo, que se apresenta como um novo começar,

“Tudo muda. De novo começar
podes, com o último alento.
O que acontece, fica acontecido: a água
Que pões no vinho, não podes mais separar.

O que acontece, fica acontecido: a água
que pões no vinho, não podes
mais separar. Porém,
tudo muda: com o último alento podes
de novo começar.
(Bertolt Brecht, “Tudo Muda,” trad. Geir Campos)

No desencavar das máscaras, seus tipos, significados para nós viventes, há ainda a apontar aquelas que campeiam pelo mundo, deixando em seus usuários marcas indeléveis e das mais pungentes. É o que se pode dizer das máscaras da fome, e da pobreza mais abjeta, que tornam seus usuários figuras das mais tenebrosas, com seu olhar esbugalhado, suas faces encovadas seus membros esquálidos, tal como representadas na visualização oferecida pelos “Retirantes”, tela do pintor Portinari, (1903-1962) ou ainda, as máscaras de dores profundas das mais variadas naturezas, que fazem de seus usuários figuras lancinantes com traços de amargor, fúria ou menosprezo pela vida e pelo mundo, ou, vislumbradas de boca terrivelmente aberta num grito visceral como bem expôs Munch (1863-1944) em sua tela ”O Grito”, ou ainda, as máscaras encravadas nas faces dos loucos, com seus olhares indecisos, mas com certezas gritadas, sussurradas ou mesmo emudecidas ou ensimesmadas, diante das incertezas do mundo, mas com grandes propensões ao fazer artístico, como revelou Bispo do Rosário em seus trabalhos, produzidos durante os cinquenta anos de internato num sanatório.
Estas máscaras não suportam qualquer atitude paternalística ou de piedade, mas apenas de compreensão e ajuda quando se fizerem necessárias, para tornar seus portadores menos infelizes e mais aptos a enfrentar o mundo em seus dissabores existenciais. Afinal, eles como nós, são gente, com perplexidades talvez maiores mas, bem possíveis de serem corrigidas ou minoradas.


Continua...
 

sexta-feira, 9 de março de 2012

DESVENDANDO O SEGREDO?


POR REGINA POCAY (reginapocay@novaodessa.com.br)


“Qualquer coisa que a mente do homem pode conceber pode também alcançar.” Willian Clement Stone

“O bem estar de uma integralidade de pessoas que trabalham em conjunto é tanto maior quanto menos o indivíduo exigir para si o resultado de seu trabalho ou seja, quanto mais ele ceder esses resultados a seus colaboradores e quanto mais suas necessidades forem satisfeitas não pelo próprio trabalho mas pelo dos outros”
(Lei Social principal de Rudolf Steiner)

Muito tem se ouvido falar sobre a Lei da Atração. Só nos últimos anos, vários livros foram publicados para tratar deste tema. The Secret, The Power, são livros muito comentados, aliás, eu recomendo a leitura, eles estão à venda nas melhores livrarias. O fato é que, mesmo tendo em abundância, leitura à respeito do tema, artigos, publicações, filmes, enfim, uma vasta gama de possibilidades ao alcance de nossas mãos, porque a maioria das pessoas não coloca em prática, ou seja, transforma em ação toda a informação?


Eu já li vários livros sobre comportamento, assisti aos filmes sugeridos, tenho conversado com muitas pessoas sobre suas realizações profissionais, pessoais e o que percebo é que: - Um contingente grande de pessoas conhecem o Segredo, sabem que têm o Poder, porém não conseguem usá-lo em benefício próprio. Porque isto acontece?
Particularmente, acredito que todos nós temos um poder infinito e que somos guiados pelas mesmas leis. Acredito também sermos totalmente responsáveis por absolutamente tudo o que acontece em nossas vidas, ou seja, nós atraímos para nossas vidas todas as situações que vivenciamos, e isto se dá através do pensamento, de forma consciente ou inconsciente. Acredite!!!
- Você atrai tudo aquilo que teme. (Poder do medo)
- Você atrai tudo aquilo que se queixa. (Poder da insatisfação)
- Você atrai tudo aquilo que agradece. (Poder da gratidão)


Então é simples: Você atrai TUDO aquilo em que foca sua atenção.
A maioria das pessoas pensa no que não quer, ou sejam pensam de forma negativa. Quem pensa no que não quer, atrai aquilo que não quer. Mais ou menos como um imã. A lei da atração lhe dá tudo o que você menciona através da sua fala e lhe dá aquilo em que foca o seu pensamento. Portanto você cria situações agradáveis, ou desagradáveis.
Faça um pequeno teste neste momento. Interrompa sua leitura, feche seus olhos e se pergunte: Como estou me sentindo exatamente agora? ...
Então, é exatamente isto que você está atraindo para a sua vida!
O fato é que: A maioria de nós atrai os acontecimentos para sua vida pela omissão. Muitos pensam que não tem controle sobre “essas coisas”, por isso os pensamentos estão “no automático” e, consequentemente, as emoções estão “no automático” e, assim, TUDO o que atraem é por omissão.
Percebamos que nossos pensamentos estão SEMPRE atrelados às nossas emoções, aos nossos sentimentos. Quando fazemos algo, fazemos baseados no que estamos sentindo. Vou dar um exemplo: Se tomo a decisão de comprar um pão, um carro, uma roupa, enfim, o faço baseado na minha necessidade, ou seja, no caso do pão pode ser para saciar minha fome ou a fome de alguém, perceba que existe um sentimento envolvido, no caso do carro, também, eu posso ter tomado a decisão de comprar um carro, imaginando os passeios deliciosos que poderei fazer com meu carro, ou mesmo no conforto que poderei proporcionar à minha família, ou ainda em como vai ser bom poder ir trabalhar de carro sem tomar chuva. Agora, se compro o carro com uma sensação de medo de dirigir e causar um acidente, com receio de não poder pagar as prestações, perceba que neste caso estão envolvidas sensações negativas.
Analisemos então que desta forma podemos facilmente utilizar nossos sentimentos como um “termômetro” para sabermos se estamos no caminho certo ou não.
Você já sentiu alguma vez um friozinho na barriga quando ao tomar uma decisão tinha duas opções e obviamente escolheu uma, mas depois percebeu que se tivesse escolhido a outra teria sido melhor? Então, este “friozinho” é a Lei da Atração em ação. Seus sentimentos estavam lhe apontando o caminho correto, mas você insistiu em não seguir o caminho, ou seja, o “friozinho” é o que podemos chamar de resistência, segundo a Lei da Atração. Quando há resistência é sinal que algo não vai bem, portanto podemos começar a ficar mais atentos.


Certa vez, li uma frase que julgo bastante pertinente para complementar meu raciocínio à respeito da resistência: “Só há um rio onde flui o bem-estar; é o rio da energia positiva”. Não sei quem é o autor, mas é exatamente com esta metáfora do rio que percebo o fluir da existência humana em busca da felicidade. Quando adquirimos a capacidade de usar o pensamento positivo em benefício próprio, adquirimos também a capacidade de atrairmos “coisas boas” para a vida e para a vida dos que amamos ou convivemos.
Talvez, neste momento, esteja passando pela sua mente, como numa tela de cinema, um filme com detalhes coloridos dos momentos que você já viveu,sejam eles bons ou ruins das escolhas que você já fez, dos amores que deixou para trás, enfim, o filme da sua vida, onde, no papel principal e na direção está VOCÊ.
Portanto se pergunte agora: O que desejo para minha vida de hoje em diante?
E de maneira simples, tranqüila, serena, apenas PEÇA O QUE DESEJA...
Este é o SEGREDO: PEÇA o que deseja. Tenha FÉ inabalável de que vai conseguir e apenas se permita RECEBER, sinta que realmente é merecedor, pois é dentro de você que adormece o gigante capaz de conquistar TUDO O QUE DESEJA.


Mas procure não esquecer da lei do estabelecimento de acordos, corolário da lei social principal de Rudolf Steiner – quanto à igualdade:

“Em uma integralidade social os acordos e contratos serão tanto mais consistentes quanto mais resultarem na igualdade dos envolvidos. Serão, no entanto, tanto mais inconsistentes quanto mais se exerce o poder.”

Faça você também a diferença neste mundo: VENÇA e contribua para um mundo melhor!!!

“Em uma integralidade social a satisfação das necessidades será tanto mais saudável quanto mais elas forem satisfeitas a partir de uma atividade fraternal pelo outro e ela será tanto mais padronizada quanto mais se otimizar a mais valia.” (Tanto mais doentia quanto mais se priorizar o lucro).

segunda-feira, 5 de março de 2012

MEDICINA - TECNOLOGIA x CONSCIÊNCIA

POR: ANA CRISTINA GUIMARÃES (MÉDICA DERMATOLOGISTA) - ana_cmb@hotmail.com




O homem atual é hipnotizado pela tecnologia e seus aparatos que se renovam a cada seis meses, tais como crianças com um brinquedo novo.
A tecnologia trouxe grandes avanços inegavelmente, mas produziu um afastamento dos valores antigos. O “conhecimento”, a quantidade de informações acumuladas substituiu a “sabedoria”, prezada como valor maior desde a Grécia antiga até épocas não tão distantes (provavelmente a de nossos avôs). 

O “Ser” é gradualmente substituído pelo “Ter”.

        Na medicina, isto se traduz em aparelhos novos de ultrassons, ressonâncias, robôs que fazem cirurgias, lasers para todos os tipos de doenças e tratamentos. Quanto mais luzinhas piscando, LEDS e computadores, melhor! Quanto mais exames pedirmos, inclusive aqueles “novos”, realizados somente em laboratórios ultramodernos, melhor o médico. Somos a geração fascinada por “Jornada nas Estrelas“ ou “Guerra na Estrelas”. (Não digo isto como uma crítica, apenas como uma constatação da realidade. Em meu consultório tenho diversos aparelhos de laser com luzinhas piscando e minha sala já foi comparada por um paciente com a sala de comando da Star Trek. Além disso, meu filho mais velho se chama Luca e eu não canso de chamá-lo de Luke Skywalker).
A medicina ocidental da atualidade se baseia quase que exclusivamente na tecnologia e no chamado método científico. O médico atual deve saber tudo sobre bioquímica, genética, reações celulares, vírus, novos exames e medicamentos. Tem valor apenas o objetivo, o que pode ser encontrado no exame clínico ou pode ser medido nos exames laboratoriais. A verdade só é considerada após uma série de experiências científicas que a comprovem detalhadamente.
As palavras “alma”, ”espírito humano” e ”humanidades” passam longe do vocabulário científico. O ser humano passou a ser considerado um aglomerado de células formado evolutivamente pela lei da seleção natural e nossa alma ou espírito ou self (como queiram chamar) um subproduto do cérebro. A mente seria apenas derivada do funcionamento de nossas células cerebrais (neurônios). Esta é a visão materialista científica da nossa medicina atual e infelizmente, alguns médicos e neurocientistas concordam com ela.
Mas desde a formação de nossa sociedade ocidental, influenciada pela cultura grega, o homem era visto como um ser único e especial, formado por corpo e espírito e esta visão integral se aplicava também a doença e as artes curativas da sociedade. Não era a toa de que muitos médicos também eram filósofos, assim como o pai da medicina ocidental, Hipócrates.
Esta visão integral do homem foi gradualmente sendo substituída pela visão cientifica. Como a medicina da atualidade passou a ser materialista e tecnológica, quase que exclusivamente? Só podemos entender isto se analisarmos também outros aspectos da sociedade contemporânea. Assim, também em nossa sociedade tem valor apenas o objetivo, mensurável, o que pode ser visto.
Podemos considerar brevemente que as bases ocidentais da ciência moderna são influenciadas por Descartes, médico e filósofo (1596-1650). Seu método dedutivo reservava um grande valor a experimentação. - Penso, logo existo. Além disso, descobertas das ciências naturais colocaram em cheque verdades dogmáticas da Igreja Católica. Cada vez mais se dava importância à razão e ao intelecto. Como consequência, o ser humano, ser único, especial, feito - a imagem e semelhança de Deus- passou a ser encarado como um triste acidente evolucionista da natureza.

Homem Vitruviano

A figura acima representa de maneira magnífica todo o significado dado ao homem. Representa a simetria matemática das proporções, mas também tem correlações metafísicas, dentre elas muitas da filosofia hermética. Basta uma pesquisa rápida na net para nos maravilharmos com tudo que esta obra nos mostra.


Como em poucos anos nós deixamos de ser homens vitruvianos para nos tornarmos máquinas biológicas...

Robocop
Este é o Robocop, acho que só quem tem mais de 40 anos conhece...
Este filme foi um blockbuster na minha adolescência. Era HORRÍVEL, aos que não viram não se desesperem.
Nas escolas e universidades, até o início do século XX, era ensinada uma visão humanística. O que seria isto? Independente de sua escolha de carreira, físico, historiador, advogado ou médico, entre outras profissões, ensinava-se e discutia-se filosofia, história, artes, política, leis, religião e literatura. A formação do ser humano era considerada de uma forma integral. O homem era fruto de seu meio, da natureza, família e nível sócio cultural. Tanto na família como nas universidades havia a preocupação de incutir valores morais além de todo o conhecimento especifico de cada área.
Entretanto, nas ultimas décadas, estes saberes valiosos considerados extremamente importantes para a educação e formação do ser humano tem se relegado ao papel secundário de “cultura geral”. Nas escolas, a preocupação principal - passar no vestibular - e depois nas universidades, aulas destes assuntos são consideradas por alguns como matérias para descanso.
Transferindo esta breve reflexão para a área da saúde observamos que conceitos como doenças, saúde, cura e corpo são trabalhados de um ponto de vista exclusivamente materialista e reducionista, biológico. Considera-se real apenas o material, mensurável. Ocorreu na medicina um afastamento entre o espiritual e o físico. Os problemas mentais foram relegados as especialidades de psiquiatria e psicologia. Aulas de ética, filosofia e história da medicina perderam espaço para matérias tais como anatomia, bioquímica e genética, por exemplo.
Como consequência, estamos enfrentando um período em que ocorre uma perda do significado da arte médica, que deveria ser a arte de cuidar, não de curar. A famosa relação médico paciente foi substituída por pedidos de exames e prescrição de medicamentos. A arte de ouvir um paciente, praticamente eliminada.
Entretanto, apesar de tantas novidades tecnológicas, após alguns anos de atendimento, nós médicos sentimos claramente a limitação de tudo isto. A medicina ocidental avança até um ponto e depois para. Em muitas doenças encontramos um limite, uma barreira na qual todos os tratamentos tradicionais conhecidos não atuam.
Deixo então algumas questões para reflexão:
- Como poderíamos ultrapassar esta barreira e nos tornar mais úteis, ajudar mais a nossos pacientes? Que instrumentos a mais poderíamos utilizar além de todo o conhecimento cientifico e as novas tecnologias? Seria a ciência a única resposta? Estudos antigos como filosofia, história, literatura, religião e espiritualidade não poderiam contribuir para a formação de uma nova ciência, mais completa e integral?
- Como esta perda de valores e saberes antigos interfere em nosso cotidiano? Em minha opinião, constatando a onda de violência e degradação moral em vários setores de nossa sociedade, a perda do afeto das relações familiares e pessoais mais próximas, principalmente no trabalho.
Os profissionais da saúde precisam rever os conceitos e paradigmas que impregnam a medicina atual. A visão do ser humano deve voltar a se tornar integral. O médico deve voltar a se importar com o contexto de vida no qual os pacientes estão inseridos. Sabermos sobre o estado da “alma” ou “espírito” de um paciente é tão ou mais importante do que sabermos sobre seus exames laboratoriais. Quem é este paciente? Conhecermos sua situação familiar, a quantidade de horas trabalhadas e suas relações no trabalho e na família são de extremo valor. Assim também como seus conceitos religiosos e culturais. Perguntarmos sobre o início de um sintoma ou doença e em qual contexto de vida ele aconteceu. Sabermos como um paciente encara sua doença e quais mudanças que ela ocasionou em sua vida. Perguntas antigas feita por nossos colegas de algumas décadas atrás e que estavam esquecidas e adormecidas.
Também é importante aumentar o nível de consciência de nossos pacientes. Ajudá-los a entender o contexto sócio cultural em que vivem, e que as doenças são causadas não só por bactérias, vírus ou carboidratos, mas também por fatores econômicos, psicológicos e sociais.

(Exemplo: um paulistano que demora 1 hora ou mais no trânsito de São Paulo, respirando nosso ar maravilhosamente poluído com certeza absoluta tem maior probabilidade de sofrer de algum problema cardíaco, a não ser que tenha sido um monge zen em outra vida! Tratamento preconizado básico: dieta e medicamentos anti-hipertensivos. Mas por que não também uma aula de kung- fu, massagem ayurvédica, ou finais de semana nas montanhas...).

      Dentro do conceito de humanização, orientações como estas são tão ou mais valiosas do que os medicamentos. Infelizmente, muitos pacientes quando ouvem estas orientações me olham meio de lado, mesmo quando friso de que elas são a parte mais importante da receita! Não há como culpá-los, pois a nossa sociedade deixou de lado a importância do aprender a viver bem, a conduta essencial para a manutenção da saúde.
Precisamos refletir se a nossa concepção materialista, consumista e desumanizada atual esta servindo para melhorar ou piorar nossa qualidade de vida e esta capacidade de bem viver.

      Termino com esta reflexão profética de Nietzsche:

“Por fim, o que restava sacrificar (a Deus). Não se deveria sacrificar de uma vez tudo que é consolador, santo, curativo, toda a esperança, toda a fé em uma harmonia oculta, em bem aventuranças e justiças futuras? Não se deveria sacrificar o próprio deus e, por crueldade contra si, adorar a pedra, a estupidez, a gravidade, o destino, o nada? Sacrificar Deus ao nada- esse mistério paradoxal da crueldade extrema permanece reservado para a geração que agora surge: todos nós já conhecemos algo disto."


sexta-feira, 2 de março de 2012

MÁSCARAS E MASCARADOS I - SAÚDE SOCIAL

POR MÁRIO INGLESI



Dr. Ricardo
Em todas as civilizações, desde as mais remotas, as máscaras, como adereço ou não, fizeram parte da humanidade. Em princípio, talvez nos rituais, depois, nas artes cênicas, como nas tragédias gregas, para demarcar o drama, ou na Comédia Del’Arte, com as figuras do Pierrô, Colombina e Arlequim, para surtir o riso e o melodrama. As máscaras configuram também os palhaços, os clowns, como ainda, nas HQs, os seus inúmeros heróis com o objetivo de esconder-lhes a verdadeira identidade. Enfim, as máscaras como adereço, sempre se fizeram presentes, quer nos momentos de alegria, como nos bailes de máscaras, nas festas carnavalescas, e em suas marchinhas, ou nos momentos da finitude do ser humano, através das máscaras mortuárias, feitas como a última imagem a ser guardada como lembrança do momento final da existência. Ou ainda, as máscaras para disfarçar a verdadeira imagem do usuário delas, em momentos ou ocasiões especiais ou propícias. Estas tanto podem ser um adereço, como ainda um disfarce em pintura de cores vivas, distribuída em traços marcantes pela face ou até mesmo no corpo do usuário para definir-lhe o uso em momentos especiais, de danças, oferendas, ritos de morte etc. etc., como ocorreu e ainda miudamente ocorre nas comunidades indígenas ou aborígenes, de todos os cantos do planeta.
Mas, não para por aí. O uso da máscara ou a sua figuração, percorre todas as artes cênicas e livros destinados ao público infanto-juvenil, mormente para a mimetização de animais e de seu animismo.

 
Apesar de todos esses tipos de máscaras e seu uso, o homem, em sua metamorfose ambulante, viu-se compungido ou mesmo constrangido, por injunções próprias ou alheias, em seu dia a dia, nas suas relações domésticas, de trabalho ou, simplesmente na convivência comum corriqueira, a inventar, usar e usufruir em seu próprio benefício ou de outrem, outras máscaras, desta feita, interiorizadas e entranhadas pelo uso, para serem exteriorizadas em cada momento oportuno, fazendo de si uma multiplicidade de seres outros, sem identidade própria, que o defina e o configure como ser de personalidade e características únicas. Isto o torna manipulador e manipulável, em sentimentos, idéias, gestos e manifestações díspares, de toda ordem, quer por escrito ou, oralmente.
Essas máscaras podem se configurar em: egoísmo, quando seu portador não parte nem reparte e quando o faz sempre briga pela melhor parte; em: bajulação, para angariar favores, cargos, obséquios a seu favor, seja ou não em detrimento de outrem; hipocrisia, em prol de parecer aos outros o que realmente não é, no intuito de sempre enganar, dissimular, falsear, etc.; superioridade, para mostrar-se, estar por cima e acachapar outrem, induzindo a preconceitos de toda ordem; covardia, ao aproveitar-se de fraquezas alheias; puritanismo, moralismo e tantos outros “ismos” que veem mazelas em todos, mas não em si mesmos; corrupção para tirar ou acobertar proveitos; inveja de outrem, por coisas ou motivos supérfluos; vaidade, alimentada pela indústria e comércio.


Essas configurações são apenas algumas de tantas e tantas outras que o ser humano veste e desveste e traveste ao bel prazer, ao aprazado da hora, ao demarcado e ocasional do lugar e, sempre com vistas à satisfação e interesses pessoais múltiplos. Elas têm como vantagem principal, a de poderem ser manipuladas para mutações imediatistas, de acordo com as convenções do usuário, a exemplo do poema “Sociedade”, de Drummond:

Sociedade

O homem disse para o amigo:
- Breve irei a tua casa
e levarei minha mulher

O amigo enfeitou a casa
e quando o homem chegou com a mulher,
soltou uma dúzia de foguetes.

O homem comeu e bebeu.
A mulher bebeu e comeu.
Os dois dançaram.
O amigo estava muito satisfeito.

Quando foi hora de sair,
o amigo disse para o homem:  
- Breve irei a tua casa.
E apertou a mão dos dois.

No caminho o homem resmungava:
- Ora essa, era o que faltava.
E a mulher ajuntara: - Que idiota.

- A casa é um ninho de pulgas.
- Reparaste o bife queimado?
O piano ruim e a comida pouca.

E todas as quintas-feiras
Eles voltam à casa do amigo
que ainda não pôde retribuir a visita.


Diferentemente das máscaras objeto do texto do pensador Khalil Gibran, elas não caem ou são roubadas à luz do sol, nem o seu usuário será tomado por louco, e terá liberdade e segurança em sua loucura. Ao contrário, chamam-no, com altivez, e com certa inveja, de ESPERTO e, na maioria das vezes, o aclamam com palmas e muito bis, como heróis da modernidade e da nossa gente: os VENCEDORES.
Assim, se as lágrimas se espalham pelo nosso rosto de ver “triunfar tantas nulidades”, (Rui Barbosa) tanta incongruência, um riso, ainda que acanhado, desabrocha em nossos lábios de ver tamanha carnavalização em bloco de mascarados.
Esquecidos que todos nós estamos no mesmo universo, e, portanto, que nossos problemas e anseios são de resolução comuns, só nos resta tentar nos desfazermos minimamente dessas máscaras inoportunas e incongruentes, o quanto antes, para alcançarmos uma vida digna de ser vivida.
Pode ser uma tarefa inglória. Mas uma tentativa sempre é viável e válida, ainda que nós mesmos nos chamemos de “loucos”, ou outros nos achincalhem com seus ditos e impropérios.
Continua...

quinta-feira, 1 de março de 2012

CONSCIÊNCIA E EVOLUÇÃO


POR: FERNANDO PINTO (MÉDICO NEUROCIRURGIÃO) - fernando.neuro@terra.com.br




 
      A nossa consciência, espírito, alma, energia, luz ou qualquer outro nome para denominar a nossa essência; utiliza o cérebro para influenciar no nosso corpo e desta forma nossas atitudes podem refletir no mundo físico nossa própria essência.
      A evolução das espécies mostra um desenvolvimento principalmente dos lobos frontais nos humanos. Parece sermos os únicos seres vivos da Terra, conscientes da nossa existência e isto traz a "angústia" de se conhecer o desfecho físico do corpo: a morte.
      Acredito que a evolução continua no sentido do aprimoramento de funções veiculadas principalmente nos lobos frontais. Se atualmente, a emoção mais nova na face da Terra é o AMOR; fico pensando qual será a próxima emoção que poderia surgir... Se o amor é algo muito bom, o que pode ser ainda melhor? Gostaria poder viajar alguns milhares de anos e poder responder...
      Fato é que devemos valorizar o bom pensamento e o funcionamento equilibrado do cérebro e de nossas funções mentais, para podermos tirar o máximo proveito deste órgão que temos nesta vida e manifestar com todo esplendor a nossa essência!